sexta-feira, 27 de abril de 2018

A eficiência da direita ao assassinar Marielle

Quanto mais conheço sobre Marielle mais me impressiono com sua força e constato como a direita foi eficiente ao assassiná-la.
Marielle não era uma líder comum, tinha potencial para ocupar a prefeitura, o governo do estado, a presidência. Sua morte foi uma perda irreparável para a democracia, isto é, para o povo brasileiro, para a esquerda.
A esquerda precisa aprender a ser eficiente assim, não matando lideranças de direita, não com a violência, mas garantindo a vida das lideranças populares e transformando em ação sua propaganda.
E principalmente criando instrumentos para ganhar a disputa pela narrativa.
Basta dizer que Marielle se tornou uma heroína da Globo, quando a Globo é responsável, em última instância, por sua morte.
A Globo é a instituição mais poderosa do Brasil, detém um poder paraestatal às avessas -- é particular, mas age como parte do Estado --, na comunicação, semelhante ao poder também paralelo das milícias, dos esquadrões da morte, do crime organizado.
A Globo é mais poderosa do que a presidência da república, o Congresso, o STF, a PGR, o MP, a PF, a PM, as Forças Armadas. Todos se curvam ao poder da Globo, que, com sua propaganda permanente de valores de direita e manipulação da opinião pública, elege e derruba presidentes.
A desordem atual, o estado de exceção, a intervenção no Rio, os desmandos de juízes e procuradores, a prisão do ex-presidente Lula, o desemprego, a violência, a destruição da economia nacional, a entrega do pré-sal e das riquezas brasileiras para o capital internacional, o golpe, tudo isso tem o patrocínio da Globo.
O candidato da Globo à presidência é preferencialmente Alckmin, o tucano da vez, mas ela apoiará Bolsonaro, se for preciso. Ou Joaquim Barbosa, ou seja lá quem for, para impedir a eleição de um candidato de esquerda -- ou, se isso for impossível, apoiará um golpe dentro do golpe, cancelando eleições, impedindo a posse do eleito ou coisa equivalente.
Mesmo que não seja sua opção ideal, como foi FHC -- como apoiou Collor e depois o derrubou, como apoiou Temer e depois tentou derrubá-lo (aliás, a capacidade de Temer não pode ser subestimada, como é, pois conseguiu resistir, sabe-se lá como, com que negociações e favores, à tentativa da Globo de derrubá-lo, no ano passado).
Se a esquerda não entende isso (acho que o Ciro entende e expressou isso na sua última entrevista, na qual disse que, se for eleito -- não será -- não será derrubado, como Dilma, mas precisará do apoio do povo para conseguir governar), não é capaz de fazer política realista, não é opção de poder com mudança.

 

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