segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

A China é o pós-capitalismo

O que é a China? Há muitas respostas. A China é o que a URSS poderia ter sido, não fosse o stalinismo. A China é o que é porque aprendeu com a experiência da URSS. A China é um Estado socialista ou capitalista? O que existe na China é socialismo ou capitalismo de Estado? Refletindo um pouco, eu cheguei à conclusão óbvia: a China não é uma nação capitalista porque o poder político lá é exercido pelo Partido Comunista. Os capitalistas não estão no poder na China, como estão nas nações capitalistas, como o Brasil. Lá, eles se submetem ao Estado governado por um partido comunista que fez uma revolução dos trabalhadores. Isso é diferente de um Estado capitalista onde os capitalistas governam por meio dos seus prepostos políticos. No Brasil, o capital faz o que quer, o Estado está a seu serviço. Na China, o capital está a serviço do Estado. Na China, a revolução pretendeu primeiro distribuir a pobreza, depois decidiu desenvolver o capital e o resultado é o que se vê. O capital a serviço do Estado, de um Estado controlado pelos trabalhadores, pelo partido comunista. A China, portanto, não é uma nação capitalista, é uma nação comunista, porque o poder é exercido pelo Partido Comunista. Para ser rigoroso, em termos de doutrina marxista, a China é socialista, porque o comunismo seria uma etapa posterior, quando as classes sociais tiverem sido eliminadas e isso evidentemente não aconteceu ainda, porque há capitalistas e empresas privadas na China. A China é socialista, mas também é capitalista, porque é o capital que move a economia. O que significa tudo isso? Que a China é o futuro da humanidade, se ainda houver futuro para a espécie humana, se o capitalismo não destruir a Terra antes. Isso porque a China vem demonstrando o que a superação do capitalismo estúpido é capaz de fazer. Isso estava previsto na teoria marxista, na verdade é uma pedra angular dela: o capitalismo impede o desenvolvimento das forças produtivas, o socialismo é imprescindível para a continuação do progresso. A China parece ser a comprovação disso, o salto impressionante que ela deu em cinco décadas não aconteceu em nenhuma outra nação, e fez isso não graças ao capitalismo, mas ao socialismo, isto é, ao controle do capital pelo Estado. O socialismo é isso: o controle do capital pelo Estado, não importa se persistem ou não empresas privadas e capitalistas. A história não termina aí, porém. Primeiro porque, como disse, ainda há classes sociais e desigualdades na China, e isso preciso ser superado, mas também porque é evidente que a Terra não suporta a continuação do desenvolvimento chinês e que ele não pode ser universalizado, pois não há recursos materiais para tanta riqueza, e o socialismo pressupõe internacionalismo. Ou seja, se o socialismo é o que a China é, e se todas as nações se desenvolverem como ela, o que acontecerá com o planeta? Ao ver as imagens desse vídeo, eu entendi o que é a China: é o futuro, é o pós-capitalismo.  

No Brasil, trabalhadores são coisas, não são humanos

Não à toa, o fim da escala 6x1 provoca reações violentas dos ricos e a chamada esquerda é incapaz de mobilizar os trabalhadores para defender essa pequena mudança humanizadora na legislação trabalhista. O que dizer de um filósofo que em apenas vinte minutos explica a estrutura do Estado brasileiro e em seguida a guinada dos trabalhadores para a direita? Safatle brilha nesse vídeo. 

sábado, 14 de fevereiro de 2026

É possível preservar a Amazônia, mas os latifundiários não querem

Todos os caminhos levam ao mesmo destino: a substituição do capitalismo por outro sistema em que os humanos vivam em igualdade e harmonia com o ambiente e as demais espécies sobre a Terra. Conhecimento para preservar a Amazônia e até produzir mais carne (embora devêssemos compreender que o mais saudável é comer menos carne) existe, mas os fazendeiros não estão a fim, é mais fácil desmatar e ganhar dinheiro rápido, foda-se para o ambiente, para o Brasil, para os outros brasileiros, para as futuras gerações. O sistema capitalista e a "democracia" liberal controlada por políticos corruptos a serviço dos empresários não estão preocupados com essas bobagens como preservação ambiental e mudanças climáticas. Basta ver o que o autocrata americano acaba de fazer em relação às mudanças climáticas e olhar também para o desenvolvimento vertiginoso da China: o capital sobre controle faz maravilhas, o capital descontrolado é um louco disparando para todos os lados.  

O Brasil é uma nação de castas

Os assuntos desse A Hora são todos relevantes e reveladores, mas nada é mais revelador do que o último: como o judiciário brasileiro é ocupado desde sempre pelas mesmas famílias. O Brasil é um país de castas, como tenho escrito há muito tempo. Não há pregação mais ridícula nestas plagas do que a da meritocracia, da qual as castas privilegiadas gostam tanto. Isso acontece sem prejuízo para a dominação do capital, ao contrário, a dominação deste e a das castas se misturam, mas tentar compreender o Brasil sem olhar para suas castas, aplicando aqui teorias europeias, é uma bobagem. O escândalo do banco Máster, o escândalo da vez nesse país cujos escândalos parecem uma competição e o atual é sempre o maior, imagina-se que insuperável, até que vem o seguinte, num processo que, em vez de aprimorar a "democracia", o que parece acontecer é o anestesiamento da população, o escândalo do banco Máster é uma síntese de como um espertalhão trança uma rede de influências para sustentar sua pirâmide financeira e acaba preso nela, graças à ação da Polícia Federal, que está simplesmente cumprindo sua função. Pelo menos ela. No Brasil, parece não haver instituição que trabalhe mais do que a PF, embora em tempos recentes tenha se prestado ao papel de ajudar o golpe de 16. O espertalhão mineiro do banco Máster buscou nas castas os elos da sua rede, imaginando talvez que, se seu castelo caísse, cairiam todos com ele. A conferir. Toffoli caiu, enfim, graças à PF e ao presidente do STF, Fachin, mas até onde irá o processo? A quem atingirá? O próprio Toffoli sairá só chamuscado, mas manterá seus privilégios e daqui a algum tempo, quando todos se esquecerem do caso, estará de novo, desfrutando dos requintes da festa dos ricos, da qual os brasileiros comuns não participam? É tão evidentes que tudo isso é faz parte da podridão capitalista, mas a esquerda não é capaz de dizer isso e apresentar o socialismo como solução para nossos problemas, pelo menos para os mais graves, porque está comprometida até o pescoço com a ordem burguesa, a tal "democracia", na qual só ela acredita, pois os ricos só se aproveitam dela e os pobres sabem que estão sendo enganados, por isso aderem a quem lhes apresenta uma falsa solução, a extrema direita.  

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Música do dia (bis): Cantar, com Beto Guedes e Tavinho Moura

Com a segunda parte, cantada pelo Tavinho Moura e pelo Beto Guedes, filho do autor.

Música do dia: Cantar, com Paula Toller

A melhor gravação dessa pérola do Godofredo Guedes, pai do "Clube da Esquina" Beto Guedes, é a do Tavinho Moura. Só ele canta a segunda parte. Sim, Cantar tem uma segunda parte, bem interessante e que ninguém canta. A melhor interpretação, porém, a mais gostosa de ouvir, como tudo que ela canta, é da Paulinha Toller, minha musa do rock-pop brasileiro dos anos 80. Ei-la.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

O boicote criminoso dos EUA e a resistência do povo cubano

A resistência heroica da revolução cubana, que já dura mais de 60 anos, é tão persistente quanto a crueldade do imperialismo estadunidense para asfixiá-la com o bloqueio comercial, financeiro e até turístico. Para se ter ideia, o governo trump proíbe que turista que foi a Cuba entre nos EUA. Nessa entrevista, Frei Beto, provavelmente o brasileiro que melhor conhece Cuba, onde atua como religioso desde os anos 1980, conta detalhes dessa tragédia humana que atravessa décadas, acompanhando as mudanças na política e na economia mundial. O bloqueio explica muita coisa e nos dá ideia do que acontece na Venezuela atualmente e o que ainda a espera. Me pergunto, mas Breno Altman não perguntou ao Frei Beto, como foi que os EUA conseguiram sequestrar Maduro e nunca conseguiram fazer o mesmo com Fidel. Outra coisa que eu não compreendo, e essa é mais importante, porque se refere à viabilidade de uma revolução socialista em qualquer parte do mundo, é por que Cuba não produz alimentos, tendo terra agricultável. Frei Beto diz que falta tecnologia e mão-de-obra, o que é contraditório: por que os cubanos não se dedicam à agricultura? Poderiam ser inovadores, praticando uma agricultura ecológica, inclusive substituindo o trigo pelo milho e pela mandioca. Se falta mão-de-obra, o MST poderia ajudar, e isso não é ironia, o MST ajuda Cuba enviando medicamentos, também afetados pelo bloqueio. A essa altura da minha vida, as pessoas que eu mais admiro são aquelas cuja coerência eu acompanho desde sempre, e Frei Betto é uma delas. Só não entendo por que Betto com dois tês, talvez tenha também alguma coerência. Opera Mundi é o melhor canal de informação do Brasil e sobrevive de forma similar a Cuba: de contribuições generosas do público que o admira.  

