A China realizou o que Marx imaginava de forma diferente, pois a revolução chinesa foi liderada pelos comunistas (marxistas), mas foi feita pelos camponeses e não pelo proletariado industrial, como deveria acontecer na concepção marxista, pois o país era muito atrasado economicamente, não tinha ainda desenvolvido sua indústria, era uma nação periférica no capitalismo e tinha sido dominada pelo colonialismo imperialista. Os comunistas chineses tomaram o poder, fizeram reformas sociais e mudanças econômicas, depois promoveram a industrialização com participação do capital internacional, mas sob seu controle político, econômico e social, chegando em meio século a rivalizar com a maior potência capitalista, ultrapassando-a em diversos aspectos. Se a China fosse uma potência capitalista, teria se tornado imperialista e disputaria mercados por meio de guerras, como fizeram as nações capitalistas nos últimos séculos, situação que provocou duas guerras mundiais e inúmeras outras, ainda hoje. O fato de não fazer isso é mais uma prova de que não é capitalista. No entanto, a China de fato disputa mercados com as nações capitalistas e é isso que provoca a reação da maior potência imperialista. A China disputa mercados de forma diferente: atraindo capitais para produzirem na China, exportando produtos mais baratos e oferecendo cooperação com nações periféricas. O sucesso chinês é resultado inegável do seu modelo de desenvolvimento, cuja característica fundamental é o controle do capital pelo Estado, cujo poder político está sob controle do partido comunista chinês. Nesse sentido, a China é uma sociedade caracterizada pelo capitalismo de Estado, isso é verdade, mas também podemos dizer que o capitalismo de Estado, sob controle do partido comunista, é uma ordem social de transição para o comunismo. A China se tornará comunista quando for capaz de realizar a igualdade social total, ou seja, igualdade econômica e política, além de social. É preciso reconhecer que a China está muito avançada nesse processo, pois fez a revolução, levou os trabalhadores ao poder, desenvolveu as forças produtivas e distribuiu riquezas de forma muito mais equilibrada do que os fazem as nações capitalistas liberais. Da mesma forma, é preciso dizer que a Terra não comporta um mundo inteiro crescendo e destruindo o ambiente como o fazem as nações capitalistas e também a China. O desafio da China é combinar desenvolvimento com conservação ambiental, caso contrário o próprio modelo chinês entrará em colapso. Do ponto de vista político, pode-se afirmar que a revolução chinesa estabeleceu um novo modelo de democracia, diferente da democracia liberal. Pode-se argumentar que as liberdades burguesas não existem na China revolucionária, mas também pode-se argumentar que os trabalhadores não desfrutam das liberdades burguesas nas democracias liberais. Ademais, o novo avanço do fascismo tornou essa discussão ultrapassada, pois a democracia liberal já não é praticada sequer nas nações que a defendiam.
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