sábado, 3 de outubro de 2026
Eleições 2026: quem vai ganhar, quem vai perder
sexta-feira, 2 de outubro de 2026
Música do dia: Qualquer bobagem (Pato Fu e Mutantes)
Pato Fu é Os Mutantes que durou. Essa canção mostra isso, que só pode ser escrito hoje, 29 anos depois. Eu olho e vejo Arnaldo, Rita e Sérgio brincando dentro do velho DKV, sou só eu? A canção dos Mutantes + Tom Zé expressa o espírito do jovem Pato Fu, que, acredito, se perpetuou. O que é? Criatividade, experimentação, bom humor, excelência musical. Um espírito com inspiração nos Mutantes. Inspiração não é imitação. Os Mutantes são uma banda única, como se nota na comparação com a gravação original. Gosto imensamente das duas. Mutantes nos anos 1990, em outra geração, são Pato Fu, com uma leveza dançante. O clipe é expressão da época. Pequenos filmes, os clipes daquela época transformaram os cantores em atores, empregaram diretores e uma equipe cinematográfica completa, transmitindo uma ideia à parte, alguns chegando a produzir obras de arte, cheias de detalhes e significados, explorando os versos da canção ou indo além. Este, por exemplo. A graça juvenil da Fernanda Takai, linda, com seu cabelinho nouvelle vague, destacando-se como Rita brilhava nos Mutantes. O Pato Fu teve também, digamos, bom senso, aquela coisa mais bem dividida do mundo, que a gente usa como argumento quando ainda não sabe explicar. Basta ver um vídeo dos Mutantes após 1968 (AI-5, ditadura total, anos de chumbo, exílios, luta armada etc.), os há disponíveis no YT, pra ver como o Arnaldo, que era o cérebro do grupo, pirou. John manteve a cabeça no lugar, Ricardo também.
PS: Aproveito para fazer uma observação sobre outro assunto, porém correlato. O YT virou televisão, uma subversão total do que era. Tem programação contínua de vídeos e publicidades irritante e pior do que na televisão, porque interrompem os vídeos, inclusive as programações ao vivo. A gente só escolhe agora o ponto de partida do que vai ver e escutar, quando o objeto de interesse termina, a programa continua, o YT vai nos despejando publicidade e novos vídeos. Que coisa impressionante, mas absolutamente compreensível no ambiente capitalista, pois o objetivo da big tech é vender, é que o espectador consuma cada vez mais, o tempo todo, para vencer mais anúncios. Que máquina gigantesca de ganhar dinheiro essa gente inventou. E hoje manda no mundo, sustenta o governo trump e a extrema direita mundo afora e faz planos de substituir a democracia liberal nacional burguesa por um regime mundial autocrata. Vendo o vídeo aqui no vídeo a gente escapa disso, mas com certeza não vai durar, eles vão achar um jeito de mudar isso. Já há vídeos só são reproduzidos no YT.
quarta-feira, 30 de setembro de 2026
Música do dia (2): Chega de saudade (João Gilberto)
Em memória do Paulo
Hoje seria aniversário do meu mais antigo amigo. Em sua homenagem, republico o que publiquei na data do seu falecimento, há pouco mais de seis meses.
Em memória do Paulo Gualberto Murta (30/9/1953 - 25/3/2026).
Olhei para os dois lados da Avenida Antônio Carlos, não vi nenhum carro e atravessei correndo. Súbito, ouvi um grito e senti um baque que me estirou no asfalto. Só então vi a bicicleta. Tinha sido atropelado e o ciclista assustado perguntava se eu estava machucado. Respondi que não, olhando as mãos, os joelhos e cotovelos esfolados. Apressei-me a levantar, limpei a camisa branca, apanhei minha pasta de couro preta e retomei o caminho, correndo novamente. Estava atrasado para a aula: tinha consumido os primeiros minutos da manhã terminando o para casa e agora precisava encontrar o portão aberto ou todo meu esforço teria sido em vão.
O grupo escolar era um lugar penoso. Para ir à “casinha”, como se chamava o banheiro, precisava de permissão da professora, quando tinha coragem de pedir. Era uma situação traumática: no jardim de infância, uma vez, não consegui controlar, me sujei e permaneci sentado até que chegassem para me buscar, no começo da noite. O jardim, um conjunto de salinhas interligadas no segundo andar de um sobrado, com piso de taco e paredes cheias de cartazes e desenhos, me dava tristeza. A tarde passava devagar enquanto eu e outros meninos e meninas que nunca se tornaram meus amigos permanecíamos sentados em volta de mesinhas com quatro cadeirinhas cada uma, aprendíamos a escrever nosso nome, ouvíamos histórias tenebrosas de lobos maus e bruxas cruéis e brincávamos de toquinhos e massinhas. Só uma vez me alegrei, com um acontecimento extraordinário: descemos à avenida para saudar a bela Staël Abelha, mineira eleita Miss Brasil, desfilando em carro aberto. No grupo, também ficávamos sentados, mas era em carteiras enfileiradas. A sala de aula era uma prisão, eu ficava sentado na carteira, não podia levantar, não podia conversar, não podia sair. Tinha que permanecer em silêncio, prestar atenção na professora, copiar no caderno o que ela escrevia com giz branco no quadro verde. Como curumins ingênuos, a gente se divertia com as novidades, sem saber que estava sendo treinada pela ideologia do sistema para assimilar sua visão do mundo e obedecer suas leis. Algum gaiato soltava um comentário ou fazia alguma coisa engraçada e arrancava gargalhadas e olhares cúmplices na rebeldia à disciplina que a professora tentava impor. Colegas puxavam conversa, as meninas bonitas atraíam minha atenção, a luz do sol e os ruídos externos me distraíam. Eu olhava para as janelas laterais e minha mente voava, pensando nas brincadeiras que me aguardavam em casa, mas devia corresponder à expectativa da professora e ser bom aluno, para ser recompensado com carinho e admiração. Sem fazer esforço, era aprovado ano após ano com média final máxima. O segundo ano foi especial. Dona Maria Luísa era carinhosa e me incentivava com anotações na caderneta, ao lado das notas das provas bimestrais. No final do ano, escreveu palavras exclamativas: Promovido com 10! 1º lugar! Parabéns! Ela estava grávida e no começo do ano seguinte saiu de licença. Uma manhã recebemos a notícia fúnebre: minha professora querida tinha morrido ao dar à luz. Minha turma visitar sua casa, na Rua Turvo, a dois quarteirões do grupo. Minha mãe, que acabara de ganhar minha irmã caçula, comentou, consternada, que era inadmissível em pleno século XX ainda se morrer de parto no Brasil. No terceiro ano, eu fazia desenhos para ilustrar meus trabalhos e os de colegas e vizinhos que vinham pedir minha ajuda. Dona Marlene, que falava alto e tinha sotaque nortista, se entusiasmava com as minhas composições na séria intitulada “Se eu fosse…” e não se cansava de elogiar minha imaginação para os meus pais. Foi perturbador perder o posto de melhor aluno no quarto e último ano do grupo. Conceituada e temida, Dona Dagmar inspecionava nossos cadernos, um por um, na fila, antes de entrarmos em sala, e aquele ritual me apavorava. Ela desconsiderava meu passado escolar e o fato de ser filho de uma colega e, quando eu levava um bilhete que justificava com a asma um dever de casa não feito, perguntava para a classe: “Tem mais algum doentinho que não fez o para-casa?” Querendo me proteger da megera, minha mãe tentou me trocar de turma, mas não teve sucesso e o episódio selou minha queda. Eu me sentia culpado, pois era relapso. Mal saía da escola, aliviado pelo fim de mais um suplício, abraçava meu amigo e xará, moreninho, tímido e gentil, que morava num bairro distante e sempre tinha dinheiro no bolso, e íamos os dois comprar picolés de groselha na sorveteria da esquina. Eu sabia que aquele gelado proibido e irresistível poderia resultar numa crise de asma, assim como passar a tarde jogando bola na poeira, mas fazia assim mesmo, e adiava o dever de casa para a noite. À noite, distraído pela televisão e vencido pelo cansaço, calculava que poderia cumprir a obrigação no dia seguinte, antes de ir para a aula, se acordasse bem cedinho… Ao acordar, porém o que tinha parecido uma boa solução mostrava-se inexequível diante do sono matinal, e eu preferia dormir mais um pouquinho: levantava em cima da hora, vestia o uniforme correndo, arrumava a pasta, engolia o café com leite e saía mastigando o pão com manteiga, esforçando-me para chegar a tempo, rezando para não ter fila de revista e escapar das chamadas da dona Dagmar.
