segunda-feira, 31 de março de 2014

A ditadura desavergonhada, velada, livre e vitoriosa

Trechos do artigo escrito para a edição especial de O Cometa Itabirano sobre os 50 anos do golpe de 1964.

O fato mais importante da ditadura que governou o Brasil de abril de 1964 a março de 1985 foi sua eficácia. Direi adiante porque a ditadura foi eficaz. Antes, porém, quero citar os erros que não podem mais ser cometidos. O primeiro deles é que a ditadura foi ditadura, sem adjetivo. A participação civil no golpe e na ditadura foi sempre evidente e fundamental.

Não falo da marcha da família que mobilizou a classe média, mas dos empresários, veículos de comunicação, políticos e tecnocratas que financiaram o golpe, participaram do golpe, incentivaram o golpe, pediram o golpe. 

Falo dos veículos de comunicação, dos políticos, dos tecnocratas e dos empresários que financiaram, apoiaram e participaram da perseguição aos opositores do regime. 

Falo dos tecnocratas, dos empresários, políticos e veículos de comunicação que se beneficiaram da ditadura e participaram dos governos dos presidentes militares. 

Falo dos políticos, empresários, veículos de comunicação e tecnocratas que sobreviveram à ditadura e continuam participando da vida econômica, social e política brasileira, gozando de poder e sem jamais terem sido punidos pelos crimes que cometeram – crimes contra indivíduos, de abuso de poder, tortura, sequelas, morte, mutilação e sumiço de corpos, e crimes contra a sociedade, de ruptura da ordem democrática, implantação de um regime de terror e desrespeito aos direitos constitucionais.

As Forças Armadas brasileiras, especialmente o Exército, participaram da política nacional manipuladas por civis que defendiam seus interesses. Isso começou com a proclamação da República, quando o marechal Deodoro, um monarquista, mas figura símbolo do Exértico, foi guindado à condição de líder do golpe que derrubou D. Pedro II.

Por terem liderado sua proclamação, os militares brasileiros permaneceram durante praticamente um século como uma espécie de "defensores da República", manifestando-se em sucessivos golpes e tentativas de golpe, até, finalmente, tomarem o poder e o conservarem durante 21 anos, dispensando intermediários – isto é, "civis" –, como de outras vezes, e elegendo entre eles mesmos os presidentes da ditadura.

Destes fatos se depreende também uma das características mais importantes do período histórico atual, iniciado no governo de Tancredo-Sarney: pela primeira vez na história republicana, depois de quase um século (1889-1985), os militares estão distantes da política, quietos nos quartéis, limitando-se às suas funções constitucionais e à defesa de interesses corporativos, sem apoiarem iniciativas golpistas. 

É um fato auspicioso, que precisa ser reconhecido, pois representa uma democratização efetiva do país, com perspectiva duradoura, pois os golpistas brasileiros nunca foram capazes de tomar o poder sem apoio das Forças Armadas, em especial do Exército. 

Este acontecimento histórico, a se confiar na tetralogia do jornalista Elio Gaspari sobre a ditadura, se deve ao general Golbery do Couto e Silva, eminência do governo Geisel, que, percebendo a embrulhada em que tinha se metido a corporação – com quebra de hierarquia e descontrole do chamado "setor de informações" – e armou uma trama para que o Exército recuasse organizadamente e deixasse o campo de batalha sem ser derrotado, devolvendo o poder aos "civis" e preservando a instituição.

Ao se retirar da "guerra interna", o Exército brasileiro foi, digamos assim, destruindo pontes para impedir que o inimigo o alcançasse. As principais "pontes" foram a eliminação do PTB, a anistia e a derrota da emenda das eleições diretas.

A ditadura aceitou um Tancredo e ganhou de presente um Sarney, homem do regime desde o primeiro momento. Recuou sem grandes perdas nos seus efetivos e garantindo que o "inimigo" não voltasse a ocupar as posições que tinha antes do golpe.

Era um inimigo enfraquecido. Uma vez no poder, a ditadura caçou e destruiu seu primeiro inimigo: Jango, o PTB, os getulistas, os sindicatos, os sindicalistas, os comunistas, o PCB – os trabalhadores. Foi o primeiro golpe.

O segundo golpe veio em 1968, com a decretação do AI-5. Não foi mais contra os trabalhadores, que já estavam desarticulados e enfraquecidos; em dezembro de 1968 o golpe foi contra as classes médias, lideradas pelos estudantes, que, a partir do primeiro golpe, perceberam, uns imediatamente, outros mais lentamente, que tinham sido enganados. 

Os cinco anos percorridos pelo Brasil entre o primeiro e o segundo golpe formam um período de mobilização crescente das classes médias, um despertar radiante e combativo dos intelectuais, jornalistas, dos artistas, dos universitários. São estes – ou os melhores destes, os mais combativos, os mais idealistas – os brutalmente aniquilados a partir do AI-5, quando optam por se armar, como o inimigo, e lutar uma luta desigual na qual não têm nenhuma chance.

De quebra, a ditadura legou ao país duas instituições símbolos do autoritarismo e que continuam cumprindo suas funções antidemocráticas ainda hoje – uma manipulando a opinião pública, outra reprimindo os trabalhadores: a Globo e a Polícia Militar.

Despreparada para as funções que lhe são atribuídas, a PM cumpre hoje, na "democracia", o papel que na ditadura foi principalmente do Exército: perseguir e eliminar permanentemente os movimentos populares, os "comunistas", os pobres, os trabalhadores.

À Globo, líder dos veículos de comunicação protofascistas, que prosperou durante a ditadura e atuou como seu porta-voz, cabe deformar as informações e influenciar a população, com sua infinidade de canais de televisão e rádio, jornais, revistas etc.

domingo, 30 de março de 2014

O que move o Move

Leio no ótimo Blog do Planalto (ótimo porque Lula começou e Dilma continuou a comunicação direta com os brasileiros, e é isso que todas as instituições e organizações devem fazer, agora que, graças à internet, não dependem mais das grandes empresas jornalísticas para isso) que o governo federal dará dinheiro para construção de corredores exclusivos de ônibus em Salvador.
Bem, isso está sendo feito em Belo Horizonte, com o BRT, e tenho dúvidas da sua eficiência. Não tenho dúvidas no entanto dos interesses envolvidos, que estão longe de ser a solução do transporte coletivo. A solução do transporte por ônibus nas grandes cidades não passa por obras que consomem "R$ 1,3 bilhão", como no caso baiano.

Aproveito para me informar sobre o BRT belo-horizontino, que ainda não usei e do qual tenho só duas referências:
1) que começou pela destruição do que tinha acabado de ficar pronto, obra da gestão municipal anterior, nas Avenidas Antônio Carlos e Cristiano Machado, numa evidente demonstração de desperdício de dinheiro público;
2) que as obras foram demoradas, mal feitas e levaram o caos àquelas avenidas e outros locais da cidade (até a "grande" imprensa, em geral desatenta aos problemas populares, percebeu isso).
Além disso, li que, no primeiro dia de funcionamento, o BRT, que a prefeitura renomeou de Move, funcionou improvisado, desviando do seu trajeto, porque ainda havia máquinas nas pistas.

Leio que há dois tipos de veículos, um simples, e outro articulado; este estaria sendo chamado de Gonzagão, porque o fole lembra uma sanfona, e o primeiro, de Gonzaguinha.
A "solução" para o transporte coletivo belo-horizontino foi importada de Curitiba, onde já está saturado, e os apelidos foram importados do Rio de Janeiro.
O ônibus menor tem a mesma tarifa dos tradicionais ônibus circulares (R$1,90) e o maior, a tarifa dos ônibus bairro a bairro (R$2,65).
Mesmo preço com ganho de tempo parece bom, mas o fato é que o novo sistema custa muito menos e a tarifa poderia ser 27% menor, mas esta redução não vai acontecer.
O ganho de tempo é considerável -- nem poderia ser diferente, já que o objetivo de tantos gastos e tantas obras é este. Mas há "gargalos" e parece que este ganho não acontece nos ônibus menores.
Houve superlotação no primeiro dia e vários veículos não funcionaram. Um dos problemas foi nos equipamentos para atendimento a cadeirantes.
Houve também vários outros problemas, inclusive desinformação.
Um ônibus articulado custa R$ 840 mil e o menor, R$ 350 mil, enquanto o convencional custa R$ 260 mil. A prefeitura já comprou 40 veículos e comprará ao todo 428, sendo 200 articulados.
Além dos 200 ônibus articulados municipais, serão comprados mais 200 intermunicipais.
As obras do BRT belo-horizontino foram orçadas em R$ 5,5 bilhões.
As obras mataram pelo menos um operário, atropelado; outro ficou ferido gravemente.

É espantoso, quase inacreditável, que veículos comprados ao preço R$ 840 mil cheguem com defeitos e não tenham sido testados antes de entrar em uso. No entanto, nenhum tipo de incompetência pode ainda surpreender na administração do prefeito Lacerda.
O fato mais curioso é que todas essas obras não vêm da preocupação com a qualidade do transporte para os moradores das cidades brasileiras (nunca é demais lembrar que 85% dos brasileiros hoje vivem em cidades). Autoridades e principalmente a "grande" imprensa estão preocupadas é com o transporte durante a Copa.
Aliás, a imprensa belo-horizontina já se desviou para um tema mais sensacional no transporte coletivo: os "encoxadores".

