A eleição em Minas é tradicionalmente retrato fiel do Brasil, porque o estado é uma espécie de média nacional. Este ano, ganhará uma característica adicional, por conta do cenário inesperado que se formou. Ela será muito diferente de eleições anteriores, porque o governador não pode ser reeleito e o vice, agora governador, que ele apoia, é fraco. Assim, perde-se a principal força, isto é, o poder eleitoral decisivo do Palácio da Liberdade. Para completar, o candidato preferido nas pesquisas, inexplicavelmente, não se lançou ainda e perdeu seu próprio partido, que decidiu apoiar outro candidato.
Com tudo isso, a eleição ficou muito aberta, com vários candidatos aparentemente em pé de igualdade na preferência do eleitorado, isso antes de pesquisas que apresentem seus nomes. As dúvidas ficam em relação ao próprio candidato preferido, se vai se lançar ou não, e a outro candidato que tem apoio de muitos partidos e terá o maior tempo de propaganda. Afora isso, a eleição terá dois ex-prefeitos da capital, Kalil, que já foi candidato na última eleição, e Patrus, do PT, cuja candidatura significa uma retomada história do partido em Minas. E o bozoísmo não tem até agora um candidato, embora, é claro, algum, exceto os dois últimos, vá se oferecer a ele.
Ou seja, a eleição em Minas toma a configuração, de certa forma, do que será a eleição de 2030, sem bozo e sem Lula, com novas candidaturas, novas articulações e candidatos que, embora recebendo apoio dos dois polos, terão de se afirmar por conta própria. Vai ser interessante observar como se comportarão os candidatos e como vai reagir o eleitorado. Será muito bom se os eleitores mineiros forem capazes de votar desprezando precocemente o que em 2030 será passado e escolherem considerando exclusivamente os candidatos em disputa e suas propostas.
O PT tem um candidato digno e a oportunidade de realizar uma campanha comprometida com os interesses dos mineiros (o principal dos quais é enfrentar a mineração destruidora e corrupta) e com o futuro de Minas e do Brasil. Mesmo porque o futuro do Brasil sempre passou, no caminho, desde Pedro I, por Minas. Oxalá o faça!