quinta-feira, 3 de outubro de 2013
O avanço do agronegócio e a extinção da onça pintada
Belo documentário da BBC, compreensível mesmo sem legendas. Com a devastação do Cerrado e da Amazônia, a onça pintada, maior felino da América, perde seu habitat natural e alimentos. Ataca o gado, cuja criação (além da soja e das madeireiras) é a razão da destruição das florestas, e é morta por vaqueiros. O documentário mostra o emocionante trabalho do Instituto Onça Pintada (com apoio do Ibama?) para criar, treinar e repor na natureza três filhotes órfãos, ao longo de dois anos. Ao final, ficamos com duas convicções: 1) ser vegetariano é uma decisão fundamental para preservar a Amazônia; 2) o governo brasileiro precisa promover uma ampla campanha pela preservação da onça pintada e comprometer o agronegócio nela. A onça não ameaça o homem, é o homem que ameaça a onça; deixá-la comer algumas cabeças de gado para se alimentar deve ser entendido como um custo da agropecuária. Matar onça, assim como outras espécies ameaçadas de extinção, precisa ser crime inafiançável. Como é crime o que o agronegócio faz com o ambiente.
Como políticos e mineradoras loteiam o país, destroem o ambiente e dividem os lucros
PMDB é o partido do lobby das mineradoras, que inclui Sarney, Romero Juca (RR), Eduardo Cunha (RJ), Leonardo Quintão (MG) e outros parlamentares. Tem até filho do ministro das Minas e Energia: Lobão Filho, dono de uma mineradora! O Estado brasileiro é mesmo um negócio que passa de pai para filho. Quintão, relator do projeto do novo código, aumentou seu patrimônio oito vezes em oito anos: de R$ 314 mil para R$ 2,6 milhões, entre 2002 e 2010. Virou milionário, que nem o prefeito Lacerda, já pode ser prefeito de BH! Não é à toa que Minas Gerais e Amazônia vão sendo destruídos pela mineração, a riqueza que "lota trens e navios e vai para o Japão", como disse o ex-presidente FHC ao privatizar a Vale, que segundo ele, "não produz riqueza nenhuma". Ele tinha razão: a mineração não produz riqueza para o Brasil, só para os donos de mineradoras e seus políticos. Para os outros brasileiros ficam os buracos, o desmatamento, as espécies extintas e as populações locais removidas, prejudicadas.
Da Pública - Agência de Reportagem e Jornalismo Investigativo.
Teia de interesses liga políticos a mineradoras em debate sobre novo Código
Em regime de urgência para votação, novo marco alavanca negócios bilionários, defendidos pela bancada da mineração; em risco, o futuro das reservas, do ambiente e de comunidades tradicionais
Por Alceu Luís Castilho
As veias do Brasil continuam abertas. De olho nelas, os políticos. Diferentemente da bancada ruralista, os parlamentares ligados à mineração orbitam em torno do poder do PMDB no setor. Mas um PMDB ampliado, com parceiros em outros partidos. A Frente Parlamentar da Mineração Brasileira, com 196 membros, é uma pista falsa sobre o tema. Traz até políticos que criticam abertamente o loteamento no setor. Fomos atrás da história real. E bem mais intrincada.
Dono de uma empresa de mineração, a Vale do Sol, um dos senadores da real bancada da mineração atende pelo nome de Edison Lobão Filho (PMDB-MA). Ele é filho do ministro das Minas e Energia. Outro senador, autor de projeto de lei que autoriza a mineração em terras indígenas, é investigado pela Procuradoria Geral da República, acusado de beneficiar a Vale S/A, a maior mineradora do Brasil, segunda do mundo. Chama-se Romero Jucá (PMDB-RR). O caso foi parar, no fim de agosto, no gabinete do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Deputados responsáveis pela discussão do novo Código da Mineração indicam políticos para as superintendências do Departamento Nacional de Produção Mineral. O DNPM é um órgão responsável pelas autorizações e fiscalizações no setor. Gera royalties que ultrapassam R$ 1 bilhão por ano. Alguns destes superintendentes são alvos de investigações do Ministério Público e da Polícia Federal. Sob a acusação de beneficiarem empresas mineradoras e até políticos.
A íntegra.
Da Pública - Agência de Reportagem e Jornalismo Investigativo.
Teia de interesses liga políticos a mineradoras em debate sobre novo Código
Em regime de urgência para votação, novo marco alavanca negócios bilionários, defendidos pela bancada da mineração; em risco, o futuro das reservas, do ambiente e de comunidades tradicionais
Por Alceu Luís Castilho
As veias do Brasil continuam abertas. De olho nelas, os políticos. Diferentemente da bancada ruralista, os parlamentares ligados à mineração orbitam em torno do poder do PMDB no setor. Mas um PMDB ampliado, com parceiros em outros partidos. A Frente Parlamentar da Mineração Brasileira, com 196 membros, é uma pista falsa sobre o tema. Traz até políticos que criticam abertamente o loteamento no setor. Fomos atrás da história real. E bem mais intrincada.
