sábado, 25 de abril de 2026

Para banqueiro, tanto faz que o eleito em outubro seja Lula ou bozo jr.

Segundo matéria do jornal Valor (grupo Globo) comentada por Jones Manoel, dono de um banco disse que Lula já demonstrou ser confiável e o filho do bozo é "razoável e experiente", logo, qualquer um que ganhe a eleição de outubro está de bom tamanho. O mercado financeiro está tranquilo, porque nem um nem outro vai mexer na política econômica -- que vem desde FHC e consiste basicamente em remunerar os banqueiros com juros altíssimos, privatizar tudo, retirar direitos dos trabalhadores e cortar gastos públicos com os pobres. Em suma, o que Haddad fez foi, na essência, o que os ministros da Fazenda anteriores também fizeram, desde FHC. Fico até constrangido em publicar mais um vídeo do Jones Manoel, mas ele vem abordando todas as questões importantes para o Brasil com uma lucidez e uma clareza que nenhum outro, nem mesmo o Ciro Gomes, abordou antes. É lamentável que não venha a ser candidato a presidente, em vez de deputado. Mudaria o nível do debate eleitoral. Vale a pena ouvi-lo mais uma vez. 

O elo perdido da revolução brasileira

Jones Manoel retoma o que se perdeu há meio século, quando o que restava de um pensamento revolucionário brasileiro, inaugurado com a fundação da Polop, em 1961, capitulou diante da onda "democratista", isto é, a derrubada da ditadura militar (1964-1985) sob liderança da burguesia e da pequena burguesia "progressistas", que acabou se tornando hegemônica e mais tarde, na sua forma mais bem acabada e civilizada, gerou FHC e Lula. Jones Manoel, que nem nascido era naquela época, é esse elo perdido. Até que enfim vemos, nesse vídeo, uma exposição simples e clara (é assim que deve ser o conhecimento, a complicação acadêmica é só uma forma de colonialismo) sobre isso que chamamos de Brasil, uma invenção europeia, da colonização em 1500 até o entreguismo das terras raras, dos data centers e tudo mais, que os bozos fazem às claras e os petistas fazem às escondidas. Jones Manoel vai se destacando como principal expoente de esquerda verdadeira, dizendo o que Lula e FHC deveriam ter dito e não disseram, muito menos fizeram, com atraso de meio século. 

Música do dia: Toccata e Fuga em Ré Menor, de Bach

Na harpa de Ashkhen Gevorkian. Belezas do dia.

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Em 2018, Lula queria um candidato para perder a eleição

Minha opinião sobre 2018 é a mesma expressa nesse vídeo. Não foi a primeira vez que Lula fez isso. Assim como FHC inventou a reeleição para se beneficiar, imoralmente, em 1998, Lula inventou Dilma em 2010 para guardar sua vaga e voltar em 2014, mas ela quis continuar. Lula poderia ter tido grandeza e escolhido o melhor para o país, em 2010 e 2018, mas ele se considera insubstituível. Se alguém melhor do que ele, feito Ciro, chegasse à presidência, ele passaria a segundo plano, por isso escolheu postes. Isso não me surpreende, o que me espanta é a quantidade de intelectuais, artistas e políticos que se submetem a ele e ao seu discurso tão pobre. Hoje, tem muita gente acordando, a chamada "esquerda radical", comunista, nacionalista faz críticas abertas ao lulopetismo, mas já é tão tarde, tantos males teriam sido evitados se Lula se retirasse em 2010, no auge da glória. Até para ele mesmo, para sua biografia e sua pretensão de entrar para a história brasileira, teria sido melhor.  

Música do dia (2): Valsa nº 2, de Dmitri Shostakovich

E como uma coisa puxa outra, esta belíssima Valsa nº 2, de Shostakovich, mais uma apresentação grandiosa no estilo do André Rieu e bem característica de espetáculos europeus ao ar livre antes da pandemia.  

