segunda-feira, 15 de julho de 2019

Vazamentos confirmam os interesses privados da larva jato

Os últimos vazamentos publicados pelo The Intercept Brasil e pela Folha de S. Paulo (matéria reproduzida abaixo) são um escândalo aceito pela sociedade brasileira. Há pessoas que se indignam e autoridades que os barram, como aconteceu há mais tempo com o então juiz Sérgio Moro, mas em geral são sabidos por todos e aceitos pelas autoridades fiscais.
O então juiz queria trabalhar como auxiliar da ministra do STF Rosa Weber, em Brasília, e continuar lecionando na Universidade Federal do Paraná. Pediu para suas aulas serem transferidas para sábado, assim -- alegou -- trabalharia durante a semana em Brasília e uma vez por semana em Curitiba, acumulando dois empregos públicos federais excelentemente remunerados. O Conselho Universitário da UFPR negou seu pedido, ele apelou em todas as instâncias possíveis e perdeu. Argumentava que seria ótimo para a universidade e seus alunos terem um professor no STF. Revoltou-se, mas teve de aceitar e não pôde pegar a boquinha no STF.
O caso foi contado na imprensa, mas não teve repercussão, porque Batmoro já tinha sido escolhido como herói da classe média falsa moralista. Para mim foi revelador do caráter do herói macunaíma e desde então sei que ele não combatia corrupção nenhuma, que seus objetivos eram políticos. Como pode combater a corrupção quem é capaz de um ato corrupto que não considera corrupção? Acumular dois dois empregos públicos excelentemente remunerados e trabalhar em duas cidades ao mesmo tempo? Que trabalhador normal é capaz disso? Nem em empresa privada, só no serviço público, com conivência dos superiores, o que nessa caso, não aconteceu. Se quisesse servir de fato o público, Batmoro poderia abrir mão do emprego de professor universitário e uma vez e periodicamente dar palestras para seus ex-alunos curitibanos -- poderia até cobrar, o que seria menos imoral. Mas perder dinheiro e privilégios ela não queria (aliás, gostaria de saber o que ele fez com o emprego, agora que é ministro).
Agora os vazamentos da larva jato mostram que Robingnoll tratou e trata da mesma forma seu emprego público, como emprego, como meio para ganhar dinheiro e fama, não para servir o público que paga seus salário. E não paga pouco: R$ 300 mil por ano. É de praxe no Brasil, nos altos escalões. Com as palestras sobre a larva jato, porém, ele ganhava mais, R$ 400 mil. É o "por fora". E, se não usou, pretendia usar sua mulher como laranja, como sócia da empresa que na verdade era dele. Em suma, ele fez e faz o que denuncia e acusa, nos réus da larva jato, para depois Batmoro condenar e mandar para a cadeia.
Enquanto Robingnol faturava uma grana, empresas quebravam, milhões de brasileiros eram jogados no desemprego, o pré-sal era entregue aos estrangeiros, a democracia ia para o buraco. Vestido de verde-amarelo destruía a pátria e defendia seus interesses pessoais. Para essa gente nunca há crise, não há desemprego, não há atraso de salário, não há perda de privilégios.
Quem acreditou nas boas intenções da larva jato e no heroísmo de Robingnol e Batmoro ou é ingênuo ou mal intencionado. Acredito mais na última opção, porque brasileiro é muito maldoso para ser ingênuo, e se não viu foi porque não quis. Os de fato ingênuos há, mas são bem poucos.
Como disse, a sociedade brasileira de forma ampla aceita as espertezas praticadas por Robingnol usando o serviço público em proveito próprio e grande parte dos funcionários de alto escalão pratica o mesmo. Formam as castas dos serviços públicos jamais atingidas por crises de recursos do Estado -- agora mesmo saíram ilesas da reforma que acabou com a aposentadoria dos pobres.
E a esquerda não ataca o problema, o PT governou 13 anos e não mudou isso. Em geral, quando a oposição chega ao governo pensa que é sua vez de se locupletar. E a coisa se perpetua. Contra essa corrupção aceita só há dois remédios: a punição exemplar e o corte de privilégios. Quem vai fazer isso? Só o povo, quando se tornar consciente do seu poder e de fato participar do governo, com seus eleitos.

