sábado, 20 de setembro de 2014

Florestan Fernandes no Roda Viva há 20 anos

Ótima entrevista do sociólogo Florestan Fernandes. Talvez a última; ele estava doente e morreu no ano seguinte, depois de um transplante de fígado.
É preciso ter paciência para ouvi-lo, por isso, coisa que os entrevistados às vezes não têm (um xará é nitidamente boçal e intolerante; o engraçadinho Milton Coelho é outro que dá demonstrações da ignorância e da prepotência tão comuns nos jornalistas), mas mesmo assim são ainda muito mais educados do que hoje, sem contar que o nível do programa é outro. Vale a pena, porém, ainda mais hoje, em retrospecto. Em resumo, se pode dizer que o programa é um conjunto de respostas de um entrevistado brilhante cercado de entrevistadores medíocres, com duas ou três exceções.
Florestan foi o guru do ex-presidente FHC, que na época tinha sido eleito e ainda não tinha sido empossado. Era deputado pelo PT, eleito para o segundo mandato ("fiz de tudo para não ser eleito", ele diz).
Numa das primeiras perguntas ele comenta doações de empreiteiras para o PT. "Se dependesse de mim, o partido sequer daria prioridade a eleição de parlamentares", ele diz.
Em outra pergunta ele diz que o deputado José Genoino estaria tão bem no PSDB como estava no PT, coisa que hoje soa estranha e irônica, depois de tudo que ele sofreu por perseguição da imprensa e de Joaquim Barbosa.
Não foi ontem que o PT fez sua opção pela política tradicional. Também não se pode negar que obteve melhorias para os trabalhadores ao fazer essa opção. Não se pode negar que fazer política é sujar as mãos, mas também não se pode negar que para melhorar a política é preciso manter as mãos cada vez mais limpas.
O Brasil é melhor com o PT no poder, mas o PT era melhor fora do governo.
Será melhor no governo quando houver na oposição um partido como era o PT.
A política e a vida são assim contraditórias e precisam ser compreendidas dialeticamente. 

Rita Cândido e Roberto de Freitas

Arte no Ar, ótimo programa na TV Horizonte, 13/9/14.

Receita renegociou a dívida da Globo?

Foi o que disse a emissora aos telespectadores.
Como diz Paulo Nogueira: a riquíssima Globo, que fatura com futebol mais do que a Record, segunda emissora do país, fatura em todo o ano, e seus donos, os irmãos Marinho, que são os indivíduos mais ricos do país, não podem pagar sua dívida e precisam de condições especiais que o governo dá a empresas quebradas?
Continua sem explicação.

Do Diário do Centro do Mundo.
Globo X Garotinho: quem acredita em Mariana Gross acredita em tudo 
Por Paulo Nogueira

O bate-boca entre a Globo e Garotinho sobre o célebre caso de sonegação da emissora mostra uma coisa: esta história tem que ser esclarecida.
Já.
As explicações da Globo são absolutamente inconvincentes. São mais complexas do que a patética fala da apresentadora Mariana Gross em que ela garantiu, aos telespectadores, que a Globo paga o que deve.
Mas são igualmente insuficientes: mais confundem que esclarecem.
Garotinho se aproveitou de estar ao vivo numa entrevista para, sob a pressão de perguntas agressivas, devolver a acusação.
O vídeo em que isso ocorreu viralizou na internet. Foi dar no YouTube, e lá a Globo vem tentando tirá-lo sem sucesso. Alguém posta de novo.
Para encurtar, documentos vazados pelo site Cafezinho mostraram, há cerca de um ano, que a Receita Federal flagrou a Globo num delito fiscal na compra dos direitos de transmissão da Copa de 2002.
A Globo tergiversou, e foi ajudada pelo silêncio da mídia e da própria Receita.
Agora, em resposta a Garotinho, ela afirma que acertou a dívida pelo Refis, um sistema de refinanciamento para devedores de impostos.
Mas um momento.
Por que o Refis para a Globo? Ela precisa? Não tem condições de pagar o que deve?
Refinanciamento? Condições especiais?
Neste tipo de ação, a generosidade é feita com o dinheiro do contribuinte.
O devedor pode esticar o pagamento em demoradas parcelas. E as taxas de juros são maternais. Em 2014, elas são de 0,4167% ao ano.
A Selic, a taxa que norteia os juros no Brasil, está em 11%, quase 30 vezes mais que o que vigora no Refis.
É de interesse público saber por que a Globo foi beneficiada – esta a palavra – com as condições generosas do Refis.
Num mundo menos imperfeito, o Refis só seria concedido a devedores incapazes, realmente, de arcar com o que deixaram de pagar.
Melhor pegar parte do que nada do que é devido: esta a lógica.
É o caso da Globo?
A íntegra.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Luciana Genro x Aécio Neves