Naquela manhã, depois de ser atropelado pela bicicleta, encontrei o portão do grupo ainda aberto e me acalmei ao alcançar a sala de aula, pois estava preparado: o para casa tinha sido fácil, uma composição sobre o tema “Meu melhor amigo”. Sem titubear, escrevi sobre José, com quem brincava desde que me lembrava, depois que Gérson foi embora para sempre. Nomeei-o, narrei nossas brincadeiras, proclamei os sentimentos que nos uniam e concluí: “Por tudo isso, José é o meu melhor amigo”. Quando dona Dagmar me chamou, levantei-me e li com segurança minha redação, voltei a sentar satisfeito e esperei pelas outras leituras. A menina que leu depois de mim teceu loas ao seu melhor amigo e fez suspense sobre seu nome. Estranhei que seu melhor amigo fosse homem e não mulher, e compreendi no final, quando ela revelou que falava do seu pai, mas achei aquilo falso e piegas. Outros colegas leram suas composições em seguida e todos falaram do pai. A cada nova leitura eu me encolhia na carteira, envergonhado por também não ter falado do meu pai: no domingo seguinte comemorava-se o Dia dos Pais e com certeza, apesar do título, a instrução da dona Dagmar era homenagear nossos pais, mas eu comi mosca e dera um vexame. Na votação feita pela turma, a minha composição ficou em último lugar; todos deviam pensar que eu não gostava do meu pai. Para mim, no entanto, pai era pai e amigo era amigo.
*Capítulo do livro Ainda me Lembro (17).
Mais de um milhão de visualizações
Há alguns dias, este jornalaico superou um milhão de visualizações de página. Não é nada nas redes sociais de hoje, mas é interessante.
Música do dia: Cheia de charme (Guilherme Arantes)
segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Música do dia: Gente aberta (Erasmo Carlos)
domingo, 27 de setembro de 2026
A quadrilha dos bozos e o escândalo do filme Dark Horse
sábado, 26 de setembro de 2026
O debate presidencial na Globo em 2026
Música do dia: Como é grande o meu amor por você (Roberto Carlos)
quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Música do dia: Retrato em branco e preto (Chico Buarque)
terça-feira, 22 de setembro de 2026
Música do dia: Exagerado (Cazuza)
Da Lagoinha para o mundo
segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Música do dia: Terra (Caetano Veloso)
domingo, 20 de setembro de 2026
Música do dia seguinte: Something (George Harrison, The Beatles)
Alguma coisa no jeito como ela se move me atrai como nenhuma outra mulher, alguma coisa no jeito como ela me seduz...
É um belo clipe. Como quase todas as canções dos Beatles, tem histórias. Todos os quatro foram filmados com suas mulheres, cada um num lugar: eles já tinham se separado então. E as mulheres são muito diferentes, embora a grande diferença seja entre Yoko e as outras. E é ela a mulher mais importante, embora Linda tenha seu lugar de destaque ao entrar na nova banda do Paul, o que Yoko fez também, mas Yoko teve uma influência criativa decisiva sobre John, o que não sei se Linda teve sobre Paul. Maureen foi a mulher do Ringo durante todo o período dos Beatles, mas a personagem principal da música é Pattie Boyd, a mulher do George e musa inspiradora da canção. Dizem que John considerava Something a música mais bonita do álbum que é a obra-prima da banda. E o Paul também fez grandes elogios. É uma gravação primorosa, uma música que não se cansa de ouvir e os primeiros versos e outros são daqueles que lembram imediatamente a mulher amada.
sábado, 19 de setembro de 2026
sexta-feira, 18 de setembro de 2026
Música do dia: Gente, Caetano Veloso
Ontem vivi uma experiência e tanto. Deveria ser normal e aqui é normal, mas eu não sabia, descobrir isso melhorou minha opinião sobre a espécie humana e minha esperança no futuro. Perdi meu cartão de banco (não é de aproximação) em Milho Verde, ele foi encontrado e entregue em um restaurante, a funcionária divulgou em rede social, um morador de MV que eu conheci ontem contatou o motorista do ônibus para São Gonçalo para que esperasse, a funcionária levou o cartão para ele e ele o trouxe para mim, deixou-o na padaria, onde o peguei no começo da noite. Pelo menos cinco pessoas boas e sem nenhum interesse colaboraram para fazer o bem a um desconhecido e muitas outras procuraram ajudar também. Se aqui é assim, por que o mundo não pode ser? Pode, eu sempre acreditei nisso, a vida inteira ouvi o sistema dizendo para não acreditar, e hoje mais do que nunca, e esse fato que aconteceu comigo, não me contaram, confirma que tenho razão. É o que eu faria, é o que outros fazem, muitos, a maioria certamente, quase todos talvez, aqui é normal, já foi assim em outras partes, era assim no bairro em que cresci na cidade grande. É o capitalismo que corrompe as relações humanas quando transforma tudo em mercadoria e o lucro no objetivo da vida. Gente não é mercadoria, afetos não são mercadorias e a vida não é para enriquecer, é para viver. A gente vive bem quando faz o bem aos outros e recebe em troca. "And in the end the love you take is equal to the love you make."
Sou o oposto zodiacal exato do Caetano e tenho ideias diferentes. Me interessa a gente anônima, a que brilha na intimidade, nas relações com outras gentes anônimas. Morrer de fome como oposição a brilhar não é uma ideia que me agrada, mas gosto das outras imagens, especialmente de gente lavado roupa e amassando pão. Sobre isso "Um índio" é melhor, mas Gente é um retrato amoroso da espécie.
terça-feira, 15 de setembro de 2026
Música do dia: Golden slumbers, Carry that weight, The End (The Beatles)
sexta-feira, 11 de setembro de 2026
Um telejornal matutino imprescindível
terça-feira, 1 de setembro de 2026
Música do dia: O dia em que o morro descer e não for carnaval
Há alguns anos escrevi uns versinhos que têm ideia semelhante:
no dia que o morro descer
não vai ter
casa-grande nem casamata
pra canalha se esconder.
