terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Será Aldo Rebelo a novidade na eleição de 2026?

Mais "preparado" do que qualquer candidato que se lançou até agora ele é. Será que decola? Nessa entrevista, ele põe o culto e inteligente Breno Altman no bolso. Só um fenômeno eleitoral o fará competitivo, porém. Todos os presidentes desde FHC foram reeleitos, exceto o bozo, cuja eleição já foi uma aberração, seu governo ainda mais e seu comportamento na pandemia, um crime. Ainda assim quase derrotou Lula. A fraqueza do Lula em 2022 foi o primeiro sinal de que será difícil sua reeleição e seu governo não o tornou mais popular do que era há quatro anos. Só os lulólatras pensam que Lula é invencível. Analistas se perguntam se essa será uma eleição de continuísmo ou de mudança. Penso que, se os candidatos forem Lula e um bozo, não há possibilidade de ser eleição de mudança, será uma eleição de continuação, não se sabe de que, do lulismo ou do bozoísmo. Eleger um candidato estando preso, nem Lula conseguiu. Considerando tudo isso, a mudança pode estar num candidato imprevisto, e Aldo Rebelo é um candidato assim. Seu partido é inexpressivo e não sei se ele tem uma organização de propaganda eficaz -- hoje se diz que eleição é decidida nas redes sociais. A esquerda imediatamente diz que ele é de direita, embora tenha sido ministro de Lula e Dilma. Já vi esse filme. Acontece que o sarrafo que mede a esquerdice anda muito baixo no Brasil, certamente qualquer candidato que não vem da direita está à esquerda do Lula. Só os lulólatras ainda acreditam que Lula é de esquerda. Nunca foi. Aldo Rebelo está à esquerda do Lula por uma simples razão: ele é sensível à desgraçada situação do povo brasileiro e faz uma proposta para superá-la, enquanto Lula é parte, há 23 anos, dessa situação. Para não deixar dúvida, digo que tenho com Aldo Rebelo uma divergência capital: ele não considera a questão ambiental prioritária, é mais um desenvolvimentista cego -- "preparado", mas cego.  

Uma década de decadência da democracia burguesa

Calma urgente faz um balanço da década marcada pelo ano de 2016, quando começaram grandes mudanças no Brasil e no mundo. Bem, eu não tenho instagrã e essa rede social é uma das marcas da década. Também não tenho feicibuque; tive, achei terrível e saí antes que começasse a reviravolta na internet. Qual é a reviravolta (que pode ser constatada em publicações deste jornalaico, no ar desde 2009)? É que a internet era um espaço de democratização da comunicação, consequentemente ocupada pela esquerda, pelas novas ideias, pela diversidade, pela crítica, pela criatividade, pela interatividade, pela liberdade, em resumo: por uma democracia de iguais. Isso aconteceu enquanto a internet não era um negócio rentável. Quando as empresas de tecnologia descobriram como ganhar dinheiro aqui, aquela alegre anarquia democrática acabou e a esquerda foi jogada para escanteio. Mais do que ganhar dinheiro, ou junto com isso, porque também na "vida real" funciona assim, essas empresas aprenderam como manipular o público e dominar o poder político, de uma forma nova e ampla como nunca tinha acontecido. E a internet se tornou o espaço da extrema direita. Simples assim. Bem, além de não ter instagrã e feici, e talvez também por isso, eu olhava para o mundo real e via outras coisas, tipo: quem colocou temer, o anão, lá foi Lula, quem escolheu Dilma foi Lula, quem disputou e venceu a reeleição (depois de ser contra ela, quando FHC a inventou para se beneficiar) foi Lula, quem quis continuar no poder impondo uma candidata sua, em vez de se afastar e deixar o PT seguir seu rumo e se renovar, foi Lula, quem transformou o partido dos trabalhadores num partido de um candidato só foi Lula, quem nunca teve um programa de esquerda para o Brasil e continuou a política neoliberal do FHC foi Lula. Enfim, Lula, que este ano vai disputar mais uma eleição, aos 80 anos, e continua sendo a única opção da esquerda brasileira, não é o herói da pátria. Poderia ter sido um grande presidente, apesar da sua política neoliberal, e nos poupado de muitos sofrimentos, e a ele também, se tivesse tido grandeza para sair de campo ao final do seu segundo mandato. Lula não é nenhum santo e nós, que nos curvamos à sua desastrosa liderança, também não somos. Nessa década em que tudo piorou nas nossas vidas, precisamos aprender pelo menos que o Brasil precisa de um partido e de lideranças de esquerda verdadeiras, que conquistem o poder para nos livrar da autoextinção que está cada vez mais próxima e começar a construção de uma sociedade em que os humanos vivam como iguais e em harmonia com a Natureza. 