The Inrtecept Brasil
'400k'
Deltan Dallagnol usou fama da Lava Jato para lucrar com palestras e livros
Amanda Audi, Leandro Demori
14 de Julho de 2019, 2h03
Em parceria com Folha de S. Paulo
As mensagens secretas da Lava Jato
Parte 10
Chats privados mostram que procurador debateu com colega a criação de empresa no nome de familiares.

O procurador da República Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato, montou um plano de negócios para lucrar com eventos e palestras na esteira da fama e dos contatos conseguidos durante a operação, mostram mensagens obtidas pelo Intercept e analisadas em conjunto com a equipe da Folha de S.Paulo.
Em um chat sobre o tema criado no fim de 2018, Dallagnol e um colega da Lava Jato discutiram a constituição de uma empresa na qual eles não apareceriam formalmente como sócios, para evitar questionamentos legais e críticas. A ideia era usar familiares.
Os procuradores também cogitaram a criação de um instituto sem fins lucrativos para pagar altos cachês a eles mesmos, além de uma parceria com uma firma organizadora de formaturas para alavancar os ganhos do projeto.

Clique AQUI para ler a íntegra no original.

sábado, 13 de julho de 2019

Para entender Tábata Amaral

The Intercept Brasil
Joga pedra na Tabata
De prodígio a ‘traidora’: Tabata Amaral foi o voto mais pesado a favor da Reforma da Previdência

Amanda Audi
12/7/19

A deputada federal Tabata Amaral estava visivelmente cansada durante a sessão de votação da Reforma da Previdência na Câmara dos Deputados, na quarta-feira. Ao contrário do que costuma fazer, pouco ficou no plenário e evitou contato com colegas. A deputada vinha de um longo processo de embates dentro do próprio partido, o PDT, em que o tom subiu a ponto de ela ser ameaçada de expulsão. Tabata votou a favor da reforma, e o PDT decidiu, há meses, que votaria contra. O projeto foi aprovado em primeiro turno na Câmara.

No dia anterior, em uma reunião da bancada do partido, o presidente Carlos Lupi havia deixado clara a sua posição. “Que bom que estamos reunidos”, disse ele, segundo duas pessoas que estavam presentes me contaram. “Vamos guardar com carinho esse momento porque pode ser a última vez que estaremos juntos com essa formação”. Tabata Amaral estava lá e sabia que o recado era para ela. Ainda assim, reafirmou sua posição.

Lupi ouviu. Depois, virou a madrugada tentando convencer outros parlamentares que também queriam votar a favor da reforma. Também durante a tarde, ela divulgou nas redes sociais um vídeo dizendo que seu voto era “com consciência, não um voto vendido” e um compilado dos argumentos que justificaram sua posição. “Ser de esquerda não pode significar ser contra um projeto que pode tornar o Brasil mais inclusivo e mais desenvolvido”, justificou no vídeo. Ela defende mudanças no regime de aposentadorias de servidores públicos, mulheres e professores.

(...)

A novata no Legislativo é fruto de dois programas suprapartidários que lhe concederam bolsa financeira e treinamentos de liderança em 2018: o RenovaBR e o Programa de Lideranças Públicas Lemann/RAPS. Este último é bancado pela fundação do segundo homem mais rico do Brasil, Jorge Paulo Lemann. Ela também faz parte do Movimento Acredito, que ajudou a fundar. Os três grupos pregam a renovação política e se dizem apartidários. Os integrantes são de variados espectros políticos, mas têm como compromisso cumprir princípios como transparência e redução de gastos do mandato.

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domingo, 23 de junho de 2019

A justiça que discrimina

Outro retrato, dessa vez da espécie humana no Brasil, não a original, mas a que chegou com Cabral, em 1500, e tomou posse -- como assim? Posse do que já tinha habitantes? Posse do que foi criado por Deus ou pelo big-bang? Não consigo entender como terra pode ter dono, principalmente não entendo como todos acham natural o que é antinatural, solo, água, bichos, árvores, ar terem dono.
Mais uma vez: vale a pena ver o documentário A juíza.

