Em Portugal, na Espanha, na França e na Grécia.
Do saite Outras Palavras.
O fim de semana em que a Europa pôs-se em pé
Por Antônio Martins
Até que ponto os governos podem, numa democracia, contrariar interesses e desejos da grande maioria para agir em favor de uma pequena oligarquia – ultra-enriquecida e poderosa, por controlar os circuitos financeiros? Como as maiorias podem, neste caso, reagir, se os canais que transformariam sua vontade em políticas alternativas – especialmente partidos e mídia – estão bloqueados ou controlados pela oligarquia? Algumas respostas para estas perguntas parecem ter se esboçado, nos últimos três dias (28 a 30/9). Vieram da Europa, o continente mais ameaçado pela regressão da democracia a um ritual retórico, a uma fachada que esconde, ao invés de expor, os espaços em que se tomam as decisões que importam.
Multidões imensas, de dezenas de milhares de pessoas, reuniram-se na Espanha, Portugal, França e Grécia. Protestavam contra o desmanche do Estado de bem-estar social europeu, materializado em novas medidas que atingem direitos e serviços públicos. Ao contrário do que marcava os protestos de massa no século 20, o impulso de convocação não foi lançado pelos partidos políticos. A articulação autônoma, com uso intenso da internet, foi componente decisivo em todos os países – com graduações interessantes, como se verá a seguir. Mas as multidões não se limitaram a negar a política tradicional – e talvez tenha sido esta sua principal novidade. Elas sinalizaram que pretendem lançar-se a algo como um resgate da democracia, exigindo que as instituições respeitem a vontade popular. Esta reivindicação – simples e factível, mas capaz de questionar radicalmente o sequestro da política pelos mercados – pode abrir avenidas largas para a busca de alternativas.
A íntegra.
segunda-feira, 1 de outubro de 2012
Marcos Coimbra compara os julgamentos de Collor e do PT
Há tempos Coimbra é um dos melhores analistas políticos do País, o melhor em Minas.
Do saite da Vox Populi.
Quando o STF tinha recato
Marcos Coimbra
Os dois mais importantes julgamentos políticos do Supremo Tribunal Federal (STF) desde a redemocratização estão separados por quase 20 anos. E por uma distância ainda maior no modo como em relação a eles o Tribunal se portou.
Em dezembro de 1994, em quatro sessões, julgou a Ação Penal 307. Eram nove acusados, sendo o primeiro o ex-presidente da República Fernando Collor. Na mesma ação, estavam Paulo César Farias e Cláudio Vieira, respectivamente tesoureiro de campanha e antigo secretário particular do ex-presidente. Com eles, assessores e secretárias.
De agosto para cá — e com perspectiva de atravessar outubro —, o STF está julgando a Ação Penal 470, sobre o "mensalão". Nela, os acusados são 38.
Não há um ex-presidente entre os réus — e não por falta de esforço dos oposicionistas mais combativos, especialmente os pit-bulls da mídia conservadora. Como estariam felizes se Lula tivesse sido envolvido!
Mas há, na 470, figuras estelares do PT, entre as quais uma das mais expressivas lideranças de sua história, José Dirceu. Constam também deputados de vários partidos, além de pessoas que, como na 307, nada mais seriam que coadjuvantes.
Dos 11 ministros que compunham a Corte em dezembro de 1994, apenas dois ainda permanecem. Um não votou, no entanto, na decisão da 307. Por ter parentesco com Collor, Marco Aurélio Mello se disse impedido.
O STF de 1994 resolveu ser célere e discreto, considerando a gravidade do que tinha a decidir e levando em conta que o país não ganharia se o julgamento se estendesse e fosse espetaculoso.
Nada de sessões televisionadas, de votos intermináveis frente às câmaras, de entrevistas no fim do dia.
