Há muito tempo penso com a minha cabeça, não sigo ninguém, não sou filiado a partido ou corrente política, filosófica, econômica etc., mas várias vezes na minha vida me identifiquei com algum intelectual ou artista que diziam o que eu pensava. Atualmente, quem fala mais coisas que me interessam e com as quais concordo é Mônica de Bolle, que há nove anos mora nos EUA e trabalha numa importante instituição econômica em Washington.
Esse vídeo é interessante pelo conteúdo específico, mas também pelos comentários iniciais que assino embaixo. Ouvir Mônica de Bolle é um alento.
No programa Entrelinhas, de 17/2/2023, da TV Cultura de São Paulo, o banqueiro e intelectual João Moreira Sales mostra que a classe dominante brasileira finalmente começa a ver a Amazônia com outros olhos.
No século 21, ainda há dirigentes de “mídia” – jornalistas profissionais ou não – que se ocupam de sonegar ou enfraquecer certas notícias, possuídos de uma visão patológica. É um vezo paranóico associado à falta de ética. A decisão repressiva parte de quem se imagina, e à sua publicação, com um poder gigantesco de influência sobre o leitor/ouvinte, visto, portanto, como inferior, incapaz de discernimento. A ética profissional e a pessoal, sempre indissociáveis, não convivem com os vezos paranoicos.
Servilismo político e interesses financeiros tanto se alternam como se confundem na prática desse autoritarismo, vá lá, midiático. Dele vieram, nos últimos dias, 2 casos, exemplares.
A sociedade inteira recebe os reflexos dos juros oficiais, que o Banco Central estabelece com a autonomia de que desfruta há exatos 2 anos. A altitude dos atuais 13,75% contrapõe-se aos programas do governo, sobretudo aos sociais que são a sua prioridade. Um impasse complexo. Com mais 2 anos de mandato, Roberto Campos Neto preside o banco na condição de adepto íntimo do bolsonarismo e indemissível.
O alcance dessa situação irracional, as formas da autonomia e ela mesma suscitaram reações do governo encabeçadas pelo próprio presidente Lula. A indisfarçável oposição majoritária da “mídia” abriu fartos espaços a economistas, políticos e empresários em ataques ao presidente e em defesa do Banco Central tal como está e faz. E daí se iniciou algo tão necessário quanto raro aqui: um debate público. Público em todos os sentidos.
Pode
surpreender muita gente, mas grande parte do governo Lula foi dar
continuidade ao plano de obras da ditadura militar, como as
hidrelétricas na Amazônia e o Minha Casa Minha Vida. É um programa
que nasceu na Revolução de 1930, continuou na democracia populista,
ganhou forma e pujança nos anos JK e foi mantido pela ditadura até
a crise que derrubou o “milagre brasileiro” e mais tarde o
próprio governo militar. Chama-se “desenvolvimentismo”. É o
ideal de todos os governos brasileiros e o governo Lula foi o que lhe
deu maior impulso. A questão é que desenvolvimento no século XXI
precisa considerar sempre como ponto de partida o meio ambiente,
coisa que os governos petistas ignoraram, assim como habitação não
pode ser atender a demanda da construção civil, mas antes de tudo
atender a demanda da população pobre: morar com dignidade em local
que ofereça todos os serviços públicos que os ricos que moram em
bons bairros centrais têm, isto é, acesso a saúde, educação,
transporte, lazer, cultura e segurança. Isso se chama democracia.
A volta do Minha Casa Minha Vida e a política habitacional no
Brasil
Aline Pellegrini e Letícia Arcoverde, Nexo Jornal, 14 de
fevereiro de 2023 (atualizado 14/2/2023 às 19h48)
Governo Lula relança programa que incentiva produção e
aquisição de residências. Iniciativa tem como foco construções
subsidiadas para famílias de baixa renda
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva relançou nesta
terça-feira (14) o Minha Casa Minha Vida. O programa, que foi
substituído pelo Casa Verde e Amarela de Jair Bolsonaro em 2020,
volta agora com um novo formato e vai retomar a construção de
residências subsidiadas pelo governo. O Durma com Essa resgata a
trajetória dos mais recentes programas habitacionais do país, as
críticas à primeira versão do Minha Casa Minha Vida e as mudanças
na iniciativa.
A iniciativa das Nações Unidas mostra a gravidade das mudanças climáticas.
O
projeto da ONU para disseminar sistemas de alerta do clima
Lucas Zacari, Nexo Jornal, 14 de fevereiro de 2023 (atualizado
14/2/2023 às 14h18)
Iniciativa quer que até 2027 todos os países consigam proteger
população de eventos climáticos extremos com antecedência. Caribe
foi primeira região a receber programa
A ONU (Organização das Nações Unidas) lançou em 6 de
fevereiro em Barbados, pequeno país insular do Caribe, a Iniciativa
de Alerta Prévio para Todos, um projeto que pretende criar sistemas
de alerta precoce contra perigos climáticos em todo o mundo até
2027.
O Caribe é a segunda região mais propensa a desastres climáticos
do planeta. Apesar disso, apenas 30% dos países filiados à Agência
Caribenha de Gerenciamento de Emergências em Desastres possuem
sistemas de alerta precoce contra desastres naturais.
Neste texto, o Nexo mostra os principais pontos da iniciativa
mundial e como funcionam os alertas no Brasil.