Dono de uma empresa de mineração, a Vale do Sol, um dos senadores da real bancada da mineração atende pelo nome de Edison Lobão Filho (PMDB-MA). Ele é filho do ministro das Minas e Energia. Outro senador, autor de projeto de lei que autoriza a mineração em terras indígenas, é investigado pela Procuradoria Geral da República, acusado de beneficiar a Vale S/A, a maior mineradora do Brasil, segunda do mundo. Chama-se Romero Jucá (PMDB-RR). O caso foi parar, no fim de agosto, no gabinete do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Deputados responsáveis pela discussão do novo Código da Mineração indicam políticos para as superintendências do Departamento Nacional de Produção Mineral. O DNPM é um órgão responsável pelas autorizações e fiscalizações no setor. Gera royalties que ultrapassam R$ 1 bilhão por ano. Alguns destes superintendentes são alvos de investigações do Ministério Público e da Polícia Federal. Sob a acusação de beneficiarem empresas mineradoras e até políticos.
A íntegra.
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
Corredores de ônibus são símbolo de democracia, diz Peñalosa
Uma das coisas que sempre me impressionaram na velha imprensa é como uma informação importante e desprezada de repente ganha destaque. Antes tarde do que nunca, diz Poliana. Enquanto o prefeito Lacerda faz e refaz ano após ano o tal corredor de transporte que virou BRT e cujas obras só atrapalham mais o trânsito, o prefeito Haddad, de São Paulo, abriu faixas exclusivas de ônibus, que acabam com o engarrafamento para quem usa transporte coletivo. Não é preciso realizar obras caras -- isso é só para dar dinheiro para empreiteiras e fazer caixa de campanha. Imagina a Avenida do Contorno com faixa exclusiva para uma linha de ônibus, integrando todo o centro, com ônibus passando de cinco em cinco minutos, ou menos, conforme o horário. Imagina todas as avenidas importantes com faixas assim. Mas para isso é preciso tirar os carros estacionados, o que a prefeitura não faz, porque, além dos carros, privilegia a arrecadação do estacionamento rotativo. O ex-prefeito de Bogotá Enrique Peñalosa ensina o modelo "há mais de uma década" -- Lacerda até já o visitou, mas não aprendeu nada. Só aprende quem quer.
Da Folha de S. Paulo.
Ex-prefeito de Bogotá diz que único jeito para trânsito é restringir carros
Flávia Marreiro
Ex-prefeito de Bogotá, o economista Enrique Peñalosa, 59, entusiasma-se com o fato de os protestos de junho terem colocado a mobilidade urbana em pauta no Brasil porque a questão simboliza "liberdade" e "equidade".
Responsável por implementar o amplo sistema de corredores de ônibus da capital colombiana há mais de uma década, faz defesa enfática da expansão das faixas de ônibus em São Paulo pelo prefeito Fernando Haddad (PT).
"Quando um ônibus passa ao lado de carros engarrafados, temos um símbolo de democracia. O interesse coletivo está acima do particular", afirma Peñalosa.
- O prefeito de SP acelerou a implementação de faixas exclusivas para ônibus, mas há críticas à falta de ajuste das linhas e às interferências de carros. O que acha?
- Enrique Peñalosa - Não posso entrar nos detalhes técnicos de São Paulo, pode haver erros na implementação técnica, mas admiro o prefeito por dar importância aos corredores de ônibus. O mais importante em uma discussão é a estratégia. Pode haver erros na tática, mas não na estratégia. A dificuldade para solucionar o problema do transporte não é técnica nem econômica.
Podem fazer mais duas ou três linhas de metrô, e não vai consertar o trânsito, pode-se fazer mais vias, e não vai consertar. Os ônibus com faixa exclusiva e os metrôs podem consertar o problema da mobilidade, mas não dão jeito no trânsito. A única maneira de dar um jeito no trânsito é com restrições ao uso dos carros. E a restrição mais óbvia de todos é a de estacionamento. Em São Paulo ainda há muitas ruas em que os carros podem estacionar.
Com metrô ou sem metrô, nunca será possível resolver o tema da mobilidade sem um bom sistema de ônibus.
- A prefeitura deve revisar ou não a decisão de permitir que táxis com passageiros usem os corredores e faixas?
- Não se deve permitir os táxis. Pode ser que em algumas situações isso não seja um problema, e teriam de ser estudados os detalhes técnicos, mas, a princípio, nada que provoque a mais mínima demora aos ônibus deve ser permitido. Um táxi leva uma pessoa, e um ônibus pode levar até cem passageiros: o segundo tem direito a cem vezes mais espaço.
