segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Hoje é um dia especial para os atleticanos: aniversário de Celso Roth

A Massa atleticana comemora hoje, neste chuvoso 30 de novembro, o aniversário do ilustre treinador Celso Roth, também conhecido nacionalmente pelo carinhoso apelido de BURRO! BURRO!, na esperança de que seja a última vez. Não, não desejamos mal a BURRO! BURRO!, ao contrário, desejamos que ele se encontre, o que talvez aconteça em outra profissão, distante dos gramados. Não somos egoístas, queremos que Roth prossiga em outras plagas a sua impressionante carreira, que tem inúmeros 5 (isso mesmo: 5!) títulos conquistados, o primeiro deles a cobiçada Taça Daltro Menezes e o último a Copa do Nordeste de 2000. Sim, porque neste século BURRO! BURRO! ainda não teve a sorte de ganhar um título. Em compensação, detém o recorde de Grenais perdidos, razão pela qual sua última passagem pelo tricolor gaúcho tornou-o tão querido dos torcedores... colorados. Aliás, essa é uma marca da gloriosa carreira do treinador Roth: ele faz felizes as torcidas adversárias. Por isso, poderíamos lhe desejar sorte melhor: tornar-se treinador do cruzêro (não ficaria incrementado o grito da china azul? ZÊRO! ZÊRO! BURRO! BURRO!), mas, embora estejamos já em ritmo de Natal, não acreditamos em Papai Noel. A última vez que o Bom Velhinho se lembrou de nós foi em 1971... Reza a lenda que o treinador gaúcho percorreu os quatro cantos do planeta, antes de atingir os cumes destas Alterosas, sendo famoso até na terra da rainha, onde mereceu versos inesquecíveis do beatle Paul McCartney: "Get back! Get back! Get back to where you once belonged". Gostaria de homenagear o aniversariante lembrando o que sobre ele publicou a Desciclopédia: "Celso Roth joga par ou ímpar com o espelho e perde! Ele sempre pede ímpar! Mas não desiste. Otimista incorrigível que é, analisa cuidadosamente cada derrota, reconhece humildemente que seus dedos não fizeram o que foi treinado e confia num bom resultado no futuro." Por tudo isso, não podemos deixar de gritar em uníssono, comovidamente, nesta data querida: FORA ROTH!

A pior energia do Brasil

O Tempo
30/11/2009
Responsável por 97% do fornecimento de energia em Minas, Cemig lidera ranking da região Sudeste em problemas no serviçoHellem Malta
(...)
Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) mostram que, na região Sudeste, a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) possui a maior média de duração nas interrupções do fornecimento de energia e no número de vezes que o problema acontece. Com isso, lidera o ranking da região de pior prestadora do serviço.

De acordo com os números da Aneel, os mineiros atendidos pela Cemig chegam a sofrer com até sete apagões em um único mês. O tempo em que a população fica às escuras também é alarmante: são 14 horas, em média, a cada interrupção. Os números são de setembro deste ano.


A íntegra:
http://www.otempo.com.br/otempo/noticias/?IdEdicao=1496&IdCanal=6&IdSubCanal=&IdNoticia=127988&IdTipoNoticia=1

sábado, 28 de novembro de 2009

Foi ela!
(Sérgio Sampaio)

Depois de tudo acostumado, foi pior
Ela me viu, cuspiu de lado, na maior
Meu travesseiro tá molhado é o meu suor
Quem precisar de mim me encontre, eu tô na moda
Não tem mais papo, choro nem vela

Foi ela quem invadiu o meu endereço
Fez um fogo no começo
Fez um drama no final

Foi ela, foi ela, foi ela, foi ela, foi ela, foi ela!
Foi ela que jogou meu violão de estimação pela janela

Foi ela, foi ela, foi ela, foi ela, foi ela, foi ela!
Foi ela que jogou meu violão de estimação pela janela

Ela é a fera, ela é a bela
Mudou não
Eu fui a farofa amarela, tô na mão
De novo a velha culpa minha
Solidão, melancolia
O velho tédio, a mão vazia
Não tem remédio, nem me interessa

Senhora do orgulho das serpentes
Me iludiu, mostrou os dentes
Fez de mim um festival

Fora, fora, fora, fora, fora, fora!
Eu dou uma dentro e amanhã eu dou o fora
Fora, fora, fora, fora, fora, fora!
Depois de dar uma dentro, o melhor é dar o fora

Foi ela, foi ela, foi ela, foi ela, foi ela, foi ela!
Foi ela que jogou meu violão de estimação pela janela

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Disputa entre lulistas e aecistas do PT MG vai para segundo turno

(Do blog do PT MG:)
Novo presidente do PT mineiro será definido no 2º turno

Data: 25/11/2009
Atualizado às 20h15

Disputa acirrada, voto a voto, e nenhum dos cinco candidatos que concorriam pela Presidência do PT mineiro conseguiu atingir o percentual mínimo necessário para vencer o PED 2009 no 1º turno, de 50% mais um. Ainda faltam ser contabilizados os resultados de 59 cidades das 625 aptas, que corresponderiam a cerca de 2.360 votos (4,8%), porcentagem insuficiente para eleger um dos candidatos.

O embate agora se concentrará no 2º turno, entre o deputado federal Reginaldo Lopes, que obteve 20.989 (47,44%) dos votos válidos e o secretário nacional de Comunicação do PT, Gleber Naime, que atingiu a marca de 16.840 (38,06%). A nova consulta aos filiados petistas acontece no 1º domingo de dezembro, dia 6.

http://www.ptmg.org.br/

(Do blog do Nilmário:)
Gilmar e Padre João apoiam Gleber no segundo turno

Foi uma atitude inconseqüente a do deputado Reginaldo Lopes anunciar sua vitória no 1º turno quando já se sabia que haveria 2º turno. Como eu disse, na 2º feira matematicamente era inevitável o 2º turno. Criou uma enorme insegurança entre os filiados e o temor de fraudes. Reginaldo é presidente do partido o que impõe o decoro inerente ao cargo, que deve prevalecer sobre a condição de candidato à reeleição. Mais grave ainda foi a manipulação do site oficial do partido, o que, além de confundir os filiados, induziu a imprensa a erros. O presidente do partido precisa ter credibilidade. Mesmo no dia 24 de novembro pela manhã Reginaldo Lopes manteve a versão fantasiada de vitória no 1º turno com 56% à Rádio Itatiaia. A própria jornalista do Estado de Minas que fez a matéria ficou constrangida por ter acreditado no que supunha ser informação oficial.

Com o apoio de Padre João e Gilmar Machado, Gleber Naime passa a ser o favorito e vem embalado pela grande euforia dos oponentes de Reginaldo.

Aliás, já há uma nova maioria no Diretório Regional. Só falta eleger o presidente da nova maioria: Gleber.


http://www.blogdonilmario.com.br/conteudo.php?LISTA=detalhe&ID=106

Em Minas não dá nem pra queixar ao bispo

Arcebispo de Mariana demite e manda recolher jornal

Por Danilo Augusto/Brasil de Fato

[Quarta-Feira, 25 de Novembro de 2009 às 17h17]

Dom Geraldo Lyrio Rocha, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e arcebispo de Mariana (MG), demitiu parte do conselho editorial do Jornal Pastoral e mandou recolher os exemplares da edição do mês de setembro, proibindo assim sua circulação. O periódico, com tiragem de aproximadamente 2 mil exemplares, é de responsabilidade da diocese de Mariana e tem circulação garantida em aproximadamente 70 municípios da região.

Segundo religiosos envolvidos no caso, entrevistados pelo Brasil de Fato e que não se identificaram temendo perseguições, o que levou dom Geraldo a adotar tal medida foi o conteúdo do editorial da edição de setembro. Intitulado “Do toma lá dá cá ao projeto popular”, o texto faz duras críticas a prefeitos da região e ao governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB). De acordo com um dos religiosos, o texto estava totalmente pautado no pensamento da Igreja. “O editorial condiz com o que pensa a Igreja voltada para o compromisso social. Por isso, avaliamos que esta é uma posição pessoal do bispo”, completa.

Questionamento

Em trechos, o editorial questiona as despesas da prefeitura de Piranga (MG), que gastou aproximadamente R$ 375 mil nas obras de uma praça. O valor gasto pela administração do prefeito Eduardo Sérgio Guimarães (PSDB) estaria em média R$ 225 mil acima do valor de mercado, como informou um laudo técnico do engenheiro Carlos Alberto Gomes Beato. Saindo do âmbito regional, o editorial desenvolve críticas à administração do governo mineiro apontando que “levantamento publicado no jornal Estado de Minas do dia 30/8/2009 mostra que em 81 dos 85 municípios com menor índice de desenvolvimento [renda, emprego, saúde e educação] a pobreza caminha de mãos dadas com a corrupção”.

Em outro momento, o nome do governador mineiro é citado: “O governo Aécio, sob a diligência da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, canalizou recursos da ordem de R$ 15 bilhões, em grande parte recursos públicos, para quatro empresas [Vallourec, Sumitomo, CSN e Gerdau] ampliarem ou consolidarem seus próprios negócios na região do Alto Paraopeba. O dinheiro é suficiente para a construção de 700 mil casas populares ao preço de R$ 20 mil cada, quase quatro vezes mais do que os R$ 4 bilhões reservados pelo governo federal para programas de moradia em todo o Brasil. Se esse recurso fosse distribuído para as três cidades Congonhas, Ouro Branco e Jeceaba, onde as empresas ‘sortudas’ estão instaladas, que somam 70 mil habitantes, tocariam perto de R$ 219 mil para cada pessoa ou quase R$ 1 milhão por família.


A íntegra:
http://www.brasildefato.com.br/v01/agencia/nacional/arcebispo-de-mariana-demite-e-manda-recolher-jornal/view

II Fórum de Mídia Livre em Vitória (ES)

4 a 6 de dezembro
Vitória, UFES


Programação
Abertura
Desconferência
Gt1 – políticas de fortalecimento da mídia livre
Gt2 – fazedores de mídia colaborativa
Gt3 – formação para mídia livre
Desconferência mídia livre na confecom nacional
Gt1 – meios de distribuição
Gt2 – cidadania: direitos e deveres
Gt3 – produção de conteúdo
Encontro o futuro dos pontos de mídia livre
Juntando as pontas dos pontos de mídia livre
Caminhos e perspectivas: mídias livres e políticas públicas
Seminário a morte do pop-star
Mesa: “a invenção do pop-star”
Mesa: “a morte do pop-star”
Post livre: conselhos para uma blogosfera política livre
Postar uma informação política: 3 conselhos para melhorar a cobertura política em blogs e mídias sociais no brasil
Postar com participação do usuário: 3 conselhos para dialogar com o usuário-eleitor
Postar sendo ameaçado: 3 conselhos contra a auto-censura
Como postar opinião: 3 conselhos para se criar diálogos e debates na internet
Mesas de debate panorama do midialivrismo no brasil
Plataformas multimídia, mídia livre e cultura digital
Perfil da mídia livre no brasil: contribuição do programa onda cidadã / itaú cultural
Midialivrismo e o direito humano à comunicação
Radiodifusão comunitária ea democratização da comunicação
Universalização da internet no brasil e políticas públicas: quais direitos alcançar?
Comunicação compartilhada na pan-amazônia
Oficinas façamos nós mesmos!
Imersão 1 – corpo-interface
Imersão 2 – transcinema
Imersão 3 – corpo-som
Imersão 4 – jornalismo e literatura
Imersão 5 – revista eletrônica com software livre
Festival de música livre

http://www.forumdemidialivre.org/?p=7#gt2desconferencia

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Eleição para diretório do PT em Minas opõe lulistas a aecistas

A eleição do diretório estadual do PT em Minas, que aconteceu no fim de semana, mas cuja apuração ainda não terminou, contrapõe o PT que se alinha ao governo Lula ao PT que se alinha ao governador Aécio. A chapa liderada pelo deputado Reginaldo Lopes, candidato à reeleição, é apoiada pelo ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel; a chapa liderada pelo secretário nacional de comunicação do PT, Gleber Naime, é apoiada pelo ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias.