Custo estimado de R$ 5,5 bilhões, sendo R$ 850 milhões na primeira fase.
R$ 336 milhões só em ônibus articulados.
O entendimento do BRT-Move-Gonzagão se dá na comparação entre os gastos e os ganhos. Estes são pequenos e incertos, já aqueles são impressionantes.
Isto porque os gastos, de fato, são ganhos -- não dos usuários, mas das empreiteiras, das empresas de ônibus e de outras empresas envolvidas no negócio, além dos políticos que usam as obras como propaganda.
O objetivo do projeto não é a melhoria do transporte, mas dar muitos lucros para algumas empresas.
São essas empresas que financiam as campanhas dos políticos.
A conferência das listas de financiadores de campanha já mostrou isso muitas vezes.
Financiam campanhas e ganham obras e concorrências.
É assim que funciona o sistema, que não está interessado em resolver problemas.
Também não está interessado em olhar a origem dos problemas.
O trânsito está todo parado porque a opção dos governos desde os anos 1950 é pelo transporte individual.
É a indústria automobilística que "move" a economia brasileira.
Como incentivar a compra de carros, como fazem os governos e as propagandas, e ao mesmo tempo restringir sua circulação, como exige o trânsito?
As cidades brasileiras foram inchadas propositalmente pelos governos desde JK, no processo de urbanização mais rápido do planeta.
Qualquer indivíduo razoável, sem precisar ser autoridade nem técnico, vê que para multiplicar a população das cidades era preciso expandir nas mesmas proporções -- antes ou ao mesmo tempo -- as moradias, os abastecimentos de água e luz, o saneamento, os serviços de saúde e educação, os transportes. Nada disso no entanto foi feito.

Quando as autoridades e empresários (no caso belo-horizontino, os dois se confundem, já que o prefeito é um empresário milionário) prometem tudo isso, sempre atrasados, nunca se antecipando aos problemas, nunca planejando (qual é a pretensão do BRT? Ele é definitivo? Durante quanto tempo resolverá o problema do transporte em BH? Ninguém sabe, porque não foi dito e a prefeitura provavelmente não faz ideia), não estão de fato resolvendo nada, e sim ganhando dinheiro.
Dinheiro do Estado, que vem dos impostos que pagamos, sendo usado para pagar grandes empresas e empreiteiras.
Por isso, soluções baratas não interessam aos empresários, para os quais governam as autoridades.
É preciso gastar muito, fazer muitas obras, muita confusão na cidade para "mostrar serviço".
É preciso aumentar os problemas até o limite do insuportável, para que qualquer ganho seja sentido depois e possa ser exaltado.

Corredor de ônibus é uma solução simples e barata, não exige grandes obras, nem novos ônibus.
Basta criar faixas exclusivas para ônibus em todas as avenidas importantes da cidade.
E reduzir seu uso a uma única linha, com ônibus passando de cinco em cinco minutos ou menos, em vez de jogar nas avenidas centenas de linhas diferentes, que formam o cipoal existente hoje.
Nos bairros, devem circular ônibus menores, com linhas interligadas aos corredores.
Um modelo simples assim, com o tempo, pode ser aperfeiçoado, racionalmente, sem necessidade de grandes gastos e obras e tumultos. Mas ele traria prejuízos para as empresas de ônibus atuais, pois eliminaria muitas linhas inúteis, e também não daria lucro para as empreiteiras e políticos.

A prefeitura fez essa confusão toda para o BRT sem se preocupar antes sequer em melhorar o Circular Contorno, uma linha que liga todo o centro da cidade e que, com corredor exclusivo, seria um ganho e tanto no transporte coletivo. No entanto, seus ônibus passam de vinte em vinte minutos, estacionam distante do passeio e ficam engarrafados entre os carros!
Se as autoridades são negligentes e incompetentes para resolver problemas simples e baratos, é possível acreditar que ações complicadas e caras como o BRT venham a resolver o grande problema do transporte em Belo Horizonte?

segunda-feira, 24 de março de 2014

O legado da ditadura

O noticiário sobre a ditadura começa a ficar mais sério e aprofundado, graças à internet. "Grande" imprensa e reacionários continuam criando factoides e fazendo sensacionalismo.

Da BBC Brasil em Brasília
29 anos após democratização, leis da ditadura seguem em vigor 
João Fellet 

Quase três décadas após o fim da ditadura (1964-1985), o Brasil continua regido por uma série de leis, práticas e códigos criados pelos militares.
São daquela época, por exemplo, as atuais estruturas tributária, administrativa e financeira do país. E mesmo após a Constituição de 1988 definir como pilares do Estado brasileiro a democracia e o respeito aos direitos humanos, seguem em vigor normas e práticas que, segundo especialistas, contrariam esses valores.
É o caso, dizem eles, do Estatuto do Estrangeiro, que nega direitos políticos a estrangeiros que residam no país. Ou de um mecanismo que permite a tribunais anular decisões judiciais favoráveis a comunidades afetadas por grandes obras se as cortes avaliarem que as medidas põem em risco a economia nacional.
Gilberto Bercovici, professor de direito econômico e economia política da Universidade de São Paulo (USP), diz que, em busca de refundar o país e valendo-se de medidas autoritárias, os militares redefiniram as regras de várias das principais áreas da administração pública.
As ações, segundo ele, anularam os esforços da Presidência de João Goulart (1961-1964) para ampliar a participação popular na gestão do país.
"Até hoje isso (maior participação popular) não foi recuperado. Parece que temos na nossa democracia certos limites que não podem ser ultrapassados", diz.
A íntegra.

Tim Berners-Lee pede aprovação do Marco Civil da Internet

Ele criou a web há 25 anos para ser um meio de comunicação livre e democrático para toda a humanidade, sem donos e além das pátrias.

Do Jornal GGN.  
Criador da WWW divulga nota em favor do Marco Civil brasileiro
Conhecido como criador da World Wide Web (www), Tim Berners-Lee divulgou, nesta segunda-feira (24), uma nota em que defende a aprovação, "sem mais demora ou alteração", da proposta do Marco Civil brasileiro da Internet. Para ele, a aprovação seria um "o melhor presente de aniversário possível" para os internautas brasileiros. O texto foi publicado no saite World Wide Web Foudation.
Lee afirma, ainda, que o texto do Marco Civil foi construído pelos próprios usuários, em um "processo inovador, inclusivo e participativo". O criador da web defende que a aprovação do marco vai representar "progresso social" e "ajudará a inaugurar uma nova era". Ele cita o Brasil como "líder mundial em democracia".
A íntegra.

sábado, 22 de março de 2014

Nasa prevê fim da civilização em algumas décadas

A notícia não foi muito publicada aqui, mas também pode ser lida no O Globo e no Diário do Centro do Mundo, que conta que por causa do estudo a agência espacial americana está sendo chamada de comunista!
No entanto, diz o que qualquer um percebe e este jornalaico, sem dispor de informações privilegiadas nem quadros formados nas melhores escolas e muito bem pagos, repete há algum tempo: o crescimento econômico contínuo movido pelo lucro extingue espécies, polui o ar, contamina a terra, seca os rios e destrói o planeta, que é a nossa casa e nossa origem.
Consequentemente, levará ao colapso da atual civilização, caso um novo modelo não seja estabelecido, o que não está nos planos dos poderosos do mundo.

Do Notícias ao Minuto.
Estudo Nasa prevê o fim da atual civilização 
Estudo financiado pela Nasa e divulgado esta semana pelo jornal britânico The Guardian assegura que a atual civilização industrial está condenada a desaparecer nas próximas décadas. Isto porque existe uma exploração não sustentável dos recursos energéticos, mas também porque há uma grande desigualdade na distribuição da riqueza.
O grupo de investigadores liderados pelo matemático Safa Motesharri estudou os fatores que levaram ao declínio das antigas civilizações e concluíram que o "processo de progresso e declínio das civilizações é, na verdade, um ciclo recorrente ao longo da história", cita o The Guardian.
Os investigadores estudaram a dinâmica homem-natureza das várias civilizações que desapareceram ao longo dos séculos e identificaram os fatores (população, clima, água, agricultura e energia) que melhor explicam o declínio civilizacional e que podem ajudar a determinar o risco do fim da atual civilização.
A íntegra.

R$ 30 milhões em balas de borracha para atirar no povo durante a Copa

Faz parte da decadência do futebol brasileiro. E é o pior do governo do PT, que se aliou à Fifa, à CBF e à Globo.

Do Blog do Rodrigo Mattos no Uol.  
Para Copa, governo compra 2.691 armas de balas de borracha. Gasto: R$ 30 mi
O governo federal comprou um total de 2.691 kits com armas de balas de borracha e munição para distribuir a policiais para combater protestos na Copa-2014. O investimento total é de R$ 30 milhões, e representa apenas uma parte do gasto com armas não-letais. Impedir que manifestações afetem o Mundial e seus torcedores é uma das prioridades da União na segurança do evento.
Desde o início do protestos da Copa das Confederações, a União começou a adquirir armamento não-letal, realizando três compras com a empresa Condor Tecnologias não-letais, com sede no Rio de Janeiro. A primeira leva de equipamentos foi fornecida sem licitação por conta da urgência da competição do ano passado. As outras duas licitações foram vencidas pela mesma empresa, que vende para o exterior.
A íntegra.

OUTRAS NOTÍCIAS:
Galo: ingresso de espetáculo e futebol de várzea
Mineradora destrói em Minas impunemente
Coronel revela o que a ditadura fazia com mortos sob tortura
Meritocracia, classe média e fascismo
Teles ameaçam liberdade na internet  
Celton, super-herói dos belo-horizontinos
Dodora, Dilma e a tortura
Agronegócio é exemplo?
Em Varginha, Lula é aclamado por estudantes e operários
Pimentel X Pimenta

Galo: ingresso de espetáculo e futebol de várzea

Preço médio do ingresso no jogo Atlético 1 x 1 Nacional do Paraguai, no Independência: R$ 57,73.
O ingresso mais barato custou R$ 50, mas tinha até de R$ 500.
Pagar R$ 500 para ver aquele futebolzinho é diversão de rico que joga dinheiro fora.
Mesmo R$ 50.
O time saiu de campo vaiado.
Era para vaiar no Mineirão, pagando R$ 5 na geral, quanto mais pagando preço de espetáculo. 
Mesmo assim, a renda ultrapassou R$ 1 milhão (R$ 1.011.025).
Público: 17.513 pagantes.
(Para comparação: o preço médio do ingresso no jogo do Cruzeiro contra o Defensor do Uruguai, no dia seguinte foi R$ 32; o público foi de 20 mil torcedores a mais -- mesmo assim o Mineirão privatizado ficou relativamente vazio. O futebol está morrendo e o preço dos ingressos está ajudando a matá-lo. Os números são do Superesportes.)
O estadinho do Horto não ficou lotado.
A "mística" do Horto passou.
E assim o Atlético, depois de conquistar o maior título da sua história, e tendo no elenco um jogador que já foi o melhor do mundo, conhecido mundialmente e reverenciado em toda parte, mas que não converte nem pênalti mais, vai se tornando um clubinho de 10 mil torcedores.
Ricos.
É o que Kalil quer.
E joga num campinho, onde o tiro de meta já vai parar nas mãos do goleiro adversário.
Campo próprio para chutões.
Chutões e futebolzinho. 
Campo de várzea. Só que nele jogam atletas que correm muito mais, profissionais, treinam diariamente, que só fazem isso (e propaganda) na vida, que ganham centenas de milhares de reais por mês.
Campinho.
Tardelli diz que "falta a torcida jogar junto com o time".
Pausa para rir, como diz o Paulo Nogueira, do DCM.
Falta é a torcida, que paga uma fortuna pra entrar no estádio, descer ao campo e jogar pelo time.
Ora, preço de ingresso europeu pressupõe futebol de time europeu, com jogadores de time grande.
Torcida empurra timinho, jogadorzinho.
Time grande, jogador bom de bola "empurram" a torcida. 
Que paga caro -- os ricos pagam, os pobres não podem ir, veem pela tevê -- para ver jogadores que ganham como craques e jogam como pernas de pau.