Além do mais, em sociedades tão desiguais como as nossas, se damos privilégios aos táxis terminaremos com um sistema onde os ricos têm um táxi com contrato permanente, ou quase permanente.
- O aumento da passagem em SP foi o estopim das manifestações de massa de junho, e uma proposta central foi a gratuidade do transporte. O sr. acha viável?
- É interessante que os protestos surjam ao redor da mobilidade porque a mobilidade é uma nova expressão de liberdade. Tem a ver com equidade. Mais importante do que a luta pela gratuidade agora é lutar por uma distribuição mais democrática do espaço viário, que dê mais e melhor espaço aos pedestres, mais corredores de ônibus, ciclovias protegidas. É a luta mais importante agora.
A íntegra.
Da Folha de S. Paulo.
Ex-prefeito de Bogotá diz que único jeito para trânsito é restringir carros
Flávia Marreiro
Ex-prefeito de Bogotá, o economista Enrique Peñalosa, 59, entusiasma-se com o fato de os protestos de junho terem colocado a mobilidade urbana em pauta no Brasil porque a questão simboliza "liberdade" e "equidade".
Responsável por implementar o amplo sistema de corredores de ônibus da capital colombiana há mais de uma década, faz defesa enfática da expansão das faixas de ônibus em São Paulo pelo prefeito Fernando Haddad (PT).
"Quando um ônibus passa ao lado de carros engarrafados, temos um símbolo de democracia. O interesse coletivo está acima do particular", afirma Peñalosa.
- O prefeito de SP acelerou a implementação de faixas exclusivas para ônibus, mas há críticas à falta de ajuste das linhas e às interferências de carros. O que acha?
- Enrique Peñalosa - Não posso entrar nos detalhes técnicos de São Paulo, pode haver erros na implementação técnica, mas admiro o prefeito por dar importância aos corredores de ônibus. O mais importante em uma discussão é a estratégia. Pode haver erros na tática, mas não na estratégia. A dificuldade para solucionar o problema do transporte não é técnica nem econômica.
Podem fazer mais duas ou três linhas de metrô, e não vai consertar o trânsito, pode-se fazer mais vias, e não vai consertar. Os ônibus com faixa exclusiva e os metrôs podem consertar o problema da mobilidade, mas não dão jeito no trânsito. A única maneira de dar um jeito no trânsito é com restrições ao uso dos carros. E a restrição mais óbvia de todos é a de estacionamento. Em São Paulo ainda há muitas ruas em que os carros podem estacionar.
Com metrô ou sem metrô, nunca será possível resolver o tema da mobilidade sem um bom sistema de ônibus.
- A prefeitura deve revisar ou não a decisão de permitir que táxis com passageiros usem os corredores e faixas?
- Não se deve permitir os táxis. Pode ser que em algumas situações isso não seja um problema, e teriam de ser estudados os detalhes técnicos, mas, a princípio, nada que provoque a mais mínima demora aos ônibus deve ser permitido. Um táxi leva uma pessoa, e um ônibus pode levar até cem passageiros: o segundo tem direito a cem vezes mais espaço.
Além do mais, em sociedades tão desiguais como as nossas, se damos privilégios aos táxis terminaremos com um sistema onde os ricos têm um táxi com contrato permanente, ou quase permanente.
- O aumento da passagem em SP foi o estopim das manifestações de massa de junho, e uma proposta central foi a gratuidade do transporte. O sr. acha viável?
- É interessante que os protestos surjam ao redor da mobilidade porque a mobilidade é uma nova expressão de liberdade. Tem a ver com equidade. Mais importante do que a luta pela gratuidade agora é lutar por uma distribuição mais democrática do espaço viário, que dê mais e melhor espaço aos pedestres, mais corredores de ônibus, ciclovias protegidas. É a luta mais importante agora.
A íntegra.
Agronegócio, agrotóxicos e a extinção das abelhas
A propósito da última vitória da bancada ruralista.
Do Viomundo
"Câncer" das abelhas tem relação com pesticidas e fungicidas
Por Heloisa Villela
Elas desapareceram sem deixar pista. E continuaram sumindo, todos os anos, no inverno. Quando os apicultores da Flórida e da Califórnia iam checar, encontravam apenas as abelhas mais novinhas, recém-nascidas, e a rainha, que não deixa a colmeia por nada nesse mundo.
O restante da população tinha sumido, deixando para trás a comunidade e um grupo de especialistas sem saber o que fazer. De início eles conseguiram apenas dar nome ao fenômeno: Colony Colapse Disease, ou Doença do Colapso da Colmeia (CCD).
