sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

O exemplo chinês para o Brasil e o projeto de desenvolvimento do Ciro

Obviamente, a resposta à pergunta título do programa é não. Elias Jabbour desponta como o segundo pensador político mais fecundo sobre o Brasil, o primeiro é o Ciro Gomes, há muito tempo. Não sei qual a diferença entre o projeto de desenvolvimento nacional dele e o do Ciro e Breno Altman não lhe pergunta, não sei por quê. É interessante também ver um stalinista, tal qual o entrevistador, lá pelas tantas (aos 38 minutos) defender a revolução permanente do Trótski. Porque não é outra coisa dizer que o que falta ao Brasil não é uma burguesia nacional, é uma esquerda com pensamento estratégico. A esquerda, na sua visão, deve ocupar o papel que a burguesia brasileira nunca ocupou, de desenvolver o país. Nem ele nem B.A., defensores dos governos lulopetistas, parecem se dar conta da sua contradição política, uma vez que esse peso, de a esquerda brasileira não ter um projeto próprio, recai sobre o PT e sobre Lula, uma vez que a esquerda brasileira há quarenta anos é o PT, que por sua vez tem como único projeto político eleger Lula. O resultado disso é que há mais de duas décadas a esquerda brasileira se dedica a administrar o Estado para a burguesia, adotando o programa neoliberal inaugurado por Collor e seguido por FHC. Essa consciência, porém está a caminho. Pode se dar em condições melhores, isto é, caso Lula seja reeleito no ano que vem, ou em condições piores, na oposição já em 2027, sem ele, caso a extrema direita volte ao governo. De fato, a considerar a teoria marxista como científica, e observando também as nações onde a revolução socialista orientada pelo marxismo foi vitoriosa, como a China, o Vietnã, Cuba e a própria URSS, o que os marxistas de cada nação devem fazer é interpretar o desenvolvimento histórico da sua nação para entender como se dará a revolução socialista nela. Muitos marxistas acadêmicos brasileiros tentaram fazer isso, alguns deles colocando a mão na massa, como os fundadores da Polop, no começo da década de 1961, antes do golpe militar de 1964, portanto. Depois do golpe houve uma nova onda nesse sentido, que resultou na luta armada, derrotada, e em seguida a esquerda adotou a defesa das "liberdades democráticas" (exceto remanescentes da Polop), que resultou no PT. Hoje, mais uma vez se faz a discussão sobre a revolução brasileira, depois de longo tempo em que o marxismo ficou restrito à academia; aqueles que se meteram na política, abandonaram o marxismo, tipo FHC, ou nunca foram marxistas, tipo Lula. Há partidos que se dizem revolucionários, como o PCBR, do Jones Manoel, e até um grupo que se chama Revolução Brasileira, cujo expoente é Nildo Ouriques. A política que esses grupos fazem, entretanto, é de proselitismo, usando a internet, sem ligação com os trabalhadoras. Será que a revolução no século XXI não precisa de ligação, digamos, "orgânica" com as massas? 

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