Mineradora destroi em Minas impunemente

E aí, Anastasia? E aí, Aécio?
Na propaganda, dizem que defendem os interesses de Minas Gerais quando cobram royalties da mineração. Os interesses de Minas não incluem o meio ambiente?
Só assim a notícia aparece na "grande" imprensa, para culpar o governo federal. No entanto, revela é a destruição de Minas pela mineração. Quem está atento sabe que a destruição ambiental é feita com a cumplicidade do governo estadual. Basta ver o mineroduto do Eike Batista e a Serra do Gandarela.
A questão não é compensar em outro lugar, é não destruir o ambiente em lugar nenhum. Que diferença faz para Congonhas e sua população se a compensação é feita na Serra do Cipó, como queria o governo estadual, ou no Nordeste, como determinou o ICMbio?
Minas Gerais, que tem a mineração no nome, tem que dar exemplo mundial de uma nova política econômica -- vital para o futuro da humanidade -- que põe o ambiente acima dos interesses das mineradoras.
O que é a mineração, afinal, para o país e principalmente para a região em que ocorre? Destruição ambiental e exportação barata de riquezas, com a qual lucram o país importador, a mineradora e a "balança de pagamentos". E alguns poucos empregos. Mais nada que isso.
Os prejuízos são muitas vezes maiores do que os benefícios: espécies extintas, matas derrubadas, rios assoreados, nascentes secas, poluição do ar, comunidades que têm de se mudar, estradas lotadas de caminhões que destroem o asfalto e ainda põem em risco outros veículos, a vida local completamente alterada.
O custo ambiental e social da mineração não é levado em conta, por isso minério é barato.
Minério precisa ser caro, porque sua retirada precisa incluir a compensação efetiva dos prejuízos ambientais, que é caríssima.
Aí a gente ia ver se as mineradoras -- como a Vale, hoje uma multinacional privada, sem compromisso com o Brasil -- iam se interessar pela destruição "em nome do progresso".

Do jornal O Tempo.
Mineradora destrói em Minas e 'compensa' no Nordeste 
Pedro Grossi

Apesar atuar em Congonhas, no quadrilátero ferrífero, a mineradora Ferrous está cumprindo uma de suas condicionantes ambientais em Mossoró, no Rio Grande do Norte – a mais de 2.200 km de distância. A empresa assinou, em fevereiro, um Termo de Compromisso Ambiental (TCA) com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio), órgão ligado ao Ministério do Meio Ambiente, para compensar, no Parque Nacional da Furna Feia, na região Nordeste, impactos ambientais que vão acontecer na mina de Viga, em Congonhas, região onde a empresa extrai minério de ferro. 
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Semad-MG) informou que o acordo foi feito em âmbito federal, sobre o qual não possui atuação. Em nota, a Ferrous comentou o assunto: "Para que a compensação fosse realizada no Estado, a companhia sugeriu a regularização fundiária do Parque Nacional da Serra do Cipó, em Minas Gerais. No entanto, o ICMBio, seguindo sua lista de prioridades, optou pela regularização fundiária do Parque Nacional da Furna Feia, em Mossoró (RN), que possui grande relevância em relação ao número de cavidades".
A íntegra.

OUTRAS NOTÍCIAS:
Coronel revela o que a ditadura fazia com mortos sob tortura
Meritocracia, classe média e fascismo
Senador Requião reapresenta reformas de Jango
Teles ameaçam liberdade na internet 
Celton, super-herói dos belo-horizontinos
Dodora, Dilma e a tortura
A renúncia do tucano Azeredo
Agronegócio é exemplo?
Em Varginha, Lula é aclamado por estudantes e operários
Pimentel X Pimenta

sexta-feira, 21 de março de 2014

quinta-feira, 20 de março de 2014

Internet X teles: aprovação do Marco Civil depende de apoio popular

O futuro da internet no Brasil está em jogo. PMDB uniu-se às teles e à oposição. PT está sozinho na defesa da liberdade de expressão. Está aí uma boa hora do PSDB demonstrar que ainda tem traços progressistas, que não virou um partido dos neofascistas.

Da Adital.
Marco Civil da Internet: relator do projeto pede apoio da população 
Num contexto de forte embate com as empresas provedoras de conexão no Brasil, o relator o Marco Civil da Internet, deputado federal Alessandro Molon (PT-RJ), pede apoio da população brasileira para a aprovação do Projeto de Lei que, atualmente, tramita na Câmara dos Deputados. Segundo ele, em entrevista ao jornalista Eugênio Viola, o projeto garante a proteção da privacidade do usuário juntamente com sua liberdade de expressão.
"O Marco Civil é uma espécie de Constituição da Internet, de guarda-chuva debaixo do qual virão depois outros projetos de lei para tratar de áreas específicas. Ele quer estabelecer princípios, garantias, direitos e deveres do uso da Internet no Brasil”, explica o deputado. Segundo ele, o projeto não trata de crime na Internet, ou seja, não tipifica condutas nem estabelece penalidades para determinados comportamentos. A maior contribuição seria no estabelecimento de garantias ao usuário.
A íntegra.

OUTRAS NOTÍCIAS.
Meritocracia, classe média e fascismo
Senador Requião reapresenta reformas de Jango
Teles ameaçam liberdade na internet 
Celton, super-herói dos belo-horizontinos
Dodora, Dilma e a tortura
A renúncia do tucano Azeredo
Agronegócio é exemplo?
Em Varginha, Lula é aclamado por estudantes e operários
Pimentel X Pimenta

A herança da mendiga profissional

Da BBC Brasil.
Mendiga saudita deixa 'herança' milionária

Após a morte de uma mulher que passou décadas mendigando nas ruas de Jeddah, na Arábia Saudita, as autoridades tiveram uma surpresa. Eles descobriram que Eisha, como era conhecida, tinha uma fortuna secreta em moedas de ouro, joias e imóveis.
Segundo o jornal local Gazeta Saudita, ela acumulou uma fortuna equivalente a US$ 800 mil (R$ 1,8 milhão), incluindo quatro prédios na cidade.
A notícia chocou a grande maioria dos moradores que vivem nos bairros em que Eisha, que tinha 100 anos, costumava mendigar, exceto por Ahmed Al-Saeedi, um amigo de infância da mulher que a ajudava a cuidar de seus bens.
Segundo ele, boa parte da riqueza da amiga foi acumulada quando ela mendigava ao lado da mãe e da irmã – ambas já mortas. "As pessoas se solidarizavam com elas. E elas acabavam recebendo muitas doações, especialmente durante o Eid (feriado religioso muçulmano)", disse.
A íntegra.

OUTRAS NOTÍCIAS:
Meritocracia, classe média e fascismo
Senador Requião reapresenta reformas de Jango
Teles ameaçam liberdade na internet 
Celton, super-herói dos belo-horizontinos
Dodora, Dilma e a tortura
A renúncia do tucano Azeredo
Agronegócio é exemplo?
Em Varginha, Lula é aclamado por estudantes e operários
Pimentel X Pimenta

Meritocracia, classe média e fascismo

Interessantíssima reflexão.

Do GGN.
Desvendando a espuma: o enigma da classe média brasileira 
Renato Santos de Souza

A primeira vez que ouvi a Marilena Chauí bradar contra a classe média, chamá-la de fascista, violenta e ignorante, tive a reação que provavelmente a maioria teve: fiquei perplexo e tendi a rejeitar a tese quase impulsivamente. Afinal, além de pertencer a ela, aprendi a saudar a classe média. Não dá para pensar em um país menos desigual sem uma classe média forte: igualdade na miséria seria retrocesso, na riqueza seria impossível.
Então, o engrossamento da classe média tem sido visto como sinal de desenvolvimento do país, de redução das desigualdades, de equilíbrio da pirâmide social, ou mais, de uma positiva mobilidade social, em que muitos têm ascendido na vida a partir da base.
A classe média seria como que um ponto de convergência conveniente para uma sociedade mais igualitária. Para a esquerda, sobretudo, ela indicaria uma espécie de relação capital-trabalho com menos exploração.
(...) Tenho certeza de que todos nós educamos nossos filhos e tentamos agir no dia a dia com base na valorização do mérito. Nós valorizamos o esforço e a responsabilidade, educamos nossas crianças para serem independentes, para fazerem por merecer suas conquistas, motivamo-as para o estudo, para terem uma carreira honrosa e digna, para buscarem por méritos próprios o seu lugar na sociedade.
Então, o que há de errado com a meritocracia, como pode ela tornar alguém reacionário?
Bem, como o mérito está fundado em valências individuais, ele serve para apreciações individuais e não sociais. A menos que se pense, é claro, que uma sociedade seja apenas um agregado de pessoas. Então, uma coisa é a valorização do mérito como princípio educativo e formativo individual, e como juízo de conduta pessoal, outra bem diferente é tê-lo como plano de governo, como fundamento ético de uma organização social. Neste plano é que se situa a meritocracia, como um fundamento de organização coletiva, e aí é que ela se torna reacionária e perversa.
Vou gastar as últimas linhas deste texto para oferecer algumas razões para isto, para mostrar por que a meritocracia é um fundamento perverso de organização social.
a) A meritocracia propõe construir uma ordem social baseada nas diferenças de predicados pessoais (habilidade, conhecimento, competência etc.) e não em valores sociais universais (direito à vida, justiça, liberdade, solidariedade etc.). Então, uma sociedade meritocrática pode atentar contra estes valores, ou pode obstruir o acesso de muitos a direitos fundamentais.
A íntegra.

