sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Aula pública de Breno Altman no Opera Mundi

Já que o dia é de vídeos, uma aula sobre esquerda e direita hoje. Tem também o bloco 2 e o bloco 3.

Eleição no PT em Minas Gerais

Rogério Correia e Valter Pomar parecem ser os mais razoáveis, nas críticas ao partido e na proposição de um novo rumo para ele, "ouvindo as vozes das ruas". Vale a pena ver os vídeos para saber como anda a política dentro do PT -- e no Brasil, afinal o PT é o principal partido brasileiro e está no poder há quase 11 anos. A direção atual segue a política tradicional, não muito diferente de outros partidos. Correia e Pomar querem que o partido volte a ser orientado pelas bases.  Pomar, especificamente, faz uma interessante reflexão sobre a persistência na história do PT.

Eleições no PT neste domingo

O debate entre os candidatos a presidente do PT em Minas. Aqui, debate entre candidatos a presidente do PT nacional.

Depois da tevê paga, vem aí a internet paga

Se depender das operadoras, vamos pagar para usar a internet: cada pacote dará direito a um leque de produtos. Pacote básico teria só correio eletrônico. Para usar redes sociais, seria preciso pagar mais, para ter acesso a blogs, mais um tanto e assim por diante, até o caríssimo pacote ilimitado. Como na tevê por assinatura. É o que está em jogo na votação do marco civil da internet. Governo e PT são contra, tucanos -- surpresa! -- também; a parte mais reacionária do PMDB está com as operadoras. O acesso irrestrito a conteúdos, como acontece hoje, é chamado de "neutralidade na rede".

Do UOL.
Marco Civil sem neutralidade é preconceito contra pobre, diz relator

O deputado Alessandro Molon (PT-RJ), relator do Marco Civil da Internet, defendeu nesta quarta-feira (6) a neutralidade da rede, um dos pontos controversos para a votação do projeto. Segundo ele disse em comissão geral no Plenário da Câmara, aprovar o Marco Civil sem neutralidade "é preconceito contra pobre". Isso porque, explicou, ao oferecer planos baratos (apenas para enviar e receber e-mails, por exemplo), as empresas não forneceriam uma experiência completa aos usuários.
A nova versão do parecer foi apresentada na terça-feira (5/11/13) e está em discussão na Casa antes da votação, que deve ocorrer apenas na próxima semana, segundo lideranças do governo.
A íntegra.

Do Diário do Centro do Mundo.
Domingo na praia e a neutralidade da rede  
Por Marcelo Godoy

O que está em jogo na Câmara dos Deputados em Brasília com o Marco Civil da Internet, especialmente com a neutralidade da rede, ameaça mudar completamente a forma como navegamos na web.
Atualmente pagamos por uma velocidade de acesso à internet, fornecido pelas empresas de telecomunicações, mas temos a liberdade de escolher e usufruir dos serviços disponíveis na web como vídeos, redes sociais, aplicativos etc. Estamos conectados ao conhecimento, ao novo e somos donos de nossas escolhas, tudo na velocidade de um clique. A única diferença que afeta nossas experiências é a velocidade de conexão que cada um pode contratar. Quem quiser mais velocidade, paga mais, mas todos somos iguais e temos acesso às mesmas oportunidades e conteúdos. Para isto damos o nome de neutralidade da rede.
Com o projeto que elimina a neutralidade na rede, que as operadoras querem aprovar com o apoio do PMDB, especialmente do deputado Eduardo Cunha, usar a Internet poderá pesar seu no seu bolso, e jogar muita areia no seu lazer, seu trabalho e na sua experiência de navegação.
Para imaginar o que seria a navegação na internet como querem as operadoras de telefonia, vamos usar exemplo de um domingo na praia sem neutralidade de rede.
Antes de pôr o pé na areia com a turma, você terá que pagar no guichê da “operadora da praia” um dos três pacotes disponíveis . Os pacotes foram criados baseados em pesquisas e estudos de análise financeira desenvolvidos por engenheiros matemáticos e gerentes de produto. Os planos oferecidos seriam mais ou menos assim:
A íntegra.

