domingo, 2 de fevereiro de 2014

A propósito das próximas eleições 2

"- Dizem por aí que o partido que está no poder é o saquarema; note bem, que eu não asseguro, porque às vezes são mais as vozes que as nozes; parecia-me, porém, que o compadre não se devia decidir a favor de qualquer partido pelo simples fato de vê-lo no poleiro.
- A minha regra é que quem está de cima tem sempre razão; e de mais, ainda não compreendo bem o nosso mistifório político: tenha o compadre a bondade de me explicar o que querem os tais dois partidos?
- Eis aí uma outra pergunta que me põe em sérios embaraços: o que querem os dois partidos?... conforme, compadre.
- Explique-se, por quem é?
- Distingamos então nos partidos três entidades bem diversas: a multidão, que é a cauda do partido; os correligionários pensadores, que foram o corpo, e os chefes, que são a cabeça; ora agora assentemos que cada partido é um animal de nova espécie, que tem uma cabeça sofrível, um corpo desproporcionalmente pequeno e uma cauda mais comprida do que o atalho por onde passou ainda há pouco!
- Bem, fica isso assentado.
- O tal bicho, como é natural, é ordinariamente governado pela cabeça; digo ordinariamente, porque quando ele se desespera, e disparata, tem um mau costume de andar às avessas, e então a cauda arrasta a cabeça por onde lhe parece, justo castigo, porque é a cabeça que acende as fúrias da cauda.
- Bem, e que mais?
- Dadas essas explicações, respondo agora ao compadre: a cauda de qualquer dos nossos dois partidos não sabe nem procura saber o que quer; segue o movimento que lhe imprime a cabeça, e vai indo: permita Deus que lhe não chegue a hora de se desesperar e disparatar!
- Até aqui a cauda; vamos agora ao corpo.
- O corpo dos partidos, que é formado pelos pensadores, pensa, prega, sustenta ideias que julga convenientes ao país; mas pode-se-lhe aplicar a vox clamantis in deserto: são idealistas, são poetas!...
- Id est: são tolos.
- Não; mas são vítimas dos velhacos.
- Já se vê, compadre Paciência, que isso não se entende comigo.
- Os chefes dos partidos, que são a cabeça, exceção feita de meia dúzia de homens sinceros e dedicados, que todos respeitam, são egoístas e ambiciosos, cujos princípios políticos se resumem todos no pronome -- Eu; trabalham só a favor de seus interesses materiais, lutam e fazem lutar os outros só para se verem ocupando altas posições sociais, que lhes deem dinheiro e importância pessoal. Para eles a política não passa de uma guerra de ambições ignóbeis, que se define perfeitamente com estas palavras já muito repetidas: "Desce tu, que eu quero subir".

(Do livro A carteira de meu tio, de Joaquim Manuel de Macedo.)

A propósito das próximas eleições

Quem pensa que a politicagem começou em 2003 convém ler os trechos abaixo, extraídos de A carteira de meu tio, livro escrito em meados do século XIX por Joaquim Manuel de Macedo, mais conhecido como autor do romance A moreninha.
Eles mostram como a política brasileira mudou pouco. Aliás, se alguma coisa mudou, foi o tamanho do corpo do partido que está no poder e a consciência da sua cauda...

