sexta-feira, 11 de outubro de 2013

O discurso de Luiz Ruffato na Feira do Livro de Frankfurt

Mais um serviço público do Diário do Centro do Mundo. Ruffato foi a voz das ruas na Alemanha. A elite reacionária estrilou e o PT neoliberal reclamou. Ele brilhou: "Nós somos um país paradoxal. Ora o Brasil surge como uma região exótica, de praias paradisíacas, florestas edênicas, carnaval, capoeira e futebol; ora como um lugar execrável, de violência urbana, exploração da prostituição infantil, desrespeito aos direitos humanos e desdém pela natureza. Ora festejado como um dos países mais bem preparados para ocupar o lugar de protagonista no mundo – amplos recursos naturais, agricultura, pecuária e indústria diversificadas, enorme potencial de crescimento de produção e consumo; ora destinado a um eterno papel acessório, de fornecedor de matéria-prima e produtos fabricados com mão-de-obra barata, por falta de competência para gerir a própria riqueza. Agora, somos a sétima economia do planeta. E permanecemos em terceiro lugar entre os mais desiguais entre todos… " 

"Machistas", "hipócritas", "intolerantes": o discurso sobre o Brasil de Luiz Rufatto, o easter egg da Feira de Frankfurt 
Por Kiko Nogueira
O escritor mineiro Luiz Rufatto foi o easter egg da delegação de 70 escritores brasileiros que foram à Feira do Livro de Frankfurt. Easter egg, para quem não está familiarizado com o termo, é o elemento surpresa escondido em games, músicas, filmes, quadros etc. 

(O discurso:)
O que significa ser escritor num país situado na periferia do mundo, um lugar onde o termo capitalismo selvagem definitivamente não é uma metáfora? 
Para mim, escrever é compromisso. Não há como renunciar ao fato de habitar os limiares do século XXI, de escrever em português, de viver em um território chamado Brasil. Fala-se em globalização, mas as fronteiras caíram para as mercadorias, não para o trânsito das pessoas. 
Proclamar nossa singularidade é uma forma de resistir à tentativa autoritária de aplainar as diferenças. O maior dilema do ser humano em todos os tempos tem sido exatamente esse, o de lidar com a dicotomia eu-outro. Porque, embora a afirmação de nossa subjetividade se verifique através do reconhecimento do outro – é a alteridade que nos confere o sentido de existir –, o outro é também aquele que pode nos aniquilar… E se a Humanidade se edifica neste movimento pendular entre agregação e dispersão, a história do Brasil vem sendo alicerçada quase que exclusivamente na negação explícita do outro, por meio da violência e da indiferença. 
Nascemos sob a égide do genocídio. Dos quatro milhões de índios que existiam em 1500, restam hoje cerca de 900 mil, parte deles vivendo em condições miseráveis em assentamentos de beira de estrada ou até mesmo em favelas nas grandes cidades. Avoca-se sempre, como signo da tolerância nacional, a chamada democracia racial brasileira, mito corrente de que não teria havido dizimação, mas assimilação dos autóctones. Esse eufemismo, no entanto, serve apenas para acobertar um fato indiscutível: se nossa população é mestiça, deve-se ao cruzamento de homens europeus com mulheres indígenas ou africanas – ou seja, a assimilação se deu através do estupro das nativas e negras pelos colonizadores brancos. 
A íntegra.

A Globo por dentro

Mais um serviço de utilidade pública prestado pelo Paulo Nogueira.

Do Diário do Centro do Mundo.
Como funciona o Conselho Editorial das Organizações Globo
Paulo Nogueira

