segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Reflexões sobre esquerda, marxistas, comunistas e PT - 2

Diz o Manifesto do Partido Comunista, no seu capítulo II: 

“Os comunistas diferenciam-se dos demais partidos proletários apenas pelo facto de que, por um lado, nas diversas lutas nacionais dos proletários eles acentuam e fazem valer os interesses comuns, independentes da nacionalidade, do proletariado todo, e pelo facto de que, por outro lado, nos diversos estádios de desenvolvimento por que a luta entre o proletariado e a burguesia passa, representam sempre o interesse do movimento total”. 

Eu pergunto: considerando isso, o PT é um partido comunista? Obviamente, não. Não o sendo, por que os marxistas (isto é, comunistas) brasileiros não formaram ou formam uma facção dentro do PT, a facção comunista, que representa os interesses internacionais e totais dos operários, segundo esses pontos elementares seguidos pelos marxistas (comunistas)? 

Diz também o mesmo capítulo: 

“os comunistas podem resumir sua teoria nesta fórmula única: abolição da propriedade privada”. 

Eu pergunto: qual foi a última vez que algum político brasileiro de esquerda falou em abolição da propriedade privada? 

E afirma ainda o Manifesto: “O poder político propriamente dito é o poder organizado de uma classe para opressão de outra”. 

Se isso é verdade, Lula e o PT são instrumentos de opressão dos trabalhadores em nome dos capitalistas desde que chegaram ao poder em 2003. 

Voltando ao começo: o Manifesto Comunista afirma o internacionalismo da luta operária. E faz isso com ênfase, num trecho crucial em que distingue o partido comunista de outros partidos operários em apenas dois aspectos, dos quais um é o internacionalismo. 

Na minha singela opinião, isso é um argumento decisivo a favor do Trotski e contra o "socialismo num só país" stalinista (e talvez também agora do Partido Comunista Chinês). Simpatizei com Trotski antes mesmo de ler livros seus e sua biografia escrita por Isaac Deutscher, nos quais se vê um intelectual gigante e um revolucionário autêntico. Ao mesmo tempo, não se pode ignorar que Trotski foi derrotado, o que não quer dizer muito. Quer dizer muito, porém, e merece reflexão profunda, o fato de mais de oitenta anos depois do seu assassinato a mando de Stalin o trotskismo não tenha revigorado e se tornado importante em nenhuma nação. Sempre lembro do brilhantismo da Libelu no movimento estudantil dos anos 70 e fico pensando como foi que aquele grupo tão lúcido degenerou, fornecendo quadros grotescos para o PT, o governo Lula e a imprensa burguesa, salvo exceções honrosas. 

Seja como for, o internacionalismo é uma característica essencial dos comunistas. E no entanto não existe hoje uma organização comunista internacional! O Manifesto é uma proclamação escrita por Marx e Engels para comunistas de várias nações europeias e não só europeias, é o manifesto de uma organização internacional, a "Primeira Internacional". Não à toa termina com a conclamação famosa: "Proletários de todos os países, uni-vos!". Houve depois uma Segunda Internacional, uma Terceira Internacional e uma Quarta Internacional, esta trotskista. Não há mais, o que significa que os comunistas abandonaram uma das suas duas características básicas. 

A mesma reflexão cabe sobre a segunda característica dos comunistas: além de internacionalistas, os comunistas "sempre representam os interesses do movimento em sua totalidade". E quais são esses interesses? Diz o manifesto mais adiante: "constituição do proletariado em classe, derrubada da dominação da burguesia, conquista do poder político pelo proletariado". 

Sendo assim, por que os comunistas, isto é, os marxistas, abandonaram qualquer pretensão revolucionária, qualquer trabalho de organização do proletariado como classe, qualquer intenção de derrubada da dominação burguesa, qualquer objetivo de conquista de poder político pelo proletariado? Por que trocaram, enfim, o projeto político revolucionário pela administração do Estado burguês? 

Considerando que hoje os interesses dos operários de todo o mundo são, em primeiro lugar e urgentemente, tomar o poder e salvar a espécie humana da extinção pelo capitalismo, por que os comunistas não assumem a liderança desse movimento internacional?  

Por que o trotskismo não foi capaz de evoluir, se organizar e conquistar as massas trabalhadoras num mundo cada vez mais caótico e necessitado de um projeto claro de revolução? 

Não sei, mas sei que não se pode chamar de comunista o stalinismo, assim como não se pode chamar de esquerda o PT. E que não há marxistas à altura das necessidades do movimento operário internacional neste segundo quarto do século XXI. 

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