segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Quem está preparado para uma nova ditadura?

O discurso da vitória do Jabbour é de uma sinceridade comovente. E me dá medo porque me faz antever tempos tenebrosos. Ele é um dos novos expoentes da esquerda brasileira no século XXI, ao lado do Jones Manoel e outros. É muito inteligente, culto, experiente, coerente, sério e autista. O autismo lhe confere características psicológicas especiais. Ele alerta para a provável vitória da extrema direita e para a ditadura que virá. Parece pessimista ao ser realista porque nós, brasileiros, temos tendência a fugir da realidade com um otimismo bem-humorado. Basta conhecer a nossa história para constatar as violências perpetradas pelas classes dominantes aos seus opositores, desde o período colonial. Com a formação da nacionalidade brasileira, isso não mudou. São inúmeros episódios e períodos de horror. Os mais recentes e ainda presentes na memória das gerações vivas são a ditadura militar (1964-1985) e o governo do inominável (2019-2022). A pergunta que faço é: por que não aprendemos? Por que a maioria continua achando que a dominação capitalista no Brasil é uma brincadeira que pode ser resolvida a favor dos dominados com grandes acordos com setores das classes dominantes e a conciliação de classes? Há certamente intelectuais, políticos e até partidos de esquerda que pensam como eu, mas há uma grande diferença entre pensar e agir. Quem, na esquerda brasileira, está preparado para enfrentar uma nova ditadura? A eleição de 2026 mostra o encolhimento do chamado centrão e o crescimento da extrema direita, mas mostra também o crescimento da esquerda radical. Vivemos um período de polarização, agora sim, em detrimento do centrismo, característica política da Nova República. A palavra de ordem a partir de 2027 é mais uma vez resistir ao fascismo inerente às classes dominantes e sobreviver à ditadura sanguinolenta que virá. Dessa vez, enfim, será a esquerda capaz de construir uma alternativa própria de poder nacional, de liderá-la, ter sucesso e implantá-la? Eis a questão.  

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