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

O agente secreto (trailer)

A obra-prima do cinema brasileiro

Já pensei que O som ao redor era o melhor filme brasileiro que eu tinha visto, depois pensei isso de Bacurau. Pensei o mesmo de Que horas ela volta?, da Ana Muylaert, e Central do Brasil, do Walter Salles, de O auto da compadecida e de filmes mais singelos do Jorge Furtado, pequenas obras de arte artesanais. Agora formo convicção ao ver pela segunda vez O agente secreto, do Kléber Mendonça Filho, diretor também dos dois primeiros filmes citados. O cinema, quando é arte, é a maior de todas. Durante uma hora ou duas nos envolve numa realidade inventada. Penso que essa é a característica da obra de arte. Acontece isso comigo também quando leio Os irmãos Karamázov ou um álbum do Calvin, quando escuto Imagine ou Saudade do Brasil, para ficar em poucos exemplos de artes diversas. A diferença do cinema é o envolvimento total que ele proporciona. Isso é possível porque o cinema é uma indústria. Foi preciso muito tempo para se chegar aos recursos tecnológicos de que essa indústria dispõe hoje e foi preciso acumular muita experiência profissional. Como indústria, o cinema exige muito capital para comprar os recursos necessários à realização do filme. O agente secreto é o que é porque tem esses recursos, haja vista o périplo que KMF e Wagner Moura empreendem para promover o filme. Uma indústria que funciona bem produz artigos excelentes, mas não produz obras de arte. A obra de arte transcende o produto industrial, por isso muitos discordam que cinema seja arte, salvo exceções, como em filmes quase artesanais. Minha opinião é um pouco diferente, mas o argumento faz sentido. Afinal, como manter a característica de arte num produto industrial cuja elaboração depende de tantas pessoas, além de tantos equipamentos? Pois é. Hollywood é uma indústria, assim como a roliúde brasileira, a Globo, também o é, para ficar nas maiores. Todas as nações que criaram sua indústria cinematográfica seguiram o mesmo modelo, no qual o realizador de fato é o produtor, que capta o investimento dos capitalistas e produz um artigo que deve dar lucro, um investimento alto, que precisa vender muito para ser recuperado e quando o filme faz sucesso o lucro é também astronômico e transforma suas estrela em milionários. Capitalismo. Na indústria cinematográfica do tipo roliudiana, o diretor é um empregado, assim como todos os outros, atrizes e atores são os indivíduos mais visíveis, os "artistas". O diretor é o funcionário mais importante, mas não é o dono do produto, está cercado de auxiliares dos quais depende profundamente e muitas vezes as estrelas se impõem a ele. O filme obra de arte também é isso, qual é a diferença então? Na minha opinião, as diferenças são duas: a primeira é que o filme é um "projeto" pessoal do cineasta e a segunda é que ele mantém o controle da produção. Ou seja, quando o diretor é um artista e mantém tal controle da máquina industrial do cinema e dispõe dos recursos necessários para realizar seu projeto, o resultado é uma obra de arte. Vê-se logo que é uma coisa muito difícil e que exige experiência, além de talento. Quantos diretores brasileiros demonstraram talento manipulando poucos recursos e não conseguiram produzir obras de arte? Talvez Gláuber Rocha, hoje, realizasse filmes melhores do que Terra em transe. Talvez. Os grandes diretores americanos se impuseram sobre a máquina industrial, mas produziram obras de arte graças à experiência que acumularam nela. O mesmo se pode dizer dos cineastas italianos, franceses, ingleses e outros. Ainda não vi Retratos fantasmas, mas vi também no computador Enjaulado, um dos primeiros curtas do KMF, de década de 1990, e já tem a identidade do autor, assim como Aquarius. Os filmes do KMF têm personalidade, são meio estranhos e ao mesmo tempo muito seguros, segurança que se expressa no controle dos detalhes, que são muitos. O agente secreto é, entre outras coisas, uma obra-prima de detalhes. É difícil imaginar que o cineasta possa fazer um filme melhor. Saí do cinema com uma sensação que não tinha desde minha juventude, ao ver os melhores filmes da minha vida. Abaixo uma boa entrevista do diretor. 

Uma metrópole viva

Quanto tempo leva um império para desmoronar? Na era da bomba atômica, um império desmorona sem levar com ele toda a civilização? Outra civilização está em ascensão vertiginosa: como será o império chinês? Os EUA são uma nação diversa, talvez a mais incrível já existente, não vai desaparecer de uma hora para outra, nem sem intensa luta intestina. Nova York é uma nação dentro da nação e tem agora um prefeito de esquerda. Oxalá tome iniciativas de esquerda e não capitule ao neoliberalismo como fez a esquerda das nações centrais e de outras, como o Brasil. 

Música do dia (3): If a fell, The Beatles

A minha preferida.  

Música do dia (2): You've got to hide your love away, The Beatles

Ainda 1965. Essa é especial.  

Música do dia: Youre gonna lose that girl, The Beatles

1965 foi o ano dos Beatles. Eles ainda fariam muito mais e iriam ao auge, mas em 1965 afirmaram seu talento de forma admirável, com frescor e leveza.

A esquerda não tem uma política para as cidades brasileiras

Sim, é assim que um bairro morre, que uma cidade perde a alma, que seus moradores se tornam coisas, mercadorias. Essa é uma experiência que todos nós conhecemos. O que acontece em Sampa, aconteceu e acontece em Beagá. Qual é a política da esquerda para as cidades brasileiras? Não tem. A política em vigor é a política neoliberal, nas cidades como em tudo mais: manda o dinheiro que compra autoridades e muda leis para favorecê-lo, de forma que a população perde sempre. Quando eu digo que Lula e o PT são políticos burgueses e que se submeteram ao neoliberalismo dominante no mundo capitalista nas últimas cinco décadas, que nunca tiveram um programa próprio para o Brasil, é a isso que estou me referindo. O povo quer mudança, quer melhorar sua vida, quer uma alternativa às violências que sofre diariamente. Se não as encontra na chamada esquerda, que há muito tempo se tornou centro e até direita, vai procurá-la na extrema direita, que faz propostas neofascistas de transformação social. É fazendo propostas concretas de transformar as cidades, as relações de trabalho, a educação, a saúde, a aposentadoria, os transportes, a moradia e acima de tudo, porque tudo depende disso, a recuperação do meio ambiente, que a esquerda vai se tornar uma alternativa popular.

DW crítica x BBC sumbissa

Nestes tempos estranhos, a DW, emissora alemã, está assumindo o lugar que a BBC tinha, pelo menos aqui. A BBC se curvou ao tirano ianque e evita reportagens que possam contrariar o imperialismo americano. Chegou ao ponto de proibir o uso da palavra sequestro para informar sobre o sequestro do presidente da Venezuela Nicolás Maduro pelo governo americano. A DW mantém posição mais crítica. Não há jornalismo quando não se mostra a realidade sem censura. 

