terça-feira, 25 de novembro de 2025

Neoliberalismo: morto, vivo ou zumbi?, por Juliane Furno

Mais Juliane Furno, que tem um canal no YT. Aqui ela faz resumidamente uma análise que me parece cada vez mais consensual, com a qual concordo, mesmo porque óbvia, as variações ficam por conta das consequências que cada um tira, e nesse ponto a esquerda atual (Juliane é do Levante Popular da Juventude, que já vi em manifestações, se não me engano esteve na linha de frente das jornadas de 2013 e até entrevistei alguns militantes para o Cometa Itabirano, na época, mas pouco sei sobre ele), que é mais avançada do que a da minha geração, é igualmente dividida. Por que não existe uma convergência socialista (epa!), quero dizer, uma união de esforços por um projeto de esquerda de fato? Outra militante que ouvi hoje também no Breno Altman (muitas mulheres protagonistas), Mandi Coelho, é do PSTU, o partido mais esquerdista do país, trotskista, feminista que diz que a luta de classes está acima do feminismo, igualmente é daquela geração de 2013. Tomara que consigam se unir, mesmo porque o desafio é muito maior do que isso, esse seria só o começo, o desafio é liderar os trabalhadores, as massas populares que foram capturadas pela extrema direita no vazio deixado pela esquerda, leia-se PT, que escolheu administrar o Estado burguês e passou da esquerda para o centro, abandonando as organizações populares das quais se originou. 

'Governo Lula não é neoliberal, tem contradições'

Excelente entrevista dessa bela economista (?) que eu não conhecia. Fala de tudo com simplicidade, clareza e boas posições, inclusive essa do título, da qual eu discordo, porque acho que as decisões neoliberais predominam, mas compreendo o ponto de vista dela. Faz críticas importantes (e poderia ser diferente?), mas é tranquila, otimista. E tem senso de humor: "não vimos a Seleção jogar bola", diz ao listar as frustrações da sua geração, a primeira, segundo ela, a viver pior do que seus pais, o que gera problemas sociais e mentais. "Tudo está pior para nós." 

Música do dia: Quando eu me chamar saudade, Nélson Cavaquinho

Com parceria do Guilherme de Brito.

domingo, 23 de novembro de 2025

Música do dia (2): Also sprach Zarathustra, Abertura, Richard Strauss

Para começar o dia ouvindo. Tem abertura de sinfonia mais bonita? Igual talvez.  

Música do dia: Sândalo de dândi, Metrô

Mais uma da minha lista de preferidas. Uma das mais belas poesias do rock brasileiro dos anos 80, quiçá da MPB. Uma melodia envolvente que me lembra "My pledge of love" (tente ficar parado) e cheia de belos efeitos, letra de uma beleza sonora espantosa, encaixadinha na melodia, sem passar uma sílaba, um verso genial ("tudo que é mutante muda amando alguém") e Virginie, a voz mais gostosa daquela geração, uma graça no palco, com uma história pessoal peculiar. Não gosto de música eletrônica, mas nada é absoluto: neste caso, com acuidade e bom gosto, ela está a serviço da arte. E que canção termina com um verso só, sem precisar de mais? Não conheço outra. Obra-prima. Aplausos. E bis. Quem quiser ver o ambiente da época, a apresentação do Metrô no insuperável Perdidos na Noite, clique aqui. 

sábado, 22 de novembro de 2025

25 horas por dia

Minha lista de músicas prediletas chegou a 101 recentemente e aquela da qual eu mais gosto talvez seja esta gravação de I say a little prayer da Aretha Franklin. São todas músicas maravilhosas e o gosto depende do momento: como não dizer que Saudade do Brasil é a música mais bonita que eu conheço? Ou o Largo de Bach, a primeira da lista? Ou a Melodia Sentimental, do Villa-Lobos? Ou God, do John Lennon? Ou Dear old Stockholm? Ou O morro não tem vez? Ou Clube da esquina? Ou a Marcha fúnebre do Chopin? Ou o Prelúdio da Bachina nº 7? Ou a Abertura de Also Sprach Zarathustra, a mais recente na lista. Ou... Todas foram escolhidas segundo o critério explicado, que coloca cada uma como predileta. Por que então a predição por esta? Porque talvez seja a canção que eu mais canto espontaneamente (e nem sei a letra), sempre ouvindo a voz da Aretha. Bacharach e David fizeram uma obra-prima, mas nesse caso minha escolha vem com a interpretação, é essa versão que me comove (a gravação original é da Dionne Warwick, mas essa tem história). A voz da Aretha é deliciosa até quando se cala para que o coro cante. Eu não a ouviria só duas vezes, ouviria 25 horas por dia, pensando na mulher que mais amei, com quem eu ficaria 25 horas por dia também. Talvez minha predileção tenha outra razão, porque é uma obra de arte e arte é a verdade expressa na beleza. Isso me ocorre quando penso no significado da canção: ela é a prece da mulher de um soldado americano enviado para o Vietnã. A relação trágica entre arte e sofrimento. O que o indivíduo humano pode fazer contra as forças sociais tão superiores a ele? Rezar. Desejar ardentemente. Se colocar na frente de um tanque de guerra. Incendiar o próprio corpo. Criar beleza. Arte é revolta contra uma força superior. 

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Miguel Nicolelis entrevistado por Breno Altman

Ótima entrevista. Nada a acrescentar às opiniões do Miguel Nicolelis, inclusive sobre a ideia que tinha pensado em adotar e ele reforçou de voltar a escrever à mão, além de todas as reflexões sobre a estupidez da espécie humana e nossa iminente extinção.