Música do dia: I Will Follow Him

A canção é ótima, desde a primeira gravação, por Peggy March (aos 14 anos!), passando pela que eu conhecia, do Rick Nelson, alterada para "I Will Follow You", mas ficou mesmo sensacional no filme Mudança de Hábito, uma coisa em que os americanos, digo estadunidenses, não têm rivais, e ainda mais emocionante nessa versão num espetáculo ao ar livre com orquestra e coral sob regência de André Rieu.

Mais uma entrevista do Lula

Mais ou menos metade desse vídeo é uma entrevista com o presidente Lula. Muito ruim, por sinal. Me parece que Lula vive em outro mundo. Dá pra gente pensar em muitas coisas enquanto ouve, a primeira, óbvia, é quem ainda aguenta essa ladainha, mas me ocorre logo a comparação com o Ciro Gomes, que os lulopetistas acusam de ser autoritário etc. e tal. Lula não deixa ninguém falar e, no entanto, não é chamado de autoritário. Falar sem parar é um instrumento que ele usa para se impor. Quase tudo que diz que precisa ser feito, a gente pode perguntar: e por que ele, Dilma e o PT não fizeram em 20 anos? Em relação a todas as dificuldades que tem para governar, a gente pode perguntar: por que então quer mais um mandato? Acho que Lula perdeu sua grande qualidade, o conhecimento da situação do povo, que talvez nenhum outro presidente tenha tido tão bem. Ouvindo a entrevista, o que mais me ocorreu foi a previsão de que dessa vez ele não vai ganhar. Se ganhar, será realmente um milagre, que os lulólatras acreditam que ele é capaz de fazer. Cada vez compreendo mais o raciocínio que parece ser majoritário entre os brasileiros hoje segundo o qual, seja com Lula seja com bozo, sênior ou júnior, pouco muda na vida do povo. Outra convicção é que um precisa do outro. E mais uma: enquanto Lula estiver no topo, nenhuma liderança de esquerda ganhará força. 

domingo, 19 de abril de 2026

Mais uma ótima análise do Jones Manoel

O comunista pernambucano faz o que eu sempre esperei da esquerda brasileira, desde os anos 1970, quando comecei a ouvir os discursos ditos marxistas-leninistas: propostas factíveis para governar o Brasil capitalista e transformá-lo numa grande nação razoável, econômica, social e politicamente democrática. A esquerda nunca entendeu o Brasil concreto, sempre falou de um Brasil teórico, baseado nas experiências revolucionárias estrangeiras e nas análises sociais europeias. A Polop tentou pensar a revolução brasileira no começo dos anos 1960, mas os resultados práticos do seu esforço foram pífios ou desastrosos. Quando chegou ao poder, com FHC primeiro e depois com Lula, a dita esquerda adotou o neoliberalismo como modelo, se submeteu confortavelmente ao capital e esqueceu os compromissos com os trabalhadores. Jones Manoel me parece o primeiro intelectual marxista brasileiro que une as ideias socialistas à realidade nacional concreta. Pouco a pouco ele vem elaborando uma alternativa de esquerda com possibilidades de ser bem-sucedida, de fazer um governo mil vezes melhor do que os medíocres governos lulopetistas e milhões de vezes melhor do que os governos da extrema direita. Acrescento que ele não é o único político brasileiro a fazer isso; sem o mesmo compromisso com a revolução socialista e a ideologia marxista-leninista, Ciro Gomes apresenta sem sucesso aos brasileiros desde 1998 um projeto que em muito se assemelha ao do JM.

Música do dia (2): Prelúdio Nº. 1 em C maior, BWV 846, de J. S. Bach

Bonitinho o vídeo.

Finalmente um discurso de esquerda no Brasil

Eu não ouvia nada parecido desde 1977, quando os estudantes universitários brasileiros voltaram às ruas. Aos poucos, no próprio Movimento Estudantil, esse discurso foi abafado e finalmente calado em toda a esquerda em nome da defesa das liberdades democráticas, as quais, viu-se depois, nada mais eram do que o neoliberalismo, o velho Estado burguês. A maior vergonha é que nas últimas décadas essa ordem tenha sido implantada e mantida pelo governo de um partido dos trabalhadores (sic).