quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Quem vai voltar à nascente do Rio São Francisco?

Há um ano e um dia exatamente o G1 publicou a matéria nos informado que a nascente do Rio São Francisco tinha secado pela primeira vez na história. Em dezembro, ela voltou a brotar. E agora, como está? Enfrentamos uma nova seca, a umidade relativa do ar está baixíssima em Belo Horizonte. Como estará a nascente do São Francisco, um ano depois? Com água ou seca, é notícia.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Vai tirar as grades?



 

O governo do PT em Minas já completou um mês e as grades continuam cercando o Palácio da Liberdade, do jeito que a ditadura fez e que nenhum governo civil, a partir de Tancredo (82-86), teve coragem de mudar.
As grades foram colocadas em 1967, quando o atual governador se iniciava na política, pelo Movimento Estudantil, contestando a ditadura.
Seria um ato simbólico de grande importância retirá-las, tornando os gramados e tudo mais ao redor do prédio espaços públicos, livres. Poderia ser também o primeiro passo para a criação do Largo da Liberdade, unindo praça e palácio, todos os prédios cercados por calçadão, gramados, jardins, pista para caminhada, ciclovia.
É evidente que as grades enfeiam o palácio e o que significam, emocionalmente, psicologicamente, mentalmente, inconscientemente.
Nas fotos acima, o palácio antes e depois, quando não tinha grades e hoje. Copiei-as da internet, desconheço os autores, que não estavam identificados.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Liberdade religiosa, liberdade de expressão e humor não se excluem

"O anti-racismo e uma paixão pela igualdade entre todas as pessoas são e continuam a ser os princípios fundadores do Charlie Hebdo." (Charb, um dos assassinados na Charlie Hebdo.)

É realmente impressionante a confusão em torno da chacina na Charlie Hebdo.

1- Charlie Hebdo é uma revista de humor, de esquerda, "filha" de maio de 68. Nela trabalham e trabalharam os melhores humoristas franceses de esquerda, a começar pelo genial Wolinski. O humor é libertário, contestador, de esquerda, não tem nada a ver com esse humor sem graça de direita que prolifera no Brasil.

2- Quando digo esquerda, estou falando da Revolução Francesa, de Karl Marx, da Revolução Russa de 1917. Não estou falando de social-democracia nem de PT. Estou falando de liberdade, igualdade, fraternidade, socialismo, ideias que Charlie Hebdo defendeu com a sua arma: o humor. Estou falando de civilização, tolerância, convivência gentil entre diferentes.

3- Só o oportunismo e a ignorância podem comparar Charlie a Veja e outras publicações de esgoto.

4- Quem não entende a diferença entre um desenho e um tiro, entre um jornal e um rifle, não entende de liberdade de expressão. Liberdade de expressão é sempre para quem discorda de nós.

5- Os dirigentes que foram posar na manifestação de domingo são hipócritas oportunistas. São eles que mantêm a indústria da guerra, que mata milhares mundo afora, todos os dias, ano após ano. Já o capitalismo "progressista" do século XIX fazia suas carnificinas colonialistas; a partir de 1914, o mundo entrou numa guerra contínua, formada de guerras mundiais e guerras "locais".
A Alemanha se armou intensamente para entrar na II Guerra Mundial, as grandes nações se armam muito mais, permanentemente. Para quê? Para exterminar seus inimigos econômicos e para vender armas para "extremistas" e traficantes. A indústria da guerra é a maior indústria do mundo, a que dá mais lucros.
Como é que dois jovens de um grupo discriminado e marginal obtêm armas tão caras e poderosas? Como é que os meninos das favelas brasileiras conseguem as mesmas armas?

6- Tudo isso é parte da barbárie em que entrou o capitalismo há 101 anos, quando começou a I Guerra Mundial.

7- Liberdade religiosa, respeito, tolerância, igualdade, liberdade de expressão e humor não se excluem, ao contrário, fazem parte do mesmo ideário humanista, anti-barbárie. São também esforços individuais cotidianos para superar a ideologia capitalista e não nos deixarmos levar na onda dos poderosos que fabricam guerras para vender armas. Exceto estes, somos todos Charlie.

 "Líderes" que convocaram manifestação domingo passado posaram para fotos protegidos por seguranças e depois foram embora, não se juntaram ao povo.


quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

12 lá, 12 aqui; "somos todos Charlie"

No dia 1º encontrei na rua com o Nilson, o maior desenhista mineiro, e, conversando sobre quadrinhos, falamos do Charlie Hebdo.
Wolinski, um dos doze assassinados hoje, foi um dos meus ídolos dos quadrinhos na juventude. Como quase todos os grandes quadrinistas das décadas de 60 e 70, apareceu no Brasil nas páginas do Grilo. Depois vieram os álbuns publicados pela revista Status e pela editora L&PM, de Porto Alegre. Tenho-os até hoje, continuam geniais.
Naquela época, os quadrinhos eram muito mais libertários, muito mais ousados e irreverentes. O que aconteceu hoje parece um absurdo retrocesso na liberdade de expressão.
7 de janeiro é o 8 de dezembro dos quadrinhos.
Je suis Charlie.

Hoje também o jornal Estado de Minas demitiu 12 dos seus mais antigos e renomados jornalistas.

