Ontem vivi uma experiência e tanto. Deveria ser normal e aqui é normal, mas eu não sabia, descobrir isso melhorou minha opinião sobre a espécie humana e minha esperança no futuro. Perdi meu cartão de banco (não é de aproximação) em Milho Verde, ele foi encontrado e entregue em um restaurante, a funcionária divulgou em rede social, um morador de MV que eu conheci ontem contatou o motorista do ônibus para São Gonçalo para que esperasse, a funcionária levou o cartão para ele e ele o trouxe para mim, deixou-o na padaria, onde o peguei no começo da noite. Pelo menos cinco pessoas boas e sem nenhum interesse colaboraram para fazer o bem a um desconhecido e muitas outras procuraram ajudar também. Se aqui é assim, por que o mundo não pode ser? Pode, eu sempre acreditei nisso, a vida inteira ouvi o sistema dizendo para não acreditar, e hoje mais do que nunca, e esse fato que aconteceu comigo, não me contaram, confirma que tenho razão. É o que eu faria, é o que outros fazem, muitos, a maioria certamente, quase todos talvez, aqui é normal, já foi assim em outras partes, era assim no bairro em que cresci na cidade grande. É o capitalismo que corrompe as relações humanas quando transforma tudo em mercadoria e o lucro no objetivo da vida. Gente não é mercadoria, afetos não são mercadorias e a vida não é para enriquecer, é para viver. A gente vive bem quando faz o bem aos outros e recebe em troca. "And in the end the love you take is equal to the love you make."
Sou o oposto zodiacal exato do Caetano e tenho ideias diferentes. Me interessa a gente anônima, a que brilha na intimidade, nas relações com outras gentes anônimas. Morrer de fome como oposição a brilhar não é uma ideia que me agrada, mas gosto das outras imagens, especialmente de gente lavado roupa e amassando pão. Sobre isso "Um índio" é melhor, mas Gente é um retrato amoroso da espécie.