O assunto é ponto de partida para uma série de reportagens sobre os valadarenses e outros mineiros que estão voltando à força para o Brasil depois de décadas. Não sei se estão sendo feitas, pois não acompanho mais os jornais impressos, ou melhor, o que restou deles. Quando eu era repórter, fizemos muitas matérias sobre o fenômeno da migração de mineiros para os EUA, especialmente jovens de Governador Valadares, número estimado em um décimo da população local. Toda família de GV (e depois de outras cidades da região) tinha pelo menos um parente vivendo nos EUA, mandando dinheiro para os pais ou para a mulher, comprando imóveis, movimentando a economia local. Agora estão voltando à força, como o homem da reportagem, que tem 48 anos e morava nos EUA há 21, já se considerava americano. A deportação virou notícia sensacional agora, em consequência da ação do ICE, a gestapo do trump, mas dizem que Obama deportou mais. O pano de fundo de tudo é o capitalismo, com suas contradições que a imprensa evita, pois só vão acabar quando os trabalhadores controlarem o capital, coisa que os capitalistas não fazem, pois querem sempre mais dinheiro e poder. A nação que foi construída por imigrantes agora os persegue, mata, prende, deporta. E o mundo burguês, a democracia liberal, não se pronuncia, não se levanta, não se opõe. Os capitalistas são incapazes de controlar o capital e a democracia burguesa é incapaz de proteger os trabalhadores. Como se a Terra tivesse donos, como se territórios nacionais fossem dados da Natureza e não invenções arbitrárias dos homens, como se alguns homens tivessem direito aos ambientes e todos os outros não. Abolir as fronteiras nacionais e abolir a posse da Terra pelos homens, convivência pacífica, harmoniosa e igualitária dos indivíduos da espécie humana entre si e com as outras espécies é o que a vida exige de nós hoje. O mundo será isso ou deixará de existir em breve, com seus tiranos enclausurados em casamatas tentando escapar das mudanças climáticas e da guerra nuclear.

Também me pergunto se o governo Lula está aproveitando a oportunidade das deportações para lançar uma política de recepção e acolhimento dos deportados, tipo: "Bem-vindos de volta ao Brasil". É uma excelente oportunidade para afirmar Brasil como uma nação que pode ser diferente e melhor, que pode oferecer outro exemplo para as outras nações, para toda a humanidade. O Brasil é uma rara nação neste planeta que pode viver de forma autossuficiente no cenário das mudanças climáticas, mas tem que colocar seu povo e a recuperação ambiental como prioridades de um programa nacional de desenvolvimento, coisa que inexiste entre nós desde que os governos ditos democráticos aderiram ao neoliberalismo, após a derrubada da ditadura militar (1964-1985). Deter a destruição da Amazônia, recuperar o Pantanal e o Cerrado, reflorestar a Mata Atlântica, cuidar de todos os biomas, desenvolver uma economia de características locais, ajustadas a cada bioma, promover a biodiversidade, ocupar grande parte da população nessas atividades, que são atividades econômicas, promover a agroecologia, que já está mais do que testada e aprovada, depende só de o Estado trocar o modelo agrodevastador, tóxico, latifundiário e exportador pela produção familiar agroecológica. Trocar o transporte rodoviário pelo transporte ferroviário, realizar reformas urbanas a favor dos moradores, em vez das construtoras rentistas. Distribuir o poder político para a população, para que ela possa decidir sobre sua vida.   

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Será Aldo Rebelo a novidade na eleição de 2026?

Mais "preparado" do que qualquer candidato que se lançou até agora ele é. Será que decola? Nessa entrevista, ele põe o culto e inteligente Breno Altman no bolso. Só um fenômeno eleitoral o fará competitivo, porém. Todos os presidentes desde FHC foram reeleitos, exceto o bozo, cuja eleição já foi uma aberração, seu governo ainda mais e seu comportamento na pandemia, um crime. Ainda assim quase derrotou Lula. A fraqueza do Lula em 2022 foi o primeiro sinal de que será difícil sua reeleição e seu governo não o tornou mais popular do que era há quatro anos. Só os lulólatras pensam que Lula é invencível. Analistas se perguntam se essa será uma eleição de continuísmo ou de mudança. Penso que, se os candidatos forem Lula e um bozo, não há possibilidade de ser eleição de mudança, será uma eleição de continuação, não se sabe de que, do lulismo ou do bozoísmo. Eleger um candidato estando preso, nem Lula conseguiu. Considerando tudo isso, a mudança pode estar num candidato imprevisto, e Aldo Rebelo é um candidato assim. Seu partido é inexpressivo e não sei se ele tem uma organização de propaganda eficaz -- hoje se diz que eleição é decidida nas redes sociais. A esquerda imediatamente diz que ele é de direita, embora tenha sido ministro de Lula e Dilma. Já vi esse filme. Acontece que o sarrafo que mede a esquerdice anda muito baixo no Brasil, certamente qualquer candidato que não vem da direita está à esquerda do Lula. Só os lulólatras ainda acreditam que Lula é de esquerda. Nunca foi. Aldo Rebelo está à esquerda do Lula por uma simples razão: ele é sensível à desgraçada situação do povo brasileiro e faz uma proposta para superá-la, enquanto Lula é parte, há 23 anos, dessa situação. Para não deixar dúvida, digo que tenho com Aldo Rebelo uma divergência capital: ele não considera a questão ambiental prioritária, é mais um desenvolvimentista cego -- "preparado", mas cego.  

Uma década de decadência da democracia burguesa

Calma urgente faz um balanço da década marcada pelo ano de 2016, quando começaram grandes mudanças no Brasil e no mundo. Bem, eu não tenho instagrã e essa rede social é uma das marcas da década. Também não tenho feicibuque; tive, achei terrível e saí antes que começasse a reviravolta na internet. Qual é a reviravolta (que pode ser constatada em publicações deste jornalaico, no ar desde 2009)? É que a internet era um espaço de democratização da comunicação, consequentemente ocupada pela esquerda, pelas novas ideias, pela diversidade, pela crítica, pela criatividade, pela interatividade, pela liberdade, em resumo: por uma democracia de iguais. Isso aconteceu enquanto a internet não era um negócio rentável. Quando as empresas de tecnologia descobriram como ganhar dinheiro aqui, aquela alegre anarquia democrática acabou e a esquerda foi jogada para escanteio. Mais do que ganhar dinheiro, ou junto com isso, porque também na "vida real" funciona assim, essas empresas aprenderam como manipular o público e dominar o poder político, de uma forma nova e ampla como nunca tinha acontecido. E a internet se tornou o espaço da extrema direita. Simples assim. Bem, além de não ter instagrã e feici, e talvez também por isso, eu olhava para o mundo real e via outras coisas, tipo: quem colocou temer, o anão, lá foi Lula, quem escolheu Dilma foi Lula, quem disputou e venceu a reeleição (depois de ser contra ela, quando FHC a inventou para se beneficiar) foi Lula, quem quis continuar no poder impondo uma candidata sua, em vez de se afastar e deixar o PT seguir seu rumo e se renovar, foi Lula, quem transformou o partido dos trabalhadores num partido de um candidato só foi Lula, quem nunca teve um programa de esquerda para o Brasil e continuou a política neoliberal do FHC foi Lula. Enfim, Lula, que este ano vai disputar mais uma eleição, aos 80 anos, e continua sendo a única opção da esquerda brasileira, não é o herói da pátria. Poderia ter sido um grande presidente, apesar da sua política neoliberal, e nos poupado de muitos sofrimentos, e a ele também, se tivesse tido grandeza para sair de campo ao final do seu segundo mandato. Lula não é nenhum santo e nós, que nos curvamos à sua desastrosa liderança, também não somos. Nessa década em que tudo piorou nas nossas vidas, precisamos aprender pelo menos que o Brasil precisa de um partido e de lideranças de esquerda verdadeiras, que conquistem o poder para nos livrar da autoextinção que está cada vez mais próxima e começar a construção de uma sociedade em que os humanos vivam como iguais e em harmonia com a Natureza. 