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Reflexões sobre esquerda, marxistas, comunistas e PT - 2

Diz o Manifesto do Partido Comunista, no seu capítulo II: 

“Os comunistas diferenciam-se dos demais partidos proletários apenas pelo facto de que, por um lado, nas diversas lutas nacionais dos proletários eles acentuam e fazem valer os interesses comuns, independentes da nacionalidade, do proletariado todo, e pelo facto de que, por outro lado, nos diversos estádios de desenvolvimento por que a luta entre o proletariado e a burguesia passa, representam sempre o interesse do movimento total”. 

Eu pergunto: considerando isso, o PT é um partido comunista? Obviamente, não. Não o sendo, por que os marxistas (isto é, comunistas) brasileiros não formaram ou formam uma facção dentro do PT, a facção comunista, que representa os interesses internacionais e totais dos operários, segundo esses pontos elementares seguidos pelos marxistas (comunistas)? 

Diz também o mesmo capítulo: 

“os comunistas podem resumir sua teoria nesta fórmula única: abolição da propriedade privada”. 

Eu pergunto: qual foi a última vez que algum político brasileiro de esquerda falou em abolição da propriedade privada? 

E afirma ainda o Manifesto: “O poder político propriamente dito é o poder organizado de uma classe para opressão de outra”. 

Se isso é verdade, Lula e o PT são instrumentos de opressão dos trabalhadores em nome dos capitalistas desde que chegaram ao poder em 2003. 

Voltando ao começo: o Manifesto Comunista afirma o internacionalismo da luta operária. E faz isso com ênfase, num trecho crucial em que distingue o partido comunista de outros partidos operários em apenas dois aspectos, dos quais um é o internacionalismo. 

Na minha singela opinião, isso é um argumento decisivo a favor do Trotski e contra o "socialismo num só país" stalinista (e talvez também agora do Partido Comunista Chinês). Simpatizei com Trotski antes mesmo de ler livros seus e sua biografia escrita por Isaac Deutscher, nos quais se vê um intelectual gigante e um revolucionário autêntico. Ao mesmo tempo, não se pode ignorar que Trotski foi derrotado, o que não quer dizer muito. Quer dizer muito, porém, e merece reflexão profunda, o fato de mais de oitenta anos depois do seu assassinato a mando de Stalin o trotskismo não tenha revigorado e se tornado importante em nenhuma nação. Sempre lembro do brilhantismo da Libelu no movimento estudantil dos anos 70 e fico pensando como foi que aquele grupo tão lúcido degenerou, fornecendo quadros grotescos para o PT, o governo Lula e a imprensa burguesa, salvo exceções honrosas. 

Seja como for, o internacionalismo é uma característica essencial dos comunistas. E no entanto não existe hoje uma organização comunista internacional! O Manifesto é uma proclamação escrita por Marx e Engels para comunistas de várias nações europeias e não só europeias, é o manifesto de uma organização internacional, a "Primeira Internacional". Não à toa termina com a conclamação famosa: "Proletários de todos os países, uni-vos!". Houve depois uma Segunda Internacional, uma Terceira Internacional e uma Quarta Internacional, esta trotskista. Não há mais, o que significa que os comunistas abandonaram uma das suas duas características básicas. 

A mesma reflexão cabe sobre a segunda característica dos comunistas: além de internacionalistas, os comunistas "sempre representam os interesses do movimento em sua totalidade". E quais são esses interesses? Diz o manifesto mais adiante: "constituição do proletariado em classe, derrubada da dominação da burguesia, conquista do poder político pelo proletariado". 

Sendo assim, por que os comunistas, isto é, os marxistas, abandonaram qualquer pretensão revolucionária, qualquer trabalho de organização do proletariado como classe, qualquer intenção de derrubada da dominação burguesa, qualquer objetivo de conquista de poder político pelo proletariado? Por que trocaram, enfim, o projeto político revolucionário pela administração do Estado burguês? 