"- Então, perguntou-me ele, persiste ainda nas suas disposições de se envolver em política?
- Estou decidido de pedra e cal; eu cá não mudo!
- Eu cá não mudo! Principiou logo com uma asneira, quando tratava de política: meu caro compadre, se quer ser político, e chegar a ser tido na conta de estadista, e fazer fortuna com esse modo de vida, deve ser cata-vento, e ter os pés sempre prontos para quebrar os degraus, por onde subir, assim que não precisar mais deles.
- Sim, sim, estou por isso; mas também não é menos verdade que todas essas coisas se fazem, porém não se confessam. Eu hei de afirmar sempre que sou firme como um penedo, ainda que seja mole como uma pamonha.
- Bravo! Vá por aí, que faz futuro! Do que diz se conclui que marchará justamente pelo caminho do inferno, mas console-se, porque antes de chegar ao inferno há de subir por muitas grandezas humanas, e talvez mesmo que chegue a ser ministro! Olhe, não seria o primeiro.
- O compadre fala sério ou está brincando?
- Sou um roceiro ignorante e rústico, que ainda reza pela cartilha da independência: não faça caso das minhas excentricidades; tenho a mania de ser homem de bem e de acreditar que a base de toda a política deve ser a virtude; asneiras de homem da roça!
- Poesia... poesia...
- Será isso; mas vamos a saber: qual dos partidos pretende seguir, o Saquarema ou o Luzia?
- Qual é o que está de cima agora?
- Homem, eu também não sei.
- Pois hei de me informar para me alistar nas suas fileiras."

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Fato político do mês de janeiro: brasileiros pagam as multas de Genoíno e Delúbio

E provavelmente vão pagar a de José Dirceu.
Ao STF não bastou a condenação absurda dos dirigentes do PT, a perseguição continuou pelas mãos do juiz escolhido por Barbosa com as multas que não podem pagar.
A resposta de brasileiros, doando dinheiro via internet, é um fato sem precedente histórico, que faz lembrar o velho PT, quando, perseguido pela ditadura, superava as dificuldades com a força da união.
E a direita inquisitorial -- antes representada pelos porões da ditadura, hoje representada pela "grande" imprensa -- espuma de ódio.

Do Jornal GGN.
O Supremo na berlinda
JB Costa
Há uma velha máxima que reza "a Natureza não se defende, mas se vinga". A par do espantoso (pelo volume arrecadado e a tempestividade) movimento que captou recursos para pagar as multas de José Genoíno e Delúbio Soares, poderíamos afirmar que de certa forma a militância e os simpatizantes do PT, obrigados a engolirem condenações que dão como injustas, se vingam do STF assumindo os encargos que deveriam ser dos réus. Encargos esses impossíveis de serem resgatados pelos condenados dados os valores devidos em contraste com suas incapacidades de pagamento.
Isso é inédito na história do país. Se não mesmo no mundo. Trata-se da expressão máxima da consciência política, do envolvimento cívico de cidadãos e cidadãs comuns, anônimos e anônimas, cujo ânimo deriva do somatório da inconformação, mais espírito de solidariedade e da fidelidade a uma agremiação política.
A íntegra.

Do portal Vermelho.
Campanha de apoio a Genoino arrecada o valor da multa
A campanha realizada por amigos e pela família Genoino para arrecadar o valor da multa (R$ 667 mil) a qual José Genoino foi condenado na Ação Penal 470 teve sucesso. Em dez dias a família conseguiu o dinheiro necessário por meio de doações no saite "Apoio Genoino".
O prazo determinado pelo juiz termina nesta segunda-feira (20/1/14), a família já tinha cogitado vender o único imóvel – a casa onde vivem na Zona Oeste da capital paulista – para pagar a multa caso não conseguissem arrecadar o dinheiro necessário.
Durante estes dez dias a campanha ganhou força de artistas e se destacou pelo fato de muitos apoiadores não serem filiados ao PT, entre eles, o artista plástico Enio Squeff, que doou um de seus quadros para ser leiloado e fortalecer a "vaquinha".
A íntegra.

Do Jornal do Brasil.
Genoíno doa R$ 30 mil para ajudar Delúbio a pagar multa do "mensalão"
O ex-deputado José Genoíno doou R$ 30 mil para ajudar o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares a pagar a multa imposta pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do mensalão. O valor é uma sobra do dinheiro arrecadado por Genoíno em doações feitas por partidários para que ele pagasse sua própria multa.
A íntegra.

