domingo, 31 de maio de 2026

Colômbia: extrema direita assassinou 5 mil e extinguiu um partido

Isso aconteceu há três décadas, é mencionado por um analista neste programa. A eleição na Colômbia acontece hoje e a disputa é entre o filho de um dos assassinados, que na época era senador da República, e um candidato da extrema direita exterminadora. Quanto os brasileiros conhecem da história e do que acontece nos países vizinhos? Quase nada, só o que a imprensa capitalista nacional e internacional quer. O ICL presta mais um serviço à informação ao cobrir a eleição colombiana. Lá não há reeleição. O presidente Gustavo Petro é o primeiro presidente de esquerda da história do país, historicamente dominado por oligarquias, crime organizado e pelo imperialismo estadunidense. Petro fez um governo de dar inveja a Lula e ao PT, implantando reformas sociais e democráticas. Apoia o candidato Iván Cepeda, o filho do senador morto, Manuel Cepeda. A história mostra que o caminho para a justiça social é longo e doloroso, é preciso persistir e aprender com a experiência.  

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Os crimes da ditadura militar contra as elites que apoiaram o golpe

Quando a gente pensa que já sabe de tudo, aparecem coisas novas, como essas gravações inéditas das sessões de julgamento do Supremo Tribunal Militar. Material histórico de ouro nas mãos do historiador Carlos Fico. Aplausos. Vale muito a pena ouvir o podcast

A língua é a coisa mais interessante do Homo sapiens, porque funciona, ou expressa, estreitamente em sintonia com o cérebro, o pensamento, que é o que nos distingue. "Caiu a ficha" é uma expressão admirável da capacidade do brasileiro traduzir em linguagem simples e clara uma ideia complexa. A ficha da compreensão cai de uma vez, ainda que demore. Talvez os gregos dissessem "epifania" -- de fato, "caiu a ficha" é a epifania em brasileiro. Esse podcast faz parte do mesmo quebra-cabeça de "Ainda estou aqui". Poderia aumentar a lista, chegando a "O que é isso, companheiro?", o livro, numa linha que nos conduziria à luta contra a ditadura nos anos 1970, culminando com a campanha Diretas Já!, resultando na Constituinte de 1988 e no governo FHC, muito mais marcante da nossa época do que os governos Lula (/Dilma/Temer), ao contrário do que se supunha e eu mesmo afirmei muitas vezes: o intelectual tucano, com o Plano Real e sua "modernização", isto é, desmonte do desenvolvimentismo e adesão ao neoliberalismo, estruturou o Brasil contemporâneo, que Lula e Dilma seguiram e Temer e bozo aprofundaram, ou seja, um Brasil cujo papel no mundo é de coadjuvante das potências, fornecendo-lhes matérias-primas abundantes e mão-de-obra barata. O que a ficha revela ao cair é que essas mesmas "elites" que entregam o Brasil para os estrangeiros na "democracia" são aquelas que em 1964 apoiaram o golpe militar, mas depois viram a estupidez que era o governo dos milicos e passaram à oposição. Elas se mobilizaram de diversas formas entre 1964 e 1968, até o AI-5, e contra elas recaiu a repressão brutal dos "anos de chumbo". Os trabalhadores, suas lideranças e representações políticas já tinham sido exterminados da cena política no 1º de abril. Voltariam sim, a partir de 1978, e atingiriam o ponto máximo na cena política nacional com o PT e Lula, mas sempre usados pela elites citadas, submetidas a elas, sem vontade própria, sem expressão política própria até hoje, mera massa de manobra, mero exército para derrotar os fascistas que nunca foram embora, como explica Safatle. Exatamente porque tinham apoiado o golpe e eram parte da elite no poder, embora dissidente dela, como se vê claramente em "Ainda estou aqui", os oposicionistas de 1964-1968 não tinham medo, esse medo que acompanhou minha geração, crescida sob a ditadura, e os trabalhadores, brutalmente massacrados pelo golpe e pelo "milagre brasileiro".   

domingo, 24 de maio de 2026

Para jornalistas que não sabem que existe tortura em Israel

Veículos não capitalistas e não sionistas sabem. Por que não vemos notícias assim no Brasil?

