quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Um espião em Belo Monte

Sua função: dedurar trabalhadores para o consórcio construtor da usina hidrelétrica.

Do Anonymous.
Funcionário de Belo Monte é flagrado espionando reunião do Xingu Vivo
Na manhã deste domingo, 24/2/13, quando finalizava seu planejamento anual em Altamira (PA), o Movimento Xingu Vivo para Sempre detectou que um dos participantes, Antônio, recém integrado ao movimento, estava gravando a reunião com uma caneta espiã.
Na caneta, o advogado do Xingu Vivo, Marco Apolo Santana Leão, encontrou arquivos de falas da reunião, bem como áudios de Antônio sendo instruído sobre o uso do equipamento. Confrontado, ele negou qualquer má intenção, mas logo depois procurou o advogado para confessar sua atividade de espião contratado pelo Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM), responsável pelas obras da usina, para levantar informações sobre lideranças e atividades do Xingu vivo.
De livre e espontânea vontade, Antônio se dispôs a relatar os fatos em depoimento gravado em vídeo. Segundo ele, depois de ser demitido pelo CCBM em meados do segundo semestre de 2012, ele foi readmitido em outubro como vigilante, recebendo a proposta de trabalhar como agente infiltrado, primeiramente nos canteiros de obra para detectar lideranças operárias que poderiam organizar greves.
Em decorrência de seu trabalho, foram presos cinco acusados de ter comandado a última revolta de trabalhadores nos canteiros de Belo Monte, em novembro do ano passado. Sua atuação também levou à demissão de cerca de 80 trabalhadores.
A íntegra.

Monsanto contra agricultores

Mas a disputa entre exportadores de soja e a multinacional das sementes e dos agrotóxicos é só em relação aos lucros com a soja transgênica. Nem um lado nem o outro está preocupado com meio ambiente e saúde. A Monsanto passou a perna nos latifundiários.

Do saite do senador Roberto Requião. 
Monsanto descumpre acordo com plantadores de soja transgência
Agricultores brasileiros e a multinacional Monsanto não conseguem chegar a um acordo sobre a cobrança de royalties das sementes de soja geneticamente modificadas. Colocadas como a grande solução para o aumento da produtividade, as sementes encarecem o custo da produção e deixam os agricultores reféns da Monsanto já que no Brasil a soja RR1 é protegida por vários direitos de propriedade intelectual, inclusive patentes. A Federação da agricultura do Estado do Paraná (Faep) afirmou para a imprensa que as negociações com a Monsanto "foram duras". De acordo com o texto distribuído, a Faep, juntamente com a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e outras federações haviam fechado um acordo com a Monsanto pelo qual os produtores rurais poderiam deixar de pagar royalties pelo uso de semente de soja transgênica RR1, cuja patente está sendo discutida judicialmente.
A íntegra.

A raposa e o galinheiro

O maior plantador da monocultura da soja, atividade intrinsecamente inimiga do ambiente, será responsável pela fiscalização no Senado.

Da Agência Brasil.
Blairo Maggi assume a presidência da Comissão de Meio Ambiente  
Marcos Chagas
Brasília – O senador Blairo Maggi (PR-MT) assumiu hoje (27/2/13) a presidência da Comissão de Meio Ambiente, Fiscalização e Controle. Na eleição, o nome dele sofreu resistência por parte de parlamentares ligados ao movimento ambientalista, com o argumento que lhe falta perfil para comandar a comissão.
A íntegra.

Dilma, os rentistas e a infraestrutura

Brasil tem minério de ferro para quatro séculos, mas a Vale não quer transformá-lo em trilhos para ferrovias, prefere exportá-lo. Resultado: o Brasil vende minério para a China e compra trilhos, sete vezes mais caros. Até o governo FHC a CSN produzia trilhos, mas os tucanos desativaram a laminação e fizeram o Brasil voltar aos anos 1940, quando exportava minério e importava aço. Em seguida, FHC deu a Vale e outras grandes empresas para a iniciativa privada multinacional. O Brasil perdeu o controle sobre a infraestrutura, que falta agora, quando cresce. E os tucanos vão fazer campanha em 2014 batendo na tecla desse "gargalo" da infraestrutura. Criado por eles. E têm a "grande" imprensa com eles. E os rentistas. E as multinacionais. Assim o círculo de interesses econômicos se fecha, unindo exportadores de produtos primários, rentistas, imprensa e políticos tucanos. 
Governos do PT e do PSDB se opõem porque têm duas visões de mundo opostas. Os tucanos acham que o Brasil não tem que ter projeto próprio, tem que se diluir na globalização, que o capitalismo é um só, que não faz diferença se a empresa é nacional ou estrangeira, que o Brasil deve colaborar com o que tem de melhor, minérios, soja e café, e importar o que outros países produzem. O Estado não tem que se meter nessa história, deve só facilitar a vida dos empresários. E o restante da população, os 99,99% de trabalhadores? Que se virem, que se qualifiquem, conquistem salários melhores etc., nesse grande jogo que é o mercado. É uma corrente política tão antiga que nem a ditadura a seguia, a gente tem de voltar à República Velha para vê-la em ação. Corrente política que foi embora com a crise de 1929 e com a Revolução de 1930 -- e voltou com Collor e FHC.
O PT segue a linha inaugurada por Getúlio, seguida por JK e governos seguintes, inclusive os militares, com variações, a política do desenvolvimentismo, em que o Estado e iniciativa privada atuam juntos, os empresários, especialmente os empreiteiros, ganham muito dinheiro, mas há um plano nacional a ser seguido e o governo está no comando, inclusive atuando com empresas estatais estratégicas. A Petrobrás é uma dessas, a Vale seria outra, mas a Vale foi privatizada. Podemos imaginar o que seria do País se FHC tivesse conseguido dar a Petrobrás também (chegou a mudar seu nome para Petrobrax). Aconteceria com o pré-sal o que está acontecendo com o minério de Carajás, que a Vale explora segundo seus interesses sem se preocupar com o que é bom ou ruim para o Brasil. Mais que isso: contra os interesses do País, servindo a meia dúzia de acionistas. 
A Vale precisa ser reestatizada.

Da Agência Carta Maior.
Pratos cuspidos e trilhos entalados
Por Saul Leblon
O governo vai em romaria aos grandes centros financeiros mundiais para atrair investidores interessados em construir ferrovias, estradas, portos e aeroportos no país.
Não é um passeio. Pode ser uma cartada decisiva.
A continuidade do desenvolvimento requer algo em torno de R$ 500 bilhões em investimentos para dilatar a fronteira logística de um sistema econômico originalmente projetado para servir a 30% da sociedade.
O Brasil corre contra o tempo, mas o momento é favorável.
O governo oferece projetos de concessão pré-esquadrejados pelo Estado.
O interesse público define as prioridades , prazos, qualidade do serviço e taxas de retorno – atraentes, diga-se, de até 15% ao ano.
Num mundo estagnado pela desordem neoliberal, com juro negativo e dinheiro embolorando no caixa das corporações, pode dar certo.
Mas a romaria que começa nesta sexta-feira não visa apenas ao capital externo.
Na verdade, destina-se também a desfechar um safanão no rentismo local.
Em 2012 ele já fora abalroado por um corte de 5,5 pontos na taxa da Selic.
Dilma roçou baixo o pasto gordo da renda fixa, livre, leve e líquida propiciada pelos títulos públicos.
Ainda assim a manada hesita.
Resiste em migrar dos piquetes de engorda de curto prazo para canteiros de obras de longo curso.
Mesmo com taxas de retorno maiores que a do juro real da dívida pública.
A relutância não é totalmente espontânea.
Anima-a a lira musical conservadora que sassarica dando voltas no salão, a embalar expectativas de que o Brasil de Dilma vai acabar na próxima curva.
A estratégia tem lógica.
Trata-se de engessar a economia em um imenso gargalo de infraestrutura, capaz de emprestar alguma relevância ao discurso do senhor Neves, em 2014.
O governo tenta contornar a arapuca trazendo a concorrência do investidor estrangeiro para atiçar o investimeto local.
Mas não é o único obstáculo que enfrenta.
O país que pretende construir 10 mil km de ferrovias nos próximos anos não dispõe de uma única fábrica de trilhos para atender a demanda prevista. 
Um capitalismo reflexo, rapinoso e imediatista, em que as coisas dão certo quando tudo dá certo.
Quando dá errado, como na crise de 2008, a Vale, de Agnelli, foi a primeira empresa brasileira a baixar o porrete grosso: demitiu 1.300 operários numa tacada.
A Petrobrás não demitiu ninguém. E engoliu um congelamento estratégico do preço da gasolina, martelado como escândalo pelo jornalismo especializado no direito dos acionistas graúdos. 

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Unimed-BH: o caos

O usuário da Unimed-BH que vai ao pronto socorro do hospital situado na Praça Floriano Peixoto tem de esperar uma hora e meia só para passar pelo serviço de triagem, que avalia o grau de urgência do caso. Como disse uma médica cooperada: morre na fila.
Se for caso para clínico geral, tem de esperar três horas e meia para ser atendido.
Ontem à tarde, o local mais parecia um ambulatório do SUS.
E está sempre assim, segundo a recepcionista.
Explicação: a Unimed-BH desativou dois postos de urgência e concentrou o atendimento no PS do hospital. Agora, quem paga o Unipart, plano mais caro, tem o mesmo atendimento de quem paga Unifácil, mais barato.
É o caos que aguarda a Unimed-BH, similiar ao do SUS. Ou quem sabe o SUS está melhor?
Quando foi inaugurado, há uns três anos, esse hospital era uma beleza, a gente chegava e era imediatamente atendida pela triagem, entrava na fila de acordo com a necessidade, os mais urgentes primeiro, esperava-se sentado e não demorava. As instalações e pessoal impressionavam.
Agora falta pessoal, quem nem no SUS. Ontem, segundo a recepcionista, havia só duas enfermeiras para fazer a triagem. E centenas de pacientes aguardando. Em pé.

O lado vergonhoso do governo do PT

E dos partidos seus aliados, no caso o PMDB.
Museu do Índio vira Memorial Olímpico -- e os indígenas que se danem.
Escola vira sala de aquecimento -- e os alunos que andem mais dois quilômetros.
Parque aquático e estádio de atletismo viram estacionamento -- e os atletas que se virem.
Parece exagero, mas é a verdade. Escola, museu, parque aquático, estádio de atletismo, tudo isso será demolido e seus usuários expulsos para que as exigências da Fifa e do COI sejam atendidas, os empreiteiros ganhem muito dinheiro e os políticos levem o seu.
E, claro, é a iniciativa privada quem vai explorar, depois que o dinheiro público fizer as obras.
Não tem nada a ver com desenvolvimento nem com esporte, é só canalhice mesmo. 
Contra atos assim os tucanos não abrem o bico, porque são favoráveis e fariam a mesma coisa. Ou pior.

