segunda-feira, 9 de março de 2026
Pré-candidato a deputado, Jones Manoel faz campanha para presidente
O partido do historiador pernambucano é o PCBR, Partido Comunista Brasileiro Revolucionário, que não tem registro eleitoral, por isso ele será candidato a deputado federal pelo PSOL. Tenho dúvidas sobre a eficácia da política em redes sociais como ação transformadora de esquerda. Reconheço, e nem poderia ser diferente, a eficiência das redes sociais na difusão de informações falsas pela extrema direita, mas continuo achando que a luta de classes é presencial, que não se muda a realidade sem mobilizações reais de massas. Internet, nos seus inúmeros veículos, é um instrumento, não é a própria ação política. Dito isso, é inegável que Jones Manoel se destaca como agitador que renova o debate sobre ideias de esquerda hoje. Ele faz o que a esquerda brasileira, desde que a conheço, há uns cinquenta anos, nunca fez: desenvolver um programa de governo concreto para o Brasil sem perder de vista o objetivo final, isto é, o socialismo. É uma característica da esquerda brasileira pregar o socialismo e, no governo, praticar o capitalismo, sem ousar sequer reformar o Estado. O Brasil se tornou um paraíso dos privilegiados e corruptos, de violências contra os trabalhadores e impunidade, uma terra sem lei, em que o crime organizado está presente em todas as esferas do poder, como mostram as investigações da Polícia Federal sobre o sistema financeiro. O Brasil se tornou isso porque o neoliberalismo desregulou tudo, fez o país retroceder à condição pré-industrial, de colônia agroexportadora. O Brasil se tornou essa terra de desesperança em que a extrema direita avança pregando contra o crime e a corrupção sendo ela própria o sindicato do crime e da corrupção. O Brasil é assim hoje porque a esquerda abdicou de defender e implantar um projeto socialista e se conformou em administrar o Estado burguês, a "democracia". Jones Manoel está ocupando o espaço vazio que o PT deixou. Conforme ele próprio reconhece, é um caminho longo e difícil, mas é preciso começar. Oxalá consiga liderar uma nova esquerda.
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