A letra do Paulo César Pinheiro, porém é muito mais elaborada e acrescenta uma ideia genial: "e não for carnaval". Estou desenvolvendo um ideia sobre o soviete brasileiro: o samba. O sambista é o brasileiro, o malandro é o brasileiro, o trabalhador obviamente é o colonizado com mentalidade europeia. A chamada esquerda, que na verdade é direita hoje, a chamada "direita democrática", porque só não vê que Lula e o PT são de direita quem é cego, cegueira que tomou conta dos brasileiros gradativamente nas últimas cinco décadas, no Brasil a disputa é entre extrema direita e direita, nem centro existe mais. A chamada esquerda, que na verdade é direita, é colonizada, tem a mentalidade dos colonizadores europeus, acredita no trabalho e serve ao capital. Brasileiro é o indígena, brasileiro é descendente do africano, o malandro, sambista, favelado, brasileiro é Macunaíma. Tem mais de cem anos que a gente sabe disso, mas a mentalidade colonial é dominante. E vai fazer cem anos que o Brasil começou a ser inventado como nação, mas há cinquenta começou a ser desinventado. Por quem? Pela "esquerda democrática", que não é esquerda nem democrática, é a direita burguesa que capitulou ao neoliberalismo e transformou o Brasil na terra dos irmãos Batistas. Quem quiser conhecer, ouça O berro do boi, uma série de programas excelente da jornalista Consuelo Dieguez, da revista piauí do banco Itaú e da Trovão Mídia, que não sei de quem é. Voltando à música do dia, a questão é que a esquerda não entendeu que o samba é o soviete brasileiro e agora o povo brasileiro está trocando o samba pela música gospel, a igreja católica pelas evangélicas e a esquerda que é direita pela extrema direita. Nosso futuro é cada vez mais tenebroso, o melhor Brasil ficou para trás e foi entre os anos 1930 e 1968. Só uma revolução dos malandros, indígenas e macunaímas pode mudar isso, mas é mais fácil imaginar uma revolução (ou será contrarrevolução?) dos evangélicos.
quinta-feira, 27 de agosto de 2026
quarta-feira, 26 de agosto de 2026
Compositor do dia: Wilson Batista, com Cristina Buarque e convidados
terça-feira, 25 de agosto de 2026
Uma aula de história do Brasil do século XXI
segunda-feira, 24 de agosto de 2026
Música do dia: Feitiço da Vila, Noel Rosa
domingo, 23 de agosto de 2026
Cuba, Gaza, Irã, Venezuela...
Tributo a Ciro Gomes
O gol mais bonito, o melhor futebol do mundo
Música do dia: Artigo 26, Ednardo
quarta-feira, 19 de agosto de 2026
Meu partido é...
Marque a opção certa:
-os Estados Unidos
-Israel
-o meu bolso
-a rachadinha
-a minha família
-o crime organizado
-o orçamento secreto
-a imunidade parlamentar
-o paralelo

quinta-feira, 13 de agosto de 2026
Música do dia: Charles Anjo 45, com Caetano Veloso e Jorge Ben
segunda-feira, 10 de agosto de 2026
Música do dia (3): Sobradinho, com Sá e Guarabyra
segunda-feira, 3 de agosto de 2026
Música do dia: Um gosto de sol, com Milton Nascimento (MN e Ronaldo Bastos)
Declaração de voto
Vou votar no Lula, é claro, como sempre votei no segundo turno – e nunca no primeiro. Dessa vez, porém talvez vote no primeiro turno, porque não tenho outra opção, como tive em 98, 2002, 2018 e 2022, o Ciro, que é, de longe, o melhor político que o Brasil teve nas últimas três décadas, mas foi inviabilizado pela mediocridade e pela corrupção do lulupetismo. Votei nulo uma vez, em 1974, no auge da ditadura militar, e mesmo assim, se fosse hoje, provavelmente não votaria de novo. Há uma grande diferença entre votar e fazer, votar e defender ideias. O voto é individual, solitário e unitário, é uma armadilha da política burguesa -- e a ciência política sabe bem disso: uma armadilha inventada para burlar o poder popular que irrompeu da Revolução Francesa. Eu não sou estúpido e não vou negar meu voto ao Lula, não vou deixar de fazer a minha parte para impedir que um candidato fascista seja eleito. Isso é elementar. Não significa que eu vou deixar de criticar essa coisa corrompida que é o lulupetismo. Eleger Lula mais uma vez é muito pouco diante do que os trabalhadores brasileiros precisam. Corrupção não é roubar, embora roubar dinheiro público seja corrupção e o lulopetismo faça isso. Corrupção é muito mais e pior: é perder princípios, objetivos, compromissos, é deixar de ser o que deveria ser, deixar de fazer o que deveria fazer, transformar-se em coisa pior do que era, trair os interesses coletivos aos quais deveria servir, para os quais foi eleito e que são a razão da sua existência, e no seu lugar colocar interesses particulares, sejam os próprios, sejam os dos ricos e poderosos, em troca de vantagens e benefícios pessoais. Não foi só o Lula e os dirigentes do luopetismo que se corromperam, foram também os militantes, os mais aguerridos militantes de esquerda que escolheram acreditar na mentirada ideológica do Lula e se abster de criticá-lo, que preferem se curvar e seguir o "grande líder" a obrigá-lo a se curvar e defender os interesses populares, os seus interesses originais, os quais o tornaram o que é. Denunciar a corrupção lulopetista é obrigação de qualquer um do povo, assim como é dever dos políticos e ideólogos de esquerda apresentar um projeto de nação alternativo ao projeto neoliberal fascista. Votar no Lula para impedir a vitória de um candidato fascista, notoriamente corrupto e instrumento do crime organizado é um ato de sobrevivência. O que eu quero, porém não é um nem outro, é um governo popular, igualitário, democrático, que distribua poder e riquezas, que empodere os trabalhadores e possibilite que o que eles produzem fique com eles, não com os proprietários capitalistas.
sábado, 1 de agosto de 2026
Eleição em Minas em 2026 é prévia da eleição nacional em 2030
A eleição em Minas é tradicionalmente retrato fiel do Brasil, porque o estado é uma espécie de média nacional. Este ano, ganhará uma característica adicional, por conta do cenário inesperado que se formou. Ela será muito diferente de eleições anteriores, porque o governador não pode ser reeleito e o vice, agora governador, que ele apoia, é fraco. Assim, perde-se a principal força, isto é, o poder eleitoral decisivo do Palácio da Liberdade. Para completar, o candidato preferido nas pesquisas, inexplicavelmente, não se lançou ainda e perdeu seu próprio partido, que decidiu apoiar outro candidato.
