terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Agricultura orgânica já!

Quem se informa sobre agrotóxicos fica estarrecido*. A produção capitalista de alimentos é um processo de envenenamento – dos consumidores, do meio ambiente, dos agricultores. O Brasil é o maior consumidor de venenos agrícolas do mundo.

Agricultores usam agrotóxicos para matar pragas e possibilitar que os vegetais cresçam bonitos e perfeitos. Acontece que juntamente com a eliminação das pragas, os venenos eliminam os insetos que se alimentam delas, os pássaros que se alimentam dos insetos e daí por diante, interferindo em toda a cadeia alimentar natural.

Não é só isso: os venenos penetram a terra, atingem os cursos d’água e se espalham pelo ar, contaminando o meio ambiente.

Mais: intoxicam os agricultores, às vezes de forma aguda, às vezes de forma crônica.

Por fim, envenenam os consumidores, pois parte deles fica retida nos alimentos que comemos.

Não é à toa que doenças como câncer aumentam. (Uma rápida busca na internet indica inúmeros trabalhos que relacionam câncer e agrotóxicos, entre eles pesquisa de doutorado da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, realizada em 2007, no Sul do estado.)

O uso de agrotóxico é tão perigoso que sua compra é similar à de remédios de tarja preta: só pode ser feita mediante apresentação de receita prescrita por um engenheiro agrônomo, que fica retida na loja. O armazenamento e o transporte devem seguir procedimentos rigorosos, sob responsabilidade de um profissional especializado e registrado, como farmácias devem ter farmacêuticos. Os produtores rurais devem seguir normas de manuseio e usar equipamentos protetores. Além disso, são obrigados a devolver as embalagens lavadas três vezes (como assim? Gastam e sujam mais água com veneno? Para onde vai essa água?); o posto de coleta as encaminha às indústrias, que por sua vez devem encaminhá-las ao Instituto Nacional de Processamento de Embalagens Vazias, ao qual cabe incinerá-las (poluindo o ar) ou reciclá-las. Segundo o instituto, 20% das embalagens de agrotóxicos não são devolvidas, ou seja, ficam jogadas no ambiente, provocando mais envenenamento. A fabricação de agrotóxicos deve ser autorizada pelo governo federal e a autorização passa por três ministérios: Agricultura, Saúde e Meio Ambiente. A fiscalização fica a cargo dos estados – em Minas é feita pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), que tem poucos fiscais.

Se os agrotóxicos são tão perigosos, por que continuamos a consumi-los? Porque a lógica capitalista domina, porque o lucro é mais importante que a saúde e o meio ambiente, porque meia dúzia de multinacionais fabricantes de venenos agrícolas – e transgênicos, pois são as mesmas – é mais poderosa do que todo o restante da população, porque a grande produção para o mercado e os interesses estatais imediatos de exportação prevalecem sobre interesses de longo prazo.

É como o aquecimento global: as catástrofes estão mais que anunciadas e já é tarde para contê-las, mas os interesses dos países ricos prevalecem sobre os da população mundial e continuaremos a provocar o efeito estufa com novos carros, novos desmatamentos, novas indústrias, novas urbanizações, novas práticas destruidoras do meio ambiente.

No Acre, fazendeiros usam agrotóxicos para eliminar ervas daninhas no pasto. Resultado: ficam contaminados os trabalhadores, que não usam equipamentos de proteção, a terra, o gado, que come grama com veneno, e a população, que come carne envenenada.

De acordo com o Censo Agropecuário de 2006, do IBGE, mais de 1,5 milhão de propriedades rurais do país usam agrotóxicos e 56% dessas não seguem qualquer orientação técnica; apenas 21% de todas as propriedades recebem instrução regular sobre o uso dos produtos químicos.**

É evidente que precisamos substituir a grande monocultura de exportação com uso intensivo de agrotóxicos por uma agricultura familiar em pequena escala para consumo local que usa meios orgânicos de combate a pragas e preserva o meio ambiente. Eventualmente, alguns alimentos podem ser produzidos em grande escala para exportação, como acontece com produtos industriais, feitos de matérias mortas, mas a experiência capitalista mostrou que a alimentação não pode seguir o mesmo modelo.

Comemos alimentos com agrotóxicos, colhidos antes do tempo, transportados por grandes distâncias, congelados – lindos e envenenados.

Essa fartura a que estamos acostumados, por encontrar nos supermercados todos os alimentos bonitos e baratos, é um conto de fadas. Não precisamos de tantos alimentos – não é à toa que estamos cada vez mais obesos, em contradição com os pobres subnutridos; é mais saudável para nossos corpos, para a sociedade e para o meio ambiente que os alimentos sejam cultivados em regiões próximas, produzidos em pequenas plantações, na tradicional agricultura familiar, ou até em hortas caseiras. O melhor para todos só não é melhor para a lógica capitalista e sua meia dúzia de multinacionais. (Aposto que os executivos e acionistas das empresas fabricantes de agrotóxicos consomem orgânicos.)

2010 é ano de eleição para presidente e governadores. A agenda ambiental está na ordem do dia. Devemos exigir dos candidatos que seu governo adote não apenas as metas de redução de emissões para conter as mudanças climáticas, compromisso que o governo Lula assumiu na conferência de Copenhague, mas adote a agricultura orgânica como modelo de produção agrícola brasileira.

* Uma boa leitura sobre o assunto é a revista do projeto Manuelzão, da UFMG, que acompanha o uso de agrotóxicos na Bacia do Rio das Velhas.
** Repórter Brasil. http://www.reporterbrasil.org.br

A vida na cidade

O helicóptero da televisão, barulhento, sobrevoa nossas casas ao meio-dia para mostrar o trânsito. O helicóptero da polícia sobrevoa à meia-noite, com o holofote ligado, como numa operação de guerra. Isto é a vida na cidade.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Monções

Essas chuvas que estão caindo o mês inteiro, já não são simples chuvas, são monções. O clima do planeta mudou e agora temos aqui o tempo da Índia.

Chuva e cidade

Chove, como se diz, copiosamente. Ininterruptamente. Gosto do barulho da chuva, gosto de chuva, mas a chuva não foi feita para a cidade – ou a cidade não foi feita para a chuva, melhor dizendo. Para onde vai toda essa água que cai? Não tem terra para se infiltrar. Para que serve tanta chuva? Na cidade, a chuva não apenas não tem serventia, como ainda atrapalha o trânsito, derruba árvores, incomoda as pessoas, impede as atividades ao ar livre. Sem falar nos alagamentos, nos deslizamentos de encostas, nas quedas de barracos. Chuva não foi feita pra cidade – ou a cidade não foi feita pra chuva.