Sob a presidência de Octavio Gallotti, os ministros de 1994 evitaram que o julgamento ocorresse em plena época eleitoral. Deixaram terminar a eleição geral de outubro e só depois iniciaram os trabalhos.
Devem ter avaliado que seria equivocado forçar a coincidência do julgamento com a eleição, por menor que fosse o risco de que ele interferisse nas decisões do eleitor. Um partido poderia ser beneficiado e outro prejudicado, o que aqueles ministros entenderam ser inaceitável.
O julgamento da Ação Penal 307 aconteceu em ambiente de opinião pública semelhante ao que temos atualmente, porém muito mais intenso: a vasta maioria das pessoas tinha certeza de que Collor era culpado e estava disposta a ir às ruas para dizê-lo. Hoje, nem com os mais veementes esforços da oposição saem de casa.
O Supremo de 1994 estava errado quando julgou a Ação Penal 307 com rigor técnico? Quando exigiu que a denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) provasse tudo que alegava contra os réus?
A íntegra.
Do saite da Vox Populi.
Quando o STF tinha recato
Marcos Coimbra
Os dois mais importantes julgamentos políticos do Supremo Tribunal Federal (STF) desde a redemocratização estão separados por quase 20 anos. E por uma distância ainda maior no modo como em relação a eles o Tribunal se portou.
Em dezembro de 1994, em quatro sessões, julgou a Ação Penal 307. Eram nove acusados, sendo o primeiro o ex-presidente da República Fernando Collor. Na mesma ação, estavam Paulo César Farias e Cláudio Vieira, respectivamente tesoureiro de campanha e antigo secretário particular do ex-presidente. Com eles, assessores e secretárias.
De agosto para cá — e com perspectiva de atravessar outubro —, o STF está julgando a Ação Penal 470, sobre o "mensalão". Nela, os acusados são 38.
Não há um ex-presidente entre os réus — e não por falta de esforço dos oposicionistas mais combativos, especialmente os pit-bulls da mídia conservadora. Como estariam felizes se Lula tivesse sido envolvido!
Mas há, na 470, figuras estelares do PT, entre as quais uma das mais expressivas lideranças de sua história, José Dirceu. Constam também deputados de vários partidos, além de pessoas que, como na 307, nada mais seriam que coadjuvantes.
Dos 11 ministros que compunham a Corte em dezembro de 1994, apenas dois ainda permanecem. Um não votou, no entanto, na decisão da 307. Por ter parentesco com Collor, Marco Aurélio Mello se disse impedido.
O STF de 1994 resolveu ser célere e discreto, considerando a gravidade do que tinha a decidir e levando em conta que o país não ganharia se o julgamento se estendesse e fosse espetaculoso.
Nada de sessões televisionadas, de votos intermináveis frente às câmaras, de entrevistas no fim do dia.
Sob a presidência de Octavio Gallotti, os ministros de 1994 evitaram que o julgamento ocorresse em plena época eleitoral. Deixaram terminar a eleição geral de outubro e só depois iniciaram os trabalhos.
Devem ter avaliado que seria equivocado forçar a coincidência do julgamento com a eleição, por menor que fosse o risco de que ele interferisse nas decisões do eleitor. Um partido poderia ser beneficiado e outro prejudicado, o que aqueles ministros entenderam ser inaceitável.
O julgamento da Ação Penal 307 aconteceu em ambiente de opinião pública semelhante ao que temos atualmente, porém muito mais intenso: a vasta maioria das pessoas tinha certeza de que Collor era culpado e estava disposta a ir às ruas para dizê-lo. Hoje, nem com os mais veementes esforços da oposição saem de casa.
O Supremo de 1994 estava errado quando julgou a Ação Penal 307 com rigor técnico? Quando exigiu que a denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) provasse tudo que alegava contra os réus?
A íntegra.
Escola do MST obtém primeiro lugar na Prova Brasil
Da Página do MST.