Com tudo isso, a eleição ficou muito aberta, com vários candidatos aparentemente em pé de igualdade na preferência do eleitorado, isso antes de pesquisas que apresentem seus nomes. As dúvidas ficam em relação ao próprio candidato preferido, se vai se lançar ou não, e a outro candidato que tem apoio de muitos partidos e terá o maior tempo de propaganda. Afora isso, a eleição terá dois ex-prefeitos da capital, Kalil, que já foi candidato na última eleição, e Patrus, do PT, cuja candidatura significa uma retomada história do partido em Minas. E o bozoísmo não tem até agora um candidato, embora, é claro, algum, exceto os dois últimos, vá se oferecer a ele.
Ou seja, a eleição em Minas toma a configuração, de certa forma, do que será a eleição de 2030, sem bozo e sem Lula, com novas candidaturas, novas articulações e candidatos que, embora recebendo apoio dos dois polos, terão de se afirmar por conta própria. Vai ser interessante observar como se comportarão os candidatos e como vai reagir o eleitorado. Será muito bom se os eleitores mineiros forem capazes de votar desprezando precocemente o que em 2030 será passado e escolherem considerando exclusivamente os candidatos em disputa e suas propostas.
O PT tem um candidato digno e a oportunidade de realizar uma campanha comprometida com os interesses dos mineiros (o principal dos quais é enfrentar a mineração destruidora e corrupta) e com o futuro de Minas e do Brasil. Mesmo porque o futuro do Brasil sempre passou, no caminho, desde Pedro I, por Minas. Oxalá o faça!
quinta-feira, 30 de julho de 2026
Corrupção, governo Zema, imprensa e mineração em Minas Gerais
Apesar das catástrofes de Mariana e Brumadinho, de repercussão internacional e prejuízos gigantescos e permanentes para Minas Gerais e para o Brasil, principalmente para a coletividade e para o ambiente, a destruição produzida pela mineração no estado aumentou exponencialmente nos últimos anos, com a corrupção das autoridades que deveriam coibi-la e o silêncio da chamada "grande imprensa", comprada pela publicidade farta e outros agrados. O caso mais escandaloso é o da Serra do Curral, em Belo Horizonte. Tá tudo dominado, exceto, aparentemente, a Polícia Federal.
segunda-feira, 27 de julho de 2026
Música do dia: Emanuelle, com Marie Espinosa e Quentin Bachelet
Elias Jabbour para presidente
O título é uma provocação, é claro, mas certamente o Brasil estaria melhor se ele governasse e não Lula. Vladimir Safatle, Jones Manoel e Elias Jabbour são os políticos mais lúcidos do Brasil hoje. Muito diferentes, eles convergem no amplidão do seu conhecimento e na capacidade de pensar com a própria cabeça, para além de repetirem cartilhas e reverenciarem o Lula, que é o que a esquerda brasileira fez no último meio século. Dessa forma, eles conseguem ver a realidade nacional e mundial, porque, em 2026, é impossível olhar o Brasil sem olhar ao mesmo tempo o mundo. Elias Jabbour, em especial, é um sujeito admirável, pela sua origem, condição individual e trajetória, as quais conta nessas entrevistas. Isso já o torna digno de respeito, mas o mais importante é sua posição sobre o desenvolvimento econômico contemporâneo, baseado no seu conhecimento da experiência chinesa. Gostaria muito de vê-lo com poder no governo nacional, não esse poder miúdo de ministros e até presidente e governadores, num eterno toma-lá-dá-cá, que não enxerga um palmo além do nariz, mesquinho e imediatista, que não pensa no futuro nem no povo, mas num governo nacional verdadeiro, com planejamento, racionalidade e busca do bem-estar geral. Me impressiona que ele não tenha até hoje (essa série de entrevistas é uma tentativa medíocre de fazer isso) uma assessoria competente que o ensine a dar entrevistas, ordene seu pensamento (muito rico e por isso confuso), o interrompa sempre que necessário e reoriente suas respostas, ajude-o a falar com mais calma e outras qualidades necessárias aos políticos. Afinal, ele tem 50 anos e é candidato a deputado federal. Jabbour é o avesso do Lula, que fala esplendidamente, mas não tem conteúdo. Ele tem a honestidade que falta aos políticos desse eterno centrão brasileiro, do qual fazem parte, inacreditavelmente, a extrema direita e a pretensa esquerda.
sábado, 25 de julho de 2026
Revolta da Chibata: reparações mostram o que mudou e o que não mudou no Brasil
Não consegui achar uma notícia decente sobre esse fato. Há muitas coisas a dizer a respeito. A primeira delas é como é difícil achar notícias no celular. No notebook é mais fácil, mas o sistema de busca do celular (Google) é precário e me encaminha para o que ele quer e não para o que eu quero, além do que muitos veículos, especialmente os velhos jornalões, não abrem seus conteúdos para todos. A perda de tempo procurando uma notícia é enorme, e ainda maior porque, quando a acho, tenho que superar os anúncios, numa quantidade tão grande que parece que redes sociais são catálogos de publicidade com alguns conteúdos, muito mais do que televisão e rádio. De fato, buscar informação boa no celular é uma tarefa quase impossível, o que torna compreensíveis a desinformação e a ignorância nas quais a população está imersa hoje, pois consome os lixos oferecidos pelas big techs.
Dito isso, volto à primeira observação. Em lugar nenhum consegui encontrar uma notícia decente sobre esse fato que vou resumir abaixo, acrescentando comentários. A Globo News fez uma mistura querendo dar relevância ao fato, com o comentário da Flávia (esqueci seu sobrenome), que é uma boa jornalista, mas a notícia propriamente se perdeu e ainda mais sua profundidade. A TVT, um canal dos trabalhadores, tinha obrigação de dar a notícia de forma adequada, mas não consegue, fica na superficialidade e na gracinha da canção do João Bosco e do Aldir Blanc. E até o Farol Brasil, pretensamente da esquerda revolucionária, ignora a gravidade do assunto, faz uma confusão danada e também não consegue abordar adequadamente a notícia. As notícias escritas são superficiais. E no entanto, no próprio YouTube há uma grande produção de conteúdos disponível sobre João Cândido e a Revolta da Chibata. No fim, não achei nenhuma matéria, a melhor foi esta que reproduzo abaixo, da fonte, isto é, o Ministério Público Federal, autor da ação, mas ela é anterior à decisão e também não trata adequadamente do assunto, que tem uma relevância enorme par o Brasil e pode -- e precisa -- ser abordada sob diversos aspectos.
Curiosamente, a sentença foi dada no dia 21/5/26, mas só dois meses depois virou notícia. Pior: uma olhada nas matérias publicadas leva à conclusão que ninguém foi à fonte, isto é, a sentença do juiz, coisa que eu também não fiz, porque não consegui ter acesso a ela, apesar de tentar, mas qualquer jornalista pautado poderia fazê-lo. Aparentemente, alguém fez a matéria inicial e os demais veículos saíram copiando ou todos receberam o mesmo press release. Mesmo veículos que eu considero responsáveis fizeram isso. Há inclusive uma divergência de informação nas notícias que mencionam ora R$ 200 mil, ora R$ 300 mil como valor da indenização.
Por sorte, consegui ler a notícia da Folha de S. Paulo, que por sua vez me levou a outra, de forma que entendi que se tratam de duas sentenças, mas exceto a Folha nenhum veículo menciona isso, o que no jornalismo que minha geração praticava era inaceitável. No JB, era norma de redação fazer um sub-lead com a memória do assunto. Ambas as sentenças foram proferidas pelo mesmo juiz, a primeira em maio, a segunda em julho.
