quarta-feira, 24 de junho de 2026

Roger Waters e Mona Miari cantam a dor palestina e a insensibilidade mundial

O que um cantor pode fazer diante da dor dos palestinos? Pegar em armas contra Israel? Disparar bombas contra Telavive? Realizar atos terroristas contra instituições sionistas e estadunidenses? Convocar uma manifestação? Emitir um comunicado de protesto? Dar uma entrevista coletiva? Todas essas reações indignadas e minoritárias que vejo acontecerem desde que me entendo por gente são atos de militantes, políticos, governantes, militares, que precisam ter autoridade e devem estar preparados para as consequências. O que um cantor ou uma cantora pode fazer é cantar, da forma mais bonita que for capaz, para despertar um mundo confortavelmente entorpecido. Feito Roger Waters e Mona Miari. Aplausos. E dor.

É sempre bom ouvir de novo o que disseram os políticos

No título original desta publicação, em 2018, escrevi: "Todo mundo deve ver essa entrevista do Guilherme Boulos". E ainda mais hoje. Para comparar com o que ele diz e faz, oito anos depois, e conferir sua coerência. Afinal, é o que precisamos exigir dos políticos: coerência. Foi o que fiz com Ciro Gomes, antes de decidir votar nele em 1998, 2002, 2018 e 2022, e ele sempre passou no teste. Lula me fez mudar de opinião sucessivamente. FHC também. Quanto a Brizola, mudei para melhor, várias vezes. Na essência, porém minha impressão inicial prevaleceu, sobre os os quatro.

Música do dia: Oh! Darling, The Beatles

Uma das minhas prediletas, uma das canções geniais do Paul, bem menos numerosas do que as do John, para meu gosto. Posso cantar essa canção agora que passou. "É preciso ter morrido para ser um completo criador", escreveu Thomas Mann. 

terça-feira, 23 de junho de 2026

Estado policial brasileiro: PM entra em escola para intimidar educadoras

O bozo já não é presidente e está preso por tentativa de golpe, mas seus seguidores e seu projeto policial de governo permanece em ação, com a contribuição de igrejas evangélicas e de governos municipais e estaduais, inclusive do PT, que, na Bahia, entrega escolas para serem administradas pela PM. O Brasil é um país em que a polícia é mais importante que a escola, e que futuro pode ter um país assim? Essa história é estarrecedora, mas quem ainda se estarrece com a corrupção e os desmandos dos poderosos no Brasil? Mais estarrecedor ainda é que a primeira comentarista do programa dá razão à polícia! Não tem a menor noção do que seja educação, não tem capacidade para comentar o assunto, e no entanto está na televisão fazendo isso. Felizmente, outros comentaristas sensatos põem os pingos nos is.  

domingo, 21 de junho de 2026

Músicas do dia: I'll get you e Don't let me down, The Beatles

Quase todas as músicas dos Beatles deveriam figuar na minha lita de canções preferidas, porque sempre as repito. Vão aqui duas queridas, como diz a moçada de hoje, opostas tem tudo, no tempo e no estilo, exceto na genialidade do John Lennon: Don't let me down e I'll get you.

domingo, 14 de junho de 2026

Música do dia: Paralelas, do Belchior. E a fraude da IA

A melhor gravação de Paralelas que eu já escutei, melhor que a original, da Vanusa, melhor do que a do autor, Belchior. Infelizmente, como é comum nesses canais não oficiais (e por isso resisto a publicar vídeos deles, exceto quando, como neste caso, não encontro o oficial) não consta o crédito de voz e instrumentos. Me fez pensar no João Gilberto. Quando ouvi JG pela primeira vez foi como se estivesse aprendendo o que é cantar: não é preciso gritar. Gal Costa grita em Fa-tal e é lindo. Os tropicalistas gritavam e era muito bom. Quando João Gilberto canta, porém a gente sente a letra junto com a melodia, uma coisa só, e aprende o que é música. Me faz pensar que toda canção tem seu arranjo, vocal inclusive e em primeiro lugar, adequado, que é função dos intérpretes encontrá-lo. Os compositores eruditos se dedicavam (dedicam) a isso, não é?, mas os populares cada vez menos. Até os anos 1950, meados dos 60, fazia parte da gravação de uma canção passar pelo arranjo de um maestro. Tom Jobim fez muito isso para outros. Canções do Noel Rosa e outros sambistas da era de ouro eram muito diferentes na versão orquestrada. A revolução pop dos anos 1960 de certa forma dissolveu isso (embora as gravações dos Beatles tenham se tornado cada vez mais sofisticadas), as interpretações passaram a ser mais informais e hoje os arranjos acompanham a mediocridade dos "sertanejos", "pagodes" etc. Por isso também eu gosto daquela série acústica da MTV, que tem discos memoráveis, como o da Cássia Eller. Eu lembrei de Paralelas esta manhã, não sei por que, talvez pelo "oitavo andar", e comecei a assobiar lentamente, em seguida procurei uma gravação, ouvi a da Vanusa, depois ouvir a do Belchior e por fim essa, no ritmo do meu assobio e que é, de fato, pela voz e pelo arranjo de cordas, pelo cello, a melhor que eu já ouvi e que, enfim, achou a interpretação certa, como João Gilberto fazia. Infelizmente, com boxes de informações dispensáveis e sem créditos necessários, informa só que é "cover intimista".  Será a própria Vanusa? A voz lembra a dela, digamos, "mais educada", mas nesse caso, por que negligenciar o crédito? Se não é, por que esconder voz tão bela? 

PS: Eu também não tinha percebido até hoje que Vanusa e Paula Toller eram a mesma pessoa. 

PS2: Ao rolar a lista de comentários do canal do YT, encontre a resposta copiada abaixo. 