A justiça que burla a Constituição joga a democracia na cova

João Filho, 23/6/2019, 8h49, The Intercept Brasil

Há três anos, o premiado jornalista investigativo Lúcio de Castro descobriu que Paulo Henrique Cardoso, filho do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, atuava no ramo do petróleo — um fato até então desconhecido pela opinião pública. PHC era sócio de uma empresa de comércio de produtos petroquímicos. Essa empresa mantinha negócios com empresas investigadas pela Lava Jato, como a Odebrecht e a Braskem, e possuía uma offshore em paraíso fiscal. Lúcio de Castro descobriu também que o filho de FHC era sócio, em outros negócios, de um argentino, braço direito do presidente Mauricio Macri, que se suicidou após se ver envolvido em escândalos de corrupção na Argentina.

À época, o jornalista mostrou que a Polícia Federal havia descoberto e-mail do Instituto FHC recebendo doação da Braskem. Os negócios nebulosos da família de FHC não eram meras suposições. Lúcio de Castro tinha tudo documentado. A reportagem foi oferecida para todos os grandes veículos da imprensa. Nenhum quis publicar. Os possíveis crimes contidos ali ainda não haviam sido prescritos.


Clique AQUI para ler a íntegra no The Intercept Brasil.

A orangotango que se transformou em 'pessoa' na Argentina

História do dia. Um retrato do que é a espécie humana. A propósito, vale a pena ver o documentário A juíza, no Belas Artes.



Sandra, a orangotango que se transformou em 'pessoa'

Sandra tem 33 anos e vive no Ecoparque de Buenos Aires. É uma orangotango mestiça a quem a Justiça argentina reconheceu seus direitos como "pessoa não humana".

Enric González, 22/6/2019.

Sandra nasceu em 14 de fevereiro de 1986 no zoológico de Rostock, na então República Democrática Alemã. Não se sabe muito sobre sua infância, exceto que sua mãe a rejeitou. Cresceu na solidão. Enviaram-na para o zoológico de Gelsenkirchen e em setembro de 1995, aos 9 anos, foi vendida para o zoológico de Buenos Aires. Lá encontrou um companheiro temporário com quem engendrou Sheinbira, uma fêmea. Sandra repetiu a história da família: não quis a cria. Como sua própria mãe, não tem instinto maternal. De Sheinbira se perdeu a pista. Foi comprada por um intermediário e acredita-se que esteja em algum lugar da Ásia. Sandra continua sozinha. É o único animal dessa espécie na Argentina.

Até aqui é a história previsível de um animal em cativeiro. O que aconteceu a partir de 2014 é muito menos previsível. A Associação de Funcionários Públicos e Advogados pelos Direitos dos Animais (Afada), representada pelo advogado constitucionalista Andrés Gil Domínguez, considerou que a situação de Sandra, "encerrada em uma caixa de concreto", era intolerável e recorreu aos tribunais para exigir que deixasse de ser considerada "coisa" ou "objeto", conforme estabelece o Código Civil e Comercial da Argentina. Em março de 2015, o assunto chegou ao Tribunal Contencioso, Administrativo e Tributário número 4 da Cidade de Buenos Aires, dirigido pela juíza Elena Liberatori. E aí começou a ser gestada uma sentença sensacional. Começou também a ganhar forma uma peculiar relação afetiva entre uma juíza progressista e acostumada à polêmica e uma orangotango solitária e, segundo seus cuidadores, cronicamente deprimida.

Clique AQUI para ler a íntegra da reportagem no El País. Crédito da foto: Natacha Pisarenko / AP. 

quarta-feira, 19 de junho de 2019

Vazajato: "Nós já vimos o futuro, e as respostas estão lá"

The Intercept Brasil continua fazendo história e devolvendo ao jornalismo brasileiro, que deteriorou nas últimas três décadas de forma acelerada, embora com altos e baixos, e vertiginosamente no último quinquênio, o que ele tem de fundamental: informação, independência, imparcialidade, respeito ao leitor, compromisso com a verdade.
Neste texto publicado há dois dias, o saite analisa o comportamento da imprensa brasileira e faz uma afirmação animadora.

A quem interessa a narrativa dos 'hackers criminosos' na #VazaJato?

Por Leandro Demori e Glenn Greenwald, The Intercept Brasil, 17/6/19

Durante cinco anos, a Lava Jato usou vazamentos e relacionamentos com jornalistas como uma estratégia de pressão na opinião pública. Funcionou, e a operação passou incólume, sofrendo poucas críticas enquanto abastecia a mídia com manchetes diárias. Teve pista livre para cometer ilegalidades em nome do combate a ilegalidades. Agora, a maior parte da imprensa está pondo em dúvida os procuradores e o superministro.

