terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Jorge Larrosa Bondía: a crise da escola

Ele reflete sobre uma das questões mais importantes da nossa época -- a escola pública igual para todos -- e toca em várias questões interessantes. (Por exemplo: como os professores -- assim como profissionais de todas as áreas -- estão sendo transformado em meros aplicadores de programas pré-definidos, cujas experiências particulares não importam, e por isso podem ser trocados, descartados, e como tais podem também ganhar menos.)
A escola pública é uma ideia do século XIX.
O século XIX foi um grande século, tanto em extensão (de 1789, ano da Revolução Francesa, até 1914, ano da I Guerra Mundial, segundo a análise do historiador Eric Hobsbawm, e não segundo as datas) quanto no que realizou. Quase tudo de grandioso na cultura pertence ao século XIX. Praticamente todas as ideias que temos hoje são do século XIX (com exceção do consumismo e do seu oposto, o ambientalismo) e elas sobrevivem, embora o século XX as tenha subvertido.
Nossos dilemas têm a ver com isso.
As condições do século XIX já não existem -- duas guerras mundiais, a Revolução Russa de 1917, o nazi-fascismo, a Guerra Fria e o fim do império soviético as destruíram.
No entanto, não colocamos novas ideias no lugar.
As ideias típicas do século XX, o planejamento e a intervenção do Estado, seja para organizar a economia, seja para promover a igualdade, ruíram com o fim do império soviético, nele e no mundo capitalista.
Depois disso, o capitalismo não avançou para o que seria o século XXI, mas tentou retroceder ao século XIX. É evidente que não está dando certo.
Podemos dizer, acompanhando Hobsbawm, que o século XXI começou em 1991, com o fim da URSS. Mas o que é ele?
Até agora ninguém disse, no máximo perguntou. As respostas, na prática, apontam para o século XIX, como disse.

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