Escola de assentamento no Paraná fica em primeiro lugar na média do Ideb
Uma escola localizada dentro de um dos maiores projetos de assentamento no Paraná foi classificada, neste ano, em primeiro lugar na média municipal do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), no município de Querência do Norte, a 625 km de Curitiba.
A Escola Camponesa Municipal Chico Mendes fica na área de uso comunitário do PA Pontal do Tigre. O assentamento tem área de oito mil hectares, com 338 famílias.
A escola Chico Mendes conseguiu o primeiro lugar na média municipal do Ideb com a nota de 6,2.
O índice foi obtido por meio da Prova Brasil, aplicada aos alunos do ensino fundamental público, nas redes estaduais, municipais e federais. Os exames conta com perguntas de português e matemática.
Essa é a segunda vez que a escola faz a prova. Em 2009 a nota foi 4,4.
A íntegra.
Escola de assentamento no Paraná fica em primeiro lugar na média do Ideb
Uma escola localizada dentro de um dos maiores projetos de assentamento no Paraná foi classificada, neste ano, em primeiro lugar na média municipal do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), no município de Querência do Norte, a 625 km de Curitiba.
A Escola Camponesa Municipal Chico Mendes fica na área de uso comunitário do PA Pontal do Tigre. O assentamento tem área de oito mil hectares, com 338 famílias.
A escola Chico Mendes conseguiu o primeiro lugar na média municipal do Ideb com a nota de 6,2.
O índice foi obtido por meio da Prova Brasil, aplicada aos alunos do ensino fundamental público, nas redes estaduais, municipais e federais. Os exames conta com perguntas de português e matemática.
Essa é a segunda vez que a escola faz a prova. Em 2009 a nota foi 4,4.
A íntegra.
O repúdio dos blocos de carnaval de rua em BH ao prefeito Lacerda
Nos últimos quatro anos, o prefeito Lacerda tentou de todas as maneiras impedir os desfiles de carnaval de rua em Belo Horizonte. Chegou ao absurdo de ameaçar de multa comerciantes que atendessem os foliões e acionou a tropa de choque da PM para conter os blocos! Agora, na campanha eleitoral, atribuiu o "renascimento do carnaval de rua" na cidade à sua administração. Aí é demais. 26 blocos repudiaram o oportunismo do prefeito que pisca quando mente.
Do Movimenta BH.
Nota de Repúdio dos Blocos de Rua do Carnaval de BH
Diferente do que foi veiculado, ao vivo na televisão durante o debate dos candidatos à prefeitura da capital mineira, esse movimento não é fruto de uma ação política do prefeito Márcio Lacerda, tampouco teve seu apoio e incentivo. Pelo contrário, é uma resposta firme contra sua forma de administrar a BH. Uma administração que pensa a cidade para poucos, restringe seus usos, estabelece uma série de sanções normativas, nega a festa, o carnaval e a cultura viva. Ou seja, a afirmação do candidato-prefeito não é somente mentirosa como oposta às ações de sua administração que ora usou a burocracia contra o carnaval de rua, dificultando sua realização, ora empreendeu ações policiais violentas contra foliões. Uma série de documentos, fotos e filmagens comprovam essa afirmação. Não esqueceremos:
- A desastrosa e violenta ação dos fiscais da prefeitura e da Polícia Militar de Minas Gerais que, no sábado de carnaval do ano de 2011, nas imediações da Praça Floriano Peixoto, ameaçou integrantes dos blocos de multa e prisão, intimidando por meio de um contingente policial ostensivo pessoas fantasiadas, inclusive crianças.
- O ofício que a Regional Leste enviou neste ano para todos os comerciantes de sua região intimidando-os a não receberem em seus estabelecimentos blocos ou outras manifestações espontâneas que não passassem pelo crivo da prefeitura, com risco de altíssimas multas.
- As bombas de efeito moral que a tropa de choque da PM, chamada pela PBH, lançou contra foliões, na porta da prefeitura, enquanto brincavam e celebravam o carnaval de 2012, de maneira despretensiosa, pelas ruas da cidade.