2009, o ano Lula

Le Monde e El País também escolheram Lula como personalidade internacional de 2009, mostra matéria da Agência Carta Maior.

domingo, 27 de dezembro de 2009

DOS GÊNEROS LITERÁRIOS: A CRÔNICA

Crônica é conversa fiada

A crônica, ao contrário da ficção e da notícia, não tem desfecho nem lide, é um olhar sobre o cotidiano, com humor, com poesia, com palavras incomuns; seu valor está na originalidade do olhar e na relevância do assunto. E em alguma coisa mais, difícil de explicar.

Pode-se dizer que a crônica tem em comum com a ficção o desfecho: um desfecho dá sorriso à crônica, faz suspirar, faz a fama do autor. Mas o desfecho da crônica não é propriamente um desfecho, melhor seria chamá-lo de fecho apenas.

O fecho da crônica não é, como na ficção, a explicação de tudo, sem o qual a história não faz sentido. É uma frase de efeito, uma conclusão, uma lição, uma moral... É, enfim, um arremate. Alguma coisa que se guarda para o fim, de forma a pôr um ponto final, a terminar em grande estilo, a dizer que acabou. Todo texto tem de dizer que acabou, até uma notícia; a crônica gosta de fazê-lo com ênfase.

Pode-se dizer que o fecho cumpre uma função além do próprio encerramento, a função de desviar o leitor da ideia que acompanha a leitura de toda crônica, a ideia da perda de tempo, do desnecessário. A crônica é o gênero literário do desnecessário, por excelência.

Já se disse que a arte é inútil, o que provocou grande discussão, na época em que ideias motivavam discussões – e muita produção intelectual, de forma a se provar a necessidade da arte. Como lazer, uma peça de teatro ou um filme (cinema é arte?) se justificam de tal forma, que ninguém se preocupa com o fato se foi necessário assistir à sessão ou não; o que se questiona muitas vezes é se o autor tem o direito de fazer o público pensar, além de diverti-lo.

A crônica, ao contrário, tem dificuldade de se justificar. Os próprios cronistas já se ocuparam disso mais de uma vez. Pode-se mesmo dizer que o caráter supérfluo da crônica é um tema recorrente dos maiores cronistas.

Há dificuldade inclusive de se definir a crônica. O que é a crônica? Este texto, por exemplo, é uma crônica? O que caracteriza uma crônica, além do tamanho curto e da linguagem leve? A crônica conta uma história? Sim e não – pode contar não uma, mas várias histórias, mas pode também não contar nenhuma. Crônica acabou sendo todo texto que não se encaixa em outros gêneros. Mas há crônicas e crônicas – este texto pode até ser uma crônica, mas só será uma boa crônica se for capaz de fazer o leitor pensar que valeu a pena lê-lo, como uma crônica de Carlos Drummomd de Andrade ou de Fernando Sabino e de tantos outros, a começar pelo mestre dos mestres, Rubem Braga.

Estes grandes cronistas eram mestres na arte de enganar o leitor, desviando seu pensamento final da inutilidade daquela leitura, posto que eles próprios tinham dúvida da utilidade do que tinham escrito, mas tinham certeza de que era preciso encerrar com um belo fecho – e às vezes, num mau dia, é preciso dizer, até eles falhavam. Eles sabiam que tinham escrito uma bela crônica quando eram capazes de iludir o leitor com um belo fecho.

Não há nada demais no verbo iludir – toda arte é ilusão, haverá quem diga que a própria vida é ilusão. A mais antiga das ilusões, o teatro, é um costume a que até hoje (e renovado no cinema) nos entregamos com prazer. Sabemos que tudo aquilo que acontece no palco é mentira, mas desejamos nos iludir.

Não há, portanto, nada de errado em o cronista iludir o leitor. O que distingue o bom cronista, a meu ver, são outras qualidades (além da condição sine qua non de qualquer arte literária, o saber usar as palavras). As outras qualidades que distinguem Braga, CDA e Sabino, para ficar nos nossos (o capixaba deu seus primeiros passos profissionais em Minas), são o tema, a fluidez do texto, as imagens marcantes que ele é capaz de criar. E o fecho.

Porque a crônica não passa de conversa fiada. O leitor sabe disso, mas quem de nós não pratica com gosto uma boa conversa fiada? A conversa fiada é necessária à vida, pode-se até dizer que é a forma de lazer social primitiva. Quem não se lembra de um amigo que é um grande contador de casos? Nem digo contador de histórias, me refiro àquelas pessoas com quem conversar à toa, jogar conversa fora, é um prazer.

Essas pessoas que cultivam a boa conversa fiada sabem encerrá-la, de forma a deixar no outro um prazer final, um sorriso nos lábios, uma lembrança, uma impressão de que aqueles momentos à toa valeram a pena. Fazem isso com uma frase, um gracejo, a repetição enfática de algo que já tinha sido dito. Um fecho. Como o fecho da crônica.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Então é Natal!

No afã consumista das festas, é bom saber a história das coisas.


Prefeito verde escraviza trabalhadores

Equipe de fiscalização do Ministério do Trabalho libertou 24 pessoas que trabalhavam como escravos do prefeito de Codó, no Maranhão. O prefeito é do PV.
Pra levantar bandeiras progressistas na sua candidatura à presidência, Marina Silva vai ter de fazer uma limpeza no seu partido.
A íntegra da matéria do Repórter Brasil:
http://www.reporterbrasil.com.br/exibe.php?id=1684

Então é Natal!

Então é Natal!

Israel é o contra-senso típico do capitalismo. Um povo que viveu segregado, que foi confinado em guetos, cercados por muros, agora constrói um muro para isolá-lo dos árabes à sua volta. Um povo que foi discriminado e tratado com violência e crueldade, agora promove a violência e a crueldade.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

A culpa é do povo

Chamada de capa da revista Viver: "Caso Arruda: o povo tem grande parcela de culpa nestes escândalos". Nem é preciso ler a matéria para saber do que se trata (mas vou conferir). Os partidos das elites roubam e a culpa é do povo. Esperar o quê? Que uma revista das elites dissesse: "a culpa é nossa"? Com certeza vão dizer que o povo não sabe votar, que o povo não ligou para o escândalo do mensalão. Com certeza também vão repetir a entrevista deturpada do Lula, na qual disse que as imagens não dizem tudo e que o assunto está com a polícia federal. Até quando a oposição rouba, o Lula está errado. E se a popularidade do presidente não para de subir, de quem é a culpa? Do povo! No primeiro momento tentaram desqualificar Lula diante do povo. Como não conseguiram, agora estão desqualificando o próprio povo. A matéria pode não estar errada, mas a chamada de capa está.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

A marcha do clima, em Copenhague

Calçadas democráticas

Há tempos digo que o melhor sinal da educação dos habitantes de uma cidade é a qualidade dos passeios públicos. Belo Horizonte, por exemplo, segue a regra nacional: tudo aos carros, nada para os pedestres. Fiquei feliz em saber que também pensa assim o economista Enrique Peñalosa, celebrado em todo o mundo pelas inovações que implantou como prefeito de Bogotá. A entrevista é de Deborah Solomon, tem data de 8 de junho de 2008 e foi publicada no New York Times. A tradução pode ser lida na íntegra no último segundo (link no final). A seguir, alguns trechos.

