segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026
As ligações entre o Banco Master e o governo bozo
Somos em relações de afetos, de linguagem e de trabalho
A realidade supera a ficção a todo momento
O que aconteceu na Venezuela no dia 3 de janeiro e depois
quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026
Música do dia (2): Quase fui lhe procurar, com Roberto Carlos
Essa música não é do Roberto, é uma daquelas que ele gravou com sucesso e a gente pensa que é dele, parece dele, mas não é. É do Getúlio Cortes, um compositor prolífico de 87 anos. Ele impressiona pela facilidade das suas melodias e letras, em geral clichês. Quando o compositor de clichês não é pretensioso, às vezes acerta o ponto e produz pérolas de clichês, como esta. GC é autor de uma série de canções similares gravadas pelo RC nos anos 1960: O gênio, O feio, Pega ladrão e O sósia, todas ridículas, exceto a última, é divertida, uma musiquinha típica da Jovem Guarda.
Música do dia: Ela desatinou, com Chico Buarque
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
A China é o pós-capitalismo
No Brasil, trabalhadores são coisas, não são humanos
sábado, 14 de fevereiro de 2026
É possível preservar a Amazônia, mas os latifundiários não querem
O Brasil é uma nação de castas
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026
Música do dia (bis): Cantar, com Beto Guedes e Tavinho Moura
Música do dia: Cantar, com Paula Toller
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026
O boicote criminoso dos EUA e a resistência do povo cubano
A resistência heroica da revolução cubana, que já dura mais de 60 anos, é tão persistente quanto a crueldade do imperialismo estadunidense para asfixiá-la com o bloqueio comercial, financeiro e até turístico. Para se ter ideia, o governo trump proíbe que turista que foi a Cuba entre nos EUA. Nessa entrevista, Frei Beto, provavelmente o brasileiro que melhor conhece Cuba, onde atua como religioso desde os anos 1980, conta detalhes dessa tragédia humana que atravessa décadas, acompanhando as mudanças na política e na economia mundial. O bloqueio explica muita coisa e nos dá ideia do que acontece na Venezuela atualmente e o que ainda a espera. Me pergunto, mas Breno Altman não perguntou ao Frei Beto, como foi que os EUA conseguiram sequestrar Maduro e nunca conseguiram fazer o mesmo com Fidel. Outra coisa que eu não compreendo, e essa é mais importante, porque se refere à viabilidade de uma revolução socialista em qualquer parte do mundo, é por que Cuba não produz alimentos, tendo terra agricultável. Frei Beto diz que falta tecnologia e mão-de-obra, o que é contraditório: por que os cubanos não se dedicam à agricultura? Poderiam ser inovadores, praticando uma agricultura ecológica, inclusive substituindo o trigo pelo milho e pela mandioca. Se falta mão-de-obra, o MST poderia ajudar, e isso não é ironia, o MST ajuda Cuba enviando medicamentos, também afetados pelo bloqueio. A essa altura da minha vida, as pessoas que eu mais admiro são aquelas cuja coerência eu acompanho desde sempre, e Frei Betto é uma delas. Só não entendo por que Betto com dois tês, talvez tenha também alguma coerência. Opera Mundi é o melhor canal de informação do Brasil e sobrevive de forma similar a Cuba: de contribuições generosas do público que o admira.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026
A obra-prima do cinema brasileiro
Já pensei que O som ao redor era o melhor filme brasileiro que eu tinha visto, depois pensei isso de Bacurau. Pensei o mesmo de Que horas ela volta?, da Ana Muylaert, e Central do Brasil, do Walter Salles, de O auto da compadecida e de filmes mais singelos do Jorge Furtado, pequenas obras de arte artesanais. Agora formo convicção ao ver pela segunda vez O agente secreto, do Kléber Mendonça Filho, diretor também dos dois primeiros filmes citados. O cinema, quando é arte, é a maior de todas. Durante uma hora ou duas nos envolve numa realidade inventada. Penso que essa é a característica da obra de arte. Acontece isso comigo também quando leio Os irmãos Karamázov ou um álbum do Calvin, quando escuto Imagine ou Saudade do Brasil, para ficar em poucos exemplos de artes diversas. A diferença do cinema é o envolvimento total que ele proporciona. Isso é possível porque o cinema é uma indústria. Foi preciso muito tempo para se chegar aos recursos tecnológicos de que essa indústria dispõe hoje e foi preciso acumular muita experiência profissional. Como