sexta-feira, 3 de maio de 2013

Roqueiros reacionários

Podia ser nome de banda.
Não tem novidade nenhuma em cantor que o público considera bacana ser mau caráter. Assim como não tem contradição no fato de uma estrela pop riquíssima pensar com o bolso. Assim como é mais que comum que um grande poeta seja um ignorante em outros assuntos.
O erro está em qualquer um de nós se interessar pelo que pensam os artistas, além do que exprimem na sua arte, e se influenciar por eles, em vez de pensar com a própria cabeça.

Do Diário do Centro do Mundo.
Lobão, Roger e o rock de direita  
Kiko Nogueira
A guinada à direita de Lobão, Roger do Ultraje e mais alguns de seus colegas de geração pode ter deixado muita gente decepcionada (me refiro àqueles que esperavam alguma coisa deles).
Como podem roqueiros, com seu estilo de vida, vamos dizer, libertário, virarem direitosos? Como esses caras que mergulharam em sexo, drogas e roquenrol puderam se tornar reacionários depois dos 50?
Eu não tenho certeza da motivação deles (no caso de Lobão, é uma mistura de oportunismo e fanfarronice). Mas é ingenuidade pensar que rockers são automaticamente de esquerda, antiestablishment, revolucionários ou coisa do gênero.
Lobão, Roger e – lembrei de mais um – Leo Jaime não estão sozinhos no mundo em sua paranoia antiesquerdista. Eles fazem parte de uma longa tradição. Mo Tucker, a veterana baterista do Velvet Underground, a banda mais subversiva de todos os tempos, por exemplo, anunciou há poucos anos sua filiação ao ultradireitista Tea Party.
Alice Cooper, um dos pioneiros da união entre rock, teatro e filmes de terror nos anos 70, com sua sexualidade ambígua e suas letras depravadas – virou um evangélico fanático e antiobamista de coração.
Joe Perry, guitarrista do Aerosmith, que fazia com o vocalista Steven Tyler uma dupla apelidada Toxic Twins (dado o grau de ingestão de cocaína), apoiou o republicano John McCain nas eleições de 2008.
Phil Collins prometeu deixar a Inglaterra se o Partido Trabalhista fosse eleito. Noel Gallagher, ex-Oasis, aproveitou a deixa: "Vote nos trabalhistas. Se os conservadores forem eleitos, Phil está ameaçando voltar".
Em 76, Eric Clapton, bêbado, fez um discurso num show, apoiando o racista Enoch Powell.
Agora, ninguém bate Elvis Presley. Em novembro de 1970, Presley entregou uma carta de seis páginas para o então presidente Nixon, em que expressava sua preocupação com o país, sugerindo que ele podia usar sua posição para acabar com a "cultura da droga, os elementos hippies e os Panteras Negras". Pediu para ser nomeado agente colaborador do FBI no Departamento de Narcóticos e Drogas Perigosas.
A íntegra.

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