Da Agência Carta Maior.
Campanha pró Delúbio arrecada mais que o dobro do valor da multa
O valor excedente, descontados os tributos, será repassado às campanhas que ainda serão lançadas em benefício dos também petistas José Dirceu e João Paulo
Najla Passos
Brasília - Em apenas oito dias, a campanha de solidariedade a Delúbio Soares conseguiu arrecadar mais do que o dobro do valor da multa a que o ex-tesoureiro do PT foi condenado a pagar pelo julgamento da ação penal 470. As doações somaram R$ 1.013.657,26, enquanto o valor da dívida judicial, já atualizada, é de R$ 466.888,90.
"Nossa campanha de arrecadação foi um ato político, consciente e solidário. E o amplo êxito alcançado com a coleta de expressivos R$ 1.013.657,26, é a reafirmação de nossa solidariedade a um dos companheiros", afirma Maria Leonor Poço Jakobsen, coordenadora da campanha, no saite Solidariedade a Delúbio.
A íntegra.

Do Diário do Centro do Mundo.
Dirceu terá de pagar multa de quase R$ 1 mi
Dirceu terá que pagar quase R$ 1 milhão para quitar a multa imposta pelo STF como parte da condenação no processo do mensalão. O valor atualizado da punição foi divulgado ontem pela Vara de Execuções Penais do Distrito Federal.
Inicialmente, Dirceu foi condenado a pagar 260 dias-multa no valor de dez salários mínimos, o que, de acordo com valores da época da condenação, representava aproximadamente R$ 676 mil. Com as correções, o valor chegou a exatos R$ 971.128,92.
Para arcar com a multa, Dirceu adotará a mesma estratégia de José Genoino e Delúbio Soares, que arrecadaram muito mais do que precisavam por meio de campanhas de doação na internet.
A íntegra.

O novo chefe da comunicação federal e sua missão

O que mantém a "grande" imprensa brasileira -- assim como grande parte das empresas -- é o dinheiro do Estado, no caso, o dinheiro das verbas publicitárias: R$ 600 milhões por ano.
Foi sempre assim, mas hoje pouca gente lê jornais e revistas e cada vez menos vê televisão. As verbas de publicidade do governo federal continuam concentradas, enquanto o "consumo" de informações é pulverizado.
Dar dinheiro para Globo, Veja, Folha etc. equivale, hoje, a comprar café para queimar, como faziam os governos brasileiros antigamente, isto é, garantir que a "oligarquia" não quebre, com a diferença que a informação que a "grande" imprensa produz nem de longe tem a importância que o café teve para o País.

Do Diário do Centro do Mundo. 
A missão de Thomas Traumann  
Paulo Nogueira

Thomas Traumann foi uma excelente aquisição para a Secom.
Trabalhamos juntos na Época em meados dos anos 2 000. Thomas é um jornalista competente e um homem de caráter.
Fazia, na revista, uma das seções mais lidas: Filtro. Como o nome diz, era uma filtragem das notícias mais importantes da política. (O espírito dela está presente em nosso Essencial.)
Eu era diretor editorial, e minha divisa era: "um olho na revista e outro no saite". Thomas, com seu Filtro, era a representação disso.
Na edição semanal, você tinha ali o principal do mundo político no papel. Diariamente, pela internet, você se informava por Thomas.
O mundo político acompanhava-o. Lembro que uma vez Serra, então forte candidato à presidência, nos contou que uma de suas leituras obrigatórias era o Filtro de Thomas.
Ele chega à Secom sob uma cínica desconfiança da mídia.
Absurdamente privilegiada há anos, décadas, por sucessivos governos com coisas como publicidade em doses abjetas e financiamentos a juros maternos em bancos públicos, a mídia teme que a Secom coloque algum dinheiro em blogs que representam, hoje, a garantia de que vozes e visões alternativas chegarão à sociedade.
As companhias de jornalismo defendem, essencialmente, seus próprios interesses – e os do grupo a que pertencem, o chamado 1%.
Antes da internet, elas comandavam – manipulavam – a opinião pública. Veja o que elas fizeram com Getúlio e, depois, Jango. Com Lula, no "mensalão", o mesmo comportamento padrão se repetiu – a tentativa de minar governantes populares. A diferença é que a estratégia não funcionou. A intenção era a mesma.
Thomas Traumann chega com uma missão relevante: dar mais nexo ao investimento publicitário oficial.
Faz sentido a Globo – com audiência em queda aguda por conta também da internet – continuar a receber tanto dinheiro em anúncios governamentais?
A Globo é uma bizarrice. Graças ao BV (Bonificação por Volume), uma espécie de propina para as agências, a Globo tem 60% da receita publicitária brasileira tendo 20% da audiência.
Todo este dinheiro – o governo colocou 6 bilhões de reais nos últimos dez anos – alimenta uma máquina que defende os interesses dos Marinhos, dos Marinhos e ainda dos Marinhos.
A íntegra.

