domingo, 28 de fevereiro de 2010

Só agora o 'grande jornal' vê que a cidade está abandonada, mas pelos motivos errados

"Uma cidade abandonada à própria sorte", dizia a manchete. Otimista, pensei: "O progressista jornal belo-horizontino protesta, enfim, contra as construtoras que transformam passeios e ruas em canteiros de obra em todas as partes da cidade impunemente! Ou será que protesta contra motoristas de carrões que estacionam nos passeios, fazem pegas e buzinam de madrugada, sem que a polícia apareça? Talvez também não seja isso, mas o que não falta nesta cidade são ricos prepotentes e autoridades omissas que merecem uma manchete assim". Fui conferir: era uma exasperação contra a greve dos motoristas e trocadores de ônibus por melhoes salários! Não morro de amores por motoristas de ônibus, que costumam dirigir como se transportassem gado, mas há também trabalhadores educados e simpáticos. E, convenhamos, uma greve de dois ou três dias em dez anos ou mais não é motivo de pânico nem revolta.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Norma Jean


Nasceu em 1 de junho de 1926, morreu em 5 de agosto de 1962. Viveu 36 anos. Tornou-se um símbolo da segunda metade do século XX, como outros que morreram precocemente: Carmen Miranda, James Dean, Che Guevara, John Lennon. Aqui, interpretando Diamantes são o melhor amigo das mulheres (Diamonds are a girl's best friend), no musical Os homens preferem as louras (Gentlemen prefer blondes), de 1953, dirigido por Howard Hawks. Estava no auge, tinha 27 aninhos. Como Marilyn Monroe, Norma Jean Mortenson ou Norma Jean Baker, teve nascimento, vida e morte extraordinários. Coisas do século XX.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Desonestidade sistêmica

Qualquer empresa capitalista é desonesta por definição, pois todos que nela trabalham contribuem para o lucro, mas o proprietário se apossa dele sozinho. Pior é que os capitalistas se acostumam à fartura, às facilidades, ao poder e ao luxo, e para mantê-los ou aumentá-los recorrem ao que normalmente chamamos de desonestidade: fraudar, corromper, elevar preços, maquiar produtos, esconder defeitos, usar matéria prima ruim, sonegar impostos, não recolher obrigações trabalhistas etc. Sem contar outros crimes, como trabalho escravo, espionagem, assassinatos, ameaças. É difícil separar os três níveis de um negócio, em geral é questão apenas de grau.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

7 a 0 em time amador não vale

Esse time do Luxemburgo é ainda mais feio do que aquele do Roth. O Juventus do Acre é um time amador, não consegue nem correr, e mesmo assim o Atlético cometeu erros infantis: passes errados, pênalti perdido, chances desperdiçadas. O Atlético devia fazer algum tipo de teste de inteligência nos jogadores que contrata. O QI do time é muito baixo, e não é de hoje. Eles não sabem nem falar. Dá dó ver o Marques jogar. Um jogador que já foi craque, terminar desse jeito. Tomou uma bola do Obina, que ia fazer o gol, e quase toma outra, no gol (feito) que marcou. Atleticano que se iludir com esse time vai ter mais uma decepção. O Galo de Luxemburgo é formado por quatro ex-jogadores em atividade (Júnior, Marques, Ricardinho e Cáceres), quatro jogadores que jamais estariam na equipe titular, em outras épocas (Coelho, Jonilson, Carlos Alberto e Evandro). Sobram o irregular goleiro Aranha, o jovem e inseguro Renan (o outro, goleiro, é que deveria ser elevado a titular) e o folclórico Obina, um Dario Peito de Aço sem a mesma eficiência. Dá pra torcer por um time assim? Luxemburgo vai ter de demonstrar que não é ele também um ex-treinador em atividade para ganhar alguma coisa com esse elenco.

Um time com nove, outro com doze...

Dois pênaltis, dois jogadores expulsos... Sei não. Me parece coisa encomendada para beneficiar time brasileiro. Esse juiz colombiano tem antecedentes? Nos dez a quinze minutos que eu vi, o Colo-Colo era melhor em campo. Aí o apito desequilibrou e estragou o possível espetáculo. Parei de ver, com a impressão de que a Libertadores tem interesses acima do futebol e que o time mineiro não vai longe. Afinal, não jogará sempre em casa, com doze, contra nove.

