quarta-feira, 16 de maio de 2018

Um saite curioso, um livro, o caos ortográfico e a imprensa

Um saite local, curioso, que eu não conhecia: http://moonbh.com.br/baixo-lourdes-um-lugar-pra-comer-ate-morrer-sem-pagar-muito-caro-em-bh/. Pela novidade e pelo "Baixo Lurdes", que eu também não conhecia

OBS: Lurdes, não Lourdes. Leio no ótimo livro "A imprensa e o caos na ortografia", do Marcos de Castro, veterano jornalista carioca, do JB e outras publicações, que o grande jornal brasileiro, falecido e renascido, responsável pela modernização do jornalismo no país, nos anos 70, começou também, duas décadas depois, essa coisa horrorosa que foi recuperar a ortografia arcaica. Pois é. Desde 1943, com a reforma ortográfica, o Brasil escrevia, por exemplo, Darci, e não Darcy. Mas o general Golberi, todo poderoso da ditadura, reclamou que seu nome era com y. E o Elio Gaspari, editor de política, amigão dele (sua tetralogia sobre a ditadura foi baseada nos arquivos de Golberi e Geisel, os dois herois da redemocratização, segundo o jornalista, desmascarados, na semana passada pela divulgação de documentos da CIA), levou o pleito à direção do jornal, que o acatou. E abriu a porteira, aos poucos arrombada, como notou um experiente redator da época. Logo, para ficar no exemplo acima, Lurdes voltou a ser Lourdes. Eu, que entrei no JB em 86, já peguei o retrocesso em vigor: devia-se saber a grafia dos nomes dos entrevistados, em vez de seguir a lei ortográfica. Agora que sei, resolvo um problema que sempre me incomodou e adiro (sim, existe adiro, fui ao dicionário), ainda que tarde, à lei modernizante de 1943.

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