domingo, 1 de novembro de 2026
JM aponta o caminho
Um dos dias mais bonitos da história do Brasil
Enfim, um revolucionário brasileiro
sábado, 31 de outubro de 2026
A promessa do Lula para o quarto mandato
quinta-feira, 29 de outubro de 2026
Música do dia: Eu te amo, te amo, te amo (Roberto Carlos)
quarta-feira, 28 de outubro de 2026
A esquerda está entendendo o que tem de fazer até o dia da posse do Lula 4?
O vídeo abaixo é uma provocação. O discurso do Caetano no festival de 1968, enquanto tentava cantar "É proibido proibir" e era vaiado pelos estudantes da chamada "esquerda festiva", me parece atual em alguns trechos e pertinente. "São a mesma juventude que vão sempre, sempre, matar amanhã o velhote inimigo que morreu ontem! Vocês não estão entendendo nada, nada, nada, absolutamente nada." Dessa vez, porém a situação se inverte: a juventude, a massa, está entendendo tudo, mas será que as lideranças estão? Ou será que continuarão olhando para trás, "matando amanhã o velhote que morreu ontem"? Mais uma vez é preciso ter lucidez para aproveitar o momento histórico e a mudança de conjuntura.
Sim, a conjuntura mudou domingo, dia 25 de outubro de 2026, quando Lula venceu o segundo turno da eleição presidencial e fez fugir do país o candidato fascista, para não ser preso, pelos inúmeros processos a que responde e que certamente o levarão à prisão, conforme já aconteceu com o pai. A conjuntura não mudou porque Lula venceu, Lula venceu porque a conjuntura mudou. O que fez a conjuntura mudar? A mobilização popular contra o fascismo. Não foi a justiça nem Lula quem fez o fascista fugir, foi a vitória popular, que primeiro se manifestou nas ruas e no domingo se traduziu em votos. Só assim a democracia burguesa capitalista tem sentido, quando as urnas traduzem a vontade popular. E é isso que é preciso manter no governo Lula 4, é essa fogo da mobilização popular que precisa ser alimentado, para não apagar, para aumentar. A minha dúvida é se temos na esquerda brasileira organizações e líderes à altura do momento, da mudança de conjuntura.
Me parece que a massa popular que se levantou para enfrentar a ameaça do fascismo e votar domingo sabe muito bem o que quer, o que é preciso ser feito, o que os grupos e políticos de esquerda devem fazer, mas será que estes sabem? Ou será que não estão entendendo nada? Já vejo surgir nas redes sociais uma lista de reivindicações populares ao governo reeleito. Vejo também a Rede Globo, pelos seus comentaristas e jornalistas, expondo as suas reivindicações, que podem ser resumidas na velha ladainha do equilíbrio das contas públicas, do corte de gastos, que significa o oposto do que o povo quer. A Globo quer o oposto do que o povo quer e desde já pressiona. E a esquerda, que deveria representar o povo? A esquerda vai pressionar o presidente reeleito para que faço o que o povo quer? Para que lado Lula vai? Para o lado do capital que manda depois do resultado eleitoral ou para o lado do povo que o elegeu? É simples assim, mas Lula só atenderá seus eleitores e contrariará a Globo etc., se a esquerda for capaz de apresentar igualmente um programa para atender as massas populares mobilizadas, majoritárias e vencedoras no domingo passado.
Lula só vai para o lado do povo, se a esquerda o puxar, e para puxá-lo, ela precisa manter o povo mobilizado. A direita age imediatamente depois da eleição, e a esquerda? A esquerda venceu, porque a esquerda é o povo e o povo venceu. Agora, o povo precisa ser respeitado e cabe à esquerda elaborar o programa popular que Lula deverá cumprir para ser honesto com aqueles que votaram nele. Como disse, a lista de reinvidicações populares já está nas redes. Quem vai sistematizá-la e dar-lhe forma coerente como programa de governo? Jones Manoel? Elias Jabbour? Vladimir Safatle? Todos juntos e outros também? A esquerda unida, puxando o PT e o Lula?
O governo Lula 4 precisa nascer com um programa de esquerda formulado a partir das massas mobilizadas e levado de volta a elas, num movimento de esquerda unificado (MEU), capaz de continuar enfrentando o fascismo e fomentar a organização popular. Quem se diz revolucionário mas não age para a revolução não passa de pequena burguesia radicalizada no discurso. O fascismo foi degolado mais uma vez, sem violência, mas não morreu.
terça-feira, 27 de outubro de 2026
Documento histórico: a fuga do bozo jr.