indústria, o cinema exige muito capital para comprar os recursos necessários à realização do filme. O agente secreto é o que é porque tem esses recursos, haja vista o périplo que KMF e Wagner Moura empreendem para promover o filme. Uma indústria que funciona bem produz artigos excelentes, mas não produz obras de arte. A obra de arte transcende o produto industrial, por isso muitos discordam que cinema seja arte, salvo exceções, como em filmes quase artesanais. Minha opinião é um pouco diferente, mas o argumento faz sentido. Afinal, como manter a característica de arte num produto industrial cuja elaboração depende de tantas pessoas, além de tantos equipamentos? Pois é. Hollywood é uma indústria, assim como a roliúde brasileira, a Globo, também o é, para ficar nas maiores. Todas as nações que criaram sua indústria cinematográfica seguiram o mesmo modelo, no qual o realizador de fato é o produtor, que capta o investimento dos capitalistas e produz um artigo que deve dar lucro, um investimento alto, que precisa vender muito para ser recuperado e quando o filme faz sucesso o lucro é também astronômico e transforma suas estrela em milionários. Capitalismo. Na indústria cinematográfica do tipo roliudiana, o diretor é um empregado, assim como todos os outros, atrizes e atores são os indivíduos mais visíveis, os "artistas". O diretor é o funcionário mais importante, mas não é o dono do produto, está cercado de auxiliares dos quais depende profundamente e muitas vezes as estrelas se impõem a ele. O filme obra de arte também é isso, qual é a diferença então? Na minha opinião, as diferenças são duas: a primeira é que o filme é um "projeto" pessoal do cineasta e a segunda é que ele mantém o controle da produção. Ou seja, quando o diretor é um artista e mantém tal controle da máquina industrial do cinema e dispõe dos recursos necessários para realizar seu projeto, o resultado é uma obra de arte. Vê-se logo que é uma coisa muito difícil e que exige experiência, além de talento. Quantos diretores brasileiros demonstraram talento manipulando poucos recursos e não conseguiram produzir obras de arte? Talvez Gláuber Rocha, hoje, realizasse filmes melhores do que Terra em transe. Talvez. Os grandes diretores americanos se impuseram sobre a máquina industrial, mas produziram obras de arte graças à experiência que acumularam nela. O mesmo se pode dizer dos cineastas italianos, franceses, ingleses e outros. Ainda não vi Retratos fantasmas, mas vi também no computador Enjaulado, um dos primeiros curtas do KMF, de década de 1990, e já tem a identidade do autor, assim como Aquarius. Os filmes do KMF têm personalidade, são meio estranhos e ao mesmo tempo muito seguros, segurança que se expressa no controle dos detalhes, que são muitos. O agente secreto é, entre outras coisas, uma obra-prima de detalhes. É difícil imaginar que o cineasta possa fazer um filme melhor. Saí do cinema com uma sensação que não tinha desde minha juventude, ao ver os melhores filmes da minha vida. Abaixo uma boa entrevista do diretor.
Uma metrópole viva
Música do dia: Youre gonna lose that girl, The Beatles
A esquerda não tem uma política para as cidades brasileiras
Sim, é assim que um bairro morre, que uma cidade perde a alma, que seus moradores se tornam coisas, mercadorias. Essa é uma experiência que todos nós conhecemos. O que acontece em Sampa, aconteceu e acontece em Beagá. Qual é a política da esquerda para as cidades brasileiras? Não tem. A política em vigor é a política neoliberal, nas cidades como em tudo mais: manda o dinheiro que compra autoridades e muda leis para favorecê-lo, de forma que a população perde sempre. Quando eu digo que Lula e o PT são políticos burgueses e que se submeteram ao neoliberalismo dominante no mundo capitalista nas últimas cinco décadas, que nunca tiveram um programa próprio para o Brasil, é a isso que estou me referindo. O povo quer mudança, quer melhorar sua vida, quer uma alternativa às violências que sofre diariamente. Se não as encontra na chamada esquerda, que há muito tempo se tornou centro e até direita, vai procurá-la na extrema direita, que faz propostas neofascistas de transformação social. É fazendo propostas concretas de transformar as cidades, as relações de trabalho, a educação, a saúde, a aposentadoria, os transportes, a moradia e acima de tudo, porque tudo depende disso, a recuperação do meio ambiente, que a esquerda vai se tornar uma alternativa popular.