sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Ciro quer defesa da democracia nas ruas

Ciro Gomes diz -- em entrevista à BBC Brasil (vídeo abaixo) -- que toca fogo na rua em defesa de democracia. Espero que toque mesmo, já passou da hora disso, já se passaram na verdade cinco anos. Desde 2015, quando começou o golpe, o povo devia estar nas ruas defendendo a democracia, mas as elites da esquerda não quiseram, não entenderam, não defenderam, não agiram, ficaram só na conversa; seu "esquema" não funcionou, da mesma forma como aconteceu em 1964.

Espero que Ciro, que pretende ser candidato pela quarta vez, tenha um programa de democracia para apresentar, porque eu, que não sou candidato a nada, sou um simples eleitor, e votei nele três vezes já, tenho clareza de quais são os pontos de um programa democrático para o Brasil, que é muito mais democrático do que o dos governos do PT, que não passaram de um governo capitalista desenvolvimentista, mas o mundo hoje não pede crescimento, pede decrescimento, e o Brasil pede defesa do ambiente acima de tudo, pede distribuição de renda, democratização do acesso a saúde, educação, alimentação, transporte, moradia e lazer de qualidade, democratização da comunicação, aposentadoria aos 60 anos (para todos, não só para os ricos e castas privilegiadas), fim das castas privilegiadas, fim da polícia de matar pobres, direitos para os trabalhadores, redução da jornada de trabalho. Desenvolvimento é isso, não é crescimento econômico com desigualdades profundas e destruição do ambiente.

Quem começa dizendo que Lula não é preso político começa mal. Lula é preso político, apesar de todos os seus erros, e a larva jato foi e continua sendo uma operação política, o motor do golpe, uma arma das elites contra um governo trabalhista que se perpetuava no poder, democraticamente, pelo voto popular, não tem nem nunca teve nada a ver com combate a corrupção.

Vale a pena ver o vídeo. A entrevista no vídeo é muito, mas muito melhor do que em texto. Quando escuto o Ciro falar tenho consciência da minha ignorância, isto é, da distância entre o meu conhecimento, baseado em grande parte nas informações que recolho na imprensa e livros, e o conhecimento dele, que alia como nenhum outro brasileiro dessa geração -- de muitas outras, acho -- uma formação intelectual brilhante e uma experiência política riquíssima. O Brasil não dá o devido valor a isso, infelizmente. Ou, dito de outra forma, os interesses que controlam a comunicação no Brasil não permitem -- o verbo aqui é permitir, não é possibilitar -- que ele tenha a repercussão que merece.

Penso num país ideal (na redemocratização): FHC não comprou sua reeleição, mas fez seu sucessor -- ou Lula o sucedeu; Lula se reelegeu (considerando que FHC comprou sua reeleição, como de fato o fez), mas não impôs Dilma e se recolheu ao desfrute da condição de ex-presidente com mais de 80% de aprovação (FHC também ficaria na sua, como fazem os ex-presidentes americanos, afastados e reverenciados). Num quadro assim, sem golpismo e caudilhismo, certamente Ciro já teria sido eleito presidente e dado sua contribuição ao país, que eu acho que seria maior do que a de FHC e Lula. Em 2019, os legados de FHC e Lula foram destruídos pela estupidez compartilhada irmãmente por tucanos e petistas. E o retrocesso grassa por mãos, bocas e cabeças mais atrasadas do que as dos militares que nos mantiveram numa ditadura durante 21 anos. 




'Na defesa da democracia, vamos tocar fogo na rua', diz Ciro Gomes sobre tuíte de Carlos Bolsonaro

Por Ingrid Fagundez, da BBC News Brasil em São Paulo

Veja o vídeo ou leia os principais trechos da entrevista clicando aqui.


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