Mais uma vez Minas escolheu o lado certo. Mais uma vez Minas decidiu a eleição presidencial. Foi o único estado a virar do primeiro para o segundo turno. Todos sabíamos que quem ganha em Minas ganha no Brasil. Minas é o retrato do Brasil. E Minas virou. Os mineiros que não votaram no primeiro turno se mobilizaram, eu inclusive. Nunca tive tanto orgulho de ser mineiro como ontem. Minas, estado vermelho. Ao chegar a Belo Horizonte sábado, levei um choque de realidade ao ser jogado no meio de uma multidão barulhenta e agressiva vestida com as traumáticas camisas da CBF. Ela não foi suficiente, porém. Minas é muitas e é predominantemente vermelha, quando seu povo se mobiliza. Muitas emoções para dois dias. E eu, que nem lulista sou, gritei, ri, me emocionei, chorei até. Porque Minas virou e eu participei desse esforço popular, fiz parte dos mais de um milhão de mineiros que se mobilizaram para votar no Lula e impedir que os fascistas tomassem o governo federal.
Essa vitória pode ser mais importante do que a de 2002. Vai fazer diferença nos próximos quatro anos, nas próximas décadas. Vai fazer diferença no continente e no mundo. O Brasil resiste à ascensão mundial do fascismo e aponta outro caminho. Lula foi reeleito e afirmou seu impressionante carisma, além de vitalidade, mas não foi ele quem venceu. Quem venceu ontem foi o povo brasileiro, especialmente a juventude, a quem caberá o futuro. O segundo turno da eleição presidencial de 2026 marcou o momento em que a juventude brasileira tomou as rédeas do seu destino e começou a construir o Brasil do século XXI. Os jovens entusiasmaram os velhos e levaram Lula à vitória.
O símbolo da fantástica vitória popular brasileira de ontem é uma jovem paranaense. Enquanto Lula discursava, eu só tinha olhos para ela, para seus olhos brilhantes e seu sorriso cativante, para o entusiasmo, a energia, a esperança e a alegria traduzidas em beleza juvenil. Dez anos depois de emocionar os brasileiros e conquistar nossos corações e mentes como líder estudantil secundarista, Ana Júlia Ribeiro, eleita deputada federal pelo PT-PR, é um dos símbolos do Brasil que está por vir. Não à toa, foi a primeira a quem Lula abraçou depois do discurso. O Brasil que está por vir terá o amor e a força das mulheres.
Cabe a essa geração de jovens renovar o PT e, libertado da armadilha lulista, ainda que inspirada no admirável líder, dar ao único partido brasileiro nascido de baixo para cima um programa de esquerda, enfim, mas não só um programa, e sim governos de esquerda com participação popular, capazes de inventar o futuro. Foi isso que prometeu o velho Lula ontem, no discurso da vitória: governar com participação popular. E foi a juventude que empurrou Lula para essa posição, porque foi sobretudo ela que se mobilizou, puxou os velhos e virou a eleição, salvou o Brasil de um governo fascista do crime organizado. Cabe à juventude continuar puxando a sociedade para a esquerda, como sempre fez na história do Brasil, desde a a campanha épica de libertação dos escravos, ainda no Império.
A nova geração tem a árdua missão de aprender com as gerações anteriores, em especial com a geração que começou a derrubar a ditadura militar (1964-1985), a minha geração, e escolher um caminho melhor, um caminho de esquerda, baseado no poder popular, em vez de se agarrar a um líder carismático e ficar dependente dele. O Brasil não vai superar seus problemas históricos acumulados em séculos, dos quais os mais graves deles hoje são a destruição da Natureza e a destruição do Estado e seu controle crescente pelo crime organizado, sem uma revolução. Se a geração de jovens que venceu a eleição presidencial de 2026 e reelegeu o Lula não assumir o controle da política com seus ideais justos, sem se curvar, como fez a minha geração, à corrupção capitalista, o Brasil, aquele do qual todas as gerações de brasileiros ouviram falar desde seu nascimento, o "país do futuro", vai virar país do passado.
O Brasil do futuro será feminino, popular e revolucionário. Ou não será jamais o Brasil.