terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Uma década de decadência da democracia burguesa

Calma urgente faz um balanço da década marcada pelo ano de 2016, quando começaram grandes mudanças no Brasil e no mundo. Bem, eu não tenho instagrã e essa rede social é uma das marcas da década. Também não tenho feicibuque; tive, achei terrível e saí antes que começasse a reviravolta na internet. Qual é a reviravolta (que pode ser constatada em publicações deste jornalaico, no ar desde 2009)? É que a internet era um espaço de democratização da comunicação, consequentemente ocupada pela esquerda, pelas novas ideias, pela diversidade, pela crítica, pela criatividade, pela interatividade, pela liberdade, em resumo: por uma democracia de iguais. Isso aconteceu enquanto a internet não era um negócio rentável. Quando as empresas de tecnologia descobriram como ganhar dinheiro aqui, aquela alegre anarquia democrática acabou e a esquerda foi jogada para escanteio. Mais do que ganhar dinheiro, ou junto com isso, porque também na "vida real" funciona assim, essas empresas aprenderam como manipular o público e dominar o poder político, de uma forma nova e ampla como nunca tinha acontecido. E a internet se tornou o espaço da extrema direita. Simples assim. Bem, além de não ter instagrã e feici, e talvez também por isso, eu olhava para o mundo real e via outras coisas, tipo: quem colocou temer, o anão, lá foi Lula, quem escolheu Dilma foi Lula, quem disputou e venceu a reeleição (depois de ser contra ela, quando FHC a inventou para se beneficiar) foi Lula, quem quis continuar no poder impondo uma candidata sua, em vez de se afastar e deixar o PT seguir seu rumo e se renovar, foi Lula, quem transformou o partido dos trabalhadores num partido de um candidato só foi Lula, quem nunca teve um programa de esquerda para o Brasil e continuou a política neoliberal do FHC foi Lula. Enfim, Lula, que este ano vai disputar mais uma eleição, aos 80 anos, e continua sendo a única opção da esquerda brasileira, não é o herói da pátria. Poderia ter sido um grande presidente, apesar da sua política neoliberal, e nos poupado de muitos sofrimentos, e a ele também, se tivesse tido grandeza para sair de campo ao final do seu segundo mandato. Lula não é nenhum santo e nós, que nos curvamos à sua desastrosa liderança, também não somos. Nessa década em que tudo piorou nas nossas vidas, precisamos aprender pelo menos que o Brasil precisa de um partido e de lideranças de esquerda verdadeiras, que conquistem o poder para nos livrar da autoextinção que está cada vez mais próxima e começar a construção de uma sociedade em que os humanos vivam como iguais e em harmonia com a Natureza. 

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