- Os esforços desmedidos que vários blocos tiveram que empreender para responderem aos procedimentos burocráticos de regulamentação e excesso de normas, sempre diante falta de diálogo e organização do poder público.
Por tudo isso, contra a mentira pronunciada pelo prefeito de Belo Horizonte essa é a verdade e esses são os fatos que trazemos para toda a população. Nós, dos blocos abaixo assinados, manifestamos ainda a nossa mais profunda indignação com a forma torpe que um prefeito e candidato à reeleição, se valendo de privilégios e da exposição pública, disseminou inverdades e enganou os eleitores da capital.
A íntegra.
Do Movimenta BH.
Nota de Repúdio dos Blocos de Rua do Carnaval de BH
Diferente do que foi veiculado, ao vivo na televisão durante o debate dos candidatos à prefeitura da capital mineira, esse movimento não é fruto de uma ação política do prefeito Márcio Lacerda, tampouco teve seu apoio e incentivo. Pelo contrário, é uma resposta firme contra sua forma de administrar a BH. Uma administração que pensa a cidade para poucos, restringe seus usos, estabelece uma série de sanções normativas, nega a festa, o carnaval e a cultura viva. Ou seja, a afirmação do candidato-prefeito não é somente mentirosa como oposta às ações de sua administração que ora usou a burocracia contra o carnaval de rua, dificultando sua realização, ora empreendeu ações policiais violentas contra foliões. Uma série de documentos, fotos e filmagens comprovam essa afirmação. Não esqueceremos:
- A desastrosa e violenta ação dos fiscais da prefeitura e da Polícia Militar de Minas Gerais que, no sábado de carnaval do ano de 2011, nas imediações da Praça Floriano Peixoto, ameaçou integrantes dos blocos de multa e prisão, intimidando por meio de um contingente policial ostensivo pessoas fantasiadas, inclusive crianças.
- O ofício que a Regional Leste enviou neste ano para todos os comerciantes de sua região intimidando-os a não receberem em seus estabelecimentos blocos ou outras manifestações espontâneas que não passassem pelo crivo da prefeitura, com risco de altíssimas multas.
- As bombas de efeito moral que a tropa de choque da PM, chamada pela PBH, lançou contra foliões, na porta da prefeitura, enquanto brincavam e celebravam o carnaval de 2012, de maneira despretensiosa, pelas ruas da cidade.
- Os esforços desmedidos que vários blocos tiveram que empreender para responderem aos procedimentos burocráticos de regulamentação e excesso de normas, sempre diante falta de diálogo e organização do poder público.
Por tudo isso, contra a mentira pronunciada pelo prefeito de Belo Horizonte essa é a verdade e esses são os fatos que trazemos para toda a população. Nós, dos blocos abaixo assinados, manifestamos ainda a nossa mais profunda indignação com a forma torpe que um prefeito e candidato à reeleição, se valendo de privilégios e da exposição pública, disseminou inverdades e enganou os eleitores da capital.
A íntegra.
O falso buraco do metrô na Praça Sete
Quem fez a denúncia foi o próprio vice do prefeito Lacerda, Délio Malheiros. O deputado Rogério Correia foi conferir.
Do Viomundo.
Um falso buraco do metrô em Belo Horizonte
Do deputado estadual petista Rogério Correia, via e-mail:
"Estive no Ministério Público há cerca de 15 dias, com o companheiro Roberto Carvalho, para denunciar o buraco feito pelo prefeito Márcio Lacerda, que simula sondagem para o metrô. A ação não foi licitada e se configura propaganda eleitoreira com o dinheiro público. Em cumprimento ao meu papel fiscalizador e de representante do povo mineiro, encaminho, a seguir, prova cabal da ação criminosa cometida pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), a qual inclusive foi denunciada por aquele que, agora, se apresenta como candidato de Márcio Lacerda a vice-prefeito, Délio Malheiros".