Há sete anos, Dennis van Engelsdorp se debruça sobre o problema que se tornou um grande quebra-cabeças.
Tão complexo que no fim deste mês ele vai ao Brasil a convite da Fundação Gates para participar de um seminário sobre Mulheres e Pobreza. E as abelhas com isso? Foi exatamente o que eu perguntei. Enquanto preenchia a papelada para pedir o visto brasileiro à Embaixada em Washington, ele esclareceu:
– Vou falar sobre como tentar resolver problemas complicados que parecem simples.
Ah, entendi!
O problema que parece simples consome o pesquisador e apicultor há quase uma década. Mas agora, ele está chegando mais perto das respostas.
Hoje, as plantações de milho e soja, cada vez mais extensas, não são mais cercadas de cultivos variados, como antes. As abelhas têm uma variedade cada vez menor de alimentos à disposição.
Os pesticidas usados na agricultura se espalham para além das áreas de cultivo. Os fungicidas, que pareciam inofensivos para as abelhas, se mostraram um risco.
A íntegra.
Do Viomundo
"Câncer" das abelhas tem relação com pesticidas e fungicidas
Por Heloisa Villela
Elas desapareceram sem deixar pista. E continuaram sumindo, todos os anos, no inverno. Quando os apicultores da Flórida e da Califórnia iam checar, encontravam apenas as abelhas mais novinhas, recém-nascidas, e a rainha, que não deixa a colmeia por nada nesse mundo.
O restante da população tinha sumido, deixando para trás a comunidade e um grupo de especialistas sem saber o que fazer. De início eles conseguiram apenas dar nome ao fenômeno: Colony Colapse Disease, ou Doença do Colapso da Colmeia (CCD).
Há sete anos, Dennis van Engelsdorp se debruça sobre o problema que se tornou um grande quebra-cabeças.
Tão complexo que no fim deste mês ele vai ao Brasil a convite da Fundação Gates para participar de um seminário sobre Mulheres e Pobreza. E as abelhas com isso? Foi exatamente o que eu perguntei. Enquanto preenchia a papelada para pedir o visto brasileiro à Embaixada em Washington, ele esclareceu:
– Vou falar sobre como tentar resolver problemas complicados que parecem simples.
Ah, entendi!
O problema que parece simples consome o pesquisador e apicultor há quase uma década. Mas agora, ele está chegando mais perto das respostas.
Hoje, as plantações de milho e soja, cada vez mais extensas, não são mais cercadas de cultivos variados, como antes. As abelhas têm uma variedade cada vez menor de alimentos à disposição.
Os pesticidas usados na agricultura se espalham para além das áreas de cultivo. Os fungicidas, que pareciam inofensivos para as abelhas, se mostraram um risco.
A íntegra.
Agronegócio impõe mais venenos aos alimentos dos brasileiros
Sorrateiramente, a bancada do agronegócio -- um dos três ou quatro donos do Brasil -- aprovou uma lei que libera o uso de agrotóxicos. Ibama (meio ambiente) e Anvisa (saúde pública) não apitam mais nada, quem decide agora é o Ministério da Agricultura (ruralistas). Cabe à presidente Dilma vetar, em nome dos brasileiros não pertencem ao 0,0001% dos latifundiários exportadores.
Do Viomundo.
Mais venenos para o Brasil
por Dr. Rosinha*
Semana passada, o povo brasileiro sofreu mais uma derrota na Câmara dos Deputados. Pode-se dizer que, de maneira sorrateira, os ruralistas -- usando de criatividade e em parceria com outros setores do parlamento e do governo federal -- facilitaram mais um avanço ao uso de insumos químicos (venenos) no Brasil.
Na noite, quase sempre à noite, do dia 25 de setembro de 2013 foi votada e aprovada a Lei de Conversão (nº25/2013) da Medida Provisória 619/2013, que vai agora para o Senado Federal. No projeto, foram introduzidos três artigos, os de nº 52, 53 e 54, que tratam de agrotóxicos. O que chama a atenção é o disposto no artigo nº 53, que dá a Instância Central e Superior do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária -- Suasa, a autorização de anuir com a importação, produção, distribuição, comercialização e uso de agrotóxicos, e, aqui está o pulo do gato, concede ao Ministro da Agricultura (Mapa) o poder de regular essas medidas.
A redação dada ao artigo nº 53 permitirá que ato do Ministro da Agricultura flexibilize as regras atuais e mesmo que em "caráter extraordinário e quando declarado estado de emergência fitossanitário e zoossanitário", sob critérios ainda não revelados, poderá determinar que agrotóxicos sejam autorizados em situações que podem atender ao interesse público.