Considerando que hoje os interesses dos operários de todo o mundo são, em primeiro lugar e urgentemente, tomar o poder e salvar a espécie humana da extinção pelo capitalismo, por que os comunistas não assumem a liderança desse movimento internacional?  

Por que o trotskismo não foi capaz de evoluir, se organizar e conquistar as massas trabalhadoras num mundo cada vez mais caótico e necessitado de um projeto claro de revolução? 

Não sei, mas sei que não se pode chamar de comunista o stalinismo, assim como não se pode chamar de esquerda o PT. E que não há marxistas à altura das necessidades do movimento operário internacional neste segundo quarto do século XXI. 

Reflexões sobre esquerda, marxistas, comunistas e PT - 1

Hoje me parece mais evidente do que nunca que eu estava certo ao considerar um equívoco a criação de um partido de esquerda, que veio a ser o partido dos trabalhadores, com o objetivo de disputar as eleições burguesas. Eu pensava então que a esquerda devia se dedicar a organizar os trabalhadores em sindicatos e movimentos independentes, preservando sua força, que era então crescente, em greves e manifestações etc., e marginal à sociedade burguesa da ditadura militar, antes da Constituição de 1988. Organizar e liderar movimentos dos trabalhadores seria preparar a estrutura política de uma sociedade pós-capitalista. Enquanto isso, essa vasta organização operária deveria negociar com todos os partidos burgueses e seus candidatos, trocando eventualmente votos por conquistas e benefícios. Organizar um partido e entrar na disputa burguesa significava aderir ao Estado burguês, acreditar na democracia liberal e até administrar o capitalismo para a burguesia, o que acabou acontecendo, de forma que o PT e Lula tornaram-se não só o partido e o político burgueses brasileiros por excelência no século XXI, como também alvos da extrema direita que ataca a democracia burguesa. Não é curioso, além de absurdo, que a extrema direita entranhada no capitalismo até o pescoço mobilize massas para uma revolução contra o Estado burguês, identificado com um partido e um líder de esquerda? Não é evidente a origem disso?

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Música do dia: Pois é, Chico Buarque

Muitas canções me tocam por um verso, uma ideia, uma palavra até. Algumas expressam o que eu sinto do começo ao fim. Chico falou por mim. Gênio. 

The day John Lennon died

No dia em que John Lennon morreu eu perdi a esperança na espécie humana. Eu já tinha descoberto, aos dezessete anos, que o mundo é absurdo, que a ideologia na qual acreditamos não corresponde à verdade. Aos vinte anos tive a confirmação do absurdo ao levar uma pedrada no olho, dentro de um trem, voltando de um acampamento no qual passei dias deliciosos, entre o Natal e o ano novo; sofri muito, passei por cirurgias, perdi a vista. Quando John Lennon foi assassinado, eu compreendi o poder do mal, não o mal dos governos, dos proprietários, dos militares, que eu já conhecia, não o mal que se contrapõe ao bem, religioso, ideológico, mas o mal individual, estúpido, leviano, banal, o mal que cega e mata.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Não será hora de os marxistas brasileiros se unirem em um só partido?

Participei, ainda que tímida e marginalmente, da fase final de atuação da célebre Polop, a Organização Revolucionária Marxista-Leninista Política Operária. Organizar jovens universitários como se fossem revolucionários não tinha nada a ver, nos tirar do curso superior e da nossa vida individual para nos enfiar numa militância com dedicação religiosa foi uma irresponsabilidade sem tamanho. E um erro político tão grande quanto era equivocada a linha política da O., que era como a denominávamos. A origem daquilo, porém era pertinente: pensar o caminho da revolução brasileira a partir do marxismo.