Do Viomundo.
Um falso buraco do metrô em Belo Horizonte
Do deputado estadual petista Rogério Correia, via e-mail:
"Estive no Ministério Público há cerca de 15 dias, com o companheiro Roberto Carvalho, para denunciar o buraco feito pelo prefeito Márcio Lacerda, que simula sondagem para o metrô. A ação não foi licitada e se configura propaganda eleitoreira com o dinheiro público. Em cumprimento ao meu papel fiscalizador e de representante do povo mineiro, encaminho, a seguir, prova cabal da ação criminosa cometida pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), a qual inclusive foi denunciada por aquele que, agora, se apresenta como candidato de Márcio Lacerda a vice-prefeito, Délio Malheiros".
Marxismo hoje, segundo Hobsbawm
"Infelizmente, os historiadores sabem tanto sobre o futuro quanto qualquer outra pessoa." (E.H.)
Do blog de Beppe Grillo, via Agência Carta Maior.
"O capitalismo é um sistema instável"
"No momento, o marxismo deixou de ser o principal sistema de crenças associado aos grandes movimentos políticos de massa em toda a Europa. Apesar disso, acho que sobrevivem alguns pequenos movimentos marxistas. Nesse sentido, houve uma grande mudança no papel político que o marxismo desempenha na política da Europa. Há algumas partes do mundo, por exemplo, a América Latina, em que as coisas não se passaram do mesmo modo. A consequência daquela mudança, na minha opinião, é que agora todos podemos concentrar-nos mais e melhor nas mudanças permanentes que o marxismo provocou, nas conquistas permanentes do marxismo.
Essas conquistas permanentes, na minha opinião, são as seguintes: Primeiro, Marx introduziu algo que foi considerado novidade e ainda não se realizou completamente, a saber, a crença de que o sistema econômico que conhecemos não é permanente nem destinado a durar eternamente; que é apenas uma fase, uma etapa no desenvolvimento histórico que acontece de um determinado modo e deixará de existir e converter-se-á noutra coisa ao longo do tempo.
Segundo, acho que Marx concentrou-se na análise do específico modus operandi, do modo como o sistema operou e se desenvolveu. Em particular, concentrou-se no curioso e descontinuo modo através do qual o sistema cresceu e desenvolveu contradições, que por sua vez produziram grandes crises.
A principal vantagem da análise que o marxismo permite fazer é que considera o capitalismo como um sistema que origina periodicamente contradições internas que geram crises de diferentes tipos que, por sua vez, têm de ser superadas mediante uma transformação básica ou alguma modificação menor do sistema. Trata-se desta descontinuidade, deste reconhecimento de que o capitalismo opera não como sistema que tende a se auto-estabilizar, mas que é sempre instável e eventualmente, portanto, requer grandes mudanças. Esse é o principal elemento que ainda sobrevive do marxismo.
Terceiro, e acho que aí está a preciosidade do que se poderá chamar de fenômeno ideológico, o marxismo é baseado, para muitos marxistas, num senso profundo de injustiça social, de indignação contra a desigualdade social entre os pobres e os ricos e poderosos.
Quarto, e último, acho que talvez se deva considerar um elemento – que Marx talvez não reconhecesse – mas que esteve sempre presente no marxismo: um elemento de utopia. A crença de que, de um modo ou de outro, a sociedade chegará a uma sociedade melhor, mais humana, do que a sociedade na qual todos vivemos atualmente."
A íntegra.
Do blog de Beppe Grillo, via Agência Carta Maior.