Da Rede Brasil Atual
Rio decide demolir escola e retirar índios de área do Maracanã
Edital de concessão confirma demolição da Escola Friedenreich e remoção da Aldeia Maracanã
Por Maurício Thuswohl
Rio de Janeiro – A bola ainda não rolou para a partida inaugural do novo Maracanã, mas o estádio carioca, que receberá jogos da Copa das Confederações em junho e da Copa do Mundo no ano que vem, já tem seus primeiros derrotados: os estudantes da Escola Municipal Friedenreich e os indígenas que ocupam há sete anos o terreno do antigo Museu do Índio e lá organizaram a Aldeia Maracanã. Publicado ontem (25/2/13) no Diário Oficial do Estado pelo governo do Rio de Janeiro, o edital de concessão, operação e manutenção do Maracanã prevê a demolição da escola. Após pressão da sociedade, o Museu do Índio será preservado, mas os indígenas serão retirados e o prédio abrigará o futuro Memorial Olímpico.
A ferrenha oposição dos pais dos alunos e o fato de a Friedenreich ter sido considerada a quarta melhor escola do Rio segundo o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) não sensibilizaram o governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes. O edital de concessão do Maracanã prevê que a escola seja demolida e reconstruída no terreno onde hoje já existe a Escola Municipal Orsina de Castro, no bairro da Tijuca e distante cerca de dois quilômetros do Maracanã.
Após a demolição da escola, de acordo com o edital, serão erguidas no local duas salas de aquecimento para as seleções que forem jogar no estádio durante a Copa do Mundo. As instalações, segundo o governo, servirão também em 2016, quando serão utilizadas por atletas que forem competir no Maracanãzinho.
A sessão de licitação está marcada para 11 de abril, no Palácio Guanabara. Segundo o edital do governo, a empresa vencedora ficará também responsável por gerir o Maracanãzinho e as obras de adaptação do entorno do Complexo do Maracanã, o que inclui o prédio do Museu do Índio. Também estão confirmadas as demolições do Parque Aquático Júlio Delamare e do Estádio de Atletismo Célio de Barros, para desespero de nadadores e atletas brasileiros que ainda não têm novo abrigo definitivo para substituir os dois ícones do esporte no Rio, ambos considerados excelentes pontos para treinos e competições.
A íntegra.

A igreja e a ditadura

Da Agência Carta Maior.
Colaboração com a ditadura preocupa igrejas cristãs  
Dermi Azevedo
As Igrejas Cristãs que atuam no Brasil de forma ecumênica deverão dispor ainda este ano de informações sobre a colaboração de padres, bispos, pastores e leigos com a repressão política durante a ditadura de 1964. Um grupo de pesquisa, integrado por cientistas sociais e políticos, além de líderes eclesiásticos, já está dando os primeiros para realizar essa tarefa.
Antes mesmo de serem iniciados os trabalhos, já foram identificados foram identificados vários colaboradores, entre os quais três arcebispos já falecidos. São eles o ex-arcebispo de Belém (PA), d. Alberto Gaudêncio Ramos e seus colegas, da corrente tradicionalista da Igreja, d. Geraldo Sigaud, de Diamantina (MG), e d. Antônio de Castro Meyer de Campos (RJ), um dos fundadores, ao lado de Plinio Corrêa de Oliveira, da organização de extrema-direita Tradição, Família e Propriedade, a TFP.
D. Alberto era uma das principais fontes de denúncias contra os seus colegas e subordinados, na Igreja Católica da Amazônia. Já d. Sigaud liderou uma campanha contra seu colega d. Pedro Casaldáliga, de São Félix do Araguaia e contra d. Tomás Balduíno, da ordem dominicana, de Goiás Velho/GO. Com base em dossiês preparados por Sigaud e Meyer, o governo militar decidiu expulsar Casaldáliga do Brasil. Para a ditadura, d. Pedro, por ser catalão, estava proibido de denunciar problemas brasileiros, como o fez em uma carta em que denunciava o caráter escravocrata do latifúndio na região amazônica.
A ameaça de expulsar Casaldáliga provocou uma discreta, mas objetiva e imediata reação do papa Paulo VI. Em reunião com seu staff, declarou que pela primeira vez na história da diplomacia do Vaticano, a Igreja poderia romper as suas relações com o Brasil. A ameaça abortou, de acordo com o relato do ex-cardeal arcebispo de São Paulo, d. Paulo Evaristo Arns.
Outro ponto a ser levado ao grupo de trabalho das igrejas é o funcionamento informal e ilegal, durante a ditadura de uma "delegacia" no Deops paulista, no centro paulistano, dedicada especialmente às denúncias de clérigos e de pastores contra seus colegas. Entre os colaboradores dessa "delegacia" – chefiada pelo delegado Alcides Cintra Bueno – estava o jornalista Lenildo Tabosa Pessoa, do jornal O Estado de S. Paulo. Formado em Filosofia e em Teologia na Universidade Gregoriana de Roma, Lenildo dispunha da formação adequada para participar, até mesmo, no interrogatório de integrantes das pastorais católicas, presos pela repressão...
A íntegra.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Fora Marin

"Ter Marin à frente da CBF é como se a Alemanha tivesse permitido um membro do antigo partido nazista ter organizando a Copa de 2006."

Da Avaaz.
José Maria Marin Fora da CBF!!!
José Maria Marin tem sua vida ligada àqueles que sustentaram a ditadura brasileira. Fez discursos publicamente em favor do assassino, sequestrador e torturador Sérgio Fleury. Apoiou os movimentos que levaram a tortura, morte e desaparecimento de centenas de brasileiros. O caso mais notório é do jornalista Vladimir Herzog. Se a justiça não consegue processar estas pessoas por conta de uma lei de Anistia torta, não podemos permitir que Marin viva a glória de estar a frente do maior evento mundial da nossa história. Conheça esta face negra de José Maria Marin aqui: http://blogdojuca.uol.com.br/2013/02/resposta-a-marin/
Clique aqui para assinar a petição fora Marin, cujo autor é o filho de Vladimir Herzog.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Thor Batista volta a dirigir

Todos sabemos como funciona a justiça no Brasil -- quem pode pagar fica livre, quem não pode vai preso. Está aí mais uma prova. E também uma boa ocasião para o presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, por alcunha Batman, tomar a causa como sua e punir "os que ficam impunes". O perito do caso foi afastado.

Do Pragmatismo Político.
Após matar ciclista, Thor Batista recupera permissão para dirigir
O filho do empresário Eike Batista, Thor Batista, recuperou o direito de dirigir após a Justiça revogar a medida cautelar que suspendia a carteira de habilitação dele. Thor é acusado de homicídio culposo do ciclista Wanderson Pereira dos Santos, em março de 2012, no Rio de Janeiro.
A Justiça também decidiu excluir do processo o laudo que apontava que o acusado dirigia a 135 km/h no momento do acidente.
A íntegra.

O balanço do PT

Documento publicado pelo Partido dos Trabalhadores avalia os dez anos dos governos Lula e Dilma.

O decênio que mudou o Brasil
O Brasil ingressou na segunda década do século 21 trilhando o caminho próprio de importantes e significativas transformações que em série não se apresentaram naturais e nem espontâneas. São frutos de um conjunto nacional de vontades motivado pela sede de prosperidade econômica e social, bem como do engajamento militante e disciplinado de forças sociais, econômicas, políticas e ideológicas sob a liderança do Partido dos Trabalhadores.
O longo intervalo regressivo das duas últimas décadas do século 20 decorreu da exaustão do projeto de industrialização e do declínio socioeconômico expresso pela capitulação ao receituário neoliberal imposto pelo Consenso de Washington.
A subordinação nacional aos desejos dos grandes detentores de riqueza financeira e dos grupos geradores de divisas internacionais apequenou o país, interrompendo o longo e tortuoso processo de construção do Estado nacional.
Os dez últimos anos mudaram o Brasil, permitindo reverter a decadência induzida pela rota da neocolonização neoliberal.
O povo voltou a protagonizar mudanças, está altivo, recuperando a autoestima. E o que é o país, sem o seu povo!
A íntegra.

Os protestos contra a Globo

Da Rede Brasil Atual
Anonymous Brasil prepara protestos em sedes da Globo 
Anonymous Brasil está convocando manifestações diante de sedes da Rede Globo em todo o país por meio de vídeos e páginas em redes sociais. Pessoas de 73 cidades em 24 estados já aderiram e informam que irão realizar atos no próximo sábado (23/2/13). Os protestos são contra a "manipulação descarada da Rede Globo", segundo o vídeo convocatório. "Vamos dar um grito de basta não aceitaremos mais o lixo cultural que eles nos empurram, vamos questionar suas notícias, vamos cortar a alienação pela raiz", segue o texto.
A íntegra.

O prostíbulo de Belo Monte

Empreiteira já expulsou quase todo mundo para construir a usina, mas para a "Boate Xingu" melhorou até o acesso. E ainda mentiu, quando a polícia libertou mulheres traficadas para lá, inclusive uma adolescente: disse que não tinha nada com isso, que era terreno particular. Construção de Belo Monte parece mesmo uma zona. É o progresso chegando à Amazônia. Quem, senão o Repórter Brasil, para nos informar dessas coisas que acontecem no faroeste brasileiro, onde uma vida não vale nada e impera a lei do mais forte e a força das armas?

Do Repórter Brasil.
Prostíbulo estava em área declarada de interesse público para Belo Monte
Por Verena Glass
A Boate Xingu, onde 14 mulheres foram resgatadas na semana passada, está localizada em área declarada de interesse público para a construção da usina de Belo Monte, em Vitória do Xingu (PA). Segundo a polícia civil, as vítimas, entre as quais estão uma adolescente de 16 anos e uma travesti, estavam submetidas a condições análogas à escravidão e foram aliciadas em estados do Sul do país, o que pode configurar tráfico de pessoas.
Em 5 de março de 2011, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) publicou a resolução autorizativa número 2.853, "que declara de utilidade pública, para fins de desapropriação, em favor da Norte Energia S.A., as áreas de terra necessárias à implantação da UHE Belo Monte, localizadas no Município de Vitória do Xingu" (clique aqui para ler o documento em PDF). De acordo com a Aneel, a área perfaz 3.536,2587 hectares de “propriedades particulares localizadas no Município de Vitória do Xingu, Estado do Pará, necessárias à implantação da UHE Belo Monte, representadas nos desenhos intitulados: 'UHE Belo Monte – Canteiro de Obras – Sítio Pimental' e 'UHE Belo Monte – Canteiro de Obras – Sítio Belo Monte'”, e engloba a Vila São Francisco, onde o dono da Boate Xingu, Adão Rodrigues, teria arrendado 2 hectares de um morador local.  
Clique na imagem para ampliar o mapa 

No último dia 18, o Consórcio Norte Energia, responsável pela construção de Belo Monte, informou, através de nota à imprensa, que "o referido imóvel [Boate Xingu] funcionava em uma chácara na zona rural daquele município [Vitória do Xingu], em terreno particular de propriedade desconhecida e distante cerca de 20 quilômetros do canteiro de obras mais próximo".
De fato, segundo moradores locais, o sitio arrendado a Rodrigues ainda não foi desapropriado pela Norte Energia, ao contrário de outros terrenos da comunidade. De acordo com Pedro dos Santos, coordenador regional da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Pará (Fetagri), "quase todos os lotes da Vila São Francisco já foram desapropriados. Em um deles, ao lado da boate, há uma área onde a Norte Energia leva animais resgatados na região. Do outro lado da boate fica a casa do pobre de um pastor evangélico, que também não foi desapropriado ainda; o resto foi quase tudo. É bem na beira do Travessão do 27 (estrada vicinal que dá acesso ao canteiro Canais e Diques da usina)".
 