Os teóricos e militantes revolucionários da Polop fizeram um trabalho intelectual importante, mas lhes faltava uma peça fundamental na política: ligarem-se aos trabalhadores, especialmente ao proletariado industrial, a principal classe revolucionária, que crescia no Brasil a partir da industrialização, da Revolução de 1930 e da implantação da indústria automobilística em São Paulo, no governo JK. A industrialização colocou o Brasil no ambiente da revolução operária socialista preconizada pelo marxismo. Antes disso, no Brasil rural pré-Revolução de 30, a revolução de inspiração marxista teria de ser feita pelo campesinato, como aconteceu na China. Basta lembrar que até 1950 dois terços da população brasileira estavam no campo. A situação começou a mudar com a política econômica desenvolvimentista, a “modernização” do país, a industrialização, e em apenas três décadas a relação se inverteu, na mais rápida urbanização nacional ocorrida no mundo até então; segundo o último censo, de 2021, mais de 87% dos brasileiros moram em cidades.

Os fatos são que, sem ter um partido comunista forte (o PCB foi fundado oito anos antes, em 1922, e, numa sociedade rural, era muito pequeno e, na representação trabalhista, tinha de concorrer com a expressiva força anarquista), a revolução que aconteceu no Brasil em 1930 foi uma revolução burguesa, uma revolução liderada por setores das classes dominantes, em aliança com setores das classes médias, especialmente os militares, que expressavam uma ideologia nacionalista e queriam modernizar o país. Foi, em síntese, uma revolução nacionalista, contra os cafeicultores paulistas que mandavam no Brasil desde a Proclamação da República. Naquele período histórico, entre duas guerras mundiais, em meio à Crise de 1929, à ascensão do fascinazismo e à consolidação da Revolução Russa de 1917, o nacionalismo era uma ideologia forte mundo afora. Lembremos que Luiz Carlos Prestes, líder da Coluna Prestes, movimento rebelde de grande repercussão na década de 1920, foi convidado a integrar o comando da Revolução de 30, mas recusou, porque já tinha ingressado no Partido Comunista Brasileiro e considerava que a revolução em curso era burguesa. Militares e políticos simpatizantes do fascinazismo, porém participaram a revolução, que acabou se organizando em torno da liderança máxima do fazendeiro gaúcho Getúlio Vargas e mais tarde perseguiu comunistas e integralistas, versão brasileira do fascinazismo.

A revolução estava em curso no mundo inteiro e continuaria assim ao longo do século XX, seja na vertente comunista, seja na vertente anticomunista. É importante ressaltar que todas as revoluções socialistas vitoriosas ocorridas no mundo até hoje passaram pela adaptação da teoria marxista às condições nacionais da época. A Polop tentou fazer isso, mas não se tornou hegemônica na esquerda brasileira e ainda hoje as formulações sobre a revolução brasileira giram em torno de concepções estrangeiras: o leninismo, o maoísmo, o titoísmo, o castrismo etc. A Polop não fazia parte do Partido Comunista, como aconteceu na Rússia, na China, na Iugoslávia, em Cuba, no Vietnã etc., onde foi a direção do partido comunista que fez a adaptação. No Brasil, o PC era intelectualmente indigente e submisso ao stalinismo. Só mais tarde, com o fracasso do projeto reformista do governo trabalhista de Jango, ao qual o PCB aderiu, abatido pelo golpe de 1964, uma dissidência, o PCdoB, e depois defecções que optam pela luta armada, sob inspiração da Revolução Cubana, tentam essa adaptação. A Polop, diferentemente, tem origem no antigo Partido Socialista Brasileiro (PSB). Talvez por isso nunca foi bem digerida pelos comunistas brasileiros. O principal defeito da Polop, penso eu, talvez por não ter origem no PCB, foi não se ligar aos trabalhadores, não passar de uma organização de intelectuais com inserção nas classes médias estudantis.

O fato é que em meados dos anos 1970 a Polop tentava organizar universitários como se fossem operários revolucionários. Penso que seria razoável organizar cursos de formação política e difundir suas ideias, de forma aprofundada, inclusive usando obras de Marx, Lênin, Trotski e outros líderes comunistas, procurando se constituir como contraponto às formulações do restante da esquerda. No entanto, pretender formar revolucionários na universidade, em substituição ao trabalho que não conseguia executar na classe operária, foi um equívoco óbvio e prejudicial para muitos jovens militantes. Penso também que, com o fim da Polop, perdeu-se uma importante linha de pensamento marxista sobre a revolução brasileira. O caminho da revolução brasileira precisa ser pensado, o marxismo precisa ser adaptado às condições brasileiras do século XXI, como fizeram todos os partidos comunistas vitoriosos no século XX, com a diferença que não existem mais partidos comunistas como existiram antes.