Neste momento, segundo o último boletim do PT estadual, Reginaldo lidera, com 48,47% dos votos válidos, e Gleber tem 38,23%. O ex-ministro Nilmário Miranda, que apoia Gleber, prevê no seu blog que haverá segundo turno; ele aposta que Reginaldo não conseguirá mais da metade dos votos, muito menos os 60% que apregoou antes da eleição.

Conforme notícia da Agência Estado, Pimentel considera que esta eleição dará "autoridade e legitimidade" para o grupo vitorioso conduzir a escolha do candidato do PT ao governo estadual, em 2010 – ou seja: ele. Patrus defende a realização de uma prévia. Em 2008, Pimentel, que controla também o diretório municipal do partido na capital, impôs seu candidato a prefeito - ou melhor, o não lançamento de candidato próprio pelo PT.

Assim, o PT mineiro deverá experimentar uma situação curiosa: de um lado, um candidato que é sem dúvida o mais respeitado petista do estado, ministro responsável pela grande revolução do governo Lula, que são as políticas sociais, o prefeito que começou a série de administrações petistas na capital; do outro, o último prefeito do PT na capital, que entregou a cidade para um candidato do governador tucano, figura sem expressão estadual nem nacional, controlador da máquina partidária e provavelmente apoiado por Aécio (só assim torna-se compreensível o acordo do ano passado, que fez o PT abrir mão da prefeitura).

Quando o PT teria a chance de avançar em Minas e possivelmente conquistar pela primeira vez o governo estadual, uma ala do partido, que controla a máquina, prefere dar uma guinada para a direita, excluindo seus quadros históricos em favor de uma aliança com a ala aecista do PSDB.

A disputa também prenuncia a era pós-Lula. Considerando as relações de "amizade" entre Aécio, Pimentel e Ciro Gomes, desenha-se uma aliança de centro-direita que pretende ser alternativa ao PT puro, representado por Dilma Rousseff. Ciro não cansa de dizer que abre mão da sua candidatura a presidente a favor de Aécio, o que equivale a dizer que espera que Aécio abra mão da candidatura dele em seu favor.

Essa aliança de centro direita, entre o PSDB de Aécio, o PT de Pimentel e o PSB de Ciro ocorreu em BH em 2008, quando PT e PSDB abriram mão de lançar candidato para apoiar um candidato comum, do PSB. Para uma opção estranha, difícil de compreender. Aparentemente Pimentel, Aécio e Ciro apostam em eleições não plebiscitárias, que dariam oportunidade a candidatos que não acirrassem os conflitos entre petistas e tucanos.

Patrus é uma luz

Cosmos - I

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Mais Tarso Genro: liberdade para a informação deformada da "grande" imprensa

O ministro da Justiça, na entrevista à Carta Maior:

"O que está acontecendo é que esse setor da mídia não está aceitando que se conteste as suas posições. Ordinariamente, não publicam nossas respostas e, quando publicam, o fazem de uma maneira escondida, exercendo um autoritarismo burocrático sobre a formação da opinião. Isso não é nenhuma novidade. Há, hoje, um grande controle da mídia sobre a vida pública brasileira. É ela que faz a pauta dos partidos, é ela que faz a pauta dos parlamentos, é ela que interfere na pauta do Supremo, invadindo, inclusive, correspondência privada dos ministros. Mas creio que isso faz parte de um grande processo de reorganização democrática do país, e (a mídia) sequer deve ser demonizada em virtude dessas deformações, pois a liberdade de informar, mesmo deformadamente, é um bem maior que deve ser preservado, sob o risco da democracia sucumbir."

A íntegra:
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16255&boletim_id=617&componente_id=10324

Caso Battisti: imprensa não divulga precedentes que beneficiaram direitistas

Entrevista do ministro da Justiça, Tarso Genro, à Agência Carta Maior:

"Tarso Genro: Na minha gestão, por exemplo, foi dado refúgio a dezenas de bolivianos liderados pela oposição de direita na região de Pando e de Santa Cruz, que realizaram ações armadas ilegítimas e ilegais contra o governo de Evo Morales. Após essas ações, eles ingressaram no território brasileiro. Teoricamente, eram guerrilheiros de direita. Receberam refúgio do governo brasileiro. Ninguém, mas absolutamente ninguém, da grande imprensa fez qualquer comentário sobre isso, porque isso demonstraria não só a nossa postura acolhedora em relação a pessoas que cometem delitos políticos dentro da democracia – como ocorreu na Bolívia -, como também a isenção com que o Ministério da Justiça trata esses assuntos. Mas isso não aparece na imprensa, talvez porque acarrete a demolição da tese de que eu sou apenas um quadro de esquerda que está protegendo um presumido outro militante de esquerda."

A íntegra:
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16255&boletim_id=617&componente_id=10324

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

É só procurar

Tudo que você pensar já foi feito. É só procurar na internet.

O mito do muro

Onde está a autoridade dos EUA para falar do Muro de Berlim? No muro da morte que separa seu território dos aliados mexicanos, matando por ano os 80 caídos durante três décadas na Berlim dividida? Na base de Guantánamo, onde centenas de muçulmanos estão presos sem o devido processo legal e são sistematicamente torturados? Ou teria a Europa ocidental mais credibilidade, com sua política discriminatória contra os imigrantes? Ou ainda Israel, com o muro que construiu para separar os palestinos?
O artigo é de Breno Altman, da Agência Carta Maior.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16243&boletim_id=616&componente_id=10305

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

CONTRA BELO MONTE!

Record X Globo: a guerra continua

Globo reedita entrevista e muda tradução da fala de entrevistado americano, para acusar Edir Macedo. Nem jornalismo factual a Vênus segue mais.

http://videos.r7.com/record-rebate-acusacoes-da-globo/idmedia/b6e3c19da6d0463755c07d9901ed7d2b.html

Aécio, Ciro e Pimentel

Os passos recentes de Aécio e Ciro remetem à eleição para prefeito de Belo Horizonte, no ano passado, que ainda não foi bem analisada e compreendida. Em 2008, o PT governava a capital mineira pelo quarto mandato consecutivo e certamente emplacaria o quinto. Surpreendentemente, o prefeito Pimentel decidiu fazer um acordo com o governador Aécio e os dois apoiaram o mesmo candidato, de um terceiro partido. Qual? O PSB, esse mesmo PSB do Ciro, candidato a presidente, mas que abre mão da candidatura pelo amigo Aécio. (O prefeito de BH, hoje, é amigo de Pimentel e ex-secretário de Aécio.) Consta que o PT majoritário (o minoritário, do ministro Patrus Ananias e outros, foi dissidente e não apoiou o candidato da aliança governista) está arrependido de ter entrado na jogada. É o mesmo arranjo no qual Aécio aposta, ao falar de um governo pós-Lula, que não é nem contra nem a favor, capaz de atrair setores que hoje estão com o governo federal. Que setores seriam esses? O PSB de Ciro, por exemplo, que enche de elogios o governador mineiro. Esse novo arranjo de centro-direita representaria um passo à frente na política brasileira, um continuísmo renovador, uma renovação continuísta, ou algo assim, pois Aécio carrega essa fama de moderno, bom administrador e conciliador. Quem vive em Minas sabe que não é assim; nada mais neoliberal e autoritário do que o governo Aécio, cujo investimento mais forte é em publicidade.

O avanço comunista

Matéria da Carta Capital confirma o que eu pensava: o PCdoB é o partido de esquerda mais organizado do país. 

Da revista Carta Capital.
Os jovens vão 'estar tomando' o poder
13/11/2009 15:26:34
Gilberto Nascimento

Conhecidos pelo uso do gerúndio e pelo bordão "vamos estar solucionando", os operadores de telemarketing são considerados os metalúrgicos dos dias atuais. A função surgiu como fruto das novas relações de trabalho e do avanço tecnológico, mas carrega problemas parecidos aos das antigas linhas de produção industriais.
Os operadores de telemarketing somam 1,075 milhão de profissionais hoje no País. A maioria é jovem no primeiro emprego, com idades entre 18 e 29 anos. É a categoria que mais cresceu no Brasil: 10% ao ano em uma década. Setenta por cento são mulheres.
Esses jovens significam hoje para o PCdoB quase a mesma coisa que os operários do ABC representaram para o PT. Sindicatos da categoria, como os de São Paulo e Belo Horizonte, são ligados à União da Juventude Socialista (UJS), o braço jovem do PCdoB. Durante o 12º. Congresso do partido, realizado entre os dias 5 e 8 no Anhembi, em São Paulo, a atividade e a mobilização dessa categoria foi ressaltada pelos dirigentes comunistas. 
A íntegra.

Da Anistia Internacional ao presidente do Supremo, a favor de Battisti

(É longa, mas é uma bela peça.)

São Paulo, 14 de novembro de 2009
Excelentíssimo Senhor Presidente do Supremo Tribunal Federal do Brasil
Dr. Gilmar Ferreira Mendes
Prezado Senhor:

Escrevo a Vossa Excelência na simples condição de alguém que milita em defesa dos Direitos Humanos desde a adolescência, que passou por várias seções da Anistia Internacional, foi voluntário do ACNUR e da Justiça e Paz.

Não sou membro de nenhum partido político ou seita religiosa, não sou eleitor no Brasil nem em meu país de origem, não recebo dinheiro da Itália, nem de grupos terroristas. Conheci Battisti esta semana; antes que recebesse refúgio, nunca tinha ouvido falar dele nem no grupo a que pertencia. Tampouco tenho interesse intelectual ou profissional no caso: sou um cientista e não advogado, jornalista ou político. O que me move a empenhar‐me nesta causa são o sentido de solidariedade, minha visão ética da vida e, também, a vergonha que me produz pensar que possa viver sob instituições nas quais se pratica linchamento. Embora tenha uma firme ideologia pessoal, repudio igualmente aos neofascistas italianos que perseguem Battisti e aos pseudo‐esquerdistas que se enrolam na causa do revanchismo e a “vendetta”.

Acompanhei muitos casos em minha condição de membro de AI, e vi pessoas liberadas por um STF diferente: vi a liberação de Fernando Falco, na qual participei ativamente, e a do padre Medina, em cujo apoio apenas pude redigir algumas cartas. Antes disso, soube da extradição de Mário Firmenich, que foi correta.