OUTRAS NOTÍCIAS:
Senador Requião reapresenta reformas de Jango
Teles ameaçam liberdade na internet
Dodora, Dilma e a tortura
Celton, super-herói dos belo-horizontinos
 A renúncia do tucano Azeredo
Agronegócio é exemplo?
Em Varginha, Lula é aclamado por estudantes e operários
Comissão de Direitos Humanos impedida de visitar preso
Pimentel X Pimenta

quarta-feira, 19 de março de 2014

Senador Requião reapresenta projetos de reformas que Jango propôs há 50 anos

Esse Roberto Requião é um senador raro. Quem mais no Senado tem a sua coragem? "Já que tá todo mundo elogiando o Jango, vamos fazer o que ele queria fazer", é o que ele está dizendo aos seus "colegas". Acontece que os reacionários de hoje (PSDB, DEM, o próprio PMDB etc.) são os mesmos reacionários de ontem (UDN, PSD etc.) e representam os mesmos interesses (grandes empresas e latifundiários); ontem atacaram Jango, hoje atacam Lula e Dilma; cinquenta anos depois homenageiam um presidente morto, porque não vai fazer diferença hoje, mas em relação ao que faria diferença eles continuam contra.

Do blog do senador.
Requião reapresenta propostas de reformas de João Goulart
O senador Roberto Requião reapresentou na sessão plenário do Senado, nesta quinta-feira (13/3/14), duas das Reformas de Base propostas pelo presidente há 50 anos, no Comício da Central do Brasil, no Rio de Janeiro. "Por unanimidade, o Congresso restituiu simbolicamente o mandato do presidente Goulart, deposto pelo golpe militar de 1964. Agora, queremos dar substância às homenagens, reapresentando no Senado as propostas que levaram as sua deposição", disse o senador.
Com o apoio dos senadores Pedro Simon ( PMDB-RS) e Cristovam Buarque (PDT-DF), Requião recuperou as propostas de reforma agrária e de definição do conceito de empresa brasileira de capital nacional, encaminhando ambas sob forma de projeto de lei, para apreciação dos senadores.
Requião demonstrou que as duas reformas propostas há meio século continuam de extrema atualidade, já que a reforma agrária nunca foi feita no país e a definição de empresa nacional sofreu modificações anti-nacionais, que favorecem grandemente as empresas estrangeiras, no governo FHC.
A íntegra.

A briga da Globo com o Uol

A decadência acelerada dos jornais e revistas (as bancas viraram lojas de bugigangas, os "banqueiros" dizem que as capas da Veja afugentam a freguesia) tem coisas esquisitas como esta para a qual o artigo abaixo chama atenção: jornal de empresa concorrente "cobre" televisão, isto é, divulga a programação da Globo. Como diz Lucélia Santos, vai entender...

Do Diário do Centro do Mundo.
A briga entre a Globo e a Folha em torno do BBB

Paulo Nogueira

Quando as coisas vão bem, ninguém briga. Mas quando a crise bate, os ânimos ficam à flor da pele.
É este o pano de fundo para a decisão da Globo de proibir o UOL e alguns outros sites de cobrir o BBB 14.
Senti uma certa satisfação com a notícia porque me lembrei do que a Folha, dona do UOL, fez com a Falha de S. Paulo. A mesma pressão econômica pela justiça, a mesma censura, a mesma agressão à liberdade de expressão.Ri sozinho, também, ao ler a nota do UOL. O portal se orgulhava de ter feito "a melhor cobertura" do BBB em suas 14 edições.
Pausa para gargalhar.
Ora, você deve se orgulhar de coisas relevantes. Fazer a melhor cobertura das manifestações, ou das eleições, ou da chegada do homem à lua, e por aí vai.
Mas do BBB, o símbolo máximo da frivolidade idiota da televisão?
O episódio expõe também uma esquisitice brasileira. Os concorrentes da Globo dão um espaço absurdo à emissora, o que apenas a ajuda na captura de mais de 50% da receita publicitária do país.
A própria Folha ainda hoje mantém uma coluna diária sobre o mundo da televisão quando seus leitores já estão amplamente conectados na internet, e distantes de novelas, telejornais e coisas do gênero.
Será que os editores da Folha não acompanham o Ibope da Globo? Ou os movimentos de seus leitores rumo à internet?
É patética a reação do UOL: avisou a seus leitores que continuará a dar toneladas de conteúdo do BBB na Folha e em outros sites da empresa.
Isto é o que "o jornal a serviço do Brasil" tem a fazer numa situação de enfrentamento?
Ora, que a Folha tenha uma reação máscula.
Fica aqui a sugestão de que o jornal cubra, enfim, o escândalo documentado da sonegação da Globo na Copa de 2002.
O selo da campanha já está dado: "Mostra o Darf!"
A íntegra.

Marco Civil da Internet: teles ameaçam neutralidade, liberdade e privacidade

Da Agência Pública. 
Por trás da disputa política, a força das Teles 
Por Felipe Seligman
De olho no financiamento eleitoral, PMDB defende interesse das Teles no Marco Civil da Internet e se une à oposição para derrotar governo; projeto coletivo pode ficar desfigurado.
A íntegra.

Do IHU.  
Marco Civil da Internet: "O texto atual subverte tudo"
por Patricia Fachin

De referência internacional, o Projeto de Lei do Marco Civil passou a ser criticado inclusive pelos ativistas que acompanharam a sua elaboração desde 2009. "O Marco Civil da Internet era um projeto reverenciado no mundo todo: várias organizações internacionais achavam o texto espetacular, uma proposta incrível, e aí nossos parlamentares conseguiram estragar o projeto", lamenta o publicitário João Carlos Caribé, pós-graduado em Mídias Digitais e que atua como consultor e ativista pelos direitos e inclusão digital.
Em entrevista à IHU On-Line, por e-mail, ele foi enfático em relação aos pontos inegociáveis a partir da proposta original. "Neutralidade da rede não se negocia de jeito nenhum, privacidade não se negocia de jeito nenhum, e a liberdade também não se negocia de jeito nenhum. Não abrimos mão desse tripé." Caribé esclarece que o texto do Marco Civil foi alterado pela primeira vez na Casa Civil e a versão enviada à Câmara dos Deputados já propunha a quebra da neutralidade. "As modificações na questão de neutralidade estavam muito claras: conforme regulamentação. Ou seja, para quem não está ligado, essa expressão passaria sem maiores problemas."
A íntegra.

OUTRAS NOTÍCIAS:
Meritocracia, classe média e fascismo
Senador Requião reapresenta reformas de Jango
Celton, super-herói dos belo-horizontinos
Dodora, Dilma e a tortura
A renúncia do tucano Azeredo
Agronegócio é exemplo?
Em Varginha, Lula é aclamado por estudantes e operários
Comissão de Direitos Humanos impedida de visitar preso
Pimentel X Pimenta

Água: tucanos pedem socorro ao PT

Há algum tempo o governador Anastasia foi de pires na mão pedir ajuda financeira ao governo Dilma para Minas Gerais não quebrar.
Agora é a vez de Alckmin pedir para usar um rio federal, para que os paulistas não fiquem sem água, porque não conseguiu administrar o abastecimento estadual.
Tucanos também maquiam números sobre segurança e saúde, para melhorar seu desempenho.
E dão mais dinheiro aos acionistas privados da Cemig do que investem em energia.
E compensam os incentivos que dão às grandes empresas cobrando mais dos consumidores residenciais.
E não pagam o piso salarial aos professores.
Afinal, a tão propalada competência de gestão tucana é aplicada em que setor? Só na propaganda?

Da Folha de S. Paulo, via Escrevinhador.
Governo federal deve aprovar uso de água do Paraíba em SP, diz Alckmin 
Por Gustavo Uribe

O governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) está otimista e acredita que o projeto que pretende bombear água do Rio Paraíba do Sul para o sistema Cantareira será aprovado pela ANA (Agência Nacional de Águas).
Ontem, Alckmin foi até Brasília pedir à presidente Dilma Rousseff (PT) autorização para captar água da bacia do rio federal. "A posição da ANA eu entendo que seja favorável pois, não prejudica ninguém e vai aproveitar melhor o excesso de água [do Rio Paraíba]. Foi boa a conversa."
No projeto proposto à agência, o governo do Estado utilizaria a água do rio federal somente quando o nível do sistema Cantareira estiver abaixo de 35%, como é o caso deste período de estiagem. A ideia também é só utilizar o excesso de água do rio Paraíba, para não prejudicar os municípios que o utilizam como manancial de abastecimento. As reservas subutilizadas são usadas à geração de energia.
A íntegra.

terça-feira, 18 de março de 2014

Teles boicotam internet popular

Quem faz reportagem elementar, de interesse da população, agora são os veículos alternativos da internet.

Da Rede Brasil Atual.
Programa Nacional de Banda Larga segue inacessível à população
Proposta do governo federal para democratização do acesso à internet continua sofrendo com o boicote das teles e as exigências das operadoras de telefonia  
por Malu Damázio e Rodrigo Gomes, da RBA

São Paulo – Seis meses após a primeira tentativa, a RBA buscou – novamente em vão – assinar o pacote de R$ 35 mensais, por 1 megabite de velocidade de acesso, com o qual o governo federal anuncia que pretende democratizar o acesso à internet. Três das quatro empresas de telefonia habilitadas a oferecer o Programa Nacional de Banda Larga (PNBL) continuam boicotando o acesso da população ao serviço. E uma delas chegou a abrir o processo de contratação, mas deixou a reportagem esperando na linha até a desistência.
O Ministério das Comunicações divulgou nesta semana que o programa agora "beneficia" 4.500 municípios, em 25 estados e no Distrito Federal (na reportagem anterior eram 3.412). A RBA tentou contratar o serviço com as empresas privadas parceiras do governo federal Telefônica/Vivo, CTBC/Algar Telecom, Oi e Sercomtel, tanto pela internet como no atendimento telefônico das empresas.
A íntegra.

