terça-feira, 5 de agosto de 2014

Olhem bem as águas*

Há povos que vivem até no deserto. O Brasil é o país da água farta.
As hidrelétricas são a nossa fonte de energia.
No entanto, no país da água farta, começa a faltar água.
Há séculos poluímos e assoreamos os rios, secamos as nascentes, destruímos as condições naturais de produção das águas.
A crise precisava acontecer em São Paulo, a cidade irracional por excelência, no governo de tucanos, governantes incompetentes por excelência.
Treze anos depois do apagão de energia de FHC, o apagão de água de Alckimin.
A falta d'água atinge o Sudeste e a maior cidade do país, um monstrengo urbano, mas temos de olhar é para a Amazônia, precisamos olhar para o Gandarela, para o Jequitinhonha.
A crise do Sudeste vem sendo preparada desde o fim do século XVII, quando se encontrou ouro em Minas Gerais.
Minas Gerais é "a caixa d'água do Brasil" e é também o estado dos rios assoreados, das nascentes que secaram, dos rios ameaçados.
E continuam secando, com o avanço da mineração, construção de minerodutos, exploração de parques e reservas.
São Paulo sente hoje o efeito do que vem sendo feito há mais de século, mas a mineração, a indústria, a criação de gado, a monocultura e a urbanização sem planejamento continuam fazendo o que terá efeito amanhã.
Precisamos olhar para o Projeto Manuelzão, que Aécio e Anastasia apoiaram eleitoralmente, nadaram em água pouca e poluída, e depois esqueceram, boicotaram.
Precisamos olhar para a transposição do Rio São Francisco.
Precisamos salvar "o rio da integração nacional".
Precisamos olhar para o Rio das Velhas.
Precisamos olhar para o Rio Arrudas.
Precisamos olhar para os rios que canalizamos e secamos em Belo Horizonte, os rios que fizeram este lugar ser escolhido para a construção da nova capital de Minas, há 120 anos.
Precisamos olhar para a Amazônia, que agora mesmo vai sendo desmatada aceleradamente para criação de gado e plantio de soja.
Precisamos olhar as águas agora.
Depois, será a seca em São Paulo e no Sudeste inteiro, na Amazônia e no Brasil inteiro.
O modelo que os governos tocam ano após ano, que consumimos diariamente, que o capital move, este modelo prepara novas faltas d'água, novas catástrofes, a escassez permanente.   

* Na década de 1970, um artista, cujo nome desconheço, espalhou em Belo Horizonte um adesivo de carro com o alerta aos mineiros, profético e desprezado, copiado do poema de Carlos Drummond de Andrade: "Olhem bem as montanhas". Quatro décadas depois, as montanhas que dão nome à cidade desapareceram sob construções irracionais, promovidas por construtores e empreiteiros gananciosos, apoiados por governantes irresponsáveis. Os brasileiros precisam olhar as águas como os mineiros precisam olhar as montanhas. 

Da RBA
Sistema do Alto Tietê opera com apenas 20,7% da sua capacidade 
Prefeito de Guarulhos afirma que a falta d'água está comprometendo a produção industrial da cidade

São Paulo – As reservas hídricas do Sistema Alto Tietê estão com apenas 20,7% da sua capacidade, segundo dados da Companhia de Saneamento Básico de SP (Sabesp). Em fevereiro, o Alto Tietê apresentava 42% do seu volume total, com a transferência de 1/3 do volume de seus reservatórios para o Sistema Cantareira, tem sofrido queda diariamente no armazenamento de água. O sistema abastece 4 milhões de pessoas das regiões metropolitanas de São Paulo e do Alto Tietê.
A Sabesp indica que não haverá racionamento e o governo está realizando uma obra na represa de Biritiba, que compõe o Alto Tietê, para romper um dique natural e aumentar o volume da represa em cinco milhões de metros cúbicos de água. No entanto, para Solange Wuo, secretária do meio ambiente de Salesópolis e integrante do Subcomitê da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê, mesmo com a obra a situação é de alerta.
"A gente conta com a natureza para que a situação se regularize, não tem nada de oficial", afirma em entrevista à Rádio Brasil Atual. Além disso, a especialista aponta que com o cenário atípico de seca das represas, muita vegetação cresceu e isso deve gerar problemas no tratamento da água. "Quando as represas voltarem ao regime e encherem, vamos ter um outro problema, a gente chama de eutrofisação, que é quando muita matéria orgânica é morta com inundações."
A íntegra.

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