"- Qual a primeira coisa que você diz para prefeitos fazerem?

- Nos países em desenvolvimento, a maioria das pessoas não tem carros. Então digo: quando você faz uma boa calçada, está construindo democracia. Calçadas são símbolos de igualdade.

- Calçadas não me parecem prioridades nos países em desenvolvimento.

- São a última coisa que fazem. A prioridade é fazer estradas e avenidas. Fazemos cidades para carros, carros, carros, carros. Não para pessoas. Carros foram inventados muito recentemente. O século 20 fez um desvio horrível na evolução qualitativa do habitat humano. Construímos, hoje, pensando mais na mobilidade de carros do que na felicidade das crianças.

- Mesmo em países nos quais a maioria não tem como comprar carros?

- As pessoas de maior renda nos países em desenvolvimento nunca andam. Elas vêem a cidade como um espaço ameaçador. Passam meses sem andar uma única quadra.

- Isso também não é verdade para os EUA?

- Não em Manhattan, mas há muitos subúrbios em que não há calçadas, o que é sinal de falta de respeito para com a dignidade humana. As pessoas sequer questionam isso. É como a França pré-revolucionária. As pessoas achavam que a sociedade estava normal, assim como as pessoas acham normal, hoje, que o acesso à praia em Long Island seja particular.

- Você está comparando pessoas com casa com vista para o mar em Long Island com aristocratas franceses corruptos?

- Se a democracia prevalecer, o bem comum deve vencer interesses privados. A pergunta é: a maioria das pessoas seria beneficiada com acesso à praia em Long Island? Todas as crianças deveriam ter acesso à praia sem precisar freqüentar um country club. […]

- Onde você estudou?

- Duke University. Me formei em economia e história.

- Você devia ser o único socialista em Duke.

- Acabei percebendo que o socialismo era um fracasso como sistema econômico. Mas a igualdade não morreu. O socialismo morreu. Mas o desejo de igualdade não está morto."


http://ultimosegundo.ig.com.br/new_york_times/2008/06/11/perguntas_para_enrique_penalosa_um_homem_com_um_plano__1353153.html

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Reginaldo e Pimentel ganham PT MG

O sítio do PT MG divulgou agora à noite, finalmente, o resultado da eleição para presidente do partido no estado. Reginaldo Lopes foi reeleito com 52,4% dos votos, contra 47,6% para Gleber Naime. A apuração só terminou depois de interferência da direção nacional do partido e de impugnação de muitas urnas. O que mais surpreende é o baixo número de votantes: 44.480, em cerca de 550 municípios. A expectativa era de que comparecessem às urnas 115 mil filiados.
Com o resultado, a candidatura do ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel ao governo de Minas em 2010 ganha fôlego. Ele apoiou Reginaldo e defendeu, durante o processo eleitoral, que a ala vencedora indicasse o candidato a governador; Patrus, também candidato a candidato a governador e apoiador de Gleber, defendeu a realização de uma prévia. O fato é que o PT está dividido, não apenas entre candidatos, mas entre duas propostas muito diferentes. Durante a campanha, as acusações entre as partes foram duras; em 2008, o partido rachou na eleição para prefeito da capital. Patrus representa a ala histórica do PT socialista; Pimentel a ala que preconiza uma aliança com o governador Aécio Neves.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Uma usina funcionando o dia inteiro em frente à sua casa

Para construir um prédio, construtoras instalam caminhões betoneiras (dois, imensos, um de frente para o outro, de forma que um tem de trafegar na contramão da rua de mão única) na porta da obra. O passeio, que já está destruído e incorporado ao canteiro de obras, inclusive como depósito de material de construção, fica ocupado. É um barulho tão alto, que os operários trabalham com protetores de ouvidos. E os vizinhos? Qualquer fábrica está sujeita à legislação ambiental e do trabalho, fábricas barulhentas não podem se instalar em bairros residenciais. Por que então uma construtora pode instalar uma usina de concreto na rua durante um ano ou mais? Hoje destruíram também o passeio do outro lado da rua. Os caminhões funcionaram ensurdecedoramente até 20h30.

Futebol de rua

Um amigo me manda um post que fala das regras do futebol de rua.
http://festerblog.com/humor/as-regras-do-futebol-de-rua/
Ele diz: "é isso mesmo". Eu respondo: O que me doi mais nessa história é que passei de jogador a torcedor.
Esta é uma das coisas que me incomodam no futebol, na vida adulta, na sociedade. Por que deixamos de jogar bola e nos tornamos torcedores (consumidores de futebol: na imprensa, nos estágios, na tevê)? Jogar é mil vezes melhor e mais saudável.
A outra coisa que me faz pensar é que na pelada não tem juiz. A meninada se entende sem árbitro – discute, briga, para de jogar, mas se entende; mesmo que o jogo acabe naquele dia, no dia seguinte os amigos jogam outra vez, como se nada tivesse acontecido. E isso faz parte da brincadeira. É uma lição de relação social que os adultos deviam aprender.

Apuração da eleição do presidente do PT MG ainda não acabou

A coisa no PT MG tá feia. A apuração da eleição do novo presidente foi suspensa no dia 7 e ainda não foi retomada. A justificativa, segundo o sítio do partido, é "análise de recursos". A última parcial, com 74,4% dos votos, dava Reginaldo Lopes com 52,22% e Gleber Naime com 47,78%.
http://www.ptmg.org.br/
Reginaldo já proclamou sua vitória e acusa Gleber de fraudar a eleição em vários municípios. A acusação é muito séria, mas o tom em que Reginaldo a faz levanta suspeitas, porque não transmite honestidade.
http://www.reginaldolopes.com.br/?pagina=integra&cd_noticia=1322&secao=PT
O ex-ministro Nilmário Miranda, que apoia Gleber, diz, no seu blog, que Reginaldo pôs o carro na frente dos bois ao anunciar sua vitória, mas admite a derrota, nas entrelinhas, ao dizer que o PED não é prévia da escolha do candidato a governador (Pimentel ou Patrus).
http://www.blogdonilmario.com.br/
Curiosamente, quem faz um apelo pela união do partido é Nilmário, não é Reginaldo. Nilmário enfatiza valores, enquanto Reginaldo ataca a "oposição" (acho estranho, porque oposição é gente de outro partido, não companheiros do mesmo partido). Olhando de fora, o PT mineiro parece rachado em dois: de um lado um candidato que representa a origem petista e a ética socialista - o ministro Patrus; do outro um candidato que traça sua trajetória política pessoal, fazendo alianças e filiações em massa, para atingir seu objetivo - Pimentel. O primeiro promete uma bela campanha em 2010; o segundo, a vitória eleitoral.
Se repetir 2008 e não superar essas divergências, o PT vai pôr a perder o que pode ser uma bela campanha em Minas em 2010.