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Reflexões sobre esquerda, marxistas, comunistas e PT - 2

Diz o Manifesto do Partido Comunista, no seu capítulo II: 

“Os comunistas diferenciam-se dos demais partidos proletários apenas pelo facto de que, por um lado, nas diversas lutas nacionais dos proletários eles acentuam e fazem valer os interesses comuns, independentes da nacionalidade, do proletariado todo, e pelo facto de que, por outro lado, nos diversos estádios de desenvolvimento por que a luta entre o proletariado e a burguesia passa, representam sempre o interesse do movimento total”. 

Eu pergunto: considerando isso, o PT é um partido comunista? Obviamente, não. Não o sendo, por que os marxistas (isto é, comunistas) brasileiros não formaram ou formam uma facção dentro do PT, a facção comunista, que representa os interesses internacionais e totais dos operários, segundo esses pontos elementares seguidos pelos marxistas (comunistas)? 

Diz também o mesmo capítulo: 

“os comunistas podem resumir sua teoria nesta fórmula única: abolição da propriedade privada”. 

Eu pergunto: qual foi a última vez que algum político brasileiro de esquerda falou em abolição da propriedade privada? 

E afirma ainda o Manifesto: “O poder político propriamente dito é o poder organizado de uma classe para opressão de outra”. 

Se isso é verdade, Lula e o PT são instrumentos de opressão dos trabalhadores em nome dos capitalistas desde que chegaram ao poder em 2003. 

Voltando ao começo: o Manifesto Comunista afirma o internacionalismo da luta operária. E faz isso com ênfase, num trecho crucial em que distingue o partido comunista de outros partidos operários em apenas dois aspectos, dos quais um é o internacionalismo. 

Na minha singela opinião, isso é um argumento decisivo a favor do Trotski e contra o "socialismo num só país" stalinista (e talvez também agora do Partido Comunista Chinês). Simpatizei com Trotski antes mesmo de ler livros seus e sua biografia escrita por Isaac Deutscher, nos quais se vê um intelectual gigante e um revolucionário autêntico. Ao mesmo tempo, não se pode ignorar que Trotski foi derrotado, o que não quer dizer muito. Quer dizer muito, porém, e merece reflexão profunda, o fato de mais de oitenta anos depois do seu assassinato a mando de Stalin o trotskismo não tenha revigorado e se tornado importante em nenhuma nação. Sempre lembro do brilhantismo da Libelu no movimento estudantil dos anos 70 e fico pensando como foi que aquele grupo tão lúcido degenerou, fornecendo quadros grotescos para o PT, o governo Lula e a imprensa burguesa, salvo exceções honrosas. 

Seja como for, o internacionalismo é uma característica essencial dos comunistas. E no entanto não existe hoje uma organização comunista internacional! O Manifesto é uma proclamação escrita por Marx e Engels para comunistas de várias nações europeias e não só europeias, é o manifesto de uma organização internacional, a "Primeira Internacional". Não à toa termina com a conclamação famosa: "Proletários de todos os países, uni-vos!". Houve depois uma Segunda Internacional, uma Terceira Internacional e uma Quarta Internacional, esta trotskista. Não há mais, o que significa que os comunistas abandonaram uma das suas duas características básicas. 

A mesma reflexão cabe sobre a segunda característica dos comunistas: além de internacionalistas, os comunistas "sempre representam os interesses do movimento em sua totalidade". E quais são esses interesses? Diz o manifesto mais adiante: "constituição do proletariado em classe, derrubada da dominação da burguesia, conquista do poder político pelo proletariado". 

Sendo assim, por que os comunistas, isto é, os marxistas, abandonaram qualquer pretensão revolucionária, qualquer trabalho de organização do proletariado como classe, qualquer intenção de derrubada da dominação burguesa, qualquer objetivo de conquista de poder político pelo proletariado? Por que trocaram, enfim, o projeto político revolucionário pela administração do Estado burguês? 

Considerando que hoje os interesses dos operários de todo o mundo são, em primeiro lugar e urgentemente, tomar o poder e salvar a espécie humana da extinção pelo capitalismo, por que os comunistas não assumem a liderança desse movimento internacional?  

Por que o trotskismo não foi capaz de evoluir, se organizar e conquistar as massas trabalhadoras num mundo cada vez mais caótico e necessitado de um projeto claro de revolução? 

Não sei, mas sei que não se pode chamar de comunista o stalinismo, assim como não se pode chamar de esquerda o PT. E que não há marxistas à altura das necessidades do movimento operário internacional neste segundo quarto do século XXI. 

Reflexões sobre esquerda, marxistas, comunistas e PT - 1

Hoje me parece mais evidente do que nunca que eu estava certo ao considerar um equívoco a criação de um partido de esquerda, que veio a ser o partido dos trabalhadores, com o objetivo de disputar as eleições burguesas. Eu pensava então que a esquerda devia se dedicar a organizar os trabalhadores em sindicatos e movimentos independentes, preservando sua força, que era então crescente, em greves e manifestações etc., e marginal à sociedade burguesa da ditadura militar, antes da Constituição de 1988. Organizar e liderar movimentos dos trabalhadores seria preparar a estrutura política de uma sociedade pós-capitalista. Enquanto isso, essa vasta organização operária deveria negociar com todos os partidos burgueses e seus candidatos, trocando eventualmente votos por conquistas e benefícios. Organizar um partido e entrar na disputa burguesa significava aderir ao Estado burguês, acreditar na democracia liberal e até administrar o capitalismo para a burguesia, o que acabou acontecendo, de forma que o PT e Lula tornaram-se não só o partido e o político burgueses brasileiros por excelência no século XXI, como também alvos da extrema direita que ataca a democracia burguesa. Não é curioso, além de absurdo, que a extrema direita entranhada no capitalismo até o pescoço mobilize massas para uma revolução contra o Estado burguês, identificado com um partido e um líder de esquerda? Não é evidente a origem disso?

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Música do dia: Pois é, Chico Buarque

Muitas canções me tocam por um verso, uma ideia, uma palavra até. Algumas expressam o que eu sinto do começo ao fim. Chico falou por mim. Gênio. 

The day John Lennon died

No dia em que John Lennon morreu eu perdi a esperança na espécie humana. Eu já tinha descoberto, aos dezessete anos, que o mundo é absurdo, que a ideologia na qual acreditamos não corresponde à verdade. Aos vinte anos tive a confirmação do absurdo ao levar uma pedrada no olho, dentro de um trem, voltando de um acampamento no qual passei dias deliciosos, entre o Natal e o ano novo; sofri muito, passei por cirurgias, perdi a vista. Quando John Lennon foi assassinado, eu compreendi o poder do mal, não o mal dos governos, dos proprietários, dos militares, que eu já conhecia, não o mal que se contrapõe ao bem, religioso, ideológico, mas o mal individual, estúpido, leviano, banal, o mal que cega e mata.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Não será hora de os marxistas brasileiros se unirem em um só partido?

Participei, ainda que tímida e marginalmente, da fase final de atuação da célebre Polop, a Organização Revolucionária Marxista-Leninista Política Operária. Organizar jovens universitários como se fossem revolucionários não tinha nada a ver, nos tirar do curso superior e da nossa vida individual para nos enfiar numa militância com dedicação religiosa foi uma irresponsabilidade sem tamanho. E um erro político tão grande quanto era equivocada a linha política da O., que era como a denominávamos. A origem daquilo, porém era pertinente: pensar o caminho da revolução brasileira a partir do marxismo.

Os teóricos e militantes revolucionários da Polop fizeram um trabalho intelectual importante, mas lhes faltava uma peça fundamental na política: ligarem-se aos trabalhadores, especialmente ao proletariado industrial, a principal classe revolucionária, que crescia no Brasil a partir da industrialização, da Revolução de 1930 e da implantação da indústria automobilística em São Paulo, no governo JK. A industrialização colocou o Brasil no ambiente da revolução operária socialista preconizada pelo marxismo. Antes disso, no Brasil rural pré-Revolução de 30, a revolução de inspiração marxista teria de ser feita pelo campesinato, como aconteceu na China. Basta lembrar que até 1950 dois terços da população brasileira estavam no campo. A situação começou a mudar com a política econômica desenvolvimentista, a “modernização” do país, a industrialização, e em apenas três décadas a relação se inverteu, na mais rápida urbanização nacional ocorrida no mundo até então; segundo o último censo, de 2021, mais de 87% dos brasileiros moram em cidades.