Quem manda na Anatel

As agências criadas no governo FHC foram a forma encontrada pelo neoliberalismo de entregar à raposa a fiscalização do galinheiro. Finge-se que o Estado está atento à boa qualidade do serviço prestado pela eficiente iniciativa privada, zelando pelos interesses dos consumidores, mas no fim estão todos do mesmo lado.

Do jornal GGN.
Anatel perdoa multas das teles 
Já não bastassem as multas irrisórias aplicadas às teles pelas infrações cometidas contra os usuários, a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) comemorou a desoneração das multas de 190 Processos de Apuração de Descumprimento de Obrigações (Pados) movidas contra as empresas em 2013. Os Pados nem sequer foram apreciados porque as concessionárias deixaram de recorrer das sanções em troca de desconto dos valores das multas aplicadas.
Segundo o presidente da agência, João Rezende, a medida é prevista no Regulamento de Aplicação de Sanções Administrativas (Rasa), aprovado em maio de 2012, que permite a Anatel perdoar as dívidas das teles em até 90%. "O texto traz uma série de pontos positivos, que modernizam a aplicações de multas", disse Rezende, ressaltando mais uma benesse em prol das teles estrangeiras.
A íntegra.

Boa notícia: crescimento chinês cai

Crescimento econômico não significa mais riqueza para todos, significa mais lucro para poucos, ou, como diz o CEO da Bayer, riqueza para quem pode pagar.
Significa também mais destruição ambiental e suas consequências, inclusive sobre o clima.
A própria China é o melhor exemplo disso.
A questão não é produzir mais riqueza, é distribuí-la. 

Do Jornal GGN.
Crescimento industrial da China cai novamente em janeiro
Os últimos resultados mensais da economia chinesa têm elevado os temores de uma desaceleração na segunda maior economia do mundo.
O Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) oficial caiu para 50,5 em janeiro ante 51 em dezembro, de acordo com a Agência Nacional de Estatísticas. O setor industrial recuou para seu menor nível nos últimos seis meses também no primeiro mês do ano, por conta das demandas menores dentro e fora da China.
Analistas apontaram que a economia da China está enfrentando dificuldades que só crescerão nos próximos meses, em meio às profundas reformas no país.
A íntegra.

Joaquim Barbosa e o foragido da justiça

Publicar os "embaraços" de Joaquim Barbosa é como chover no molhado, mas ele é o presidente do Supremo Tribunal Federal e comandou o processo mais absurdo da história brasileira.

Do Diário do Centro do Mundo.
Joaquim Barbosa deve satisfações pela foto com um foragido
Paulo Nogueira 

Circula hoje pela internet uma foto que é um embaraço – mais um numa longa série – para Joaquim Barbosa.
Nela, JB aparece confraternizando, nos Estados Unidos, com um homem que parece um a mais na multidão.
Mas não é.
Ao lado de JB está Antonio Mahfuz, que os amigos chamam de Toni ou Toninho. A foto foi postada por Mahfuz no seu Facebook, e nela ele saúda o "justiceiro" JB.
Não haveria problema nenhum não fosse Mahfuz a chamada chave de cadeia. Ele fugiu do Brasil, há quinze anos, e deixou atrás de si copiosos calotes. Uma contabilidade recente coloca Mahfuz como réu em 221 processos.
A íntegra e a foto.