Luxemburgo no Galo: a chegada

Na chegada do treinador Vanderlei Luxemburgo ao Galo, ontem, o show mais uma vez ficou por conta da torcida. Ele deve ter ficado impressionado.
Mas houve outros destaques, afora a resposta de Kalil a Zezé, dizendo que o Zêro na Libertadores é como filme dos Três Patetas: a gente sabe o que vai acontecer, mas ri no final. Vale como piada, porque o retrospecto do Atlético - que nem chega à Libertadores - não é diferente disso. Desde 1978, com exceções. O lado ruim desse humor kalilino é que muitos torcedores cruzeireros não o entendem e respondem com agressividade e ofensas.
Luxemburgo chegou com o discurso certo - em resumo: não prometo títulos, prometo trabalho, mas meu trabalho leva a títulos, meu currículo mostra isso, não gosto de perder. Este último ponto é importante, porque Roth não se importava de perder. Sua posição pela manutenção de Tardelli, Ricardinho e Júnior no elenco também é boa; o time de Roth não perdeu título e vaga na Libertadores por causa deles, mas apesar deles. A contratação do lateral Leandro, ex-Zêro, suscita dúvidas, pois é daqueles jogadores que acompanham Luxemburgo pra onde o treinador vai - será que vai querer trazer Leo Lima também? Não simpatizo com nenhum dos dois, aliás, nem com o Luxemburgo, mas os interesses do Atlético estão acima de preferências pessoais - no meu caso, como treinador, estas vão para Muricy, Silas e Rogério Micale.
E é em relação a interesses que a escolha do vitorioso treinador provoca dúvidas. Kalil fez a opção por um nome que provoca impacto, não pelo trabalho de base, de longo prazo. Tem os méritos de ter agido rápido e de trazer um treinador vencedor (essa história de decadência é relativa, o próprio Telê teve seu ostracismo, antes de brilhar mais que nunca com o São Paulo). Junto com Luxemburgo, porém, trouxe os ônus que o acompanham. Sem entrar no mérito se o faz de forma lícita ou ilícita, ele é conhecido por se tornar dono do futebol do clube onde trabalha, por empresariar jogadores, entrar em choque com a imprensa e com dirigentes. Não entrará em choque com Kalil? Vamos ver.
Luxemburgo aproveitou a primeira coletiva para atacar o presidente do Palmeiras, que o demitiu no meio do brasileirinho. Ele já tinha dito que, se fosse o treinador, no lugar de Muricy, não teria perdido o título. Agora chamou Belluzzo de retrógrado. Os fatos, se não dão razão a Luxemburgo, também não põem o dirigente no pedestal.
Uma coisa é certa: Luxemburgo vai dar muito trabalho aos repórteres de futebol em BH. A começar pelos números que cercam sua contratação. Se a informação divulgada pelo Uol Esporte e atribuída ao Internacional estiver correta, o Atlético estará gastando R$ 7 milhões no primeiro ano de permanência do treinador no clube (o contrato é de dois anos; ele receberá R$ 500 mil por mês mais luvas de R$ 1 milhão). Os valores não foram confirmados, mas Luxemburgo disse que é bem remunerado e Kalil garantiu que o Atlético vai bancar sozinho a contratação, sem patrocinador. Todo mundo sabe que o Galo tem uma dívida astronômica.
Luxemburgo tem razão em não divulgar valores, que, segundo ele, poriam em risco seus familiares, em decorrência da violência existente no país. Mas o Atlético tem dever de informar, se é que não tem nada ilegal no contrato. Aliás, hoje em dia, com a informatização dos sistemas de arrecadação e bancário, não se esconde nada da Receita.
Que dizer, afinal? Várias coisas: bem-vindo Luxemburgo, como a torcida. Que sua contratação represente o que promete: organização de um time vencedor e, quem sabe, um título nacional ou internacional. Que os muitos críticos estejam errados e que a passagem do treinador pelo Galo seja vitoriosa. Não posso deixar de acrescentar que, mais uma vez, este não é o caminho que eu gostaria de ver o Atlético seguir.

A Conferência do Clima em Copenhague pela Vitae Civilis


A proposta de Tuvalu, pequeno arquipélago da Polinésia ameaçado de submergir com as mudanças climáticas.

Estragos da chuva



Dessa vez uma árvore caiu bem pertinho de casa e amassou o carro de um amigo, ontem. O quarteirão ficou sem luz de meio-dia a oito da noite, mais ou menos, porque a árvore atingiu a fiação. A prefeitura levou cinco horas para cortar a árvore e desimpedir o trânsito; o caminhão carregou o tronco e deixou os galhos no passeio. Como sempre, a prioridade é a passagem dos carros, os pedestres ficam em segundo plano. Pensei que ia demorar mais, tanto a luz quanto a árvore.
É nessas horas, subindo dez andares de escada, que a gente vê como está fora de forma. Vê também como nossa vida depende da energia elétrica e está condicionada por ela. Sem eletricidade, não tem elevador, não tem luz, não tem computador, não tem internet, não tem televisão, não tem som. É preciso improvisar velas. O que a gente faz num apartamento? Olha a vista. Conversa, conta história pras crianças. Se quiser tomar banho, vai ser frio. A gente dorme mais cedo. Nosso modelo de civilização é montado sobre a energia elétrica.
Se a fiação fosse subterrânea, não aconteceriam problemas assim (além de limpar a paisagem dessa poluição visual de fios e mais fios), mas uma rede subterrânea é muitas e muitas vezes mais cara que a aérea. No capitalismo, as decisões são feitas por custo (e lucro), não pelos benefícios que gera.
São problemas que vão se agravar, eu calculo, interrupções no fornecimento de energia elétrica e queda de árvores. As mudanças climáticas estão tornando as chuvas mais violentas, com ventos fortes e muitos raios. Posso estar enganado. Inundações são outro problema, evidente: a água não tem por onde escoar, a terra está toda coberta de asfalto, cimento e construções.
E as árvores? Apodrecem e tombam nas chuvas. Segundo a própria prefeitura e a Cemig justificam, ao avisar por telefone ao reclamante que o conserto vai demorar, são centenas de ocorrências na cidade (é outro problema: a cidade cresceu demais, os órgãos públicos não dão conta de atender à demanda de serviços; pela lógica neoliberal, contratar mais funcionários é inchar a máquina pública - então, os governos terceirizam, o que torna os serviços piores, quase sempre).
As administrações municipais se orgulham do fato de Belo Horizonte ter muita área verde. É verdade, mas as árvores estão no lugar errado, suas raízes cobertas por cimento e asfalto. Deve ser por isso que morrerm e caem nas chuvas. E quando caem provocam muitos estragos. Além do que são obstáculos nos passeios. Parques e praças aprazíveis, a cidade tem pouquíssimos.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Luxemburgo no Galo

