domingo, 23 de agosto de 2026
Cuba, Gaza, Irã, Venezuela...
O império decadente faz vítimas os povos que não se submetem a ele. O mundo assistiu impassível ao genocídio dos palestinos, agora assiste ao genocídio dos cubanos. O poder bélico estadunidense é muito grande, o uso da força aumenta com a decadência econômica e ideológica. Era mais suave a dominação quando roliúde nos seduzia com suas fantasias românticas.
Tributo a Ciro Gomes
É lamentável que Ciro Gomes não esteja na disputa presidencial deste ano. É lamentável e um retrato da mediocridade que tomou conta da política brasileira. Escolher entre mais do mesmo que não nos deu nada em um quarto de século e um representante do crime organizado que quer transformar o Brasil em colônia dos EUA é o fim da linha. Os analistas temem afirmar isso, por enquanto, mas eu vou dizer qual é o meu pressentimento: se houver segundo turno, como as pesquisas indicam, o bozo jr. vai ser eleito. Tivemos quatro anos para reverter o golpe de 16 e o governo do bozo pai, mas nada foi feito. No seu terceiro mandato, Lula mostrou toda sua pequenez e afundou ainda mais o Brasil. Os brasileiros vão votar para continuar isso? Acho que não. A disputa acirrada diz muito sobre o governo que está terminando. Perder a eleição para um candidato tão desqualificado será um triste fim de um político que começou recebendo todas as esperanças dos trabalhadores brasileiros. Têm sorte os cearenses, que terão como governador o melhor político que o Brasil produziu na minha geração, o único talvez que há três décadas apresenta um projeto para desenvolver o país. Os governos do Lula e do PT prepararam o Brasil para o bozoísmo e para a neocolonização. O que estou dizendo é uma antecipação do que dirão os historiadores. O que os impede de dizer desde já é a política, é a vontade geral de que o pior não aconteça. Oxalá.
O gol mais bonito, o melhor futebol do mundo
O mais incrível é que os artistas são desconhecidos, sumiram na história do futebol. O que eu disse para a música popular brasileira vale para o futebol popular brasileiro: basta fazer um gol, uma obra-prima, para que sua vida seja justificada. Esses, apesar da má qualidade das imagens, estão gravados. Imagina quantos gols maravilhosos só foram vistos ao vivo e não têm qualquer registro. Reinaldo, por exemplo, é o maior jogador que eu vi jogar e quase não tem registros da sua arte. E Garrincha? E os craques do futebol antes de televisão? E os craques do futebol amador?
Música do dia: Artigo 26, Ednardo
Sempre penso que basta ao compositor compor uma grande música e sua vida já está justificada -- esta, por exemplo. No entanto, o Brasil tem tantos compositores com várias obras-primas -- Ednardo, por exemplo. Que época criativa foi aquela terrível dos anos de chumbo. No ambiente da mais intensa repressão, Ednardo e o Pessoal do Ceará fizeram maravilhas. E o Clube da Esquina. E os Novos Baianos. E Secos & Molhados. Até Erasmo Carlos compôs suas melhores músicas. E pérolas do brega, Odair José, por exemplo, que hoje, comparado aos "sertanejos" e "pagodes", parece sofisticado. Sem falar do Som Imaginário, Terço, Sá, Rodrix e Guarabira, Moto Perpétuo, 14 Bis. Sem falar dos excepcionais: Chico, Paulinho, Mutantes, Gil, Caetano, Toquinho, Raul. E o samba do morro: Cartola, Nélson, Ismael... E a Bossa Nova: Carlos Lira, Vinicius etc. Sem falar em Lupicínio. Sem falar nos gênios: Pixinguinha, Jacob, Jackson, Moacir Santos, Ari Barroso, Caymmi... Sem falar no maior de todos: Tom. Sem falar nos que já tinham morrido quando eu nasci: Noel, Assis... E sem falar nos que eu esqueci. Para todo lugar do Brasil que se olhe, desde o século XIX até o começo dos anos 1980, a gente encontra música genial. E ainda hoje, temporões, como essa maravilhosa Maria Clara Valle. Esse foi o melhor Brasil, o da música popular. Foi, porque acabou, assim como a Natureza e o futebol. Natureza, incluindo os indígenas, futebol e música popular são o que houve de melhor por aqui. Essa vai para o Geraldo, padeiro de São Gonçalo do Rio das Pedras, que às sete da manhã de qualquer dia, domingo a domingo, monta na sua moto e sai "de casa em casa, entregando o pão".
quarta-feira, 19 de agosto de 2026
Meu partido é...