Ou seja, dá poder ao Ministério da Agricultura, dominado pelos ruralistas, e subjuga os outros dois órgãos (Anvisa e Ibama) para decidir o que bem entender quanto ao uso de venenos (agrotóxicos) na agricultura.
A íntegra.
Do Viomundo.
Mais venenos para o Brasil
por Dr. Rosinha*
Semana passada, o povo brasileiro sofreu mais uma derrota na Câmara dos Deputados. Pode-se dizer que, de maneira sorrateira, os ruralistas -- usando de criatividade e em parceria com outros setores do parlamento e do governo federal -- facilitaram mais um avanço ao uso de insumos químicos (venenos) no Brasil.
Na noite, quase sempre à noite, do dia 25 de setembro de 2013 foi votada e aprovada a Lei de Conversão (nº25/2013) da Medida Provisória 619/2013, que vai agora para o Senado Federal. No projeto, foram introduzidos três artigos, os de nº 52, 53 e 54, que tratam de agrotóxicos. O que chama a atenção é o disposto no artigo nº 53, que dá a Instância Central e Superior do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária -- Suasa, a autorização de anuir com a importação, produção, distribuição, comercialização e uso de agrotóxicos, e, aqui está o pulo do gato, concede ao Ministro da Agricultura (Mapa) o poder de regular essas medidas.
A redação dada ao artigo nº 53 permitirá que ato do Ministro da Agricultura flexibilize as regras atuais e mesmo que em "caráter extraordinário e quando declarado estado de emergência fitossanitário e zoossanitário", sob critérios ainda não revelados, poderá determinar que agrotóxicos sejam autorizados em situações que podem atender ao interesse público.
Ou seja, dá poder ao Ministério da Agricultura, dominado pelos ruralistas, e subjuga os outros dois órgãos (Anvisa e Ibama) para decidir o que bem entender quanto ao uso de venenos (agrotóxicos) na agricultura.
A íntegra.
A megalomania do prefeito "estrangeiro" e os belo-horizontinos do Bonfim e Lagoinha
Imagina que você nasceu, cresceu, casou, criou os filhos e ainda mora no mesmo bairro, na mesma casa ou vizinhança. Passou vida ali, gosta dali, tem amigos ali. Um dia aparece um prefeito, olha o lugar e acha que dá uma bela sede nova para a prefeitura, uma obra que vai marcar a história da cidade, vai movimentar centenas de milhões de reais, "dar visibilidade" ao seu governo, agradar seus amigos empreiteiros e ainda sobrar um dinheirinho para a próxima campanha. Que nem o ex-governador, seu modelo, fez...
Para o prefeito, um empresário milionário, que não mora na cidade que administra, o lugar é só um punhado de casas velhas, de gente simples, completamente sem valor e sem importância, muito diferente do ambiente luxuoso do seu condomínio, num município vizinho, rodeado de mata e natureza. Como são poucos e não contarão com a solidariedade do restante da população, serão incapazes de resistir. E assim a vida de algumas centenas de pessoas, belo-horizontinos legítimos, que formam o povo da cidade, que fazem parte da história da capital, muda da noite pro dia. Elas que encontrem outro lugar pra morar, pra isso vão receber indenização!
É assim que se constrói o "progresso" e o "desenvolvimento", com obras que nada têm a ver com os interesses da população e à custa dela. É assim que se constrói a cidade contemporânea, expulsando os pobres para bem longe (alguém já viu moradores de condomínio de luxo serem removidos?), sem qualquer respeito pelos seus habitantes -- respeito significa a população participar do orçamento e decidir as obras que serão feitas. Não é à toa que a cidade se tornou desumana e inóspita. Quem pode -- como o prefeito milionário -- foge daqui e vai morar num condomínio de luxo, perto da natureza.
É no mínimo curioso que o prefeito tenha de desapropriar moradores para construir um "centro administrativo" depois ter leiloado uma centena de imóveis da prefeitura e de ter vendido o Mercado Distrital da Barroca. Estes imóveis não serviam para a "grande obra"? Ou ele não pensou nisso, porque é muito ruim para "planejar" as ações do seu governo? (Afinal, terminou os corredores de ônibus das avenidas Antônio Carlos e Cristiano Machado e em seguida quebrou tudo de novo para fazer o BRT...) E o Mercado Distrital de Santa Tereza, que ele está doando para seus amigos da Fiemg, por que não fazer o "centro administrativo" ali?
Talvez o prefeito seja um menino mimado que olha para um brinquedo e diz: "eu quero esse, não serve outro", mas o mais provável é que ele considere o Bonfim e a Lagoinha -- dois bairros tradicionais e dos mais antigos da cidade -- e seus moradores como um entulho que precisa ser removido.
Do Portal Minas Livre.
