segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Lula 2030? Carta aos jovens

A pergunta do título é uma provocação, o que vale é "Carta aos jovens". E os nomes importantes aqui são Vladimir Safatle, Jones Manoel e Elias Jabbour, não é Lula. 

Há lulistas (ex-petistas) que, se Lula perder a eleição (e até se ganhar), vão querer que ele seja candidato em 2030, porque não conseguem ver além dele, são lulólatras, condição sobre a qual já escrevi muito e não vou discorrer agora. Digo apenas que meu maior desejo até o próximo domingo é que Lula seja capaz de cumprir seu último papel histórico, o de nos livrar, com seu carisma crepuscular, da ameaça jamais antes tão forte do domínio do fascismo. 

O que quero dizer é que há três políticos que se destacam dos demais e precisam se unir para liderar a esquerda rumo a 2030: Vladimir Safatle, Jones Manoel e Elias Jabbour. Eles são muito diferentes, têm origens e pensamentos diferentes, mas convergem no que o Brasil precisa: lucidez acima do torpor intelectual que o lulismo provocou na esquerda brasileira e que começou a se dissipar nesse segundo turno da eleição presidencial, com a volta dos jovens às ruas. Safatle tem a melhor visão do Brasil e do mundo contemporâneo dentre os intelectuais brasileiros. Jabbour tem o conhecimento prático e o foco necessário para transformar ideias em políticas públicas. Jones tem conhecimento, experiência e habilidade política para se tornar um líder de massas e vencer a eleição de 2030. Os três precisam se unir, o Brasil depende da sua união, os jovens devem exigir que se unam. 

É disso que se trata em 2026: o renascimento do ânimo renovador e revigorante da juventude. Era o que estava faltando ao Brasil, a juventude se levantar. 

É o entusiasmo idealista e destemido da juventude que transforma uma nação. A história está cheia de exemplos e o Brasil tem vários deles, no movimento estudantil que começou na campanha abolicionista, ainda no Império, e atravessou as diversas fases da República, ciclicamente. Os jovens estudantes foram e continuam sendo personagens fundamentais na nossa história. Um dos maiores crimes do lulismo foi ter traído a juventude em 2013. Optou pelo caminho de se apoiar nas instituições burguesas, nas classes burguesas, nos partidos burgueses, nos empresários, no capital, no velhos, enfim. Aquele extraordinário vigor acabou capturado pela extrema direita e deu no que deu. 

De tempos em tempos, porém a juventude se levanta, pela simples razão de que é jovem e quer expressar as qualidades da juventude. A juventude não é uma classe social, a juventude é simplesmente isso: a juventude. O novo, a renovação, a esperança, o idealismo. 

A juventude não é de esquerda nem de direita, é juventude. No entanto, tende para a esquerda, porque a esquerda representa o futuro e as qualidades da sociedade, em oposição à direita, que expressa o passado e os defeitos da sociedade, os ricos, os reacionários, o capital, os velhos, enfim. Por isso, não sendo de esquerda, a juventude é sempre de esquerda, a não ser que a esquerda a abandone, como aconteceu em 2013 e nos anos seguintes da decadência da Nova República sustentada pelo lulismo. 

A volta dos jovens às ruas na campanha da virada no segundo turno foi o grande fenômeno da eleição presidencial de 2026. Em massa e espontaneamente, a juventude se levantou porque é jovem, porque tem o vigor de lutar contra a opressão à qual os velhos em geral se conformam e porque o horror de um mundo fascista é a herança que receberá. São os jovens que fazem a revolução, sempre.  

Acontece que a juventude precisa de líderes experientes e confiáveis. Foi sempre assim no movimento estudantil. Vou dar só um exemplo, o que posso citar com a minha própria experiência. Foi a minha geração estudantil, a geração de 1977, que impulsionou o movimento de massas que derrubou a ditadura militar (1964-1985), mas foi a geração estudantil anterior, a de 1968, os sobreviventes dela, que nos dirigiram, porque tinham experiência de luta, enquanto nós, crescidos sob a repressão e a ignorância do fascismo, tínhamos só o idealismo e a coragem da juventude. Pois bem, a brava, derrotada e renascida geração de 1968 imprimiu o conteúdo político do nosso levante, esse ideário democratista que sobrevive até hoje, com alguns méritos e muitos equívocos. 

A juventude impetuosa, ingênua e idealista, a juventude de esquerda precisa de líderes honestos e idealistas também, de políticos que não se corromperam na política burguesa. É aí que entram Safatle, Jones e Jabbour, intelectuais dedicados à política por necessidade e talento, com trajetórias e visões diferentes, cujas qualidades, no entanto, convergem para formular um projeto de revolução brasileira e apresentá-lo aos jovens desesperançados e sedentos de futuro, renascidos para a juventude nesse alento que é o segundo turno da eleição presidencial de 2026. 

A eles, eu acrescentaria o Ciro Gomes, o político mais brilhante da minha geração, também abatido pelo lulismo, como a geração estudantil de 2013, mas isso vai depender de ele conseguir renascer da derrota que sofreu no Ceará, o que parece difícil; se tivesse vencido, ocuparia o topo da lista. 

Vencer o segundo turno significa ir além, significa pensar em 2030, significa pensar na revolução brasileira e passar o poder aos jovens. 

À obra! Jovens, levantai! Intelectuais, uni-vos! 

PS: Não vi o debate de ontem. Não tenho paciência para ouvir Lula e muito menos estômago para ouvir o discurso hipócrita de um fascista. A informação mais importante no noticiário do ICL é a compra generalizada da imprensa burguesa pelo "irmão" do bozo jr., o banqueiro belo-horizontino Daniel Vorcaro, preso pela maior corrupção da história da república. A imprensa burguesa, diz o banqueiro corruptor, é um "saco sem fundo de querer grana". 

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