Até quando favela será campo de guerra? Até quando a PM continuará matando?

Dilma ficou chocada. O governador do Rio considerou abominável. Todos nós nos revoltamos, mas ao contrário de nós, os dois têm poder de mudar a realidade. Não se trata de punir, mas de transformar radicalmente as polícias e a segurança pública, para que façam o que precisa ser feito -- prender bandidos e proteger a população -- e não o contrário -- matar inocentes e ser cúmplice de bandidos -- que vemos acontecer diariamente. Dilma e Cabral têm pelo menos poder formal. Por que não agem? Não têm poder real? A poder da PM está acima do poder dos governos estaduais e federal?
PS: Uma iniciativa importante contra a impunidade policial é o projeto de lei que abole o auto de resistência, instrumento criado durante a ditadura, pelo qual a polícia mata e diz que o morto resistiu, e assim não há investigação do crime.
PS2: Quando um policial faz uma barbaridade assim, já tinha cometido outros crimes antes, impunemente. 

Do Uol.
Dilma diz que morte de mulher arrastada por carro da PM 'chocou o país'
A presidente Dilma Rousseff publicou em sua página no Twitter na manhã desta terça-feira (18) mensagens de pesar pela morte de Cláudia da Silva Ferreira, baleada durante ação da Polícia Militar na favela no último domingo (16) no morro da Congonha, em Madureira, na zona norte do Rio de Janeiro, e arrastada pelo carro da PM no caminho para o hospital.
"Cláudia da Silva Ferreira tinha quatro filhos, era casada havia 20 anos e acordava de madrugada para trabalhar em um hospital, no Rio. A morte de Claudia chocou o país", escreveu a presidente. "Nessa hora de tristeza e dor, presto a minha solidariedade à família e amigos de Cláudia."
Cláudia foi encontrada baleada pelos policiais no alto da favela, depois de um tiroteio. Dois subtenentes e um soldado do batalhão da PM de Rocha Miranda resolveram colocá-la no porta-malas do carro da polícia. No trajeto para o hospital, o porta-malas se abriu e ela foi projetada para fora do carro, sendo arrastada pelo veículo. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, a vítima já chegou morta ao Hospital Carlos Chagas.
O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), afirmou, durante cerimônia de inauguração do novo trem da SuperVia, que a morte de Cláudia foi "abominável".
A íntegra.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Música do dia: Killing me softly

With this song.
Roberta Flack. Canção de Charles Fox e Normam Gimbel.
Tudo de bom na música popular aconteceu até meados dos anos 70.

Consumismo infantil cria seres humanos deformados

Crianças educadas pela publicidade crescem considerando os seres humanos mercadorias e suas relações como relações comerciais.  

Do Outras Palavras.
Sobre crianças e mentes colonizadas 
Por Lais Fontenelle Pereira

Dados mundiais a esse respeito apontam que a influência das crianças nas compras realizadas pela família chega a 80% em relação a tudo o que é consumido, inclusive em relação a bens e serviços de interesse exclusivo dos adultos, como, por exemplo, marcas de automóvel, imóveis, produtos de limpeza etc. No Brasil, só a moda infanto-juvenil movimenta a soma anual de R$10 bilhões, o que corresponde a um terço de toda a roupa consumida no país.
A partir desses dados podemos dizer que o mercado enxergou nas crianças uma rentável fonte de lucros, já que quanto mais cedo você fideliza a criança a uma marca, mais chances tem dela ser fiel à mesma do berço ao túmulo, como dizem os publicitários. Assim, aproveitando-se da fragilidade e vulnerabilidade infantil, o mercado passou, então, não somente a atrair os olhares das crianças, como a dirigir-se diretamente a elas com peças publicitárias feitas "sob medida".
Não foi à toa, portanto, que o Código de Defesa do Consumidor Brasileiro previu proteger as crianças de apelos de consumo, instituindo no Art. 37: "É proibida toda publicidade enganosa ou abusiva (…)", e explicando no seu parágrafo§2º que "É abusiva, dentre outras, a publicidade discriminatória de qualquer natureza, a que incite à violência, explore o medo ou a superstição, se aproveite da deficiência de julgamento e experiência da criança, desrespeite valores ambientais, ou que seja capaz de induzir o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa à sua saúde ou segurança".
A íntegra.

Até a Folha critica Veja

Colunista Ricardo Melo diz na Folha que "é difícil encarar com naturalidade a cobertura dispensada a presos do chamado mensalão".
Artigo intitulado "O linchamento de José Dirceu", que não pode ser copiado*, mas pode ser lido aqui, refere-se à última capa da revista sobre José Dirceu.
Sarcasticamente, ele lamenta que deixar de ler esta ou aquela publicação -- como estão fazendo muitos leitores comuns, ao perceber que a manipulação do noticiário -- não seja possível para jornalistas profissionais.

[*É curiosa essa prática da Folha e de outros veículos da velha imprensa, mas reveladora da sua incompreensão da internet. A reprodução multiplicada das informações é a essência da web e uma das razões do seu sucesso. Ao vedar isso, supõe-se que o jornal quer obrigar o leitor a ir a sua página, onde além de gerar visita lerá publicidades. No entanto também dificulta a divulgação do veículo e interrompe a difusão, o que certamente é um prejuízo maior do que o ganho.]

Lucélia de ônibus

Palmas para ela.
Só mesmo no Brasil de Globo, Veja, Folha e tucanos andar de ônibus é notícia.

Do Diário do Centro do Mundo.
A foto de Lucélia Santos no ônibus e a ojeriza patética ao transporte público no Brasil

"O Brasil é o único país que conheço em que andar de ônibus é politicamente incorreto! Vai entender…"
Lucélia Santos merecia uma estátua. A atriz foi fotografada num coletivo no Rio de Janeiro. O fã postou a foto numa rede social. Ela começou a circular loucamente, junto com especulações acerca da carreira da atriz.
Lucélia estaria pobre, desempregada, passando fome, drogada, bebendo demais, morando de favor, enfim, numa draga — só isso explica uma pessoa famosa, ou ex-famosa, pegar um ônibus, que é claramente coisa de pobre.
Ela respondeu à falsa polêmica com uma série de frases em sua conta no Twitter:
"Isso porque os ônibus aqui e transportes coletivos, de um modo geral, são precários e ordinários, o que mostra total desrespeito à população!"
"Em qualquer país civilizado, educado e organizado, é o contrário. As pessoas dão prioridade a transportes coletivos para proteger o meio ambiente."
"Os governos deveriam investir em transportes decentes para a população, com conforto e dignidade, e depois pretender fazer discursos."
"A imprensa deveria usar sua inteligência para divulgar campanhas para os transportes públicos coletivos de primeira grandeza."
"Terminando: o Brasil deveria ler mais, se instruir mais, desejar mais e sair da burrice de consumo idiota e descartável que lhe dá carros!"
Não disse uma bobagem. Uma. A reação à imagem de Lucélia veio, principalmente, dos milhares de jecas que se locupletam no transporte público quando viajam para o exterior e, de volta ao Brasil, não compram cigarro na padaria sem pegar o carro.
A íntegra.
Lucélia Santos no bumba

Globofilmes e a destruição do cinema nacional

"Se você não fechar com a gente, seu filme vai morrer. Mas se você fechar, seu filme vai aparecer no Jô Soares, no Serginho Groissman, na novela das oito, na Ana Maria Braga..."
Toda a divulgação que a Globo faz do cinema brasileiro é merchandising e ela cobra para isso. Cobra dela mesma: a Globofilmes paga à Globo. E paga caro. A Globofilmes considera isso "investimento" e é a primeira a tirar do dinheiro gerado na bilheteria. Só depois os produtores do filme recebem -- se sobrar dinheiro.
E assim o monopólio se instala.
Mais uma razão para uma lei urgente que regule as comunicações.
Monopólio gera monopólio.
Porque monopoliza a televisão, a Globo também está monopolizando o cinema.

Do Diário do Centro do Mundo.

Celton, super-herói dos belo-horizontinos

Ou o dia em que a PM prendeu Celton, o super-herói de Belo Horizonte. 

Avisto Celton na Avenida Cristóvão Colombo e como sempre paro para cumprimentá-lo. Faz tempo que não o vejo e digo a ele que está sumido. Ele me entrega um exemplar da revista que está vendendo, folheio-a e noto que é diferente, poucos desenhos, muito texto. Ele me explica: "É uma edição diferente, de indignação".

De fato este é o título da revista, que tem na capa um desenho do próprio Celton sentado na traseira de um camburão, com a porta aberta, cercado por seis policiais militares armados de fuzis, e a chamada: "Neste número, estou contando como um policial arrogante me humilhou publicamente e me prendeu, sem eu fazer nada".

A capa contém ainda o nome da revista, seu número -- 30 -- e o preço, R$ 3, além uma pequena fotografia da imagem conhecida dos belo-horizontinos e por milhões de brasileiros e que eu mesmo estou vendo agora: Celton, vestido com seu terno amarelo, gravata laranja e camisa preta, rosto sorridente, simpático, segurando na mão esquerda uma revista e na direita um grande cartaz amarelo no qual se lê, em letras pretas: "Leia Celton. Estou vendendo revistas em quadrinhos que eu mesmo fiz".

Pego três reais, pago a revista, ele me devolve cinquenta centavos, eu digo que lhe dei o valor certo, ele diz que são R$ 2,50, apesar do preço na capa da revista. Eu tinha interrompido uma conversa sua com outro homem, por isso me despeço e saio carregando a revista, dizendo que lerei com atenção, curioso sobre o tema.

Celton é o alterego de Lacarmélio Alfêo de Araújo. Lacarmélio desenha histórias em quadrinhos há mais de trinta anos e as vende nos sinais de trânsito em Belo Horizonte. Celton é seu super-heroi, um herói sem superpoderes, mas muito corajoso e bom de briga, um morador de Belo Horizonte, onde se passam suas aventuras.