Escolas e pet shops

No Carmo e no São Pedro duas pequenas escolas estão dando lugar a espigões. Pela cidade toda, e de forma frenética na região centro-sul, a construção civil derruba casas para erguer edifícios. Fico pensando que cidade será esta daqui a alguns anos. Edifícios e carros. Escolas não têm importância. As famílias não terão escolas perto de casa, dependerão de carro e só terão como opção as grandes escolas católicas. Mas também pra que escola? As famílias não têm filhos mais, têm é cachorros. O que precisam é de pet shops.

Eleição 2010: disputa entre partidos e propostas

Ainda o plebiscito
Marcos Coimbra
(Estado de Minas)
Goste-se ou não de Lula, é preciso reconhecer que o que ele está propondo é um novo modelo de eleição, que só é possível agora. Hoje, depois de oito anos de PT no governo, pode-se fazer a comparação entre ele e o PSDB
(...)
Não importa quem vença. O importante é que teremos, de um lado, um bom e legítimo candidato do PSDB (paulista, ex-intelectual, integrante do governo FHC) e, de outro, uma boa e legítima candidata do PT (técnica do setor público, ex-militante de esquerda, integrante do governo Lula). Sem a combinação de ilusão e medo (como a que deu a vitória a Collor), sem mágicas (como a do Real, que elegeu Fernando Henrique), sem carismas (como o de Lula).
Não era isso que queríamos, uma política em que os partidos são mais importantes que as pessoas?

A íntegra (para assinantes do jornal):
http://wwo.uai.com.br/EM/html/sessao_22/2010/02/24/interna_noticia,id_sessao=22&id_noticia=129979/interna_noticia.shtml

A banda larga mais lenta e cara do mundo

Reportagem antiga, mas atual.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Faltam redes

O que falta na nova comunicação é a formação de redes. Jornalistas, organizações e leitores produzindo e socializando informações. Conectar blogs dispersos, unir associações diversas, centralizar notícias. Falta a sistematização do que já ocorre de forma espontânea.  

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Águas de março é plágio?

Volta a polêmica sobre Águas de março, escolhida melhor canção brasileira numa enquete da Folha de S. Paulo, em 2001. Seria plágio de uma canção de Inara (compositora que ficou no esquecimento) misturada com um ponto de macumba do começo do século XX.
Ainda que Águas de março tenha mais dez influências será uma obra prima. O processo criativo é misterioso, os grandes artistas também têm suas fontes. Gênios são aqueles que conseguem recriar o que está à volta deles, como outros não conseguem. E dão a impressão de que fazer arte é fácil. Mas há uma grande diferença entre criticar e criar.
Vejamos Noel, cujo centenário se comemora. Passou uma temporada em BH, para se tratar. Numa reunião familiar improvisou versos para a cidade em cima de uma melodia americana de sucesso na época (Vivo esperando e procurando / Um trevo no meu jardim / Quatro folhinhas nascidas ao léu / Me levariam pertinho do céu… – na versão de Nilo Sérgio, gravada por João Gilberto). Belo Horizonte não lhe inspirava samba, mas os versos brotaram da sua genialidade, quando lhe perguntaram o que estava achando da cidade (1935 ou 1936):

Belo Horizonte, deixa que eu conte
O que há de melhor pra mim
Não é o bordão deste meu violão
Nem é rima que eu firo assim
Não é a cachaça nem a fumaça
Que no meu cigarro vi
Belo Horizonte, deixa que eu conte
Bom mesmo é estar aqui.

A história está no livo do João Máximo e Carlos Didier, que conta também que, em outra reunião não familiar, num bordel, Noel improvisou outros versos, talvez mais adequados à cidade. Ou ao ambiente.