Minha atividade em favor dos DH não foi apenas a de preencher papéis. Na década de 70 protegi refugiados do Cone Sul, vítimas da Operação Condor, com grave perigo para mim e minha família. Na década de 80 participei na resistência contra o Operativo Charlie no México e na América Central. Por tudo isso, não tenho nenhum embaraço em assumir que me sinto plenamente qualificado para exigir justiça para Battisti.

Não estou pedindo clemência. Este é um termo teológico. O extraditando merece justiça. Em meus anos de militância conheci dúzias de vítimas da repressão e posso afirmar que é relativamente fácil, nessas condições, reconhecer a têmpera de alguém. Bastou estar uma hora com Cesare Battisti para perceber que ele tem enorme coragem, o oposto exato de seus inimigos, que se movem nas sombras, protegidos pelo poder. Posso me equivocar, mas me parece certo que Battisti não poderá ser amedrontado, como não foram amedrontados Nicola Sacco, Bartolomeu Vanzetti, Joe Hill, Ethel Rosenberg, Dreyfus, Olga Benário, e muitos outros.

Não vou dizer a VE que a história nos julgará: a história é longa e talvez só mude muito tempo depois que se acabe a única vida que temos certeza que possuímos. A crença na justiça histórica é apenas uma maneira racional de fantasiar um desejo mítico de eternidade. Mas, quero fazer uma observação prática: a realização da vingança de outros, como simples procuradores, talvez não seja um bom negócio e não se possa fazer dela um bom proveito. Muitos dirão que, apesar de que Hitler e Mussolini tiveram má sorte, esse não foi o caso de Margareth Thatcher nem do ditador Franco, e que boa parte da Espanha e da Itália ainda apóia o fascismo e seus similares, e parecem ter muito sucesso.

Mas, será realmente assim? Será que o triunfo de crueldade faz seus autores felizes?

Todos os anos, milhares de flores chegam ao túmulo de Bobby Sands e dos outros 9 heróicos garotos que levaram até a morte sua greve de forme em 1981, e não o fizeram para pedir liberdade, apenas para manifestar seu desprezo por seus infames opressores. Seu carrasco, a senhora Thatcher, só recebe os cumprimentos de subservientes empresários que enriqueceram com a ruína de seu país. Os que já não podem beneficiar‐se dela, se afastaram. Aliás, se o ódio compensa, eu gostaria de saber: por que o racismo atravessa a Itália?

Por que os mesmos vândalos que exigem a cabeça de Battisti andam com tochas ateando fogo em acampamentos de africanos, árabes e ciganos, matando mulheres e crianças? Será que pessoas felizes precisam de violência?

Não digo que esses atos deveriam parar por razões morais. Os que os praticam não tem uma moral humanista: eles não acreditam na humanidade, mas nos mitos, na raça, na linhagem, nas armas.

Mas, será que os massacres, a punição coletiva, a perseguição e o papel de inquisidores medievais leva alguma felicidade a suas mentes doentias? Se não for assim, qual é a vantagem desse ódio?

Não posso evitar pensar no famoso coronel de Carandiru. Ele sentiu‐se muito feliz quando massacrou 111 pessoas indefesas, mas, será que era feliz junto a sua namorada, que aplicou com ele a mesma metodologia criminosa, a única que eles conhecem?

Não estou dizendo a ingenuidade de que “a vida se vinga” ou “o mal acaba recebendo seu castigo”. A história mostra que isso não é verdade. Esta é uma idéia antropomórfica, válida para os que acreditam num destino personalizado. Há, porém, uma razão mais básica. A crueldade, a vingança e o revanchismo tornam as pessoas doentes. Não é o castigo divino; é o “castigo” de nossas próprias células.

Estatísticas feitas nos Estados Unidos, na França, durante a Guerra de Argélia, e na Nicarágua, depois da libertação, mostram que torturadores, carrascos, linchadores, têm o maior índice de problemas em sua vida afetiva. Na Georgia, por cada 9 famílias de militares com graves quadros de violência familiar, há apenas 2 famílias civis com os mesmos problemas. Em Alabama, por cada mulher de civil que apanha de seu marido, há 4,7 esposas de policiais que padecem desse problema.

Contrariamente às opiniões cheias de ódio, de sede de sangue e de “vendettas”, há muitas pessoas que valorizam Battisti, sua integridade, resistência e inteligência, sua qualidade de escritor, sua capacidade de lutar durante 30 anos e estar disposto a morrer, em vez de tornar‐se delator, “arrependido”, um lacaio da máfia peninsular.

Ele não estará sozinho em sua greve de fome, e não será possível para nenhum tribunal extraditar para Itália todos os amigos de Battisti.

Excelência, sei que o VE está num nível cognitivo muito superior ao de outras pessoas que se manifestaram contra Battisti. Sei reconhecer a inteligência de alguém, mesmo quando nossos valores sejam opostos. Ouso dizer que Vossa Excelência apreciou 100% da brilhante intervenção do Ministro Marco Aurélio, e reconhece, sem dúvida, que naquela longa argumentação não há uma palavra desnecessária, uma frase que não seja precisa, uma verdade que não tenha sido exaustivamente provada.

O Ministro Marco Aurélio fez, como ninguém tinha feito, uma análise profunda da Sentença 76/88, RG 49/84 da Corte d’Assise de Milano. Ele enumerou 34 provas de que Battisti foi tratado como autor de crime político e acusado diretamente de subversivo (evversivo). Não acredito, mesmo sendo um outsider, que em direito absolutamente tudo seja assunto de opinião.

Não posso pensar que o VE acredite realmente que esses crimes foram comuns. Nunca pensaria isso, porque seria insultar vossa inteligência, e eu nunca cometeria essa impropriedade. Também tenho certeza de que o VE sabe que a causa está prescrita. A prova dada pelo Ministro Marco Aurélio é um verdadeiro teorema, que só pode nos inspirar pena pelos que pretendem defender o parecer contrário.

Percebi que VE ouviu às poucas mas precisas ironias do Ministro Marco Aurélio sobre o cinismo do governo italiano e seus xenófobos e racistas partidários, ao descrever as 12 maiores injúrias que os mais altos políticos fizeram da cultura e do povo brasileiro e até de seus magistrados. Ele fez isso, olhando “olho no olho” no Embaixador Italiano, que naquele momento abandonou a empáfia e fechou o rosto.

Sei que VE entendeu que o Ministro Marco Aurélio desmascarou os interesses políticos e psicológicos (ressentimento, vingança, propaganda, revanchismo) que nada têm de jurídico e se escondem detrás de um julgamento feito com todas as violações possíveis aos Direitos Humanos e ao devido processo. E que ele também ressaltou o idealismo das gerações que lutaram contra a barbárie na década de 70, sem se importar que os vândalos usassem farda ou se vestissem à paisana.

Seria impossível duvidar de que VE ouviu a um dos maiores magistrados da atualidade falar da ditadura do judiciário, algo que conduzirá à catástrofe não apenas da instituição do refúgio, mas de toda a democracia.

Tampouco VE ignora muitos fatos que, embora não tenham sido narrados no dia 12, são de absoluta evidência: Que o governo da Itália se utiliza da organização DSSA para sequestrar refugiados no exterior, que o ministro italiano Clemente Mastella disse aos parentes das vítimas que não cumpriria sua promessa feita ao Brasil de limitar a prisão de Battisti aos 30 anos, que Battisti morreria na Itália pelas mãos de seus algozes e, portanto, que a declaração de greve de fome de Battisti é a evidência de que prefere uma morte digna por sua própria mão.

Em fim, Senhor Presidente: Vossa Excelência sabe que o Ministro Marco Aurélio está certo, e hoje há milhares de pessoas que sabem disso. Não o conheço e não posso julgar se os Direitos Humanos e a Justiça são importantes ou não para Vossa Excelência.

Mas, caso o sejam, VE tem uma excelente oportunidade de cumprir com esses direitos e honrar a justiça:

Admita o empate e outorgue ao réu o benefício da dúvida!

Atenciosamente
Carlos Alberto Lungarzo
Matrícula de Anistia Internacional (USA) 21525711

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Intestino gigante (em Sampa)


Até o dia 21 de novembro, das 11h às 19h, a praça de alimentação do D&D - Decoração & Design Center (Av. das Nações Unidas, 12.555, Brooklin) -, será palco da Exposição do Intestino Gigante (IG), evento idealizado pela Dra. Angelita Habr-Gama em parceria com a Associação Brasileira de Prevenção ao Câncer de Intestino. Com 15 metros de comprimento, considerado uma verdadeira réplica ampliada do intestino grosso, o IG tem como principal objetivo conscientizar sobre os fatores de risco, prevenção, detecção e tratamento do câncer de intestino grosso - cuja incidência é crescente no Brasil, principalmente nas regiões Sul e Sudeste, em função dos hábitos alimentares e do estilo de vida. O IG revela de forma clara e objetiva todos os sintomas e orienta sobre as doenças que podem levar ao desenvolvimento de um câncer. Informações pelos telefones 3043-9000 e 3043-9650. Entrada Gratuita.

http://blog.estadao.com.br/blog/revista/

Consumimos mais do que a Terra consegue repor

Debate compara velocidade da expansão da economia e capacidade de regeneração dos recursos naturais

Andrea Vialli, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - Vários estudos têm alertado que tanto a população da Terra quanto seus níveis de consumo crescem mais rapidamente do que a capacidade de regeneração dos sistemas naturais. Um dos mais recentes, o relatório Planeta Vivo, elaborado pela ONG internacional WWF, estima que atualmente três quartos da população mundial vivem em países que consomem mais recursos do que conseguem repor.

Só Estados Unidos e China consomem, cada um, 21% dos recursos naturais do planeta. Até 1960, a maior parte dos países vivia dentro de seus limites ecológicos. Em poucas décadas do atual modelo de produção e consumo, a humanidade exauriu 60% da água disponível e dizimou um terço das espécies vivas do planeta.

http://www.estadao.com.br/vidae/not_vid370935,0.htm

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

E vinte anos se passaram...

Em Varginha, Lula é aclamado por estudantes e operários

(Cobertura da eleição presidencial de 1989 para o JB.)