Enganei-me. Kalil trouxe mesmo Vanderlei Luxemburgo. Segundo o Uol Esporte, ele pediu R$ 500 mil por mês, mais luvas de R$ 1 milhão e o Inter não aceitou. Quer dizer que o Atlético aceitou? As partes não informaram.
Luxemburgo é o tipo de treinador do qual o Galo precisa, vencedor, líder. Há suspeita de que estaria decadente. Será? Vai ser um bom teste para as mudanças que o clube precisa fazer. Vamos ver o que acontece.
Às 17h07 o treinador anunciou no seu blog que acertou por dois anos, confirmando a informação dada por Kalil no twitter. Às 23h39, o post já tinha recebido 367 comentários. Quase todos que eu li eram de boas vindas dos torcedores alvinegros. Não tem torcida igual.

A internet une as pessoas no mundo inteiro

6h: os caminhões da obra estacionam




6 horas da manhã, 8 de dezembro, feriado. Os barulhentos caminhões da obra estacionam na rua, formando uma enorme fila. 6 horas da manhã! No feriado!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Luxemburgo no Inter

Agora está aí o Kalil querendo trazer o Luxemburgo. Gogó, precipitação. Fala, mas não faz. Vende Luxemburgo e entrega Tite, querem ver? Se tivesse competência pra trazer o Luxemburgo, que é um treinador vencedor, independentemente de outros julgamentos, Kalil negociaria silenciosamente e só anunciaria quando estivesse tudo certo. Está valorizando o cara e ele fica escolhendo: Atlético ou Inter? Até o Zezé Perrela está dando palpite. Entre o Galo, que vai para a Sul-Americana, e o Inter, que vai para a Libertadores, quem ele vai escolher?

2010

Dirigentes de futebol competentes já esfriaram a cabeça e agora pensam em 2010. O planejamento de uma temporada não é nada extraordinário, mas algumas coisas precisam ser definidas, coisas que o Atlético não fez este ano.
Primeiro: um treinador para a temporada inteira. O Galo precisa de um treinador que se imponha como líder do grupo, que passe confiança para os jogadores, um treinador acostumado a vencer.
Segundo: elenco forte para toda a temporada, com alguma reposição ao longo do ano, base com juniores talentosos inegociáveis durante a temporada, reforçados por jogadores experientes. E alguns líderes. A psicologia do grupo é muito importante, jogadores que não se impõem ao adversário e não fazem questão de ganhar devem ficar de fora.
Terceiro: objetivos a serem alcançados em cada competição que disputará – Campeonato Mineiro, Copa do Brasil, brasileirinho e Copa Sul-Americana (em 2009, o Atlético entregou o Mineiro e não deu importância às duas copas, demonstrando que não sabia o que queria).
Nenhum clube pode pretender ser campeão no primeiro ano do seu planejamento, mas pode dar passos rumo aos títulos, de forma a começar cada temporada melhor do que a anterior. Quem não ganha nenhum título ano após ano já tem um ano melhor quando conquista uma competição, seja qual for. Ser campeão mineiro para começar já está bom, nas outras competições o objetivo pode ser obter resultados melhores do que em 2009; ganhar um título no primeiro semestre e outro no segundo também é um bom objetivo; conquistar uma das copas é igualmente interessante; é bobagem, porém, jogar com reservas uma competição para se concentrar em outra, o elenco deve ser forte o bastante para atuar em duas competições ao mesmo tempo. Voltar a vencer os jogos dentro de casa é outro avanço importante. É preciso fazer planejamento para a temporada, mas também para dois anos, três, cinco até.
O que mais desanima o torcedor atleticano é ver os mesmos erros se repetirem ano após ano e não vislumbrar melhoras. Quando o clube contrata Celso Roth, que não ganha nada desde 2000 e no ano passado entregou o título nacional dirigindo o Grêmio, qual a mensagem que passa? Que quer decepcionar novamente. Quando Celso Roth fala que "o time" (como se ele não fizesse parte da equipe) está "dando sinais" de que vai ser campeão, o que ele passa? Que vai na onda. E quando o time perde e ele diz que os jogadores não fizeram o que foi treinado, qual a mensagem? Que ele não sabia o que estava dizendo, que não tem controle do grupo.
Estaria ótimo para o Atlético terminar em sétimo lugar, se as coisas corressem de outra forma; em 2008, o sentimento foi de vitória, porque o time terminou em ascensão. Até mesmo chegar à liderança quando os melhores times estavam voltados para outras competições e perdê-la, seria normal, desde que não se despertassem falsas esperanças na torcida. É imperdoável, porém, perder o título como o Atlético perdeu, entregando as três últimas partidas disputadas no Mineirão. Podia perder para o Palmeiras, para o Coritiba e até para o Fluminense, fora de casa, mas tinha de ganhar do Flamengo, do Inter e do Corinthians.
A derrota para o Cruzeiro já foi uma demonstração de que Roth não entende nada, que não percebeu que aquele jogo era decisivo, senão para o campeonato, mas para a psicologia do grupo. Um grupo que tem valor se impõe nos jogos difíceis. Roth, que perdeu todos os Grenais em 2008 e 2009, não sabe quanto é importante vencer o clássico estadual. É triste reconhecer, mas honesto, que o Galo começou a perder o título ali, e também ali entregou sua vaga na Libertadores.

Se...

Olhando os números do brasileirinho friamente, constatamos que o Atlético perdeu o título nas três últimas partidas que fez em casa. Se tivesse vencido Flamengo, Internacional e Corinthinas, teria 9 pontos a mais - 65; o Flamengo, teria 3 a menos - 64; o Inter também - 62. Terminaríamos com a mesma pontuação do São Paulo, mas com uma vitória a mais. De quebra, tiraríamos o Cruzeiro da Libertadores. Doi em dobro ver que o Galo não se impõe mais no Mineirão.

domingo, 6 de dezembro de 2009

19 de dezembro de 1971

Quem tem menos de 38 anos nunca viu o Atlético ser campeão brasileiro. De pé, da esquerda para a direita: Renato, Humberto Monteiro, Grapete, Vanderlei, Vantuir, Oldair e Telê. Agachados: Ronaldo, Humberto Ramos, Dario, Lola e Tião. Foi no Maracanã, a maior glória da história alvinegra: Atlético 1 x 0 Botafogo. Gol de Dario, aos 16 minutos do segundo tempo. (A escalação: Renato, Humberto Monteiro, Grapete, Vantuir e Oldair; Vanderlei e Humberto Ramos; Ronaldo, Lola (Spencer), Dario e Tião. Treinador: Telê Santana.)