Boate Xingu. Bruno Carachesti/Diário do Pará

A Boate Xingu começou a funcionar no local no final de 2012, explica o delegado Cristiano Marcelo do Nascimento, superintendente regional da polícia civil. "Antes, o Adão tinha uma outra boate, que ele montou ainda em 2011 na rodovia PA 415, que liga Altamira à Vitória do Xingu. Ficou lá uns seis meses, mas era fora de mão, não tinha movimento. Aí ele fechou. Foi entre outubro e novembro que ele abriu a nova boate no Travessão do 27".
De acordo com um funcionário de uma empresa terceirizada que trabalha no transporte de trabalhadores de Belo Monte, de fato a nova localização do prostíbulo foi estrategicamente calculada para atender os operários da usina. "A Norte Energia melhorou a estrada para permitir o acesso aos canteiros, e a boate ficou bem no ponto de fácil acesso. Sempre está cheia de trabalhadores", conta o motorista, que pediu para não ser identificado.
Depois do resgate das vitimas da Boate Xingu, ainda na semana passada a polícia civil realizou outra operação na cidade de Altamira, que resultou no fechamento de mais três boates por crime de rufianismo (definido pelo artigo 230 do Código Penal Brasileiro como "Tirar proveito da prostituição alheia, participando diretamente de seus lucros ou fazendo-se sustentar, no todo ou em parte, por quem a exerça"). De acordo com o delegado Cristiano do Nascimento, a maioria das mulheres resgatadas nesta operação também não era do Pará. "Havia moças do Acre, do Amazonas, Amapá e Maranhão". No conjunto das operações, foram resgatadas 34 mulheres.A íntegra.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

O papa renunciou em latim

Uma curiosidade que é mais do que curiosidade. A repórter deu o furo porque sabe latim. O latim é mais uma ligação da igreja com o império romano.
Dá uma marchinha de carnaval:
O papa renunciou em latim
Chamou a turma e lhe disse assim:
(bis)
Escolham outro, não dá mais pra mim...
O papa renunciou
No meio do carnaval
Ele não aguentou  
A folia até o final 

Do Observatório da Imprensa, reproduzido do Estado de S. Paulo.
Só uma jornalista entendia latim
Por Jamil Chade
"No momento em que entendi o que o papa dizia, pensei logo sobre o tamanho da notícia", contou ao Estado Giovanna Chirri, da agência italiana Ansa, a primeira a dar a notícia. "Era uma reunião ordinária e só quatro jornalistas apareceram para cobrir. Assim que entendi o que ocorria, corri. Fiquei tensa."
O Vaticano quer se renovar e fazer sua mensagem chegar ao mundo. Mas poucas vezes o embate entre o mundo moderno e a tradição de séculos foi tão clara como nesta semana.
O papa Bento XVI anunciou sua renúncia em uma língua morta, o latim. Apenas uma jornalista presente havia estudado o idioma e entendeu na hora a mensagem. Mas, ao traduzi-la, mergulhou de volta no mundo moderno: enviou uma notícia urgente que, em minutos, estava em sites de todo o mundo, enquanto alguns dos cardeais mais modernos a receberam em seus smartphones. Em poucas horas, a Praça São Pedro havia se transformado no maior set de tevê do mundo, com o desembarque de centenas de jornalistas.
Depois de escrever, Giovanna não conteve as lágrimas. “Fiquei triste pelo papa”, conta. Levaria mais três dias para Bento XVI aparecer em público e explicar ao mundo, em seis línguas, sua decisão de renunciar.
A íntegra.

Arquitetura, grandes obras, eventos e lucro

Tá tudo dominado, mas ainda tem gente em Minas pensando. "Arquitetura neutra não existe", diz a arquiteta e professora da UFMG Natacha Rena. A iniciativa privada investe em locais nobres, onde já existe infraestrutura, e para isso desaloja os mais pobres, mandando-os para mais longe. Na periferia, só constrói se o Estado bancar. Boa entrevista.

Do Portal Minas Livre.
"Os pobres não vão lucrar com a Copa"
Thaíne Belissa
Segundo a arquiteta e professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Natacha Rena gentrificação é a exclusão de pessoas para valorização de uma área da cidade. Uma ação cruel e muito polêmica que vem acontecendo nas áreas centrais, nas praças, nos parques e tem se intensificado com os preparativos para Copa. Envolvida com as questões políticas da arquitetura, Natacha Rena já desenvolveu vários projetos sociais em Minas Gerais, levando seu conhecimento para além das questões técnicas e estéticas e focando na função social da arquitetura. Em entrevista ao Minas Livre, ela fala sobre o processo de gentrificação em Belo Horizonte, sobre os preparativos para a Copa e critica a parceria público-privada, que para ela é um "sintoma da falência do Estado".

ML: O que é o processo de gentrificação?
NR: Isso já aconteceu e continua acontecendo no mundo inteiro. O mercado começa a detectar que a cidade cresce rapidamente e, ou ele vai ficar investindo cada vez mais à margem, ou ele começa a investir nos centros das cidades. Isso porque essas regiões são degradadas, mas têm transporte, fácil acesso e podem ser valorizadas se ficarem limpinhas, cheias praça, câmaras, policiamento e lojas para turistas. Então, o mercado e o poder público, a portas fechadas – a gente não sabe exatamente como isso acontece – sentam na mesa e dizem: "nós do poder público vamos melhorar a região do centro, mas, antes disso, você senhor do mercado vai lá e compra aquele apartamentinho do seu Zé do lado da rodoviária, porque é muito barato, uns R$ 10 mil. Depois que eu colocar um museu lá, ele vai passar a custar R$ 200 mil". Então alguns investidores compram esses terrenos na região degradada. Aí o Estado lança um grande projeto. O cara que vendeu o apartamento dele por R$ 10 mil comprou um quarto em Ribeirão das Neves, a duas horas de ônibus de onde ele trabalhava. Então esse é o processo: a cidade se valoriza e as pessoas são expulsas.

ML: Dentro desse contexto, como você avalia a parceria público-privada?
NR: Metade do recurso do Estado é pra pagar dívida com bancos nacionais e internacionais. De cara a gente já tem um Estado com seu orçamento comprometido com o mercado: ele está quebrado e não tem dinheiro pra fazer as melhorias urbanas que ele precisa fazer. Aí o Estado diz: "eu não tenho dinheiro, não tenho gestão, o funcionário público é lento, então vamos fazer uma parceria público-privada que vai me garantir eficiência". Esse é o discurso para as pessoas comuns. Mas isso só significa que o mercado vai tomar frente daquela ação e aí o Estado, na hora que alguém vem cobrar alguma coisa como o corte das árvores no Mineirão, ele vai dizer "isso foi uma parceria público-privada e a gente precisa disso para atrair turistas para Belo Horizonte, isso vai gerar dinheiro pra todo mundo". Mas é claro que isso não é verdade: o seu Zezinho que vendia pipoca, o tropeiro do Mineirão, o fulano que tomava conta do carro no estacionamento, essas pessoas pobres não vão lucrar com a vinda da Copa.

ML: De que forma que essa expulsão dos pobres acontece nas praças e parques?NR: Na melhoria de uma praça, por exemplo, que antes era escura, muito arborizada e aí a gente da classe média alta que vai andar nessa praça tem medo de ser assaltado. Mas ali mora um monte de gente que, pra nós, é mais uma categoria de sujeira urbana do que pessoas. Então, na hora que você passa o trator, coloca uma calçada, tira os bancos, coloca câmara, tira as árvores e faz uma praça, ela passa a ser só um lugar mais fácil de ser controlado pela cidade e menos usado pelas pessoas.

ML: Ao mesmo tempo em que o Estado não pode expulsar as pessoas, ele precisa cuidar do aspecto visual da cidade. Como resolver esse impasse?
NR: Existe essa ideia de o lugar que é desenvolvido é limpo, é organizado, a parede é pintada de branco. Então a favela na cidade denigre a imagem urbana. Mas, se a gente tivesse outro olhar pra esses lugares de valorização de uma inteligência coletiva, de um jeito mais criativo a gente ia ver o tanto que a favela é linda.

ML: Você acredita que a Copa intensifica esse processo de expulsão?
NR: Toda vez que se tenta preparar uma cidade para receber turistas para um grande evento, têm-se um leque de discursos. Primeiro você precisa de segurança, então você precisa mesmo é da sensação de segurança. Não estamos vendo projetos sociais para a melhoria das condições de vida do morador de rua, a gente está vendo uma limpeza urbana. O que acontece nesses grandes eventos é empurrar para debaixo do tapete, para as margens da cidade, causando não a segurança, mas uma sensação de segurança.
A íntegra.

O promotor e as verbas públicas de Aécio para sua rádio

Esta história mostra como Aécio faz para que nenhuma denúncia contra ele seja investigada em Minas. Do seu lado está também o famigerado procurador-geral da República Gurgel, mais conhecido como engavetador-geral da República. Além da "grande" imprensa, que depende das verbas publicitárias do governo. Tá tudo dominado.

Do blog Viomundo.
Caso Aécio: "É constitucional o governador contratar empresa da sua família?" 
Por Conceição Lemes
Em Minas Gerais, o senador Aécio Neves (PSDB) e a irmã Andrea estão blindados por todos os lados.
Denúncias feitas contra ambos em 2011 e 2012 nunca foram investigadas, inclusive pelo Ministério Público do Estado.
Em reportagem publicada pelo Viomundo neste domingo 17, o deputado estadual Rogério Correia (PT-MG) justificou: "Como o ex-procurador-geral não apurou nada, sequer quanto de dinheiro público foi aplicado na rádio Arco-Íris, entramos com a segunda representação". Ela foi distribuída a João Medeiros Silva Neto, que é um dos oito promotores da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público do MP de Belo Horizonte.
Ele não se intimidou. Abriu inquérito civil público para apurar as denúncias dos deputados Rogério Correia (PT) e Sávio Souza Cruz (PMDB), respectivamente líder e vice-líder do Minas Sem Censura.
O doutor Alceu Marques, porém, avocou para si o processo – leia-se tirou das mãos de João Medeiros – e o arquivou.
Mais uma vez o promotor não se intimidou. Ingressou com reclamação no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

Viomundo – Ao recorrer ao Conselho Nacional do Ministério Público, o que o senhor pleiteia?
João Medeiros – Peço que seja reconhecida a atribuição da Promotoria e devolvido o inquérito à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Belo Horizonte para que possamos realizar a investigação. Afinal, ao avocar para si o inquérito, ou seja, tirar da Promotoria o inquérito, o ex-procurador-geral feriu a autonomia do Ministério Público.

Viomundo – Por que decidiu investigar as denúncias contra Aécio e Andrea Neves?
João Medeiros – Todas as notícias que chegam à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público do MP de Belo Horizonte geram uma investigação através de um inquérito civil público. Assim foi feito com essa representação. Em março do ano passado, ela chegou aqui e foi distribuída para mim por critério de ordem de entrada. Até então eu desconhecia os fatos relatados. Aí, instaurei um inquérito civil público, como é de praxe em situações semelhantes.

Viomundo – O que aconteceu a seguir?
João Medeiros – A partir do momento em que abri o inquérito civil público, eu passei a levantar dados. Como os deputados haviam trazido a informação de que o ex-governador e a irmã eram proprietários de duas ou três rádios e um jornal impresso, a minha primeira providência foi solicitar à Junta Comercial documentos que pudessem confirmar isso ou não.
A abertura do inquérito chegou ao conhecimento do ex-procurador-geral, que me fez algumas ligações, para saber do que se tratava.
Depois, por escrito, ele me pediu que prestasse informações sobre o tema, pois havia suspeita de que uma investigação idêntica já havia sido feita pela Procuradoria Geral.
Enviei a cópia da portaria para instauração do inquérito civil público, que é o primeiro ato do inquérito. Ela tem a síntese do objeto, a descrição do que se tratava, com base na representação dos parlamentares.
Aí, veio o ato de avocação. Não cheguei sequer a receber a documentação da Junta Comercial.
A íntegra

Cemig vai aumentar tarifa residencial que Dilma diminuiu

Dilma dá com uma mão, Aécio Anastasia tira com a outra. Com aval da Aneeel. O governo federal petista diminuiu as tarifas de energia elétrica em 18%, mas o governo estadual tucano vai aumentar de novo. Só para os consumidores, empresários ficarão de fora: os consumidores vão pagar o subsídio às indústrias. Pra gente não ter dúvida de quem é que manda no estado.

