O comunista pernambucano faz o que eu sempre esperei da esquerda brasileira, desde os anos 1970, quando comecei a ouvir os discursos ditos marxistas-leninistas: propostas factíveis para governar o Brasil capitalista e transformá-lo numa grande nação razoável, econômica, social e politicamente democrática. A esquerda nunca entendeu o Brasil concreto, sempre falou de um Brasil teórico, baseado nas experiências revolucionárias estrangeiras e nas análises sociais europeias. A Polop tentou pensar a revolução brasileira no começo dos anos 1960, mas os resultados práticos do seu esforço foram pífios ou desastrosos. Quando chegou ao poder, com FHC primeiro e depois com Lula, a dita esquerda adotou o neoliberalismo como modelo, se submeteu confortavelmente ao capital e esqueceu os compromissos com os trabalhadores. Jones Manoel me parece o primeiro intelectual marxista brasileiro que une as ideias socialistas à realidade nacional concreta. Pouco a pouco ele vem elaborando uma alternativa de esquerda com possibilidades de ser bem-sucedida, de fazer um governo mil vezes melhor do que os medíocres governos lulopetistas e milhões de vezes melhor do que os governos da extrema direita. Acrescento que ele não é o único político brasileiro a fazer isso; sem o mesmo compromisso com a revolução socialista e a ideologia marxista-leninista, Ciro Gomes apresenta sem sucesso aos brasileiros desde 1998 um projeto que em muito se assemelha ao do JM.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.