Os trabalhadores, por sua vez, nunca estiveram tão mal, tão desorganizados e tão confusos. Sob a ideologia do individualismo empreendedorista, perderam todos os direitos e são incapazes de reagir, pois não têm mais a sua principal arma, a força do número, da massa popular, da ação coletiva. Na esquerda, muitos parecem estar acordando, reconhecendo esses erros, reassumindo a defesa da revolução. A maior parte, porém continua presa às cartilhas marxistas de um século ou mais atrás. Parecem não perceber que toda revolução bem-sucedida foi diferente das outras. Os revolucionários vitoriosos o foram porque compreenderam as peculiaridades da sua nação. O Brasil continua miseravelmente atrasado nisso. Até o golpe militar de 1964, as posições de esquerda se limitavam a seguir as ordens do stalinismo ou seguir as ideias do Trotski ou buscar inspiração em Mao Tse-Tung e Fidel Castro. A única tentativa de pensar a revolução brasileira partindo das condições brasileiras foi feita pela Polop, mas não chegou a bom termo. A ditadura desarticulou todas as posições reformistas e lançou a esquerda desiludida na aventura armada, igualmente trucidada pelos governos militares fascistas. Depois, o que veio foi a predominância da luta por liberdades democráticas, sob hegemonia da oposição burguesa e pequeno-burguesa. A excelente oportunidade de construção de um partido dos trabalhadores independente da ideologia burguesa, revolucionário e socialista, foi jogada fora quando o PT optou por ser um partido eleitoral, cujo objetivo maior era levar à presidência o seu principal líder, o ex-operário Lula. Desde então, ocorreu o que descrevi acima. No Brasil, o PT cumpriu o papel de ser o partido da ordem capitalista neoliberal e Lula, o líder maior da burguesa. São décadas e décadas perdidas, quase meio século de atraso na construção de uma alternativa revolucionária e socialista para os trabalhadores brasileiros.
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