domingo, 25 de outubro de 2026

O crime organizado quer tomar o poder pelas urnas

É esse o resumo da eleição deste domingo 25 de outubro de 2026. Tudo é óbvio para quem não é cego pela ideologia. E como se vê nesse vídeo, nem os próprios políticos representantes do crime organizado escondem seu objetivo. Por exemplo: o candidato a presidente quer eliminar a identificação da munição, que é o meio pelo qual se chega ao autor do disparo em um crime. A impunidade dos bandidos é ampla no Brasil, mas os criminosos querem que ela seja total. Simples assim. É o que a maioria dos brasileiros vai decidir se quer hoje.

Música do dia: Queixa (Caetano Veloso)

Nenhuma música diz exatamente o que eu sinto, por isso escrevo, em vez de passar a vida cantando, mas muitas se aproximam, por isso publico as músicas do dia. 
 
Dessa coisa que mete medoPela sua grandezaNão sou o único culpadoDisso eu tenho a certeza
(...) 
Um amor assim delicadoNenhum homem dariaTalvez tenha sido o pecadoApostar na alegria
(...)
Princesa, surpresa, você me arrasouSerpente, nem sente que me envenenouSenhora, e agora me diga aonde eu vouAmiga, me diga
 

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

A história de um bandido que quer ser presidente

Mais um episódio da excelente série Revelando. Não será por falta de informação disponível que o bozo jr. será eleito presidente da República, se o for, e espero que não, e faço a minha parte, e espero que a maioria dos eleitores brasileiros também. Seja como for, a possibilidade de que seja eleito, a pequena margem que pode derrotá-lo e a votação que teve no primeiro turno dizem coisas sobre os brasileiros que o esforço jornalístico extraordinário e admirável das últimas semanas não discute. Compreensivelmente, porque agora o que interessa é impedir sua eleição. No entanto, temos que enfrentar estas questões, se quisermos andar para frente. Porque, vamos combinar, este é o momento mais angustiante das nossas vidas, mas chegamos a ele por meio de uma sucessão de momentos cada vez mais angustiantes, nos quais não encaramos os nossos problemas. 

Que problemas são esses? O primeiro deles é a péssima qualidade da "nossa democracia" ou "democracia brasileira", como costumamos chamar a ordem política (e social e econômica, talvez não nessa ordem de influência) que vigora no Brasil desde o fim da ditadura militar (1964-1985). Não podemos ignorar, como temos feito há uma década, isto é, desde o impeachement da presidenta Dilma, de triste memória, que a ascensão da extrema direita se dá na democracia, que os autoritários já chegaram ao poder pelo voto popular e estão perto de repetir esse feito, apesar da eleição do Lula em 2022. Como é que aqueles que são contra o povo e contra a democracia podem conquistar a maioria do povo e o poder na democracia? É isso que todos os que se dizem democratas deveriam se perguntar, para começo de conversa. Quem faz essa pergunta costuma concluir que o "defeito" está no povo, não na "nossa democracia". Errado. O defeito não está no povo, o defeito está na democracia. Não sou o único a ver isso, o filósofo Vladimir Safatle e o ativista agora eleito deputado federal por Pernambuco Jones Manoel também veem. 

A "democracia brasileira" é uma construção defeituosa, que nasceu para se opor à ditadura e arregimentou as massas populares na memorável campanha Diretas já!, se institucionalizou na Constituição de 1988 e foi efetivamente construída pela esquerda, isto é, por dois partidos e presidentes tidos como de esquerda, PSDB e PT, FHC e Lula. Essa construção defeituosa deu muito pouco ao povo brasileiro, ao contrário do que dizem expoentes brilhantes do nosso tempo, porém equivocados e cegos politicamente, que mais uma vez se levantam para defender a reeleição do Lula. É por isso, porque a "nossa democracia" é uma merda e porque o povo a identifica com a esquerda, que a maioria caminhou para a extrema direita. A esquerda brasileira passou décadas praticando políticas de direita que foram identificadas como políticas de esquerda e agora metade do povo faz opção pela extrema direita, que é a única força oposicionista organizada e tem apoio do capital, das empresas de tecnologia e do governo estadunidense. Há oposições de esquerda, mas elas não são organizadas e influentes como a extrema direita. 

