domingo, 25 de maio de 2014

Transporte urbano, preço de passagem e dinheiro público para empresas

De que está falando a velha imprensa quando fala do dinheiro gasto com a Copa?
Alguém já viu essa gente criticar o dinheiro que é distribuído pelo BNDES para os grandes empresários?
Concessionários de ônibus, por exemplo.
O sistema de transportes que se implanta em Belo Horizonte é um exemplo disso: uma obra caríssima (R$ 5,5 bilhões) que destruiu tudo que tinha acabado de ficar pronto e está comprando.centenas de ônibus novos, os "articulados", ao preço de R$ 840 mil cada um, para criar duas pistas para o tal Move.
Nada disso era preciso para melhorar o transporte coletivo e "tudo" isso não vai adiantar: a obra já nasceu superada.
É que tem de parecer uma coisa grandiosa e gastar muito dinheiro, porque é assim que ganham os empreiteiros, os concessionários de ônibus e os políticos financiados por eles.
No entanto...
A prefeitura poderia criar corredores de ônibus em todas as avenidas praticamente sem custos.
E diminuir o preço das passagens.
Mas, ao contrário, as passagens aumentaram. 
E as empresas não querem reajustar os salários dos motoristas.
Para atender interesses mais poderosos do que os interesses de milhões de usuários.
Nem o Ministério Público conseguiu derrotá-los.
Em SP, o movimento ganhou conotação nitidamente política e os concessionários, que se sabe estão envolvidos em denúncias de grossa corrupção desde os primeiros governos tucanos, jogou os trabalhadores contra a prefeitura petista, para obter ainda mais subsídios.
Lá como aqui, o governo subsidia o preço da passagem, mas não à custa dos empresários, que, além de comprarem ônibus com dinheiro público, exigem mais lucros.
Não é possível um sistema de transportes funcionar assim.
O sistema é ruim e caro porque as empresas ganham muito dinheiro com ele.
E são incompetentes.
Ao contrário do que se apregoa, os serviços públicos terceirizados pioram.
Os motivos da terceirização não são eficiência e diminuição de custos, e sim passar para a iniciativa privada tudo que possa dar lucro fácil, transferindo dinheiro público para elas (e para seus políticos).
Perdem com ela a população, que paga caro e tem péssimos serviços, e os trabalhadores, que passam a ter condições de trabalho precárias, sem vantagens trabalhistas garantidas pela CLT.

Da RBA
Empresas de ônibus receberam 22 estádios da Copa em dinheiro público desde 2010
por Diego Sartorato

São Paulo – O movimento dos motoristas e cobradores de ônibus de São Paulo, que fechou 16 das 29 garagens do sistema de transporte público à revelia do sindicato dos trabalhadores e causou sérios problemas à mobilidade na cidade na terça e quarta-feiras (20 e 21), aliou-se ao SP Urbanuss, sindicato patronal que representa as empresas de ônibus, para cobrar da prefeitura a solução do impasse em torno do reajuste salarial da categoria: as empresas se recusam a oferecer reajuste acima dos 10% acordados com o sindicato – os trabalhadores pedem 13% – alegando falta de receita, mas podem rever a posição caso a prefeitura aumente os subsídios pagos às permissionárias e concessionárias por viagem realizada; na reunião realizada ontem, na Superintendência Regional do Trabalho de São Paulo, os trabalhadores reforçaram essa demanda.
As empresas, no entanto, receberam R$ 22,2 bilhões da SPTrans, de janeiro de 2010 a março de 2014, de acordo com dados do Portal da Transparência da Secretaria Municipal de Transportes. O valor, que representa os subsídios pagos pelo poder público e o valor da tarifa, que é registrada pela SPTrans e depois devolvida às empresas, é equivalente ao necessário para construir 22 arenas Corinthians, estádio de abertura da Copa, em Itaquera, na zona leste. Além disso, o último acordo pelo aumento dos subsídios mensais ocorreu há menos de um ano, após os protestos de junho de 2013. O aumento dos subsídios de R$ 230 milhões mensais em média pagos em 2012 para os cerca de R$ 300 milhões mensais pagos atualmente foi a forma encontrada pela prefeitura para atender à demanda dos movimentos de rua e congelar o preço da passagem em R$ 3.
Fora os valores pagos às empresas diretamente, a SP Urbanuss recebeu, no mesmo período, cerca de R$ 153 milhões da SPTrans em parcelas de R$ 3 milhões ao mês, em média. 
A íntegra.

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