Em primeiro lugar, a notícia, que é a seguinte.
O juiz federal substituto Mario Victor Braga Pereira Francisco de Souza, da 4ª Vara da Justiça Federal do Rio de Janeiro, condenou a União a pagar indenização de R$ 300 mil por danos morais aos familiares do marinheiro João Cândido Felisberto, líder da Revolta da Chibata, falecido em 1969. A ação, movida por Adalberto Cândido, de 87 anos, único filho vivo de João Cândido, se refere a ofensas feitas pelo comandante da Marinha, Marcos Sampaio Olsen, em carta enviada à Comissão de Cultura da Câmara dos Deputados, em abril de 2024, na qual manifesta sua oposição a que o nome do marinheiro seja incluído na relação de heróis e heroínas da pátria. O juiz rejeitou os pedidos de pagamento referente a promoções retroativas, contagem de tempo de serviço e pensões militares.
Em outra sentença, proferida em maio passado, em ação movida pelo Ministério Público Federal, o mesmo juiz condenou a União a pagar indenização de R$ 200 mil por danos morais, pelos mesmos crimes. Cabem recursos ao Superior Tribunal de Justiça. A homenagem ao marinheiro é um projeto de lei do deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ). Aprovado no Senado e pela Comissão de Cultura da Câmara, o projeto ainda não foi votado pela Câmara.
Agora os comentários.
Olsen (será parente do fotógrafo Jimmy Olsen, colega do jornalista Clark Kent no Planeta Diário e identidade secreta do Superman?) se referiu a João Cândido e seus companheiros como "abjetos marinheiros", seu comportamento como "reprovável exemplo de conduta para o povo brasileiro" e à Revolta da Chibata como "fato opróbio" e "deplorável página da história nacional". O comandante da Marinha do governo Lula afirmou que os revoltosos desrespeitaram a hierarquia e a disciplina e usaram equipamentos militares para chantagear a nação, que buscavam, deliberadamente, vantagens corporativas e ilegítimas, e que há enorme diferença entre reconhecer um erro e enaltecer um heroísmo infundado.
"Nos dias atuais, enaltecer passagens afamadas pela subversão, ruptura de preceitos constitucionais organizados e basilares das Forças Armadas e pelo descomedido emprego da violência de militares contra a vida de civis brasileiros é exaltar atributos morais e profissionais, que nada contribuirão ao pleno estabelecimento e manutenção do verdadeiro Estado Democrático de Direito", conclui a carta.
Em outras palavras, a Marinha do governo Lula usou a tentativa de golpe de 8 de janeiro para vilipendiar a memória dos marinheiros revoltosos de 1910, misturando no mesmo caldo o governo militar golpista do bozo e um movimento justo de marinheiros pobres e negros contra o açoite como castigo aplicado corriqueiramente pelo Estado brasileiro 22 anos depois de abolida a escravidão. A imprensa, os jornalistas, comentaristas e analistas, a pretensa esquerda que está no governo e a esquerda pretensamente revolucionária engoliram isso, por conveniências ou por falta de convicções. Também a sentença do juiz tangencia a questão principal, isto é, o fato de que, 116 anos depois, a essência do Estado brasileiro continua a mesma. No Brasil monarquista, no Brasil da primeira república ou no Brasil do Lula, os brancos, ricos, proprietários e oficiais mandam e os pobres, pretos, trabalhadores e subalternos obedecem ou são mortos.
A íntegra da carta está disponível no saite da Marinha e pode ser lida na íntegra clicando aqui. O leitor poderá constatar que não carrego na tinta, ao contrário, a carta sugere preconceitos inacreditáveis, estes sim inaceitáveis.
Isso é a ponta do aicebergue dessa notícia. A Revolta da Chibata, que até hoje só mereceu homenagens populares, como a célebre canção e samba enredo de escola de samba, é de fato uma página deplorável da história do Brasil não pelos motivos alegados na carta, mas sim pela conduta do Estado nacional, à qual o comportamento do almirante branco se incorporou como capítulo mais recente. Em 1910, o governo do marechal Hermes da Fonseca aceitou as reivindicações dos poderosos revoltosos, que controlavam a esquadra nacional e sitiavam a capital federal, e os marinheiros foram anistiados. Finda a revolta, a anistia foi cancelada, 18 marinheiros foram presos no Natal e encarcerados numa cela minúscula com água e cal durante três dias, 16 morrem asfixiados, só João Cândido e mais um sobrevivem. Outros marinheiros foram enviados para o Acre, vários foram assassinados e jogados no mar. João Cândido foi considerado louco e internado.
Outros detalhes escabrosos podem ser conhecidos em vídeos, inclusive áudio de entrevista com o próprio "almirante negro", que faleceu aos 89 anos. A Revolta da Chibata não é exceção na história do Brasil, que está repleta de rebeliões populares tratadas da mesma forma pelos eurodescentes ricos e poderosos e apagadas da memória nacional. A Revolta da Chibata é uma história exemplar do Brasil verdadeiro que nunca chegou ao poder, nem com Lula, o operário, como mostra este episódio recente. A Marinha ainda a denomina como o comandante Olsem a chama na carta: "Revolta dos Marinheiros". Os governos civis e ditos democráticos não fizeram o que um governo efetivamente democrático deve fazer: uma retratação pública retumbante, com homenagens e atos necessários a transformar todos os revoltosos de 1910 em heróis nacionais, não só a inclusão do nome do seu líder no "livro de aço" do Panteão da Pátria. Indenizações não significam nada, a não ser gerar notícias superficiais, basta ver a diferença entre o valor que o MPF pediu -- R$ 5 milhões -- o que concedeu o juiz.
sexta-feira, 24 de julho de 2026
O programa nuclear brasileiro e o desmonte do desenvolvimento nacional
quinta-feira, 23 de julho de 2026
Jones Manoel, Ciro Gomes e Lula
Jones Manoel conta nesse vídeo, com simplicidade e objetividade e sem mitificar, sua trajetória de vida. Admirável, mas nada romântica, como nas ficções burguesas. Ao contrário, o que ele faz é desfazer o mito da meritocracia. Desde Ciro Gomes não surgia um político tão conectado na realidade quanto Jones Manoel. Desde Lula não aparecia um pernambucano falando tão diretamente ao povo quanto ele. Quem sabe ele não junta as qualidades dos dois -- as qualidades que Ciro tem e não pôde exercer como presidente, as qualidades que Lula não teve enquanto exerceu a presidência -- e conquista a maioria do eleitorado brasileiro na eleição para presidente em 2030? É o que desejo, mas não me iludo achando que basta eleger um bom presidente para que o Brasil deixe de ser a colônia do imperialismo estadunidense em que o transformaram os governos democráticos neoliberais burgueses depois da ditadura militar. Jones Manoel também não se ilude, tem uma visão mais ampla da política, que passa pelo empoderamento popular, e é isso que me anima.
terça-feira, 21 de julho de 2026
Itamar Franco e a candidatura do Patrus Ananias ao governo de Minas
Patrus Ananias foi o prefeito mais importante de Belo Horizonte desde Juscelino Kubitschek. Implantou o Orçamento Participativo, instrumento revolucionário de políticas públicas, copiado pela esquerda dos EUA. Sua trajetória normal, como tantos prefeitos da capital, entre eles o próprio JK, seria tornar-se governador logo em seguida, mas alguma coisa aconteceu no caminho e a ascensão do Patrus foi interrompida.