A melhor reflexão sobre o momento histórico do qual participamos
Lula 4 precisa ser um governo apoiado na mobilização popular
Jones Manoel segue sendo o mais lúcido dos políticos de esquerda do Brasil, agora legitimado pelo mandato de deputado federal mais bem votado de Pernambuco e um dos líderes do levante popular juvenil que levou à virada histórica no segundo turno da eleição presidencial de 2026. A sua análise coincide 100% com a minha. Ele é desde já meu candidato da esquerda à sucessão do Lula, candidatura que precisará ser construída na liderança desse trabalho diário, no Congresso e fora dele, para puxar o governo Lula 4 para a aliança com os trabalhadores nas ruas e nas organizações populares e não com os políticos e empresários que dominam as instituições corrompidas da democracia burguesa. Meu único reparo à análise do JM é talvez em relação ao PT. Defendo que a mobilização popular exija que o PT assuma o papel histórico para o qual foi criado e lidere a união de toda a esquerda, mas essa união também pode ser em torno de um movimento de esquerda unificado (MEU é uma boa sigla, não é?) que puxe o PT.
Jones Manoel 2030!
segunda-feira, 26 de outubro de 2026
Vencemos! Celebração, orgulho de ser mineiro e brasileiro, elogio da juventude
Mais uma vez Minas escolheu o lado certo. Mais uma vez Minas decidiu a eleição presidencial. Foi o único estado a virar do primeiro para o segundo turno. Todos sabíamos que quem ganha em Minas ganha no Brasil. Minas é o retrato do Brasil. E Minas virou. Os mineiros que não votaram no primeiro turno se mobilizaram, eu inclusive. Nunca tive tanto orgulho de ser mineiro como ontem. Minas, estado vermelho. Ao chegar a Belo Horizonte sábado, levei um choque de realidade ao ser jogado no meio de uma multidão barulhenta e agressiva vestida com as traumáticas camisas da CBF. Ela não foi suficiente, porém. Minas é muitas e é predominantemente vermelha, quando seu povo se mobiliza. Muitas emoções para dois dias. E eu, que nem lulista sou, gritei, ri, me emocionei, chorei até. Porque Minas virou e eu participei desse esforço popular, fiz parte dos mais de um milhão de mineiros que se mobilizaram para votar no Lula e impedir que os fascistas tomassem o governo federal.
Essa vitória pode ser mais importante do que a de 2002. Vai fazer diferença nos próximos quatro anos, nas próximas décadas. Vai fazer diferença no continente e no mundo. O Brasil resiste à ascensão mundial do fascismo e aponta outro caminho. Lula foi reeleito e afirmou seu impressionante carisma, além de vitalidade, mas não foi ele quem venceu. Quem venceu ontem foi o povo brasileiro, especialmente a juventude, a quem caberá o futuro. O segundo turno da eleição presidencial de 2026 marcou o momento em que a juventude brasileira tomou as rédeas do seu destino e começou a construir o Brasil do século XXI. Os jovens entusiasmaram os velhos e levaram Lula à vitória.
O símbolo da fantástica vitória popular brasileira de ontem é uma jovem paranaense. Enquanto Lula discursava, eu só tinha olhos para ela, para seus olhos brilhantes e seu sorriso cativante, para o entusiasmo, a energia, a esperança e a alegria traduzidas em beleza juvenil. Dez anos depois de emocionar os brasileiros e conquistar nossos corações e mentes como líder estudantil secundarista, Ana Júlia Ribeiro, eleita deputada federal pelo PT-PR, é um dos símbolos do Brasil que está por vir. Não à toa, foi a primeira que Lula abraçou depois do discurso. O Brasil que está por vir terá o amor e a força das mulheres.
Cabe a essa geração de jovens renovar o PT e, libertado da armadilha lulista, ainda que inspirada no admirável líder, dar ao único partido brasileiro nascido de baixo para cima um programa de esquerda, enfim, mas não só um programa, e sim governos de esquerda com participação popular, capazes de inventar o futuro. Foi isso que prometeu o velho Lula ontem, no discurso da vitória: governar com participação popular. E foi a juventude que empurrou Lula para essa posição, porque foi sobretudo ela que se mobilizou, puxou os velhos e virou a eleição, salvou o Brasil de um governo fascista do crime organizado. Cabe à juventude continuar puxando a sociedade para a esquerda, como sempre fez na história do Brasil, desde a a campanha épica de libertação dos escravos, ainda no Império.
A nova geração tem a árdua missão de aprender com as gerações anteriores, em especial com a geração que começou a derrubar a ditadura militar (1964-1985), a minha geração, e escolher um caminho melhor, um caminho de esquerda, baseado no poder popular, em vez de se agarrar a um líder carismático e ficar dependente dele. O Brasil não vai superar seus problemas históricos acumulados em séculos, dos quais os mais graves deles hoje são a destruição da Natureza e a destruição do Estado e seu controle crescente pelo crime organizado, sem uma revolução. Se a geração de jovens que venceu a eleição presidencial de 2026 e reelegeu o Lula não assumir o controle da política com seus ideais justos, sem se curvar, como fez a minha geração, à corrupção capitalista, o Brasil, aquele do qual todas as gerações de brasileiros ouviram falar desde seu nascimento, o "país do futuro", vai virar país do passado.
O Brasil do futuro será feminino, popular e revolucionário. Ou não será jamais o Brasil.