Mas existe uma força disposta a mudar essa narrativa. A grande preocupação dos envolvidos agora, com ajuda da Rede Globo – já que não podem negar seus malfeitos – é com o "hacker". E também nunca vimos tantos jornalistas interessados mais em descobrir a fonte de uma informação do que com a informação em si. Nós jamais falamos em hacker. Nós não falamos sobre nossa fonte. Nunca.

Já imaginou se toda a imprensa entrasse numa cruzada para tentar descobrir as fontes das reportagens de todo mundo? A quem serve esse desvio de rota? Por enquanto nós vamos chamar só de mau jornalismo, mas talvez muito em breve tudo seja esclarecido. Nós já vimos o futuro, e as respostas estão lá.

Clique AQUI para ler a íntegra.

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Um movimento pelos movimentos democratizantes

Todo super-herói tem uma identidade secreta. A do BatMoro apareceu agora, com os vazamentos da Lava Jato, revelando que BatMoro é de fato o Curinga.
O Brasil não precisa de um super-herói na justiça, precisa é de democratizar a justiça. A justiça brasileira só prende pobres, a justiça brasileira é feita para prender pobres. A polícia brasileira existe para reprimir trabalhadores, para prender e matar pobres. A segurança pública brasileira precisa ser democratizada, assim como a educação, a saúde, o transporte, a moradia, a terra, a previdência, o ambiente.
Democratizar é pôr a serviço da coletividade, em vez servir a uma minoria de ricos e de castas privilegiadas. Democratizar é distribuir riquezas e poder. A coletividade precisa decidir sobre o que a afeta.
Não basta ter eleição de quatro em quatro anos, não basta delegar o poder a eleitos sem compromisso com seus eleitores e que se submetem aos interesses dos ricos que têm acesso aos gabinetes. É preciso democratizar as decisões, é preciso democratizar as instituições.
Banqueiros, industriais associados ao grande capital internacional, latifundiários, castas de servidores públicos privilegiados a serviço dos ricos não democratizarão o poder que detêm.
A democracia é o poder da maioria e precisa ser conquistada pela maioria. Mais do que a maioria, porque se a gente for ver, os interesses coletivos são de 99,99% da população, só uma pequeníssima parte da população é formada pelas castas de servidores privilegiados e capitalistas. Democratizar é submeter essa ínfima minoria aos interesses da imensa maioria.
Precisamos de movimentos pela democracia, precisamos de movimentos que elevem a palavra democracia, que universalizem a palavra democracia, que democratizem a democracia.
Assim como há movimentos dos sem-terra e dos sem-casa, que são movimentos pela democratização da terra e da moradia, do campo e da cidade, precisamos também de movimentos pela democratização da educação, pela democratização da saúde, pela democratização dos meios de comunicação, pela democratização da segurança pública, pela democratização da justiça, pela democratização dos transportes, pela democratização do ambiente -- e esta última é a bandeira mais importante do século XXI, porque, se quisermos ter futuro, se quisermos para nossos descendentes um mundo como o que tivemos, teremos de mudar radicalmente nossa relação com o ambiente, para impedir que a destruição que causamos na Terra leva a espécie humana à extinção.
Precisamos de movimentos democratizantes em todas as áreas, que definam o que é, por exemplo, democratizar a segurança pública, ou democratizar a comunicação. Precisamos encher as ruas com movimentos pela democratização, precisamos construir a democracia.
Todas as bandeiras de democratização estavam presentes na Constituição de 1988 e estão em vigor, mas não foram colocadas em prática, porque os brasileiros não foram mobilizados para isso, porque não tomaram consciência dos direitos constitucionais democráticos que conquistaram, porque essas conquistas foram até certo ponto desejos dos legisladores, e permaneceram apenas no papel, sujeitos à vontade política dos governantes.
Os governos do PSDB e do PT, por exemplo, efetivaram direitos democráticos, mas pouco mobilizaram a população para defendê-los. O governo golpista e o governo atual, resultado direto do golpe, estão destruindo os direitos de forma autoritária, sem consulta popular, sem respeito à Constituição e sem que os brasileiros reajam, porque não foram educados politicamente para se mobilizar e defender seus direitos, para se reconhecerem neles.
No entanto, os direitos sociais são conquistas democráticas e precisam ser defendidas pelos brasileiros. Mais do que defendidos, precisam ser conquistados, para que sejam duradouros.
O direito à aposentadoria precisa ser conquistado por um movimento popular democrático. O SUS precisa ser conquistado por um movimento popular democrático. A educação pública gratuita de qualidade para todos precisa ser conquistada por um movimento popular democrático. A segurança pública precisa ser conquistada por um movimento popular democrático. A justiça precisa ser conquistada por um movimento popular democrático. O transporte de qualidade precisa ser conquistado por um movimento popular democrático.
Um Brasil democrático precisa ser conquistado por um movimento popular democrático.
Isso nada tem de comunista ou socialista, porque a questão não é comunismo nem socialismo, a questão é democracia, é a efetivação do que a humanidade consagrou como direitos no final do século XVIII, na Revolução Francesa, também chamada de revolução burguesa: igualdade, liberdade, fraternidade.
Para que existam igualdade, liberdade e fraternidade, é preciso existir democracia, é preciso que a coletividade participe e decida sua vida, é preciso que conquiste os direitos democráticos, é preciso que a minoria se submeta aos interesses coletivos.
Nenhum super-homem nos dará a democracia, a democracia é construída pelos homens comuns.

