sábado, 10 de outubro de 2026
A falência da Nova República
Os analistas políticos estão em polvorosa para entender o que está acontecendo, embora o Brasil esteja em crise permanente há uma década. Desde o golpe de 2016 que derrubou a Dilma toda eleição presidencial é uma nova crise. Parece incompreensível como um quebra-cabeça de muitas peças cuja imagem ignoramos. A imagem é a Nova República, a ordem na qual vivemos há 41 anos, e a peça que coloca tudo no lugar é a ideologia da democracia. Se entendemos isso, tudo encaixa. A "democracia brasileira" é uma fantasia criada pela sociedade em oposição ao horror da ditadura militar (1964-1985), mas sempre foi uma confusão danada. Sua certidão de nascimento é a Constituição de 1988, um texto amplo, contraditório e cheio de pendências que ficaram para governos posteriores regulamentarem, muitas não foram e várias mudanças alteraram o sentido original da Constituição. Cabe ao STF zelar pelo seu cumprimento, mas o STF se corrompeu junto com os demais poderes e toda a política. De que vale a democracia, se a vida do povo é uma merda? O único poder que o povo tem é o de votar de quatro em quatro anos e tirar do poder quem está lá e presumivelmente é responsável pela vida ruim. A extrema direita se apresenta como força que vai mudar tudo, o que o povo vai escolher? Manter ruim como está ou arriscar? É a nova ordem da extrema direita que está nascendo, que tal batizá-la de "Velha Ditadura"? Se a esquerda quer reconquistar o povo, precisa apresentar um novo projeto de ordem social também, que melhore sua vida, em vez de ficar tentando preservar a "Nova República".
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