Prefeito é duramente criticado por obra de centro administrativo em BH
Thaíne Belissa
Comunidade e vereadores se organizam para debater a desapropriação de 20 terrenos para a construção do centro administrativo da prefeitura, na região da Lagoinha
Aos 63 anos de idade, dona Maria da Glória Silva Queiroga não tem o que reclamar do Bairro Bonfim, onde nasceu e também viu os filhos nascerem. Vizinha do centro de Belo Horizonte, ela se diz satisfeita com a casa modesta e o quintal cheio de árvores. Nem os moradores de rua que andam por lá incomodam. "São pessoas boas", diz.
Mas, há alguns dias, toda essa satisfação se transformou em medo e revolta. A notícia da desapropriação de 20 terrenos na região para construção do centro administrativo da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) chegou por telefone e, depois disso, ela não teve mais sossego. "Minha cunhada ligou contando que leu uma reportagem falando das desapropriações. Foi que nem uma bomba, um choque", lembra.
Em junho deste ano, o Diário Oficial do Município trouxe decreto da desapropriação de 20 terrenos próximos às ruas Além Paraíba e Bonfim para a construção de um prédio central que reunirá todas as secretarias. Em nota, a PBH informou que a área que passará por desapropriação ainda não está certa e será definida a partir de um estudo preliminar. De acordo com a prefeitura, a publicação do decreto tinha o objetivo de evitar uma possível especulação imobiliária no local.
A íntegra.
Para o prefeito, um empresário milionário, que não mora na cidade que administra, o lugar é só um punhado de casas velhas, de gente simples, completamente sem valor e sem importância, muito diferente do ambiente luxuoso do seu condomínio, num município vizinho, rodeado de mata e natureza. Como são poucos e não contarão com a solidariedade do restante da população, serão incapazes de resistir. E assim a vida de algumas centenas de pessoas, belo-horizontinos legítimos, que formam o povo da cidade, que fazem parte da história da capital, muda da noite pro dia. Elas que encontrem outro lugar pra morar, pra isso vão receber indenização!
É assim que se constrói o "progresso" e o "desenvolvimento", com obras que nada têm a ver com os interesses da população e à custa dela. É assim que se constrói a cidade contemporânea, expulsando os pobres para bem longe (alguém já viu moradores de condomínio de luxo serem removidos?), sem qualquer respeito pelos seus habitantes -- respeito significa a população participar do orçamento e decidir as obras que serão feitas. Não é à toa que a cidade se tornou desumana e inóspita. Quem pode -- como o prefeito milionário -- foge daqui e vai morar num condomínio de luxo, perto da natureza.
É no mínimo curioso que o prefeito tenha de desapropriar moradores para construir um "centro administrativo" depois ter leiloado uma centena de imóveis da prefeitura e de ter vendido o Mercado Distrital da Barroca. Estes imóveis não serviam para a "grande obra"? Ou ele não pensou nisso, porque é muito ruim para "planejar" as ações do seu governo? (Afinal, terminou os corredores de ônibus das avenidas Antônio Carlos e Cristiano Machado e em seguida quebrou tudo de novo para fazer o BRT...) E o Mercado Distrital de Santa Tereza, que ele está doando para seus amigos da Fiemg, por que não fazer o "centro administrativo" ali?
Talvez o prefeito seja um menino mimado que olha para um brinquedo e diz: "eu quero esse, não serve outro", mas o mais provável é que ele considere o Bonfim e a Lagoinha -- dois bairros tradicionais e dos mais antigos da cidade -- e seus moradores como um entulho que precisa ser removido.
Do Portal Minas Livre.
Prefeito é duramente criticado por obra de centro administrativo em BH
Thaíne Belissa
Comunidade e vereadores se organizam para debater a desapropriação de 20 terrenos para a construção do centro administrativo da prefeitura, na região da Lagoinha
Aos 63 anos de idade, dona Maria da Glória Silva Queiroga não tem o que reclamar do Bairro Bonfim, onde nasceu e também viu os filhos nascerem. Vizinha do centro de Belo Horizonte, ela se diz satisfeita com a casa modesta e o quintal cheio de árvores. Nem os moradores de rua que andam por lá incomodam. "São pessoas boas", diz.
Mas, há alguns dias, toda essa satisfação se transformou em medo e revolta. A notícia da desapropriação de 20 terrenos na região para construção do centro administrativo da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) chegou por telefone e, depois disso, ela não teve mais sossego. "Minha cunhada ligou contando que leu uma reportagem falando das desapropriações. Foi que nem uma bomba, um choque", lembra.
Em junho deste ano, o Diário Oficial do Município trouxe decreto da desapropriação de 20 terrenos próximos às ruas Além Paraíba e Bonfim para a construção de um prédio central que reunirá todas as secretarias. Em nota, a PBH informou que a área que passará por desapropriação ainda não está certa e será definida a partir de um estudo preliminar. De acordo com a prefeitura, a publicação do decreto tinha o objetivo de evitar uma possível especulação imobiliária no local.
