domingo, 21 de junho de 2026
Músicas do dia: I'll get you e Don't let me down, The Beatles
domingo, 14 de junho de 2026
Música do dia: Paralelas, do Belchior. E a fraude da IA
A melhor gravação de Paralelas que eu já escutei, melhor que a original, da Vanusa, melhor do que a do autor, Belchior. Infelizmente, como é comum nesses canais não oficiais (e por isso resisto a publicar vídeos deles, exceto quando, como neste caso, não encontro o oficial) não consta o crédito de voz e instrumentos. Me fez pensar no João Gilberto. Quando ouvi JG pela primeira vez foi como se estivesse aprendendo o que é cantar: não é preciso gritar. Gal Costa grita em Fa-tal e é lindo. Os tropicalistas gritavam e era muito bom. Quando João Gilberto canta, porém a gente sente a letra junto com a melodia, uma coisa só, e aprende o que é música. Me faz pensar que toda canção tem seu arranjo, vocal inclusive e em primeiro lugar, adequado, que é função dos intérpretes encontrá-lo. Os compositores eruditos se dedicavam (dedicam) a isso, não é?, mas os populares cada vez menos. Até os anos 1950, meados dos 60, fazia parte da gravação de uma canção passar pelo arranjo de um maestro. Tom Jobim fez muito isso para outros. Canções do Noel Rosa e outros sambistas da era de ouro eram muito diferentes na versão orquestrada. A revolução pop dos anos 1960 de certa forma dissolveu isso (embora as gravações dos Beatles tenham se tornado cada vez mais sofisticadas), as interpretações passaram a ser mais informais e hoje os arranjos acompanham a mediocridade dos "sertanejos", "pagodes" etc. Por isso também eu gosto daquela série acústica da MTV, que tem discos memoráveis, como o da Cássia Eller. Eu lembrei de Paralelas esta manhã, não sei por que, talvez pelo "oitavo andar", e comecei a assobiar lentamente, em seguida procurei uma gravação, ouvi a da Vanusa, depois ouvir a do Belchior e por fim essa, no ritmo do meu assobio e que é, de fato, pela voz e pelo arranjo de cordas, pelo cello, a melhor que eu já ouvi e que, enfim, achou a interpretação certa, como João Gilberto fazia. Infelizmente, com boxes de informações dispensáveis e sem créditos necessários, informa só que é "cover intimista". Será a própria Vanusa? A voz lembra a dela, digamos, "mais educada", mas nesse caso, por que negligenciar o crédito? Se não é, por que esconder voz tão bela?
PS: Eu também não tinha percebido até hoje que Vanusa e Paula Toller eram a mesma pessoa.
PS2: Ao rolar a lista de comentários do canal do YT, encontre a resposta copiada abaixo.
"Olá, Renato, tudo bem? Como descrito no vídeo, é uma versão cover, que recriamos com auxílio de IA. Eu fiz uma versão intimista ao violão, cantei como achei que ficaria mais legal, num tom um pouco mais grave, e usei a IA para, a partir dessa matriz inicial, adicionar arranjos e substituir a minha voz por uma vez feminina com timbre que lembra o timbre da Vanusa."
quarta-feira, 10 de junho de 2026
O discurso final de O Grande Ditador, sempre atual. Salve, Chaplin!
domingo, 7 de junho de 2026
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sexta-feira, 5 de junho de 2026
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quinta-feira, 28 de maio de 2026
Os crimes da ditadura militar contra as elites que apoiaram o golpe
Quando a gente pensa que já sabe de tudo, aparecem coisas novas, como essas gravações inéditas das sessões de julgamento do Supremo Tribunal Militar. Material histórico de ouro nas mãos do historiador Carlos Fico. Aplausos. Vale muito a pena ouvir o podcast.
A língua é a coisa mais interessante do Homo sapiens, porque funciona, ou expressa, estreitamente em sintonia com o cérebro, o pensamento, que é o que nos distingue. "Caiu a ficha" é uma expressão admirável da capacidade do brasileiro traduzir em linguagem simples e clara uma ideia complexa. A ficha da compreensão cai de uma vez, ainda que demore. Talvez os gregos dissessem "epifania" -- de fato, "caiu a ficha" é a epifania em brasileiro. Esse podcast faz parte do mesmo quebra-cabeça de "Ainda estou aqui". Poderia aumentar a lista, chegando a "O que é isso, companheiro?", o livro, numa linha que nos conduziria à luta contra a ditadura nos anos 1970, culminando com a campanha Diretas Já!, resultando na Constituinte de 1988 e no governo FHC, muito mais marcante da nossa época do que os governos Lula (/Dilma/Temer), ao contrário do que se supunha e eu mesmo afirmei muitas vezes: o intelectual tucano, com o Plano Real e sua "modernização", isto é, desmonte do desenvolvimentismo e adesão ao neoliberalismo, estruturou o Brasil contemporâneo, que Lula e Dilma seguiram e Temer e bozo aprofundaram, ou seja, um Brasil cujo papel no mundo é de coadjuvante das potências, fornecendo-lhes matérias-primas abundantes e mão-de-obra barata. O que a ficha revela ao cair é que essas mesmas "elites" que entregam o Brasil para os estrangeiros na "democracia" são aquelas que em 1964 apoiaram o golpe militar, mas depois viram a estupidez que era o governo dos milicos e passaram à oposição. Elas se mobilizaram de diversas formas entre 1964 e 1968, até o AI-5, e contra elas recaiu a repressão brutal dos "anos de chumbo". Os trabalhadores, suas lideranças e representações políticas já tinham sido exterminados da cena política no 1º de abril. Voltariam sim, a partir de 1978, e atingiriam o ponto máximo na cena política nacional com o PT e Lula, mas sempre usados pela elites citadas, submetidas a elas, sem vontade própria, sem expressão política própria até hoje, mera massa de manobra, mero exército para derrotar os fascistas que nunca foram embora, como explica Safatle. Exatamente porque tinham apoiado o golpe e eram parte da elite no poder, embora dissidente dela, como se vê claramente em "Ainda estou aqui", os oposicionistas de 1964-1968 não tinham medo, esse medo que acompanhou minha geração, crescida sob a ditadura, e os trabalhadores, brutalmente massacrados pelo golpe e pelo "milagre brasileiro".