A candidato do PSOL fala o que Aécio não gosta de ouvir e impede que a imprensa fale. Um bom trecho do debate na rede da igreja católica. Alguém viu?

Suplicy e Serra

Este texto é sobre coisas que jornalistas sabem e não escrevem. É um dos defeitos do jornalismo, ou do modelo de jornalismo predominante. A tal da objetividade. O fio da navalha, porque não ser objetivo pode também ser aproveitador e puxa-saco. O fato é que as coisas mais interessantes que os jornalistas sabem em geral não são escritas, não cabem nas matérias, "não podem" ser contadas.
O (e)leitor não sabe quem é realmente o candidato, o político, o governante -- quem é Lula? Quem é Dilma? Quem é Marina? Quem é Aécio?
Se os conhecêssemos de verdade, como conhecemos parentes, amigos, colegas de trabalho, votaríamos muito melhor.
Os jornalistas conhecem, mas quase nunca contam, a não ser em mesa de bar, ou nas entrelinhas.
Um político muito elogiado, por exemplo, não quer dizer que seja bom -- significa que tem boas relações com os barões da imprensa. Esta é a primeira lição que um jornalista aprende.

Do DCM. 
Serra versus Suplicy: um testemunho e um paralelo 
Por Kiko Nogueira

A cena era a seguinte:
Na tarde do debate no SBT, o senador Eduardo Suplicy esperava a chegada da candidata de seu partido, Dilma Rousseff, do lado de fora do teatro, no sol.
Ficou ali com os jornalistas, dando entrevistas eventuais, jogando conversa fora ou simplesmente em seu canto, sozinho.
Falei com ele. Suplicy se dizia feliz por estar ali. Contou que pretendia desafiar seus rivais a disputar uma maratona curta. Que estava fazendo mais de 4 mil metros em 40 minutos. Que Kassab lhe parecia em boa forma. Que carregou o candidato ao governo de SP pelo PT, Padilha, nas costas, faria isso de novo e seu ciático nunca deu sinal de vida. Suplicy tem 73 anos.
Para Suplicy, os três nomes que postulam a presidência são excelentes e uma amostra do alto nível da nossa democracia. Marina — a "companheira Marina" — é muito preparada. Aécio, que admitia conhecer menos, é preparado e ele não acha que seja de direita. A presidente é "formidável".
Os três são "excelentes quadros". Não reservou nenhuma palavra desagradável a ninguém. Assim que a comitiva de Dilma despontou na entrada do anfiteatro, ele se apresentou ao estafe, foi reconhecido, entrou e não saiu até o fim.
No fim do primeiro bloco, José Serra apareceu. Acercou-se de um pequeno grupo de repórteres por um breve momento. Suficiente para fazer piadas irônicas sobre as "elites" de Marina Silva, tirar um sarro do suposto "convite" para ele integrar um eventual governo dela e detonar mais alguns desafetos antes de se despedir para se aboletar na plateia.
A íntegra.

