domingo, 31 de maio de 2026
Colômbia: extrema direita assassinou 5 mil e extinguiu um partido
quinta-feira, 28 de maio de 2026
Os crimes da ditadura militar contra as elites que apoiaram o golpe
Quando a gente pensa que já sabe de tudo, aparecem coisas novas, como essas gravações inéditas das sessões de julgamento do Supremo Tribunal Militar. Material histórico de ouro nas mãos do historiador Carlos Fico. Aplausos. Vale muito a pena ouvir o podcast.
A língua é a coisa mais interessante do Homo sapiens, porque funciona, ou expressa, estreitamente em sintonia com o cérebro, o pensamento, que é o que nos distingue. "Caiu a ficha" é uma expressão admirável da capacidade do brasileiro traduzir em linguagem simples e clara uma ideia complexa. A ficha da compreensão cai de uma vez, ainda que demore. Talvez os gregos dissessem "epifania" -- de fato, "caiu a ficha" é a epifania em brasileiro. Esse podcast faz parte do mesmo quebra-cabeça de "Ainda estou aqui". Poderia aumentar a lista, chegando a "O que é isso, companheiro?", o livro, numa linha que nos conduziria à luta contra a ditadura nos anos 1970, culminando com a campanha Diretas Já!, resultando na Constituinte de 1988 e no governo FHC, muito mais marcante da nossa época do que os governos Lula (/Dilma/Temer), ao contrário do que se supunha e eu mesmo afirmei muitas vezes: o intelectual tucano, com o Plano Real e sua "modernização", isto é, desmonte do desenvolvimentismo e adesão ao neoliberalismo, estruturou o Brasil contemporâneo, que Lula e Dilma seguiram e Temer e bozo aprofundaram, ou seja, um Brasil cujo papel no mundo é de coadjuvante das potências, fornecendo-lhes matérias-primas abundantes e mão-de-obra barata. O que a ficha revela ao cair é que essas mesmas "elites" que entregam o Brasil para os estrangeiros na "democracia" são aquelas que em 1964 apoiaram o golpe militar, mas depois viram a estupidez que era o governo dos milicos e passaram à oposição. Elas se mobilizaram de diversas formas entre 1964 e 1968, até o AI-5, e contra elas recaiu a repressão brutal dos "anos de chumbo". Os trabalhadores, suas lideranças e representações políticas já tinham sido exterminados da cena política no 1º de abril. Voltariam sim, a partir de 1978, e atingiriam o ponto máximo na cena política nacional com o PT e Lula, mas sempre usados pela elites citadas, submetidas a elas, sem vontade própria, sem expressão política própria até hoje, mera massa de manobra, mero exército para derrotar os fascistas que nunca foram embora, como explica Safatle. Exatamente porque tinham apoiado o golpe e eram parte da elite no poder, embora dissidente dela, como se vê claramente em "Ainda estou aqui", os oposicionistas de 1964-1968 não tinham medo, esse medo que acompanhou minha geração, crescida sob a ditadura, e os trabalhadores, brutalmente massacrados pelo golpe e pelo "milagre brasileiro".
domingo, 24 de maio de 2026
Para jornalistas que não sabem que existe tortura em Israel
A Venezuela vista por uma repórter do O Globo
Governo de conciliação não faz o que prometeu em campanha
Homo sapiens: rumo à autoextinção
sexta-feira, 22 de maio de 2026
Outra imprensa é possível
Venezuela, Cuba, Bolívia... Brasil. O avanço dos EUA sobre a América Latina
quarta-feira, 20 de maio de 2026
Música do dia: Virgínia, com Os Mutantes
sexta-feira, 15 de maio de 2026
Música do dia: Com açúcar, com afeto (Chico Buarque), com Jane Morais
sábado, 9 de maio de 2026
Música do dia: I'm so tired, The Beatles
sexta-feira, 8 de maio de 2026
Música do dia: Bashi achuki, com Trio Mandili
quarta-feira, 6 de maio de 2026
Xingamentos e ameaças na Câmara dos Deputados
terça-feira, 5 de maio de 2026
José Dirceu ou a ideologia do PT
sexta-feira, 1 de maio de 2026
Música do dia: E agora, José?, com Paulo Diniz
O poema do Carlos Drummond de Andrade serve de tema para o quadro político brasileiro, diante da derrota histórica do governo Lula, com a rejeição pelo Senado do seu indicado a ministro do Supremo Tribunal Federal, coisa que só tinha acontecido no governo Floriano Peixoto, nos primórdios da República, ainda no século XIX. Me lembrou aquele momento assustador há dez anos, quando a Câmara aceitou o pedido de impeachment da presidenta Dilma: muita coisa aconteceu e muita esperança havia ainda, mas o governo já tinha acabado. É a pergunta que faz o analista Frederico Krepe no vídeo que também reproduzo abaixo, juntamente com a do Jones Manoel, duas análises lúcidas. Para completar seu serviço o Congresso, ontem, derrubou o veto presidencial e manteve a revisão das penas dos golpistas de 8 de janeiro. Da minha parte, digo o que sinto desde que a volta do Lula se anunciou, ao ser solto em 2019: o Brasil continua afundando enquanto marca passo, sem encontrar seu caminho, seguindo políticos corrompidos, prestes a voltar às trevas de um novo governo bozo, dessa vez do jr. Já escrevi muitas vezes ao longo das quase duas décadas deste blog o que penso do Lula e do fracasso da minha geração. Quando o bozo pai foi eleito, naquela farsa da facada, parecia que os brasileiros viviam um pesadelo, ao qual a pandemia deu cores dantescas; uma repetição do pesadelo parece a descida definitiva ao inferno. Todos sabemos que bozo jr. é um bandido cercado de bandidos, que o Congresso está dominado pelo crime organizado e por interesses particulares, antinacionais e antipopulares. A imprensa empresarial não é muito melhor e já não tem a força que tinha, o STF dá mostras de que o julgamento dos golpistas de 8 de janeiro foi um ato político, não uma demonstração de idoneidade; foi por assim dizer o último ato de um longo processo que começou com a farsa do mensalão, que pode ser nomeado como a tragédia do povo brasileiro. A política brasileira está toda podre. E é isso, a podridão, que vai se institucionalizar a partir de 2027, ao que tudo indica. Depois, só uma revolução popular poderá consertar, mas como imaginar uma revolução, se até o povo se tornou reacionário, aderiu à ideologia dominante e vota na extrema direita? E agora, José? José, para onde?