Quantas cidades podem se orgulhar de ter um super-herói? Belo Horizonte pode, e ainda mais porque Lacarmélio ambienta seus quadrinhos em lugares reais, desenhados detalhadamente por meio de um processo de criação que o autor foi refinando ao longo dos anos, assim como refinou sua indumentária e seu estilo de venda. Como ele mesmo diz na revista atual, Lacarmélio anda com uma máquina fotográfica e fotografa as cenas, para reproduzi-las em desenhos.

Só o que se manteve igual nesses anos todo foi a paixão de Lacarmélio por seu trabalho. Essa paixão transformou o autor no próprio herói, pois é pela personagem e não por seu nome exótico que ele é chamado nas ruas.

Celton, hoje um homem de mais de cinquenta anos, que sustenta família produzindo e vendendo sua revista em quadrinhos, é um tipo popular de Belo Horizonte, essa figura que todas as cidades têm, mas que vai desaparecendo aos poucos, enquanto crescem e embrutecem. Recebeu título de cidadão honorário da capital e outros reconhecimentos públicos, faz palestras, inclusive para a PM, tornou-se conhecido nacionalmente ao aparecer em programas de televisão, como o do Jô Soares, virou livro e vídeo, está na Wikipédia. Mas herói mesmo só virou agora.

Celton Lacarmélio preserva a tradição dos tipos populares de Belo Horizonte e agora transformou-se também no seu super-herói de carne e osso, ao protagonizar uma aventura real, na qual, defendendo sua dignidade e sua cidadania, serve de exemplo para todos.

Talvez Lacarmélio não tenha consciência disso, mas na edição de nº 30 de Celton ele ganhou a dimensão de um Tolstoi brasileiro do século XXI. É preciso conhecer Celton e ler a revista para entender isso.

O relato longo do episódio feito por Lacarmélio tem a mesma simplicidade e erros de português que marcam a revista ao longo dos anos, uma espécie de arte primitiva na forma de quadrinhos. Afinal, como explica o autor, ele faz sozinho o que nas revistas americanas (e mesmo nos estúdios de brasileiros famosos como Maurício de Sousa e Ziraldo, acrescento eu) é feito por uma grande equipe de profissionais.

Esta edição no entanto contém também uma história pessoal transformada em arte, não pela qualidade do desenho e da narrativa, os quais, como já disse, são cada vez mais refinados, mas pelo processo de consciência vivido por Lacarmélio nos últimos três anos, pela lição que ele tirou do episódio e pelo exemplo que nos dá.

Três anos. Esta é a maior surpresa. Não se trata de um episódio recente. Cada nova revista do Celton demora a aparecer, porque, como disse, reproduzindo explicação do Lacarmélio, ele faz tudo sozinho e ainda organiza seu tempo para conseguir desenhar em uma parte do dia e vender os exemplares em outra parte, escolhendo pontos de engarrafamento do trânsito. Este nº 30 no entanto demorou muito mais tempo para ser publicado, embora tenha poucas ilustrações. A razão é que Lacarmélio digeriu a história longamente, depois do episódio que a originou, e só a publicou por julgar que não poderia se negar a isso. Nas suas palavras: "De que adianta eu escrever histórias de heróis corajosos se, na vida real, eu não tenho coragem para defender o meu próprio nome?".

Foram os desdobramentos do episódio, com efeitos permanentes sobre sua vida e dos seus familiares que levaram à publicação da revista. E foi por isso, foi assim que na sua 30ª revista em quadrinhos Lacarmélio se transformou em Celton e a arte encontrou a vida.

De fato, o criador superou a criatura. Não sendo um super-herói, Lacarmélio não é capaz de salvar ninguém, como Celton, mas pode tentar salvar-se a si mesmo, o que faz com sua arte. E dessa forma dá o exemplo para os demais cidadãos, seus leitores, belo-horizontinos, nós.

Para publicar sua nova revista, Celton Lacarmélio cercou-se de cuidados, ouviu conselhos, consultou advogados, recorreu à própria Polícia Militar. Reconstitui a história da corporação e a enche de elogios, especialmente os indivíduos policiais militares, que ele conhece e encontra diariamente nas ruas, enquanto vende suas revistas. Fala assim da "vida real", não de uma ficção distante da realidade ou de um impessoal texto acadêmico.

Lacarmélio Celton conhece bons policiais militares, gente comum, do povo. De fato, que belo-horizontino, que mineiro não tem um amigo ou parente policial militar? A PM, talvez mais do que outras polícias militares brasileiras, é uma instituição entranhada na história, na cultura e na sociedade de Minas Gerais.

Celton Lacarmélio trata o policial em questão como indivíduo, mas não cai na ingenuidade de considerá-lo caso isolado. Ao contrário, cita na revista outros casos de comportamento semelhante que configuram abuso de autoridade. Infelizmente, são muitos, cada vez mais numerosos, a ponto de marcar a imagem da corporação. Pior: há situações -- como a repressão a manifestações populares -- em que a própria PM, ou a parte especializada dela, tem a função de atuar com violência indiscriminada e arbitrária.

Este comportamento da PM ou de partes dela e de alguns dos seus integrantes é uma herança da ditadura, que Celton Lacarmélio faz questão de renegar, ao contrário de outros que hoje em dia andam defendendo sua volta.

Mas há também bons policiais, inclusive no comando, como exemplifica nosso herói, que presta uma utilidade pública ao difundir a existência e o papel fundamental da Corregedoria de Polícia, cujos integrantes surpreendem o público com sua atenção e atuação.

Nem todos os ofendidos e humilhados pela PM (como observa sabiamente Lacarmélio, um policial fardado não é um indivíduo, é toda a corporação) são famosos como Celton; certamente a Corregedoria percebeu a dimensão que o fato tomaria e tomou. Nem todos nós temos a coragem do super-herói belo-horizontino.

Como nas histórias em quadrinhos, há "na vida real" uma luta entre o "bem" e o "mal", entre os cidadãos investidos de poder -- poder econômico ou poder de Estado -- e os cidadãos comuns. A democracia é a prevalência dos cidadãos comuns sobre os cidadãos poderosos, pela simples razão, conhecida de todos e repetida há séculos, de que todo o poder vem do povo.

Cabe aos bons cidadãos lutar para que o bem prevaleça, como nas aventuras de Celton -- ou, seguindo o exemplo de Lacarmélio, "na vida real".

OUTRAS NOTÍCIAS:
Dodora, Dilma e a tortura
A renúncia do tucano Azeredo
Agronegócio é exemplo?
Em Varginha, Lula é aclamado por estudantes e operários
Comissão de Direitos Humanos impedida de visitar preso
Pimentel X Pimenta
 

domingo, 16 de março de 2014

Os contratos do governo Aécio com Marcos Valério

Matéria da Folha de S. Paulo mostra que o Ministério Público Mineiro engavetou inquérito sobre os contratos do governo Aécio Neves com as empresas de publicidade de Marcos Valério.
Em 2004 e 2005, o governo Aécio pagou R$ 27 milhões às empresas de Valério. As investigações começaram há nove anos, mas não andaram.
O coordenador das promotorias disse que o possível crime só prescreve em vinte anos e que ainda há tempo...
A matéria não pode ser copiada, mas pode ser lida aqui.
Outra matéria sobre o assunto pode ser lida aqui.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Senador Zezé Perrella condenado

Perrella está envolvido em vários processos (além do caso do helicoca).
Em 2010 foi cabo eleitoral do senador Aécio e do governador Anastasia, e ganhou vaga de suplente do idoso Itamar, que morreria logo depois. Foi assim que chegou ao Senado, sem um voto sequer.

Do Última Instância.
Justiça Federal condena Zezé Perrella por improbidade administrativa
Sentença exige que senador perca função pública e tenha direitos políticos suspensos por 3 anos; parlamentar vai recorrer da decisão

O senador Zezé Perrella (PDT-MG) foi condenado pela Justiça Federal a perda de função pública e suspensão de seus direitos políticos por três anos. Segundo denúncia do MPF-DF ((Ministério Público Federal do Distrito Federal), Perrella teria permitido o uso de seu apartamento funcional da Câmara dos Deputados, durante e após seu mandato como deputado federal (1999-2003), para seu ex-chefe de gabinete e para um ex-assessor.
A íntegra.

David Harvey, limites do capital, cidades e Copa do Mundo

É sempre bom ler o David Harvey. Aqui, entre outras coisas, ele explica a importância de grandes eventos como Copa do Mundo.

Do Outras Palavras. 
Das democracias totalitárias ao pós-capitalismo
Entrevista a André Antunes, no Blog da Boitempo 

Um dos mais influentes pensadores marxistas da atualidade, o geógrafo britânico David Harvey esteve no Brasil em novembro para divulgar o lançamento de seu livro Os limites do capital. Escrita há mais de trinta anos, a obra ganhou sua primeira versão em português, mas, segundo Harvey, isso não significa que tenha ficado ultrapassada – pelo contrário. Pioneiro em sua análise geográfica da dinâmica de acumulação capitalista descrita por Marx, o livro, assim como grande parte da obra de Harvey, tornou-se mais relevante para entender os efeitos da exploração econômica dos espaços urbanos e suas consequências para os trabalhadores, ainda mais numa conjuntura marcada pela eclosão de protestos contra as condições de vida nas cidades, não só no Brasil, mas também na Europa, América do Norte e África. Nesta entrevista, Harvey faz uma análise dos levantes urbanos que ocorrem em todo mundo, aponta que não será possível atender às reivindicações por meio de uma reforma do capitalismo, e defende: é preciso começar a pensar em uma sociedade pós-capitalista.

- Os limites do capital foi escrito há mais de 30 anos. Desde então o capitalismo sofreu mudanças profundas. Qual é a atualidade dessa obra para entender o modelo de acumulação capitalista hoje?