Andrade e Marcelo, o Galo e o Flamengo

Ontem, na praça de alimentação de um xópim de Belo Horizonte, vi Marcelo Oliveira almoçando com a família. Um ano atrás, ele livrou o Galo do rebaixamento e o conduziu até o mesmo lugar em que terminamos 2009. Vamos disputar novamente a Sul-Americana que desprezamos este ano. Será com a mesma empáfia, o mesmo gogó?
Lembrei de Marcelo Oliveira vendo a entrevista do Andrade, campeão brasileiro na sua estreia como treinador. Poderia ter sido Marcelo.
Marcelo é o Andrade do Atlético, não apenas porque é mineiro também. Ambos pertencem à mesma geração e se enfrentaram em campo. Ambos são discretos e competentes, humildes e trabalhadores; nunca foram a maior estrela dos times em que jogaram, e que tinham, de um lado, Reinaldo, Toninho Cerezo, Luizinho, Paulo Isidoro, João Leite; do outro, Zico, Júnior, Adílio, Nunes, Raul. Hoje, são treinadores buscando reconhecimento - Andrade acaba de coquistá-lo, Marcelo não teve chance.
Comparo com tristeza e desânimo como as coisas acontecem no Galo e no Flamengo, há décadas. O Flamengo fez de Zico o que foi, transformando um menino franzino num atleta, assistindo-o com os melhores profissionais; até tratamento para crescer, Zico fez. O Atlético destruiu Reinaldo, um dos maiores craques da história, atirando-o contras as feras, aos quinze anos; em pouco tempo já tinha operado os dois joelhos, mais se tratava do que jogava.
Agora, foi a vez de Marcelo e Andrade, como treinadores. Apesar da demonstração de valor dada por Marcelo, a diretoria do Atlético o dispensou no fim do brasileirinho de 2008; foi buscar no Sul aquela maravilha de Celso Roth. O Flamengo até pensou em contratar algum figurão, mas transformou o interino Andrade em efetivo, quando ele demonstrou competência. Como recompensa, Andrade deu ao clube - e à torcida que gritou "Fica Andrade!" - o título de campeão brasileiro mais um vez.
Marcelo teria feito o mesmo para nós, talvez, se merecesse confiança igual. Com um elenco muito mais fraco, no ano passado, ele chegou no mesmo lugar que Roth. Se tivéssemos a humildade e a confiança que acompanham a competência e a honestidade, talvez estivéssemos hoje louvando Marcelo Oliveira, como os flamenguistas agora louvam Andrade.

PT MG está escolhendo novo presidente

Mais de 115 mil filiados estão escolhendo hoje, em segundo turno, o novo presidente do PT em Minas. São candidatos o deputado Reginaldo Lopes, atual presidente, e o secretário nacional de Comunicação do PT, Gleber Naime. É uma mobilização extraordinária, que passa meio despercebida. Em 22 de novembro, no primeiro turno, votaram nada menos do que 518.912 filiados do PT em todo pais, escolhendo os presidentes estaduais e nacional. Isso mesmo: o PT tem mais de meio milhão de militantes! E mais de um quinto desse contigente estão em Minas. A eleição mineira é uma prévia da disputa entre Pimentel e Patrus, candidatos a candidato a governador do partido na eleição de 2010. Pimentel apoia Reginaldo e Patrus apoia Gleber.

O nefasto jornalismo de tese que a Veja adotou e a imprensa copiou

Leio num blog uma crítica de um entrevistado a uma reportagem da Folha. Ele diz que o repórter chegou com uma ideia preconcebida, conduziu a entrevista para confirmá-la e só anotou o que ele disse que poderia ser usado em proveito do seu raciocínio.
Esse é o jornalismo de tese, popularizado pela Veja e copiado por inúmeros veículos; é usado principalmente por revistas, hebdomadários e edições de domingo. Agora mesmo o leitor belo-horizontino morador da zona sul poderá vê-la no Pampulha e nas revistas Encontro e Viver. Geralmente é a matéria de capa e contempla comportamentos. Funciona assim: a reunião de pauta aprova uma tese e o repórter sai a campo pegando elementos que a confirmem e personagens que a ilustrem, aspas, exemplos, histórias e belas fotos.
Até aí tudo bem, não deve ser descartado, porque produz matérias interessantes, QUANDO a tese é boa e a realidade a confirma. O problema é que, geralmente, a matéria não pode cair nem a tese pode ser derrubada, então, ignoram-se os casos que não confirmam a tese e, se for preciso, distorcem-se os fatos e depoimentos para confirmá-la.
Gerou-se assim um jornalismo de gabinete, no qual a rua (realidade rica e diversificada) não tem importância e o repórter nada vê, quando vê, não pode publicar, pois só importam as ideias "brilhantes" concebidas pelos editores. Inverteu a ordem de valores do jornalismo, no qual o repórter é o profissional mais importante, pois é ele que está em contato com a realidade, com a fonte, com o fato. É uma prática nefasta que a internet está ajudando a liquidar.

Canteiro de obra no passeio público


A construtora que vai erguer mais um espigão na Rua Campanha, Bairro Carmo, continua usando o passeio como canteiro de obra. A prefeitura diz que fiscaliza e não encontra nada. O material chega na sexta-feira e passa o fim de semana no passeio. Na segunda, os operários começam a guardar. Da última vez, terminaram na quarta-feira. Vamos ver dessa vez, que tem um feriado na segunda e muita gente vai emendar. A foto está aí mostrando, a fiscalização nem precisa sair da repartição pra ver...

Da série "cidade do barulho"

3 da madrugada um idiota buzina quatro vezes.
Bem-bem... bem-bem. Devia estar chamando o seu bem. Com a buzina. De madrugada. A prática ficou comum na cidade que idiotiza as pessoas. Em vez de estacionar, descer do carro e falar com o porteiro ou chamar pelo interfone, ou telefonar pelo celular, o motorista prefere usar a buzina. Vai ver até combina: "eu toco duas vezes seguidas, pra você saber que sou eu". Que toda a vizinhança que não faz parte do combinado também vai ouvir, que vai incomodar muita gente, que vai acordar outro tanto, nada disso passa pela cabeça dos idiotizados.