Do Portal Minas Livre.
Aneeel sugere elevação de 9% na tarifa residencial da Cemig 
Joana Tavares
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) realizou, na manhã desta quarta-feira (20/2/13), na sede da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) uma reunião técnica para esclarecimentos do processo de reajuste de tarifa. A mudança se deve ao terceiro ciclo de revisão tarifária, previsto por lei, e vai incidir sobre as tarifas a partir de 8 de abril.
Edvaldo Santana, diretor e ouvidor da Aneel, apresentou, junto com técnicos da agência, os dados que embasam a sugestão de reajuste que a agência propõe, que estavam abertos a discussão na reunião técnica da quarta-feira. Esse tipo de abertura não está prevista para a audiência do dia 1° de março, quando será definido o valor do reajuste, a partir das contribuições de todos os envolvidos.
Pelos dados apresentados, apesar de ter havido uma redução da ordem de 9% nos gastos de distribuição, o reajuste preliminar médio seria de 6,36%. Já os consumidores cativos da Cemig – os residenciais – teriam rejuste de 9,06%. A Aneel chegou a esse valor a partir do levantamento de diversos gastos (encargos setoriais, transmissão, geração, distribuição, financeiros).
A íntegra.

Carta ao presidente do Congresso

Sobre Renan Calheiros, que pertence aos quadros do aliado PMDB, o PT poderia dizer que "é reacionário, mas é o nosso reacionário". Os tucanos também têm os seus, aliás quase todos são.

Do Observatório da Imprensa.
Carta aberta ao senador Renan Calheiros
Por Venício A. de Lima em 19/2/2013 na edição 734
Para o Doutor Renan Calheiros, senador da República e presidente do Congresso Nacional.
Superadas as longas tratativas prévias, realizadas as eleições para a nova Mesa Diretora do Senado Federal, iniciado o ano legislativo e passado o carnaval, agora que tudo começa a funcionar de verdade, decidi escrever-lhe esta carta aberta.
Primeiro, cumprimento V. Ex.ª por haver sido reconduzido à Presidência do Congresso Nacional. Todos nos lembramos dos constrangimentos públicos que teve que enfrentar quando renunciou a essa mesma Presidência para salvar o mandato, em 2007.
Segundo, cumprimento V. Ex.ª pelo compromisso que assumiu – tanto no dia da eleição como no seu discurso de posse – com a democracia e com a liberdade de expressão, um de seus "quatro vetores" de ação na presidência do Senado Federal (aqui, o seu discurso; acesso em 13/2/2013).
Há, no entanto, pontos importantes que não ficaram inteiramente claros. Tomei a liberdade de selecionar alguns desses pontos, referentes apenas ao quarto vetor – "uma vacina definitiva contra qualquer tentativa de controle da liberdade de expressão" –, fazer citações textuais de trechos e, em seguida, formular indagações que seria do interesse geral, creio, fossem esclarecidas por V. Ex.ª
"Temos que nos engajar e assumir uma firme posição em defesa da democracia e seu mais importante reflexo, a liberdade de expressão. Haveremos de interditar qualquer ensaio na tentativa de controlar o livre debate no país. Trata-se de um antídoto contra pretensões que vêm ocorrendo em alguns países. Temos que nos inspirar sim, nas brisas de uma primavera democrática e criar uma barreira contra os calafrios provocados pelo inverno andino. Vamos criar uma trincheira sólida, se preciso legal, a fim de impedir, de barrar a passagem destes ares gélidos e soturnos."
As lições de geografia identificam seis países andinos: Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Chile e Venezuela. Não seria interessante que V. Ex.ª especificasse a quais está se referindo? E, mais importante, quais são os "ares gélidos e soturnos" que precisam de um "antídoto", provocam "calafrios" e ameaçam a democracia?
A íntegra.

O novo livro de Julian Assange, o Garrincha da informação

O ciberativista que revolucionou a divulgação de informações neste mundo em que os governantes mentem descaradamente para seus eleitores também alerta sobre o poder das redes sociais. Ele continua (há seis meses) exilado na embaixada do Equador em Londres. Seu livro está sendo publicado no Brasil. Tudo que publicamos aqui está sendo monitorado pelo Grande Irmão.

Da Agência Carta Maior.
Assange defende aumento massivo de meios de comunicação  
Marcelo Justo, direto de Londres
O fundador de Wikileaks, Julian Assange, recebeu a Carta Maior em um escritório especial que a embaixada do Equador no Reino Unido preparou para que ele converse com a imprensa no momento da publicação no Brasil de seu novo livro "Cyberpunks. A Liberdade e o futuro da internet". Veste uma camiseta da seleção brasileira, com o número sete e seu nome nas costas: a desenvoltura futebolística combina com seu bom bom humor. O cabelo branco e a pele quase translúcida lhe dão um ar de albino insone, mas os mais de seis meses encerrado nos confins da embaixada e o mais que incerto futuro ante à decisão do governo britânico de não lhe conceder o salvo-conduto que lhe permitiria viajar ao Equador não parecem pesar muito.

- Você fala em seu livro da internet como uma possível ameaça para a civilização. Muitos pensam que a internet é uma arma para o progresso humano que produziu, entre outras coisas, Wikileaks. Sua interpretação não é um pouco pessimista?
- Não resta dúvida de que a internet deu poder às pessoas ao possibilitar o acesso a todo tipo de informação em nível global. Mas, ao mesmo tempo, há um contrapeso a isso, um poder que usa a internet para acumular informação sobre nós todos e utilizá-la em benefício dos governos e das grandes corporações. Hoje não se sabe qual destas forças vai se impor. Nossas sociedades estão tão intimamente fundidas pela internet que ela se tornou um sistema nervoso de nossa civilização, que atravessa desde as corporações até os governos, desde os casais até os jornalistas e os ativistas. De modo que uma enfermidade que ataque esse sistema nervoso afeta a civilização como um todo.
Neste sistema nervoso há vários aparatos do Estado, principalmente mas não unicamente dos Estados Unidos, que operam para controlar todo esse conhecimento que a internet fornece à população. Este é um problema que ocorre simultaneamente com todos nós. E se parece, neste sentido, aos problemas da guerra fria.
A íntegra.

O controle privado da internet

Reflexões sobre a internet, as redes sociais e os interesses do capital.

Da Agência Carta Maior. 
A batalha da esquerda e as redes sociais  
Pascual Serrano* – Rebelión
Havana – As novas tecnologias, a internet e as redes sociais têm chegado à sociedade com uma auréola de democratização, participação e igualdade que levou concomitantemente uma fascinação progressista unida ao caráter inovador inerente da tecnologia. Aparatos, suportes e formatos fascinantes tecnologicamente – como toda tecnologia inovadora – que também resultavam igualitárias e baratas, libertadoras, na medida em que pareciam romper o monopólio da difusão dos grandes grupos de comunicação e grandes empresas.
Não se podia querer outra coisa. E não negaremos que parte de tudo isso é verdade. Mas a questão é que existem muito mais elementos ao redor das novas tecnologias para o que devemos estar preparados; e é necessário discutir criticamente esse mito progressista que envolve esse novo fenômeno comunicativo.
Devemos nos perguntar se as redes sociais são um instrumento de socialização ou, pelo contrário, de isolamento. Já sabemos que 39% dos usuários dessas redes passam mais tempo socializado por meio desses canais do que com outras pessoas, cara a cara. As motivações que levam ao uso da rede e seus conteúdos, o exibicionismo da intimidade, a vaidade e o egocentrismo são prioritários em redes como Facebook em detrimento do interesse de formar-se cultural ou intelectualmente.
Pensa-se que os formatos dessas redes são um fenômeno de revolução popular com signo progressista, mas, como na maioria dos produtos culturais promovidos pelo mercado moderno, o domínio segue sendo o da frivolidade.
Um estudo do Twitter mostrou, em 2012, que o os picos de atividade coincidiram com os gols da Eurocopa, quando os usuários o usaram para comemorá-los (veja nota 1 abaixo). O jogador Fernando Torres tinha 318.714 seguidores no Twitter, e o único tweet que tinha escrito na rede era um em inglês, meio ano antes, dizendo algo como "ainda não comecei no Twitter, mas esta é a minha página oficial e já está pronta para quando chegar o momento oportuno". Centenas de milhares de pessoas estavam seguindo alguém que nada dizia.
A íntegra.

Como se muda o sistema

É assim, quando as pessoas decidem não mais cumprir leis e ordens que atendem os interesses do capital e prejudicam a maioria. Rompe-se a ideologia da submissão que mantém o sistema injusto funcionando.

Da Esquerda.net via Agência Carta Maior.
Bombeiros prometem não participar mais de ações de despejo na Espanha
Lisboa – Na terça-feira (19/2/13), o despejo de Aurelia Rei, na cidade galega de Corunha, por atraso de um mês no pagamento do aluguel, foi evitado por uma manifestação com cerca de duzentas pessoas, convocadas pela Plataforma 'Stop Despejos' e que contou com a presença de um eurodeputado do Bloco Nacionalista Galego e de outros militantes da esquerda.
Houve alguns empurrões com os agentes policiais locais e nacionais presentes, mas os manifestantes ganharam ânimo após a chegada dos bombeiros chamados para abrir caminho ao despejo e forçar a entrada da casa da octogenária.
Mesmo ameaçados disciplinarmente, os bombeiros recusaram-se a abrir a porta da casa. Segundo o 'Diario Vasco', um deles empunhou um cartaz da Plataforma 'Stop Despejos', em solidariedade com o protesto.
Mais tarde, outro bombeiro tentou entrar na casa, mas acabou impedido pelas pessoas que se encontravam do lado de dentro. Tanto esse bombeiro como os policiais presentes ouviram uma vaia.
A íntegra.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Lindbergh contesta Aécio

A fala vazia de quem "lê pouco", segundo um amigo dele, e a contestação precisa.

As denúncias contra o senador tucano

O ex-procurador geral da Justiça de Minas Alceu Marques Torres arquivou duas representações contra Aécio e Andrea Neves. Em 31 de maio de 2011, os deputados Rogério Correia, Sávio Souza Cruz e Antônio Júlio entregaram a Roberto Gurgel outra denúncia. Ela está na gaveta do procurador-geral da República há 22 meses e 17 dias.

Do blog Viomundo, em 17 de fevereiro de 2013.
"Se o Gurgel não abrir inquérito contra o Aécio, estará prevaricando"
Por Conceição Lemes 
17 de abril de 2011. Madrugada de domingo, Leblon, Zona Sul carioca. O senador Aécio Neves (PSDB-MG), dirigindo uma Land Rover, é parado pela polícia numa blitz de trânsito. Convidado a fazer o teste do bafômetro, ele se recusa. A carteira de habilitação, vencida, é apreendida. Leva duas multas.