A frase do mês de janeiro: "criamos remédio para quem pode pagar"

Se os empresários fossem sempre sinceros assim, seria mais fácil entender o mundo, mas a regra é mentir descaradamente. Para isso existem publicidade e relações públicas. E a cumplicidade do jornalismo. E escolas. Um dos papéis, talvez o principal, da educação e da comunicação modernas é nos convencer de que é bom o que é ruim para nós.

Do El País edição Brasil.
"Não criamos medicamentos para os indianos, mas para os que podem pagar" 
Um dos diretores da farmacêutica Bayer perde o controle em uma discussão sobre patentes  
Emilio de Benito, de Madri

A discussão com as autoridades indianas conseguiu tirar um dos presidentes da farmacêutica Bayer do sério. A pauta era a patente do medicamento anticancerígeno Nexavar, um fármaco de última geração para tratar câncer de fígado e rins. "Não criamos este medicamento para os indianos, mas para os ocidentais que podem pagar por ele", disse o presidente do conselho de administração de Bayer, Marijn Dekkers. E vários meios divulgaram depois.
Um ex-colega de Dekkers, John LaMattina, lhe deu a oportunidade de se desculpar. Em um artigo publicado na revista Forbes, o ex-diretor da Pfizer recrimina suas palavras. E assim deu motivo para que Dekkers se explicasse. Bayer responde através dessas declarações.
"Lamento que uma rápida resposta no âmbito de toda uma discussão viesse à tona de uma maneira não intencionada. Não pode ser mais o oposto do que eu quero e do que fazemos na Bayer", disse Dekkers. Como empresa "queremos melhorar a saúde e a qualidade de vida das pessoas, independentemente de sua origem ou renda". "Em qualquer caso, estava frustrado pela decisão do governo indiano de não proteger a patente do Nexavar que nos foi concedida pela autoridade responsável pelas patentes do país. Estou convencido de nossa capacidade para inovar e em uma aberta discussão na reunião, enquanto expressava minha frustração fundamental, tinha que ter esclarecido isto".
A íntegra.

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sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

O "mensalão" tucano vai prescrever

Ao que tudo indica.
Por que será?
Aconteceu antes do "mensalão" do PT, mas até hoje não foi a julgamento.
Será que a "grande" imprensa, guardiã da "opinião pública", vai fazer estardalhaço, pedindo "justiça" contra os corruptos, pressionando o judiciário, bradando contra a "impunidade"?
O procurador é mineiro...

Da Rede Brasil Atual.
Prestes a prescrever, mensalão tucano ganha novo adiamento
Brasília – Com a prescrição dos crimes prevista para setembro, o processo do "mensalão" tucano, que envolve, entre outros, o deputado federal e ex-governador de Minas Gerais (PSDB) Eduardo Azeredo, continuará engavetado por pelo menos mais 20 dias. Para ter prosseguimento, é necessário um parecer final da Procuradoria Geral da República, que era aguardado para ontem (30/1/14), mas o procurador Rodrigo Janot não enviou o documento ao Supremo Tribunal Federal (STF).
A íntegra.

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A democracia do Lacerda e a verticalização de BH