"O capitalismo é um sistema instável"
"No momento, o marxismo deixou de ser o principal sistema de crenças associado aos grandes movimentos políticos de massa em toda a Europa. Apesar disso, acho que sobrevivem alguns pequenos movimentos marxistas. Nesse sentido, houve uma grande mudança no papel político que o marxismo desempenha na política da Europa. Há algumas partes do mundo, por exemplo, a América Latina, em que as coisas não se passaram do mesmo modo. A consequência daquela mudança, na minha opinião, é que agora todos podemos concentrar-nos mais e melhor nas mudanças permanentes que o marxismo provocou, nas conquistas permanentes do marxismo.
Essas conquistas permanentes, na minha opinião, são as seguintes: Primeiro, Marx introduziu algo que foi considerado novidade e ainda não se realizou completamente, a saber, a crença de que o sistema econômico que conhecemos não é permanente nem destinado a durar eternamente; que é apenas uma fase, uma etapa no desenvolvimento histórico que acontece de um determinado modo e deixará de existir e converter-se-á noutra coisa ao longo do tempo.
Segundo, acho que Marx concentrou-se na análise do específico modus operandi, do modo como o sistema operou e se desenvolveu. Em particular, concentrou-se no curioso e descontinuo modo através do qual o sistema cresceu e desenvolveu contradições, que por sua vez produziram grandes crises.
A principal vantagem da análise que o marxismo permite fazer é que considera o capitalismo como um sistema que origina periodicamente contradições internas que geram crises de diferentes tipos que, por sua vez, têm de ser superadas mediante uma transformação básica ou alguma modificação menor do sistema. Trata-se desta descontinuidade, deste reconhecimento de que o capitalismo opera não como sistema que tende a se auto-estabilizar, mas que é sempre instável e eventualmente, portanto, requer grandes mudanças. Esse é o principal elemento que ainda sobrevive do marxismo.
Terceiro, e acho que aí está a preciosidade do que se poderá chamar de fenômeno ideológico, o marxismo é baseado, para muitos marxistas, num senso profundo de injustiça social, de indignação contra a desigualdade social entre os pobres e os ricos e poderosos.
Quarto, e último, acho que talvez se deva considerar um elemento – que Marx talvez não reconhecesse – mas que esteve sempre presente no marxismo: um elemento de utopia. A crença de que, de um modo ou de outro, a sociedade chegará a uma sociedade melhor, mais humana, do que a sociedade na qual todos vivemos atualmente."
A íntegra.
Eric Hobsbawm, 1917-2012
O melhor historiador do século XX. "Um historiador marxista com alcance global", segundo o obituário do The Guardian. No ano passado lançou seu último livro, "Como mudar o mundo - Por que redescobrir a herança do marxismo", já publicado no Brasil pela Companhia das Letras. Aqui, uma de suas últimas entrevistas.
Do Blog do Sakamoto.
Morre Eric Hobsbawm, companheiro de madrugada
Leonardo Sakamoto
O marxista Eric Hobsbawn foi companheiro em malditas madrugadas regadas a mestrado e doutorado. Também foi cúmplice de muitas outras histórias que resolvi contar.
Não era companhia simples, fácil. Quando não concordava com ele, o homem colocava à prova a minha crença no que estava escrevendo. Se é tão bom assim, me enfrenta, vai!
Enfim, seus livros me lembraram que aprender é um ato doloroso – ao contrário do hedonismo pedagógico que alguns pregam nestes primórdios da era digital. Nem sempre o que ele tinha a me dizer era legal ou se encaixava no que eu acreditava, como muitos esperam que deva ser o conhecimento e o aprendizado hoje.
Saber que o cara que escreveu tudo aquilo estava vivo e continuava defendendo seus pontos de vista "velhos", "ultrapassados" e "cheirando a mofo", mas – ainda assim – rebeldes, dava uma sensação de segurança nesse mundo de acadêmicos de aluguel. Sentia-me protegido. Por isso, a notícia desta manhã foi, de certa forma, um choque. Todos morrem. Mas logo ele?
E, agora, que o sujeito se foi, duvido que outro ocupe o seu lugar. Os tempos são outros. As pessoas também.
