quarta-feira, 1 de maio de 2019

Brasileiros bebem água contaminada por agrotóxicos


A notícia mais estarrecedora dos últimos tempos estarrecedores. Não é à toa que câncer virou uma epidemia. As autoridades que estão no poder desde o golpe de 2016 não vão fazer nada contra, porque servem aos interesses do agronegócio e dos fabricantes de venenos. Ao contrário, estão fazendo a favor, liberando mais agrotóxicos. Para eles tanto faz, porque não tomam a água que nós tomamos e ganham muito dinheiro com as colheitas gigantescas de monoculturas para exportação. Só a sociedade pode reagir, denunciando, agindo, aliando-se aos mercados estrangeiros consumidores, que, afinal, estão comprando comida envenenada também.

O governo do capitão liberou o uso de agrotóxicos cancerígenos e está liquidando a fiscalização. Quando fiscais atuam, o presidente os desautoriza publicamente, como no caso da queima das máquinas dos desmatadores da Amazônia. Aliás, o fiscal que em 2012 multou o capitão por pesca ilegal em reserva foi demitido do serviço público.

Como diz Eliane Brum, ilude-se quem pensa que o governo está paralisado, ao contrário, ele cumpre velozmente o que prometeu: desmontar o Brasil construído a partir de 1930, fazer o país voltar ao século XIX do liberalismo, quando não havia Estado e quem mandava eram os latifundiários, as multinacionais e os banqueiros. A novidade é que ele acrescentou o crime organizado ao rol de poderosos.

Uma das medidas do governo do capitão é impedir o acesso a informações públicas que possibilitaram essa reportagem.

Detalhe: o levantamento abrange parte do governo Dilma, o que significa que a situação já era calamitosa antes, quando havia relativo controle dos agrotóxicos. Podemos imaginar o que vai acontecer a partir de agora, que eles foram liberados. 


'Coquetel' com 27 agrotóxicos foi achado na água de 1 em cada 4 municípios

São Paulo, Rio de Janeiro e outras 1.300 cidades acharam agrotóxicos na rede de abastecimento. Dados do Ministério da Saúde revelam que a água do brasileiro está contaminada com substâncias que podem causar doenças graves.

Por Ana Aranha e Luana Rocha - Repórter Brasil / Agência Pública, 15/4/19. 

Um coquetel que mistura diferentes agrotóxicos foi encontrado na água de 1 em cada 4 cidades do Brasil entre 2014 e 2017. Nesse período, as empresas de abastecimento de 1.396 municípios detectaram todos os 27 pesticidas que são obrigados por lei a testar. Desses, 16 são classificados pela Anvisa como extremamente ou altamente tóxicos e 11 estão associados ao desenvolvimento de doenças crônicas como câncer, malformação fetal, disfunções hormonais e reprodutivas. Entre os locais com contaminação múltipla estão as capitais São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Manaus, Curitiba, Porto Alegre, Campo Grande, Cuiabá, Florianópolis e Palmas.

Os dados são do Ministério da Saúde e foram obtidos e tratados em investigação conjunta da Repórter Brasil, Agência Pública e a organização suíça Public Eye. As informações são parte do Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Sisagua), que reúne os resultados de testes feitos pelas empresas de abastecimento.

Os números revelam que a contaminação da água está aumentando a passos largos e constantes. Em 2014, 75% dos testes detectaram agrotóxicos. Subiu para 84% em 2015 e foi para 88% em 2016, chegando a 92% em 2017. Nesse ritmo, em alguns anos, pode ficar difícil encontrar água sem agrotóxico nas torneiras do país.

Embora se trate de informação pública, os testes não são divulgados de forma compreensível para a população, deixando os brasileiros no escuro sobre os riscos que correm ao beber um copo d’água. Em um esforço conjunto, a Repórter Brasil, a Agência Pública e a organização suíça Public Eye fizeram um mapa interativo com os agrotóxicos encontrados em cada cidade. O mapa revela ainda quais estão acima do limite de segurança de acordo com a lei do Brasil e pela regulação europeia, onde fica a Public Eye.

(Clique AQUI para ler a reportagem na íntegra e consultar o mapa da água contaminada.)

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