domingo, 23 de agosto de 2026

Música do dia: Artigo 26, Ednardo

Sempre penso que  basta ao compositor compor uma grande música e sua vida já está justificada -- esta, por exemplo. No entanto, o Brasil tem tantos compositores com várias obras-primas -- Ednardo, por exemplo. Que época criativa foi aquela terrível dos anos de chumbo. No ambiente da mais intensa repressão, Ednardo e o Pessoal do Ceará fizeram maravilhas. E o Clube da Esquina. E os Novos Baianos. E Secos & Molhados. Até Erasmo Carlos compôs suas melhores músicas. E pérolas do brega, Odair José, por exemplo, que hoje, comparado aos "sertanejos" e "pagodes", parece sofisticado. Sem falar do Som Imaginário, Terço, Sá, Rodrix e Guarabira, Moto Perpétuo, 14 Bis. Sem falar dos excepcionais: Chico, Paulinho, Mutantes, Gil, Caetano, Toquinho, Raul. E o samba do morro: Cartola, Nélson, Ismael... E a Bossa Nova: Carlos Lira, Vinicius etc. Sem falar em Lupicínio. Sem falar nos gênios: Pixinguinha, Jacob, Jackson, Moacir Santos, Ari Barroso, Caymmi... Sem falar no maior de todos: Tom. Sem falar nos que já tinham morrido quando eu nasci: Noel, Assis... E sem falar nos que eu esqueci. Para todo lugar do Brasil que se olhe, desde o século XIX até o começo dos anos 1980, a gente encontra música genial. E ainda hoje, temporões, como essa maravilhosa Maria Clara Valle. Esse foi o melhor Brasil, o da música popular. Foi, porque acabou, assim como a Natureza e o futebol. Natureza, incluindo os indígenas, futebol e música popular são o que houve de melhor por aqui. Essa vai para o Geraldo, padeiro de São Gonçalo do Rio das Pedras, que às sete da manhã de qualquer dia, domingo a domingo, monta na sua moto e sai "de casa em casa, entregando o pão". 

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