O que aconteceu foi a eleição de Itamar Franco governador em 1998, um fenômeno pouco estudado e que teve consequências decisivas para a política mineira, uma delas, percebo agora, o golpe na ascensão do Patrus. Outra consequência nefasta eu já tinha notado há muito tempo: em 2002, Itamar abriu mão da reeleição, não sei por que, e ungiu Aécio Naves, um governador eleito e reeleito que deixou péssima herança estadual, no seu estilo de governar, e nacional, ao dar sinal para o golpe, depois de perder a presidência para a Dilma, em 2014. Itamar está na origem de todos esses males.
Sempre que faço retrospectos como este, constato que nossa ciência política é superficial, pois não analisa as consequências do jogo político, das decisões, dos atores, e assim perdemos o sentido da história. História. Não só a eleição de 1998, mas a própria trajetória do esquecido e desvalorizado Itamar é um fenômeno que merece estudo. Um político em particular e um indivíduo em geral não são importantes só por suas obras, mas também pelos acontecimentos que influenciam. Itamar tomou decisões arriscadas e foi premiado pela sorte, desde que se elegeu senador em 1974, quando ninguém mais quis disputar, porque era derrota certa. E depois tornando-se vice do Collor, o que o levou à presidência, com o impeachment de 1992, e ao patrocínio do decisivo e definitivo Plano Real, sob sua presidência.
Como julgar Itamar Franco? Ele foi o senador destemido eleito pelo MDB em 1974, estrela mineira numa eleição memorável que começou a mudar o jogo contra uma ditadura militar que já durava uma década. Foi também o vice do Collor. Foi o presidente que implantou o Plano Real, acabou com a inflação e deu ao Brasil os melhores anos da sua história recente, quando um real valia um dólar. Ungiu FHC como seu sucessor, mas quatro anos depois, como oposicionista, decidiu concorrer ao governo de Minas e foi eleito. E em 2002 abriu mão da reeleição e ungiu Aécio.
A eleição de 1998 foi singular, opôs Itamar a FHC no cenário nacional e no cenário estadual. FHC ganhou a eleição nacional, foi reeleito, mas Itamar ganhou a eleição estadual, derrotou o candidato tucano, apoiado por FHC, que também tentava a reeleição. A disputa normal naquela eleição seria entre Eduardo Azeredo, o governador tucano, e Patrus, do PT, ex-prefeito da capital, político com grande prestígio em ascensão, que tinha feito seu sucessor na prefeitura, em 1996, Célio de Castro. Azeredo deveria ter sido reeleito, como foi FHC, Patrus iria para o segundo turno e formaria cacife para vencer em 2002, juntamente com Lula. A história de Minas e do Brasil seria outra, mas Itamar embaralhou o jogo, com seu prestígio de ex-presidente, tirou Patrus do segundo turno e venceu Azeredo.
A política, como a própria vida, é um jogo de xadrez: cada peça mexida muda o jogo. Itamar mudou o jogo em Minas e consequentemente no Brasil, ao interromper a ascensão do íntegro Patrus e catapultar o indigno Aécio. Itamar é uma figura singular na política brasileira (nunca foi só um político mineiro, porque, desde o mandato de senador, teve sempre projeção nacional), ao mesmo tempo coerente e imprevisível, emedebista histórico que saiu do partido duas vezes (e voltou), fez seus sucessores na presidência e no governo estadual, abriu mão de ser candidato à reeleição, foi governador depois de ser presidente, nacionalista e entreguista, baiano e mineiro, nascido num navio, mulherengo afeito a ridículos (quem, a não ser os mais jovens, não se lembra do episódio da atriz fotografada sem calcinha do seu lado no camarote presidencial durante desfile de escolas de samba no carnaval carioca?), enfim, um político contraditório, errante e bem-sucedido, que nunca gozou da simpatia da mídia e foi mesmo espezinhado pela imprensa paulistana.
No fim das contas, pelas consequências dos seus atos, Itamar Franco (1929-2011) foi um político nefasto para o Brasil: nos legou o Real, que, de plano para controlar a inflação, tornou-se política econômica que fez o país retroceder a colônia agroexportadora; nos legou FHC, que, além de transformar o Real em política econômica, inventou a reeleição corrompida; nos legou Aécio Neves, um desastre para Minas Gerais e para o Brasil; e de quebra impediu a ascensão do Patrus, que certamente teria tornado muito melhor a história de Minas e provavelmente a do Brasil.
A última vez que entrevistei Itamar Franco foi em janeiro de 2010, numa breve passagem pelo diário Hoje em Dia. Eu o procurei, não encontrei, deixei recado e ele retornou, pessoalmente. Lembro que alguém gritou na redação: "O presidente Itamar quer falar com você". Não era uma deferência especial, acho que ele era assim com todos os jornalistas, pois eu mal o conhecia. Ademais, em 2010, sem mandato, no auge da Era Lula e do reinado Aécio, quem ligava para Itamar? Só mesmo um jornalista na seca de notícias de janeiro, buscando repercussão de um assunto no qual ele tinha tido papel importante e que não lembro mais qual era. Ex-presidente sempre rende notícia de primeira página, mesmo que não diga nada importante. Minha primeira chamada de capa no JB foi com matéria sobre o ex-presidente Figueiredo, um ano depois que deixou o cargo, pedindo para ser esquecido: o povo tinha atendido seu pedido. Lembro da conversa com o ex-presidente Itamar: atencioso e simpático, falou sem pressa sobre tudo que eu perguntei e, ao se despedir, ainda disse que poderia lhe telefonar sempre que precisasse.
A eleição de Patrus governador em 2026 seria um recomeço da história de Minas com atraso de quase três décadas. Parece impossível. Ele não conseguiu nem se eleger novamente prefeito, em 2012. E nessa história entram outras peças do xadrez político: a esdrúxula e fratricida divisão do PT mineiro, que tinha do outro lado o ex-governador Fernando Pimentel, de triste memória, herdeiro bem-sucedido e mal-agradecido do Patrus. Foi em 2012 que o mundo acabou, conforme a profecia. Eram outros tempos, animadores ainda, mas já sob a deletéria administração Lacerda, o prefeito de rima fácil. A derrota do Patrus foi um sinal de que estava por vir. Todavia, tantas coisas inacreditáveis aconteceram depois para o mal, por que não pode acontecer uma para o bem, agora?
domingo, 19 de julho de 2026
Melhor do que a final da Copa
A disputa do terceiro lugar, Inglaterra 6 x 4 França, foi sensacional, mas, no momento em que escrevo, intervalo do primeiro para o segundo tempo (tem que explicar, porque agora futebol tem um punhado de intervalos...), essa aula do Breno Altman sobre o futebol é muito melhor do que a final da Copa entre Espanha e Argentina.