Tinha ouvido falar pouco de Ali Kamel, chefe de telejornalismo da Globo, até conhecê-lo no Conedit. É o conselho editorial das Organizações Globo.
Sob o comando de João Roberto Marinho, o Conedit reúne os editores das diversas mídias da Globo para alinhar ações e debater assuntos. As reuniões são realizadas às terças, por volta das 11 horas, no prédio da Globo no Jardim Botânico, no Rio. Frequentei-as ao longo dos dois anos e meio em que fui diretor editorial das revistas da Globo. Quando cheguei, Kamel já estava lá, e ali permaneceu depois que saí.
A referência mais longa que eu tivera dele veio de um jornalista da Abril que o procurara em busca de emprego. A operação deu certo. O jornalista me contou que lera que Kamel valorizava gente que tivesse passado por revistas, por ser mais apta a mexer com palavras. O próprio Kamel passara pela Veja no Rio antes de se fixar nas Organizações Globo.
Kamel não confirma o folclore do carioca simpático, ao contrário de outros editores com quem convivi naquelas manhãs de terça. Seu chefe, Carlos Schroder, um gaúcho afável e sempre com um sorriso no rosto, parece mais carioca que ele.
De um modo geral, o ambiente no Conedit reflete o humor, a alegria, a capacidade de rir dos cariocas. (E também a falta de pontualidade.) Mesmo Merval Pereira, colunista de várias mídias da Globo e ex-diretor do jornal, ri com frequência – uma surpresa para quem lê seus textos em geral num tom de elevada preocupação, quase sempre ligada a um pseudopecado mortal de Lula.
Kamel, pela importância da TV, é uma presença destacada no Conedit. Sua expressão solene sublinha esse papel. Não sei se Kamel costuma beber no bar com os amigos para falar bobagens como futebol, mas não me pareceu.
A íntegra.

Os pecados do PT

Os pecados do PT não estão onde a velha "grande" imprensa aponta; nestes, é mais provável que a gente encontre qualidades: Mais Médicos, Bolsa Família, ações afirmativas, distribuição de renda...
O que incomoda essa gente, que mistura empresários gananciosos e subalternos dispostos a vender sua pena por um bom dinheiro, fama e convites para as festas dos ricos, é a mudança que a ascensão do PT acarretou no País: saiu parte dos que controlavam o Estado há quinhentos anos (outra parte ficou) e entraram novos ocupantes, uma gente de esquerda, que em 68 pegou em armas, gente do povo, quee em 78 fez greves. Aceitar essa gente, esses novos ricos da política, era intolerável para os protofascistas que fazem muito barulho, mas não reúnem nem cem quando marcam um protesto.
Mas o mundo gira e a lusitana roda, e na verdade essa gente barulhenta não tem a importância que se lhe dá e ocupar tempo com ela é só desviar energias que devem ser gastas com coisas realmente importantes. De fato, o que essa gente faz é o mesmo que um motorista chinfrim que estaciona o carro, abre a porta e liga o som horroroso (sempre é "música" de péssima qualidade) tão alto que nos impede de pensar ou fazer outra coisa.
Os pecados do PT são outros: suas alianças com setores econômicos e sociais nefastos.
Aliança com o agronegócio, que eliminou a Mata Atlântica, extingue o Cerrado e avança sobre a Amazônia, deixando um rastro de destruição ambiental e social, assim como a mineração, atividades que tiram tudo da terra para vender baratinho no estrangeiro, formam uma nobreza de "rei da soja", "rei do gado", "rei do nióbio", "rei do ferro" etc., poucos donos de imensas propriedades, maiores até do que muitos países, dinheiro que faz fortunas, é comemorado por publicações neoliberais deslumbradas e sem qualquer senso crítico, e pelo governo, porque equilibra a balança comercial, mas em seguida some no ar, deixando só os sofrimentos e os problemas para as gerações futuras, pois minério só dá uma safra e o agronegócio exaure a terra envenenada e extingue recursos ambientais que explora intensamente, exaustivamente.
Aliança com as empreiteiras, que fazem obras desnecessárias e superfaturadas, que expulsam populações e transformam as cidades em florestas de concreto, perpetuando o modelo do transporte individual, que enche as ruas de carrões, o ar de fumaça e os seres humanos de doenças.
Aliança com notórios espertalhões que promovem eventos "mundiais" para esbulhar os povos tolos.
Estes são os defeitos do PT, suas alianças com setores mais que conservadores, deletérios para o País que sonhamos, para o mundo em que viverão nossos filhos e netos.
Alianças urdidas na sombra, que tornam o PT o grande êxito político que é, muito melhor para os ricos do que foram os tucanos e outros bichos, pois tem apoio popular seguro e é capaz de vencer eleições.
Alianças que levam um mineiro à presidência da principal entidade empresarial do País no mesmo momento em que uma mineira, belo-horizontina, se torna presidente da República e seu amigo ex-prefeito da capital se torna ministro, prestando "consultoria" para o mesmo empresário, e em 2014 volta como candidato a governador, futuro governador, com apoio do partido dos trabalhadores e da entidade do capital.
Os pecados do PT estão embutidos na sua transformação em partido do capital, e o capital gosta de negócios que lhes rendam lucros, à custa do Estado, à custa dos interesses nacionais, à custa dos trabalhadores.
O maior pecado do PT é fazer, como partido dos trabalhadores, o que outros partidos foram incapazes, como partidos do capital. Como no caso do pré-sal.