Os fatos são que, sem ter um partido comunista forte (o PCB foi fundado oito anos antes, em 1922, e, numa sociedade rural, era muito pequeno e, na representação trabalhista, tinha de concorrer com a expressiva força anarquista), a revolução que aconteceu no Brasil em 1930 foi uma revolução burguesa, uma revolução liderada por setores das classes dominantes, em aliança com setores das classes médias, especialmente os militares, que expressavam uma ideologia nacionalista e queriam modernizar o país. Foi, em síntese, uma revolução nacionalista, contra os cafeicultores paulistas que mandavam no Brasil desde a Proclamação da República. Naquele período histórico, entre duas guerras mundiais, em meio à Crise de 1929, à ascensão do fascinazismo e à consolidação da Revolução Russa de 1917, o nacionalismo era uma ideologia forte mundo afora. Lembremos que Luiz Carlos Prestes, líder da Coluna Prestes, movimento rebelde de grande repercussão na década de 1920, foi convidado a integrar o comando da Revolução de 30, mas recusou, porque já tinha ingressado no Partido Comunista Brasileiro e considerava que a revolução em curso era burguesa. Militares e políticos simpatizantes do fascinazismo, porém participaram a revolução, que acabou se organizando em torno da liderança máxima do fazendeiro gaúcho Getúlio Vargas e mais tarde perseguiu comunistas e integralistas, versão brasileira do fascinazismo.

A revolução estava em curso no mundo inteiro e continuaria assim ao longo do século XX, seja na vertente comunista, seja na vertente anticomunista. É importante ressaltar que todas as revoluções socialistas vitoriosas ocorridas no mundo até hoje passaram pela adaptação da teoria marxista às condições nacionais da época. A Polop tentou fazer isso, mas não se tornou hegemônica na esquerda brasileira e ainda hoje as formulações sobre a revolução brasileira giram em torno de concepções estrangeiras: o leninismo, o maoísmo, o titoísmo, o castrismo etc. A Polop não fazia parte do Partido Comunista, como aconteceu na Rússia, na China, na Iugoslávia, em Cuba, no Vietnã etc., onde foi a direção do partido comunista que fez a adaptação. No Brasil, o PC era intelectualmente indigente e submisso ao stalinismo. Só mais tarde, com o fracasso do projeto reformista do governo trabalhista de Jango, ao qual o PCB aderiu, abatido pelo golpe de 1964, uma dissidência, o PCdoB, e depois defecções que optam pela luta armada, sob inspiração da Revolução Cubana, tentam essa adaptação. A Polop, diferentemente, tem origem no antigo Partido Socialista Brasileiro (PSB). Talvez por isso nunca foi bem digerida pelos comunistas brasileiros. O principal defeito da Polop, penso eu, talvez por não ter origem no PCB, foi não se ligar aos trabalhadores, não passar de uma organização de intelectuais com inserção nas classes médias estudantis.

O fato é que em meados dos anos 1970 a Polop tentava organizar universitários como se fossem operários revolucionários. Penso que seria razoável organizar cursos de formação política e difundir suas ideias, de forma aprofundada, inclusive usando obras de Marx, Lênin, Trotski e outros líderes comunistas, procurando se constituir como contraponto às formulações do restante da esquerda. No entanto, pretender formar revolucionários na universidade, em substituição ao trabalho que não conseguia executar na classe operária, foi um equívoco óbvio e prejudicial para muitos jovens militantes. Penso também que, com o fim da Polop, perdeu-se uma importante linha de pensamento marxista sobre a revolução brasileira. O caminho da revolução brasileira precisa ser pensado, o marxismo precisa ser adaptado às condições brasileiras do século XXI, como fizeram todos os partidos comunistas vitoriosos no século XX, com a diferença que não existem mais partidos comunistas como existiram antes.

No Brasil ainda existem três partidos comunistas: o PCdoB, um racha errante do PCB ocorrido em 1963 e hoje o maior amigo do PT; o PCBR, outro racha do PCB cuja história desconheço, e o PCB, que é a tentativa de reconstrução do PCB por ex-militantes que não acompanharam a direção quando ela transformou o PCB em PPS, após o fim da URSS. E existem correntes marxistas dentro do PT e do PSOL. Não seria o caso de juntarem-se todos na formação de um único partido? Acho sempre curioso, desde os idos de 1970, as certezas dos comunistas brasileiros, que nunca os levaram a lugar algum, mas os levam a se dividirem porque cada grupo pensa que é dono da verdade e todos os outros traidores. Hoje, diante do iminente fim do lulismo, do evidente engodo do PT, da retomada tardia da discussão da atualidade do marxismo e da necessidade de uma revolução brasileira, não seria o caso de juntarem-se todos os que se consideram marxistas e revolucionários na organização de uma única força política com esse objetivo explícito, ou seja, organizar e liderar os trabalhadores numa revolução rumo ao socialismo? Poderiam começar atualizando o Programa Socialista para o Brasil, da Polop, cotejando-o com as proposições das demais linhas políticas e formulando uma síntese que indique, enfim, o caminho que os marxistas brasileiros buscam há um século para organizar as massas populares, fazer a revolução e começar a transformar o Brasil na nação próspera que ela pode ser, no ambiente do século XXI, em que a questão ambiental é mais urgente do que qualquer outra e salvar a espécie humana da auto-extinção tornou-se a missão histórica dos trabalhadores. Será que ainda não temos maturidade para isso? 

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Mineápolis é Gaza, é Alemão, é Venezuela, é Irã

Podia ser qualquer um e a mensagem da gestapo trumpista é essa claramente: quem se opuser ao governo será eliminado. É o mesmo método do nazismo no seu começo e intimidou a população, eliminou a oposição e cooptou a maioria dos alemães, cujos descendentes hoje lamentam o que seus pais e avós fizeram. A história se repete na nação que em meados do século passado se opôs à ascensão do fascinazismo. A história se repete, mas não se repete igual, porque passou um século, muita coisa aconteceu, o mundo é muito diferente, é importante compreender o que foi o fascismo, mas é insuficiente, é preciso compreender o que está acontecendo hoje para enxergar as diferenças que podem ser decisivas. O que me parece cada vez mais evidente é que se trata da agonia do capitalismo e ele não vai morrer sozinho, porque a morte faz parte do sistema e se tornou rotineira e aumentou gigantescamente. Mineápolis é Gaza, é Alemão e Penha, é Irã, é Venezuela, para ficar nas matanças mais recentes.

A corrupção sistêmica no Brasil e a ascensão do fascinazismo nos EUA

Muito bom esse Calma Urgente, com análises profundas, inteligentes, bem informadas e visões diferentes que se somam sobre o Brasil e os EUA. No fim, é o mundo contemporâneo, pois tudo vai se juntando, não é mais possível falar do Brasil sem falar do mundo, não é possível falar de um assunto específico sem falar do todo. O caso do Banco Máster engole o poder político e econômico no Brasil, da extrema direita à esquerda que virou centro-direita, do Congresso ao STF, passando pelo governo federal e governos estaduais. A transformação dos EUA de uma democracia liberal governada por um neonazista a um Estado neonazista, que já tem sua gestapo nas ruas assassinando americanos que discordam do governo. 

segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Migual Nicolelis e José Kobori, juntos contra o mesmo inimigo

À maneira da revistinha Invictus, que reunia Super-Homem e Batman e eu colecionava, nos anos 60. O vídeo com a conversa completa entre Miguel Nicolelis e José Kobori, dois dos pensadores brasileiros mais interessantes hoje. É longo, mas, se a gente salta as interrupções irrelevantes dos entrevistadores, não é tanto tempo assim. Vale a pena ouvir, eles falam de vários aspectos desse nosso mundo contemporâneo que segue aceleradamente para a autodestruição, e, de passagem, citam autores para leitura.