- O livro explora a teoria de Marx sobre acumulação de capital para entender as práticas de urbanização ao redor do mundo em vários lugares e momentos históricos diferentes. Minha investigação sobre as ideias de Marx se estenderam para uma análise de coisas como a renda fundiária, preços de propriedades, sistemas de crédito.
Uma coisa curiosa aconteceu: a análise de Marx era sobre o capitalismo praticado no século 19. Na época em que comecei a escrever Os limites do capital, havia muitos aspectos do mundo ao meu redor que não se encaixavam com a descrição de Marx: tínhamos um Estado de Bem-estar Social, os Estados estavam envolvidos na economia de diferentes formas, havia arranjos de seguridade social e movimentos sindicais fortes em muitos países. Mas aí veio a chamada contrarrevolução neoliberal depois dos anos 1970, com Margareth Thatcher, Ronald Reagan, as ditaduras na América Latina, e o capitalismo regrediu para sua forma do século 19.
Por exemplo, houve o desmantelamento de muito da rede de seguridade social em boa parte da Europa e América do Norte; o capital se tornou muito mais feroz em sua relação com movimentos trabalhistas; as proteções que vinham de Estados que eram em algum grau influenciados por movimentos políticos de esquerda foram desmanteladas em boa parte do mundo.
O que vimos desde os anos 1970 é um aumento da desigualdade social, que é precisamente o que Marx disse que aconteceria caso adotássemos um sistema de livre mercado. Adam Smith postulava que se tivéssemos um livre mercado seria melhor para todos.
O que Marx mostra no O Capital é que quanto mais perto de um livre mercado mais provável é que os ricos fiquem cada vez mais ricos e os pobres mais pobres. E essa tem sido a tendência por grande parte do mundo desde os anos 1970 por conta do neoliberalismo.
De uma maneira curiosa, por essa razão, Marx se tornou mais relevante para entender o mundo hoje do que era na época em que escrevi o livro. Ao mesmo tempo, muitas das lutas que vemos ao nosso redor agora são lutas urbanas em vez de lutas baseadas em unidades fabris, de modo que ligar a dinâmica do que Marx descrevia com a dinâmica da urbanização se tornou mais relevante.

- E o papel dos centros urbanos na dinâmica de acumulação capitalista, como mudou ao longo desse período?

- O capital produz constantemente excedentes, e uma das coisas que aconteceu é que a cidade se tornou um local para a absorção de capital excedente. Muito desse dinheiro foi para construção de estruturas, em alguns casos para a construção de megaprojetos. O capital adora esses megaprojetos, como os envolvidos em Copas do Mundo e Olimpíadas, porque são uma ótima oportunidade para gastar muito dinheiro na construção de novas infraestruturas, o que levanta uma questão interessante: essas novas infraestruturas acrescentam algo à produtividade do país?
Se você for para a Grécia, vai ver um país essencialmente falido, com esses estádios vazios ao redor, que foram construídos para um evento que durou algumas semanas. A maioria dos lugares que sediam esses eventos tem problemas financeiros sérios depois, mas, no processo, as empreiteiras, construtoras e financiadoras ganham muito dinheiro.
Ao longo dos últimos 40 anos, o capital excedente foi cada vez mais canalizado para mercados de ativos, como os direitos de propriedade intelectual, em que você investe no controle de patentes e vive da renda, sem fazer nada. E, da mesma forma, as cidades, as propriedades urbanas, se tornaram ativos muito lucrativos.
O que vemos hoje nos mercados imobiliários é que é quase impossível para a maioria da população encontrar um lugar para viver que não absorva mais da metade de sua renda. Esse é um processo mundial: tivemos uma crise na habitação nos Estados Unidos, na qual o mercado de propriedade entrou em colapso.
Em Nova York, Los Angeles e São Francisco os preços estão subindo, e vemos o mesmo fenômeno na Europa: tente achar um lugar para morar em Londres, em Paris. Mais e mais dinheiro está sendo extraído das pessoas na forma de aluguel.
Isso é interessante, porque há um deslocamento da exploração do trabalho e da produção para explorar as pessoas em termos de extração de aluguel de seu local de moradia. O capital consegue inclusive fazer concessões aos trabalhadores e recapturar esse dinheiro que o trabalhador ganha aumentando o valor do aluguel.
A íntegra.

Mineroduto, direitos humanos e destruição ambiental em Minas Gerais

A "grande" imprensa que vive de escândalos não se importa com os verdadeiros escândalos como este, invenção de um amigo do Aécio facilitada pelo senador quando governador.

Do jornal GGN Blog Luís Nassif Online.
A carta aberta dos atingidos pelo Projeto Minas-Rio
Contexto:
A cidade de Conceição do Mato Dentro viveu, no início dos anos 2000, um desenvolvimento focado no ecoturismo e na educação ambiental, um movimento ambiental bem sucedido que levou à criação da Reserva de Biosfera da Serra do Espinhaço.
Apesar do reconhecimento de seu sucesso, essa política se desintegrou com o anúncio da construção de uma grande mina de ferro na região, proposta pela MMX, do Eike, em 2006, e adquirida pela Anglo American em 2008.
A mina faz parte do Projeto Minas-Rio, que ainda inclui uma linha de transmissão e um mineroduto que transportaria o minério de ferro até o porto de Açu, no Rio.
A instalação da mina, a princípio bem-vinda pela população local, tornou-se um inferno para as comunidades atingidas, com as violações de direitos humanos, devidamente registradas pelo ministério público federal e estadual, e demonstradas no relatório da consultoria Diversus, que descreve como a empresa trabalhou para fragmentar as comunidades e as negociações de reassentamento.
É comum se ouvir dos membros das comunidades atingidas, pesquisadores, jornalistas, ambientalistas e outros que acompanham o processo, haver evidências claras de manipulação do processo de licenciamento ambiental, que está entrando na última fase, a licença de operação.
Para quem não acredita, basta pedir junto à Supram-Jequitinhonha as gravação das reuniões do Conselho de Política Ambiental acerca do licenciamento ambiental e fazer o próprio julgamento.
A reunião 29, do dia 11/12/2008, em que a viabilidade ambiental da mina foi aprovada, é especialmente ilustrativa, assim como o parecer único 001/2008, que conta com uma boa análise da equipe técnica do governo, mas um parecer estranhamente favorável.
Esses três vídeos, de direção do Rodrigo Valle, contam um pouquinho do início da história.
http://www.youtube.com/watch?v=kLxQjBsvQdo
http://www.youtube.com/watch?v=oysDR7sf5RU
http://www.youtube.com/watch?v=DRCoXLCeovc
O grande capital com o apoio do governo gera divergências tão grandes de poder entre empreendimento e comunidades atingidas, que desafia a consciência do maior dos desumanos.
Há muita coisa escrita sobre este caso, teses de doutorado, artigos de jornal e de revistas científicas, manifestos, e cartas abertas.
É comum pesquisadores e jornalistas entrarem céticos no caso e tomarem posição contra o projeto, ao conhecê-lo de perto.
Hoje eu gostaria de divulgar aos colegas de blog a última carta aberta das comunidades atingidas pelo empreendimento. 

Carta Aberta das Comunidades Socialmente Atingidas pelo Empreendimento Minas-Rio à sociedade

As comunidades do Distrito de São Sebastião do Bom Sucesso, Sapo -- Água Quente, Beco, Cabeceira do Turco, Ferrugem, Quatis, Turco, e de Córregos -- Gondó e do Jassém se reconhecem como comunidades socialmente atingidas pelo empreendimento Minas-Rio, na região de Conceição do Mato Dentro.
Nós, comunidades socialmente atingidas, vimos a público manifestar o nosso repúdio às práticas violadoras de direitos humanos e ambientais impostas pela empresa Anglo American com a conivência e omissão do poder público municipal, estadual, federal e todas as instâncias responsáveis pela fiscalização e promoção do bem comum.
A íntegra.

O "mensalão" e os ex-comunistas

Paulo Moreira Leite é um ex-trotskista interessante.
O trotskismo é o que há de mais nobre no marxismo do século XX.
Uso "nobre" nos dois sentidos que a palavra sugere: superioridade intelectual e superioridade de classe.
O trotskismo atraiu, especialmente no Brasil, muita gente da elite.
Mas atraiu também gente para quem o abc do stalinismo era muito rasteiro.
O trotskismo, nascido da reação de Leon Trotski aos rumos da Revolução Russa sob o comando ditatorial de Stalin, foi uma espécie de esperança para a revolução socialista que degringolou ao longo do século XX.
Trotski e Stalin disputaram a herança de Lênin, isto é, a chefia política da URSS depois que o líder inconteste da Revolução morreu, em 1924.
Trotski, ao contrário de Stalin, era um gênio, um escritor cuja leitura continua interessante, dono de uma vasta obra. Foi um caso raríssimo na história de homem de ação -- basta dizer que foi presidente do principal soviete russo e organizador e comandante do Exército Vermelho, que garantiu a vitória da revolução -- e intelectual brilhante ao mesmo tempo.
Quando ninguém via ainda o nazismo como uma ameaça, ele já dizia o que estava por vir.
Todos os passos que os comunistas -- fiéis a Stalin -- deram para combater Hitler ele propôs com muitos anos de antecedência.
Enfim, é um desses sujeitos ignorados oficialmente pelo que representa: foi e é ainda muito perigoso.
O trotskismo, no entanto, não deu em nada. Ou melhor, deu só em grupelhos sem influência importante sobre os trabalhadores, depois que Trotski foi assassinado a mando de Stalin, no exílio no México, em 1940, ao 60 anos.
Pior: o trotskismo tem uma tradição de gerar reacionários. Muitos jovens trotskistas se tornaram velhos ferrenhos anticomunistas, anti-socialistas, anti qualquer coisa que seja progressista.
Um exemplo clássico é Paulo Francis.
Este outro Paulo foi libelu na juventude, a principal tendência trotskista dos anos 70, que teve papel fundamental no renascimento do movimento estudantil, principalmente em São Paulo, na USP.
Libelu era a simplificação do nome do grupo estudantil: Liberdade e Luta. O que mais chamava atenção na Libelu, para os universitários da época, além da aparência bonita e saudável dos seus rapazes e moças (jovens da elite paulistana), era sua confiança de que a ditadura estava para cair, que o pior tinha passado e por isso não devíamos ter medo de gritar "Abaixo a ditadura!" outra vez, nem de sair às ruas.
O movimento estudantil de 1977, que, como soe acontecer, abriu as portas para o movimento operário, do qual emergiu Lula no ano seguinte, deve muito a Liberdade e Luta.
E Libelu tirava sua confiança, exposta em discursos de brilhantes oradores, nas assembleias estudantis, da análise de conjuntura proporcionada pelo trotskismo, que olhava para o mundo inteiro ao traçar sua política, não só para o Brasil, pois a revolução operária -- iminente, inevitável -- seria mundial, como morreu proclamando Trotski, não uma revolução nacional...
PML foi um libelu na juventude e vendeu o jornal O Trabalho, o órgão da sua tendência, antes de virar jornalista e andar pelos veículos da "grande imprensa burguesa", trabalhando para os patrões, vendendo ideias reacionárias, como tantos outros jornalistas comunistas na juventude.
O que o distingue hoje é ter retornado, senão aos ideais pelo menos à dignidade da juventude -- se é que algum dia deixou de tê-la.
Sua posição diante do julgamento do "mensalão", manifestada em artigos lúcidos como este, ao contrário de outros ex-trotskistas que se venderam à Globo, é exemplar.
Não por se portar como trotskista, mas como jornalista.

