sexta-feira, 1 de maio de 2026
Música do dia: E agora, José?, com Paulo Diniz
O poema do Carlos Drummond de Andrade serve de tema para o quadro político brasileiro, diante da derrota histórica do governo Lula, com a rejeição pelo Senado do seu indicado a ministro do Supremo Tribunal Federal, coisa que só tinha acontecido no governo Floriano Peixoto, nos primórdios da República, ainda no século XIX. Me lembrou aquele momento assustador há dez anos, quando a Câmara aceitou o pedido de impeachment da presidenta Dilma: muita coisa aconteceu e muita esperança havia ainda, mas o governo já tinha acabado. É a pergunta que faz o analista Frederico Krepe no vídeo que também reproduzo abaixo, juntamente com a do Jones Manoel, duas análises lúcidas. Para completar seu serviço o Congresso, ontem, derrubou o veto presidencial e manteve a revisão das penas dos golpistas de 8 de janeiro. Da minha parte, digo o que sinto desde que a volta do Lula se anunciou, ao ser solto em 2019: o Brasil continua afundando enquanto marca passo, sem encontrar seu caminho, seguindo políticos corrompidos, prestes a voltar às trevas de um novo governo bozo, dessa vez do jr. Já escrevi muitas vezes ao longo das quase duas décadas deste blog o que penso do Lula e do fracasso da minha geração. Quando o bozo pai foi eleito, naquela farsa da facada, parecia que os brasileiros viviam um pesadelo, ao qual a pandemia deu cores dantescas; uma repetição do pesadelo parece a descida definitiva ao inferno. Todos sabemos que bozo jr. é um bandido cercado de bandidos, que o Congresso está dominado pelo crime organizado e por interesses particulares, antinacionais e antipopulares. A imprensa empresarial não é muito melhor e já não tem a força que tinha, o STF dá mostras de que o julgamento dos golpistas de 8 de janeiro foi um ato político, não uma demonstração de idoneidade; foi por assim dizer o último ato de um longo processo que começou com a farsa do mensalão, que pode ser nomeado como a tragédia do povo brasileiro. A política brasileira está toda podre. E é isso, a podridão, que vai se institucionalizar a partir de 2027, ao que tudo indica. Depois, só uma revolução popular poderá consertar, mas como imaginar uma revolução, se até o povo se tornou reacionário, aderiu à ideologia dominante e vota na extrema direita? E agora, José? José, para onde?
quarta-feira, 29 de abril de 2026
A viagem de Paulo Diniz e Juarez Correia pelo sertão de Pernambuco
domingo, 26 de abril de 2026
Lula e o PT deram o exemplo para a juventude "antissistema"
Estou procurando no blog e ainda não achei quando foi a primeira vez que eu falei isso que o Breno Altaman está falando hoje: o PT se transformou no partido da ordem. Quer dizer, ele diz que ainda não aconteceu, mas há uma pressão forte para acontecer, eu digo que já aconteceu há muito tempo, desde que Lula assumiu a presidência pela primeira vez. Altman adota uma política gradualista de aceitar a ideia, assim como aceita hoje ideias que não aceitava há algum tempo. A questão é que a situação política do Brasil ficou evidente e que a pergunta que eu mesmo me faço é: por que nos deixamos enganar durante tanto tempo? Quando digo "nós" me refiro às pessoas de esquerda, anticapitalistas, que leram Marx, que idealizam uma sociedade igualitária e tudo mais. Hoje me parece evidente que Lula e o PT foram o melhor partido e o melhor presidente que o capital poderia desejar, porque conteve os trabalhadores enquanto fazia o que os capitalistas queriam. Qualquer governo enfrentaria a oposição dos trabalhadores, como de fato outros enfrentaram antes. Não mais agora, porque a organização dos trabalhadores foi ampla e fortemente destruída e os jovens não querem carteira assinada nem sindicatos nem nada parecido, pois se consideram "empreendedores", isto é, foram ganhos pela ideologia neoliberal capitalista. Como disse um banqueiro, tanto faz que a eleição de outubro seja vencida por Lula ou bozo jr., porque Lula já se mostrou confiável -- e os trabalhadores, acrescento eu, defendem o sistema, achando que estão atacando o sistema. Lula, o ex-líder sindical, e o PT, o partido dos trabalhadores, deram o exemplo e agora os jovens trabalhadores também defendem o capitalismo. Altman está dizendo coisas que só marxistas revolucionários diziam. E faz uma observação interessante: o discurso do Lula na Espanha parece um pedido de socorro.
PS: Em 2011, escrevi sobre isso, talvez tenha sido a primeira vez, e lá se vão 15 anos.