Do Correio da Cidadania.
Como matar o setor de petróleo  
Paulo Metri – conselheiro do Clube de Engenharia

Na década de 1990, auge do período neoliberal, Betinho escreveu um capítulo do livro "Em defesa do interesse nacional", cheio de ironia e bom humor mas muito sério, intitulado "Como matar uma estatal".
No capítulo, ele descreve todas as ações que um "bom administrador" deveria tomar para atingir seu objetivo de matar a estatal. Nos dias atuais, se ainda estivesse entre nós, ele talvez escrevesse sobre como matar o setor de petróleo.
Imaginamos que o novo texto ficaria da seguinte forma:
Cria-se um arcabouço jurídico e institucional, que privilegia a competição, não importando se os agentes econômicos são nacionais ou estrangeiros. O fato de ser nacional não significa que deva ter algum privilégio em qualquer disputa.
O petróleo, o gás natural e os derivados devem ser considerados como simples commodities, que não possuem valor geopolítico e estratégico algum, ou seja, não possuem nenhuma atração além da rentabilidade.
Promovem-se leilões em que um único pagamento inicial pode definir a permanência de empresas produzindo petróleo em uma área durante até 35 anos, pagando parcelas mínimas de royalties e, quando for o caso de altas produções, de "participações especiais".
Facilita-se ao máximo a entrada de bens e serviços estrangeiros no setor, a pedido das empresas petrolíferas estrangeiras, isentando-os de impostos e taxas, que os nacionais não têm.
A cada oportunidade de fala à imprensa, deve-se realçar que as decisões da diretoria do órgão regulador são técnicas, significando que ele verifica a competição e o desempenho das empresas.
Nunca se toma uma decisão com o singelo argumento que ela irá beneficiar a sociedade brasileira. 
O órgão regulador não é um órgão que deve implantar políticas públicas, nem deve levar em conta nas suas decisões que o Brasil é um país em desenvolvimento, com características culturais específicas e inserido no espaço geopolítico mundial.
Doma-se a estatal do setor, para, amofinada, não participar de leilões e permitir a entrega rápida de blocos para as empresas estrangeiras.
Neste momento, o golpe fatal pode ser dado com a privatização da Petrobras.
A íntegra.

O que o PT está fazendo por Minas e por BH

Já era tempo do governo petista promover divulgações desse tipo. Desde 2002, Aécio Anastasia, e desde 2008, Lacerda, faturam popularidade em cima de iniciativas e verbas federais. Lacerda finca placas toscas -- geralmente no meio do passeio -- com os dizeres "Obra da prefeitura"; Aécio Anastasia enchem as televisões, rádios e jornais com propagandas caríssimas que vendem como suas obras federais. Em Belo Horizonte e Minas Gerais, se tirar o dinheiro do governo federal, estado e capital quebram; se tirarem os programas do PT, não sobra nada de bom.

Do Blog do Planalto.
Iniciativas do Governo Federal em Minas Gerais são destacadas em vídeo
O Governo Federal lançou na última semana um conjunto de peças para apresentar aos cidadãos as ações e projetos realizados nos estados. Chamada de Campanha Oportunidades, a divulgação começa destacando políticas públicas em cinco estados: Rio de Janeiro, Minas Gerais, Pernambuco, Paraná e Bahia.
Em Minas, o destaque são os investimentos em obras de prevenção em áreas de risco e urbanização, principalmente assentamentos, que receberam mais de R$ 2,3 bilhões em recursos. As mais de 147 mil moradias entregues no estado, por meio do programa Minha Casa Minha Vida, são apresentadas pelos próprios beneficiários, que dão depoimentos sobre suas vidas após o Programa. Outras 116 mil unidades habitacionais já foram contratadas em Minas Gerais.
Na área da saúde, 65 Unidades de Pronto-Atendimento (UPA 24h) estão sendo construídas, além de outras 336 Unidades Básicas de Saúde. A contratação de profissionais por meio do programa Mais Médicos também é citada no vídeo da Campanha.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Eleição no Azerbaijão: primeiro o resultado, depois a votação