Motoristas são unânimes em dizer que o BRT e as mudanças vão piorar o trânsito em vez de melhorá-lo. Não sei se têm razão. Li que o número de linhas de ônibus vai aumentar em vez de diminuir. Todo mundo sabe que o trânsito está em colapso porque há carros demais nas ruas e o sistema de transporte coletivo é péssimo, porque controlado pelas empresas que financiam as campanhas dos políticos (o jornal Brasil De Fato noticia em manchete que as construtoras do BRT financiaram a campanha do prefeito Lacerda).
No entanto, o prefeito Lacerda tenta verticalizar ainda mais a cidade, o que significa mais prédios, mais moradores e mais veículos entrando, saindo, circulando.
O crescimento descontrolado das cidades cria problemas cada vez maiores também.
Indiferente a isso, o prefeito milionário que não mora na cidade que administra usa a fachada "democrática" de um "conselho municipal" de 17 (!) integrantes numa cidade de 2,5 milhões de habitantes e no qual a prefeitura tem a maioria de votos. Os demais vão lá para legitimar as decisões, sempre as que a prefeitura quer.
E não só a prefeitura: o Crea, representante dos engenheiros e das construtoras, também é a favor -- é claro -- das construções e da verticalização. O IAB e outros conselheiros até tentam, mas é um jogo de cartas marcadas.
A "grande" imprensa, que, quando é incomodada, faz barulho, neste caso apenas registra os acontecimentos, sem se indignar.
E assim uma minoria faz a "nova BH", a cidade cada vez pior para nossos filhos e netos.
Quando Lacerda deixar o governo, serão precisas muitas décadas para consertar todos os males que provocou a Belo Horizonte. Isto, é claro, se tivermos novamente bons prefeitos.
Resta à população, agora, tentar impedir que o projeto de lei seja aprovado pelos vereadores, o que certamente é difícil. uma vez que são subservientes ao prefeito e aos lobbies das construtoras -- depois que recebem votos dos eleitores nem se lembram mais deles.

Do Hoje em dia.
Na batalha para verticalizar corredores viários, "Nova BH" avança
Bruno Moreno

A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) ganhou uma importante batalha para verticalizar alguns dos principais corredores viários da capital, como as avenidas Antônio Carlos/Pedro I, Andradas e Tereza Cristina, além da área Central. Em votação apertada, por 9 a 7, foi aprovado o Relatório Estudo de Impacto de Vizinhança (Reiv) da Operação Urbana Consorciada (OUC) Nova BH, na última quinta-feira (30), em reunião extraordinária do Conselho Municipal de Política Urbana (Compur).
Agora, a PBH irá redigir um projeto de lei (PL) para enviar à Câmara Municipal, nas próximas semanas, para que a operação Nova BH seja debatida
Apesar de nas outras três vezes em que o Reiv entrou na pauta do Compur – duas no ano passado e uma na semana passada – ter havido muita confusão nos debates, na última quinta-feira (30) a participação da plateia foi relativamente tranquila, apesar de os ânimos terem ficados exaltados em alguns momentos. Mas, entre os conselheiros, a disputa foi ferrenha.  
O Compur é composto por 17 membros titulares, com seus suplentes. Nove são da PBH – na última quinta-feira (30), um deles não compareceu – e outros oito distribuídos igualmente entre os setores popular, técnico, empresarial e legislativo.
Do lado da PBH, os únicos a emitirem opinião foram o presidente do Compur, o secretário municipal de Desenvolvimento, Custódio Mattos, e o secretário de Serviços Urbanos, Daniel Nepomuceno. Todos os outros ficaram calados, e votaram em bloco.
Assim, quando uma votação ficava empatada, o voto decisório, chamado de "minerva", coube ao presidente, que sempre é do Poder Executivo. Na última quinta-feira (30), em votações de outros temas em que o placar ficou empatado, Mattos desempatou em favor do que o bloco da PBH desejava.
A conselheira Cláudia Pires, representante do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) em Minas Gerais, propôs que fosse adiada mais uma vez a votação do estudo, argumentando que a legislação não havia sido respeitada, principalmente no que se refere à participação popular. Ela leu uma extensa carta da presidente do IAB, Rosilene Guedes de Souza, endossando sua opinião. Entretanto, seu pedido não foi aprovado.
Na sequência, um parecer do representante do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea-MG), Paulo Henrique Santos, favorável à aprovação do Reiv. Os votos da PBH e o do Crea, fecharam o placar em 9 a 7.
"Hoje assinamos uma declaração contra a cidade de Belo Horizonte. É o que se faz quando se nega a participação popular." Assim, Cláudia Pires, que representa o Instituto dos Arquitetos do Brasil no Conselho Municipal de Política Urbana (Compur), resumiu, do ponto de vista da entidade, a reunião extraordinária de ontem, quando foi aprovado o Relatório de Estudo de Impacto sobre a Vizinhança (Reiv) da Operação Urbana Consorciada Nova BH.
A íntegra.