A íntegra.
terça-feira, 1 de outubro de 2013
O estilo Aécio de governar
Tucanos são assim, se consideram melhores que outros pássaros. A lei vale para os outros, mas não para eles. Fogos são proibidos para festas da comunidade, mais eles chegam e fazem sua barulheira, sem se incomodarem com a população, com o meio ambiente, com outros pássaros. Sem falar na cena ridícula dos dois pleibois sendo carregados nas costas.
Do Diário do Estado.
Foguetório para receber Aécio mata pássaros em bosque de Curitiba
Blog do Cícero Cattani
Os moradores do entorno do bosque do antigo cassino Ahu se propõem fazer nesta segunda a contagem dos pássaros mortos pelo foguetório tucano, sábado, para recepcionar Aécio Neves, na Sociedade Urca.
Considerado um ninhal e habitat das mais variadas espécies, o bosque estaria a salvo de qualquer manifestação barulhenta pelo consenso dos moradores, religiosos e alunos do colégio estadual Aline Pichet. Os fogos foram proibidos nas festas de casamentos na igreja de Santo Agostinho e no salão de festas do Provincialato das Irmãs da Divina Providência, depois de confirmado que os foguetórios provocam mortes de pássaros assustados.
Duas baterias de fogos de alguns minutos foram feitas na chegada e na saída do presidenciável, enquanto Aécio e Beto Richa eram carregados, deixando várias aves mortas no local.
Situação triste e lamentável.
Do Diário do Estado.
Foguetório para receber Aécio mata pássaros em bosque de Curitiba
Blog do Cícero Cattani
Os moradores do entorno do bosque do antigo cassino Ahu se propõem fazer nesta segunda a contagem dos pássaros mortos pelo foguetório tucano, sábado, para recepcionar Aécio Neves, na Sociedade Urca.
Considerado um ninhal e habitat das mais variadas espécies, o bosque estaria a salvo de qualquer manifestação barulhenta pelo consenso dos moradores, religiosos e alunos do colégio estadual Aline Pichet. Os fogos foram proibidos nas festas de casamentos na igreja de Santo Agostinho e no salão de festas do Provincialato das Irmãs da Divina Providência, depois de confirmado que os foguetórios provocam mortes de pássaros assustados.
Duas baterias de fogos de alguns minutos foram feitas na chegada e na saída do presidenciável, enquanto Aécio e Beto Richa eram carregados, deixando várias aves mortas no local.
Situação triste e lamentável.
Os donos do Brasil
Oportuno artigo do economista Belluzzo.
Do Valor Econômico via blog Luís Nassif Online.
A Constituinte e os donos do Brasil
Luiz Gonzaga Belluzzo
Às vésperas do 25º aniversário da Constituição-Cidadã, não posso negar ao improvável leitor de minha coluna as palavras de Ulysses Guimarães na sessão de promulgação da Carta Magna:
"A sociedade foi Rubens Paiva, não os facínoras que o mataram. Foi a sociedade, mobilizada nos colossais comícios das Diretas-já, que, pela transição e pela mudança, derrotou o Estado usurpador. Termino com as palavras com que comecei esta fala: a Nação quer mudar. A Nação deve mudar. A Nação vai mudar. A Constituição pretende ser a voz, a letra, a vontade política da sociedade rumo à mudança. Que a promulgação seja nosso grito:
- Mudar para vencer!
Muda, Brasil!"
Há quem diga que o Brasil, ao promulgar a Constituição de 1988, entrou tardia e timidamente no clube dos países que apostaram na ampliação dos direitos e deveres da cidadania moderna. Submetidos, ao longo de mais de quatro séculos, à dialética do obscurecimento que regia as relações de poder numa sociedade marcada pelo vezo colonial-escravocrata e, depois da Independência, pelo coronelato primário-exportador, os brasileiros subalternos deram na Constituinte passos importantes para alcançar os direitos do indivíduo moderno.
Diante das palavras otimistas de Ulysses, no entanto, ocorreu-me relembrar que a vitória na Constituinte não conseguiu eliminar as consequências da derrota na campanha pelas diretas. A busca açodada pelo voto indireto no Colégio Eleitoral não prescindiu da cumplicidade de muitos que estavam na oposição, mas temiam a "radicalidade" de um governo eleito pelo povo. Constrangidos a participar dos comícios, tais "oposicionistas" acenavam com a mão esquerda para os cidadãos aglomerados nas praças, mas cuidavam de livrar a direita para montar os arranjos da eleição indireta. Por isso, os náufragos do regime militar conseguiram chegar à praia, acolhidos pelo bote salva-vidas capitaneado pela turma do deixa-disso.