O modelo da democracia liberal representativa tornou-se universal depois da II Guerra Mundial, mas isso não significa que a vontade do povo e a voz da maioria prevaleçam. Em geral, não passa de embalagem oca e há casos escandalosos como este do Azerbaijão (ex-integrante da URSS), que está longe de ser exceção. Basta lembrar que nos EUA, em 2000, Bush filho foi eleito embora Al Gore tenha tido mais votos.

Do Opera Mundi.
Governo do Azerbaijão divulga resultado de eleição presidencial antes do início da votação
"A magnitude da fraude é tanta que é impossível estabelecer a vontade popular expressada nas urnas", disse opositor 

O governo do Azerbaijão anunciou na manhã desta quarta-feira (09/10) o resultado da eleição presidencial do país. No entanto, para o espanto da população, as votações nem sequer haviam começado. Em outras palavras, a vitória de reeleição do atual presidente, Ilham Aliyev, foi divulgada na internet sem nenhum cidadão ter votado.
O episódio causou constrangimento generalizado no governo azerbaijano. A justificativa oficial é que o desenvolvedor do aplicativo responsável pelas eleições fazia testes usando informações das eleições de 2008 e teria "divulgado por engano os resultados". No entanto, a lista de candidatos apresentados era deste ano, e não de 2008, como alegaram as autoridades locais.
A íntegra.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

O Henfil voltou

Do blog da revista Samuel.
Quadrinhos de Henfil são relançados 
Para os saudosos: neste mês, a ONG Henfil – Educação e Sustentabilidade relançou a revista Fradim, publicada nos anos 70 e 80 pelo cartunista Henfil. A publicação foi lançada pela Editora Codecri em 1972, já depois do advento do AI-5, e se tornou um espaço para o cartunista divulgar suas tiras contestadoras com os personagens Cumprido e Baixim, além dos também conhecidos Bode Orelana e Graúna.
A íntegra.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Soja transgênica terá três venenos

A nova semente de soja transgênica que está prestes a ser liberada no Brasil exige aplicação de um agrotóxico considerado extremamente perigoso.

Do blog Em pratos limpos.
Soja transgênica: "lavouras tomarão banhos dos três venenos". Entrevista especial com Leonardo Melgarejo
A liberação da semente de soja transgênica da multinacional Dow Agrosciences, imune ao glifosato, ao glufosinato de amônia e ao 2,4-D, está em pauta na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – CNTBio e, de acordo com o membro da instituição, Leonardo Melgarejo, "deve ser votada ainda este ano". As sementes transgênicas já são tolerantes ao glifosato e ao glufosinato de amônia. A novidade é a resistência ao 2,4-D, um herbicida que só funciona para plantas de folhas largas.
Melgarejo explica que, "na prática, os conceitos não mudam, se trata de adoção da mesma lógica que deu base à soja RR: uma planta modificada para tomar um banho de um veneno que mata outras plantas eventualmente presentes na mesma área. A diferença é que neste caso teremos uma planta que receberá banhos de três herbicidas diferentes, sendo que um deles é da classe toxicológica 1, categoria reservada aos produtos extremamente perigosos". A permissão para utilizar três herbicidas na mesma planta, assevera, "não significa uma lógica de substituição ou rodízio de venenos. O que acontecerá é uma soma. Os três produtos serão aplicados em cobertura, após a implantação das lavouras, e isso afetará toda a forma de vida que eventualmente circule nas áreas de plantio deste tipo de soja".
Na entrevista a seguir, concedida por e-mail, o engenheiro agrônomo informa que a "soja tolerante ao glifosato já quase não funciona como tecnologia facilitadora do manejo de invasoras, pela enorme presença de plantas que adquiriram resistência àquele produto. Plantas modificadas para tolerância ao 2,4-D devem eliminar temporariamente esta dificuldade".
Leonardo Melgarejo é engenheiro agrônomo, mestre em Economia Rural e doutor em Engenharia de Produção pela Universidade de Santa Catarina – UFSC. É membro do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – Incra, no Rio Grande do Sul.
A íntegra.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Merenda das escolas municipais de São Paulo tem arroz orgânico

