Há alguns anos escrevi uns versinhos que têm ideia semelhante:
no dia que o morro descer
não vai ter
casa-grande nem casamata
pra canalha se esconder.
A letra do Paulo César Pinheiro, porém é muito mais elaborada e acrescenta uma ideia genial: "e não for carnaval". Estou desenvolvendo um ideia sobre o soviete brasileiro: o samba. O sambista é o brasileiro, o malandro é o brasileiro, o trabalhador obviamente é o colonizado com mentalidade europeia. A chamada esquerda, que na verdade é direita hoje, a chamada "direita democrática", porque só não vê que Lula e o PT são de direita quem é cego, cegueira que tomou conta dos brasileiros gradativamente nas últimas cinco décadas, no Brasil a disputa é entre extrema direita e direita, nem centro existe mais. A chamada esquerda, que na verdade é direita, é colonizada, tem a mentalidade dos colonizadores europeus, acredita no trabalho e serve ao capital. Brasileiro é o indígena, brasileiro é descendente do africano, o malandro, sambista, favelado, brasileiro é Macunaíma. Tem mais de cem anos que a gente sabe disso, mas a mentalidade colonial é dominante. E vai fazer cem anos que o Brasil começou a ser inventado como nação, mas há cinquenta começou a ser desinventado. Por quem? Pela "esquerda democrática", que não é esquerda nem democrática, é a direita burguesa que capitulou ao neoliberalismo e transformou o Brasil na terra dos irmãos Batistas. Quem quiser conhecer, ouça O berro do boi, uma série de programas excelente da jornalista Consuelo Dieguez, da revista piauí do banco Itaú e da Trovão Mídia, que não sei de quem é. Voltando à música do dia, a questão é que a esquerda não entendeu que o samba é o soviete brasileiro e agora o povo brasileiro está trocando o samba pela música gospel, a igreja católica pelas evangélicas e a esquerda que é direita pela extrema direita. Nosso futuro é cada vez mais tenebroso, o melhor Brasil ficou para trás e foi entre os anos 1930 e 1968. Só uma revolução dos malandros, indígenas e macunaímas pode mudar isso, mas é mais fácil imaginar uma revolução (ou será contrarrevolução?) dos evangélicos.

