sábado, 16 de novembro de 2019

A direita tem projeto, a esquerda, não

Essa jornalista e filósofa alemã diz o que venho observando desde o governo Lula: a esquerda não tem um projeto de sociedade. Entendo isso em relação à esquerda marxista-lenininista-stalinista, que predominou no século XX, como decorrência do fim da URSS. Não entendo bem em relação à social-democracia. Lula e o PT, por exemplo, que se projetam como socialistas, vermelhos, amigos de revolucionários cubanos e outros, estão à direita da social-democracia. O fato é que a direita tem um projeto reacionário, mas a esquerda não tem mais.

“A extrema direita tem uma utopia. Conservadores e sociais-democratas não têm nenhuma”

A alemã Carolin Emcke, filósofa e repórter de guerra durante dez anos, analisa como a xenofobia tenta monopolizar o discurso político

Milagros Pérez Oliva, El País.

A jornalista e filósofa alemã Carolin Emcke (Mülheim an der Ruhr, 1967) vem há muitos anos observando e refletindo sobre diferentes formas de violência que condicionam nossas vidas. Aluna de Jürgen Habermas, o pensador vivo mais influente do mundo, trabalhou como repórter de guerra para a Der Spiegel entre 1996 e 2006, em lugares como o Afeganistão, Kosovo e Iraque. Seus livros Gegen den Hass (“Contra o ódio”) e Wie Wir Begehren (“Como desejamos”), ambos inéditos no Brasil, são uma referência nos debates sobre a ascensão de uma extrema direita racista e xenófoba que tenta monopolizar e condicionar o discurso político. Emcke proferiu nesta semana uma conferência dentro do ciclo Feminismos, do Centro de Cultura Contemporânea de Barcelona (CCCB).

PERGUNTA. Em sua obra você aborda a relação entre poder e violência. O que mais a preocupa em relação a esta questão?

RESPOSTA. Preocupa-me a força que está adquirindo uma ideologia autoritária, antimoderna e baseada em dogmas de pureza que constroem a realidade como se fosse um perigo, uma ameaça. Esta ideologia está mudando o discurso político no sentido de normalizar o racismo, o antissemitismo, o antifeminismo, e contribui para desumanizar as pessoas ou coletivos que mais tarde são vítimas de atentados da extrema direita. O problema é que, quando eles ocorrem, focamos o debate na violência e despolitizamos o contexto ideológico que a torna possível. Não só temos que lutar contra o extremismo quando é violento, mas também contra a ideologia que leva à violência.

Clique aqui para ler a entrevista no El País.


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