Hoje me parece mais evidente do que nunca que eu estava certo ao considerar um equívoco a criação de um partido de esquerda, que veio a ser o partido dos trabalhadores, com o objetivo de disputar as eleições burguesas. Eu pensava então que a esquerda devia se dedicar a organizar os trabalhadores em sindicatos e movimentos independentes, preservando sua força, que era então crescente, em greves e manifestações etc., e marginal à sociedade burguesa da ditadura militar, antes da Constituição de 1988. Organizar e liderar movimentos dos trabalhadores seria preparar a estrutura política de uma sociedade pós-capitalista. Enquanto isso, essa vasta organização operária deveria negociar com todos os partidos burgueses e seus candidatos, trocando eventualmente votos por conquistas e benefícios. Organizar um partido e entrar na disputa burguesa significava aderir ao Estado burguês, acreditar na democracia liberal e até administrar o capitalismo para a burguesia, o que acabou acontecendo, de forma que o PT e Lula tornaram-se não só o partido e o político burgueses brasileiros por excelência no século XXI, como também alvos da extrema direita que ataca a democracia burguesa. Não é curioso, além de absurdo, que a extrema direita entranhada no capitalismo até o pescoço mobilize massas para uma revolução contra o Estado burguês, identificado com um partido e um líder de esquerda? Não é evidente a origem disso?
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