quarta-feira, 16 de maio de 2018

Por um jornalismo de esquerda melhor do que o jornalismo de direita

Uma das limitações da esquerda (brasileira?) é não conseguir acompanhar tudo que acontece na sociedade. Fica limitada à política, à economia e a si mesma.
E a reuniões e mais reuniões, e a discursos sempre iguais, repetição de chavões. Era assim nos anos 70, quando fui militante, e certamente melhorou, mas acabou? Pelo menos em certas coisas não. Uma delas é a pauta jornalística.
O jornalismo supera essa limitação da esquerda, ao falar de tudo, ao não ter limitações de pauta, ao ver que "tudo é notícia". Mas o jornalismo é capitalista!
Por ser capitalista, o jornalismo de direita tem limitações.
O jornalismo de gabinete limita a pauta, quando fica olhando para si mesmo e para os outros, "os concorrentes", e daí todo mundo faz as mesmas matérias. O jornalismo globaetc. é limitado porque só vê o mundo oficial -- o modelo típico são os jornalões -- e o mundo dos ricos -- o modelo típico é o das vejinhas, que se espalhou por outras revistas e jornais.
Mas eu quero falar do jornalismo de esquerda. O jornalismo de esquerda precisa ser melhor do que o jornalismo de direita, assim como a política de esquerda e os políticos de esquerda precisam ser melhores do que a política e os políticos de esquerda.
Porque a esquerda quer melhorar o mundo para a maioria, enquanto a direita, preservando privilégios da minoria, faz o mundo ficar pior -- pelo menos para a maioria.
Simples assim. Mas a esquerda precisa fazer melhor para ser uma alternativa de um mundo melhor.
Esta é a questão mais difícil para a esquerda entender, eu acho.
No jornalismo, por exemplo. Como é que a esquerda pode ser uma alternativa de um mundo melhor, no jornalismo, se faz um jornalismo pior?
Ainda hoje, com toda a deterioração do PIG, toda a esquerda continua, ela própria, lendo o globoetc.
Por quê? Porque todos precisamos desses jornais (e suas versões na internet) para nos informarmos. Se o sujeito que quer se informar ficar somente na leitura dos blogs etc., estará mal informado. Sem falar que grande parte dos blogs de esquerda, em grande parte, reproduz e comenta notícias dos jornalões. Estes são, portanto, ainda, com toda a sua decadência, melhores do que os veículos alternativos.  
Não basta apresentar outro ponto de vista, o ponto de vista dos excluídos pela grande imprensa. A esquerda precisa produzir um jornalismo melhor.
É difícil? Sim, não é fácil. Faltam recursos? Sim, falta dinheiro. Mas esse deve ser o esforço, de produzir um jornalismo melhor do que o jornalismo de direita.
A esquerda não pode ficar limitada a reproduzir e comentar o jornalismo da direita, nem a produzir noticiário só sobre a própria esquerda e temas específicos. 
O que serve para o jornalismo em geral serve para o jornalismo de esquerda. Todo bom jornalista sabe que as notícias estão nas ruas.
É preciso cobrir tudo, escrever sobre tudo, perambular pela sociedade, descobrir coisas, contar histórias. 
O jornalismo de esquerda é limitado porque só vê política, economia e "luta". A sociedade é muito mais do que isso.
Fazer jornalismo deve ser narrar o que as pessoas -- todas as pessoas, de todas as classes sociais, todas as áreas, em todas as partes da cidade, das cidades, do estado, do país, do mundo -- estão fazendo, seus hábitos, seus interesses etc.
O que vai tornar o jornalismo de esquerda melhor do que o jornalismo da direita é superar os limites deste, isto é: não fazer jornalismo oficial, não falar só dos ricos, não excluir os pobres, não excluir minorias, não censurar temas. Ter compromisso com o leitor, com a diversidade, com a liberdade -- a começar pela liberdade de expressão --, com a justiça, com a igualdade, com a democracia.

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