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Vida de jornalista 2

"Produzir revistas nestes tempos é como fabricar carruagens no final do século 19, quando os carros começavam a ganhar as ruas. Nem o mais fabuloso fabricante de carruagens sobreviveu com o correr dos dias. A Abril antecipa o que deve acontecer, no futuro, com outra potência da mídia brasileira: a Globo."

Paulo Nogueira, no Diário do Centro do Mundo: A agonia da editora Abril.

Vida de jornalista

Grande parte da trilogia "Getúlio", de Lira Neto, se baseia em matérias de jornais. Pouquíssimos autores das matérias são citados, mas os nomes de escritores famosos, como Nelson Rodrigues, por exemplo, aparecem e "elevam" o nível das citações.
Imagino uns e outros na redação, esse ambiente em extinção: os pés de boi, trabalhando horas a fio e produzindo, anonimamente, o noticiário que todos leem no dia seguinte, a substância dos jornais, por assim dizer: e as estrelas, que aparecem fazendo alarde, ficam pouco tempo e vão embora, deixando algumas linhas, celebradas, publicadas com assinatura e destaque.

sábado, 20 de dezembro de 2014

Zé Simão: Obama é petralha!

Do DCM.
Zé Simão: "Vamos pra Paulista pedir o impeachment do Obama. O Obama é petralha!"
Postado em 19 de dezembro de 2014 às 4:46 pm
De Zé Simão, na Folha:

Buemba! Buemba! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República!
Estados Unidos e Cuba fazem as pazes! Pelo telefone! Já imaginou a conversa do Obama e do Raúl?
“Raúl, lets go fazer as pazes!” “Solamente se me dieres um iPhone 6!” “And you um charutito e um mojito.
O papa conseguiu reconciliar os EUA e Cuba, mas não consegue reconciliar coxinhas e petralhas!
“Sem chances, com petralha não tem conciliação.” “Aí é pedir demais, a não ser que os coxinhas se purifiquem.” “Vamos pra Paulista pedir o impeachment do Obama.” O Obama é petralha! Rarará!

O papel de Mário Covas

Era mais ou menos esta a visão que eu tinha do Covas, em 1989, quando votei nele, no primeiro turno. Aparentemente, não estava errado, apesar do que virou o PSDB de FHC, a partir de 1994.

Do jornal GGN. 
A constituição de 1988 e o papel de Mário Covas
sab, 20/12/2014  
Luis Nassif

Prestes a completar 90 anos, o jurista José Afonso da Silva é uma instituição brasileira. Considerado o mais importante constitucionalista brasileiro, José Afonso teve papel central na Constituição de 1988, a “Constituição Cidadã”, que lançou o país definitivamente na era civilizatória, ao reconhecer direitos fundamentais da população à saúde, educação e alimentação, entre outros temas, ao avançar nos direitos dos consumidores, das crianças, das mulheres, a temas como meio ambiente, casamento homoafetivo.

O grande papel de José Afonso foi um pouco antes, na coordenação da Comissão Afonso Arinos, constituída logo após a eleição de Tancredo Neves para propor uma nova constituição ao país. Montou dezenas de grupos de trabalho, convocando as principais lideranças e movimentos brasileiros para a empreitada.

Os trabalhos acabaram arquivados pelo presidente José Sarney, quando avançaram na proposta de um sistema parlamentarista. Algum tempo depois, quando a Constituinte foi convocada, as propostas da Comissão Afonso Arinos serviram de fio condutor para os trabalhos.

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Em um Congresso eminentemente conservador, esses avanços foram possíveis graças ao trabalho do senador Mário Covas, coordenador dos trabalhos.

Jogador de xadrez, estrategista brilhante, Covas montou uma estrutura em que, na presidência de cada grupo foram colocados políticos – a maioria de cunho conversador – mas na relatoria e na sub-relatoria pessoas identificadas com o que se chamava na época de ideias progressistas.

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Na ocasião, a política vivia impasses. A ditadura militar fora definitivamente abolida com a eleição de Tancredo. Mas os primeiros movimentos do novo governo já prenunciavam o desastre do presidencialismo de coalizão. Houve grande leilão de cargos que desmoralizou o novo regime.

Foi essa dupla desmoralização – da ditadura e do fisiologismo – que abriu espaço para o avanço das propostas sociais.

José Afonso lembra de participações inesquecíveis, como a do deputado federal paraibano Antônio Mariz, responsável pela vitória dos progressistas na redação do Capítulo 1 da Constituição. Ou do "coronel" Virgílio Távora, cuja secretaria sugeriu a inclusão do mandado de injunção – pela qual pode-se provocar os tribunais para a aplicação de direitos reconhecidos na Constituição, mesmo que não tenham sido regulamentados.

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Foi um período de apostas na utopia democrática. Chegou-se até a tratar da questão da mídia, com o jurista Tércio Sampaio Ferraz defendendo o acesso dos diversos segmentos sociais aos meios de comunicação. A proposta foi torpedeada por Saulo Ramos, o consultor Geral, depois Ministro da Justiça de Sarney, que atuava como lobista da Rede Globo.

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O trabalho de Covas refletiu-se nos anos seguintes na modelagem do seu partido, o PSDB, no início um partido progressista, com visão social democrata.

A morte de Covas, a eleição de Fernando Henrique Cardoso para a presidência, descaracterizaram totalmente a proposta inicial do partido.

Hoje em dia, quando se assiste José Serra, Aécio Neves e Fernando Henrique Cardoso apoiando manifestações do grupo Revoltados Já, vem a memória Covas e o partido que deixou de ser.