Interessante depoimento. De dentro. Como aconteceu e continua acontecendo. Desde 2015. O sectarismo de direita. O radicalismo crescente. Nas redes sociais. Entre jovens. Se espalhando. Atos violentos. Terrorismo doméstico. Não adianta ter ódio dessas pessoas, é preciso compreender e aprender a lidar com elas, desenvolver políticas sociais de Estado, com adesão da sociedade.
sábado, 15 de outubro de 2022
O nascimento da extrema direita no Brasil
Só a democracia derrota o populismo
A qualificação da democracia passa pela qualificação da sociedade: dos eleitores, dos políticos, da imprensa, dos jornalistas, das instituições e dos cidadãos em geral. A democracia é o governo do povo. A democracia é a esperança. A democracia é o começo, o meio e o fim.
Vários comportamentos mostram que a sociedade brasileira até hoje não se ajustou à democracia: a extrema direita ameaça a sociedade com uma volta da ditadura militar; a imprensa tem preferências partidárias, mas não as explicita e informa com parcialidade, a ponto de se tornar porta-voz de uma campanha de impeachment; a população não valoriza seu poder de escolher seus governantes pelo voto direto e não participa ativamente da política, ao contrário, a despreza; a esquerda ainda mantém ranços revolucionários e não se empenha em defender e aprimorar a democracia.
Comecemos pela esquerda. O que chamamos de esquerda no Brasil é fundamentalmente o PT; vai além dele, inclui outros partidos e grupos, mas o PT, nos anos que se seguiram ao fim da ditadura militar e até hoje se tornou a mais completa tradução do que chamamos de esquerda brasileira.
E o que é o PT? Originalmente, o PT foi formado por uma união de grupos marxistas-stalinistas sobreviventes da luta contra a ditadura com o novo sindicalismo emergente e as comunidades de base da igreja católica progressista. São três forças, mas o mais exato talvez fosse dizer quatro forças, incluindo nelas o Lula.
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Democracia, mercado, Estado, educação
Para que serve o Estado? Para fazer o que é bom para a população e não acontece naturalmente, isto é, pela ação “natural” do mercado. O capitalismo é um sistema caótico em que a produção e a distribuição das riquezas são desiguais e provocam distorções, conflitos, violências, pobreza, fome, miséria, destruição etc. É o que queremos? Imagino que a maioria decidirá que não. O Estado deve agir para corrigir isso.
Há quem argumente que o mercado resolve todos os problemas, basta deixar que ele funcione livremente. Esta não é uma questão ideológica, é uma questão prática. O que deve fazer uma sociedade democrática? Estabelecer objetivos e como alcançá-los. Se a maioria decide deixar o mercado livre para agir e resolver os problemas, a decisão democrática deve ser acatada e um ano depois avaliada para saber o que aconteceu, comparar, tirar conclusões e decidir como continuar. Se o mercado não resolveu, a sociedade, democraticamente, decidirá por outro caminho.
É aí que entra o Estado, com suas instituições e indivíduos, os funcionários públicos. A atuação do Estado e dos seus funcionários também deve ser decidida, acompanhada e avaliada. Que poder deve ter o Estado? Que tamanho? Sejam quais forem, devem ser avaliados democraticamente, periodicamente. Seus funcionários devem ter privilégios? Isso também deve ser avaliado democrática e periodicamente. Nada é questão ideológica, de princípio, perene, tudo é prático, reavaliado periodicamente, democraticamente. Só a democracia é ideológica.
A democracia é o sistema, o começo, o meio e o fim, é a ideologia: o que a população, por maioria, decidir é o que deve ser feito. Em todas as questões.
A derrota em uma votação não exclui a busca de convencimento para uma votação futura – na democracia, todas as decisões são revistas periodicamente, sempre.
Ninguém é melhor ou pior, ninguém vale mais, ninguém vale menos, indivíduo nenhum vale pelo dinheiro que tem nem pelo sobrenome, muito menos pela cor da pele, pelo gênero, pelo lugar de onde vem. Na democracia, todos são iguais.
A minoria se submete à maioria, mas não é eliminada, não é calada, ao contrário, é da discordância que muitas vezes vem o novo, o melhor, o certo. Os derrotados devem respeitar os vencedores e os vencedores devem respeitar os derrotados. Uns não são inimigos dos outros, apenas pensam diferente e futuramente poderão pensar igual, discordam em um ponto e concordam em outro.