A justiça brasileira e a imprensa: mais uma vez, dois pesos e duas medidas

Se for aliado do governo, imprensa pode xingar; se for tucano, não.
Collor foi um péssimo presidente, mas nunca é demais lembrar que foi eleito diretamente e tirado da presidência indiretamente, numa campanha em que a imprensa (a mesma que tinha ajudado a elegê-lo, contra Lula) já o tinha condenado antes. Julgado pelo STF, foi absolvido, "por falta de provas". Recentemente, o mesmo STF, liderado por seu presidente, Joaquim Barbosa, disse que provas eram desnecessárias para condenar petistas.
Temos tantos políticos honestos quanto juízes justos.

Do Diário do Centro do Mundo. 
Por que a Justiça trata de forma diferente a Veja e a Carta Capital? 
Paulo Nogueira

Duas sentenças recém-saídas relativas à mídia reforçam a imagem de caos, desconexão e incoerência torrencial da justiça brasileira.
Você tem a impressão de que está em dois países distintos, vendo as duas sentenças.
Numa, a Carta Capital e o jornalista Leandro Fortes foram condenados a pagar indenização de 30 mil reais por danos morais a Renato Parente, um assessor de imprensa que já trabalhou para figuras do STF como Gilmar Mendes e Marco Aurélio de Mello.
A reportagem da Carta Capital, a rigor, nem era sobre Parente, mas sobre a Fundação Renato Azeredo. O texto afirma que a fundação "faturou 212,1 milhões de reais de verbas repassadas diretamente do governo de Minas, graças a contratos firmados em gestões tucanas, duas de Aécio Neves e, desde o ano passado, a de Antônio Anastasia".
Agora examinemos o segundo caso. Informou o saite de notícias judiciais Conjur:
A Justiça de São Paulo rejeitou mais um pedido de indenização do senador e ex-presidente Fernando Collor de Mello (PTB-AL) contra a Editora Abril e o jornalista Augusto Nunes, colunista da revista Veja.
(…) Collor alegou que foi ofendido em um texto de Augusto Nunes publicado no blog do jornalista. Diz o ex-presidente que os termos "bandido", "chefe de bando" e "farsante" foram empregados com o intuito de denegrir seu nome.
(…) No pedido de indenização, Collor alegou que foi absolvido de todas as acusações de corrupção pelo Supremo Tribunal Federal e que há anos vem sendo perseguido pela Abril.
A juíza, entretanto, considerou irrelevante a decisão do STF. "As ações políticas do homem público estão sempre passíveis de análise por parte da população e da imprensa. O julgamento do STF não proíbe a imprensa ou a população de ter sua opinião pessoal sobre assunto de relevância histórica nacional", justificou.
Um momento: a juíza decidiu que é irrelevante uma decisão de tamanha gravidade do Supremo? Collor ter sido absolvido não significa nada? Os jornalistas podem então continuar a chamá-lo de "bandido", como Augusto Nunes?
A íntegra.

domingo, 3 de novembro de 2013

A morte "técnica" da Veja SP

Poderia ser da Veja MG (que morreu, mas ninguém deu falta, e renasceu) e outras similares, mesmo porque são todas cópias da primeira. E a morte "técnica" não é de hoje, já tem mais de vinte anos. O pior da revista é que contaminou parte da imprensa -- em Belo Horizonte, várias publicações distribuídas gratuitamente na zona sul a têm como referência. Referência em futilidades e antijornalismo.

Do Diário do Centro do Mundo.
A Veja SP morreu, tecnicamente, com o 'sultão dos camarotes'
Paulo Nogueira