Hobsbawm, a lifelong Marxist whose work influenced generations of historians and politicians, died in the early hours of Monday morning at the Royal Free Hospital in London after a long illness, his daughter Julia said. He was 95.
Hobsbawm's four-volume history of the 19th and 20th centuries, spanning European history from the French revolution to the fall of the USSR, is acknowledged as among the defining works on the period.
Fellow historian Niall Ferguson called the quartet, from The Age of Revolution to 1994's The Age of Extremes, "the best starting point I know for anyone who wishes to begin studying modern history".
A íntegra.
Do Blog do Sakamoto.
Morre Eric Hobsbawm, companheiro de madrugada
Leonardo Sakamoto
O marxista Eric Hobsbawn foi companheiro em malditas madrugadas regadas a mestrado e doutorado. Também foi cúmplice de muitas outras histórias que resolvi contar.
Não era companhia simples, fácil. Quando não concordava com ele, o homem colocava à prova a minha crença no que estava escrevendo. Se é tão bom assim, me enfrenta, vai!
Enfim, seus livros me lembraram que aprender é um ato doloroso – ao contrário do hedonismo pedagógico que alguns pregam nestes primórdios da era digital. Nem sempre o que ele tinha a me dizer era legal ou se encaixava no que eu acreditava, como muitos esperam que deva ser o conhecimento e o aprendizado hoje.
Saber que o cara que escreveu tudo aquilo estava vivo e continuava defendendo seus pontos de vista "velhos", "ultrapassados" e "cheirando a mofo", mas – ainda assim – rebeldes, dava uma sensação de segurança nesse mundo de acadêmicos de aluguel. Sentia-me protegido. Por isso, a notícia desta manhã foi, de certa forma, um choque. Todos morrem. Mas logo ele?
E, agora, que o sujeito se foi, duvido que outro ocupe o seu lugar. Os tempos são outros. As pessoas também.
Certo mesmo é que as madrugadas vão ficar mais sombrias e vazias.
Do The Guardian.
Eric Hobsbawm dies, aged 95
Lifelong Marxist, whose work influenced generations of historians and politicians, dies after long illness
Lifelong Marxist, whose work influenced generations of historians and politicians, dies after long illness
Esther Addley, Monday 1 October 2012 13.55 BST
Eric Hobsbawm, one of the leading historians of the 20th century, has died, his family said on Monday.Hobsbawm, a lifelong Marxist whose work influenced generations of historians and politicians, died in the early hours of Monday morning at the Royal Free Hospital in London after a long illness, his daughter Julia said. He was 95.
Hobsbawm's four-volume history of the 19th and 20th centuries, spanning European history from the French revolution to the fall of the USSR, is acknowledged as among the defining works on the period.
Fellow historian Niall Ferguson called the quartet, from The Age of Revolution to 1994's The Age of Extremes, "the best starting point I know for anyone who wishes to begin studying modern history".
A íntegra.
Avaaz anuncia o novo jornalismo
Jornais feitos pelos próprios usuários e jornalistas, sem empresas capitalistas nem anunciantes que censuram os conteúdos. O novo jornalismo que a internet possibilita já vem sendo ensaiado de inúmeras formas, mas este é o primeiro grande projeto formatado de que tenho conhecimento.
Da Avaaz.
Caros amigos,
Imagine se existisse um saite que pudéssemos abrir logo de manhã, tomando nosso café, que nos fizesse sentir como se visitássemos uma praça da aldeia global -- um espaço com reportagens confiáveis, análises perspicazes e narrativas inspiradoras e oferecesse, pela primeira vez, soluções para problemas e uma opção para mobilizar as pessoas sobre questões que são importantes para todos!Mas imagine se 16 milhões de nós estivéssemos por trás desse portal de notícias de ponta -- é um número maior que a circulação de jornais como Washington Post ou o New York Times! Uma meta ambiciosa, mas já passamos alguns meses modelando o conceito e recrutando uma equipe inicial de jornalistas de alta qualidade, e o Daily Briefing da Avaaz está quase pronto para ser lançado.