A partir daí, o poderoso bunker montado para protegê-lo foi sofrendo alguns abalos.
O Movimento Minas Sem Censura (MSC), bloco de oposição que reúne parlamentares do PT, PMDB, PCdoB e movimentos sociais, descobriu fatos até então desconhecidos. Além de denunciá-los publicamente, fez representações a várias instâncias, pedindo que fossem investigados.
Essas ações não deram em nada até agora.
Na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), as tentativas para instalar CPIs não prosperaram. Lá, como em São Paulo, vige a lei da mordaça tucana.
Alceu José Marques Torres, procurador-geral da Justiça de Minas até início de dezembro de 2012, arquivou as duas representações feitas contra o senador, a irmã Andrea Neves e a rádio Arco-Íris.
Despacho do ex-procurador-geral de Justiça de MG, Alceu José Torres Marques
"Como o procurador nada apurou, nós entramos com a segunda representação", diz o deputado estadual Rogério Correia (PT-MG), líder do MSC. "O promotor João Medeiros Silva Neto, do Ministério Público do Estado de Minas, abriu inquérito para investigá-la. Porém, o doutor Alceu avocou para si o processo e arquivou. O então procurador-geral prevaricou."
Em 31 de maio de 2011, Rogério e os colegas Luiz Sávio de Souza Cruz e Antônio Júlio, ambos do PMDB, foram a Brasília.
Entregaram pessoalmente a Roberto Gurgel representação denunciando Aécio e a irmã dele, Andrea Neves, por ocultação de patrimônio e sonegação fiscal. A representação está na gaveta do procurador-geral da República há 22 meses e 17 dias.
"Como em 2010 Aécio se tornou oficialmente sócio da rádio Arco-Íris, cujo valor de mercado é de R$ 15 milhões, se tinha patrimônio total declarado de R$ 617.938,42?", questiona Sávio Souza Cruz, vice-líder do MSC. "Como Aécio viajava para cima e para baixo em jatinho da Banjet, cujo dono preside a Codemig e é dono de empresas que prestam serviços ao governo de Minas? Por que Aécio indicou Oswaldinho para presidir a Codemig?"
Rogério Correia denuncia: "Há fortes indícios de ocultação de patrimônio e sonegação fiscal. Aécio se recusa a prestar esclarecimentos sobre o seu patrimônio. Andrea destinou dinheiro público para empresas da família. Isso é improbidade administrativa!"
"Em Minas, o Aécio tudo pode", continua Souza Cruz. "Nós poderíamos ter copiado tantas coisas aprazíveis da Bahia, acabamos por reproduzir uma das menos positivas, o Aecinho Malvadeza."
"Está tudo dominado", ele sentencia. "A Assembleia Legislativa homologa tudo o que é do interesse do Aécio. O ex-procurador geral de Justiça de Minas virou o zagueiro do Aécio, nós passamos a chamá-lo de 'Aéceu'." 

As denúncias menosprezadas pela mídia corporativa
Rádio Arco-Íris, Banjet, Oswaldinho, aplicação de verbas públicas em empresas da família, voos em jatinho do presidente da Codemig, suspeitas de ocultação de patrimônio e sonegação fiscal, blindagem.
Nenhuma dessas denúncias, praticamente desprezadas pela mídia corporativa, é novidade. Todas, desde 2011, têm sido feitas e reiteradas (confira aqui, aqui e aqui).
O ponto de partida, relembramos, foi o flagrante do teste do bafômetro, em 17 de abril de 2011, na cidade do Rio de Janeiro.
O carro que o senador dirigia na hora da blitz — Land Rover TDV8 Vogue, ano 2010, placa HMA 1003, valor mercado R$ 255 mil, comprado após as eleições de 2010 — pertencia à rádio Arco-Íris, de Belo Horizonte (MG), cujos sócios são Aécio, a irmã Andrea e sua mãe, Inês Maria Neves Faria.
Há anos é propriedade da família Neves. Em 1987, o então deputado federal Aécio Neves ganhou a concessão para explorá-la do à época presidente da República José Sarney, atualmente senador.
Por coincidência, Aécio votou a favor da ampliação do mandato de Sarney para cinco anos, o que lhe valeu entre adversários a alcunha de "Aecinco". Antônio Carlos Magalhães, ministro das Comunicações naquele momento, assinou a outorga. Inicialmente a sede da emissora ficava em Betim, depois foi transferida para BH.


A matéria abaixo de Veja, publicada na seção Radar, em 1987, circulou muito antes do teste do bafômetro. Ela diz que Aécio já seria proprietário de outras três rádios, em Cláudio, Formiga e São João del-Rei. Investigação feita em 2011 revelou que oficialmente ele era sócio apenas da Arco-Íris. Estavam em nome de Andrea outra emissora e um jornal em São João del-Rei.

Aécio, aliás, só passou a integrar legalmente a sociedade da rádio Arco-Íris dois meses após ser eleito senador. Mais precisamente a partir de 28 de dezembro de 2010 com valor declarado à Junta Comercial de Minas Gerais de R$ 88 mil, o equivalente a 88 mil cotas. A mãe, dona Inês Maria Neves Faria, repassou-lhe a maior parte das suas.
Em consequência, as 200 mil cotas da empresa ficaram assim distribuídas: Andrea, 102 mil (51%); Aécio, 88 mil (44%); e dona Inês Maria, 10 mil (5%).
Foi a sétima alteração contratual da empresa, que iniciou atividades em 1986. Abaixo a última página do contrato.



A rádio Arco-Íris, além da Land Rover, era proprietária em 2011 de outros 11 veículos registrados no Departamento de Trânsito de Minas (Detran-MG).


Dos 12 veículos, seis são carros de passeio de luxo, em geral não utilizados para fins empresariais.
Mais surpreendentes foram as frequentes autuações dos veículos da Arco-Íris no Estado do Rio de Janeiro. Afinal, ela é retransmissora da rádio Jovem Pan FM, tem sede em BH, não possui departamento de Jornalismo e se atém a músicas para jovens.
As multas aplicadas em 2011 no Toyota Fielder (HEZ1502) e na Land Rover TDV8 Vogue (HMA 1003) decorreram de excesso de velocidade nas cidades de Búzios, Rio Bonito e Rio de Janeiro e em rodovias fluminenses. A informação é do Detran-MG. Abaixo uma do Toyota Fielder (HEZ1502) .

 
A íntegra.

Favelados são 12 milhões no Brasil

Mais do que a população do Rio Grande do Sul.

Da CartaCapital.  
Unidas, favelas e comunidades formariam o 5º maior estado do País
O Brasil tem hoje 12 milhões de pessoas vivendo em comunidades ou favelas. Elas são responsáveis por movimentar 38,6 bilhões de reais por ano, gastos equivalentes, por exemplo, ao PIB da Bolívia. Se formassem um estado, as comunidades seriam o quinto mais populoso da federação brasileira; só as do Rio de Janeiro formariam, juntas, a nona maior cidade do país.
Os dados, divulgados nesta quarta-feira 20/2/13, são resultado da pesquisa DataFavela, estudo feito pelo instituto Data Popular em parceria com Celso Athayde, ex-dirigente da Central Única de Favelas (Cufa), e se baseia em uma projeção que cruzou dados do IBGE e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD).
O estudo revelou que a maior parte dessas comunidades se concentra nos grandes centros, mas a região Norte é a que tem a maior porcentagem de população vivendo nessa situação, cerca de 10%.
A íntegra.

Como Saulo inventou Cristo

Boa leitura nestes tempos de renúncia do papa e quaresma. O judeu culto e rico mudou seu nome para Paulo e transformou uma religião étnica numa religião universal para o império romano. Depois virou santo. É o que mostra o livro And Man Creatred God da jornalista da BBC Selina O'Grady resenhado pelo jornalista Renato Pompeu na edição de fereveiro da revista Retrato do Brasil. Tem também uma boa reportagem de Raimundo Rodrigues Pereira sobre a China contemporânea. 

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Vale ameaça Estação Ecológica em Nova Lima

E o abastecimento de água de 300 mil moradores da região sul de Belo Horizonte. A população se mobiliza contra mais essa mineração predadora, que exporta a riqueza e deixa a destruição.

Da Avaaz.
Expansão da Estação Ecológica de Fechos
Caros amigos(as),
Uma região riquíssima onde nasce água de qualidade, que abriga animais e vegetação em extinção e localizada ao lado de uma área de proteção ambiental (Estação Ecológica de Fechos), corre o risco de se transformar em área de mineração pela intervenção da empresa Vale, comprometendo a qualidade da água que abastece 300 mil moradores da região sul de Belo Horizonte. Corremos contra o tempo, pois a Vale já entrou com o pedido de licença prévia para a exploração dessa importante região! Assine essa petição reivindicando que os deputados estaduais de MG aprovem o Projeto de Lei que propõe a expansão da Estação Ecológica de Fechos. A ampliação pretendida é de aproximadamente 270 ha, sem que haja nenhum impacto social já que a área pertence à Vale e não tem ocupação humana. A Estação Ecológica de Fechos está situada em Minas Gerais, no município de Nova Lima, na encosta nordeste da Serra da Moeda, porção sul da Cadeia do Espinhaço.

Clique aqui para assinar a petição.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

El Galpón no Chile

Do blog do Galpão.
Grupo Galpão no Chile
por Eduardo Moreira
O chileno Osvaldo Obregón enviou-nos, por e-mail, um belo depoimento sobre a apresentação do Grupo Galpão no Festival Santiago a Mil. Confiram a seguir:

"Tu regalo Historia de encuentros ha sido mi libro de cabecera después del FIT Santiago a Mil y durante mi estancia en Valdivia. Te transmito el comentario prometido en una apretada síntesis: 
1) Muy acertado el título, que corresponde perfectamente a los encuentros del Galpón (prefiero usar la traducción al español, ya que es difícil encontrar el acento portugués de la palabra); 
2) Es impresionante la amplitud nacional e internacional que ha logrado tener el Galpón en su historia de 30 años; 
3) Es muy rico el bagaje teatral que tú has ganado desde su fundación, tanto a nivel teórico como práctico. Mencionas a casi todas las grandes figuras y corrientes contemporáneas que han aportado a la dramaturgia textual y escénica. Entre los clásicos se destaca Shakespeare, en particular gracias al montaje de Romeo y Julieta. También se menciona a Molière; 
4) He aprendido mucho sobre el teatro brasileño (que he podido ver en los festivales de Cádiz y Almada), gracias a que el Galpón ha trabajado con los grandes maestros nacionales; 
5) El libro es una mezcla amena de testimonios, narración y reflexión; 
6) No es común que una compañía estable tenga tal longevidad. En general, durante los primeros años, se produce una confraternidad idealizada y después comienzan los conflictos interpersonales. Al parecer, el Galpón ha logrado mantener una sana convivencia; 
7) El período en que el Galpón incursiona en el cine es atractivo y se habla de la mezcla cine-teatro, que es una tendencia actual presente en Italia, Chile y otros países; 
8 ) La lectura me ha servido también para saber algo más de Inés Peixoto como actriz del Galpón; 
9) Si hubiera por ventura una nueva edición del libro, valdría la pena re-elaborar el final, el cual me parece muy abrupto, sin una síntesis con las debidas conclusiones; 
10) El Galpón ha practicado el teatro de sala, pero especialmente el teatro de calle o al "aire libre". 
A íntegra.