Um vídeo está circulando na internet freneticamente neste final de semana. É da Veja SP, e apresenta um "sultão" das baladas chamado Alexander de Almeida, que diz ter 39 anos.
O DCM colocou o vídeo ontem na seção Vídeo do Dia, e agora pela manhã era a coisa mais lida no saite.
Alexander – imagino que seja um nome fantasia derivado do prosaico Alexandre – dá seus conselhos a quem quer, como ele, ser "alguém especial" nas baladas.
Todos os conselhos cabem num só: torre seu dinheiro em camarotes nas baladas com espertalhões – homens e mulheres – que vão largar você assim que sua conta bancária inevitavelmente entrar em colapso e você não puder mais pagar o champanhe que eles tomam rindo de você e de sua monumental burrice.
Do ponto de vista jornalístico, raras vezes se viu algo que reflita tão bem a essência de uma publicação e de seus leitores.
A Veja SP se dedica, com obtusa regularidade, a promover a frivolidade consumista num mundo de faz de conta em que todos riem como Alexander e depois se entopem de antidepressivos.
A Veja SP não faz pensar, não provoca você a sair de sua vidinha medíocre em que o que vale são as aparências, não faz nada digno da palavra "jornalismo".
Mesmo assim, apenas para lembrar a mamata estatal dada às empresas jornalísticas com dinheiro público, a Veja SP é impressa com papel isento de imposto.
Fui um dos primeiros editores da Veja SP, em meados da década de 1980, aos 26 ou 27 anos. Eu era na época subeditor de Economia da Veja, mas já a direção da revista achava que já era tempo de eu ser promovido a editor.
Apareceu a oportunidade na Veja SP quando a editora Selma Santa Cruz deixou a revista para se juntar a seu marido, Sérgio Mota Melo, num empreendimento jornalístico, a TV1.
Tentei fazer "jornalismo sério". Uma de minhas primeiras capas mostrava o caso dramático de dois bebês que tinham sido trocados na maternidade.
Naquela semana, desci o elevador da Abril com Roberto Civita. Sempre amável, sempre charmoso, sempre sorridente, ele me disse que não era exatamente aquele tipo de reportagem que ele queria na Vejinha, como era e é chamada. Eu não estava naquele cargo para descobrir as melhores histórias humanas de São Paulo, mas para encontrar os melhores cheesebúrgueres e as hostesses mais gostosas dos baques chiques paulistanos.
A íntegra.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

O que diz um policial sobre manifestações, violência, black blocs e desmilitarização

É a favor da desmilitarização e diz que a PM bate mais em pobres: "sempre foi assim".

Do Diário do Centro do Mundo.
"Era a brecha que o sistema queria": um policial conta ao DCM se haverá retaliação ao Black Bloc
Kiko Nogueira

O soldado MJP falou com o DCM sobre a ação da corporação durante as manifestações. Em sua opinião, a polícia não sabe lidar com a explosão dos protestos quase diários no Brasil. "Não tem plano, não tem padrão, não tem protocolo. Ficou complicado. Se a gente reprime, é violento; se não faz nada, é conivente", diz ele. MJP, que trabalha em São Paulo, acredita que a morte do adolescente Douglas Martins Rodrigues na Vila Medeiros foi acidental – uma "fatalidade" –, mas admite que a polícia age com mais rigor na periferia. "Sempre foi assim", afirma.
Ele conversou também sobre uma possível retaliação aos black blocs após o ataque ao coronel Reynaldo Simões Rossi, destacado para supervisionar o ato que o Movimento Passe Livre convocou no dia 26 de outubro.
A seguir, alguns trechos da entrevista:

- Existe alguma orientação para retaliar os manifestantes depois do ataque ao coronel Reynaldo?
- Oficialmente, nenhuma. Mas a polícia vai agir com rigor logo de início, sem esperar muito. O contingente será maior, a força também. Você conhece aquela música do Racionais MCs? Tem uma que diz: "Essa era a brecha que o sistema queria". O que aconteceu com o coronel era a brecha que o sistema queria... Isso serviu também para justificar a invasão do Carandiru, por exemplo. A rebelião dos presos era a brecha.
- Você acredita que tenha havido armação?
- Não acho que tenha sido armação, como alguns black blocs estão dizendo. O vídeo mostra isso bem. Tanto que ele perdeu uma arma de fogo.
- A polícia tem um plano de ação para lidar com os protestos?
- Não. Essa situação das manifestações é nova e ninguém sabe o que fazer direito. Não tem plano, não tem padrão, não tem protocolo... Politicamente, ficou muito complicado: quando a gente reprime, é violento; quanto não faz nada, é conivente. A PM está perdida. O secretário de segurança de São Paulo mandou "observar" para depois agir. Mas isso nem sempre dá certo. No protesto na Rodovia Fernão Dias, o pessoal tacou fogo, fez aquela bagunça... Só quando um caminhão virou é que os soldados partiram para a ação, mas aí já era tarde demais.
- O que você e seus colegas pensam sobre a desmilitarização? 
- Eu sou a favor. Eu e muita gente. Mas ninguém questiona nada dentro da polícia. O caso Amarildo teve muita repercussão. Só não sei se a desmilitarização vai diminuir o rigor. Para ela acontecer, vai ter de se discutir como ficam os planos de carreira e mais várias coisas. Por enquanto, fica tudo só na especulação.
A íntegra.