sexta-feira, 29 de agosto de 2014

O que Chico Mendes diria de Marina Silva?

É uma boa questão se Chico Mendes teria mudado.
Lula mudou. Ou não mudou? Marina mudou? Por que mudou tanto? Ou não mudou?
De qualquer forma é difícil conciliar as imagens dos jagunços matando Chico Mendes e de Marina aliada a banqueiros e fundamentalistas.
Banqueiros fazem o capital destruir o planeta, poderiam fazer muito mais pelo ambiente do que "ter coragem" de apoiar Marina.
Marina é muito contraditória, o que não é necessariamente um problema, pode ser aparência.
Seu problema verdadeiro é o mesmo do Collor: ser eleita e não ter base pra governar, ficar refém dos políticos oportunistas, do próprio PSDB, e da imprensa protofascista que tenta mandar no país desde que elegeu e depôs Collor.
Marina não tem nem mesmo a base do PT, que vem do povo e que fez Lula resistir quando a direita tentou derrubá-lo há dez anos.
O que Marina faria pra valer? Mudanças radicais, como a defesa do ambiente, que exige que acima dos interesses do capital estejam os interesses de conservação das espécies, das florestas, das águas, do ar? Marina enfrentaria fazendeiros, mineradoras, industriais, banqueiros? Enfrentaria Globo, Veja, Folha de S. Paulo? Enfrentaria quem infla e financia sua campanha?
Digamos que tivesse essa coragem, que apoio teria? O do povo difuso, como Jânio Quadros, em 1960? Como Collor, em 1989? Os dois caíram, Marina continuaria de pé?
Esta é a questão séria, a única questão importante, da qual Brizola -- que enfrentou a Globo e o capital e por isso era mais odiado, por eles, do que Lula -- falava em todo discurso, desde 1982, quando teve de desmontar o esquema de desvio de votos do Proconsult para ser eleito.
O sistema político brasileiro é viciado: para ser eleito, o político precisa dos votos do povo e do dinheiro dos empresários. Depois de eleito, vai governar pra quem? Para a maioria do povo pobre, necessitado, ignorante e desorganizado? Ou para a minoria de ricos que o financiou e que detém o poder efetivo da economia e da imprensa?
"São os pobres que nos elegem, mas são os ricos que têm acesso aos gabinetes", disse Lula, um presidente com a grandeza contraditória, nos defeitos e nas virtudes, de poucos -- Getúlio e JK, nenhum mais talvez.
Lula, Dilma e o PT tentam se equilibrar entre fazer o possível para o povo e o que exigem deles os empresários, os políticos oportunistas e a imprensa. E fizeram muito mais do que todos os outros desde JK pelo menos. E no entanto levaram e continuam levando bordoadas sem parar, todos os dias.
É pouco o que fizeram, é preciso fazer muito mais, é preciso tomar decisões radicais, para que nossos filhos e netos tenham futuro, não só no Brasil, mas no mundo inteiro.
Era preciso que chegássemos à qualidade de vida dos países nórdicos, onde metade da renda dos indivíduos vai para o Estado, que em compensação oferece educação, saúde e transporte gratuitos.
Em que as pessoas têm a maior parte do tempo livre para viver, em vez de se matarem de trabalhar, de consumirem seu tempo em deslocamentos no trânsito engarrafado, em cidades poluídas e violentas.
Gente que come alimentos orgânicos, que privilegia o convívio em ambientes públicos, que se regala com artes, que desfruta dos prazeres simples da vida, que consumismo nenhum é capaz de dar.
"Me diz com quem você anda que eu lhe direi quem você é", diz um ditado dos mais antigos. Marina, nas companhias em que anda, será capaz de fazer um governo para transformar o Brasil em Dinamarca? Um governo revolucionário? Progressista? Um governo capaz pelo menos de manter as conquistas sociais dos pobres nos últimos doze anos?
É mais fácil acreditar em Papai Noel.

Da RBA.  
'Só se Chico Mendes tivesse mudado muito apoiaria o projeto de Marina Silva' 
Vice-presidenta do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Xapuri, início da militância do sindicalista, diz que alianças de Marina impossibilitam programa de sustentabilidade

São Paulo – A candidata a presidente pelo PSB, Marina Silva, causou rebuliço nas redes sociais ao explicar seu conceito de "elite" durante o último debate presidencial, transmitido pela TV Bandeirantes na terça-feira (26): na concepção da ex-senadora, a herdeira do banco Itaú Neca Setúbal, uma das "mentoras" das campanhas a presidente de Marina em 2010 e 2014, e o líder seringueiro Chico Mendes (1944-1988), com quem Marina começou sua militância, no Acre, integrariam uma mesma "elite", baseada não em elementos sociais e econômicos, mas na "coragem".
Não foi isso, no entanto, que incomodou o Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Xapuri, entidade da cidade natal de Mendes onde desempenhou sua militância por melhores condições de vida para os trabalhadores da floresta e pela união com os chamados povos tradicionais, e que sedia o acervo de sua vida e luta. Para os militantes que dão continuidade à causa de Mendes, o que incomoda é a transfiguração do líder assassinato por fazendeiros de sindicalista para "ambientalista", caracterização que o sindicato, em nota oficial, afirma fazer parte da "temática ambiental capitalista".
A íntegra.

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