Produzido nos assentamentos do MST.
O grande historiador Eric Hobsbawm, falecido há um ano, observa em "Era dos Extremos -- o breve século XX" que a morte do campesinato é a mudança social mais impressionante do século passado.
"Desde a era neolítica a maioria dos seres humanos vivia da terra e seu gado ou recorria ao mar para a pesca", escreveu. Na segunda metade do século XX, a população rural caiu drasticamente em todo o mundo, sendo reduzida a 3% nos países mais industrializados; em 2011, até a superpopulosa China tornou-se pela primeira vez na sua história um país majoritariamente urbano.
Essa urbanização e desruralização transformou radicalmente uma questão elementar do ser humano, a alimentação. Alimentos agora são produzidos em propriedades imensas, em quantidades astronômicas, por poucos e riquíssimos proprietários, para abastecer o mercado global. São produzidos com uso de máquinas, sementes modificadas em laboratório e muito veneno para garantir produtividade. São usados para produzir alimentos industrializados, que consumimos cada vez mais.
Os resultados desse novo modelo, cuja lógica é a do capital -- produzir mais para lucrar mais --, são devastação ambiental, cidades gigantescas e inóspitas, obesidade e doenças novas. Uma lógica que do ponto de vista da sociedade é desnecessária e do ponto de vista da saúde é nociva; toda ou quase toda a comida de que precisamos pode ser produzida no nosso quintal ou num cinturão verde em torno da cidade em que vivemos.
É essa produção de alimentos -- orgânica, diversificada, em áreas e quantidades menores, sem uso de venenos, cuidando do ambiente, sempre fresca -- que a agricultura familiar produz e que o MST defende. E que a humanidade precisa para se salvar da catástrofe iminente. É uma questão de escolha, urgente.

Da página do MST
Prefeitura de São Paulo e MST: arroz orgânico na merenda escolar
por Luiz Felipe Albuquerque
As crianças das escolas municipais da cidade de São Paulo passam agora a ser beneficiadas com os alimentos produzidos nos assentamentos da Reforma Agrária.
Nesta quinta-feira (3/10/13), a prefeitura assinou o primeiro contrato de comércio de alimentos agroecológicos com cooperativas do MST, por meio do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae).
Serão entregues 930 toneladas de arroz orgânico produzidos pela Cooperativa dos Trabalhadores dos Assentados da Região de Porto Alegre (Cootap), do Rio Grande do Sul, ao valor de R$2,4 milhões, beneficiando 1400 famílias da região.
Para Nelson Krupinski, da coordenação da Cootap, essa é mais uma prova das potencialidades da Reforma Agrária, além de também permitir desenvolver ainda mais os assentamentos.
"Essas parcerias permitem criar um cenário e estabelecer metas mais palpáveis de produção. Nos dá segurança de que pode continuar a produção orgânica, desenvolve os assentamentos e fortalece a agricultura familiar", destaca.
A íntegra.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

IPTU, imposto injusto

Os absurdos da vida nas cidades contemporâneas (e quase todos nós hoje moramos em cidades -- 85% da população, no Brasil, em 2010). Além da péssima qualidade, a vida é caríssima.
Até o prefeito petista de São Paulo embarca na onda da especulação imobiliária. Fico pensando: se é pra agir igual tucano, pra que PT? Subsidiar a tarifa de transporte com aumento do IPTU! Dá com uma mão e tira com outra, porque não tem coragem de enfrentar a máfia dos transportes, os empresários que financiam as campanhas! Será esse Haddad débil mental ou mau caráter? No começo das mobilizações em junho chegou a fechar com o Alkmin e a PM, depois voltou atrás. Será que tem dificuldade de entender as coisas? Será que é daqueles pra quem se precisa desenhar?
Qualquer pessoa razoável vê que é um absurdo se pagar imposto de um imóvel com base no seu valor comercial. Isso pressupõe que o proprietária vai vender a casa (ou apartamento). Mas ela é pra morar, não é pra vender! Difícil de entender isso? O que tem o "valor" de mercado com o valor do imposto? Nada. A não ser que a prefeitura queira expulsar os pobres das regiões melhores: não pode pagar imposto de uma região boa? Muda para a periferia! Esta é a lógica embutida nisso, que o governo petista paulistano, assim como todos os outros sugerem. Lógica excludente, elitista, que só serve à especulação imobiliária. Não é à toa que a inadimplência do IPTU é altíssima. Mas os administradores incompetentes não percebem que é melhor receber de todos o que podem pagar do que exigir o que muitos não podem pagar e não receber.