Música do dia: Amor à Natureza, Paulinho da Viola

Há meio século Paulinho da Viola já falava do processo de autoextinção em que entramos. A cidade estúpida é o cenário em que os humanos se refugiam enquanto destroem a Natureza em volta.

Miguel Nicolelis: a espécie humana rumo à autoextinção

No seu livro de ficção científica Nada será como antes o eminente neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis fala do que não é evidente só para quem não quer ver: a espécie humana está perdendo a razão e caminha para se destruir e destruir tudo em volta.

domingo, 25 de janeiro de 2026

Safatle: grande parte da ditadura militar foi preservada na democracia

Afora o fato de Chico Pinheiro ser um péssimo entrevistador, jornalista estrela, que interrompe o entrevistado e fala mais que ele, Vladimir Safatle, quando consegue falar, diz coisas importantes. Por exemplo, a aberração das polícias militares e o aumento das torturas depois que a ditadura militar acabou. Ele cita a greve dos petroleiros na década de 90 (deve estar se referindo ao governo FHC) e já é então o fim do ciclo de mobilizações, o que aconteceu antes, no fim da ditadura, me parece mais relevante. Quais são os fatos? A ascensão das massas, as greves, a formação de sindicatos e centrais fazem parte da ascensão do Lula e do PT, e o objetivo era esse, levar Lula e o PT ao poder político burguês, ganhar eleições no Executivo, acima de tudo a eleição presidencial. Quando isso aconteceu, a mobilização das massas refluiu, o objetivo já tinha sido alcançado. Não sejamos maniqueístas, afirmando que Lula e o PT foram instrumentos de manipulação das massas pela burguesia, mas também não sejamos cegos para não ver que foi isso que aconteceu. Lula e o PT, o primeiro moldando o segundo, foram domesticados pelas condições políticas da época, isto é, pelo neoliberalismo, e acreditaram que bastava fazer o que fizeram, que reformar o Estado era desnecessário, socialismo então nem pensar, coisa de maluco dos anos 1960. O que estavam fazendo, diante do que fizeram seus predecessores, já era muito. O PT e Lula consideraram que domesticar o neoliberalismo já estava de bom tamanho e foram domesticados por ele. 

sábado, 24 de janeiro de 2026

Espionando todo mundo no mundo inteiro

Durante a chamada "Guerra Fria", época em que o mundo esteve dividido entre duas grandes áreas de influência, da URSS e dos EUA, os principais vencedores da II Guerra Mundial, fez muito sucesso a ficção de espionagem, ambientada nas ações dos serviços secretos das duas nações. Também havia histórias sobre o serviço secreto inglês e outros menos famosos e nos filmes do Indiana Jones apareceu o serviço secreto nazista, obviamente anterior e já extinto. Com o fim da URSS e do mundo bipolar, o tema eletrizante entrou em decadência. Desde então o serviço secreto israelense, conhecido como Mossad, ganhou projeção, com seus feitos na vida real, não só na literatura, sequestrando e assassinando nazistas em várias partes do mundo e agindo contra palestinos e árabes. Nunca imaginei, porém que aquele pequeno país artificial mantivesse o que é provavelmente a maior rede de espiões em funcionamento no mundo, seja pelo seu tamanho, seja pela extensão da sua atuação, inclusive no Brasil, seja pelos recursos de que dispõe, seja pelas tecnologias que emprega e até desenvolve, seja por sua competência. Uma olhada rápida no verbete da Wikipédia nos deixa assustados. Toda a ficção sobre espiões é pinto perto do que o serviço secreto israelense já fez, continua fazendo e ainda vai fazer. Não é exagero dizer que o Mossad espiona todo mundo no mundo inteiro.  

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Música do dia: Te recuerdo Amanda

Com o autor, o chileno Víctor Jara, em 1972, às vésperas do golpe sanguinário que depôs o presidente Allende e dizimou a oposição, liquidou a experiência socialista democrática e impôs o experimento neoliberal do imperialismo estadunidense. Não é demais lembrar que o brilhante artista (esssa é uma das mais bonitas canções de amor que conheço) foi preso, torturado e teve suas mãos decepadas, antes de ser assassinado pelos militares. Tinha 40 anos.

O xou do jornalismo e o que urge fazer

Por que "show", uma palavra usada há um século no idioma português, não foi aportuguesada ainda? Gosto de escrever xou, assim como gosto de escrever xópim. O jornalismo definitivamente virou espetáculo. Sempre foi assim, o jornalismo sempre gostou e preferiu a notícia sensacional, o lado sensacional da notícia, os donos do negócio querem conquistar público, vender e ganhar dinheiro, porque no capitalismo jornalismo é um negócio como qualquer outro, embora não devesse ser, devesse ser serviço público, mas até onde isso acontece de forma mais marcante e há mais tempo, na Inglaterra, a BBC segue orientação política, um exemplo disso é que os jornalistas foram recomendados a se referirem ao sequestro do presidente Maduro, da Venezuela, pelo presidente dos EUA como "captura". O fato  é que o jornalismo negócio sempre foi xou e sempre houve também o jornalismo com pretensão de ser sério, confiável, honesto e independente, e é este o caso do Jamil Chade e da CartaCapital, por isso faço este comentário. Não posso deixar de observar que a excelente e oportuna matéria do vídeo abaixo é também um xou. O objetivo do melhor jornalismo que se faz hoje, e nunca se fez tanto jornalismo bom como se faz hoje, com as novas tecnologias, é antes de tudo possibilitar que os jornalistas e seu entorno ganhem dinheiro para sobreviver. O assunto desse vídeo é ótimo embora seja terrível: o jornalismo xou quer assuntos terríveis, precisa de assuntos terríveis, vive de assuntos terríveis. Eu sei o que é isso por dentro, sei como o ambiente molda o jornalista. A discussão não tem fim e gira em torno do argumento incontestável que o jornalista não produz o fato, ele apenas informa. Ok. A minha questão é outra. O jornalismo depende tanto de notícias terríveis quanto a medicina depende das doenças. A indústria da doença não quer acabar com as doenças, por isso não cuida de prevenção, que deveria começar por uma campanha contra os agrotóxicos, mas os médicos, os hospitais, os laboratórios, a indústria de equipamentos médicos etc. não estão interessados em diminuir as doenças, que é sua fonte de renda, de enriquecimento, de lucro. Isso é óbvio, nem é preciso demonstrar, enriquecer com exemplos, quem não vê é porque está cego pela ideologia. Tudo de ruim que prospera é porque dá lucro: doenças, guerras, tráfico de drogas, acidentes de trânsito, poluição etc. O jornalismo faz parte dessa lógica, notícias escabrosas são parte fundamental do xou que vende e dá lucro. Simples assim. O jornalismo faz parte da maior indústria do capitalismo, maior que a indústria da guerra, maior que a indústria das comidas envenenadas: a indústria do entretenimento. No fim das contas, o jornalismo é parte do xou, é parte dessa indústria que distrai as pessoas comuns, os trabalhadores desorganizados que pensam que são empreendedores e por isso aderem à ideologia do capitalismo e sustentam a existência moribunda do capitalismo. O mundo está tão ruim, esse despencar da civilização rumo à autodestruição está tão doloroso que as pessoas precisam de muito entretenimento, de muita alienação, que chega para todos o tempo todo nas telinhas dos celulares dos quais ninguém mais tira os olhos. O que importa, porém, parafraseando um célebre filósofo, não é informar -- já temos informações bastantes; o que urge é transformar o mundo. 