No Brasil ainda existem três partidos comunistas: o PCdoB, um racha errante do PCB ocorrido em 1963 e hoje o maior amigo do PT; o PCBR, outro racha do PCB cuja história desconheço, e o PCB, que é a tentativa de reconstrução do PCB por ex-militantes que não acompanharam a direção quando ela transformou o PCB em PPS, após o fim da URSS. E existem correntes marxistas dentro do PT e do PSOL. Não seria o caso de juntarem-se todos na formação de um único partido? Acho sempre curioso, desde os idos de 1970, as certezas dos comunistas brasileiros, que nunca os levaram a lugar algum, mas os levam a se dividirem porque cada grupo pensa que é dono da verdade e todos os outros traidores. Hoje, diante do iminente fim do lulismo, do evidente engodo do PT, da retomada tardia da discussão da atualidade do marxismo e da necessidade de uma revolução brasileira, não seria o caso de juntarem-se todos os que se consideram marxistas e revolucionários na organização de uma única força política com esse objetivo explícito, ou seja, organizar e liderar os trabalhadores numa revolução rumo ao socialismo? Poderiam começar atualizando o Programa Socialista para o Brasil, da Polop, cotejando-o com as proposições das demais linhas políticas e formulando uma síntese que indique, enfim, o caminho que os marxistas brasileiros buscam há um século para organizar as massas populares, fazer a revolução e começar a transformar o Brasil na nação próspera que ela pode ser, no ambiente do século XXI, em que a questão ambiental é mais urgente do que qualquer outra e salvar a espécie humana da auto-extinção tornou-se a missão histórica dos trabalhadores. Será que ainda não temos maturidade para isso? 

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Mineápolis é Gaza, é Alemão, é Venezuela, é Irã

Podia ser qualquer um e a mensagem da gestapo trumpista é essa claramente: quem se opuser ao governo será eliminado. É o mesmo método do nazismo no seu começo e intimidou a população, eliminou a oposição e cooptou a maioria dos alemães, cujos descendentes hoje lamentam o que seus pais e avós fizeram. A história se repete na nação que em meados do século passado se opôs à ascensão do fascinazismo. A história se repete, mas não se repete igual, porque passou um século, muita coisa aconteceu, o mundo é muito diferente, é importante compreender o que foi o fascismo, mas é insuficiente, é preciso compreender o que está acontecendo hoje para enxergar as diferenças que podem ser decisivas. O que me parece cada vez mais evidente é que se trata da agonia do capitalismo e ele não vai morrer sozinho, porque a morte faz parte do sistema e se tornou rotineira e aumentou gigantescamente. Mineápolis é Gaza, é Alemão e Penha, é Irã, é Venezuela, para ficar nas matanças mais recentes.

A corrupção sistêmica no Brasil e a ascensão do fascinazismo nos EUA

Muito bom esse Calma Urgente, com análises profundas, inteligentes, bem informadas e visões diferentes que se somam sobre o Brasil e os EUA. No fim, é o mundo contemporâneo, pois tudo vai se juntando, não é mais possível falar do Brasil sem falar do mundo, não é possível falar de um assunto específico sem falar do todo. O caso do Banco Máster engole o poder político e econômico no Brasil, da extrema direita à esquerda que virou centro-direita, do Congresso ao STF, passando pelo governo federal e governos estaduais. A transformação dos EUA de uma democracia liberal governada por um neonazista a um Estado neonazista, que já tem sua gestapo nas ruas assassinando americanos que discordam do governo. 

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Migual Nicolelis e José Kobori, juntos contra o mesmo inimigo

À maneira da revistinha Invictus, que reunia Super-Homem e Batman e eu colecionava, nos anos 60. O vídeo com a conversa completa entre Miguel Nicolelis e José Kobori, dois dos pensadores brasileiros mais interessantes hoje. É longo, mas, se a gente salta as interrupções irrelevantes dos entrevistadores, não é tanto tempo assim. Vale a pena ouvir, eles falam de vários aspectos desse nosso mundo contemporâneo que segue aceleradamente para a autodestruição, e, de passagem, citam autores para leitura.