quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Música do dia (2): Quase fui lhe procurar, com Roberto Carlos

Essa música não é do Roberto, é uma daquelas que ele gravou com sucesso e a gente pensa que é dele, parece dele, mas não é. É do Getúlio Cortes, um compositor prolífico de 87 anos. Ele impressiona pela facilidade das suas melodias e letras, em  geral clichês. Quando o compositor de clichês não é pretensioso, às vezes acerta o ponto e produz pérolas de clichês, como esta. GC é autor de uma série de canções similares gravadas pelo RC nos anos 1960: O gênio, O feio, Pega ladrão e O sósia, todas ridículas, exceto a última, é divertida, uma musiquinha típica da Jovem Guarda. 

Música do dia: Ela desatinou, com Chico Buarque

Os primeiros discos do Chico, assim como os dos Beatles, estão repletos de pérolas. Esta é uma delas. A ideia, o desenvolvimento da ideia em versos, a construção dos versos, o jogo de palavras, as rimas são admiráveis. Bastava o refrão, mas tem mais, muito mais.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

A China é o pós-capitalismo

O que é a China? Há muitas respostas. A China é o que a URSS poderia ter sido, não fosse o stalinismo. A China é o que é porque aprendeu com a experiência da URSS. A China é um Estado socialista ou capitalista? O que existe na China é socialismo ou capitalismo de Estado? Refletindo um pouco, eu cheguei à conclusão óbvia: a China não é uma nação capitalista porque o poder político lá é exercido pelo Partido Comunista. Os capitalistas não estão no poder na China, como estão nas nações capitalistas, como o Brasil. Lá, eles se submetem ao Estado governado por um partido comunista que fez uma revolução dos trabalhadores. Isso é diferente de um Estado capitalista onde os capitalistas governam por meio dos seus prepostos políticos. No Brasil, o capital faz o que quer, o Estado está a seu serviço. Na China, o capital está a serviço do Estado. Na China, a revolução pretendeu primeiro distribuir a pobreza, depois decidiu desenvolver o capital e o resultado é o que se vê. O capital a serviço do Estado, de um Estado controlado pelos trabalhadores, pelo partido comunista. A China, portanto, não é uma nação capitalista, é uma nação comunista, porque o poder é exercido pelo Partido Comunista. Para ser rigoroso, em termos de doutrina marxista, a China é socialista, porque o comunismo seria uma etapa posterior, quando as classes sociais tiverem sido eliminadas e isso evidentemente não aconteceu ainda, porque há capitalistas e empresas privadas na China. A China é socialista, mas também é capitalista, porque é o capital que move a economia. O que significa tudo isso? Que a China é o futuro da humanidade, se ainda houver futuro para a espécie humana, se o capitalismo não destruir a Terra antes. Isso porque a China vem demonstrando o que a superação do capitalismo estúpido é capaz de fazer. Isso estava previsto na teoria marxista, na verdade é uma pedra angular dela: o capitalismo impede o desenvolvimento das forças produtivas, o socialismo é imprescindível para a continuação do progresso. A China parece ser a comprovação disso, o salto impressionante que ela deu em cinco décadas não aconteceu em nenhuma outra nação, e fez isso não graças ao capitalismo, mas ao socialismo, isto é, ao controle do capital pelo Estado. O socialismo é isso: o controle do capital pelo Estado, não importa se persistem ou não empresas privadas e capitalistas. A história não termina aí, porém. Primeiro porque, como disse, ainda há classes sociais e desigualdades na China, e isso preciso ser superado, mas também porque é evidente que a Terra não suporta a continuação do desenvolvimento chinês e que ele não pode ser universalizado, pois não há recursos materiais para tanta riqueza, e o socialismo pressupõe internacionalismo. Ou seja, se o socialismo é o que a China é, e se todas as nações se desenvolverem como ela, o que acontecerá com o planeta? Ao ver as imagens desse vídeo, eu entendi o que é a China: é o futuro, é o pós-capitalismo.  

No Brasil, trabalhadores são coisas, não são humanos

Não à toa, o fim da escala 6x1 provoca reações violentas dos ricos e a chamada esquerda é incapaz de mobilizar os trabalhadores para defender essa pequena mudança humanizadora na legislação trabalhista. O que dizer de um filósofo que em apenas vinte minutos explica a estrutura do Estado brasileiro e em seguida a guinada dos trabalhadores para a direita? Safatle brilha nesse vídeo. 

sábado, 14 de fevereiro de 2026

É possível preservar a Amazônia, mas os latifundiários não querem

Todos os caminhos levam ao mesmo destino: a substituição do capitalismo por outro sistema em que os humanos vivam em igualdade e harmonia com o ambiente e as demais espécies sobre a Terra. Conhecimento para preservar a Amazônia e até produzir mais carne (embora devêssemos compreender que o mais saudável é comer menos carne) existe, mas os fazendeiros não estão a fim, é mais fácil desmatar e ganhar dinheiro rápido, foda-se para o ambiente, para o Brasil, para os outros brasileiros, para as futuras gerações. O sistema capitalista e a "democracia" liberal controlada por políticos corruptos a serviço dos empresários não estão preocupados com essas bobagens como preservação ambiental e mudanças climáticas. Basta ver o que o autocrata americano acaba de fazer em relação às mudanças climáticas e olhar também para o desenvolvimento vertiginoso da China: o capital sobre controle faz maravilhas, o capital descontrolado é um louco disparando para todos os lados.  