Juíza manda DCM retirar do ar matérias sobre helicoca

Isso se chama censura.
O DCM sequer foi ouvido pela juíza.
Trata-se de uma das maiores apreensões de droga já feitas no país, envolvendo um senador e um deputado e ainda a Assembleia Legislativa mineira.
Um escândalo sob todos os aspectos, um caso capaz de revelar o submundo do tráfico.
E no entanto...
O cerco se fecha.
O delegado apressou-se em inocentar os donos do helicóptero.
Os presos foram soltos.
O helicóptero foi devolvido. 
A "grande" imprensa calou-se.
A imprensa alternativa não pode falar do assunto.
O que falta?
Mandar o Google bloquear qualquer busca do fato na internet, copiando o método de Stalin na extinta URSS, quando mandava apagar personagens em fotos e mudar textos de livros?
Ou proibir o DCM de informar o leitor da censura, como fazia a ditadura?
Joaquim Barbosa foi embora, mas fez escola.

Do DCM.
Justiça determina retirada de matérias do DCM sobre o caso do helicóptero dos Perrellas
por Kiko Nogueira

O DCM foi processado pelo hotel fazenda Parque D'Anape, no interior do estado de São Paulo.
Ele foi citado em três das nossas reportagens sobre o caso do helicóptero dos Perrellas, apreendido com 445 quilos de cocaína no Espírito Santo.
De acordo com uma liminar da juíza Mônica de Cassia Thomaz Perez Reis Lobo, somos obrigados a "suspender a publicidade [sic] das notícias veiculadas no site" sob pena de pagar mil reais de multa por dia.
Pela natureza desse tipo de decisão judicial, a análise é perfunctória, já que não fomos ouvidos e não tivemos oportunidade de apresentar defesa.
Os artigos são resultado do nosso projeto de crowdfunding, em que mergulhamos no caso do "Helicoca". São eles: "'Tenho Medo de Morrer': o piloto do helicóptero dos Perrellas fala ao DCM"; "O helicóptero dos Perrellas pousou em hotel de São Paulo"; e "O fracasso da guerra às drogas e o helicóptero dos Perrellas".
(Estamos, aliás, com uma nova iniciativa de crowdfunding no ar neste momento. É sobre o escândalo da sonegação da Globo. Os detalhes estão aqui na plataforma do Catarse).
Todas as matérias são alicerçadas em documentos que o jornalista Joaquim de Carvalho levantou em sua apuração em Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo. Não há nenhuma ilação, nenhuma invenção, nada assemelhado a calúnia ou difamação.
Só os fatos.
Joaquim teve o cuidado de ouvir a proprietária e o advogado do estabelecimento para que eles se manifestassem.
Mesmo determinando a retirada das reportagens, a juíza Mônica afirma que isso não significa "prejuizo do direito de livre expressão e crítica".
O DCM reafirma seu compromisso com o jornalismo independente e responsável. Em nome dele, vamos recorrer e buscar na Justiça os nossos direitos para manter você bem informado.
A íntegra.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

A enteada de Gilmar Mendes, a perseguição a Genoino e a saúde prisional

Uma longa, intrincada e interessante história. "A vida não é só isso que se vê, é um pouco mais."

Do Jornal GGN.
O dia em que a enteada de Gilmar salvou a vida de Genoíno 
Luis Nassif