Belo Horizonte, atrás do monte
Rosinha deu pro Leitão
Arrependida se pôs a chorar
Jurando que nunca mais ia dar
Porém, no outro dia, Leitão comia
Na cama outro jantar
E a Rosinha, tão pobrezinha,
De inveja quis se matar

A liberdade que Noel revela ao criar duas paródias tão diferentes sobre o mesmo tema (ele fez outras, que estão gravadas, ao contrário de "Belo Horizonte") tem a ver com a genialidade do artista. Noel compunha com essa facilidade, sem preocupação de produzir mercadorias. É exemplar sua polêmica com Wilson Batista, numa série de obras primas, de um e de outro. Num determinado momento, Noel gostou da melodia do adversário e escreveu outra letra para ela. Ficou lindo. Quem é o dono da canção, Noel ou Wilson?
Essa história de plágio é uma discussão de caráter capitalista, porque o autor fatura e a propriedade dá grana. Arte não tem dono. Quem cria bebe em fontes e depois que criou vira fonte também. É do mundo. O que dá graça à coisa é essa capacidade que tem gente como Tom Jobim de (re)criar beleza com (aparente) simplicidade. Águas de março é uma linda melodia que vai no mesmo batidão, tum-tum tum-tum, longa, e no entanto, no fim, queremos mais. Com Elis cantando então...

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Buzinas na madrugada

No meio da madrugada, um vizinho toca a buzina para o porteiro quatro vezes. Lá pelas cinco horas, outro vizinho toca uma vez só, mas forte, insistente. As pessoas perderam a noção de educação e respeito. 

sábado, 20 de fevereiro de 2010

De blog em blog

Maria Frô é outro blog que já entendeu o novo jornalismo, como se vê neste post:

Para o poder público de SP, o povo é lixo e deve ser tratado a porrada e gás de pimenta
Sou blogueira, ativista em defesa da igualdade de direito das mulheres, luto contra o racismo, a homofobia e sou a favor de inúmeras outras causas sociais. Acho que a blogosfera brasileira precisa ir além da reprodução de notícias de segunda-mão ou da leitura crítica do discurso da grande mídia. Há algum tempo decidi andar com uma câmera na mão, registrando coisas da cidade que me chamam a atenção. Trata-se de um projeto simples: ser quase uma espécie de ‘ombudswoman’ da cidade onde vivo, São Paulo. (...)

Interesse social X interesse do capital: caso exemplar

A notícia abaixo, cuja íntegra está no jornal Hoje em Dia, mostra de forma cristalina, como raramente pode ser vista, a essência do capitalismo e como ele funciona no Brasil. De um lado, o interesse social – a saúde e todos a ela ligados: população, profissionais, autoridades; do outro lado, os interesses comerciais – o capital e todos a ele ligados: comerciantes, industriais, laborartórios, gente cujo primeiro interesse é ganhar dinheiro, seja como for. O Estado se divide entre os dois lados: o Executivo, a favor do interesse social e o Judiciário, em defesa do capital.

O interesse social é que remédio seja usado para combater doenças e ajudar doentes; deve ser prescrito por médico, vendido por farmacêutico e comprado com receita. O estabelecimento que vende remédio é a farmácia. O lucro com medicamentos não pode ser abusivo e o Estado deve prover aqueles que não podem pagar por eles, mas têm o mesmo direito à saúde.

O interesse capitalista é que remédio é mais um produto a ser consumido: quanto mais vender melhor, mais lucro; sendo mercadoria, precisa de propaganda para incentivar o consumo, como qualquer mercadoria, e pode ser vendida junto com outras mercadorias; o estabelecimento que vende remédio deve ter o modelo de organização que reduz despesas e dá mais lucros, o modelo self service, com poucos funcionários, no qual o próprio cliente pega o produto na prateleira, enche a cesta e a leva direto ao caixa, como num supermercado.

Os países capitalistas mais desenvolvidos ultrapassaram essa fase, separando o interesse social do interesse do capital. É o modelo social-democrata europeu, no qual a atuação comercial em atividades de interesse social é regulamentada (é bem este o caso da Anvisa) e o Estado oferece serviços essenciais que o capital não consegue oferecer, pois seus interesses entram em conflito com os interesses sociais (educação, saúde, transporte, segurança).