domingo, 16 de junho de 2019

A destruição do Brasil pela larva jato

Desviar dinheiro público, receber propina, superfaturar obras e produtos são crimes gravíssimos que devem ser combatidos com rigor e punidos de forma exemplar. O que revolta na larva jato é que ela usou o combate à corrupção como bandeira política para derrubar um governo, perseguir um partido, prender um líder popular e fraudar uma eleição. Como combate à corrupção, não deixa saldo nenhum, deixa sim um passivo monstruoso de desmonte social, crise econômica profunda e destruição nacional. Cometeu um crime muitas vezes mais grave.
Os vazamentos do The Intercept Brasil confirmam o que qualquer um que pensa já sabia. Falta agora apenas mostrar a origem da larva jato: quem a inventou, como, onde, por que, para que. Isso também qualquer um que pensa sabe, o que falta são as provas.  

A Lava Jato usou o Judiciário para fins políticos

Por João Filho, The Intercept Brasil, em 16 de Junho de 2019, 9h09

Suspeitava-se que a Lava Jato era um grupo político articulado entre membros do Ministério Público e o judiciário. Os indícios apontavam um conluio entre procuradores e um juiz que atuava para influenciar o jogo político-partidário e manipular a opinião pública. Faltava o batom na cueca. Não falta mais.
Os diálogos revelados pelo Intercept mostram que a Lava Jato desfilava como uma deusa grega da ética na sociedade, mas atuava à margem da lei na alcova. Em nome do combate à corrupção, o conluio atropelou princípios jurídicos básicos e arrombou o estado de direito. As provas são tão explícitas que não há mais espaço para divergências.
A Lava Jato usou indevidamente o aparato jurídico para atender interesses políticos. O Código de Ética do Ministério Público, o estatuto da magistratura e a Constituição foram todos burlados. É um caso claro de corrupção.
Durante o processo que levou um ex-presidente para a cadeia, o juiz orientou, recomendou alterações de estratégias, antecipou uma decisão e até indicou uma testemunha para acusação. A defesa, que reiteradamente pediu a suspeição do juiz, fazia papel de trouxa enquanto ele e o procurador combinavam estratégias de acusação pelos seus celulares.

Clique AQUI para ler a íntegra.

quinta-feira, 13 de junho de 2019

É preciso resgatar da extrema direita os símbolos nacionais

Só porque eu tenho escrito isso desde que o golpe começou.
Resgatar ou criar novos símbolos, porque os símbolos brasileiros são ridículos e impostos por elites delirantes, colonizadas e subservientes aos europeus: um hino imenso que ninguém sabe cantar, as cores da bandeira do império português e que não representam mais nada, sem falar no fato que a direita veste a camisa amarela da corrupta CBF. Precisamos de símbolos autênticos, que certamente não serão a bandeira vermelha, a foice e o martelo etc., que usadas por outras minorias.
Agora, deixar para a extrema direita entreguista que detesta o Brasil e seu povo a apropriação dos símbolos nacionais é o fim da picada. A não ser para desmoralizá-los de uma vez por todas, e mostrar que precisamos de símbolos autênticos, populares.