É interessante ouvir uma análise muito diferente daquela que eu publiquei aqui no dia 11. Altman, que acompanha futebol muito mais de perto do que eu, tem um olhar e informações que eu não tenho e faz comentários e propostas interessantes. O que eu disse oito dias atrás é o óbvio para mim: a fase de ouro do futebol brasileiro, de 1950 a 1970, que se estendeu ate a Copa de 1982 e àquela geração de jogadores, que jogou ainda, em nível inferior, em 1986, se deveu a condições sociais específicas, o futebol moleque jogado por todos os meninos brasileiros nos inúmeros espaços públicos e privados existentes nas cidades brasileiras em crescimento a partir da Revolução de 1930. Ou seja, era parte do projeto desenvolvimentista nacional. Em certo momento, essas condições acabaram. Hoje, os meninos moram em apartamentos, não existem quintais, lotes vagos e campos de várzea, as famílias têm poucos filhos, não há aquelas turmas de rua, a meninada não sabe o que é jogar bola o dia inteiro, não há quantidade nem qualidade para formação de craques, jogar bola não é uma brincadeira de moleques. Meninos (e meninas, cada vez mais) que quiserem jogar bola terão que jogar em clubes ou escolinhas, futebol de salão, soçaite ou de campo. O jeito brasileiro de jogar bola se curvou ao jeito europeu, o esporte foi dominado por empresários que formam jogadores para exportação, jogador brasileiro virou commodity: empresários os vendem ainda crianças para clubes europeus que tratam de industrializá-los e revendê-los a peso de ouro para o mundo inteiro, nós inclusive, em campeonatos vistos pela televisão e internet. Há muito mais coisas em torno disso, mas o essencial na minha opinião é que as condições sociais mudaram. Para completar, o governo petista elitizou os estádios para cumprir as exigências da Fifa para a Copa de 2014, de forma que o povo também perdeu a paixão que tinha pelo esporte. E não tem vínculos com a seleção, porque os convocados não jogam nos clubes brasileiros, jogam em clubes europeus. De forma que o futebol somente conserva um enganoso prestígio porque há enormes interesses comerciais envolvendo-o, mas a "pátria de chuteiras" já não existe mais.
No novo contexto do esporte, para que a Seleção e os clubes voltem a fazer parte da vida do povo e para que os brasileiros voltem a praticá-lo com paixão, será preciso uma revolução, como em tudo mais nessa decadente nação. O futebol brasileiro precisa renascer praticamente do zero. Em primeiro lugar, o Estado precisa implantar uma política pública de futebol nas escolas infantis e de ensino fundamental, médio e universitário, bem como precisa criar campos e espaços em parques em todos os bairros para a prática do futebol, não só campos oficiais, mas também de terra e gramados para se jogar pelada, jogos com qualquer número de jogadores, informais, brincadeiras. Os estádios precisam ser repensados e reformados para que conforto não signifique ingresso caro e afastamento do povo dos estádios. Os campeonatos em todos os níveis devem ser organizados com seriedade, amadores, profissionais, municipais, estaduais, nacional, e neste, obviamente, para que mereça o nome, é preciso que joguem clubes de todos os estados, não só os do Leste, Sul e mais uns poucos. Como é que uma nação que tem 26 estados e um distrito federal pode ter um campeonato com 20 clubes? É só para copiar, em mais uma coisa, os campeonatos europeus. Enfim, para que o futebol brasileiro volte a empolgar torcedores e brilhar no campo, terá de começar uma nova fase, organizada, planejada, voltada para a coletividade. A fase de ouro do futebol moleque espontâneo passou e a fase da bagunça e da corrupção precisa ser superada.
PS: A final da Copa de 2026, uma copa que teve jogos sensacionais e seleções brilhantes (torci pela Inglaterra, pela qualidade do seu time) e ao mesmo tempo foi marcada mais que nunca pela interferência de interesses políticos e comerciais (onde já se viu um presidente de país sede cancelar um cartão vermelho para um jogador da sua seleção? Que vergonha), terminou e a Espanha se tornou bicampeã vencendo por 1 a 0. Foi um jogo horroroso, mas pelo menos a Argentina, que quase não pegou na bola e não deu um chute a gol, não foi campeã. Se fosse, eu não ia mais querer ver jogos de copa do mundo.
Música do dia: Aqui, oh!, com Milton Nascimento e Toninho Horta
sexta-feira, 17 de julho de 2026
Elias Jabbour e o projeto da esquerda para o Brasil
quarta-feira, 15 de julho de 2026
Música do dia: Samba do Crioulo Doido, com Demônios da Garoa
sábado, 11 de julho de 2026
O que aconteceu com o futebol brasileiro?
É sempre bom ouvir previsões e análises depois que os acontecimentos esperados passaram. Elas mostram como nossa capacidade de compreender a realidade é limitada.
A ESPN, da qual Juca Kfouri foi uma das estrelas, está para o jornalismo esportivo assim como a Copa de 1982 está para o futebol brasileiro: foi o canto do cisne. A mesa redonda Linha de Passe, com José Trajano, PVC, Mauro César e outros, além do Juca, foi o ápice do jornalismo esportivo e de uma época nacional. A Seleção do Telê, igualmente, expressou o desejo nacional de voltar aos bons tempos, no futebol e na política. Ambos, a Seleção de 82 e a Linha de Passe, guardam relações com momentos políticos decisivos do país: a redemocratização e o governo Lula. Ao mesmo tempo em que expressavam esperança e alegria já continham o germe da tristeza e da desesperança que viriam depois. Pra gente ver como tudo se mistura e que tudo, no fim das contas, é política.
O futebol foi a brincadeira de milhões de meninos brasileiros ao longo de décadas do século XX, enquanto o Brasil crescia, se industrializava, se urbanizava. Uma coincidência: o futebol se popularizava em todo o mundo, inclusive no Brasil, e os meninos brasileiros tinham condições ideias para praticar a molecagem de brincar de bola. Nem era futebol propriamente, não era o jogo inglês com suas regras, era simplesmente "jogar bola". Bastava ter meninos e uma bola para jogar, em qualquer espaço. E havia muitos espaços nas cidades brasileiras que estavam crescendo: lotes vagos, ruas sem movimento, quintais. Nada disso haveria sem que tivesse acontecido a Revolução de 1930, a ação de classes proprietárias dominantes descontentes unidas a classes médias institucionalizadas, notadamente o Exército, que tomou o poder nacional e começou a implantar um projeto efetivamente nacional, industrializador, urbanizador, modernizador. Nas cidades brasileiras que cresciam, os meninos soltos nas ruas juntavam-se em lotes vagos e quintais, dividiam-se em dois grupos, escolhidos no par ou ímpar, procurando equilibrar os times, delimitavam o campo e marcavam os gols com pedras: estava armado o cenário para a brincadeira, sem juiz, os conflitos resolvidos por consenso e pelo desejo de continuar o jogo.
Foi assim que eu cresci jogando bola, nunca em campo oficial, nunca dois times de onze, nunca com juiz apitando, nunca com dois tempos de 45 minutos também: o jogo era por queda ou até parar, por cansaço ou falta de jogadores. Na verdade, nada disso importava: nem a qualidade do campo nem o número de jogadores, nem o tempo do jogo. Jogar bola era diversão, brincadeira de meninos (eram raras as meninas que jogavam bola, o jogo delas, normalmente, era a queimada, muitas vezes misto). Foi assim também que se formou o futebol brasileiro que encantou o mundo e ganhou três Copas (1958, 1962 e 1970), poderia ter ganhado outras duas, não fosse a húbris, em 1950 e 1966.