A Venezuela vista por uma repórter do O Globo

Essa entrevista é mais interessante pelas perguntas do que pelas respostas, muitas vezes, e pelo constrangimento da entrevistada. Ou seja, pelo que revela da chamada "grande imprensa" e dos seus jornalistas. Por exemplo, ela diz que havia (há ainda?) torturas a presos políticos na Venezuela, mas só ouviu um lado, o dos opositores. Parece que não checou, pelo menos não citou fontes governamentais ou uma investigação, como se exige para denunciar torturas da ditadura militar no Brasil (1964-1985). Chama a Venezuela de ditadura, por reprimir manifestações populares, mas considera normal que repressões do tipo aconteçam em nações europeias. Espantosamente, uma correspondente internacional que já visitou Israel diz que não sabe que em Israel existem presos políticos, prisioneiros sem julgamento e torturas. Não há jornalista independente ou crítico trabalhando no O Globo ou nas televisões Globo ou em outros veículos empresariais. Jornalistas se moldam aos interesses da empresa em que trabalham ou são demitidos, isso é o básico do jornalismo, isto é, da chamada "grande imprensa".  

Governo de conciliação não faz o que prometeu em campanha

Jones Manoel faz ótimas análises políticas. Suas posições são aquelas que a gente esperava que o PT defendesse quando foi criado, antes de se tornar o partido da ordem e do capital. O que ele defende é o básico, como ele mesmo diz, não tem nada de radical. 

Música do dia: A day in the life, The Beatles

O gêio do John e o talento musical do Paul juntos.

Homo sapiens: rumo à autoextinção

Já passamos do ponto de retorno, o fim está cada vez mais próximo, e não é um fim apocalíptico, religioso, bíblico, ao contrário: acreditar nisso só ajuda a tornar inevitável o fim verdadeiro, que virá das mudanças climáticas provocadas pelo capitalismo. Os sinais são evidentes, só não vê quem não quer, e os políticos e os bilionários que mandam nos governos mentem, escondem e não fazem o que precisa ser feito. O que precisa ser feito? Conter o capital, distribuir as riquezas, tornar o mundo um só e igual para todos.   

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Outra imprensa é possível

E como uma coisa leva a outra, a entrevista com Evo Morales leva a essa com a jornalista Michele de Mello, diretora da emissora russa da RT News no Brasil. 

Venezuela, Cuba, Bolívia... Brasil. O avanço dos EUA sobre a América Latina

Um dos crimes da adesão da esquerda brasileira à democracia burguesa e ao neoliberalismo foi a submissão à imprensa capitalista. Antes da "redemocratização", havia uma imprensa alternativa, "nanica", "independente", de esquerda, que se extinguiu, na crença de que esta era dispensável, que a imprensa empresarial atenderia a necessidade de informação de toda a sociedade, assim como a democracia burguesa seria também uma democracia para todos. Como se viu na eleição do Collor e no golpe de 2016, entre outros momentos, a imprensa capitalista tem lado, o do capital, assim como a democracia burguesa é o governo do capital, corrupto e violento contra os trabalhadores. Outro resultado desse caminho é que continuamos não sabendo o que se passa nas nações vizinhas e o que sabemos vem deturpado pela versão do imperialismo estadunidense. Poderíamos ter no Brasil uma imprensa múltipla, com veículos fortes públicos, cooperativistas e estatais, além de privados. No entanto, como quase tudo que estava previsto na Constituição de 1988, auge da redemocratização, isso nunca foi regulamentado e o que foi feito foi desfeito depois pela extrema direita. A esquerda precisa aprender, nisso e em tudo mais, para implantar um programa verdadeiramente democrático na sua próxima ascensão política.  

quarta-feira, 20 de maio de 2026

Música do dia: Virgínia, com Os Mutantes

A banda mais genial do Brasil, que continua atual mais de cinquenta anos depois. Nossos Beatles. Pra quem quiser em inglês, tem também.

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Música do dia: Com açúcar, com afeto (Chico Buarque), com Jane Morais

A gravação original no segundo ou terceiro disco do Chico. Bastava essa música para o Chico entrar para a história da MPB, assim como tantas outras que já tinha feito, mas ele continuou compondo canções geniais. Numa entrevista, ele diz que em cada nova canção quer fazer uma coisa que não fez ainda. Gênio é isso. A preciosidade das palavras, o jogo de palavras, a sutileza das palavras, a sequência dos verbos, a aparente simplicidade, as cenas que somos capazes de ver, a obra. Na gravação, o detalhe da gaita.  

sábado, 9 de maio de 2026

Música do dia (2): Revolution 9, The Beatles

A mais estranha (e longa?) gravação dos Beatles.