No Brasil, temos a tendência de seguir o modelo americano, que é bem diferente - do europeu, mas também do brasileiro. Esse negócio de drugstore, por exemplo, foi copiado de lá. O modelo americano permite tudo, mas o direito individual é levado em conta e a Justiça funciona. Ou seja, quem se sente lesado vai ao Judiciário e recebe indenização. No Brasil, a Justiça não funciona; não serve, portanto, para regulamentar essa relação entre interesse comercial e interesse social, ao contrário. Aqui, o Executivo interfere a favor do interesse social, à maneira europeia, e o Judiciário, frequentemente, faz prevalecer os interesses do capital.

As farmácias de hoje (tem gente que diz "moderna", porque ser moderno é bom, aparenta evolução, mesmo quando a "evolução" é para pior, isto é, quando torna pior a nossa qualidade de vida) são um contrassenso que só o capitalismo justifica. Na drugstore em que se compra remédio, compra-se também revista; da mesma forma que se compra biscoito se compra um medicamento... Esse tipo de loja tem muitas vantagens, sim, funciona 24 horas, traz comodidades para o consumidor. Só não pode ser farmácia, porque são dois tipos de estabelecimento diferentes. Farmácia é farmácia, loja de conveniências é loja de conveniências. Separando os dois, fica tudo no lugar certo. O que prevalecerá? O interesse social (Anvisa) ou o interesse do capital (Justiça)?

TRF mantém venda de produtos nas farmácias
Estabelecimentos estão desobrigados de cumprir norma da Anvisa, que restringia a comercialização em todo o país

Luciana Rezende - Repórter - 19/2/2010 - 21:11
A queda de braço entre as farmácias e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) teve novos rounds nesta sexta-feira (19). Pela manhã, o Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, em Brasília, chegou a suspender parcialmente os efeitos da liminar que garantia às empresas filiadas à Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) o direito de não cumprir as novas regras do setor. Elas começaram a vigorar na quinta-feira (18). (...) Farmácias e drogarias de todo o país, filiadas à entidade, não estão mais obrigadas a cumprir a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 44/2009 e as Instruções Normativas (IN) 9 e 10 da Anvisa. Entre outros pontos, elas proíbem que medicamentos, inclusive os de enda livre, fiquem dispostos nas prateleiras das farmácias, ao alcance dos clientes. Eles devem ficar atrás do balcão. Além disso, a norma impede as redes de atuarem como drugstores, vendendo artigos como balas, refrigerantes, ração, pilhas, biscoitos etc.
http://www.hojeemdia.com.br/cmlink/hoje-em-dia/noticias/economia-e-negocios/trf-mantem-venda-de-produtos-nas-farmacias-1.80624

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

CARNAVAL 2010

Parque das Mangabeiras. Bebel na estrada, belas árvores não identificadas, flor e cobra coral (falsa ou verdadeira? Matada, não por nós...) fotografadas pela Alice.

O animado carnaval do Recreativo

Quem passa nas imediações ou mora nas vizinhanças da Rua Grão Mogol, no Bairro Carmo, e ouve o retumbante som que se espalha por centenas de metros ao redor deve ficar imaginando como estará lá dentro. Para satisfazer tal curiosidade, este blog revela com imagem exclusiva o animado carnaval do Clube Recreativo Mineiro.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Novas técnicas, velhos desafios

Até a Câmara de Vereadores de Belo Horizonte está atenta ao novo jornalismo. A Escola do Legislativo começou ontem e termina hoje um curso denominado "Jornalismo na Internet – Velhas Técnicas, Novos Desafios". A julgar pelo título, os jornalistas da Câmara ainda não entenderam bem o que estão fazendo; eu diria que é o contrário: novas técnicas, velhos desafios. O conteúdo toca nos pontos certos, com pompa nada jornalística: "hipertextualidade, multimidialidade, interatividade, personalização, atualização contínua e memória". O que me parece é que os profissionais que fazem a migração da velha mídia (vá lá) para a nova por obrigação institucional, não por afinidade, não vão à essência da internet e com isso produzem apenas um arremedo da nova comunicação. A iniciativa é louvável, de qualquer forma. Só discutir o que é notícia, coisa que não se faz nem em redações, já renova o ar no trabalho.