A opção de metade do povo brasileiro pela extrema direita só é incompreensível para os democratistas, isto é, os defensores da democracia burguesa capitalista institucionalizada pela Constituição de 1988, classes sociais beneficiadas pela ordem em vigor há quase quarenta anos, que derrubaram a ditadura com apoio do povo, mas depois se distanciaram dele, e cujo maior expoente político é o Lula. Simples assim. Comparado com o que o povo brasileiro precisa, o que foi que Lula e os democratistas fizeram? Muito pouco. Ou o povo não estaria tão descontente. O que os democratistas fizeram para combater a violência da qual o povo é vítima? É nessa área que o fracasso da "democracia brasileira" é mais evidente, porque é justamente do crime organizado que vem a extrema direita. Se os democratistas tivessem sido eficientes em combater o crime organizado, pelo menos isso, teriam impedido a ascensão da extrema direita. Os democratistas das classes privilegiadas nunca compartilharam o poder com o povo, limitaram este ao direito ao voto de quatro em quatro anos, quando esse poder se manifesta assim, na forma de plebiscito: reeleger ou derrotar o presidente (e o governador ou prefeito). Minto: houve, décadas atrás, iniciativas do PT, quando ainda era um partido de esquerda, de implantar o orçamento participativo, no qual o povo era chamado a escolher em que a prefeitura deveria aplicar o dinheiro dos impostos, mas elas foram abandonadas em favor de esquemas de corrupção e de acordos criminosos no Congresso, nas assembleias e câmaras municipais.   

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Música do dia (2): Assum preto (Gal Costa)

"Assum preto, o meu cantar é tão triste quanto o teu, também roubaram o meu amor, que era a luz dos olhos meus." Procure uma referência à ditadura militar (1964-1985) e não encontrará. No entanto, o disco (gravado ao vivo no show) Fa-tal, Gal a todo vapor é o melhor documento do que foram os anos de chumbo, aquele período sombrio que se seguiu à decretação do AI-5, que coincidiu com o "milagre brasileiro" e com o governo Médici (1969-1974). A opressão está no ar do começo ao fim deste disco e Assum preto talvez seja "a mais completa tradução", uma poesia que fala do mais cruel e insensível sofrimento que o sapiens e só ele é capaz de afligir, "por ingnorança ou mardade das pior". Gal canta respirando profundamente, soltando angústia junto com sua voz poderosa. 

Música do dia: Dê um rolê (Gal Costa)

Pra capoeirista. Daquele show maravilhoso. Essa música pode ser cantada hoje com a mesma atualidade. Arte não é isso, a perenidade da essência humana? "Não se assuste, pessoa, se eu lhe disser que a vida é boa. Enquanto eles se batem, dê um rolê e você vai ouvir apenas quem já dizia: eu não tenho nada, antes de você ser, eu sou amor da cabeça aos pés. E só tô beijando rosto de quem dá valor, pra quem vale mais um gosto do que cem mil réis." 

terça-feira, 20 de outubro de 2026

Revelando: República dos laranjas

Mais um episódio da excelente série Revelando. Nela ficamos sabendo de tudo sobre os bandidos que querem voltar ao poder. Dessa vez, não será por falta de informação disponível nem de aviso.

Música do dia (2): Se você jurar (Ismael Silva)

O que escrevi sobre Os argonautas se aplica também aqui, com um acréscimo: nenhuma canção diz exatamente o que eu penso. O que me motiva a escrever também. Se dissesse, eu não precisa escrever, podia só cantar.

Música do dia: Os argonautas (Caetano Veloso)

Por que essa música me emociona? Não sei dizer, é a melodia, é o refrão, talvez algum verso mais. Eu não sei, mas meu inconsciente, que entende antes de mim, sabe. Bastava ao Caetano tê-la feito, para ficar na história, e no entanto é pouco lembrada, e no entanto ele fez inúmeras outras. Feito inúmeros outros compositores populares brasileiros. A música é a maior riqueza do povo brasileiro, um povo que vive numa Natureza exuberante, sob domínio de proprietários capitalistas canalhas.