Recebo telefonema de Guiomar Feitosa, esposa do ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal) e mãe da terapeuta ocupacional Larissa Feitosa.
Anos atrás, Guiomar foi alvo de acusações de nepotismo. Solicitou espaço no Blog para se defender. As explicações, satisfatórias, foram integralmente respeitadas e acatadas pelo Blog.
Em vista desse histórico, Guiomar solicita justiça para sua filha.
Na semana passada, Larissa foi alvo de reportagem no Estadão Online, informando ter sido uma das 16 pessoas readmitidas no serviço público do Distrito Federal pelo recém-eleito governador José Roberto Arruda, depois do ato espetaculoso de demitir 14 mil funcionários.
(...)
A maior prova do caráter de Larissa foi dada no episódio José Genoíno.
Quando Genoino entrou no presídio, o médico estava de férias. Na sexta-feira foi convocado um médico para os primeiros exames, que constatou que Genoíno estava bem. Na quarta-feira houve alteração no exame. Genoíno piorou sensivelmente e o médico recomendou que fosse encaminhado para o Incor.
Mesmo informado pelo médico de que Genoíno apresentava agravamento no quadro, e da confiança que dizia depositar em Larissa, o juiz da VEP, Ademar de Vasconcelos, apareceu na Papuda e proibiu a remoção.
No dia seguinte, Larissa sugeriu para o médico repetir o exame. A conclusão foi taxativa: tem que ser removido para o Incor, não tem escolha.
Larissa resolveu agir por conta própria. Ligou para o secretário da Saúde, que entrou em contato com a direção do Incor. O Coordenador do Sistema Presidiário veio falar com ela. Sua posição não mudou: não se trata de opção, Genoíno vai para o Incor.
Decidiu não informar o juiz da decisão, para não colocar a vida de Genoíno em risco. Do lado de fora, a imprensa vigiava cada passo. Larissa foi na frente para preparar a entrada no Incor. E o Diretor do presídio e o médico seguiram com Genoíno em um carro descaracterizado, a salvo da imprensa. Pelos resultados dos exames, o Incor não descartou a possibilidade de infarto.
Do hospital, ligou para a mãe. "Mamãe, estou aqui com o Genoíno, tive que tirar porque senão ele poderia ter uma coisa dentro do presídio, e acho que o Joaquim (Barbosa) virá com tudo para cima de mim. Serei responsabilizada, mas não tinha alternativa".
Jamais se manifestou publicamente, aguentando tudo calada.
Em casa, desabafava com a mãe, inclusive como testemunha dos abusos cometidos contra os prisioneiros da AP 470.
Quando as promotoras do Distrito Federal e o juiz da VEP falaram dos supostos privilégios concedidos a José Dirceu e a Delúbio ficou indignada. "Mamãe, isso é falso. Eles não têm privilégio algum".
A íntegra.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

O satélite 100% brasileiro

Do Blog do Planalto em 14/9/14. 
Satélite brasileiro vai melhorar comunicação em regiões mais afastadas do Brasil 
Contrato assinado entre o Ministério da Defesa e Telebrás na quinta-feira (11/9/14) permitirá ao Brasil ter o primeiro satélite de comunicação e defesa 100% controlado por instituições brasileiras. Atualmente, os satélites que auxiliam comunicação do País são controlados por estações de fora.
O Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas tem previsão de conclusão para 2016 e, quando estiver em órbita, terá banda de uso exclusivo militar, garantindo segurança total nas transmissões de informações estratégicas do País.
"Esse é um momento histórico, em que o Brasil irá comandar seu satélite e usá-lo de forma estratégica", disse o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, general José Carlos De Nardi, durante a cerimônia de assinatura do contrato.
A íntegra.

Perdidos no tempo

História -- do Brasil, da televisão, da mentalidade e da política brasileira -- em dois vídeos do Faustão Silva.
No primeiro, Fausto Silva lança a candidatura de Silvio Santos à Presidência (ele era da Band, está encaminhando sua mudança para a Globo, que acontecerá ainda naquele ano, e vai a programa no SBT).
No segundo, um programa Perdidos na Noite, a bagunça original do Faustão, que foi ainda melhor na emissora original.
As mudanças na tevê, nos programas, no Faustão, nos roqueiros saltam aos olhos.
Os anos 80 e governo Sarney foram um momento de confusão geral, havia um ar transgressor e progressista geral. A partir da eleição de 89 e do governo Collor os caminhos e as ideologias foram se definindo. Crítica na tevê, agora, só de direita. 
 