7h30: começa um pagodão
Uma festa (show?) que começa às 7h30 da manhã de domingo. Tem cabimento uma coisa dessas? Dá pra entender? Na hora em que todo mundo razoável está descansando, aproveitando a manhã de domingo chuvosa e fria. Como sempre que é alta, a música é da pior qualidade, tem muitos gritos, aquele batido sempre igual e até apitos. E não dá pra identificar de onde vem. Som não é como luz... Às 10h30 continuava, pelo visto vai atravessar o dia.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

A coerência e a ingenuidade de Ciro

Um atributo não se pode negar ao deputado Ciro Gomes, a originalidade. Talvez por isso seu discurso provoque tanta confusão e desconfiança. Veja-se a excelente entrevista que ele concedeu ao Fernando Rodrigues, do Uol. Ela pode se entendida de várias formas, embora, no fim das contas, seu raciocínio seja claro. Não se pode culpar o candidato por ouvirmos o que ele não disse. (A entrevista deve ser vista até o final, que tem um belo recado sobre a "grande" imprensa; uma das qualidades de Ciro é a coragem de falar contra as elites brasileiras.)
Devo dizer que votei nele em 1998 e 2002. Ciro é convincente, inteligente, culto, não deixa nenhuma pergunta sem resposta, é claro e radical nas suas posições. Seu campo de atuação é a política burguesa, mas ele se movimenta nela sem transigir, pelo menos no discurso - se é coerente na prática, é preciso investigar a fundo, e nada melhor do que uma campanha eleitoral em que ele tenha chance de ganhar para possibilitar isso.
Noto nele, porém, uma certa ingenuidade, que no momento atual aparece quando fala do governador Aécio Neves. Na entrevista citada Ciro expõe todas as qualidades que citei e uma visão original do processo eleitoral de 2010. Sua análise começa a dar sentido pela primeira vez para mim à aliança Pimentel-Aécio. Em resumo, ele "calcula" que: 1) Serra desistirá de ser candidato a presidente, pressentindo que perderá no segundo turno, e escolherá ser reeleito governador de São Paulo; 2) com a desistência de Serra, Aécio entra na disputa, forte em SP (com apoio de Serra) e em Minas, dividindo o RS, melhor no Nordeste e no Norte do que Serra, torna-se favorito na disputa, desarruma as alianças que o PT fez com os conservadores e o PMDB abandona o apoio a Dilma. Quanto a ele próprio, acredita que receberá propostas para ser "vice daqui, vice dacolá", mas se manterá candidato a presidente. Mais do que isso ele diz que não consegue vislumbrar.
Aliás, sobre seu apoio a Aécio, ele esclarece o que disse: "Aécio faz uma sucessão presidencial em que todos nos trataremos bem pessoalmente", diz ele. "É tão importante a presença do Aécio no processo que a necessidade da minha candidatura diminui."
É nesse ponto que o considero ingênuo, ao superestimar Aécio. Será que ele vê mesmo em Minas um governo progressista? Será que desconhece o histórico de controle da imprensa mineira pelo governador? Será que Aécio tem as qualidades morais que ele supõe? Será Aécio capaz de "resgatar uma certa instransigência progressista" que Ciro apregoa?
O que fica da entrevista, além das qualidades de Ciro, é a sensação de que, apesar do apoio popular que o presidente Lula tem, a eleição de Dilma não são favas contadas, e que Aécio é um adversário mais difícil de ser derrotado do que Serra. Que, embora elogie Aécio, Ciro se coloca no campo do governo, inclusive para o enfrentamento a Aécio no segundo turno. Em Minas, certamente o cenário que tem Aécio como candidato a presidente torna mais difícil a vitória do candidato do PT a governador. Dilma e Patrus são oposição a Aécio; Pimentel já avisou que não será o anti-Aécio.

http://noticias.uol.com.br/politica/2009/12/03/ult5773u3208.jhtm

6h30: helicóptero despertador


O dia do belo-horizontino agora começa asssim, com um helicóptero (da Globo?) sobrevoando nossas residências, para mostrar o fluxo do trânsito (no MG TV 1ª Edição?). Nem é preciso estar dormindo para ser perturbado, o barulho de um helicóptero parado sobre nossas casas incomoda também quem já acordou. É mais um transtorno na cidade grande. Não basta o trânsito engarrafado embaixo, temos de aguentar também a poluição sonora no céu.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

IPTU mais caro e IPVA mais barato: a lógica dos ricos

Recebo e-mail de moradores revoltados com o reajuste de até 150% no IPTU e que propõem movimento de boicote: ação judicial coletiva e depósito em juízo. O morador se preserva e a prefeitura leva um baque, porque a receita do imposto é imprecindível para as contas públicas. Eu poderia dizer que avisei, um ano atrás, quando na mesma internet as mesmas pessoas se mobilizaram contra Quintão, a favor de Lacerda; se o primeiro era um aventureiro, o eleito não era confiável. Mas nem é nisso que estou pensando. O que me impressiona é o raciocínio injusto inerente ao aumento. Moradia é moradia, não é renda, um imóvel só tem o valor avaliado pela prefeitura se o proprietário o vender. Para ser justo, o imposto deveria incidir sobre a venda, mas aí ela atingiria as construtoras e isso o prefeito não quer, porque é gente que financia campanha, os verdadeiros donos da cidade. Curiosamente, o aumento injusto do IPTU vem acompanhado da desoneração também injusta do IPVA. Deve ser para os ricos comprarem mais carros e poluírem mais, que o planeta está precisando.

Azeredo será julgado por mensalão mineiro

Quando esse Tofoli (grande decepção: na primeira votação, fugiu, na segunda, foi mais direitista que a direita) votou contra, um mês depois de pedir vistas, pensei que ia acabar em pizza mais uma vez. Surpreendentemente, quatro ministros seguiram Joaquim Barbosa e três não votaram (por quê?), entre eles a mineira Carmen Lúcia. Gilmar Mendes, como sempre, votou pela desmoralização do tribunal, mas perdeu: Azeredo vai responder pelos crimes de peculato e lavagem de dinheiro, na inauguração do mensalão mineiro. Já é um começo.

STF aceita denúncia contra senador tucano no processo do mensalão mineiro
Luciana Lima
Repórter da Agência Brasil
Brasília - Por 5 votos a 3, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu hoje (3) receber a denúncia contra o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), acusado de participar de um esquema de caixa 2 que teria funcionado em sua campanha à reeleição ao governo de Minas Gerais, em 1998. Azeredo acabou perdendo as eleições para Itamar Franco (PMDB).
Votaram a favor do recebimento da denúncia o relator, ministro Joaquim Barbosa, e os minsitros Ricardo Lewandowski, Ayres Britto, Cezar Peluso e Marco Aurélio Mello. Foram votos vencidos os ministros José Antônio Dias Toffoli, Eros Grau e o presidente do STF, Gilmar Mendes.
As acusações fazem parte do processo que trata do esquema conhecido como “mensalão mineiro”. Azeredo é acusado pela Procuradoria-Geral da República de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro.


