O poema do Carlos Drummond de Andrade serve de tema para o quadro político brasileiro, diante da derrota histórica do governo Lula, com a rejeição pelo Senado do seu indicado a ministro do Supremo Tribunal Federal, coisa que só tinha acontecido no governo Floriano Peixoto, nos primórdios da República, ainda no século XIX. Me lembrou aquele momento assustador há dez anos, quando a Câmara aceitou o pedido de impeachment da presidenta Dilma: muita coisa aconteceu e muita esperança havia ainda, mas o governo já tinha acabado. É a pergunta que faz o analista Frederico Krepe no vídeo que também reproduzo abaixo, juntamente com a do Jones Manoel, duas análises lúcidas. Para completar seu serviço o Congresso, ontem, derrubou o veto presidencial e manteve a revisão das penas dos golpistas de 8 de janeiro. Da minha parte, digo o que sinto desde que a volta do Lula se anunciou, ao ser solto em 2019: o Brasil continua afundando enquanto marca passo, sem encontrar seu caminho, seguindo políticos corrompidos, prestes a voltar às trevas de um novo governo bozo, dessa vez do jr. Já escrevi muitas vezes ao longo das quase duas décadas deste blog o que penso do Lula e do fracasso da minha geração. Quando o bozo pai foi eleito, naquela farsa da facada, parecia que os brasileiros viviam um pesadelo, ao qual a pandemia deu cores dantescas; uma repetição do pesadelo parece a descida definitiva ao inferno. Todos sabemos que bozo jr. é um bandido cercado de bandidos, que o Congresso está dominado pelo crime organizado e por interesses particulares, antinacionais e antipopulares. A imprensa empresarial não é muito melhor e já não tem a força que tinha, o STF dá mostras de que o julgamento dos golpistas de 8 de janeiro foi um ato político, não uma demonstração de idoneidade; foi por assim dizer o último ato de um longo processo que começou com a farsa do mensalão, que pode ser nomeado como a tragédia do povo brasileiro. A política brasileira está toda podre. E é isso, a podridão, que vai se institucionalizar a partir de 2027, ao que tudo indica. Depois, só uma revolução popular poderá consertar, mas como imaginar uma revolução, se até o povo se tornou reacionário, aderiu à ideologia dominante e vota na extrema direita? E agora, José? José, para onde?
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.