Enfim, no pós-guerra, durante vinte anos, de 1950 a 1970, o futebol brasileiro encantou o mundo e dominou o futebol mundial. E não só entre seleções, também entre clubes, como o Santos de Pelé, o Botafogo de Garrincha, o Palmeiras de Ademir da Guia, o Cruzeiro de Tostão. Por que isso aconteceu? Porque todos os meninos brasileiros cresciam jogando bola, brincando, inventando dribles e jogadas, que, transportadas para o futebol oficial nos clubes e campeonatos, criavam jogadas imprevisíveis, capazes de desorganizar defesas e marcar muitos gols. Porque havia espaços para jogar bola, porque havia muitos meninos e porque eles eram moleques que brincavam na rua, principalmente de jogar bola. Quando essas condições mudaram, o futebol brasileiro entrou em decadência.
A última geração de jogadores moleques de rua foi a minha, da qual fazem parte Sócrates, Zico, Cerezo, Falcão, Éder, Júnior, Luizinho e o maior de todos, o Rei, Reinaldo, a geração da Seleção de 1982. A nossa geração de meninos foi a última que cresceu brincando na rua, jogando bola em espaços públicos que estavam sendo extintos pelo crescimento sem planejamento das cidades, pela construção desenfreada de edifícios, pelo asfaltamento das vias e sua ocupação pelos carros. O brilho da Seleção de 82 brilhou, quando os meninos da minha geração estavam na casa dos vinte anos, foi como a luz de estrelas distantes que chegam até nós muito tempo depois, expressava condições sociais que já tinham desaparecido: os campinhos e as turmas de moleques jogando bola na rua.
Simples assim. Só isso e mais nada. O chamado "futebol brasileiro", as Seleções e os times dos anos de ouro, a luz tardia da Seleção de 1982, o Atlético do Rei e o Flamengo do Zico expressaram uma realidade que não existe mais. Nossa fixação no assunto, as tentativas exitosas de 1994 e 2002, que precisam ser vistas à parte, mostram nossa incapacidade de compreender tanto o passado quanto o presente. O Brasil não tem mais futebol e jogadores extraordinários, nunca voltará a tê-los, eles pertencem ao passado. Há muito tempo competimos com as demais seleções sem nenhuma qualidade especial, própria. Ao contrário, as condições sociais nacionais atuam hoje contra o futebol brasileiro, numa corrupção generalizada marcada pela ausência de política pública de esportes, promiscuidade política, bagunça dos campeonatos, interesses capitalistas das televisões, das empresas de apostas, dos patrocinadores e dos dirigentes esportivos. Para que o Brasil volte a ser vencedor no futebol, assim como nos demais esportes, terá que se equiparar econômica e socialmente às nações ricas, o que passa por mudanças políticas profundas. Em outras palavras: para se reorganizar no futebol, o Brasil terá que se reorganizar como nação, voltar a ter um projeto econômico, social e político nacional, no qual o futebol, assim como os demais esportes, faça parte da formação das crianças e jovens.
A excelente cobertura esportiva da ESPN durante duas décadas expressou um período em que a chamada democracia brasileira prosperava, sob os dois governos FHC, os dois governos Lula e o primeiro governo Dilma. A inflação tinha sido controlada, o país crescia, os salários estavam em recuperação, a democracia se consolidava, entre solavancos, o povo confiava nela e votava na esquerda, a imprensa funcionava livremente, também entre solavancos. Linha de Passe expressava, no futebol, a confiança geral e dos jornalistas em particular, de que os problemas enfrentados pelo país, e eram muitos, seriam resolvidos democraticamente, seguindo as regras do jogo, numa espécie de progresso contínuo, eleição após eleição, em direção à esquerda. Não poderia ser de outra forma, era impensável que o povo fosse se voltar para a direita, contra governos de esquerda que o favoreciam, contra seus próprios interesses, enfim.
A crítica que se fazia então era aos governos de esquerda, aos seus defeitos, às suas concessões, às suas fraquezas, ao seu insuficiente esquerdismo. É fácil, hoje, perceber por quê. O governo Lula foi o ápice da chamada "democracia brasileira", o regime político que sucedeu a ditadura militar. Estávamos confiantes no futuro, as melhorias eram sensíveis, acreditávamos no caminhos que estávamos seguindo. Depois de seguidas derrotas (a emenda Diretas Já, a morte do Tancredo, o Plano Cruzado, o governo Collor), começamos a colecionar vitórias, como impeachment do Collor, o Planto Real, a eleição do Lula, o impressionante e surpreendente sucesso do governo petista. Nesse caminho, os brasileiros consumiram uma enorme energia política, expressa nas ruas e nas urnas, em greves e manifestações, em organizações de todos os tipos, acumulada durante os anos de chumbo. Tínhamos de fato muita energia e a gastamos até a eleição do Lula, um operário, um homem do povo, um trabalhador. Como recompensa pelos nossos esforços e sofrimentos, colhíamos os frutos da democracia. Parecia então que progredíamos, que continuaríamos progredindo, que a democracia era o caminho. O período tenebroso da ditadura militar tinha ficado para trás e o horror do governo bozo parecia impossível então.
A história é curiosa, parece que tudo tem duas faces, o futuro está contido no presente, assim como o presente estava contido no passado, ainda que um seja oposto do outro. Da terrível ditadura militar veio a mobilização popular que desaguou na democracia. Enquanto o povo se mobilizava e lutava, sofria derrotas e ao mesmo tempo era forte. Quando conquistamos estabilidade econômica, perdemos direitos sociais. Quando os trabalhadores chegaram enfim ao poder, se desmobilizaram. Quando conquistamos qualidade de vida como jamais antes e nos sentimos confortáveis, começou a ofensiva da extrema direita. Em 2010 parecia que pisávamos em solo fértil e firme, era impossível imaginar o pântano em que estamos afundados em 2026. No entanto, estava tudo lá, sempre, ao mesmo tempo: a luta popular continha o governo Lula, assim como a adesão deste ao neoliberalismo continha a nova ascensão fascista.
O que veio em 2013, com as manifestações de massa contra a Copa de 2014, eram parte disso. Exigia-se educação padrão fifa, saúde padrão fifa, transporte padrão fifa. O governo lulopetista cumpria as exigências da fifa e construía estádios e tudo mais necessário com "padrões internacionais", mas negligenciava o que efetivamente fazia diferença na vida dos trabalhadores. A Copa foi um marco negativo para o futebol brasileiro e não só pelo vexame da desclassificação com goleada de 7 a 1 para a Alemanha no Mineirão, mas principalmente porque o povo não pôde assistir aos jogos nos estádios, já que os ingressos eram caríssimos, e porque desde então as torcidas foram elitizadas. A Copa foi simbólica, mostrou sem deixar dúvida que o PT se transformara de partido dos trabalhadores em partido dos capitalistas, que o governo lulopetista, igual a todo governo burguês, representava a minoria proprietária e não a maioria eleitora.