Varginha (MG) – O candidato da Frente Brasil Popular à presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, demonstrou surpreendente popularidade neste conservador centro cafeeiro do Sul de Minas, ao desfilar em carreata pela cidade, na manhã de ontem. Foi aclamado por estudantes que saíam das aulas e saudado por trabalhadores em horário de almoço. Grande parte da população saiu às ruas para ver e cumprimentar Lula. Sob o sol forte do meio-dia, Lula falou a cerca de 1.500 pessoas na Praça da Fonte, no centro da cidade, e foi muito aplaudido.
No início da carreata de cem veículos, às 11h30, Lula desceu da camionete, atendendo pedido de um grupo de operários do Departamento Estadual de Estradas de Rodagem. Ouviu queixas contra baixos salários e não cumprimento da legislação trabalhista pelo governo mineiro. Do seu lado, o deputado federal Paulo Delgado, provável candidato do PT ao governo de Minas no próximo ano, recomendou que os trabalhadores mudem sua situação na eleição de 1990. Lula foi mais prático:
- Vocês têm que participar do sindicato de vocês para mudar isso – recomendou aos operários.
Lula orientou Delgado a entrar com mandado de injunção contra o DER para obrigar o governo estadual a cumprir a lei. Depois confirmou os votos operários.
- É claro que vou votar nele - disse sorrindo o torneiro mecânico José Orlando Martins, de 53 anos, vinte deles como empregado do DER, onde ganha salário de 799 cruzados novos.
Como costuma fazer, Lula usou o exemplo colhido na rua para atacar o governador Newton Cardoso no comício.
- Ele não dá aumento aos trabalhadores, mas aumentar as fazendas dele, ele aumenta - disse Lula, numa referência às várias propriedades rurais do governador.
Ao seu lado no palanque estava o prefeito de Ilicínia, um dos poucos eleitos pelo PT em Minas e acusado de ter sido cooptado por Newton Cardoso.
- Isso é uma grande mentira - contestou o prefeito José Nicodemus de Oliveira, que espera conseguir para Lula mais do que os 1.419 votos que o elegeram, num eleitorado de 5 mil eleitores.
Cidade conservadora com 50 mil eleitores, governada pelo PSC, Varginha não tem sequer um vereador do PT, que em 1988 obteve apenas 2 mil votos na eleição municipal.
No comício, Lula tratou de responder às previsões tenebrosas do presidente da Fiesp, Mário Amato, dizendo que os empresários que querem produzir não precisarão deixar o país depois da sua eleição.
- Mas os empresários que só quiserem especular, não precisarão fugir, porque nós vamos facilitar as passagens para sua saída - disse.
Em entrevista, Lula anunciou que vai anunciar até o fim do mês os nomes que irão compor seu ministério.

Futebol, imigração, xenofobia e fascismo

Jovens chamados Nassim Ben Khalifa, Ricardo Rodriguez, Granit Xhaka, Haris Seferovic e Pajtim Kasami ajudaram a Suíça a ter um dia de glória, ao conquistar a copa Fifa sub 17. Evidentemente, seus pais ou avós, se não eles mesmos, vieram da África, da Ásia e da América Latina. A Europa está repleta de futebolistas de origem estrangeira, aclamados nos estádios. Se não tivessem esse talento e essa sorte, porém, seriam discriminados. Os europeus impõem cada vez mais restrições aos imigrantes. Tais jogadores dariam um belo exemplo se liderassem campanha pela liberdade de imigração. A xenofobia é um passo rumo ao fascismo.

Mensalão foi tentativa de golpe

Cuba exporta médicos

Médicos do povo para o povo
Há 10 anos as Escolas Latinoamericanas de Medicina de Cuba formam médicos de origem pobre para a América Latina. Estudantes de movimentos sociais (camponês, negro, sindical, indígena e outros) são selecionados, tornam-se alunos do melhor curso de medicina social do mundo e retornam a seus países para praticar os conhecimentos adquiridos nos lugares em que seus países mais precisam, mas não contam com médicos formados nas universidades tradicionais. Para implantar o projeto, Cuba transformou uma antiga instalação militar – a Academia Naval Granma – em uma universidade médica latinoamericana. Uma escola similar foi criada na Venezuela, Bolívia e Equador pretendem fazer o mesmo.

domingo, 15 de novembro de 2009

Observações sobre a internet II

A força da internet é também seu ponto fraco: o excesso de informações. Não apenas é impossível consumir todas as informações disponíveis (e cada vez menos será, porque elas aumentam em velocidade gigantesca), como elas se perdem nesse ciberespaço infinito. Por isso as ferramentas de busca são as mais importantes – o Google pesquisa é apenas um programa primitivo, é preciso desenvolver muito mais. O usuário, gastando o mínimo de tempo possível, precisa informar a máquina do que lhe interessa e o Google do futuro deverá lhe oferecer as informações que procura.

Uma pessoa curiosa, que se interessa por muitos assuntos e gosta de ler, passa do dia inteiro na internet e não lê nem um décimo do que gostaria. Por isso é preciso selecionar o que vai ler. A simples seleção, porém, nas condições atuais, já significa enorme gasto de tempo. E muitas vezes gasto inútil, porque não se encontram as informações desejadas. O computador pode ajudar mais.

É possível hoje publicar um jornal pessoal na internet, trabalhando sozinho. Não vou produzir informações, no máximo comentá-las, mas posso fazer uma boa seleção de informações na internet, segundo meu ponto de vista, e editá-las no meu blog. Nessa seleção posso incluir textos, fotos, filmes, gravações de som.

Embora no modelo acima a informação seja apenas (bem) editada, posso também produzir informações: posso fotografar e filmar, com equipamentos amadores, até mesmo celular, transferir as imagens para o computador e dele para o blog.

Uma terceira etapa é reproduzir informações enviadas por leitores. Na internet, o público não é apenas consumidor, ele interfere e informa, de maneira que a notícia é produzida da forma colaborativa.

Para fazer um jornal assim, é preciso começar selecionando assuntos e áreas de interesse: restringir o foco a um tema e informar bem sobre ele.

Informar bem significa: com independência e liberdade, profundamente, amplamente e de forma colaborativa.

Observações sobre a internet

Há muito mais informações sendo produzidas do que somos capazes de acompanhar. Não estou falando de informações quaisquer, mas daquelas que nos interessam, daquelas que selecionamos como importantes. É compreensível que seja assim: cada vez o homem produz mais informações e, sobretudo, temos mais meios de comunicação. Antes da internet simplesmente não era possível que tivéssemos acesso a quase todas as informações que podemos acessar hoje.

Isto significa que temos de selecionar a seleção... É como se o indivíduo comum, que quer se manter bem informado sobre o que lhe interessa, precisasse de uma equipe grande especializada trabalhando para ele com a função de selecionar as informações que ele vai ler, uma equipe em que cada um se ocupe exclusivamente de um assunto. Quem pode fazer isso? Governantes podem e fazem, lideranças políticas podem e fazem, grandes empresários podem e fazem, executivos importantes podem e fazem. E o cidadão comum? E os pequenos empresários? E os gerentes? E os chefes? E os trabalhadores?

Significa também que a internet ainda não oferece ferramentas para que selecionemos informações. Os programas disponíveis hoje são insuficientes, é preciso avançar de forma a que a máquina pesquise para nós e nos ofereça aquilo que nos interessa, sem que percamos muito tempo. Exemplos: um programa que selecione os assuntos que queremos ler ou as fontes que queremos ler. Ou ainda um programa que nos dê um resumo da informação que nos interessa.

Obsolescência da televisão

Os meios de comunicação tradicionais nos bombardeiam com todo tipo de informações. O modelo do telejornal tradicional (que copiou e adaptou a imprensa escrita) é generalista, com diversas seções: esportes, artes, polícia, economia, política, ciência, meio ambiente, tecnologia etc. Além disso, ele segue outra orientação, a chamada “importância” da notícia: a novidade, o que atinge muita gente, o bizarro.

Para quem usa a internet habitualmente, a televisão já é um meio de comunicação obsoleto. O telejornal, por exemplo: ele nos oferece os assuntos que quer, na ordem que quer, com as informações que quer. É comum que tenhamos de assistir a todo o telejornal para saber a informação que nos interessa e que, por ser importante, foi colocada no final do programa. Antes de saber o que queremos somos obrigados a engolir dezenas de notícias que não nos interessam, e não podemos fazer nada.

Trata-se de um modelo autoritário e manipulador, no qual o público é apenas consumidor, passivo, inerte – “o da poltrona”, nas palavras do comediante Renato Aragão. Com o surgimento da internet, esse modelo está superado, fadado ao desaparecimento. Ou pelo menos perderá inexoravelmente a importância e a influência que possuiu durante cerca de cinco décadas. A internet e as novas tecnologias da comunicação subvertem esse modelo, ao abrir a produção e difusão de informações para qualquer pessoa, retirando-a do controle de grandes organizações.

Obsolescência dos jornais

A imprensa impressa nasceu na Europa como panfletos políticos, publicados por políticos, intelectuais, líderes sociais, mas os jornais como os conhecemos hoje são uma invenção americana. Foram os americanos que perceberam que jornais podem ser negócios, vendendo notícias e anúncios. Para entender esse modelo é preciso entender a cultura americana, compreendendo a lógica desse modelo a gente compreende também como funcionam os Estados Unidos.

O modelo de imprensa americano tem duas bases interdependentes: as notícias e os anúncios. O jornal americano não é mais um panfleto político, é um periódico de notícias. Ele ocup uma espaço que a sociedade moderna criou, com o crescimento das cidades e das populações: a necessidade da população ser informada. Quando as cidades crescem, as pessoas não conseguem mais se informar pelo velho método boca-a-boca e com proclames afixados em locais públicos. Há muita coisa acontecendo, há muitas novidades. Em inglês notícias e novidades são uma palavra só: news. O jornal americano nasce para informar a população sobre as novidades.

Mas não é só essa necessidade que o homem de negócios americano percebe. Ele descobre também a publicidade moderna, ele percebe o potencial da imprensa para divulgar reclames. O jornal americano nasce ao mesmo tempo como veículo que informa o público das novidades e como veículo de anúncios. Uma coisa ajuda a outra: quanto mais leitores, mais publicidade. Assim, a venda, o preço de capa da publicação, pago pelo leitor, cobre apenas uma parte dos custos, a principal fonte de renda dos jornais é a publicidade. O modelo de jornal americano tem, portanto, desde o começo, dois públicos: o leitor e o anunciante.

O empresário de imprensa americano descobre logo seu imenso poder, que se deve à influência das informações que ele produz. Significa que o tempo todo o jornal está sujeito a pressões para publique ou não publique determinada informação. O êxito da empresa depende da capacidade dos seus dirigentes para administrar as pressões. Eles compreendem a lógica da imprensa: quanto melhor o jornal, mais leitores; quanto mais leitores, mais anunciantes e mais caro o anúncio. Ou seja, informar bem o leitor é o meio para o empresário de imprensa ganhar mais dinheiro.

No entanto, as notícias que publica podem desagradar anunciantes e governos (que também são anunciantes), levando o jornal a perder anúncios, o que o empresário não quer. Por isso ele precisa se equilibrar entre esses dois interesses: informar o leitor e vender anúncios. Se não informa, se não é imparcial, se atende a interesses políticos e de anunciantes, perde leitores, o que significa não apenas perda imediata de receita com venda do produto, mas também perda de receita com publicidade, em médio prazo.

Este é o modelo americano, que, como muitas coisas, só funciona perfeitamente entre eles, mas foi copiado pelo mundo, o Brasil inclusive. O jornal brasileiro que melhor copiou o modelo americano foi o Estado de S. Paulo. Aqui, porém, autoridades e anunciantes sempre fizeram seus interesses prevalecer sobre os interesses do leitor, mesmo porque as tiragens dos jornais são historicamente pequenas.