A maioria não deve exigir que a minoria seja igual a ela. Este é um aspecto da democracia, que precisa ser debatido, regulado e respeitado: os direitos das minorias. Quais são os critérios orientadores? A liberdade, o direito à diferença, a diversidade, a tolerância.
Interesses individuais e de grupos devem ser sempre explicitados. A democracia exige que os interesses coletivos prevaleçam sobre todos os outros – os individuais, os de grupos, corporações, classes. Mas estes também devem ser considerados.
O interesse nacional prevalece sobre o interesse regional, o interesse regional prevalece sobre o interesse local, mas os interesses locais e regionais não são anulados, ao contrário. Na democracia busca-se o equilíbrio entre diferenças, pensa-se na maioria e na minoria, no coletivo e no individual, no local e no regional, no regional e no nacional, no todo e nas partes, no predominante e no particular.
Uma sociedade democrática deve discutir e estabelecer valores, virtudes, qualidades; deve combater defeitos, malefícios. É bom ser tolerante ou intolerante? Como buscar a tolerância? O que favorece a tolerância? Que práticas a sociedade deve adotar para incentivar a tolerância e outras virtudes?
A educação das crianças e dos jovens é o que molda o comportamento dos futuros adultos, não há dúvida. Como se deve então educar as crianças e jovens para a sociedade que queremos? Como é uma educação democrática? A educação democrática também deve ser decidida e implantada democraticamente e avaliada periódica e democraticamente para ver se está no caminho certo.
Não há segredo nisso, é só praticar, pensar, falar e ouvir e decidir democraticamente. Com o passar do tempo, os indivíduos vão se acostumar a praticar a democracia e a reconhecer seus benefícios. Com a sucessão das gerações, com o crescimento de crianças educadas democraticamente, a democracia se tornará ideologia dominante e sua prática se tornará mais fácil e natural.
sábado, 8 de outubro de 2022
A esperança vem de Ana Júlia
A secundarista que virou ícone do movimento estudantil que ocupou escolas defendendo a educação pública de qualidade em 2016 e enfrentou os deputados machos brancos reacionários falando palavras de sabedoria diante da intolerância e do autoritarismo.
É a esperança de um Brasil melhor nas próximas gerações, porque os jovens de hoje são melhores do que fomos as gerações mais velhas.
Ana Júlia faz uma carreira meteórica, foi eleita vereadora há dois anos e agora se torna deputada estadual paranaense. Sua inteligência luminosa arranca lágrimas numa época de horrores.
Minha esperança não vem de Lula, vem de Ana Júlia.
Ana Júlia para presidente em 2030!
Mônica de Bolle reflete sobre Brasil em 2023
Hora de ouvir gente inteligente que pensa além do maniqueísmo.
A disputa no segundo turno do ponto de vista do modelo econômico: o inominável representa uma economia centrada no agrotoxiconegócio, o lulismo forjou uma aliança social ampla, que inclui indústria, agro e agricultura familiar, além de trabalhadores.
terça-feira, 27 de setembro de 2022
O cheque em branco do Lula
Frei Beto e a Mosca Azul
Comentários pertinentes sobre o lulismo
quinta-feira, 22 de setembro de 2022
E não é que eu tinha razão?
Há tanto tempo sem escrever aqui, reli a última publicação. Quase um ano depois, o Atlético foi um fiasco em 2022, o sucesso incrível de 2021 não tinha base e desmoronou. Não tem planejamento nem competência nem consistência nem continuidade esse Atlético, só dinheiro, que por sua vez é emprestado pelos banqueiros e empreiteiros que se apoderaram do clube. 2021 foi um acaso da sorte. É o que parece. O maior exemplo disso foi a saga da saída e volta do treinador: saiu por cima, voltou como se fosse a salvação e levou o time para o buraco. Além de não ganhar nada neste ano, depois dos títulos da Supercopa e do Mineiro, que de certa forma ainda vieram no ritmo de 2021, não vai nem obter vaga para disputar a Libertadores de 2023, ano em que os "mecenas" pretendem inaugurar o novo estádio. Lamentável, mas previsível.