O Brasil é uma nação de castas

Os assuntos desse A Hora são todos relevantes e reveladores, mas nada é mais revelador do que o último: como o judiciário brasileiro é ocupado desde sempre pelas mesmas famílias. O Brasil é um país de castas, como tenho escrito há muito tempo. Não há pregação mais ridícula nestas plagas do que a da meritocracia, da qual as castas privilegiadas gostam tanto. Isso acontece sem prejuízo para a dominação do capital, ao contrário, a dominação deste e a das castas se misturam, mas tentar compreender o Brasil sem olhar para suas castas, aplicando aqui teorias europeias, é uma bobagem. O escândalo do banco Máster, o escândalo da vez nesse país cujos escândalos parecem uma competição e o atual é sempre o maior, imagina-se que insuperável, até que vem o seguinte, num processo que, em vez de aprimorar a "democracia", o que parece acontecer é o anestesiamento da população, o escândalo do banco Máster é uma síntese de como um espertalhão trança uma rede de influências para sustentar sua pirâmide financeira e acaba preso nela, graças à ação da Polícia Federal, que está simplesmente cumprindo sua função. Pelo menos ela. No Brasil, parece não haver instituição que trabalhe mais do que a PF, embora em tempos recentes tenha se prestado ao papel de ajudar o golpe de 16. O espertalhão mineiro do banco Máster buscou nas castas os elos da sua rede, imaginando talvez que, se seu castelo caísse, cairiam todos com ele. A conferir. Toffoli caiu, enfim, graças à PF e ao presidente do STF, Fachin, mas até onde irá o processo? A quem atingirá? O próprio Toffoli sairá só chamuscado, mas manterá seus privilégios e daqui a algum tempo, quando todos se esquecerem do caso, estará de novo, desfrutando dos requintes da festa dos ricos, da qual os brasileiros comuns não participam? É tão evidentes que tudo isso é faz parte da podridão capitalista, mas a esquerda não é capaz de dizer isso e apresentar o socialismo como solução para nossos problemas, pelo menos para os mais graves, porque está comprometida até o pescoço com a ordem burguesa, a tal "democracia", na qual só ela acredita, pois os ricos só se aproveitam dela e os pobres sabem que estão sendo enganados, por isso aderem a quem lhes apresenta uma falsa solução, a extrema direita.  

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Música do dia (bis): Cantar, com Beto Guedes e Tavinho Moura

Com a segunda parte, cantada pelo Tavinho Moura e pelo Beto Guedes, filho do autor.

Música do dia: Cantar, com Paula Toller

A melhor gravação dessa pérola do Godofredo Guedes, pai do "Clube da Esquina" Beto Guedes, é a do Tavinho Moura. Só ele canta a segunda parte. Sim, Cantar tem uma segunda parte, bem interessante e que ninguém canta. A melhor interpretação, porém, a mais gostosa de ouvir, como tudo que ela canta, é da Paulinha Toller, minha musa do rock-pop brasileiro dos anos 80. Ei-la.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

O boicote criminoso dos EUA e a resistência do povo cubano

A resistência heroica da revolução cubana, que já dura mais de 60 anos, é tão persistente quanto a crueldade do imperialismo estadunidense para asfixiá-la com o bloqueio comercial, financeiro e até turístico. Para se ter ideia, o governo trump proíbe que turista que foi a Cuba entre nos EUA. Nessa entrevista, Frei Beto, provavelmente o brasileiro que melhor conhece Cuba, onde atua como religioso desde os anos 1980, conta detalhes dessa tragédia humana que atravessa décadas, acompanhando as mudanças na política e na economia mundial. O bloqueio explica muita coisa e nos dá ideia do que acontece na Venezuela atualmente e o que ainda a espera. Me pergunto, mas Breno Altman não perguntou ao Frei Beto, como foi que os EUA conseguiram sequestrar Maduro e nunca conseguiram fazer o mesmo com Fidel. Outra coisa que eu não compreendo, e essa é mais importante, porque se refere à viabilidade de uma revolução socialista em qualquer parte do mundo, é por que Cuba não produz alimentos, tendo terra agricultável. Frei Beto diz que falta tecnologia e mão-de-obra, o que é contraditório: por que os cubanos não se dedicam à agricultura? Poderiam ser inovadores, praticando uma agricultura ecológica, inclusive substituindo o trigo pelo milho e pela mandioca. Se falta mão-de-obra, o MST poderia ajudar, e isso não é ironia, o MST ajuda Cuba enviando medicamentos, também afetados pelo bloqueio. A essa altura da minha vida, as pessoas que eu mais admiro são aquelas cuja coerência eu acompanho desde sempre, e Frei Betto é uma delas. Só não entendo por que Betto com dois tês, talvez tenha também alguma coerência. Opera Mundi é o melhor canal de informação do Brasil e sobrevive de forma similar a Cuba: de contribuições generosas do público que o admira.