segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

DW crítica x BBC sumbissa

Nestes tempos estranhos, a DW, emissora alemã, está assumindo o lugar que a BBC tinha, pelo menos aqui. A BBC se curvou ao tirano ianque e evita reportagens que possam contrariar o imperialismo americano. Chegou ao ponto de proibir o uso da palavra sequestro para informar sobre o sequestro do presidente da Venezuela Nicolás Maduro pelo governo americano. A DW mantém posição mais crítica. Não há jornalismo quando não se mostra a realidade sem censura. 

O assunto é ponto de partida para uma série de reportagens sobre os valadarenses e outros mineiros que estão voltando à força para o Brasil depois de décadas. Não sei se estão sendo feitas, pois não acompanho mais os jornais impressos, ou melhor, o que restou deles. Quando eu era repórter, fizemos muitas matérias sobre o fenômeno da migração de mineiros para os EUA, especialmente jovens de Governador Valadares, número estimado em um décimo da população local. Toda família de GV (e depois de outras cidades da região) tinha pelo menos um parente vivendo nos EUA, mandando dinheiro para os pais ou para a mulher, comprando imóveis, movimentando a economia local. Agora estão voltando à força, como o homem da reportagem, que tem 48 anos e morava nos EUA há 21, já se considerava americano. A deportação virou notícia sensacional agora, em consequência da ação do ICE, a gestapo do trump, mas dizem que Obama deportou mais. O pano de fundo de tudo é o capitalismo, com suas contradições que a imprensa evita, pois só vão acabar quando os trabalhadores controlarem o capital, coisa que os capitalistas não fazem, pois querem sempre mais dinheiro e poder. A nação que foi construída por imigrantes agora os persegue, mata, prende, deporta. E o mundo burguês, a democracia liberal, não se pronuncia, não se levanta, não se opõe. Os capitalistas são incapazes de controlar o capital e a democracia burguesa é incapaz de proteger os trabalhadores. Como se a Terra tivesse donos, como se territórios nacionais fossem dados da Natureza e não invenções arbitrárias dos homens, como se alguns homens tivessem direito aos ambientes e todos os outros não. Abolir as fronteiras nacionais e abolir a posse da Terra pelos homens, convivência pacífica, harmoniosa e igualitária dos indivíduos da espécie humana entre si e com as outras espécies é o que a vida exige de nós hoje. O mundo será isso ou deixará de existir em breve, com seus tiranos enclausurados em casamatas tentando escapar das mudanças climáticas e da guerra nuclear.

Também me pergunto se o governo Lula está aproveitando a oportunidade das deportações para lançar uma política de recepção e acolhimento dos deportados, tipo: "Bem-vindos de volta ao Brasil". É uma excelente oportunidade para afirmar Brasil como uma nação que pode ser diferente e melhor, que pode oferecer outro exemplo para as outras nações, para toda a humanidade. O Brasil é uma rara nação neste planeta que pode viver de forma autossuficiente no cenário das mudanças climáticas, mas tem que colocar seu povo e a recuperação ambiental como prioridades de um programa nacional de desenvolvimento, coisa que inexiste entre nós desde que os governos ditos democráticos aderiram ao neoliberalismo, após a derrubada da ditadura militar (1964-1985). Deter a destruição da Amazônia, recuperar o Pantanal e o Cerrado, reflorestar a Mata Atlântica, cuidar de todos os biomas, desenvolver uma economia de características locais, ajustadas a cada bioma, promover a biodiversidade, ocupar grande parte da população nessas atividades, que são atividades econômicas, promover a agroecologia, que já está mais do que testada e aprovada, depende só de o Estado trocar o modelo agrodevastador, tóxico, latifundiário e exportador pela produção familiar agroecológica. Trocar o transporte rodoviário pelo transporte ferroviário, realizar reformas urbanas a favor dos moradores, em vez das construtoras rentistas. Distribuir o poder político para a população, para que ela possa decidir sobre sua vida.   

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