O fundamental no modelo americano é compreender que a famosa imparcialidade da imprensa não é um princípio político e nem sequer um princípio (os jornais não se eximem de defender bandeiras políticas), mas um modelo comercial, no qual uma fonte de receita depende de outra.

Quando o jornal opta pelo engajamento em detrimento da informação, ele perde leitores, e perdendo leitores perde anunciantes, e perdendo anunciantes perde receita, e perdendo receita perde importância, num processo contínuo de decadência. É o que está acontecendo com os jornais brasileiros. A situação se agrava com o crescimento da internet: os jovens se informam pela internet e não têm hábito de ler (comprar) jornal; com o passar do tempo, o número de leitores de jornais tende a diminuir ainda mais.

sábado, 14 de novembro de 2009

Água na Lua!

video

(O vídeo é da Nasa, o texto da BBC.)

Nasa anuncia descoberta de grande quantidade de água na Lua

A Nasa (agência espacial americana) anunciou nesta sexta-feira que descobriu grande quantidade de água na Lua durante experimentos realizados no mês passado. Nas experiências, a Nasa lançou um foguete e logo depois com uma sonda em uma cratera perto do polo sul lunar. Os cientistas da Nasa disseram que os instrumentos detectaram a água em uma coluna de detritos criada após as colisões.
“De fato, sim, nós encontramos água. E nós não encontramos um pouquinho, nós encontramos uma quantidade significativa”, disse Anthony Colaprete, o principal responsável pelo experimento no Centro Ames de Investigação, da Nasa, no estado americano da Califórnia.
Os impactos levantaram cerca de 90 litros de água, estimou Colaprete, que ressaltou que "este é um resultado inicial". A identificação de água na Lua é importante por motivos científicos, mas a presença do recurso também poderia ser importante em futuras expedições tripuladas ao satélite natural da Terra.
http://www.bbc.co.uk/portuguese/ciencia/2009/11/091113_lua_rc.shtml
http://www.nasa.gov/mission_pages/LCROSS/multimedia/index.html

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Vazamento de urânio na Bahia

(Do Greenpeace)

10 de Novembro de 2009
Moradores denunciam vazamento de 30 mil litros de concentrado de urânio em Caetité (BA).

De acordo com denúncias encaminhadas ao Greenpeace, 30 mil litros de concentrado de urânio podem ter contaminado solo e água dos arredores da mina

Moradores de Caetité (BA) - onde está situada a mina de urânio das Indústrias Nucleares do Brasil (INB), que abastece as usinas Angra I e II - procuraram o Greenpeace ontem (9/11) para denunciar o vazamento de 30 mil litros de concentrado de urânio. De acordo com informações levantadas pela própria comunidade, o vazamento teria atingido 200 metros de profundidade e pode ter contaminado rios e lençóis freáticos. A operação da mina, ainda segundo os moradores, está suspensa.

http://www.greenpeace.org/brasil/nuclear/noticias/inb-esconde-vazamento-de-ur-ni

Record x Globo ao vivo

A Monsanto não é confiável


Documentarista diz que maior empresa de sementes vende produtos tóxicos e ameaça cientistas

Juliana Arini
(Revista Época)

A documentarista francesa Marie-Monique Robin, autora de O Mundo Segundo a Monsanto, dedicou três anos de sua vida para desvendar como uma indústria de químicos virou a maior companhia mundial de sementes geneticamente modificadas (transgênicas) e uma das empresas mais influentes do planeta, segundo a revista Business Week. Marie trabalha há 25 anos com matérias investigativas e recebeu prêmios como o Albert Londres, em 1995, concedido a um documentário sobre o tráfico internacional de órgãos. Em 2004, ela foi aclamada na Europa ao produzir o também premiado Esquadrões da Morte: a escola francesa, sobre a relação do governo francês com ditaduras da Amérioca Latina, nos anos 70. Para escrever a história da Monsanto, Marie analisou 500 mil páginas de documentos e viajou à Grã-Bretanha, Estados Unidos, Índia, México, Brasil, Vietnã e Noruega. A escritora fala a ÉPOCA sobre o seu último livro. Procurada pela reportagem, a Monsanto afirma que "agricultores enxergam um benefício no cultivo de seus produtos". (clique aqui para ler a resposta completa da empresa).

ENTREVISTA - MARIE-MONIQUE ROBIN

ÉPOCA - Existem outras companhias que também desenvolvem a biotecnologia e possuem patentes sobre sementes. Por que fazer um livro exclusivamente sobre a Monsanto?
Marie-Monique Robin - Há cinco anos, quando trabalhava em três documentários sobre biodiversidade e os organismos geneticamente modificados - e ainda acreditava que eles não teriam problemas - eu acabei viajando muito. Fui para Canadá, México, Argentina, Brasil e Índia, e em todas essas regiões eu sempre encontrava denúncias contra a Monsanto. Foi quando eu decidi buscar quem é essa companhia que agora é a maior produtora de biotecnologia e de alimentos geneticamente modificados do planeta.

ÉPOCA - E como seria esse mundo segundo a Monsanto que você descobriu?
Marie - Cheio de pesticidas. Cerca de 70% dos alimentos geneticamente modificados são feitos para serem plantados com uso do agrotóxico Roundup. Ao comer uma transgênico, a pessoa está praticamente ingerindo Roundup. E, ao contrário do que propagou a Monsanto, esse pesticida não é bom ao meio ambiente e muito menos biodigradável. Ele é muito tóxico. Tenho certeza de que nos próximos cinco anos ele vai ser proibido no mundo, tal como aconteceu com outro produto da companhia, o DDT. O mundo segundo a Monsanto também é dominado por monoculturas. O que é um problema para a segurança alimentar, pois concentra a produção de alimentos na mão de poucos. Também considero arriscado deixar a alimentação mundial na mão de companhias que no passado produziam venenos e armas químicas como o agente laranja, despejado por tropas americanas no Vietnã.

"A Monsanto foi condenada a pagar US$ 700 milhões de
dólares pela contaminação em Annistion, nos EUA"


ÉPOCA - Os transgênicos são festejados por reduzirem o uso de pesticidas. Eles não teriam ao menos esse lado bom?
Marie - Não, isso é mentira. Os transgênicos não reduzem o uso de agrotóxicos. Pelo contrário, eles geram ervas daninhas cada vez mais resistentes aos agrotóxicos. Os transgênicos são apenas uma forma da Monsanto controlar a produção de alimentos no mundo.

EPOCA - Como uma empresa pode ter todo esse poder? Isso não é teoria da conspiração?
Marie - Não, de forma alguma. Tenho todas as denúncias que faço baseada em documentos e estudos científicos. Esse monopólio sobre a comida é um processo que acontece há um tempo. Ele começou com a permissão das patentes das sementes, na década de 80. Isso deu às empresas exclusividade sobre as sementes que selecionam. Depois, vieram as chamadas plantas híbridas, que são estéreis e não produzem outras sementes. E por último, houve os royalities sobre os transgênicos. Agoras as multinacionais podem cobrar para si, uma parte do lucro da colheita dos fazendeiros. Os transgênicos também são produzidos para reagirem com produtos específicos. No caso da Monsanto, 70% tem que ser plantado com o Roundup. O que obrigados o produtor a comprar sementes e agrotóxicos da mesma empresa.

ÉPOCA - Outras multinacionais produzem nesse mesmo padrão. O que comprova que a Monsanto quer controlar a comida do mundo?
Marie - Após a liberação da venda dos transgênicos, a Monsanto começou a comprar todas as produtoras de sementes do mundo. Hoje, ela é a maior produtora de sementes do planeta. O resultado é que se um fazendeiro quiser mudar sua produção de transgênicos, e voltar ao tradicional, daqui a alguns anos, provavelmente ele não vai conseguir mais, pois só vão existir sementes transgênicas, e da Monsanto. Essa já é uma realidade com a soja dos Estados, e o trigo, na Índia. Nos EUA existem processos contra a Monsanto por monopólio, algo similar ao que aconteceu com a empresa de tecnologia Microsoft.

ÉPOCA - E qual seria interesse da empresa em controlar a produção de alimentos?
Marie - Ele querem manter o agrotóxico Roundup no mercado, o produto que responde por 45% do lucro da companhia. Acho que se o Roundup for banido, como acredito que possa acontecer daqui a alguns anos, os transgênicos vão desaparecer. Sem o Roundup, não é interessante ter transgênico.

ÉPOCA - Por que culpar exclusivamente a Monsanto pelas armas químicas do Vietnã? A opção por usar armas químicas foi do governo americano, e não das companhias. E outras empresas também venderam químicos ao governo dos EUA.
Marie - A venda de agente laranja para o governo americano foi um dos negócios mais lucrativos da Monsanto. Mas hoje, nenhuma das empresas que lucraram com esse processo quer se responsabilizar. No Vietnã, eu vi hospitais repletos de crianças deformadas, que nascem assim até hoje, porque o ambiente continua contaminado. Além do agente laranja, também usaram bifenil policlorado (um produto banido no mundo) nas misturas jogadas no país, e que a própria Monsanto sabia serem tóxicas desde 1937. Nem os soldados americanos foram alertados para os riscos. Como confiar que uma companhia com essa história domine a produção de alimentos?

ÉPOCA - Qual é a prova que a Monsanto sabia que estava vendendo algo tóxico?
Marie - Em 2002, os moradores de Annistion, no EUA, ganharam o direito de uma indenização de US$ 700 milhões de dólares da Monsanto. A empresa foi condenada por contaminar o meio ambiente e as pessoas da cidade com a sua fábrica química. Documentos mostram que desde 1937 a Monsanto sabiam dos riscos da toxidade dos PCBs.

ÉPOCA - Os produtos da Monsanto são aprovados por agências como a FDA, que regula alimentos e medicamentos nos EUA. Como dizer que a FDA e outras agências internacionais estão sendo enganadas?
Marie - A Monsanto usa seu poder econômico para pressionar governos e também infiltra seus ex-funcionários em cargos políticos. Esse processo é conhecido como portas giratórias. Tem casos célebres como a de Linda Fisher, que era funcionária da Agência Americana de Proteção Ambiental, e depois foi trabalhar na Monsanto, em 1995, e acabou retornando para EPA, em 2001.

ÉPOCA - Se a empresa possui toda essa blindagem, então não há solução?
Marie - Acho que só os consumidores podem evitar um problema maior. Na Europa isso já começou. Ninguém quer consumir transgênicos que não foram testados. Estão todos assustados com a atual epidemia de câncer.

ÉPOCA - Mas qual a ligação do câncer com os transgênicos?
Marie - Ainda estou pesquisando o assunto. O meu próximo livro vai ser exatamente sobre isso, a relação entre a comida que consumimos depois da Revolução Verde e o aumento de doenças como o câncer e o Parkison. O mais interessante, um processo que começou justamente entre os próprios agricultores, o mais expostos aos agrotóxicos.

QUEM É
Documentarista e jornalista francesa. Seu documentário que denuncia táticas do serviço secreto francês e conexões com a repressão na América do Sul foi premiado pelo Senado da França.

