domingo, 4 de janeiro de 2026

A Venezuela não é uma ditadura

Essa é a primeira afirmação a se fazer sobre a Venezuela, embora a questão tenha se tornado ridícula, porque o governo trump não é nenhum modelo de democracia, nem mesmo para os estadunidentes -- para os outros povos do mundo nunca foi. Tudo é ideologia, não me canso de repetir. Nem na Venezuela nem em qualquer parte do mundo, os EUA nunca se importaram com a democracia, talvez lá longe, na sua origem como nação, ainda assim uma democracia muito limitada, com igualdade de direitos para os homens brancos e mais ninguém. A questão em qualquer ataque dos EUA contra outro povo nunca foi defender a democracia e sim os interesses econômicos do império. O conceito de democracia para os governos americanos é singular: democracia é o governo daqueles que se submetem a nós. A ditadura militar (1964-1985), por exemplo, foi uma democracia para o governo americano quando derrubou o presidente constitucional e popular, mas deixou de ser quando o governo Geisel desobedeceu Washington e fez um acordo nuclear com os alemães.  

sábado, 3 de janeiro de 2026

História da 'Guerra do Vietnã', 50 anos depois: quando Davi venceu Golias

Mais uma aula de história do Breno Altman. Repito a expressão que ele usou no final da exposição porque é a imagem de compreensão mais fácil, mas a chamada "Guerra do Vietnã" é muito mais do que isso, a começar pelo nome: esse é o nome dado pelos estadunidenses, não é o nome que os vietnamitas lhe dão, obviamente, e sim três nomes diferentes, mudando com o inimigo principal: guerra contra os japoneses, guerra contra os franceses e guerra contra os americanos. A "Guerra do Vietnã" é uma guerra emblemática para a minha geração, assim como a guerra dos sionistas israelenses contra o povo palestino. Mais uma vez repito: a invenção mais importante do Homo sapiens foi a ideologia, tudo é ideologia. A história da "Guerra do Vietnã" nos possibilita ver como a civilização capitalista manipula, com a ideologia, a nossa visão, a nossa opinião e a nossa posição diante dos acontecimentos. A "Guerra do Vietnã" era tão absurda que nem a ideologia avassaladora da imprensa e de Hollywood conseguiu manter o apoio a ela, provocando manifestações populares gigantescas nos EUA e em grande parte do mundo contra ela. É óbvio que os ataques aos vietnamitas foram motivados pelos interesses imperialistas de manter o Vietnã como colônia, como tantas mundo afora. Antes, os interesses imperialistas levaram a duas guerras mundiais entre as próprias nações imperialistas. Quando a II Guerra Mundial acabou, os povos colonizados queriam deixar de ser colônias e a partir de então as nações imperialistas se voltaram contra eles. A força dos colonizados em busca da sua liberdade é insuperável, como mostraram os vietnamitas e já tinham mostrado antes a Revolução Chinesa e, bem antes, durante a I Guerra Mundial, a Revolução Russa. Hoje mesmo estamos vendo o ataque do governo dos EUA à Venezuela. A motivação é mesma: controlar riquezas que interessam ao imperialismo, no caso o petróleo venezuelano. Vamos ver se o povo venezuelano está preparado para resistir. No futuro, os EUA poderão fazer o mesmo com o Brasil, em nome de defesa da Amazônia, por exemplo, ou com qualquer outra nação da América do Sul. A desculpa é sempre ideologia; nenhuma divergência política justifica a agressão dos estadunidenses aos venezuelanos, ou deveríamos julgar legítimo que os venezuelanos ou qualquer outro povo atacasse os EUA por discordar do governo Trump. Aspectos como a solidariedade internacional e a desaprovação do povo estadunidense contarão no desfecho da guerra, mas o mais importante, mostra a história -- e a aula do Breno Altman é um exemplo disso --, é a "resiliência nacional", a capacidade de um povo resistir à agressão externa, para o que é fundamental a existência de uma liderança nacional lúcida, organizada, competente e representativa. O pano de fundo de tudo isso, da I Guerra Mundial à possível "Guerra da Venezuela", é a agonia do capitalismo, esse monstro velho e decrépito que não quer morrer sozinho, quer levar tudo e todos com ele. Na Venezuela, hoje, como na Palestina e em outros lugares, como aconteceu antes no Vietnã, na China e em inúmeros lugares, o que acontece não é uma "guerra", é o ataque imperialista de uma nação capitalista rica a um povo pobre colonizado. Os interesses são claros: a nação imperialista quer se apoderar dos recursos do povo colonizado e mantê-lo sob sua dominação, enquanto o povo pobre colonizado quer ser independente e progredir em paz. Tudo mais é ideologia. Foi assim desde que o capitalismo começou, há quinhentos anos, foi assim quando os europeus chegaram a este continente (que ainda não tem nome, porque "América" não é nome adequado, é uma homenagem ao colonizador) onda já viviam muitos povos, e os europeus simplesmente se apoderaram da terra, exterminaram os indígenas e começaram a depredação da Natureza para tirar dela "riquezas", "recursos naturais", "matéria-prima". Essa é a história do capitalismo. Em seguida, os europeus foram à África, onde fizeram a mesma coisa e ainda aprisionaram povos africanos e os transportaram e venderam como escravos para trabalhar nos seus empreendimentos comerciais neste continente, como plantações de cana-de-açúcar e café, dentre outras. É essa a nossa história, em resumo. Povos asiáticos como os chineses e vietnamitas mostram, com seu progresso, o que pode ser a vida de um povo que resiste e se liberta da dominação imperialista. Todo povo tem direito a isso, à autodeterminação, é o que diz a carta de princípios que rege a ONU, formada para reorganizar o mundo depois da II Guerra Mundial, e é o que diziam também as declarações dos revolucionários estadunidentes e franceses, mas seus governos não as seguiram, porque foram dominados pelos interesses imperialistas que manipularam seus povos com ideologia fabricada e distribuída constantemente pela chamada "grande mídia", pela imprensa, pelas Hollywoods e Globos mundo afora. Para progredir, os povos têm que derrotar o imperialismo. Para sobreviver, a espécie humana tem que superar o capitalismo e criar uma nova ordem mundial, baseada na cooperação entre as nações. A tarefa urgente que une todos os povos está diante de nós: conter as mudanças climáticas provocadas pela devastação insana e contínua da civilização capitalista.