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Emergência climática deixa a comida menos nutritiva

A esquerda debate o pós-Lula e um projeto nacional

Eu me pergunto onde esses brilhantes esquerdistas estavam nas últimas décadas. Eu estava aqui e acompanho desde 1996 o Ciro Gomes questionar a política econômica pós-Plano Real e propor um projeto nacional de desenvolvimento, cada vez mais elaborado, primeiro num livrinho publicado 1996 e escrito a quatro mãos com Mangabeira Unger, O próximo passo, e mais tarde num plano detalhado que passou a difundir país a fora. Vi também a esquerda ignorá-lo, atacá-lo e difamá-lo, inclusive acusando de estar a serviço da direita etc. e tal, enquanto a própria esquerda, principalmente o lulismo, que há décadas também deixou de ser petismo, caminhava cada vez mais para a direita, até chegar ao ponto em que chegou nesse governo dito Lula 3. Repito: eu estava aqui e vi isso acontecer, publiquei inúmeros textos e comentários aqui. A política tem mistérios insondáveis, mas também tem fatos inegáveis, como este: o próprio tempo vai encerrar a Era Lula. Afinal, ele completou 80 anos, a eleição deste ano será provavelmente a sua última e temo que ele encerre sua fulgurante carreira com uma derrota. E sem deixar nenhum legado. Depois do Lula, a esquerda vai ter de recomeçar do zero, com um atraso de meio século. 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Música do dia: João e Maria, Chico Buarque

Chico só não é o rei do piropo porque esse posto é ocupado eternamente pelo Vinicius, mas podemos dizer que ele é o herdeiro do rei, o rei vivo. Será essa canção o mais belo piropo do Chico? Talvez. Chico é mestre no jogo de palavras e de ideias. "Não fuja não, finja que...", por exemplo. Numa canção de amor infantil ele dá um jeito de colocar a musa nua sem perder o pudor. Coisas de gênio.

sábado, 17 de janeiro de 2026

Um guia para quem não quer ser manipulado sobre o Irã

Eu diria simplesmente que a imprensa empresarial não é imparcial, porque não é controlada pelos jornalistas e pela sociedade e sim pelos seus donos e permissionários que têm interesses econômicos e políticos, portanto usam a imprensa como máquina de propaganda e manipulação da opinião pública. Basta ver como o noticiário muda, a favor e contra, como uma notícia vira manchete e depois some: são os interesses do capital que estão agindo. Qualquer jornalista sabe que será demitido se não seguir as ordens do patrão, cujo eufemismo é "linha edotirial". Breno Altaman é mais didático em relação ao noticiário sobre o Irã.

A verdade sobre o Irã

Por que somos tão ignorantes sobre o Irã? Por que nos deixamos enganar pelo noticiário? Por que a imprensa nos manipula? Porque a imprensa tem interesses. Porque os EUA têm interesses. Porque o imperialismo estadunidense prepara a opinião pública para a mudança de regime que pretende fazer no Irã, com uma invasão militar, como já fez ou tenta fazer em todos os países do mundo cujos governos não lhe são submissos ou não têm bombas atômicas. A imprensa, que finge informar, mas na verdade é uma máquina de propaganda, serve aos interesses dos EUA, de Israel, das multinacionais, daqueles 0,00001% que detêm 90% da riqueza produzida pelos trabalhadores de todo o mundo. A imprensa finge parcialidade, mas qualquer jornalista sabe que não é imparcial, que seu patrão lhe diz o que pode e o que não pode publicar, que se contrariar os interesses de quem o emprega será demitido. Só existe imprensa livre quando ela é controlada pelos jornalistas e pela sociedade. Simples assim.

A manipulação do noticiário sobre o Irã

É vergonhosa a cobertura da BBC e da imprensa internacional sobre o Irã. Cito a BBC porque é um veículo do qual gosto e respeito, ou respeitava, porque depois de saber que a direção da estatal britânica recomendou aos seus jornalistas que não falem em "sequestro" do presidente da Venezuela Nicolás Maduro e sim em "captura", perdi também o respeito que tinha por ela. A BBC caiu na vala comum da imprensa empresarial "capturada" pelo imperialismo estadunidense e por Israel. É vergonhosa, repito, a cobertura que vimos e continuamenos vendo sobre a Palestina, sobre a Venezuela, sobre o Irã, sobre a Ucrânia, para ficar nos casos mais recentes. Podemos esperar mais, porque a imprensa perdeu a vergonha de mentir, assim como a direita, a imprensa também está sendo capturada pelos ventos da extrema direita e se tornou porta-voz do imperialismo trumpista. Eu me pergunto quem ainda se deixa enganar, no Brasil, depois da larvajato. Parece claro: diante das contradições políticas atuais, em que tem de escolher um lado, a imprensa empresarial chutou o balde da imparcialidade e escolheu a extrema direita.

EUA e Israel por trás das manifestações no Irã

Por que quem não se importou com os direitos humanos na Palestina se preocupa agora com direitos humanos no Irã? Por que quem não se preocupou com os assassinatos dos EUA na Venezuela agora se importa com assassinatos no Irã? Por que quem não se preocupa com os direitos humanos nos EUA sob o governo Trump agora se preocupa com direitos humanos no Irã? Qualquer jornalista experiente percebe logo que o noticiário está sendo manipulado pela imprensa neoliberal americanista. O público pensa que está consumindo informações, mas está sendo enganado por Globo, Folha, CNN e toda a imprensa empresarial que divulga propaganda do imperialismo estadunidense. O mesmo acontece em relação à Venezuela e aconteceu sobre a Palestina, para ficar em exemplos recentes.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

A solução para os problemas brasileiros é conhecida

Não é por ignorância. Há trinta anos Ciro Gomes apresenta um projeto alternativo ao que vigora desde o Plano Real, na opção feita por FHC e continuada por Lula, mas não é ouvido, ou melhor, é ouvido por muitos, mas não conseguiu transformar em apoio político e votos da maioria para ser eleito presidente. Como se vê nesse vídeo, Celso Furtado bem antes tinha uma visão lúcida e um projeto para o Brasil, mas também não era ouvido pelos poderosos. Aliás, a chamada Nova República quis CF como ministro da cultura, mas não da economia. A questão que se impõe é: por que há mais de quatro décadas, sob governos "democráticos", o Brasil se afunda nesse caminho que é uma volta aos tempos antes da Revolução de 1930, ao mesmo tempo que é uma aceleração da destruição ambiental, num modelo que serve apenas ao capital internacional, ao imperialismo e aos setores nacionais que se beneficiam e implantam esse modelo, a saber, os banqueiros, o agrotoxiconegócio e as castas privilegiadas do Estado?

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

BBC já fala em Terceira Guerra Mundial

A BBC News Brasil conseguiu fazer uma matéria de 17 minutos sobre as duas guerras mundiais sem citar a Revolução Russa de 1917. Também não falou de capitalismo. É uma forma de abordar a realidade que pode ser incluída entre as causas das guerras: alienação. 

Tenho uma discordância dos brilhantes analistas do sequestro do presidente da Venezuela pelo governo estadunidense: ele é antes de tudo absurdo, não é possível tentar ser racional numa situação com essa. Acontece que essa discordância faz parte de um contexto de acontecimentos absurdos que o mundo, começando pelos empresários, continuando por seus prepostos nos governos, passando pela imprensa e intelectuais e chegando por fim no próprio povo, que adere às ideologias, trata como se fossem razoáveis. Não há outro adjetivo para caracterizar o mundo em que vivemos hoje. Há bem pouco tempo, considerávamos o nazismo, que a maior parte de nós conhecia de ouvir conta, ler e ver filmes, como uma coisa absurda; hoje, aquele comportamento insano está incorporado ao nosso cotidiano pela nova extrema direita. As autoridades vão recuando diante dele e a imprensa trata-o com "imparcialidade jornalística", como se fosse possível ser imparcial diante de um monstro estúpido e violento. A COP30 foi um fracasso, a produção de petróleo aumenta, em vez de diminuir, as mudanças climáticas fazem parte do nosso cotidiano, a destruição da Natureza prossegue aceleradamente. Tudo isso, essa insanidade geral, já é parte do ambiente da terceira guerra mundial. Para a BBC, entretanto, e para a imprensa em geral, que certamente fará matérias semelhantes, como sempre acontece, a terceira guerra mundial é uma notícia a mais.  

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Economista americano denuncia na ONU a agressão dos EUA à Venezuela

Vice-presidente Delcy Rodriguez diz que Maduro continua sendo o presidente

As melhores análises sobre o sequestro do presidente Maduro pelos EUA - 5

Pepe Escobar: os posicionamentos da China, Rússia e outras nações expõem fraqueza do império estadunidense.