domingo, 14 de setembro de 2014

O dia em que o povo tem o poder

Concordo com o artigo abaixo em relação ao Banco Central, mas discordo em relação à banqueira, porque se ela está na campanha como educadora, está muito mais como financiadora do instituto da Marina.
Debate de ideias, porém, foi abandonado pelo PT há 12 anos, substituído pela propaganda e pelo márquetim.
Algum coisa a gente vê nos discursos do Lula, mas eles ficam restritos às plateias, porque a imprensa não cobre, e quando cobre não informa, preocupada que está em criar factoides sensacionalistas e escandalosos.
Está aí um campo quase inexplorado e quem quiser investir nele tem enorme campo.
Há uma iniciativa sistemática, o Jornal GGN, e sobreviventes do velho e bom jornalismo: Retrato do Brasil, CartaCapital, Agência Carta Maior, LMD, Samuel, Opera Mundi, Brasil de Fato, DCM, RBA, Outras Palavras e outros mais.
A questão verdadeira, que tira de campo os políticos oportunistas e põe de volta no lugar os petistas que bandearam para a política tradicional, é discutir a sério e enfrentar as questões que estão paradas no tempo desde a ditadura:
- participação popular permanente que transforme as decisões governamentais em expressões da vontade coletiva e não de políticos representantes de lobbies que só usam o povo para obter votos
- democratização da comunicação
- democratização das polícias e das forças armadas
- educação pública gratuita em tempo integral para todas as crianças e adolescentes
- atendimento de qualidade no SUS
- reforma das cidades que privilegie os espaços público e os transportes coletivos e limpos
- o meio ambiente como referência obrigatória de todas as políticas públicas, a começar pelo agronegócio
- reforma agrária.
Parece que não vemos o óbvio: a discussão política só aparece nas eleições porque elas são o único momento em que os poderosos -- novos e velhos, novos que envelheceram, velhos que lutam para sobreviver -- dependem de nós, os eleitores, o povo, os brasileiros comuns.
Nos dias comuns somos fracos, cada um de nós é um só, mas no dia da eleição nos tornamos milhões, pois somos obrigados a agir juntos, e, somados, nossos votos são capazes de acabar com o poder dos políticos velhos e velhacos da noite pro dia.

Da CartaCapital.
Há excessos e bobagens na desconstrução de Marina 
Numerar as incoerências de Marina é necessário. Muitas das críticas que o PT vêm fazendo, contudo, lembram o que de pior o partido já sofreu.  
Por Sérgio Lírio, publicado 11/9/2014

Campanhas políticas infelizmente costumam descambar para acusações insanas e baixarias inomináveis. Lula e o PT têm sido alvos preferenciais desde sempre. O partido deveria portanto ser mais cuidadoso na hora de avançar contra adversários. Uma coisa é o debate de ideias transparente. Apontar os riscos da proposta de independência do Banco Central ou da falta de visão estratégica do programa de Marina Silva em relação ao pré-sal é não só útil como necessário. Numerar as incoerências da candidata, sua metamorfose em vários temas, entre eles o recuo na crítica à Lei da Anistia, e nomear seus apoios medievais, de Silas Malafaia ao Clube Militar, é igualmente importante. Faz parte da discussão central da eleição em curso. Compará-la a Jânio Quadros e Fernando Collor (hoje aliado do governo), nem tanto.
E mais: Neca Setúbal, conselheira de Marina, tem sido apresentada como banqueira (seria um crime?). A senhora de sobrenome Setúbal é uma das herdeiras do Itaú, mas nunca trabalhou no conglomerado. Sua história está ligada à educação e, nesta área, é respeitada nacionalmente.
No debate econômico, muita gente, inclusive a presidenta Dilma Rousseff, confunde a independência do BC abraçada por Marina, muito mais radical, com autonomia, que o banco possui desde os tempos de FHC. No poder, o PT não só manteve esta autonomia como a aprofundou. Depois de lançar a Carta aos Brasileiros, Lula escolheu Henrique Meirelles, eleito senador pelo PSDB, para presidir o BC e ofereceu-lhe mais tarde o status de ministro. Dilma seguiu na mesma linha com Alexandre Tombini.
Marina dá palestras e cobra por elas a exemplo de Lula, Fernando Henrique Cardoso e outros tantos políticos, jornalistas e celebridades. Figura de renome internacional, a ambientalista reúne os requisitos para atuar nessa rentável área. Paga quem quer.
Se, além de vencer a eleição, o objetivo é elevar o nível da discussão política, certos ataques deveriam ser evitados e as diferenças poderiam ser demonstradas de forma mais inteligente.
A íntegra.