sábado, 19 de setembro de 2026
sexta-feira, 18 de setembro de 2026
Música do dia: Gente, Caetano Veloso
Ontem vivi uma experiência e tanto. Deveria ser normal e aqui é normal, mas eu não sabia, descobrir isso melhorou minha opinião sobre a espécie humana e minha esperança no futuro. Perdi meu cartão de banco (não é de aproximação) em Milho Verde, ele foi encontrado e entregue em um restaurante, a funcionária divulgou em rede social, um morador de MV que eu conheci ontem contatou o motorista do ônibus para São Gonçalo para que esperasse, a funcionária levou o cartão para ele e ele o trouxe para mim, deixou-o na padaria, onde o peguei no começo da noite. Pelo menos cinco pessoas boas e sem nenhum interesse colaboraram para fazer o bem a um desconhecido e muitas outras procuraram ajudar também. Se aqui é assim, por que o mundo não pode ser? Pode, eu sempre acreditei nisso, a vida inteira ouvi o sistema dizendo para não acreditar, e hoje mais do que nunca, e esse fato que aconteceu comigo, não me contaram, confirma que tenho razão. É o que eu faria, é o que outros fazem, muitos, a maioria certamente, quase todos talvez, aqui é normal, já foi assim em outras partes, era assim no bairro em que cresci na cidade grande. É o capitalismo que corrompe as relações humanas quando transforma tudo em mercadoria e o lucro no objetivo da vida. Gente não é mercadoria, afetos não são mercadorias e a vida não é para enriquecer, é para viver. A gente vive bem quando faz o bem aos outros e recebe em troca. "And in the end the love you take is equal to the love you make."
Sou o oposto zodiacal exato do Caetano e tenho ideias diferentes. Me interessa a gente anônima, a que brilha na intimidade, nas relações com outras gentes anônimas. Morrer de fome como oposição a brilhar não é uma ideia que me agrada, mas gosto das outras imagens, especialmente de gente lavado roupa e amassando pão. Sobre isso "Um índio" é melhor, mas Gente é um retrato amoroso da espécie.
terça-feira, 15 de setembro de 2026
Música do dia: Golden slumbers, Carry that weight, The End (Paul McCartney)
sexta-feira, 11 de setembro de 2026
Um telejornal matutino imprescindível
terça-feira, 1 de setembro de 2026
Música do dia: O dia em que o morro descer e não for carnaval
Há alguns anos escrevi uns versinhos que têm ideia semelhante:
no dia que o morro descer
não vai ter
casa-grande nem casamata
pra canalha se esconder.
A letra do Paulo César Pinheiro, porém é muito mais elaborada e acrescenta uma ideia genial: "e não for carnaval". Estou desenvolvendo um ideia sobre o soviete brasileiro: o samba. O sambista é o brasileiro, o malandro é o brasileiro, o trabalhador obviamente é o colonizado com mentalidade europeia. A chamada esquerda, que na verdade é direita hoje, a chamada "direita democrática", porque só não vê que Lula e o PT são de direita quem é cego, cegueira que tomou conta dos brasileiros gradativamente nas últimas cinco décadas, no Brasil a disputa é entre extrema direita e direita, nem centro existe mais. A chamada esquerda, que na verdade é direita, é colonizada, tem a mentalidade dos colonizadores europeus, acredita no trabalho e serve ao capital. Brasileiro é o indígena, brasileiro é descendente do africano, o malandro, sambista, favelado, brasileiro é Macunaíma. Tem mais de cem anos que a gente sabe disso, mas a mentalidade colonial é dominante. E vai fazer cem anos que o Brasil começou a ser inventado como nação, mas há cinquenta começou a ser desinventado. Por quem? Pela "esquerda democrática", que não é esquerda nem democrática, é a direita burguesa que capitulou ao neoliberalismo e transformou o Brasil na terra dos irmãos Batistas. Quem quiser conhecer, ouça O berro do boi, uma série de programas excelente da jornalista Consuelo Dieguez, da revista piauí do banco Itaú e da Trovão Mídia, que não sei de quem é. Voltando à música do dia, a questão é que a esquerda não entendeu que o samba é o soviete brasileiro e agora o povo brasileiro está trocando o samba pela música gospel, a igreja católica pelas evangélicas e a esquerda que é direita pela extrema direita. Nosso futuro é cada vez mais tenebroso, o melhor Brasil ficou para trás e foi entre os anos 1930 e 1968. Só uma revolução dos malandros, indígenas e macunaímas pode mudar isso, mas é mais fácil imaginar uma revolução (ou será contrarrevolução?) dos evangélicos.