PT começa série de debates em todo o País

Tomara que seja pra valer. O PT precisa se revigorar e rejuvenescer. Seus quadros e ideário são da década de 1970. As ideias foram recicladas ao longo de 33 anos, algumas inclusive para pior, mas não houve renovação de quadros. É o principal partido do País porque os demais não têm a menor representatividade, são meros ajuntamentos de políticos profissionais que caçam votos nas eleições.
O que a sociedade oferece agora ao PT, como ofereceu no fim dos anos 70, para que se renove? Ciberativismo, ocupação de espaços públicos, defesa ambiental intransigente, decrecimento, além das velhas eternas bandeiras da democracia e da igualdade social. Entre 1983 e 2013, o mundo deu uma guinada para o neoliberalismo, que foi só mais uma onda passageira, cheia de crises e seguida de nova depressão, que ja dura cinco anos.
O neoliberalismo foi um engodo e o capitalismo já devia ter sido superado há cem anos; ele sobrevive à custa de guerras e mais guerras, incluiu na sua galeria de crimes duas guerras mundiais, o nazi-fascismo, o genocídio de judeus, as bombas atômicas no Japão, bombas de napalm no Vietnã, ditaduras na América Latina, matança de civis no Iraque e em todos os países que o exército americano ocupou, matança de palestinos por Israel e todo o circo de horrores que faz parte do mundo contemporâneo.
Para completar ameaça tornar a Terra inabitável para os humanos -- baratas e outras espécies sobreviverão. E tudo para quê? Para produzir cada vez mais, porque é do aumento permanente da produção que vem o lucro que torna alguns poucos cada vez mais ricos, donos de uma riqueza indecente e grotesca, porque são capazes de consumi-la. Os demais seres humanos são meros consumidores de lixo.
Há bandeiras que são mundiais para todos os partidos de trabalhadores, como um novo sistema econômico baseado na distribuição justa das riquezas e no controle da destruição ambiental, o que significa mudança do modelo atual que destrói aceleradamente os recursos naturais e torna as condições de vida no planeta inóspitas para as futuras gerações.
E há bandeiras nacionais, como a educação pública de qualidade em tempo integral para todos, a reversão do desmatamento, a recuperação das bacias hidrográficas, a opção pela agricultura orgância e familiar.
Há ainda um bandeira absolutamente pioritária, que é nacional e mundial: a democratização da comunicação. Aqui, precisamos fazer a nossa parte quebrando o oligopólio representado por Globo, Abril e Folha e que manipula a opinião pública.
No governo, o PT se aliou a empresários e políticos que defendem interesses antagônicos a isso, que acham que progresso é sinônimo de destruição ambiental e mão-de-obra barata.

Da Agência Carta Maior.
PT: A idade da razão
Saul Leblon
Quando a luta contra o arrocho salarial mesclou-se à saturação nacional contra a ditadura, nos anos 70, os metalúrgicos souberam ir além dos limites corporativos.
Assumiram a liderança de uma nova agenda histórica.
Desse impulso divisor nasceria o PT, há 33 anos.
A série de 13 debates que o Partido inicia nesta 4ª feira, a partir de São Paulo, com a presença de Lula e Dilma, para em seguida inaugurar um circuito nacional, pretende consolidar o inventário desse período, 1/3 do qual no comando do país.
A rememoração é necessária.
Ela ocorrerá previsivelmente sob outros pontos de vista.
O colunismo bicudo, as manchetes especializadas nas adversativas, cuidarão de transformar o aniversário em necrológio.
O PT tem razões para acionar contrafogos. Mas seria crucial que não ficasse apenas nisso.
Seria precioso que surpreendesse indo além da reflexão de legítima defesa.
Os avanços em si são tão conhecidos quanto a contrapartida da desqualificação que os acompanha. À direita, disparada por um conservadorismo que os nega.
À esquerd , por visões -- muitas delas legítimas -- determinadas a instigar o debate progressista, sublinhando a insuficiência do patamar atingido.
O conjunto mais reafirma do que dissipa o essencial.
Os deslocamentos sócio-econômicos e geopolíticos acumulados na década de governo do PT, assim como os erros e hesitações que possam ser computados ao partido, compõem um novo e largo mirante da história brasileira.
O futuro que hoje se coloca na mesa do presente carrega intrínsecas condicionalidades progressistas.
Elas não existiriam tivesse o Brasil dos últimos dez anos sido governado pela coagulação conservadora que agora tenta desqualificar Lula, Dilma e respectivos governos.
Um dado resume todos os demais: sendo ainda uma das sociedades mais iníquas do planeta (apenas sete nações ostentam pior distribuição de renda) o Brasil é hoje o país menos desigual de toda a sua história.
A íntegra.

Morre em São Paulo a vítima mais jovem de torturas da ditadura

Os militares deixaram o poder, há 28 anos, para preservar a instituição, quando não tinham mais controle sobre seus piores quadros nem sobre a economia nem sobre a vontade popular, que ocupava as ruas. Hoje, alguns desmemoriados queixam-se dos políticos corruptos e dizem que os militares foram moralizadores da vida pública brasileira, falsificam a história dizendo que a dita foi branda, não foi dura, por isso é preciso lembrar histórias escabrosas como esta. "Alguma ele fez", costumam dizer tucanos saudosos dos anos de chumbo. Qual terá sido o crime deste bebê? Os policiais que o torturaram continuam impunes: foram anistiados. E denunciá-los é considerado revanchismo.

Da Agência Carta Maior.
Morrer aos poucos  
Luciano Martins Costa
O técnico de computadores Carlos Alexandre Azevedo morreu no sábado (16/2/13), após ingerir uma quantidade excessiva de medicamentos. Ele sofria de depressão e apresentava quadro crônico de fobia social. Era filho do jornalista e doutor em Ciências Políticas Dermi Azevedo, que foi, entre outras atividades, repórter da Folha de S. Paulo.
Ao 40 anos, Carlos Azevedo pôs fim a uma vida atormentada, dois meses após seu pai ter publicado um livro de memórias no qual relata sua participação na resistência contra a ditadura militar.
Travessias torturadas é o título do livro, e bem poderia ser também o título de um desses obituários em estilo literário que a Folha de S.Paulo costuma publicar.
Carlos Alexandre Azevedo foi provavelmente a vítima mais jovem a ser submetida a violência por parte dos agentes da ditadura. Ele tinha apenas um ano e oito meses quando foi arrancado de sua casa e torturado na sede do Dops paulista. Foi submetido a choques elétricos e outros sofrimentos. Seus pais, Dermi e a pedagoga Darcy Andozia Azevedo, eram acusados de dar guarida a militantes de esquerda, principalmente aos integrantes da ala progressista da igreja católica.
Dermi já estava preso na madrugada do dia 14 de janeiro de 1974, quando a equipe do delegado Sérgio Paranhos Fleury chegou à casa onde Darcy estava abrigada, em São Bernardo do Campo, levando o bebê, que havia sido retirado da residência da família. Ela havia saído em busca de ajuda para libertar o marido. Os policiais derrubaram a porta e um deles, irritado com o choro do menino, que ainda não havia sido alimentado, atirou-o ao chão, provocando ferimentos em sua cabeça. Com a prisão de Darcy, também o bebê foi levado ao Dops, onde chegou a ser torturado com pancadas e choques elétricos.
A imprensa não costuma dar divulgação a casos de suicídio, por uma série controversa de motivos. No entanto, a morte de Carlos Alexandre Azevedo suplanta todos esses argumentos. Os amigos, conhecidos e ex-colegas de Dermi Azevedo foram informados da morte de seu filho pelas redes sociais, por meio de uma nota na qual o jornalista expressa como pode sua dor.
A imprensa poderia lhe fazer alguma justiça. Por exemplo, identificando os integrantes da equipe que na noite de 13 de janeiro de 1974 saiu à caça da família Azevedo. Contar que Dermi, Darcy e seu filho foram presos porque os agentes encontraram em sua casa um livro intitulado Educação moral e cívica e escalada fascista no Brasil, coordenado pela educadora Maria Nilde Mascellani. Era um estudo encomendado pelo Conselho Mundial de Igrejas.
A íntegra.

Galpão apresenta 15 Centímetros

Desses projetos do Galpão têm saído excelentes grupos e ótimas montagens, como a inesquecível Arande Gróvore.

Do blog do Galpão Cine Horto.
Cia. 15 de Teatro une elementos do teatro, dança e cinema para apresentar melodrama inspirado em conto de Charles Bukowiski
A partir do dia 21 de fevereiro até 8 de março, o projeto Cena-Espetáculo apresenta o resultado de sua quinta edição, a peça 15 Centrímetros. Criação da jovem Cia 15 de Teatro, formada pelos artistas Alexandre Hugo e Bruna Betito, a nova montagem conta com dramaturgia própria e se baseia em conto do escritor alemão Charles Bukowski para explorar os limites da relação homem e mulher.
Confira aqui as datas e horários de apresentação do espetáculo.
O espetáculo 15 Centímetros é uma livre adaptação do conto homônimo do escritor alemão Charles Bukowski. Apresenta a história de um casal que tem sua tranquilidade abalada pelo inacreditável e repentino encolhimento do marido, Henry, devido à rigorosa dieta imposta por sua esposa, Sarah. O plano de Sarah é que Henry atinja a altura ideal de quinze centímetros, para que assim possa acontecer o tão esperado ato final: o apogeu dos contrastes.
15 Centímetros foi apresentado pela primeira vez, ainda como um esboço de cena, durante a Mostra dos Rascunhos de Cena, projeto realizado pelo Galpão Cine Horto em março de 2012. Selecionada para a segunda etapa do projeto, voltou a se apresentar no centro cultural, na noite de abertura do 13º Festival de Cenas Curtas, e foi eleita por uma comissão julgadora para se transformar em espetáculo de longa duração. Durante o processo, o espetáculo recebeu consultoria artística de três importantes nomes do teatro mineiro: Eduardo Moreira, Inês Peixoto e Paulo André, atores do Grupo Galpão.
A íntegra.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Quem é o presidente da CBF

O jornalista britânico Andrew Jennings mostra em reportagem os serviços prestados pelo atual chefão do futebol brasileiro à ditadura militar.

Da Pública -- Agência de Jornalismo Investigativo.
Qual o papel do chefão da CBF no assassinato de Vladimir Herzog? 
Por Andrew Jennings
São Paulo, 9 de outubro, 1975: O fantoche escolhido para fazer o aquecimento era o deputado Wadih Helu, outra criatura da ditadura. Ele tomou assento nas fileiras da Arena enquanto providenciava lugares discretos para os interrogatórios dos torturadores de Fleury.
Helu trazia "denúncias graves" a seus colegas na Assembléia.
Veja só: o governo tinha acabado de inaugurar um novo sistema de esgoto e quem assiste à TV Cultura não ficou sabendo disso. Eles não mandaram equipe! (controle sua vontade de rir, o fim da história é funesto).
Helu sentou. Era a vez do deputado arenista José Maria Marin."Acho estranho que apesar da imprensa estar levantando o problema há tempos, pedindo providências aos órgãos competentes em relação ao que está acontecendo no canal 2, não tenha acontecido nada até agora."
"Não é só uma questão daquilo que eles publicam mas o desconforto que provocam não apenas aqui, nem apenas nos círculos políticos, mas que se comenta em quase todos os lares paulistas."
Alguma coisa tinha que ser feita.
"Gostaria de chamar a atenção da Secretaria de Cultura de São Paulo, do governador do Estado que devem definitivamente apurar as denúncias publicadas na imprensa de São Paulo, em especial, pelo corajoso jornalista Claudio Marques."
"Faço um apelo ao governador do Estado: ou jornalista está errado ou está certo. Essa omissão por parte da Secretaria do Estado e do governador não pode persistir. Mais do que nunca é necessário agir para que a tranquilidade reine novamente nesta Casa e, principalmente, nos lares de São Paulo."
Sérgio Fleury e seus gorilas agora tinham carta branca para trabalhar. Essa era a mensagem do discurso de Marin. O relógio estava correndo depressa no sentido de abreviar a vida de Herzog.
A íntegra.