Da revista Istoé.
A lição dos embargos
Paulo Moreira Leite

O resultado dos embargos infringentes confirma aquilo que era possível saber há muito tempo. Se os réus da AP 470 tivessem tido direito a um julgamento de acordo com os fundamentos do Direito, quando todos têm acesso a pelo menos um segundo grau de jurisdição, o resultado teria sido outro.Iludidos por uma cobertura tendenciosa dos meios de comunicação, que fizeram um trabalho faccioso, como assinalou mestre Jânio de Freitas há dois anos, muitas pessoas podem estar até inconformadas com o resultado. Vão reclamar pelos bares, balançar a cabeça em tom de reprovação. Errado.
Tradicional direito dos regimes democráticos, um segundo julgamento oferece, a quem foi condenado, a chance de ser examinado por outro tribunal. Outros juízes, outros olhares. Outras provas e outras testemunhas. Quem reclama do voto de dois juízes novos deve ter em mente que, num novo julgamento, haveria onze juízes novos.
Deu para entender? Eu acho que o resultado final corrigiu algumas injustiças, poucas.
Só foi possível debater as condenações que haviam obtido quatro votos em contrário, isto é, que eram tão obviamente fracas que na primeira fase foram rejeitadas por 40% de um plenário que muitas vezes tinha apenas 10 juízes. Se o STF tivesse desmembrado o julgamento, o que fez no mensalão PSDB-MG, o saldo teria sido outro, obviamente. Todos teriam direito a um segundo exame. As chances de demonstrar sua inocência -- direito de todo réu -- seriam maiores.
Foi por isso que Joaquim Barbosa fez o possível para impedir os embargos.
O tom, nos debates sobre infringentes, era de ameaça e alerta.
Olha só: Joaquim não só tentou impedir o debate sobre embargos. Antes, conseguiu impedir que os próprios juízes debatessem o inquérito 2474, que tem indícios e testemunhos que oferecem uma visão mais equilibrada e mais completa do caso, o que teria sido de grande utilidade para um debate com mais fundamento sobre as provas.
Guardo na memória, conservada no Youtube, uma intervenção indignada de Celso de Mello exigindo que o plenário tivesse acesso ao inquérito sigiloso. Quem for a internet verá Joaquim, mãos nervosas, voz fraca, frases saindo com dificuldade, dizendo que não era conveniente, não havia grandes novidades e, importantíssimo!, gravíssimo!, iria atrasar a decisão, que não poderia ocorrer no ano 2012 -- aquele, nós sabemos, em que haveria eleições municipais.
As provas usadas no “maior julgamento da história” eram frágeis demais para penas tão fortes. Escrevi isso aqui em 2012, depois de assistir ao julgamento pela TV. Ninguém tinha noção, então, das falhas e incoerências muito maiores, que temos hoje. A maioria dos analistas não queria se comprometer. Não debatia o mérito das acusações. Queria discutir o ritual, o processo.
Sabemos, agora, que não houve desvio de recursos públicos – e que isso não foi uma descoberta recente, mas estava lá, nos autos da AP 470, em auditorias, documentos e testemunhos de dezembro de 2005. Imagine você: seis meses depois da entrevista de Roberto Jefferson era possível saber que havia muito erro naquilo que dizia a denúncia.
Também sabemos de outra falha essencial. Acreditando, ou não, que eram recursos públicos, também foi possível ter certeza de que as contas batiam e que era difícil demonstrar – tecnicamente – que houve desvio.
Analisando um período de cinco anos de campanhas da DNA, que incluíram dois anos de governo FHC, três de governo Lula, a Visanet, proprietária assumida do dinheiro, como explicou nas inúmeras vezes em que foi solicitada a se manifestar, notou uma falha de R$ 6 milhões num total de R$ 151 milhões – uma diferença que depois seria explicada pela agência. Mesmo assim, estamos falando de R$ 6 milhões. Se for um desvio, equivale a 4% do dinheiro. Lembra do julgamento?
Diziam que o desvio fora de R$ 73,4 milhões, uma conta de chegar, mal feita e improvisada. Descobriram que essa fora a verba para a DNA em quatro anos e concluíram: 100% tudo foi roubado. Não provaram, não fizeram contas, não demonstraram. Numa visão desinformada, amadora, da situação, imaginaram que as pessoas abriam o cofre e pegavam o que tinha dentro. Não dá para acreditar mas foi isso o que correu. 
Ganharam no grito, que os meios de comunicação não se deram ao trabalho de conferir. 
Perderam -- um pouco -- agora.
É por isso que a perspectiva, agora, é de obter uma revisão criminal do julgamento. Ou seja: um segundo julgamento. É uma via estreita e difícil, como disse com muita razão o ministro Marco Aurélio de Mello.
A íntegra.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Qualificação para pessoas com deficiência

Do blog Tudo bem ser diferente.
Unimed-BH oferece qualificação para pessoas com deficiência
Sônia Caldas Pessoa 

Com o mote "Onde alguns veem diferença, nós vemos talento", a Unimed-BH oferece nova turma para o Programa de Formação Profissional para Pessoas com Deficiência (PCDs). A ação tem como objetivo qualificar e formar profissionais com deficiência física, visual, auditiva e mental, e que tenham Ensino Médio completo, desenvolvendo suas habilidades administrativas e contribuindo para inseri-los no mercado de trabalho. As inscrições estão abertas até 24 de março e podem ser realizadas por meio do Grupo Selpe, parceiro na etapa de recrutamento e seleção.
Criado em 2012, o programa se prepara para receber a quinta turma. O curso tem duração de três meses e carga horária de quatro horas por dia, entre 13h e 17h. São ministradas aulas teóricas e práticas de conteúdos diversos, como desenvolvimento pessoal, comportamento profissional, mercado de trabalho, língua portuguesa, matemática, informática básica e funcional, Excel Básico, Regulamentação de Planos de Saúde e Organização do Sistema de Saúde.
"O programa foi criado com o intuito de preparar os profissionais para o mercado de trabalho, integrando e valorizando-os pela competência. O trabalho vem apresentando bons resultados e estamos empenhados em dar continuidade e aprimorar a iniciativa", afirma a gestora de Recursos Humanos da Unimed-BH, Lucianna Feres.
A íntegra.

Eduardo Campos, o candidato do DEM, PFL, PDS e Arena

O problema dos candidatos da oposição ao governo Dilma é que são todos de direita, todos querem menos (para o povo) e o povo quer mais.
Mais, Campos -- assim como Aécio -- só investe em propaganda.

Do Balaio do Kotscho.  
Eduardo Campos chuta o balde ao atacar Dilma  
por Ricardo Kotscho

"O Brasil não quer mais Dilma." "Dilma já está de aviso prévio."O autor dos disparos acima é o presidenciável Eduardo Campos, do PSB, que nos últimos dias resolveu mudar de tática e resolveu chutar o balde ao atacar diretamente a presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição.
Há meses empacado nas pesquisas, o candidato da chamada "terceira via", que vinha fazendo uma dobradinha de oposição light com Aécio Neves, do PSDB, resolveu deixar de lado seu jeitão de nordestino cordato, sempre disposto a aparar arestas políticas com uma boa conversa. No último fim de semana, viajando pelo interior de Pernambuco, Eduardo mostrou a nova face da sua campanha.
Eduardo Campos subiu ainda mais o tom ao falar na manhã desta segunda-feira para um auditório lotado na Associação Comercial de São Paulo, tradicional reduto conservador. "O arranjo políitco de Brasília já deu o que tinha que dar (…). Eu poderia esperar até 2018, mas acho que nosso país não aguenta esperar".
Bastante aplaudido, o candidato repetiu críticas que os empresários vêm fazendo ao governo: “Para os agentes econômicos fica a impressão de que falta um olhar de longo prazo. Para onde estamos indo, o que vamos fazer?, perguntou, sem dar nem esperar respostas.
Até aqui vendido pelos marqueteiros como candidato da "nova política", uma opção à velha disputa entre PT e PSDB, Eduardo Campos foi apresentado aos empresários paulistas por ninguém menos do que Jorge Bornhausen, o mais vistoso símbolo do que há de mais reacionário na política brasileira, ex-expoente da Arena, do PDS e do PFL, um cacique que foi ministro de Fernando Collor e tinha muita força no governo de Fernando Henrique Cardoso.
A íntegra.

Como empresas jornalísticas e judiciário manipulam a liberdade de imprensa

Do jornal GGN.
Liberdade de imprensa e liberdade de expressão 
Luís Nassif

Há muita dificuldade conceitual, especialmente no Judiciário, para entender o papel dos grupos de mídia e de conceitos como liberdade de imprensa, liberdade de opinião e direito à informação.
Tratam como se fossem conceitos similares.
Direito à informação e liberdade de expressão são direitos dos cidadãos, cláusulas pétreas da Constituição.
Liberdade de imprensa é um direito acessório das empresas jornalísticas. Por acessório significa que só se justifica se utilizado para o cumprimento correto da importantíssima missão constitucional que lhe foi conferida.
No Brasil, no entanto, o conceito de liberdade de imprensa tornou-se extraordinariamente elástico, fugindo completamente dos princípios que o originaram. E há enorme resistência do Judiciário em discutir o tema. É tabu.
A íntegra.