Marque a opção certa:
-os Estados Unidos
-Israel
-o meu bolso
-a rachadinha
-a minha família
-o crime organizado
-o orçamento secreto
-a imunidade parlamentar
-o paralelo

A campanha presidencial de 2026 começou patética. Um candidato à reeleição que evoca o passado, quando ele era uma promessa política que se frustrou, e outro candidato que promete transformar o Brasil em colônia dos Estados Unidos. Um candidato é um criminoso notório e, a exemplo do pai, não tem nenhum pudor em defender os interesses do crime organizado. O outro, ex-operário, é um líder que veio do povo e se tornou o mais eficiente político do capital. Sem saber, ambos expressam a única verdade da política brasileira: os trabalhadores nunca tiveram voz nem poder neste país. Mais uma vez os brasileiros irão às urnas para escolher entre continuar na merda ou afundar nela de vez.
quinta-feira, 13 de agosto de 2026
Música do dia: Charles Anjo 45, com Caetano Veloso e Jorge Ben
A verdade é a arte, os artistas têm salvo-conduto do sistema para dizer o que tudo mundo vê e não diz, porque pensa que não vê, porque não entende o que vê, porque vê uma coisa e pensa que vê outra, vê o que a ideologia enfiou na sua mente desde criança. Há muitas coisas a dizer sobre essa canção: sobre sua qualidade musical, sobre a Tropicália e sobre o Brasil, mas a primeira delas é que já está tudo aí, ela antecipa o Brasil de hoje. A gravação do Caetano, com participação do autor, é de 1969. São quase 60 anos, o Brasil entrava na segunda fase da ditadura militar, os anos de chumbo, e os versos já falavam da dominação dos "morros" pelo crime organizado, que hoje domina grande parte da economia e da política nacionais. É uma visão romântica e ingênua do crime, porque é assim que o morro o via, em parte vê ainda, porque é essa a sua origem. O Estado burguês capitalista não cuida dos trabalhadores e não está presente na vida do povo pobre. "Homens de verdade" ou "malandros otários", mas gente do povo, veem a oportunidade de ganhar dinheiro com atividades ilegais, policiais corruptos se ligam a eles, outros funcionários públicos idem, políticos, religiosos e principalmente grandes empresários dedicados a atividades ilegais. E assim surgiram e prosperaram organizações que matam milhares de jovens pobres sem oportunidades e iludidos. E surgiram e prosperaram milícias e tropas de elite, todos juntos e misturados no crime. Hoje, como mostram operações da Polícia Federal, esse Estado paralelo já está instalado no coração do sistema financeiro, a chamada "Faria Lima", e também nos poderes Legislativo, Judiciário e Executivo. Aliás, quando falam em crime organizado, imprensa, cientistas políticos e comentaristas se referem equivocadamente às "facções criminosas". Na verdade, estas são a parte menos organizada do crime. A parte organizada de fato são os grandes empresários e políticos que os representam, os chamados liberais e a chamada extrema direita. É por isso que eles querem o "Estado mínimo", a liberalização de tudo, corte de impostos, privatizações etc., porque quanto menos Estado mais espaço para o crime crescer, mais Estado paralelo. Por sinal, tem uma expressão midiática desse Estado paralelo que usa nome praticamente idêntico. Ato falho. O principal candidato da oposição representa esse projeto político e econômico, essa ordem social corrompida. E tudo está à nossa vista desde os anos 1960, como mostra a canção, tão antiga que é do tempo em o autor ainda se chamava Jorge Ben. Era só ver, pensar e agir para transformar a realidade para melhor. Essa é a tragédia do "homem capitalista": acreditamos na ideologia do sistema, não na verdade que a arte nos mostra, e deixamos que o capital nos leve cada vez mais depressa para a autodestruição.
segunda-feira, 10 de agosto de 2026
Música do dia (3): Sobradinho, com Sá e Guarabyra
Outra música desse álbum maravilhoso como só havia nos anos 60 e 70.
segunda-feira, 3 de agosto de 2026
Música do dia: Um gosto de sol, com Milton Nascimento (MN e Ronaldo Bastos)
Imagina o que é ouvir Clube da Esquina pela primeira vez, em 1972, e depois de 15 músicas maravilhosas ouvir essa, esse piano, essa voz límpida mais uma vez, esses versos estranhos e belos, essas cordas no final. Inesquecíveis para sempre.
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