Do Tarifa Zero.
Sobre a tarifa do transporte, a especulação imobiliária e a exclusão

Tão querendo me tirar /Da habitação/Atrasei o aluguel/Mas deus do céu / Aluguel multiplicou / Vou trabalhar / E amanhã eu faço bico / Noutro bar / Foi quinhentos até um / Dois mês atrás / Quase o dobro / Tá difícil descolar / Minha mãe já me mandou / Trezentos mais / Mas preciso completar / Os mil reais (…) Hoje ali tem o metrô (Faria Lima Pra Cá – Passo Torto)

Nesta semana vários veículos de comunicação publicaram que a prefeitura pretende aumentar em até 30% o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) das residências de São Paulo. De acordo com as notícias, a prefeitura revisará a Planta Genérica de Valores, que define a valorização do m² na cidade, pois estes valores estão "bastante defasados", tendo em vista a valorização imobiliária. Ou seja, a prefeitura assinará embaixo da imensa especulação imobiliária que assola a cidade.
Há quatro anos me mudei para São Paulo e, desde então, pago aluguel. Mesmo tendo um nível de renda comparativamente melhor que o dos meus pais à época e não sendo uma pessoa nada consumista, é impossível que eu compre algo em São Paulo. A não ser – e olhe lá – que eu queira ficar todos os dias 6 horas em um ônibus para ir e voltar do trabalho. Enquanto posso escolher, escolho. Milhares de pessoas repetem a história da minha família e não podem.
Apesar da casa não ser minha, o IPTU é de minha responsabilidade, como o é para todas as pessoas que conheço que pagam aluguel. Nestes quatro anos em que vivo aqui ele tem aumentado consideravelmente, a ponto de competir – e ganhar – em valores mensais com as minhas contas de água, luz, telefone e internet todas juntas. Com o aumento previsto, é capaz de competir com o supermercado. Fico pensando nas centenas de idosos que vivem de aposentadoria e moram em suas casas – aquelas que tinham espaço digno para se viver – no  bairro onde vivo ou naqueles trabalhadores que vivem de salário mínimo e que há anos moram no bairro. O recado é claro: se você mora em um bairro central, que tem o mínimo de infraestrutura e não demora muito para chegar ao trabalho, você tem que ter dinheiro para pagar por isso. No caso de São Paulo, muito dinheiro.
De acordo com os preços de venda dos imóveis no bairro onde atualmente resido, só milionário pode morar lá. Não é o meu caso e desconfio que também não seja o caso dos meus vizinhos e do pessoal que pega ônibus e metrô comigo pelas manhãs para irem ao trabalho. Para aquelas pessoas que podem pagar meio milhão, são oferecidos os novos apartamentos com 45 m². Um dia um corretor me parou na rua e me ofereceu um desses afirmando que era preço popular! Se isso é popular, acabo de ser incluída na linha abaixo da pobreza.
As empreiteiras, com autorização da prefeitura, vendem a infraestrutura do bairro – na qual não implantam nenhuma melhoria – a preços altíssimos e a prefeitura se baseia no valor do “mercado” para cobrar os impostos dos moradores.  A região onde moro – que alaga todos os anos – será uma das que terá o maior aumento, devido à "valorização imobiliária". Assim, além do aluguel e do preço dos imóveis, o imposto também será abusivo.
Mas por que a tarifa do transporte no subtítulo? Sem que a prefeitura fale diretamente, tem saído na imprensa o aumento do IPTU como forma de subsidiar o valor da tarifa e a melhoria no transporte coletivo.  Além disso, é pública a reivindicação do Movimento Passe Livre de que os serviços públicos sejam subsidiados por impostos progressivos, como pode ser o IPTU.
Primeiro, a progressividade deste imposto não pode ser baseada na especulação imobiliária gerando mais exclusão na cidade. Segundo, não se pode achacar a população – para usar um termo querido ao secretário de transportes – para garantir lucros exorbitantes às empresas de ônibus. A própria Sptrans admite que a taxa de retorno das empresas poderia ser menor e sabemos o quanto é prejudicial à população a atual forma de remuneração das empresas que se faz por passageiro.
A íntegra.