O QUE FEZ
Já publicou livros denunciando uma rede internacional de tráfico de órgãos e a prática da tortura na Guerra da Argélia. O Mundo Segundo a Monsanto virou um documentário feito pela agência de cinema do Canadá. Para investigar a história, passou cinco anos levantando 500 mil páginas de documentos e viajando para Grã-Bretanha, Índia, México, Paraguai, Brasil, Vietnã, Noruega e Itália

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

O “brasileirinho” e o “brasileirão”

O torneio de futebol do qual o São Paulo está prestes a se tornar campeão pela quarta vez consecutiva não pode ser chamado de campeonato brasileiro, muito menos de “brasileirão” – poderia ser chamado de “brasileirinho”. Como pode ser "brasileiro" um campeonato com 20 clubes se o país tem 27 unidades federativas? O número de clubes já é exclusivo por si mesmo.

O brasileirinho praticamente se restringe às regiões Leste (exceto Espírito Santo) e Sul.

Participam dele 11 clubes da região Leste, 5 da Sul, 3 da Nordeste e 1 da Centro-Oeste.

O número de clubes por estado, em ordem decrescente, é o seguinte: São Paulo (6), Rio de Janeiro (3), Minas (2), Rio Grande do Sul (2), Paraná (2), Pernambuco (2), Bahia (1), Goiás (1) e Santa Catarina (1).

São apenas 9 estados, um terço das unidades federativas.

Não há clubes de 17 estados e do Distrito Federal.

Não há nenhum clube da região Norte.

Os estados que não têm clube no campeonato brasileiro são: Amazonas, Pará, Acre, Rondônia, Roraima, Amapá, Tocantins, Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Sergipe, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul.

Essa exclusão é característica do desenvolvimento econômico do país, cuja colonização começou no litoral. Exceto pelo ciclo do ouro, nas Minas Gerais, no século XVIII, e pelo ciclo da borracha, na Amazônia, no fim do século XIX, o interior do Brasil começou a ser ocupado há apenas 60 anos, com a construção de Brasília.

O campeonato brasileiro denuncia a nossa forma de olhar o país.

O brasileirinho revela o comportamento dos meios de comunicação do país.

O Norte do Brasil (Acre, Amapá, Rondônia, Roraima, além de Amazonas, Pará e Tocantins) tem futebol. Todos os estados têm clubes e campeonatos. Tem estado cujo time mais antigo é mais antigo do que grande parte dos clubes que disputam o brasileirinho.

O futebol nos estados do Norte do país é muito diferente daquele que vemos na televisão. É como ver o futebol do Leste nas primeiras décadas do século XX. A diversidade enriquece.

Pode-se argumentar que os times desses estados não estão no nível dos times do Leste e do Sul. Sem participarem do campeonato nacional, porém, jamais evoluirão.

O futebol é reconhecidamente o maior fator de integração dos povos nos dias atuais e pode nos ajudar a ver os Brasis que não vemos.

Um novo campeonato de futebol, verdadeiramente nacional, é muito importante para o Brasil.

Um campeonato com participação de clubes (e torcedores!) de todos os estados, todas as regiões e todas as grandes cidades nos ajudará a compreender que somos todos brasileiros, que o Sul e o Leste não são melhores que o restante do país.

Acompanhando o brasileirão conheceremos não apenas times dos outros Brasis, mas também seus torcedores, estádios, cidades e cultura.

A tevê pública precisa transmitir jogos de todos os clubes, igualmente, não apenas os dos times preferidos do Rio e de SP. O futebol é muito importante para ser deixado nas mãos das televisões comerciais.

Clubes de todos os estados e do DF.

Sistema de pontos corridos, como o atual, porém, em turno único.

Jogos nos fins de semana, de março a novembro.

Cada estado e cada clube se organizam para disputar outras competições, paralelamente, ao longo do ano, em jogos no meio da semana: campeonato local, Copa do Brasil, Libertadores, Sul-Americana, torneios diversos.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Terceirização = esquema para roubar dinheiro público

(Da Carta Capital)
O embuste dos kits

21/09/2009 12:25:19

Leandro Fortes

Na manhã de 16 de junho, o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, do DEM, e o secretário de Saúde Distrital, Augusto Carvalho, do PPS, se encontraram no Almoxarifado Central da Secretaria para participar de um lance de marketing: a entrega de 30 kits de equipamentos, no valor de 3 milhões de reais, para desafogar a precária rede de unidades de terapia intensiva (UTIs) do sistema de saúde local. O evento, como logo em seguida iria demonstrar o Ministério Público, era um embuste. A compra não só era falsa como a transação escondia parte de um esquema voltado para a privatização da saúde no DF.

Dois dias depois, ao mesmo Almoxarifado se dirigiu um grupo liderado pelo promotor Jairo Bisol, do Ministério Público do Distrito Federal, titular da Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde (Prosus). Acompanhado de um perito e dois analistas, todos médicos, Bisol descobriu que os equipamentos eram, além de usados, tecnologicamente obsoletos. Além disso, a maioria não tinha nota fiscal nem qualquer documento a lhe atestar a origem. O destinatário da mercadoria não era o secretário Augusto Carvalho, mas duas pessoas estranhas ao serviço público: Gustavo Teixeira de Aquino e Marisete Anes de Carvalho.

No endereço indicado nas caixas, um escritório no Setor Sudoeste de Brasília, o Ministério Público localizou a empresária Marisete Carvalho, dona de uma pequena empresa de reformas de condomínios e de comércio de equipamentos hospitalares. Marisete é um dos elos a unir os negócios da saúde no Distrito Federal a um esquema de contratos irregulares descoberto pelo MP do DF, com potencial de se transformar numa ação de improbidade administrativa contra diversas autoridades brasilienses.

(Continua em:)
http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=8&i=5072

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Folhetim doladodelá: a eleição de Lula em 2002

Da série ficção. O dia em que Jesus e Judas selaram um pacto. Só que como todo bom Judas, este desistiu no meio do caminho. Foi numa reunião com a Corte do Cosme Velho, no Jardim Botânico, que o homem que ocupa o mais importante cargo da República selou sua sorte para disputar as eleições de 2002 e finalmente chegar ao poder (ou vocês acham que ele conseguiria sozinho, sem o consentimento deles?). - O dique estava se rompendo, informara o chefe do instituto, um membro da inteligência afeito a estudar e, eventualmente, manipular a metodologia de pesquisas de opinião. O candidato havia disparado nas intenções de voto. Caso não houvesse fato novo, todas as projeções indicavam a vitória líquida e certa do candidato 'das esquerdas'. O empresariado paulista estava em polvorosa. Ameaçava carrear todo dinheiro para o exterior. Muitos pensavam até em deixar o país, desiludidos. O plano foi o seguinte: do Palácio da Alvorada, o príncipe (refém das organizaões, por razões já conhecidas de todos) faria o aceno, falando da importância da alternância de poder numa democracia (e teve gente que pensou que foi um gesto de altivez política, à época...). Assim o candidato foi atraído. Na conversa, feita com discrição e sigilo, ficou combinado que a emissora não se oporia à chegada dele ao poder, mas queria algumas garantias: o partido teria que isolar os radicais e marchar em ordem unida, cumprindo a Constituição e as leis, o que significava controlar também os movimentos sociais, sobretudo o MST. E haveria de ter também um compromisso, por escrito, para evitar o que temiam vir a ser 'o caos econômico'. A partir desse momento, aquele que viria a ser o ministro-chefe do gabinete civil, mais o que viria a ser o da fazenda entraram em cena. O primeiro, para calar as vozes dissonantes dentro do partido. E o segundo, para fazer a interlocução com as elites e formular a Carta ao Povo Brasileiro. Estava de plantão, num Sábado, em São Paulo, quando a executiva nacional do partido divulgou o documento. Tive que editar um vídeo tape destacando os principais trechos. A chefe de redação, excitada e apreensiva conversava pelo rádio com o Guardião da Doutrina da Fé, enquanto assistiam ao vivo a leitura do documento. Quando me procurou mais tarde, na ilha de edição, para dizer os trechos que eu deveria selecionar para ir ao ar naquela noite, mostrei o material pré-selecionado e ela exclamou: - Mas como você sabe o que ele quer? - Foram as minhas fontes, respondi sorrindo. Se perguntarem se isso aconteceu mesmo, eu nego.
http://maureliomello.blogspot.com/

Lula de novo

Prêmio internacional é 'homenagem ao povo brasileiro', diz Lula
Rogerio Wassermann
Da BBC Brasil em Londres

Lula: 'É ilusão imaginar que podemos ser uma ilha de bem-estar'

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, ao receber um prêmio internacional nesta quinta-feira em Londres como "o estadista que fez mais pelas relações internacionais no último ano", que a premiação "é uma homenagem ao povo brasileiro" e não apenas uma "distinção pessoal".

"Foi esse povo o principal protagonista da grande transformação pela qual o Brasil está passando nos últimos anos. Transformação que deu a meu país a visibilidade internacional de que hoje desfrutamos", afirmou Lula após um jantar de gala na cerimônia de premiação.

O prêmio anual foi concedido pela prestigiosa instituição Chatham House (Instituto Real de Assuntos Internacionais), para a qual o presidente brasileiro é "um dos principais facilitadores da estabilidade e da integração na América Latina".

Lula concorreu ao prêmio ao lado do ministro saudita de Relações Exteriores, príncipe Saud Al-Faisal bin Abdulaziz al-Saud, e da presidente da Libéria, Elle Johsnson-Sirleaf.

Integração

Nos anos anteriores, o prêmio foi concedido ao presidente de Gana, John Kufuor, em 2008, a Sheikha Mozah, uma das três primeiras-damas do Catar, em 2007, e ao ex-presidente moçambicano Joaquim Chissano, em 2006.

No discurso após a premiação, Lula disse querer contribuir para a construção de "um mundo mais justo e mais solidário" e afirmou que o Brasil deve associar seu desenvolvimento ao da América do Sul.

"É ilusão imaginar que podemos ser uma ilha de bem-estar em meio a um mar de expectativas frustradas", justificou.

Segundo Lula, o Brasil está realizando "um processo de integração solidária do continente, sem pretensões hegemônicas, sem busca de liderança, perseguindo, sobretudo, a redução das assimetrias que ainda separam os países da região".

Novos mecanismos

A cerimônia da entrega do prêmio Chatham House 2009 a Lula foi o último compromisso dos dois dias de visita do presidente brasileiro a Londres.

Pela manhã, ele participou, ao lado dos ministros Guido Mantega, da Fazenda, e Dilma Rousseff, da Casa Civil, e dos presidentes do Banco Central, Henrique Meirelles, e do BNDES, Luciano Coutinho, do seminário "Investindo no Brasil", organizado pelo jornal Financial Times, para falar sobre oportunidades de investimento no país.

No discurso após a entrega do prêmio, ele voltou a defender, como havia feito pela manhã no seminário, uma reforma ampla dos organismos multilaterais para aumentar a participação dos países em desenvolvimento.

"As instituições multilaterais surgidas no final da Segunda Guerra Mundial envelheceram. Não estão mais adequadas à nova geografia econômica e política mundial deste princípio deste século", afirmou Lula.