A íntegra:
http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2009/12/03/materia.2009-12-03.8275671330/view

Operários escravizados constroem pedágio em SP

Um esquema de sucessivas subcontratações mantinha pelo menos 12 trabalhadores em regime de escravidão moderna na construção de um pedágio rodoviário para a empresa Rodovias do Tietê S/A, em São Paulo. O caso foi descoberto pela Procuradoria Regional do Trabalho da 15ª Região. Os operários trabalhavam desde agosto, mas não recebiam salários regulares e não tinham nenhuma assistência; sua moradia era suja e não tinha banheiro; sete dormiam em colchões próprios, os demais sobre papelão e cobertores; um depósito de lixo em frente exalava mau cheiro e atraía animais peçonhentos e insetos.
A Rodovias do Tietê S/A pertence à Cibe Participações Empreendimentos S/A (Cibepar), que controla várias concessionárias de rodovias no país, entre elas a Nascentes das Gerais, em Minas, além de terminais rodoviários.

A íntegra da reportagem de Bianca Pyl, do Repórter Brasil, está em
http://www.reporterbrasil.org.br/exibe.php?id=1677

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

3 de dezembro: Dia Mundial de Não Uso de Agrotóxicos

3 de dezembro é o Dia Mundial de Não Uso de Agrotóxicos, comemorado em memória das 35 mil vítimas da catástrofe de Bhopal, Índia, ocorrida em 1984, quando uma nuvem de gás escapou de uma fábrica norte-americana de pesticidas.

Leia matéria da Adital:
http://www.adital.com.br/site/noticia2.asp?lang=PT&cod=25699

Por que quero Patrus governador

A candidatura do ministro Patrus Ananias para governador de Minas será um acontecimento histórico e, caso seja eleito, um divisor de águas na história mineira. Depende apenas do PT escolhê-lo como candidato. Por incrível que pareça, isso não é certo, embora a necessidade de segundo turno na eleição para presidente do PT MG, no próximo domingo, 6, seja motivo de otimismo. Disputam o atual presidente, deputado federal Reginaldo Lopes, que apoia a candidatura de Pimentel para governador, e o secretário de comunicação do PT nacional, Gleber Naime, que apoia Patrus. No primeiro turno, Reginaldo teve 47% dos votos e Gleber, 38%. Os demais candidatos (Padre João, Gilmar Machado e Oleg Abramov) apoiam Gleber. A campanha de 2010 tem tudo para empolgar os mineiros: "Dilma presidente! Patrus governador!"

O texto abaixo, do blog do ex-ministro Nilmário Miranda, fala da importância de se escolher Patrus.

****

O PT tem dois bons nomes para disputar e ganhar o governo de Minas. Cabe avaliar qual deles reúne as melhores condições, quem tem o melhor perfil, qual deles encarna o melhor projeto democrático popular, quem une mais o PT, quem amplia mais as alianças, quem mobiliza e realiza a mais ampla aliança social.

Patrus foi responsável pela montagem e execução de uma formidável rede de proteção social no país e do maior programa de inclusão social da história do Brasil – o Bolsa Família. Além do BF, o BPC, o PETI, o PAA, o Projovem Adolescente, CRAS, CREAS e da rede restaurantes populares. Só para Minas Gerais o Ministério de Desenvolvimento Social repassa 3 bilhões por ano para 853 municípios, o que sustentou as políticas sociais no estado, onde se investe pouco no social.

A questão social vem de longe na história de Patrus: vem da sua formação filosófica, política e religiosa.

Foi na sua gestão como prefeito de BH (1992-1996) que foi criada a 1ª Coordenadoria de Direitos Humanos do país (Helena Greco); a 1ª Secretaria de Abastecimento (Regina Nabuco; antecipação do programa Fome Zero); o Restaurante Popular; o Orçamento Participativo; os Conselhos de participação e controle populares; as políticas ambientais, de patrimônio, culturais e de igualdade racial; e políticas inclusivas inovadoras.

Patrus estimula o engajamento e a militância cidadã, para além do marketing, dos conchavos, dos "militantes de aluguel".

Patrus pode retomar as alianças com o PCdoB, PRB de José Alencar e com o PMDB, rompidas em 2008 com o confuso processo das eleições de BH que dividiu o PT.

Patrus viabiliza uma ampla aliança social que incluiu as igrejas e suas pastorais; as universidades; os operadores do direito e do serviço social; a vasta rede de gestores e agentes sociais, conselheiros, ONG’s, movimento sindical, os movimentos sociais, intelectuais e o povo da cultura.

Conhece bem Minas Gerais, tem prestigio nacional e internacional.

(...)

Patrus tem melhores condições de dialogar com o PMDB e com Hélio Costa; são colegas de ministério e apoiadores de Dilma Rousseff para um entendimento, sem posições e arrogância.

Votarei no Gleber dia 6 de dezembro. O apoio de Padre João e de Gilmar Machado já inicia a reunificação do PT em torno de um grande e generoso projeto para Minas Gerais. Para o projeto nacional estamos unidos.

Na base, os apoiadores de Patrus e Pimentel querem a unidade, sentem que é o nosso momento. Não temos o direito de falhar.

http://www.blogdonilmario.com.br/conteudo.php?LISTA=detalhe&ID=115

Câmara Municipal de Belo Horizonte vota retrocesso na cidadania

(Do blog do Nilmário:)

A Câmara Municipal aprovou em 1º turno projeto que retira o caráter deliberativo de conselhos e colegiados em BH. Mais precisamente, as decisões dos conselhos teriam que ser ratificadas pela Câmara. Isto é um retrocesso escandaloso. Imagine as questões ambientais e de patrimônio, por exemplo, os conselhos têm que tomar decisões com base em critério de interesse público e bens comuns que ferem interesse de financiadores de campanha. Ou que vão de encontro aos seus comuns. Nossa constituição foi sábia ao permitir a participação da cidadania; é o caminho natural da democracia.

A bancada do PT votou contra. O líder do Prefeito, Paulo Lamac, disse que o prefeito não concorda.

Minha amiga Maria Lúcia Scarpelli (PCdoB), os vereadores do PV (Leonardo Matos e Alberto Rodrigues) deveriam repensar seus votos. A história do PCdoB confunde-se com a participação popular.

Bastam 12 vereadores para impedir o retrocesso.

Se este projeto que está na contramão do aperfeiçoamento democrático passar, pela lógica, o próximo passo é investir contra o orçamento participativo.

É a hora da sociedade civil, das ONGs, dos movimentos sociais e populares reagirem.

http://www.blogdonilmario.com.br/conteudo.php?LISTA=detalhe&ID=109