Passou da hora de Neymar ir pra Europa

Deve ir já. Enquanto está inteiro. Enquanto ainda joga futebol. Sua expulsão hoje é emblemática e se eu fosse ele ou um dos empresários que decidem seu futuro o tirava daqui imediatamente.
Não sou santista. Não estou entre os que idolatram Neymar. Também não estou entre os que o consideram enganador. É verdade que virou mais um garoto propaganda do que um jogador, mas também é verdade que é um dos melhores jogadores de todos os tempos. Está longe de render, em títulos, o que jogadores do seu nível podem render. Certamente porque escolheu ficar aqui. O que foi uma coisa boa, porque valorizou o futebol brasileiro. No entanto, mostrou-se uma coisa péssima, para ele e para o futebol brasileiro, porque aqui não consegue mais jogar. É impressionante como os brasileiros estão crucificando Neymar, bem naquele espírito brasileiro que Tom Jobim denunciou faz tempo. Deveríamos valorizar Neymar como os europeus valorizam Messi, por exemplo. Em vez disso, o perseguimos, desculpamos zagueiros violentos e justificamos juízes incompetentes. 
Hoje, contra a Ponte Preta, Neymar foi caçado o tempo todo por adversários violentos, com a cumplicidade do juiz. Por fim um beque desses que ninguém vai ficar sabendo o nome meteu a mão na sua cara e outro completou o serviço jogando-o no chão (dois contra um! Neymar sempre é marcado com covardia). O que fez o juiz (outro que ninguém jamais saberá o nome)? Expulsou os dois! O beque anônimo que bateu e Neymar, que apanhou.
O decadente, medíocre, violento e corrupto futebol brasileiro -- dos cartolas aos juízes, dos beques aos volantes, dos treinadores aos comentaristas -- não merece Neymar. E pensar que este já foi o país de Garrincha, a alegria do povo; que quando Garrincha driblava -- e ele era muito mais moleque do que Neymar -- os torcedores aplaudiam, a imprensa ria e os adversários o respeitavam. Se jogasse hoje, neste país de jogadores que rezam mais do que jogam, Garrincha seria crucificado também.
Antes que o quebrem ou o prendam -- porque qualquer dia desses é capaz de um drible ser considerado ofensa e o jogador sair direito para dar explicações na delegacia -- Neymar deve se mudar para um país que goste de futebol, em que os jogadores visem à bola e os juízes apitem faltas. Neymar precisa de um time em que ele não seja a grande estrela, ele precisa fazer parte de uma equipe, de um conjunto que joga bola, ele precisa ser mais um, um dos melhores, mas um dos, não a caça exclusiva em campo -- dos adversários, dos juízes e dos comentaristas.

PS: Depois que Neymar foi expulso, o jogo ficou normal, dez jogadores medíocres de cada lado, todos dando chutões igualmente, batendo igualmente, apanhando igualmente; um jogo equilibrado na mediocridade, do jeito que jogadores, treinadores, juízes e comentaristas brasileiros gostam e o futebol brasileiro atual merece.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

O último artigo de Fernando Lyra

O ex-deputado e ex-ministro morreu quarta-feira, 14/2/13, aos 74 anos. A federalização do ensino fundamental é uma necessidade do País. O dinheiro do petróleo pode ser, enfim, a forma de viabilizá-la. Escola pública de qualidade em tempo integral para todas as crianças.

Da Carta Capital.
No gosto do povo 
Fernando Lyra
Quando o presidente Lula anunciou Dilma Rousseff como sua candidata à Presidência, a reação foi de completa perplexidade. Executiva decidida e conhecida por suas opiniões fortes, Dilma nunca havia concorrido a uma eleição. Tinha uma história de vida complexa, uma reconhecida competência técnica e uma experiência de sucesso substituindo o até então insubstituível ministro José Dirceu na Casa Civil do governo. Mesmo assim, essas credenciais pareciam insuficientes, até porque ela não era uma petista histórica, suas raízes partidárias estavam no PDT de Brizola, onde exerceu diversas funções na cidade de Porto Alegre e no governo do Rio Grande do Sul, adquirindo experiência administrativa.
A presidenta caiu no gosto do povo. Deu ao cargo uma dignidade diferente, com um comportamento mais parecido com os dos governantes do Primeiro Mundo. Sua popularidade, com dois anos decorridos de governo, supera em muito a votação que recebeu. Sabemos que política é mutável como as nuvens, mas, consultando os astros, sua situação para a eleição de 2014 é muito confortável.
No entanto, no meu entender, o mais importante ato do governo Dilma, até agora, foi a sua decisão de reservar os rendimentos dos royalties do petróleo para utilização exclusiva na educação. Uma tese antiga, defendida, entre outros, pelo meu amigo o senador Cristovam Buarque. Essa decisão, sim, é capaz de garantir de uma vez por todas o encontro do Brasil com seu futuro. Hoje, esse encontro parece distante. Os índices educacionais brasileiros podem até ser maquiados para aparentar melhorias, mas temos de reconhecer, mais uma vez, nossa incompetência. Pouco melhorou.
No começo de dezembro, um Cristovam Buarque indignado discursou na tribuna do Senado sobre recente pesquisa na área de educação que coloca o -Brasil em um vergonhoso 39º lugar entre 40 países. Um Cristovam indignado surpreendeu-se com a falta de repercussão de tanta vergonha. Um Cristovam indignado perguntou "se não temos vergonha na cara de sermos a sexta economia do mundo e apresentarmos índices tão baixos de educação". Um Cristovam indignado disse “eu faço esse discurso e, amanhã, nada acontece”. E continua… "A impressão que me está passando é de que está faltando vergonha na cara da gente, mas, além de faltar vergonha, sobra burrice."
Quero me associar a Cristovam na indignação e na vergonha. Isso tem de mudar. Tem de haver uma reforma estrutural, a federalização das escolas públicas de ensino fundamental e médio. Educação tem de ser prioridade absoluta. E não é e nunca foi. Desde os tempos do império. Mas poderá ser. A presidenta Dilma pode deixar sua marca na maior revolução da história deste país. Pode, por meio das melhorias na educação, ensinar uma nação a pensar, se reinventar e, assim, trabalhar para fazer do Brasil finalmente o país do futuro que tanto já foi cantado mundo afora.
A íntegra.

Soja com agrotóxico avança na Amazônia

Quando o governo dá dinheiro para os pobres, os tucanos falam que é esmola, que é dinheiro pra vagabundo etc. e tal, mas como é que a soja e outras monoculturas exportadoras avançam no Cerrado e na Amazônia e no Brasil todo, destruindo ambiente e envenenando alimentos, terra e água? É com dinheiro público também. Disso os reacionários não reclamam. Esse dinheiro é chamada de investimento e a produção de alimentos envenenados é chamada de agronegócio. Por que empresários que vivem de financiamentos públicos (são quase todos os grandes) não é vagabundo?

Do Repórter Brasil. 
Monocultivo de soja invade região do Araguaia, no Mato Grosso
Plantações mecanizadas substituem pastos da pecuária e transformam a região. Com financiamento público, produção é marcada por uso intenso de agrotóxicos 
Por Daniel Santini
São Félix do Araguaia (MT) – Aos poucos, a região do Araguaia, no nordeste do Mato Grosso, vai sendo toda ocupada pela soja. São plantações mecanizadas e marcadas pelo uso intensivo de veneno se espalhando por áreas onde antes eram pastos e mata nativa nos municípios de Cana Brava do Norte, Confresa, Luciara, Porto Alegre do Norte, Santa Cruz do Xingu, Santa Teresinha e Vila Rica. A expansão foi impulsionada por financiamentos públicos e abertura de estradas e intensificou-se de tal maneira em 2012 que mesmo terrenos de Bom Jesus do Araguaia, considerados inapropriados para esse tipo de lavoura, por serem baixos demais e sujeitos a alagamentos, estão sendo aterrados e cultivados. As lavouras começam na beira da estrada, quase no asfalto, e ocupam planícies inteiras.
A íntegra.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

A queda do meteorito na Rússia

2012 não acabou: papa renunciou, meteorito cai ferindo gente...

Do Último Segundo. 
Entenda por que o meteorito causou tantos estragos na Rússia
Especialistas explicam os motivos que levaram ao grande número de feridos e a relação do evento com o asteroide que vai passar a 27 mil quilômetros da Terra nesta sexta

Um meteorito caiu no céu da Rússia nesta sexta-feira (15/2/13), causando uma onda de choque que quebrou janelas e feriu centenas de pessoas na região dos Montes Urais. Em Chelyabinsk, cerca de 1,5 mil km a leste de Moscou, a maior cidade afetada da região, houve pânico, pois as pessoas não sabiam o que estava acontecendo. Veja abaixo por que a rocha incandescente caiu no céu e entenda o motivo de tantos estragos e feridos.
Veja o vídeo do momento em que meteorito atravessa o céu da Rússia
Veja também: Asteroide vai passar a 27 mil quilômetros da Terra nesta sexta
Fragmentos de meteorito são encontrados no deserto do Saara

- Qual a diferença entre meteoros e meteoritos?
- Meteoros são pedaços de rochas do espaço, normalmente provenientes de grandes cometas ou asteroides e que entram na atmosfera terrestre. Muitos são incandescentes por causa do calor da atmosfera. São raros os que suportam o choque ao entrar na atmosfera terrestre e se chocam com a crosta terrestre, estes são chamados de meteorito. Os meteoritos sempre atingem o solo com muita velocidade, mais de 30.000 quilômetros por hora, de acordo com a agência espacial europeia. Eles também liberam uma grande quantidade de energia.
A íntegra.

Canto é a fala do pássaro

Neurobiólogo identificou em alguns pássaros genes de controle da fala semelhantes aos encontrados em humanos.

Da revista Ciência Hoje.
Canto de pássaro, linguagem de gente
Por Sofia Moutinho
Pássaros e humanos estão bem distantes na história evolutiva, mas compartilham uma habilidade rara entre outros animais: a linguagem falada. Não, você não leu errado. Para muitos cientistas, inclusive o neurobiólogo Erich Jarvis, da Universidade Duke (Estados Unidos), não existe diferença biológica entre o canto de alguns pássaros e a fala humana.
O pesquisador e sua equipe acabam de anunciar, no encontro anual da Sociedade Americana para o Progresso da Ciência (AAAS, na sigla em inglês), realizado nesta semana em Boston, que identificaram em mandarins-diamante e beija-flores um grupo de 40 genes ligados ao controle da fala semelhantes aos encontrados em humanos.
Jarvis estuda as bases biológicas da linguagem há 20 anos. Na maior parte de suas pesquisas, examina o comportamento e o cérebro desses dois pássaros e de papagaios – os três têm em comum a capacidade de aprender a vocalizar sons (sejam eles típicos da espécie ou não). Segundo o pesquisador, o que acontece no cérebro dessas aves quando cantam é muito similar ao que ocorre em nosso cérebro quando falamos.
A íntegra.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

A verdadeira história do "mensalão"

Um jornalista que fez carreira na "grande" imprensa mas não afundou no pântano. Aliás, dois, considerando o prefaciador.
Do blog Viomundo.
A Outra História do Mensalão é um sucesso 
Willian Novaes, da Geração Editorial
Os 8 mil exemplares da primeira edição do livro A Outra História do Mensalão já estão comprometidos com uma parte dos clientes da Geração Editorial. Mesmo em pleno carnaval, a editora foi obrigada a aumentar a tiragem inicial em mais 10 mil exemplares, necessários para atender a enorme procura. Até as 12h desta Quarta-feira de Cinzas, 30% dos 10 mil extras também foram reservados para mais uma parte dos parceiros comerciais da editora.
A mais nova polêmica traz as contradições do suposto "maior julgamento" da história da Justiça brasileira. A tiragem de 18 mil exemplares é um número considerado alto para o mercado editorial brasileiro.
A editora mais polêmica do Brasil apostou em A Outra Historia do Mensalão – As contradições de julgamento político, de autoria do jornalista Paulo Moreira Leite, para os leitores tirarem a sua própria conclusão sobre o julgamento mais midiático realizado pelo Supremo Tribunal Federal. A obra tem o prefácio do respeitado jornalista e colunista da Folha de S. Paulo, Jânio de Freitas.
A íntegra.