A campanha pelas diretas promoveu uma forte mobilização popular, mas não teve forças para derrubar as casamatas do poder real que, desde sempre, comandam nos bastidores a política brasileira. Essa turma não tem o hábito de dar refresco ao inimigo. Em suas fileiras abrigam-se os liberais que apoiam golpes de Estado, as camadas endinheiradas e remediadas que mal toleram a soberania popular e as gentes midiáticas que abominam a opinião divergente.
Os brasileiros -- alguns hoje se manifestam nas ruas -- foram submetidos a um processo de "esquecimento coletivo" promovido por uma conspiração de silêncio. A conspirata envolve não só os governantes esbirros do conservadorismo, os senhores da mídia, mas também o sistema educacional -- do ensino básico ao superior -- empenhado em formar analfabetos funcionais ou, na melhor das hipóteses, especialistas incapazes de compreender o mundo em que vivem.
A íntegra.
Do Valor Econômico via blog Luís Nassif Online.
A Constituinte e os donos do Brasil
Luiz Gonzaga Belluzzo
Às vésperas do 25º aniversário da Constituição-Cidadã, não posso negar ao improvável leitor de minha coluna as palavras de Ulysses Guimarães na sessão de promulgação da Carta Magna:
"A sociedade foi Rubens Paiva, não os facínoras que o mataram. Foi a sociedade, mobilizada nos colossais comícios das Diretas-já, que, pela transição e pela mudança, derrotou o Estado usurpador. Termino com as palavras com que comecei esta fala: a Nação quer mudar. A Nação deve mudar. A Nação vai mudar. A Constituição pretende ser a voz, a letra, a vontade política da sociedade rumo à mudança. Que a promulgação seja nosso grito:
- Mudar para vencer!
Muda, Brasil!"
Há quem diga que o Brasil, ao promulgar a Constituição de 1988, entrou tardia e timidamente no clube dos países que apostaram na ampliação dos direitos e deveres da cidadania moderna. Submetidos, ao longo de mais de quatro séculos, à dialética do obscurecimento que regia as relações de poder numa sociedade marcada pelo vezo colonial-escravocrata e, depois da Independência, pelo coronelato primário-exportador, os brasileiros subalternos deram na Constituinte passos importantes para alcançar os direitos do indivíduo moderno.
Diante das palavras otimistas de Ulysses, no entanto, ocorreu-me relembrar que a vitória na Constituinte não conseguiu eliminar as consequências da derrota na campanha pelas diretas. A busca açodada pelo voto indireto no Colégio Eleitoral não prescindiu da cumplicidade de muitos que estavam na oposição, mas temiam a "radicalidade" de um governo eleito pelo povo. Constrangidos a participar dos comícios, tais "oposicionistas" acenavam com a mão esquerda para os cidadãos aglomerados nas praças, mas cuidavam de livrar a direita para montar os arranjos da eleição indireta. Por isso, os náufragos do regime militar conseguiram chegar à praia, acolhidos pelo bote salva-vidas capitaneado pela turma do deixa-disso.
A campanha pelas diretas promoveu uma forte mobilização popular, mas não teve forças para derrubar as casamatas do poder real que, desde sempre, comandam nos bastidores a política brasileira. Essa turma não tem o hábito de dar refresco ao inimigo. Em suas fileiras abrigam-se os liberais que apoiam golpes de Estado, as camadas endinheiradas e remediadas que mal toleram a soberania popular e as gentes midiáticas que abominam a opinião divergente.
Os brasileiros -- alguns hoje se manifestam nas ruas -- foram submetidos a um processo de "esquecimento coletivo" promovido por uma conspiração de silêncio. A conspirata envolve não só os governantes esbirros do conservadorismo, os senhores da mídia, mas também o sistema educacional -- do ensino básico ao superior -- empenhado em formar analfabetos funcionais ou, na melhor das hipóteses, especialistas incapazes de compreender o mundo em que vivem.
A íntegra.
A PEC 215 e a ameaça do agronegócio à Constituição
Um vídeo esclarecedor. A questão simples é que o agronegócio não produz para os brasileiros, produz para exportação, que produz alimentos é a agricultura familiar. Os agronegociantes são poucos, donos de imensas áreas e riquíssimos. Empregam pouca gente, mantêm mão-de-obra escrava, destroem o ambiente, envenenam solo, água e ar com agrotóxicos. E avançam sobre reservas ecológicas e terras indígenas. Conseguem seus objetivos porque controlam (pagam as campanhas eleitorais e depois recebem apoio para seus interesses) uma bancada de parlamentares completamente desproporcional à sua participação na população brasileira.
Da página do MST.
Da página do MST.
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