É preciso resgatar da extrema direita os símbolos nacionais

Em várias democracias ao redor do mundo, radicais têm se apropriado de bandeiras nacionais para poder chamar vozes discordantes de inimigos da pátria

Oliver Stuenkel, El País, 12/6/19

Em um fim de semana recente, ao sair de casa para correr no Parque Ibirapuera, em São Paulo, minha mulher questionou a escolha da minha camisa – da seleção brasileira. "Vão achar que você é bolsominion", alertou e me lembrou das manifestações pró-governo previstas para o dia seguinte na Avenida Paulista.
De fato, verifica-se hoje uma tendência crescente de apropriação de símbolos nacionais por movimentos de extrema direita tanto no Brasil quanto em outros países. Isso faz parte de uma estratégia sofisticada, pois permite uma suposta divisão da população entre patriotas de um lado e inimigos da pátria de outro.
Na Finlândia, por exemplo, usar uma camisa estampada com o símbolo nacional – o leão e a cruz – era comum no passado, mas seu uso hoje está fortemente associado a grupos xenófobos. Incomodada com o controle da extrema direita sobre o símbolo, uma agência finlandesa de design chegou a pedir, poucos anos atrás, sugestões para criar símbolos alternativos, que cidadãos moderados poderiam usar sem ser confundidos com radicais da direita. "Grupos extremistas sequestraram símbolos nacionais, fizeram do nacionalismo uma palavra suja e basicamente roubaram o direito de todos nós nos orgulharmos de nosso país", explicou Karri Knuuttila, um dos principais membros da iniciativa, à época.
Nos Estados Unidos, o presidente Trump tem sistematicamente tentado se apropriar da bandeira nacional, alegando (incorretamente) que seus adversários evitavam usá-la em eventos – e que, portanto, não seriam patriotas.

Clique AQUI para ler a íntegra no El País.

A lucidez emerge

O Brasil vem sendo varrido há quatro anos por um vendaval de insanidade, mas a lucidez não foi eliminada e vai emergindo aqui e ali, e há de se tornar uma força poderosa, majoritária, agora que chegamos ao máximo da autodestruição, com um governo absolutamente incapaz, e que o fogo que incendiou tudo, a tal operação larva jato e seus executores (quem foi seu idealizador? Como ela se originou? Por quê? Para quê? O jornalismo investigativo --  uma redundância, porque todo jornalismo deve ser investigativo, mas o jornalismo brasileiro se tornou tão oficial, tão parcial, tão porta-voz do capital que foi preciso reforçar o jornalismo com o adjetivo investigativo para diferenciá-lo do restante -- ainda terá de responder a estas perguntas) são desmascarados (a operação não foi resultado espontâneo da seca nem de um fósforo imprevidente, foi uma queimada proposital). Com a serenidade da sabedoria.

Da imparcialidade do magistrado 

Sílvio Luís Ferreira da Rocha, juiz federal, no Justificando, em 13/6/19.

O Juiz, como agente estatal, que exerce a jurisdição, atua em caráter impessoal e apenas por facilidade de linguagem fala-se nele como sujeito do processo. A impessoalidade é uma das notas características mais importantes da jurisdição e dela decorre desdobramentos sistemáticos como a imparcialidade.[1] De acordo com Alexandre de Moraes, “o direito a um juiz imparcial constitui garantia fundamental na administração da Justiça em um Estado de Direito e serve de substrato para a previsão ordinária de hipóteses de impedimento e suspeição do órgão julgador”.[2]

A imparcialidade é uma das características da jurisdição. A jurisdição é atividade estatal imparcial por que o Estado-Juiz está acima das relações que julga e não tem interesse no litígio submetido a julgamento e por essa razão permite-se à parte requerer o afastamento da lide de juiz considerado impedido ou suspeito pela forma prevista na lei.

A imparcialidade é uma garantia processual de que o processo será justo. A imparcialidade judicial reclama a neutralidade do órgão julgador; ela significa desinteresse e neutralidade; consiste em colocar entre parênteses as considerações subjetivas do julgador. É a ausência de preconceitos.

Clique AQUI para ler a íntegra no saite Justificando.