quinta-feira, 2 de abril de 2026
O fenômeno Lula
Tudo (ou quase tudo) que o Lula diz nessa entrevista sem perguntas é verdade, mas se sustenta em mentiras, porque não corresponde à realidade. Lula nunca mudou de partido porque o PT é dele, sempre fez o que ele quis, se transformou no Partido do Lula, deixou de ser o Partido dos Trabalhadores. Ciro às vezes fala bobagens, mas Lula também fala, não é por isso que Lula o preteriu como candidato óbvio à sua sucessão, foi porque Ciro brilharia mais do que ele e o jogaria nas sombras, pois tinha (e tem) um projeto para o país, diferente do projeto neoliberal com o qual Lula se comprometeu. Se Lula se preocupa tanto com o partido, por que não deixou que o PT escolhesse seu sucessor, em vez de impor a candidatura desastrosa da Dilma? Depois que o levou ao poder, o PT perdeu sua função, isto é, a função que deveria ter, a de representar os trabalhadores e implantar um programa de governo próprio, coisa que o PT nunca teve. A função do PT sempre foi a de sustentar a candidatura do Lula, de torná-lo um candidato com apoio popular. Tanto isso é verdade que, ao ver que não governaria só com o PT, Lula buscou apoio em outros partidos, que se tornaram privilegiados em relação ao seu próprio partido. O lema do governo Lula passou a ser "um governo de todos", lema dúbio, que poderia ser uma crítica aos governos anteriores, que não incluíam os trabalhadores, mas de fato significava que não seria um governo "só" dos trabalhadores, mas também das classes dominantes. E na prática, ao adotar o projeto neoliberal do FHC, compromisso assumido na famigerada "carta aos brasileiros (banqueiros)", tornou-se o governo dos capitalistas. Tudo isso são fatos, hoje óbvios. O PT tornou-se dependente do Lula, não sobrevive sem ele, definhou e tende a sumir, depois dele, se não se transformar de fato num partido, com programa etc. Lula diz que é preciso ter partidos sérios e acabar com a promiscuidade na política, mas seus governos foram e é mais ainda o atual sustentados na promiscuidade com o chamado centrão, em nome da "governabilidade". O PT nunca suportou dissidências que desafiassem Lula, prova disso são os inúmeros militantes e tendências expulsos. Se Lula se preocupasse com o seu partido, não aceitaria que seus auxiliares, como Jacques Wagner e Clara Ant, promovessem o sionismo e protegessem Israel da reprovação geral ao genocídio palestino. Tampouco se alinharia com os EUA contra a Venezuela, no não reconhecimento da eleição e no veto à entrada no Brics. Enfim, é contradição após contradição, e não só isso, Lula se passa por um semideus, acima do bem e do mal, mas destila veneno, ao dizer que "Camilo achava que o mau era eu e agora está vendo" e que "Ciro foi um bom ministro". É claro que foi. Ciro é certamente o político mais brilhante da nossa época e não apoiar sua candidatura é um dos maiores prejuízos que Lula deu ao Brasil, só comparável ao fato de impedir que Brizola fosse ao segundo turno em 1989. Ao contrário do que diz Lula, Ciro foi vitorioso em todas as eleições que disputou, exceto as de presidente, mas o mais importante é que, uma vez eleito, não traiu seu projeto político e realizou obras concretas. Por isso mesmo era o mais qualificado para suceder Lula, mas este quis Dilma, dependente dele, inexperiente, inábil. É evidente que Dilma foi escolhida para guardar a vaga durante quatro anos, mas aconteceram imprevistos. Isso é pensar no país ou pensar em si mesmo? É essa a questão. Lula não pensou no Brasil, talvez nunca tenha pensado, pensou em si mesmo, talvez só pense em si mesmo. Isso na melhor hipótese, a pior seria seu compromisso com o neoliberalismo. Simples assim. No entanto, não estou condenando Lula, ele só é o que é porque nos deixamos enganar, porque a esquerda se iludiu com o "líder operário", esse ser esperado como um messias pelos marxistas. O messias mostrou ser o mais hábil político da história brasileira, rivalizando com Getúlio. Seu único problema é que não tinha um projeto nacional e popular para o Brasil e para os brasileiros, e converteu-se no líder burguês capitalista. Imagina Lula com o projeto do Brizola, seria muito bom, mas nesse caso, penso, não seria Lula, porque Lula sempre teve uma ideologia capitalista liberal. Não à toa, seu mais dileto afilhado é o social-liberal Fernando Haddad. Lula engabela os entrevistadores, porque é um mestre da retórica, um encantador de serpentes, como o define Ciro. A única vez em que o vi ser apertado por um repórter foi naquela entrevista histórica para o Glenn Greenwald. Afora tudo isso, é o de sempre, a imprensa capitalista busca o que não é importante para os brasileiros, segue a pauta dos patrões, joga Lula contra Ciro e Ciro contra Lula, para favorecer a volta do neofascismo, que será terrível no segundo governo, assim como trump 2 é pior do que trump 1.
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