Por
que russas grávidas estão indo à Argentina para parir
Marcelo Montanini, Nexo Jornal, 14 de fevereiro de 2023
(atualizado 14/2/2023 às 22h29)
Ida de milhares de gestantes a país sul-americano desde início
da guerra na Ucrânia acendeu alerta de autoridades, que investigam
suspeitas de fraudes em pacotes de ‘turismo de nascimento’
O governo da Argentina identificou a entrada de cerca de 10,5 mil
russas grávidas no país desde o início da guerra na Ucrânia, em
24 de fevereiro de 2022. Desse número, 5.819 viajaram nos últimos
três meses.
O movimento de gestantes russas levantou a suspeita das
autoridades argentinas de que grupos mafiosos estejam lucrando com o
chamado turismo de nascimento. Neste caso, a obtenção de um
passaporte argentino seria o objetivo principal.
Neste texto, o Nexo resume como funciona o movimento identificado
entre Rússia e Argentina, quais fatores o impulsionam e o que as
autoridades sul-americanas investigam.
Passei as últimas semanas ouvindo uma seleção de músicas do Burt Bacharach enquanto editava meu novo livro, O homem que não gostava de trabalhar. Bacharach é um dos meus músicos contemporâneos preferidos. Não sei se é subestimado, porque nos EUA tem um grande reconhecimento, me parece, mas sua música de primeira qualidade, como a de Tom Jobim, por exemplo, não aparece muito. Música popular excelente. Achou no Hal David um letrista à altura (I'll never fall in love again, por exemplo, é uma pérola), como Vinicius foi para Tom. Aliás, sua música tem um parentesco com a Bossa Nova. É tão boa que a escutei no modo repetição, dia após dia, sem enjoar. Living together, growing together, que fez parte da trilha do filme Lost Horizon, é uma delícia. Teve uma trajetória tão vasta que começou acompanhando a lendária atriz Marlene Dietrich.
Músico americano Burt Bacharach morre aos 94 anos
Da Redação
Compositor
teve canções gravadas por artistas como Dionne Warwick, Aretha Franklin
e Tom Jones. Obra ficou marcada por trilhas para o cinema
Foto: Dylan Martinez / Reuters 27/6/15. Burt Bacharach se apresenta no festival de Glastonbury, no Reino Unido.
O músico Burt Bacharach morreu nesta quinta-feira (9) aos 94 anos. A morte foi confirmada por sua agente Tina Brausam. A causa não foi divulgada. (CORREÇÃO: A MORTE FOI NO DIA 8.)
Bacharach
nasceu em 1928 em Kansas City, no estado do Missouri, nos EUA. Ele
começou a carreira na música nos anos 1950, quando emplacou seus
primeiros sucessos, já em parceria com o letrista Hal David, com quem colaborou por mais de 15 anos.
A
fama do músico cresceu ainda mais na década de 1960, quando compôs
algumas das canções mais icônicas de sua carreira. Uma delas é “I Say a Little Prayer”,
de 1966, cantada por Dionne Warwick e regravada posteriormente por
diversos artistas. Warwick foi uma das artistas que mais gravou
composições de Bacharach – a lista inclui também Aretha Franklin, Herb
Alpert, Tom Jones e o brasileiro Sérgio Mendes.
Segundo levantamento do jornal britânico The Guardian, Bacharach atingiu a lista de 40 músicas mais vendidas 73 vezes nos EUA, e outras 52 vezes no Reino Unido.
As análises da sensata Mônica de Bolle são muito boas. Com seu amplo conhecimento, ela mostra que a discussão sobre a taxa de juros é uma discussão política, não é econômica. E que Lula mete os pés pelas mãos ao atacar o BC. O hábil Lula não está sendo habilidoso. "Bater cabeça com o BC não é pragmático, não ajuda, só afunda o Brasil no atoleiro. Nem o BC tem que pressionar o governo nem o governo tem que pressionar o BC a fazer nada. Não é assim que funciona. Nos EUA não é assim, o FED e o governo cooperaram entrei si", explica Mônica, que concorda que a taxa de juros no Brasil está muito acima do que deveria estar.
O que ela não diz (no finalzinho do vídeo, quase diz), mas escancara, porque é a conclusão óbvia, é que os juros são tão altos porque o capital financeiro manda no Brasil. Manda no BC, manda na Globo, manda na CNN, manda na Folha, manda no Estadão, manda até na piauí!, que é uma revista de banqueiros. E mandava no governo anterior. Tudo na política se resume a quais são os interesses que prevalecem no governo -- e o BC é um instrumento de governo. E Lula e o PT praticam a política do confronto e da polarização, em vez de buscarem a cooperação.
Absurda como tudo no capitalismo, a reforma da Previdência que políticos de esquerda, cientistas políticos, economistas, analistas, jornalistas e até dirigentes sindicais acham normal. Estão todos comprometidos até a medula com o sistema. Deveriam estar lutando pela redução da idade de aposentadoria, assim como pela redução da jornada de trabalho. A vida é pra viver, não é para trabalhar! Que fique bem claro: as pessoas que defendem o aumento da idade da aposentadoria não trabalham! São todos uns sanguessugas dos trabalhadores, vivem do trabalho alheio, de privilégios do Estado, de rendas, de lucros, do capital. E vêm com esse discurso hipócrita de que a Previdência está falida, na França, no Brasil, em toda parte.