Música do dia: I'm so tired, The Beatles

Uma das mais marcantes músicas do eclético Álbum Branco dos Beatles, claramente uma canção do John, que mostra mais uma vez seu talento acima dos demais.

sexta-feira, 8 de maio de 2026

Música do dia: Bashi achuki, com Trio Mandili

Quem alegra esses meus dias angustiados. Daria tudo para entender o que elas estão cantando. 

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Xingamentos e ameaças na Câmara dos Deputados

O baixo nível dos bandidos e fascistas na Câmara não surpreende, mas também não para de assustar os eleitores.

terça-feira, 5 de maio de 2026

José Dirceu ou a ideologia do PT

José Dirceu fez oitenta anos e tem muita vitalidade, Lula tem mais ainda. Os dois são as figuras mais importantes do poder petista, ou lulopetista, nos últimas décadas, e ambos são pouco compreendidos. Nem a biografia escrita pelo jornalista Fernando Morais me fez entender Lula, de forma que fico com o que depreendo: um homem inteligente que usou sua capacidade de negociação e seu carisma para ascender na política e se tornar o mais longevo dirigente do Estado capitalista brasileiro. Usou sua origem para conquistar a simpatia popular e sua popularidade para se impor às classes dominantes, de forma que, por conter a insatisfação dos trabalhadores, tornou-se o melhor presidente para os capitalistas. José Dirceu eu começo a entender agora: o que ele fala é o que ouvimos de todos os lulopetistas, porque é ele o autor, José Dirceu é a personificação da ideologia lulopetista. Ele tem uma impressionante simbiose com Lula, os dois se completam e dependem um do outro. Dirceu elabora a ideologia lulista que move o PT, isto é, a força ideológica que move esse enorme, envelhecido, decadente e minguante exército de militantes e simpatizantes que lideraram o culto ao Lula e a realização do projeto petista -- bem-sucedido em termos políticos e um desastre para os brasileiros e a nação. 

sexta-feira, 1 de maio de 2026

Música do Dia do Trabalho, com Trio Mandili

Para alegrar todos os sentidos e mais um pouco.

Música do dia: E agora, José?, com Paulo Diniz

O poema do Carlos Drummond de Andrade serve de tema para o quadro político brasileiro, diante da derrota histórica do governo Lula, com a rejeição pelo Senado do seu indicado a ministro do Supremo Tribunal Federal, coisa que só tinha acontecido no governo Floriano Peixoto, nos primórdios da República, ainda no século XIX. Me lembrou aquele momento assustador há dez anos, quando a Câmara aceitou o pedido de impeachment da presidenta Dilma: muita coisa aconteceu e muita esperança havia ainda, mas o governo já tinha acabado. É a pergunta que faz o analista Frederico Krepe no vídeo que também reproduzo abaixo, juntamente com a do Jones Manoel, duas análises lúcidas. Para completar seu serviço o Congresso, ontem, derrubou o veto presidencial e manteve a revisão das penas dos golpistas de 8 de janeiro. Da minha parte, digo o que sinto desde que a volta do Lula se anunciou, ao ser solto em 2019: o Brasil continua afundando enquanto marca passo, sem encontrar seu caminho, seguindo políticos corrompidos, prestes a voltar às trevas de um novo governo bozo, dessa vez do jr. Já escrevi muitas vezes ao longo das quase duas décadas deste blog o que penso do Lula e do fracasso da minha geração. Quando o bozo pai foi eleito, naquela farsa da facada, parecia que os brasileiros viviam um pesadelo, ao qual a pandemia deu cores dantescas; uma repetição do pesadelo parece a descida definitiva ao inferno. Todos sabemos que bozo jr. é um bandido cercado de bandidos, que o Congresso está dominado pelo crime organizado e por interesses particulares, antinacionais e antipopulares. A imprensa empresarial não é muito melhor e já não tem a força que tinha, o STF dá mostras de que o julgamento dos golpistas de 8 de janeiro foi um ato político, não uma demonstração de idoneidade; foi por assim dizer o último ato de um longo processo que começou com a farsa do mensalão, que pode ser nomeado como a tragédia do povo brasileiro. A política brasileira está toda podre. E é isso, a podridão, que vai se institucionalizar a partir de 2027, ao que tudo indica. Depois, só uma revolução popular poderá consertar, mas como imaginar uma revolução, se até o povo se tornou reacionário, aderiu à ideologia dominante e vota na extrema direita? E agora, José? José, para onde?