Para que jornais são publicados?

Como a objetividade jornalística foi inventada?
Enquanto na velha imprensa jornais e revistas estão cada vez piores, na internet todo dia descobrimos uma pérola. É a diferença entre o decadente e o novo.

Do blog Rede Democrática.
O declínio do jornalismo
Por Theodore Dawes
Em mais de 30 anos entrevistei dúzias de candidatos a emprego em jornalismo. Entre as perguntas que sempre faço, uma delas é esta: por que jornais são publicados? Até hoje, ninguém com formação numa faculdade de Jornalismo soube dar a resposta – que, naturalmente, é dar lucro ao publisher.
No ano passado, participei de um bate-papo com estudantes de Jornalismo da universidade local. Fiz a minha pergunta e recebi as mesmas respostas de sempre ("Para... hmmm... dar uma voz à comunidade?") Quando disse a resposta aos estudantes, o instrutor discordou e repetiu a mesma besteira que os estudantes já haviam proporcionado. Minha resposta era uma observação de senso comum, dita com delicadeza. Como recentemente me escreveu um amigo, "se você quiser ver cabeças explodirem, tente explicar às pessoas que elas não são o cliente e o jornal não é o produto... Os anunciantes são o cliente e a atenção do leitor é o produto". Se você fizesse essa experiência com uma faculdade de Jornalismo típica, as detonações cranianas que se seguiriam seriam registradas no sismômetro do departamento de Geologia.
E no entanto, é a verdade pura e simples, 100%.
Nós, na Redação, não deveríamos alimentar ilusões. Nosso objetivo total é preencher o "buraco das notícias", que é o espaço que sobra depois que os anúncios tiverem sido colocados na página. Esse é o fato por trás da observação cômica do seriado de televisão Seinfeld: "É fantástico como a quantidade de notícias que acontece no mundo diariamente sempre se encaixa à perfeição no jornal". É tudo decidido pela publicidade.
Se os jornais servem o público, isso é um feliz efeito colateral do principal objetivo de ganhar dinheiro. E, na verdade, servir o público depende completamente da condição de fazer dinheiro. Como estes simples fatos escapam à atenção dos estudantes de Jornalismo e professores de Jornalismo, é óbvio. Eles vivem numa Terra do Nunca onde os fatos da vida vêm em segundo lugar, depois do engajamento ideológico.
Um pouco antes do final do século 19, toda cidadezinha americana tinha um ou mais jornais e cada um atendia a leitores de determinada tendência religiosa, social ou política. Foi então que se introduziu a "objetividade". O resultado não eram notícias objetivas, mas notícias que não sofriam objeções por parte de nenhum grupo. Notícias insípidas e comentários mostraram ser um ótimo modelo de negócios porque eram vendidos ao público como estritamente factuais, sem a suspeita de preconceito.
Os consumidores confiaram. E engoliram essas notícias.
As notícias objetivas foram e continuam sendo uma piada, mas os americanos continuam a acreditar que existem. As pessoas que assistem ao canal CNBC dirão que é objetivo. Os espectadores que assistem à Fox acreditam que escutam a verdade nua e crua. Como iriam essas mesmas pessoas penetrar o noticiário tendencioso, mas muito mais sofisticado, do New York Times?
A íntegra.

O escândalo silencioso da Assembleia paulista

É em São Paulo, mas vale para Minas e qualquer governo tucano. Quando FHC foi presidente foi assim também. Quando tucano governa, o Legislativo fica mudo, cego e surdo. E a grande (?) imprensa também.

Do Blog do Miro.
Tucanos castram Legislativo de SP
Por Altamiro Borges
Em 15 de março haverá eleição para a direção da Assembleia Legislativa de São Paulo. Nada de novo é esperado, já que o parlamento paulista é uma terra arrasada pela longa hegemonia dos tucanos no estado. Nos últimos anos, a Alesp virou um apêndice do executivo estadual. Não fiscaliza o poder público, sabota qualquer comissão parlamentar de inquérito e abusa dos privilégios. A mídia tucana, que adora criticar as mazelas do Congresso Nacional, evita mostrar a inoperância do Legislativo castrado pelo PSDB.
Em entrevista hoje à Folha, o próprio presidente da casa, o tucano Barros Munhoz, reconhece a fragilidade da Alesp. "O esvaziamento do Poder Legislativo no Brasil é brutal. Há um predomínio do Executivo". Ele também confessa que a maioria governista evita apurar as irregularidades do governo estadual. Para ele, CPI "não adianta nada... Em todo país do mundo [barrar CPIs] faz parte do jogo político. Quem tem maioria segura. Por isso que aqui o PT quer CPI, e em Brasília não. É um instinto de preservação".
A íntegra.

Bombou

Sob a ditadura militar floresceu uma nova política no Brasil. Sob Lacerda -- o prefeito milionário que não mora na cidade que administra -- renasce o carnaval em Belo Horizonte. Um fenômeno cultural e político. O PT, que entregou a rapadura, ficou para trás.

Do blog Movimenta BH.
Se o Lacerda não regulamentar, olê olê olá
Jefferson da Fonseca Coutinho – EM Cultura
Fora a falta de estrutura – banheiros químicos, atendimento médico, maior controle do trânsito e comércio eficaz de comidas e bebidas –, o carnaval de 2013 deixa lições. A principal impressão que fica é de que, longe da Estação do Samba, a área oficial da folia no Bulevar Arrudas, Belo Horizonte se levanta e se sacode para a maior festa popular de rua do Brasil. Blocos e sub-blocos, agregados, arrastaram multidões pelos quatro cantos da pacata metrópole – quase às moscas no período. A mobilização crescente nos últimos cinco anos extrapolou e pegou o poder público com as calças nas mãos.
O argentino Ramon Ramalho, de 29, doutorando em sociologia, explica o movimento que urge: "É uma mobilização espontânea crescente, que ganhou força com o Praia da Estação. É a politização da sociedade civil na retomada do espaço público em Belo Horizonte".
Na Região Centro-Sul, o Coletivo do Delírio, com integrantes de vários pontos da cidade, arrastou moradores do Bairro Funcionários pela Avenida Getúlio Vargas e Rua Bernardo Guimarães. A bateria afinada e de bom gosto atraiu foliões dos prédios residenciais por onde passava. Das janelas para a rua era um pulo. A boa gente à toa na vida parou para ver a banda passar na levada de marchinhas e zombarias – como o "ié ié e glu-glu", bordão do comediante Sérgio Malandro.
Marina Damasceno, de 30, trouxe a pequena Lis, de 2, para a matinê de rua. "Nunca fui de carnaval, de muvuca. Está muito legal. Tem o lado adulto, mas tem também a família. Ainda mais com essa levada tradicional, com as marchinhas que me fazem lembrar a minha avó", sorri, passista, com a mocinha pirata. Os instrumentos de sopro, acompanhados pela boa percussão, dão um toque sofisticado e profissional ao que se revela uma das melhores baterias de bloco deste carnaval de rua.
A íntegra.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

O melhor e o pior dos governos do PT

Do Diário do Centro do Mundo.
Onde o PT acertou e onde falhou nestes dez anos
Paulo Nogueira
Gosto de acompanhar as enquetes do Diário.Ajudam a ver o que se passa na cabeça dos brasileiros, de um modo geral.
Há poucos dias, o tema era os dez anos de PT no poder. A maior parte das pessoas avaliou como "bom" o trabalho do PT. Um contingente expressivo, e claramente apaixonado e engajado, foi além e optou pela alternativa "excelente". Uma minoria reprovou cabalmente a gestão petista.
Eu, pessoalmente, optei por bom. Se houvesse uma resposta entre regular e bom, seria minha escolha. Meu absoluto apartidarismo me dá a frieza necessária para um julgamento técnico, por assim dizer.
O maior acerto do PT foi no rumo e na visão de futuro. Ter como meta a redução da abjeta iniquidade social brasileira é um objetivo irrepreensível.
No meio século entre o golpe militar e a chegada de Lula ao poder, o que se viu no Brasil foi um governo de ricos, por ricos e para ricos. O Estado serviu de babá aos poderosos em detrimento dos demais.
Logo depois do golpe, a estabilidade no emprego – um direito trabalhista da era Vargas – foi ceifada. Os sindicalistas foram perseguidos e as greves proibidas.
Que poderia acontecer senão uma concentração vergonhosa de riqueza?
Foi nesse cenário que o PT surgiu, cresceu e enfim chegou ao poder.
Vistas as coisas em retrospetica, pode-se dizer que a sociedade elegeu o PT, em 2002, para reduzir a desigualdade.
Passada uma década, fica claro que o objetivo foi apenas parcialmente atingido. O Brasil avançou socialmente, mas bem menos do que deveria. Uma hipótese para isso é que a execução do PT – a capacidade de colocar em prática projetos e ideias – tenha sido apenas medíocre, muito aquém da missão igualitária do partido.
A hipótese da execução medíocre ganha força quando você vê os balanços que Zé Dirceu faz destes dez anos. Num deles, ele admitiu que o PT nada fizera para melhorar o sistema penitenciário brasileiro. É um assunto que, naturalmente, se tornou importante para ele, dada a pena que recebeu.
Em outro balanço, dias atrás, diante de militantes petistas, Dirceu foi muito além das grades porque recebeu perguntas extremamente pertinentes.
Perguntaram a ele por que o PT não buscara nestes anos todos aprovar uma legislação de imprensa que impeça abusos das empresas jornalísticas e, consequentemente, proteja a sociedade. É o que a Inglaterra e a Argentina estão fazendo. Dirceu atribuiu essa falha à falta de maioria do poder no Congresso, mas é evidente que houve mais que isso. Faltou, mais que maioria parlamentar, a firmeza convicta que se observa, por exemplo, em Cristina Kirchner.
Como Lula poderia levar adiante um projeto de tal envergadura enquanto mostrasse pelos barões da mídia uma reverência tão grande a ponto de comparecer ao funeral de dois deles, Frias e Roberto Marinho?
Mais uma boa pergunta foi feita a Dirceu pelos militantes petistas. Por que o governo não estimulou o surgimento de vozes alternativas ao conservadorismo das grandes corporações?
Especificamente: por que foi mantida a mesma lógica de destino de verbas publicitárias de sempre? Foi preciso que um levantamento viesse à luz para que soubéssemos que a Carta Capital, tão acusada pela direita de ser chapa branca, recebe na verdade migalhas da publicidade estatal.
As Organizações Globo – de Jabor, Merval, Noblat, Míriam Leitão, Sardenberg, Magnolli, Kamel etc etc. – estão no extremo oposto da Carta Capital mesmo quando a audiência da tevê desaba a níveis inéditos e a circulação do jornal vai na mesma direção.
Alguém consegue explicar esse disparate?
Dirceu também não. Ele admitiu que alguma coisa poderia ter sido feita aí.
Deveria. Até porque o Brasil tem experiência sobre o que a mídia pode fazer quando faltam freios. É de domínio público o papel das grandes empresas de jornalismo no golpe de 1964, e na desestabilização, antes, de Getúlio Vargas.
Existe jurisprudência, portanto.
O PT fez pouco aí. Ou nada. Com isso, ganhou corpo a tese esdrúxula e cínica de que regulamentar a mídia é "censurar".
Faltou aí, mais uma vez, competência na execução. Dados os absurdos cometidos pela mídia – a Veja chegou a publicar um dossiê que afirmava que Lula tinha conta no exterior, depois de admitir não ter tido capacidade de provar nem de desmentir as acusações – não seria tão difícil assim convencer a sociedade da necessidade de estabelecer novos parâmetros para o jornalismo.
A íntegra.