Segundo ele, organismos como o FMI e o Banco Mundial, enquanto exerciam um rigor nas recomendações aos países em desenvolvimento, foram complacentes com os países ricos, mesmo diante da “tragédia anunciada” da crise econômica global.

"O G20 possivelmente impediu que o pior ocorresse, mas há muito o que fazer. Os pequenos sinais de melhoria da economia podem impedir a realização de reformas de fundo, sem as quais a humanidade poderá reincindir – de forma mais grave – na crise", disse Lula.

Segundo ele, "são necessários efetivos mecanismos de regulação, fim dos paraísos fiscais e o combate implacável ao protecionismo".

O presidente aproveitou ainda seu discurso para reafirmar a postulação brasileira a uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/11/091105_lula2_rc.shtml

Enfado

Chico Buarque salva Fados, o (nem tão) novo (2007) filme de Carlos Saura, que bem poderia se chamar Enfado. Nada contra o velho e premiado cineasta espanhol, que talvez não mais tenha pique para filmar películas movimentadas, mas... A gente espera ver um pouco de Portugal, quiçá a história do fado, mas o que vê são clipes em série, gravados em estúdio, com coreografias. Aquele rapaz do Cidade Negra, acho, canta um lundu, vá lá como curiosidade, mas arrastado demais, e Caetano Veloso, com sua voz de falsete imitando fadistas, também não compensa. O filme é um desfilar de fadistas careteiros, modulando suas lindas vozes de olhos fechados. E é legendado! Legenda em filme português! Está certo que não compreenderíamos boa parte do que cantam, mas bem mais do que eu esperava. Legenda é um horror, porque nos distrai da imagem. Preferia ouvir apenas as músicas - como tocam bem os instrumentistas! Como são belas as melodias! Foi o que fiz, fechei o olhos. E até dormi um pouco... Vem então Chico, quase no fim, e canta Fado Tropical, aquela linda canção, quase alegre, que tantas memórias boas nos evoca. Inda mais que segue Grândola Vila Morena e é acompanhado de imagens da Revolução dos Cravos. A revolução portuguesa é uma das minhas melhores lembranças da juventude e as cenas (em p&b, se não me engano) que vemos no filme nos fazem revivê-la. Abril de 1974, ditadura militar no Brasil, golpe sangrento recente no Chile, o mundo parecia feito de escuridão, quando então os militares portugueses, esquerdistas, ao contrário dos nossos, derrubam a ditadura salazarista. Foi como o sol nascendo na noite. Uma revolução cuja senha foi uma canção e o símbolo, uma flor vermelha. A população portuguesa, depois de décadas de repressão, silêncio forçado e obscurantismo, saiu às ruas e se confraternizou com os soldados, entregando-lhes cravos. E Chico cantava: "Ai esta terra ainda vai cumprir seu ideal, ainda vai tornar-se um imenso Portugal". Ironia fina e clara. Palavras que em tempos coloniais (a música é de uma peça que se passa no Brasil Colônia) seriam de jugo, em 1974 tornam-se revolucionárias. Como a ditadura poderia consurá-las? Mas censurou. A partir de então esperei o dia em que também nós brasileiros faríamos a revolução e nos confraternizaríamos nas ruas. Isso nunca aconteceu, nunca tivemos essa emoção histórica, o mais próximo que chegamos foi a posse de Lula, em 2003, mas não foi pra mim. Fado Tropical é um corpo estranho no filme de Saura, que teve, porém, a sensibilidade de não excluí-lo. Salva o filme.

PS1: O filme está no Usina, em BH.
PS2: Fui olhar nos créditos: o outro cantor brasileiro é Toni Garrido.

Como o partido da mídia se preparou para a guerra de 2010

Do blog Doladodelá, o melhor sobre bastidores da Vênus platinada:

A monarquia pseudo-parlamentarista do Jardim Botânico passou os últimos três anos se preparando para a guerra. Selecionou seus vassalos, editores-chefes, executivos e coordenadores, com vistas a não fazer feio em 2010, a exemplo do fiasco de 2006, quando a emissora tentou eleger sem sucesso Geraldo presidente, mas seis, em cada dez brasileiros, preferiram ficar mesmo com o Luiz Ignácio. Entre os colunistas, todos, sem exceção, estão afinados com o PSDB: Merval Pereira, Miriam Leitão, Carlos Alberto Sardemberg e Lucia Hippolito, encabeçam a lista. Aliás, quando o partido e seu príncipe deixaram o poder, eles perderam o acesso ao sem-número de informações privilegiadas a que tinham direito e, desde então, seguem reclamando e batendo o pé... A campanha deve começar com a participação dos parceiros, todos velhos conhecidos do telespectador, a saber: Febraban, Fiesp, Federação do Comércio, Associação Comercial, Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário - que na época do Everardo Maciel era desacreditado, mas nas gestões Jorge Rachid e Lina Vieira (Lina, quem?) foi reabilitado -, Força Sindical, Ibope, Consultores Associados, Tributaristas renomados, Economistas medíocres, Historiadores impostores e aquelas figuras carimbadas do 'casting' do jornalismo (reparem na escalação dos repórteres. Aqui mora todo o segredo da cobertura). Ah, e os professores da USP ligados aos tucanos, é claro. Pode escrever, essa será a 'estrutura' de campanha da maior empresa de comunicação do país para as próximas eleições, com vistas a eleger a frente PSDB-DEM (ninguém falou para eles que as iniciais remetem ao demônio?). E já ia me esquecendo dos aliados: Editoras de revistas e jornais decadentes, com colunistas desonestos. E, por que não, os portais de notícias? Afinal, a Internet nasceu para todos, não é mesmo?
http://maureliomello.blogspot.com/

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

O tapa no Fasano (RJ) - outra fonte

(Do blog Glamurama, da Joyce Pascowitch:)

26/10/2009 16:30
Nelson Rodrigues

Um dos convidados mais importantes e famosos da festa que o estilista Francisco Costa, da Calvin Klein, deu na piscina do hotel Fasano, no Rio, nesse domingo, acabou estrelando uma cena que deixou todos os convidados constrangidos.

* Visivelmente alterado, ele deu um tapa na moça que o acompanhava - namorada dele há algum tempo. Ela caiu no chão, levantou e revidou a agressão. A plateia era grande e alguns chegaram a separar o casal para apartar a briga. O clima, claro, ficou muito pesado.

http://glamurama.uol.com.br/Materia_nelson-rodrigues-34269.aspx

Da série: Conheça os governadores mineiros III - Eduardo Azeredo

5 de Novembro de 2009 - 18h18 - Última modificação em 5 de Novembro de 2009 - 18h35

Relator do STF aceita denúncia de lavagem de dinheiro contra Eduardo Azeredo

Luciana Lima
Repórter da Agência Brasil
download gratuito

Roosewelt Pinheiro/ABr

Brasília - Depois de ter aceitado a denúncia de peculato contra o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa aceitou hoje (5) a acusação de lavagem de dinheiro. As acusações fazem parte do processo que trata do esquema conhecido como “mensalão mineiro”, relatado por Barbosa. “Os indícios de autoria e materialidade da prática de lavagem de dinheiro são bastante consistentes como ficou exaustivamente demonstrados ao longo deste voto”, destacou o ministro.

No processo, Azeredo é acusado pela Procuradoria-Geral da República de desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro, irregularidades que teriam ocorrido durante campanha de Azeredo à reeleição ao governo de Minas Gerais, em 1998.

O processo também envolve outras 38 pessoas, entre elas, o publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza, que figura como pivô de um esquema semelhante que teria sido usado pelo Partido dos Trabalhadores (PT) e denunciado em 2005 pelo então deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ).

O esquema tucano teria arrecadado, de acordo com a denúncia, mais de R$ 100 milhões, com desvio de verbas de estatais e empréstimos bancários. Oficialmente, a campanha de Azeredo custou R$ 8 milhões.

No voto, ao aceitar a denúncia, Barbosa detalhou as ações que teriam o objeto de camuflar empréstimos obtidos por Marcos Valério e seus sócios para financiamento da campanha de Azeredo. Esses empréstimos, feitos no Banco Rural – mesma instituição financeira citada no mensalão petista –, teriam sido quitados posteriormente por repasses das estatais mineiras para a conta de SMPB, empresa de Valério, a título de realização de eventos esportivos, como o Enduro Internacional da Independência.

Um dado chamou a atenção do ministro relator: o repasse feito para a SMPB, um dia antes da realização do Enduro da Independência, indica a intenção de mascarar a cobertura dos empréstimos feitos para a campanha. “Ora, não haveria tempo suficiente para organização do evento nem de retorno publicitário para o governo”, considerou o ministro.

Além do enduro, outros dois eventos teriam sido utilizados como fachada para o repasse de recursos das estatais mineiras com o objetivo de cobrir os empréstimos feitos para a campanha: o Iron Biker e o Campeonato Mundial de Motocross.

O relator ainda destacou que a relação de proximidade entre Azeredo e o publicitário Marcos Valério ficou caracterizada na denúncia que citou mais de 70 ligações telefônicas entre os dois, interceptadas Polícia Federal, e ainda a frequência de Marcos Valério no comitê de campanha de Azeredo.

Depois do relator, dez ministros ainda terão direito a voto. Caso a maior parte acompanhe o voto do relator, a denúncia contra Azeredo será acatada pelo Supremo e ele passará à condição de réu em ação penal no STF.

Ontem (4), ao ler parte de seu voto, o relator acatou a denúncia de crime de peculato contra o senador Azeredo. O ministro alegou ter identificado que os recursos empregados pelo Banco do Estado de Minas Gerais (Bemge) em patrocínios a atividades esportivas e também depositados na conta da empresa de publicidade SMPB não seriam naturais em um momento que a instituição financeira passava por um processo de privatização. O banco era estatal e foi vendido ao Itaú meses depois.

Edição: Lílian Beraldo

Da série: Conheça os governadores mineiros II - Aécio Neves

(Do blog do Juca Kfouri:)

Covardia de Aécio Neves

Aécio Neves, o governador tucano de Minas Gerais, que luta para ter o jogo inaugural da Copa do Mundo de 2014, em Belo Horizonte, deu um empurrão e um tapa em sua acompanhante no domingo passado, numa festa da Calvin Klein, no Hotel Fasano, no Rio.

Depois do incidente, segundo diversas testemunhas, cada um foi para um lado, diante do constrangimento geral.

A imprensa brasileira não pode repetir com nenhum candidato a candidato a presidência da República a cortina de silêncio que cercou Fernando Collor, embora seus hábitos fossem conhecidos.

Nota: Às 15h18, o blog recebeu nota da assessoria de imprensa do governo mineiro desmentindo a informação e a considerando caluniosa.