Comida que mata e adoece

Cai consumo de arroz, aumenta o consumo de refrigerantes... O modelo capitalista de alimentação (monoculturas com uso intensivo de agrotóxicos, globalização e industrialização) está destruindo o ambiente, extinguindo espécies e nos envenenando. E nos engordando. E provocando fome. A questão mais elementar da vida, alimentação, no mundo contemporâneo parece uma história de terror.

Da Agência Carta Maior.
Alimentação: a tecnologia mórbida
Najar Tubino
Porto Alegre - A indústria da alimentação deverá faturar em 2014 US$5,9 trilhões, segundo estimativa da agência britânica dedicada à pesquisa sobre consumo e marcas – The Future Laboratory. O mercado global de snacks (bolinhos, biscoitos, salgadinhos) deverá movimentar US$334 bilhões. As vendas de chocolates e confeitos vão faturar US$170 bilhões. O Brasil consumiu em 2012, 11,3 bilhões de litros de coca-cola, empresa que faturou US$48,02 bilhões, e lucrou US$ 9bilhões. Na pesquisa do IBGE comparando 2002-2003 com 2008-2009, o consumo anual de arroz das famílias caiu 40,5% - de 24,5kg para 14,6kg- e o de feijão caiu 26,4% - de 12,4 para 9,1kg. Os refrigerantes do tipo cola cresceram 39,3% de 9,l litros para 12,7 litros.
No Brasil, 48,5% da população está acima do peso, são 94 milhões de pessoas. Entre as crianças de 5 a 9 anos o aumento da obesidade multiplicou por quatro nos meninos (de 4,1% para 16,6%) e por cinco entra as meninas – de 2,4% para 11,8%. Uma em cada 10 crianças abaixo dos seis anos já apresenta sobrepeso. Nos Estados Unidos 35,7% da população, ou seja, mais de 135 milhões de pessoas são obesas, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) – 17% são jovens.
No mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde o número já atinge 1,5 bilhão de pessoas. Na China, o índice de obesidade duplicou nos últimos 15 anos, na Índia subiu 20%. No Brasil, segundo um estudo da Universidade de Brasília, o SUS paga R$488 milhões por ano para tratar doenças ligadas ao aumento do peso.
As causas citadas para explicar esta tragédia humana estão associadas à mudança tecnológica, ao estilo de vida das metrópoles, aos hábitos sedentários, a questão prática da vida atual, não deixa tempo para cozinhar, comer em casa, entre outras tantas. É óbvio que a alimentação está no centro desse problema, que há muito tempo deixou de ter uma abordagem cultural, e precisa ser encarado como uma mudança social, política e econômica.
Henry Kissinger, figura famosa na política mundial, dizia que quem domina a comida domina as pessoas. Não incluíram no pacote as doenças crônicas resultantes do tipo de comida difundida pelo mundo como algo "moderno", como o hambúrguer e o refrigerante cola – diabetes em adultos, cardiovasculares, câncer e hipertensão, apenas para citar as campeãs nas estatísticas.
A OMS informa que 2,8 milhões de pessoas morrem em consequências de doenças associadas ao sobrepeso. E outras 2,2 milhões morrem por intoxicações alimentares, resultante de contaminações de vírus, bactérias, micro-organismos patogênicos e resíduos químicos.
Neste capítulo específico a história é longa. Um dossiê da Autoridade de Segurança Alimentar e Econômica, de Portugal, usando os dados da União Europeia, contabiliza 100 mil compostos químicos usados correntemente no mundo. Na União Europeia eles registram 30 mil, produzidos a uma média de uma tonelada por ano, sendo que a metade tem potenciais efeitos adversos à saúde.
A íntegra.