As melhores análises sobre o sequestro do presidente Maduro pelos EUA - 4

Juliane Furno: o erro de Hugo Chávez foi não ter aproveitado o dinheiro do petróleo para diversificar a economia venezuelana, que hoje, porém é a segunda que mais cresce na América do Sul, por isso o imperialismo estadunidense ataca o país, que é a experiência revolucionária mais bem-sucedida na América Latina.

As melhores análises sobre o sequestro do presidente Maduro pelos EUA - 3

Salém Nasser: a enézima mudança de regime perpetrada pelos EUA, na Venezuela, não se consumou, o governo continua de pé e unido.

As melhores análises sobre o sequestro do presidente Maduro pelos EUA - 2

Elias Jabbour: a esquerda brasileira deve assumir a bandeira da defesa nacional diante do imperialismo na campanha eleitoral de 2026 e denunciar que a extrema direita vai entregar o Brasil para os EUA.

As melhores análises sobre o sequestro do presidente Maduro pelos EUA - 1

Breno Altman, no vídeo abaixo, Elias Jabbour, Salem Nasser e Juliane Furno, em vídeos que publicarei em sequência, fizeram as melhores análises que eu ouvi até agora. A análise do estranho Pepe Escobar, o firme discurso da presidente interina Delcy Rodriguez e o contundente discurso do economista Jeffrey Sachs na reunião do Conselho de Segurança da ONU complementam a visão geral do assunto. 

Breno Altman: o presidente Maduro foi sequestrado numa eficiente operação de guerra do governo dos EUA, mas a Revolução Bolivariana continua de pé e unida.

domingo, 4 de janeiro de 2026

A Venezuela não é uma ditadura

Essa é a primeira afirmação a se fazer sobre a Venezuela, embora a questão tenha se tornado ridícula, porque o governo trump não é nenhum modelo de democracia, nem mesmo para os estadunidentes -- para os outros povos do mundo nunca foi. Tudo é ideologia, não me canso de repetir. Nem na Venezuela nem em qualquer parte do mundo, os EUA nunca se importaram com a democracia, talvez lá longe, na sua origem como nação, ainda assim uma democracia muito limitada, com igualdade de direitos para os homens brancos e mais ninguém. A questão em qualquer ataque dos EUA contra outro povo nunca foi defender a democracia e sim os interesses econômicos do império. O conceito de democracia para os governos americanos é singular: democracia é o governo daqueles que se submetem a nós. A ditadura militar (1964-1985), por exemplo, foi uma democracia para o governo americano quando derrubou o presidente constitucional e popular, mas deixou de ser quando o governo Geisel desobedeceu Washington e fez um acordo nuclear com os alemães.  

sábado, 3 de janeiro de 2026

História da 'Guerra do Vietnã', 50 anos depois: quando Davi venceu Golias

Mais uma aula de história do Breno Altman. Repito a expressão que ele usou no final da exposição porque é a imagem de compreensão mais fácil, mas a chamada "Guerra do Vietnã" é muito mais do que isso, a começar pelo nome: esse é o nome dado pelos estadunidenses, não é o nome que os vietnamitas lhe dão, obviamente, e sim três nomes diferentes, mudando com o inimigo principal: guerra contra os japoneses, guerra contra os franceses e guerra contra os americanos. A "Guerra do Vietnã" é uma guerra emblemática para a minha geração, assim como a guerra dos sionistas israelenses contra o povo palestino. Mais uma vez repito: a invenção mais importante do Homo sapiens foi a ideologia, tudo é ideologia. A história da "Guerra do Vietnã" nos possibilita ver como a civilização capitalista manipula, com a ideologia, a nossa visão, a nossa opinião e a nossa posição diante dos acontecimentos. A "Guerra do Vietnã" era tão absurda que nem a ideologia avassaladora da imprensa e de Hollywood conseguiu manter o apoio a ela, provocando manifestações populares gigantescas nos EUA e em grande parte do mundo contra ela. É óbvio que os ataques aos vietnamitas foram motivados pelos interesses imperialistas de manter o Vietnã como colônia, como tantas mundo afora. Antes, os interesses imperialistas levaram a duas guerras mundiais entre as próprias nações imperialistas. Quando a II Guerra Mundial acabou, os povos colonizados queriam deixar de ser colônias e a partir de então as nações imperialistas se voltaram contra eles. A força dos colonizados em busca da sua liberdade é insuperável, como mostraram os vietnamitas e já tinham mostrado antes a Revolução Chinesa e, bem antes, durante a I Guerra Mundial, a Revolução Russa. Hoje mesmo estamos vendo o ataque do governo dos EUA à Venezuela. A motivação é mesma: controlar riquezas que interessam ao imperialismo, no caso o petróleo venezuelano. Vamos ver se o povo venezuelano está preparado para resistir. No futuro, os EUA poderão fazer o mesmo com o Brasil, em nome de defesa da Amazônia, por exemplo, ou com qualquer outra nação da América do Sul. A desculpa é sempre ideologia; nenhuma divergência política justifica a agressão dos estadunidenses aos venezuelanos, ou deveríamos julgar legítimo que os venezuelanos ou qualquer outro povo atacasse os EUA por discordar do governo Trump. Aspectos como a solidariedade internacional e a desaprovação do povo estadunidense contarão no desfecho da guerra, mas o mais importante, mostra a história -- e a aula do Breno Altman é um exemplo disso --, é a "resiliência nacional", a capacidade de um povo resistir à agressão externa, para o que é fundamental a existência de uma liderança nacional lúcida, organizada, competente e representativa. O pano de fundo de tudo isso, da I Guerra Mundial à possível "Guerra da Venezuela", é a agonia do capitalismo, esse monstro velho e decrépito que não quer morrer sozinho, quer levar tudo e todos com ele. Na Venezuela, hoje, como na Palestina e em outros lugares, como aconteceu antes no Vietnã, na China e em inúmeros lugares, o que acontece não é uma "guerra", é o ataque imperialista de uma nação capitalista rica a um povo pobre colonizado. Os interesses são claros: a nação imperialista quer se apoderar dos recursos do povo colonizado e mantê-lo sob sua dominação, enquanto o povo pobre colonizado quer ser independente e progredir em paz. Tudo mais é ideologia. Foi assim desde que o capitalismo começou, há quinhentos anos, foi assim quando os europeus chegaram a este continente (que ainda não tem nome, porque "América" não é nome adequado, é uma homenagem ao colonizador) onda já viviam muitos povos, e os europeus simplesmente se apoderaram da terra, exterminaram os indígenas e começaram a depredação da Natureza para tirar dela "riquezas", "recursos naturais", "matéria-prima". Essa é a história do capitalismo. Em seguida, os europeus foram à África, onde fizeram a mesma coisa e ainda aprisionaram povos africanos e os transportaram e venderam como escravos para trabalhar nos seus empreendimentos comerciais neste continente, como plantações de cana-de-açúcar e café, dentre outras. É essa a nossa história, em resumo. Povos asiáticos como os chineses e vietnamitas mostram, com seu progresso, o que pode ser a vida de um povo que resiste e se liberta da dominação imperialista. Todo povo tem direito a isso, à autodeterminação, é o que diz a carta de princípios que rege a ONU, formada para reorganizar o mundo depois da II Guerra Mundial, e é o que diziam também as declarações dos revolucionários estadunidentes e franceses, mas seus governos não as seguiram, porque foram dominados pelos interesses imperialistas que manipularam seus povos com ideologia fabricada e distribuída constantemente pela chamada "grande mídia", pela imprensa, pelas Hollywoods e Globos mundo afora. Para progredir, os povos têm que derrotar o imperialismo. Para sobreviver, a espécie humana tem que superar o capitalismo e criar uma nova ordem mundial, baseada na cooperação entre as nações. A tarefa urgente que une todos os povos está diante de nós: conter as mudanças climáticas provocadas pela devastação insana e contínua da civilização capitalista.