O blog a mantém inalterada.

http://blogdojuca.blog.uol.com.br/arch2009-11-01_2009-11-07.html#2009_11-05_13_23_30-9991446-0

Da série: Conheça os governadores mineiros I - Itamar Franco

Na esteira de uma bela história, a do capitão Sérgio Carvalho, conhecido como Sérgio Macaco, mais uma história feia, de um governador mineiro. A parte que cabe a Itamar na história está no final, em negrito. A matéria é do saite http://www.midiaindependente.org

Sérgio Macaco: o homem que fez diferença
Por WB 15/6/2008 às 18:16

Sérgio era admirado por indianistas como os irmãos Vilas-Boas e o médico Noel Nutels. Foi amigo de caciques como Raoni, Kremure, Megaron, Krumari e Kretire. Os índios o chamavam "Nambiguá caraíba" (homem branco amigo). Aos 37 anos, Sérgio Macaco (como era conhecido na Aeronáutica) já tinha seis mil horas de vôo e 900 saltos em missões humanitárias, de resgate e socorro em geral. Todavia o tipo de tarefa que lhe seria proposta ali pelos oficiais não era nem um pouco digna ou solidária.

Dia 12 de junho de 1968, o capitão para-quedista Sérgio Ribeiro Miranda de Carvalho, convocado a uma reunião, foi recebido no gabinete do ministro da Aeronáutica pelos brigadeiros Hipólito da Costa e João Paulo Burnier, que viria a se tornar conhecido como torturador e assassino.

Sérgio era admirado por indianistas como os irmãos Vilas-Boas e o médico Noel Nutels. Foi amigo de caciques como Raoni, Kremure, Megaron, Krumari e Kretire. Os índios o chamavam "Nambiguá caraíba" (homem branco amigo). Aos 37 anos, Sérgio Macaco (como era conhecido na Aeronáutica) já tinha seis mil horas de vôo e 900 saltos em missões humanitárias, de resgate e socorro em geral. Todavia o tipo de tarefa que lhe seria proposta ali pelos oficiais não era nem um pouco digna ou solidária.

- O senhor tem quatro medalhas por bravura, não tem? - indagou Burnier.

Sérgio respondeu afirmativamente. Então o brigadeiro continuou:

- Pois a quinta, quem vai colocar no seu peito sou eu - fez uma pausa. - Capitão, se o gasômetro da avenida Brasil explodir às seis horas da tarde, quantas pessoas morrem?

Achando que a pergunta se referia apenas à remota hipótese de um acidente na cidade do Rio de Janeiro, Sergio respondeu:

- Nessa hora de movimento, umas 100 mil pessoas.

Foi nesse momento que os dois brigadeiros começaram a explicar um terrível plano terrorista das Forças Armadas e qual deveria ser a participação de Sérgio. Os dois propuseram que ele, acompanhado por outros para-quedistas, colocasse bombas na porta da Sears, do Citibank, da embaixada americana, causando algumas mortes. Em seguida viria a grande carnificina: queriam que dinamitasse a Represa de Ribeirão das Lajes e, simultaneamente, explodisse o gasômetro. As cargas, de efeito retardado, seriam colocadas pelo capitão Sérgio, que depois ficaria aguardando, no Campo dos Afonsos, o surgimento duma grande claridade. Aí ele decolaria de helicóptero e aportaria no local da tragédia posando de bonzinho, prestando socorro a milhares de feridos e recolhendo mortos vítimados pela ação da própria Aeronáutica.

Colocariam a culpa nos grupos esquerdistas que lutavam contra a ditadura. Sérgio seria tido como herói por salvar as supostas vítimas dos "comunistas" e receberia sua quinta medalha, enquanto a ditadura teria um pretexto para aumentar a repressão a socialistas e democratas.

O capitão se negou a participar de uma ação tão vil. Declarou corajosamente aos bandidos fardados:

- O que torna uma missão legal e moral não é a presença de dois oficiais-generais à frente dela, o que a torna legal é a natureza da missão.

Outros em seu lugar simplesmente encolheriam os ombros e obedeceriam aos superiores, iriam se desculpar dizendo que estavam apenas "cumprindo ordens". Mas Sérgio era ético, íntegro, não tinha obediência cega a ninguém, seguia acima de tudo sua consciência e valores. Era um homem de verdade: denunciou o plano diabólico e evitou aquela que seria a maior tragédia da nossa história.

Foi perseguido pela ditadura, discriminado, removido para o Recife, reformado na marra aos 37 anos, cassado pelo AI-5 e pelo Ato Complementar 19, curtiu prisão... só não puderam quebrar-lhe integridade e honra, sua firmeza de ser humano. Sérgio se recusou a ser anistiado. "Anistia-se a quem cometeu alguma falta", costumava dizer. "Não posso ser anistiado pelo crime que evitei".

Em 1970, necessitando de um tratamento de coluna, aconselharam-no a não se internar em unidade militar, pois certamente seria assassinado lá dentro. Graças ao jornalista Darwin Brandão, com auxílio do médico Sérgio Carneiro, o capitão acabou sendo tratado clandestinamente no Hospital Miguel Couto.

Nos anos 90, o Supremo Tribunal Federal determinou indenização e promoção de Sérgio a brigadeiro. Tal sentença dependia, porém, da assinatura de Itamar Franco. Itamar, como se sabe, não é nenhum modelo de virtude e, não por acaso, foi vice do corrupto Fernando Collor de Mello, que foi prefeito biônico de Maceió durante a ditadura e se criou politicamente graças ao regime militar...

Por seis meses, o presidente Itamar Franco - mesmo sabendo que Sérgio estava acometido de um câncer terminal no estômago - guardou, na gaveta, a sentença do STF favorável ao capitão. Só a assinou três dias depois da morte do herói ocorrida em 4 de fevereiro de 1994.


Sérgio Ribeiro Miranda de Carvalho (cuja história é narrada no documentário "O Homem que disse Não" do diretor francês Olivier Horn) foi enterrado no cemitério São Francisco Xavier no Caju sem honras militares. É lembrado, entretanto, por todos aqueles que valorizam vida, ética, honestidade, coragem. Sérgio provou que, ao contrário do que muitos dizem, uma pessoa pode mudar a História: cada um de nós faz diferença no mundo.

O candidato ideal

A melhor frase da semana, depois dos acontecimentos no Fasano, foi de um tucano bem-humorado: Aécio é o candidato ideal pra bater na Dilma.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

O jornal, o desempregado, o banco e a honestidade

Por acaso o Estado de Minas de hoje me veio às mãos. Nunca tive o hábito de ler o EM, exceto por obrigação, quando trabalhava em redação. Me chamou atenção a manchete, o presente de Natal que o governador candidato-a-presidente-Aécio Neves vai dar ao funcionalismo: redução na jornada de trabalho de oito para seis horas, como forma de tornar atraente a mudança para o Centro Administrativo. Notícia política relevante com inúmeras implicações e evidentemente eleitoreira. O candidato caça votos: já tem no ar uma campanha de apoio ao idoso, eleitorado mais conservador e crescente que ele tenta conquistar. Imagino o comportamento escandaloso do jornal se fossem ações do governo Lula, a começar pelo próprio Centro Administrativo, obra faraônica nunca questionada.
Fui primeiro, porém, a outra chamada de capa: jovem desempregado saca seus últimos R$ 5 no caixa eletrônico, este lhe entrega R$ 9,6 mil e ele devolve o dinheiro ao banco. Notícia deliciosa. Na verdade, a notícia está além da notícia, no que não está dito, ou escrito, no que o leitor pode interpretar, deduzir, acrescentar. A última informação da notícia torna-a ainda mais interessante: o banco se negou a dar informações sobre o caso. Banco realmente, sem trocadilho, se lixa para o público. Tivesse pelo menos uma direção inteligente e ofereceria emprego ao rapaz, fazendo disso um episódio de marketing. Mas como é que pode valorizar a honestidade uma organização que vive de extorquir os clientes, com juros e taxas? Era preciso também vir a público prestar contas do funcionamento maluco do caixa eletrônico, em cuja segurança se sustenta grande parte da credibilidade das operações bancárias contemporâneas. Mas o banco também não se deu a esse trabalho.
A honestidade do rapaz de 26 anos, casado, cuja mulher ganha R$ 300 como monitora de uma escola (como assim? Menos do que o salário mínimo?), é tocante. O rapaz vacilou, o que torna a história mais interessante. E se divertiu. Ele conta que pediu R$ 5 e a máquina lhe deu R$ 10. Então resolveu experimentar: digitou R$ 100 - e a máquina lhe deu R$ 300! Aí ele extrapolou: digitou R$ 2 mil. E a máquina maluca começou a despejar dinheiro. Tanto que ele só contou ao chegar em casa: R$ 9.600! Levou o dinheiro para casa, refletiu, não conseguiu dormir, e no dia seguinte procurou o banco. O que será que o fez decidir? O jornal não pergunta.
(Conhecendo o EM como conheço, tendo o fato ocorrido em Sete Lagoas e sendo a foto que ilustra a matéria de autoria de um fotógrafo de outro jornal, imagino como a notícia foi apurada. Provavelmente uma rádio deu e o jornal correu atrás. Afinal, concorre com o Super, líder em vendagem e que vive de notícias assim. Lembro que ontem ouvi um homem na rua comentando o assunto com outro, mas não compreendi, porque peguei apenas trecho da conversa, enquanto passava, mas agora o que ouvi se encaixa. A matéria do EM está cheia de furos - não ter a palavra do banco é apenas uma delas. Merece pelo menos uma suíte (continuação) amanhã. Que o leitor a acompanhe.)
A honestidade é um valor, um traço de caráter. O dinheiro é a tentação, porque é o maior valor da sociedade, ele compra tudo, inclusive gente. Instituições com banco e jornal não vacilam na hora de serem desonestos para lucrarem mais ou atingirem seus objetivos. Wilson Geraldo da Silva – esse o nome singelo do rapaz, que se autodefine como vigilante – vacilou diante do do inesperado, pensou e decidiu ser honesto. Fez bem; caso tivesse ficado com o dinheiro se daria mal. Pelo cartão, o banco o identificaria, a polícia ficaria na sua cola e sua vida se tornaria um inferno, fazendo-o passar da pobreza à marginalidade. É assim, comparando as dificuldades de viver honestamente e as facilidades da vida desnonesta que muitos pobres se lançam ao crime. Wilson fez bem, não só para sua consciência, mas também porque a desonestidade é um apanágio dos ricos. Só os ricos a sociedade protege para a prática do ilícito. Wilson, na melhor das hipóteses, teria de subornar um policial, uma autoridade, para ficar com o dinheiro. Suborno é uma prática corriqueira entre os ricos, mas o dinheiro de Wilson era episódico e acabaria logo, deixando-o manchado por uma conduta ruim e mal acostumado, por ganhar dinheiro fácil. Ganhar dinheiro fácil é coisa para ricos. Estes dirigem máquinas de fazer dinheiro, explorando o trabalho. Nelas, o suborno é apenas uma espécie de pedágio, faz parte do "investimento", está contabilizado, junto com os impostos.
Wilson preferiu tirar vantagem da sua honestidade, alardeando-a, usando o episódio como uma espécie de qualificação no seu currículo profissional. Afinal, ele é vigilante. Quem sabe, conhecendo sua honestidade, alguém não lhe dá um emprego?

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Final da Libertadores de novo

No final do primeiro tempo, domingo, a torcida do Cruzeiro achou que ia ganhar a Libertadores. Aquela que o time barropretano perdeu no meio do ano. No final do segundo tempo, os cruzeirenses perderam a Libertadores de novo.