A velha mídia está comprometida com os donos das grandes empresas privadas e anunciantes, e suas notícias são geralmente cínicas e desmobilizadoras. O Daily Briefing será nosso e estará sobre nosso controle -- uma mídia feita por pessoas para um mundo melhor. Se apenas 20.000 de nós fizermos pequenas doações hoje, podemos colocar o projeto em prática e contratar os melhores editores, redatores, gênios da infografia e desenvolvedores. Clique para ajudar a Avaaz se tornar a mídia: https://secure.avaaz.org/po/avaaz_becomes_the_media_po/?bMNdFab&v=18298
Da Avaaz.
Caros amigos,
Imagine se existisse um saite que pudéssemos abrir logo de manhã, tomando nosso café, que nos fizesse sentir como se visitássemos uma praça da aldeia global -- um espaço com reportagens confiáveis, análises perspicazes e narrativas inspiradoras e oferecesse, pela primeira vez, soluções para problemas e uma opção para mobilizar as pessoas sobre questões que são importantes para todos!Mas imagine se 16 milhões de nós estivéssemos por trás desse portal de notícias de ponta -- é um número maior que a circulação de jornais como Washington Post ou o New York Times! Uma meta ambiciosa, mas já passamos alguns meses modelando o conceito e recrutando uma equipe inicial de jornalistas de alta qualidade, e o Daily Briefing da Avaaz está quase pronto para ser lançado.
A velha mídia está comprometida com os donos das grandes empresas privadas e anunciantes, e suas notícias são geralmente cínicas e desmobilizadoras. O Daily Briefing será nosso e estará sobre nosso controle -- uma mídia feita por pessoas para um mundo melhor. Se apenas 20.000 de nós fizermos pequenas doações hoje, podemos colocar o projeto em prática e contratar os melhores editores, redatores, gênios da infografia e desenvolvedores. Clique para ajudar a Avaaz se tornar a mídia: https://secure.avaaz.org/po/avaaz_becomes_the_media_po/?bMNdFab&v=18298
Os políticos privatizados
Na "democracia representativa", os políticos representam os empresários que financiam suas campanhas. Nós só os elegemos. Não é à toa que o projeto de financiamento público das campanhas é um tabu. A imprensa de direita vende a ideia de que é mais uma conta para o contribuinte, mas não diz que os "políticos privatizados" fazem o dinheiro público sistematicamente escorrer para os bolsos dos empresários.
Da Agência Carta Maior.
Os descaminhos do dinheiro: a compra das eleições
Por Ladislau Dowbor
A grande corrupção é aquela que é tão grande que se torna legal. Trata-se do financiamento de campanhas. A empresa que financia um candidato – um assento de deputado federal tipicamente custa 2,5 milhões de reais – tem interesses. Estes interesses se manifestam do lado das políticas que serão aprovadas mais tarde. Do lado do candidato, apenas assentado, já lhe aparece a preocupação com a dívida de campanha que ficou pendurada, e a necessidade de pensar na reeleição. O custo da campanha é cada vez mais descontrolado.
A íntegra.
Da Agência Carta Maior.
Os descaminhos do dinheiro: a compra das eleições
Por Ladislau Dowbor
A grande corrupção é aquela que é tão grande que se torna legal. Trata-se do financiamento de campanhas. A empresa que financia um candidato – um assento de deputado federal tipicamente custa 2,5 milhões de reais – tem interesses. Estes interesses se manifestam do lado das políticas que serão aprovadas mais tarde. Do lado do candidato, apenas assentado, já lhe aparece a preocupação com a dívida de campanha que ficou pendurada, e a necessidade de pensar na reeleição. O custo da campanha é cada vez mais descontrolado.
A íntegra.
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