"Olá, Renato, tudo bem? Como descrito no vídeo, é uma versão cover, que recriamos com auxílio de IA. Eu fiz uma versão intimista ao violão, cantei como achei que ficaria mais legal, num tom um pouco mais grave, e usei a IA para, a partir dessa matriz inicial, adicionar arranjos e substituir a minha voz por uma vez feminina com timbre que lembra o timbre da Vanusa." 

Ou seja: a cantora não existe, a voz não existe, nem as cordas vocais nem o ar que as movimenta nem os pulmões nem a boca, nada. Tampouco os músicos. É tudo falso, artificial. Nos comentários, fãs da falecida Vanusa a exaltam sem se darem conta de que é uma imitação educada da voz da cantora, uma fraude. Depois de escrever os elogios acima e ouvir repetidamente a gravação, me sinto ludibriado. Gostaria de ouvir a cantora cantando um disco inteiro, mas ela não existe. Essa linda voz é um Frankenstein.  

quarta-feira, 10 de junho de 2026

O discurso final de O Grande Ditador, sempre atual. Salve, Chaplin!

De tempos em tempos é preciso rever e reouvir esse discurso, sempre atual com interpretações diferentes. No Natal do ano que vem faz 50 anos que Charles Chaplin morreu, aos 88 anos. Naquela altura da minha vida era como se Chaplin tivesse feito parte dela sempre, e no entanto já se vai meio século. O tempo não passa igual a vida inteira, passa devagar e parece longo quando se é jovem, passa depressa e sempre igual quando se envelhece. É a variedade de acontecimentos que torna o tempo longo ou breve. Thomas Mann discorreu sobre isso em A Montanha Mágica. A espécie humana tem muitas coisas interessantes para conhecer, para todos os indivíduos de uma sociedade conhecerem, não só os cientistas, não só os intelectuais, não só os ricos. É isso que eu admiro em Cuba, uma pequena nação em que qualquer um conversa sobre literatura, segundo inúmeros relatos (nunca fui lá, nem nos EUA nem na Europa nem em qualquer outro país). Cubanos são pobres e cruelmente perseguidos pelos governos da nação mais rica do planeta. Fico imaginando como seria Cuba rica, como seria um mundo rico em que todos ouvissem ópera, conhecessem ciências, lessem literatura, discutissem filosofia. A espécie humana prefere a miséria e as bombas, a violência e o celular, a ignorância e o luxo. É uma escolha incompreensível para mim.   

domingo, 7 de junho de 2026

Mais um alerta sobre a tragédia das mudanças climáticas catastróficas

Se o Homo sapiens fizesse jus ao nome que o botânico sueco Carl Linnaeus lhe deu e pegou, viveria em harmonia com a Natureza, além de igualdade social, mas não é, na verdade o Homo sapiens é estúpido, a ponto de destruir as condições que lhe possibilitaram existir, e condena-se assim à autoextinção, depois de extinguir número infinito de outras espécies. A onda de frio em Belo Horizonte é suficiente para percebermos quão sensíveis somos às mudanças climáticas: alguns graus a mais ou a menos na temperatura ambiente já afetam radicalmente nosso cotidiano, provocam adoecimentos e mudanças de comportamento. Fingimos que não vemos, fingimos que as mudanças climáticas não estão acontecendo e continuamos caminhando rumo ao abismo, seguindo o Flautista de Hamelin, isto é, os donos do capital, e sua música ideológica, isto é, ganhar dinheiro, enriquecer, "progredir". Os gregos já sabiam que somos seres trágicos: conhecemos os males que nos esperam, mas mesmo assim fazemos o que nos conduz a eles. O capital, com sua ideologia liberal, nos trouxe à catástrofe. A esquerda, com sua ideologia reformista, mostrou-se mais sensível a ela. Os fascistas negacionistas se insurgiram contra reformas, para impor o pensamento liberal e a destruição sem peias do capital, e aceleraram a destruição da Terra. Ser de esquerda, revolucionário, anticapitalista e tudo mais, numa palavra: marxista, hoje, como há duzentos anos, é assumir o controle do capital e lhe impor todas as medidas radicais que o combate às mudanças climáticas exigem, que a preservação da espécie humana exige, inclusive o decrescimento econômico. A economia não precisa crescer mais, mesmo porque não existem recursos na Terra para manter o luxo dos ricos e das nações capitalistas avançadas, como os EUA, as europeias e até a China. O que é preciso fazer é distribuir igualmente as riquezas produzidas e conter o crescimento para salvar o ambiente e a espécie humana, criando uma nova civilização, baseada em outros valores que não os do capital.   

sexta-feira, 5 de junho de 2026

A melhor política de Minas Gerais

Duda Salabert. Já votei nela e votarei novamente. Gostaria que fosse prefeita de Belo Horizonte ou governadora de Minas Gerais. 

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Brasil: de pai para filho desde o Império

Essa jovem que eu não conhecia sabe mais sobre a história do Brasil do que nós. Vale a pena ver. É de espantar. As redes sociais fazem um mal enorme, mas também fazem bem, se a gente souber escolher. Um programa assim a gente nunca viu nem vai ver na Globo. Ao compreender esse Brasil dos clãs, cujo último e peculiar é o dos bozos, a gene entende também a importância que têm acontecimentos como a Revolução de 1930 e a chegada do PT ao poder, em 2002, como oportunidades de ruptura. A comparação entre Getúlio e Lula são frequentes, sempre em favor do primeiro. O PT e Lula perderam a oportunidade de fazer uma revolução pacífica no país, tendo a Revolução de 1930 e Getúlio como exemplos, e o Brasil não avançou, ao contrário regrediu, do clã Sarney para o clã bozo.